 |
Existem alguns filmes que quando acabam, costumam fazer com que os telespectadores
se perguntem como foi possível que produtores gastassem dinheiro para fazer uma
obra tão ruim como a que acabou de ser vista. Nesses casos, seria melhor que a
produtora pegasse a quantia investida na película e fizesse uma doação para algum
abrigo de criancinhas carentes, pois desta forma o dinheiro seria utilizado de
melhor forma. E é exatamente esse pensamento que vai passar pela cabeça da maioria
das pessoas que assistirem 2001 Maníacos (2001 Maniacs, 2005), lançado
recentemente em DVD.
Dirigido por Tim Sullivan (roteirista de Retorno de Aliens - A Geração Mortal,
1983) e tendo como um dos produtores o cultuado Eli Roth (O Albergue, 2005), o
filme acompanha oito jovens que, ao pegarem um desvio, chegam a um estranho
vilarejo com características arquitetônicas do século 19. Pois é, essa turma nunca
aprende que sair da estrada principal não é uma boa idéia. Na tal cidadezinha, os
jovens são recebidos pelos moradores do lugar, que se vestem com roupas de 100
anos atrás e falam sem parar da comemoração de uma importante data, que vai
acontecer nos próximos dias.
O comportamento destes moradores é semelhante a como se eles fossem personagens da
Guerra Civil Norte-americana, que colocou os habitantes do norte do país contra os
que viviam no sul. O conflito aconteceu entre os anos de 1861 e 1865. Curiosos,
ou sem terem melhor opção, os jovens decidem ficar por um tempo no lugarejo.
O que a turma de amigos não percebe é que a cidade é habitada por um bando de
lunáticos que pretende comemorar a data especial com um churrasco feito com a
carne dos jovens. Um a um, os forasteiros começam a ser abatidos das |
formas
mais... hum... criativas não é bem a palavra... Bom, eles acabam morrendo. Ler
essa pequena sinopse pode dar a impressão de que 2001 Maníacos seja apenas um
filme de terror convencional com o elenco sendo estripado por assassinos sádicos.
Seria bom se assim fosse...
Refilmagem do interessante Maníacos (2000 Maniacs, 1964), o filme de Sullivan
consegue ser tão bom quanto uma visita ao dentista para fazer tratamento de canal.
O roteiro, assinado pelo próprio, não consegue prender a atenção do telespectador,
que apenas aguarda por alguma cena de violência ou terror, que nunca chega de
maneira satisfatória. O filme é repleto de falas chatas e repetitivas, que incluem
até recriações de frases do clássico ...E O Vento Levou (Gone With The Wind,
1939).


O filme possui suspense zero, além de que, as características típicas de produções
do gênero estão totalmente ausentes. Não se tem susto, medo, nojo, agonia, pavor,
repulsa, interesse, ou qualquer outro sentimento ou ação durante os 87 minutos da
trama. Ah, perdoe pelo esquecimento, prezado leitor, pois existe algo que o filme
consegue transmitir como poucas vezes se viu em obras do gênero: tédio.
As poucas cenas que chamam atenção são mais pela precariedade do que qualidade
técnica. Como exemplos existem algumas mortes, como a de uma garota que é,
literalmente, desmembrada ou um rapaz que tem as partes íntimas devoradas por uma
moradora do vilarejo.
A falta de verba é um outro problema gritante da obra, que acabou ocasionando
cenas mal feitas e até iluminação precária. Está segunda falha é claramente
perceptível em algumas seqüências que se passam durante o dia e a luz solar está
“estourada”, ou falsamente forte demais, no rosto dos personagens. Claro que um
orçamento curto pode prejudicar a produção de um filme, mas não serve de desculpa
quando a obra tem resultado medíocre. Basta olhar para trás e encontrar clássicos
como
O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1974) ou
Hellraiser (Hellraiser, 1987), que foram feitas com verba baixíssima.

E o que falar do elenco? É lamentável ver Robert Englund, o Freddy Krueger,
fazendo caras e bocas como o prefeito da cidade. Não que Englund mereça ganhar um
Oscar pela sua interpretação, mas ele já provou que é um bom ator. Quem viu a
versão de 1989 de
O Fantasma da Ópera (The Phantom Of The Opera) sabe que ele
consegue ser muito mais do que o vilão dos pesadelos. Outra que está perdida no
filme é a atriz Lin Shaye, eterna coadjuvante de produções da New Line Cinema como
A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) e
Quem Vai Ficar com Mary?
(There's Something About Mary, 1998). Em
2001 Maníacos, a atriz faz o papel da
dona da pousada, que cada vez tem menos hóspede.
E o que falar da turma adolescente do filme? São tão ruins como os papéis que
estão interpretando. Caricatos, exagerados, forçados e perdidos são apenas algumas
características dos personagens de
2001 Maníacos. E assim o filme vai avançando, a
passos de formiga, sem vontade e sem história. Os únicos momentos que conseguem
chamar um pouco de atenção acontecem quando as moradoras do vilarejo, jovens de
pouca roupa e corpos definidos, ficam desfilando para lá e para cá sem muita
finalidade dentro da história. A não ser a de entreter o público masculino do
filme, que vai adorar ver cada uma dessas beldades, em especial nos momentos em
que elas tiram a roupa.

Mas o pior de todos os comentários foi deixado para o final. Ao que parece,
2001
Maníacos vai ganhar uma seqüência. Batizada de
2002 Maniacs: Beverly Hellbillys, o
novo projeto será novamente dirigido por Tim Sullivan e deve ficar pronto em 2007.
Vamos aguardar, mas sem muita esperança. Ou satirizando mais uma vez a clássica
frase de
...E O Vento Levou, poderíamos dar uma nova interpretação e esperar que
certos produtores a utilizem.
“Tendo Deus como testemunha. Jamais farei filmes
ruins novamente”. Seria ótimo.
Filipe Falcão
 |
2001 MANÍACOS (2001 Maniacs , EUA, 2005). Duração: 87 minutos.
Direção: Tim Sullivan
Roteiro: Chris Kobin e Tim Sullivan
Produção: Brett W. Nemeroff; Eli Roth; Scott Spiegel; Christopher Tuffin; Boaz Yakin
Produção Executiva: Jonathan Bross e David F. Friedman
Fotografia:Steve Adcock
Música: Nathan Barr
Edição: Michael Ross
Figurino: Wendy Moynihan
Maquiagem: Corinna Liebel; Wendy Arthur; Wendy Boscon; Grady Holder; Heather Mages; Honey Secunda
Elenco: Robert Englund (Prefeito Buckman); Lin Shaye (Granny Boone); Giuseppe Andrews (Harper Alexander); Jay Gillespie (Anderson Lee); Marla Malcolm (Joey); Dylan Edrington (Nelson Elliot); Matthew Carey (Cory Jones); Peter Stormare (Professor Ackerman); Gina Marie Heekin (Kat); Brian Gross (Ricky); Mushond Lee (Malcolm); Bianca Smith (Leah); Brendan McCarthy (Rufus Buckman); Adam Robitel (Lester Buckman); Ryan Fleming (Hucklebilly); Eli Roth (Justin)
|