OS 50 MELHORES FILMES DE HORROR DO SÉCULO XX

por Marcello Simão Branco

O fim de um século e o início de outro é um momento propício para balanços históricos e especulações sobre o que virá. Nesse sentido, soltei no meu fanzine "Megalon" # 58, ano XII, setembro de 2000, duas listagens sobre os filmes de ficção científica e horror mais representativos do século XX.



Como o nome desta coluna é "Sombras à Espreita", quero aproveitar a oportunidade de divulgar e compartilhar com você, leitor, a lista dos 50 filmes de horror por mim selecionados, depois da tarefa difícil que foi conseguir chegar a este número.
Por que 50, você pode vir a perguntar e não 100, pois o século tem 100 anos e o próprio cinema comemorou um século de existência em 1995? É que a outra metade eu dediquei aos filmes de ficção científica. Quem sabe não os divulgue também nesta mesma coluna em uma outra oportunidade?
Quanto aos 50 filmes de horror mais importantes e influentes já realizados na história do cinema, há de tudo um pouco, quanto aos temas e estilos e mesmo procedências geográficas. Filmes de horror expressionistas, góticos, sobrenaturais, psicológicos, explícitos. De diretores consagrados a alguns alternativos, 'malditos' e até mesmo obscuros, com bem cabe a filmes feitos para assustar.



Mas independentemente do tema e do estilo, o que procurei levar mais em consideração foi a qualidade da obra e sua ressonância, influência nos anos que passaram. Obras que, mesmo passados setenta, quarenta ou dez anos influenciaram o seu entorno, com outros filmes, com revelação de diretores, atores e que, de certa forma, extrapolaram o próprio objetivo inicial da obra, ganhando a cultura popular de uma maneira geral.
A lista não tem ordem de preferência e sim cronológica, do "Gabinete do Dr. Caligari", de 1919 ao "Sexto Sentido", em 1999, justamente 80 anos depois. Temos 30 filmes produzidos nos Estados Unidos, 11 na Inglaterra, quatro na Alemanha, três na França, um no Brasil e um na Suécia. Começando com um cineasta alemão e terminando com um indiano (numa produção de Hollywood). Eis os eleitos:

Nome nacional - Diretor - Ano - País: "O Gabinete do Dr. Caligari" - Robert Wiene - 1919 (Alemanha) / "Nosferatu" - Frederich Willielm Murnau - 1922 (Alemanha) / "O Fantasma da Ópera" - Rupert Julian - 1925 (França) / "Fausto" - Frederich Willielm Murnau - 1926 (Alemanha) / "Drácula" - Tod Browning - 1931 (EUA) / "Frankenstein" - James Whale - 1931 (EUA) / "M, o Vampiro de Dusseldorf" - Fritz Lang - 1931 (Alemanha) / "A Múmia" - Karl Freund - 1932 (EUA) / "O Médico e o Monstro" - Victor Flemming - 1941 (EUA) / "Na Solidão da Noite" - Vários diretores - 1945 (Inglaterra) / "O Retrato de Dorian Gray" - Albert Levin - 1945 (EUA) / "O Túmulo Vazio" - Robert Wise - 1946 (EUA) / "O Sétimo Selo" - Ingmar Bergman - 1957 (Suécia) / "O Vampiro da Noite" - Terence Fisher - 1958 (Inglaterra) / "A Loja dos Horrores" - Roger Corman - 1960 (EUA) / "Psicose" - Alfred Hitchcock - 1960 (EUA) / "Os Inocentes" - Jack Clayton - 1961 (Inglaterra) / "A Noite do Lobisomen" - Terence Fisher - 1962 (Inglaterra) / "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?" - Robert Aldrich - 1962 (EUA) / "O Corvo" - Roger Corman - 1963 (EUA) / "À Meia Noite Levarei Sua Alma" - José Mojica Marins - 1963 (Brasil) / "Dementia 13" - Francis Ford Coppola - 1963 (EUA) / "Os Pássaros" - Alfred Hitchcock - 1963 (EUA) / "Desafio ao Além" - Robert Wise - 1963 (EUA) / "A Górgona" - Terence Fisher - 1964 (Inglaterra) / "A Noite dos Mortos Vivos" - George A. Romero - 1968 (EUA) / "O Bebê de Rosemary" - Roman Polansky - 1968 (EUA) / "A Casa que Pingava Sangue" - Peter Duffel - 1970 (Inglaterra) / "O Abominável Dr. Phibes" - Robert Fuest - 1971 (Inglaterra) / "Balada Para Satã" - Paul Wendkos - 1971 (EUA) / "MacBeth" - Roman Polansky - 1971 (Inglaterra) / "A Inocente Face do Terror" - Robert Mulligan - 1972 (EUA) / "O Exorcista" - William Friedkin - 1973 (EUA) / "O Homem de Palha" - Robin Hardy - 1973 (Inglaterra) / "A Casa da Noite Eterna" - John Hough - 1973 (EUA) / "O Massacre da Serra Elétrica" - Tobe Hooper - 1974 (EUA) / "Tubarão" - Steven Spielberg - 1975 (EUA) / "O Inquilino" - Roman Polanski - 1976 (França) / "A Profecia" - Richard Donner - 1976 (EUA) / "O Iluminado" - Stanley Kubrick - 1979 (EUA) / "Poltergeist - O Fenômeno" - Tobe Hooper - 1982 (EUA) / "Fome de Viver" - Tony Scott - 1982 (EUA) / "A Morte do Demônio" - Sam Raimi - 1982 (EUA) / "A Hora do Pesadelo" - Wes Craven - 1984 (EUA) / "Coração Satânico" - Alan Parker - 1987 (EUA) / "Gêmeos, Mórbida Semelhança" - David Cronemberg - 1988 (EUA) / "O Silêncio do Lago" - George Sluizer - 1988 (França) / "O Silêncio dos Inocentes" - Jonathan Demme - 1991 (EUA) / "Drácula de Bram Stoker" - Francis Ford Coppola - 1992 (EUA) / "O Sexto Sentido" - M. Night Shyamalan - 1999 (EUA)

A esta altura, depois de ler a lista acima, você deve ter suas discordâncias, é natural. Toda lista é polêmica por definição e serve principalmente para estimular o debate, comparar preferências e identificar tendências, seja do crítico individualmente, ou de um grupo que elabore em conjunto um trabalho de escolha de melhores. Pessoalmente gosto da grande maioria dos filmes, mas até há alguns de que não sou particularmente fã, mas reconheço sua importância dentro do contexto histórico do desenvolvimento do gênero horror no cinema. Exemplo? O filme "M, o Vampiro de Dusseldorf", do cineasta alemão Fritz Lang.



Também deixei de fora alguns filmes de ficção científica com fortes elementos de horror como, por exemplo, "Alien - O Oitavo Passageiro", de Ridley Scott (1979) e "O Enigma do Outro Mundo", de John Carpenter (1982), ambos na lista dos filmes de ficção científica, que também elaborei, conforme já disse linhas acima.
Além disso, achei por bem deixar de fora as continuações de um filme e procurei comparar os filmes originais com as refilmagens, dando a preferência para um deles.
O leitor pode estranhar o caso de alguns filmes, nos quais o cineasta é de um país e o filme foi classificado para outro, como o caso do polonês radicado na França, Roman Polansky. Levei em conta o país em que o filme foi produzido e a língua no qual ele foi veiculado.
Aqueles que já conheciam esta listagem originalmente publicada no "Megalon", notarão que de 2000 para cá, a lista já mudou. Três filmes que estavam na lista saíram para a entrada de outros, o que só mostra que as opiniões vão se modificando com o tempo, ao se rever um ou outro filme, como também quando vemos um filme que antes não conhecíamos. Os que saíram foram "Muralhas do Pavor" (D. Roger Corman - 1962), "Carrie, a Estranha" (D. Brian de Palma - 1976) e "Hellraiser, Renascido do Inferno" (D. Clive Barker - 1987). São grandes filmes, que continuam importantes, substituídos por outros que passei a considerar ainda mais significativos, como "O Túmulo Vazio" (D. Robert Wise - 1946), "MacBeth" (D. Roman Polansky - 1971) e "O Silêncio do Lago" (D. George Sluizer - 1988).
O horror tem uma tendência em ser visto como um gênero menor, bruto, visceral e que, portanto, não se presta muito a um exercício artístico ou intelectual mais elaborado. No grosso posso até concordar com o argumento, dada a quantidade enorme, esmagadora de filmes de horror que são, literalmente, um horror. Mas dentro dos 90% de lixo comum há qualquer assunto que se queira discutir, como sabiamente sentenciou o escritor americano de ficção científica Theodore Sturgeon (1918-1985), há uns bons 10% que vale a pena ser celebrado, resgatado, selecionado e, mais importante, visto e revisto sempre que possível. Afinal, depois de um século até o horror foi trabalhado por cineastas geniais como o já citado Lang, por Murnau, Wise, Bergman, Hitchcock, Coppola, Polansky, Spielberg e Kubrick. Além de especialistas, como Browning, Whale, Fisher, Corman, Romero, Raimi, Craven e até o nosso Mojica, sim ele mesmo.
Por fim, esta lista tem a intenção nada modesta (mas honesta) em servir como um guia que julgo seguro, para um conhecimento básico sobre o cinema de horror em que a criatividade temática e a qualidade de estilo estão irmanadas em um virtuoso e apavorante equilíbrio.

Marcello Simão Branco



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