ADRIENNE KING

por Filipe Falcão

Adrienne King tinha apenas 19 anos quando conseguiu o que toda atriz desconhecida quer: o papel principal em um filme que seria lançado no cinema. A produção em questão respondia pelo nome de Sexta-feira 13 e mudaria, de formas positivas e negativas, a vida de Adrienne.

Mas o sucesso teve um preço para a jovem atriz, que logo após sua grande experiência cinematográfica, viveu um filme de horror em sua vida real. Mas assim como a sua personagem Alice em Sexta-feira 13, Adrienne sobreviveu e hoje, redescobre o cominho do sucesso.

Durante um mês, nós trocamos e-mails com Adrienne, que sempre se mostrou simpática e atenciosa. O que deveria ser uma entrevista fria, tornou-se uma série de conversas informais e, graças a este trabalho, entendemos o motivo de vários fãs de Sexta-feira 13 não economizarem elogios para ela. Os assuntos foram os mais diversos e claro, em uma entrevista, sempre procuramos editar a melhor parte do material. No caso de Adrienne, esse trabalho ficou difícil e desta forma, vamos publicar esta entrevista em duas partes. Hoje você confere, entre outros temas, o que ela chama de “ter vivido um filme de terror na vida real”, além de curiosidades sobre Sexta-feira 13 e Sexta-feira 13 – Parte 2.


Boca do Inferno: Sexta-feira 13 é um dos mais importantes filmes de terror da história do cinema. Após 28 anos, nove seqüências, o projeto Freddy Vs Jason e agora com um novo filme sendo produzido... Minha primeira pergunta é: você imaginava, em 1980, que Sexta-feira 13 faria este incrível sucesso?



Adrienne: Eu não tinha nenhuma idéia de que Sexta-feira 13 seria esse mega sucesso! Ninguém esperava. Acho que a nossa esperança, durante as filmagens, era de conseguirmos concluir o filme, uma vez que, em determinado momento, os produtores ficaram sem dinheiro para os pagamentos diários. Hoje, vemos que o filme é realmente uma obra que marcou. Hoje, eu tenho três gerações de fãs que vêm de lugares tão longe como o Japão e Austrália. Quem teria pensado que esse seria o legado de um pequeno filme independente? Eu não pensei. Mas hoje sou muito feliz com tudo que o filme me proporcionou e ainda proporciona.

Boca do Inferno: Quais são as suas melhores lembranças das filmagens de Sexta-feira 13? Existe alguma recordação ruim?

Adrienne: As minhas lembranças favoritas são de quando todo o elenco se conheceu antes das filmagens. Neste momento, estávamos nas margens do lago. Nós todos éramos jovens atores de Nova York e estávamos nos sentindo as pessoas mais sortudas e abençoadas do mundo por estarmos participando de um filme. Kevin Bacon e Harry Crosby eram os brincalhões e sempre aprontavam nas cenas em que estávamos no lago. Nós gostamos uns dos outros logo de cara e eu acredito que isso é perceptível no filme.



As minhas más lembranças estão todas relacionadas com a Parte 2. As filmagens aconteceram em uma única noite que parecia não terminar nunca e a equipe estava com pressa para acabar logo e ir para casa. Houve um equívoco entre o meu agente da época e o Steve Miner, que dirigiu a Parte 2 e foi produtor do filme original, o que também gerou um clima desconfortável durante as filmagens. Para completar, a pessoa que manuseou o furador de gelo não fez o seu trabalho bem e, na primeira tentativa, o furador não retraiu e entrou em contato com o meu rosto com um pouco de força e não foi nada agradável.


Boca do Inferno: Depois do sucesso de Sexta-feira 13, você foi perseguida por um fã obsessivo, certo? Você pode falar um pouco desta experiência?

Adrienne: Sim. Foi uma experiência pessoal tão prolongada e traumática que é ainda difícil compartilhar. Você tem de lembrar-se que isto aconteceu em 1980-1981 e, naquela época, ficar observando pessoas à espreita não era considerado algo sério pelas autoridades. Isso só mudou quando Rebecca Schaeffer (atriz norte-americana) foi atacada e morta por um fã obsessivo (acho que em 1989) e finalmente as leis mudaram e passaram a considerar este tipo de comportamento como crimes sérios e que precisavam ser tratados como tais.

Eu recebia chamadas telefônicas tarde da noite e ninguém respondia… portanto troquei o meu número pelo menos seis vezes durante o ano seguinte. Eu também passei a receber fotos minhas dentro de envelopes que amanheciam embaixo da porta do local onde morava. As fotos me mostravam fazendo algo do dia anterior como almoçando com um amigo e desta forma, eu sabia que estava sendo seguida. O meu namorado daquela época recebeu ameaças para ficar longe de mim. Esses acontecimentos começariam a diminuir a minha confiança na vida diária normal e a tortura psicológica foi algo que eu não desejaria para ninguém.



Busquei refugio na minha pintura que virou praticamente uma terapia. Os meus desenhos ficaram muito escuros e demonstravam o meu medo e isolamento. Finalmente este fã obsessivo chegou até mim e colocou uma arma na minha cabeça. Ele falou que não iria me matar, mas que eu precisava entender como era fácil para qualquer pessoa chegar até mim e que eu precisava ser “protegida”. Ele era obcecado por mim... Felizmente a polícia chegou até ele.

A coisa mais notável sobre esta minha terrível experiência é que meus fãs me ajudaram na minha recuperação e hoje consigo compartilhar estas memórias. A primeira vez na qual comentei publicamente este caso foi em uma convenção com fãs de Sexta-feira 13 que aconteceu em 2002 e todos entenderam como foi terrível ter participado deste filme de horror real.

Boca do Inferno: É verdade que, depois desta experiência, você decidiu não trabalhar mais como atriz em outros filmes?

Sim, é verdade. A minha agente comercial, Angela Dipene, foi como uma segunda mãe para mim. Ela entendeu o trauma pelo qual eu havia passado e sugeriu que eu passasse a atuar como dubladora de vozes em filmes. Esta foi uma solução criativa para mim. Eu posso ir vestida com qualquer roupa e ninguém precisa me ver. Eu não gosto de usar muita maquiagem e prefiro uma calça jeans, assim como Alice. Por isso, foi uma ótima escolha para a minha situação.



Boca do Inferno: É verdade que no roteiro original de Sexta-feira 13 – Parte 2, Alice seria a personagem principal, mas que você pediu para os produtores matarem-na logo no prólogo para que você não recebesse tanta atenção da mídia?

Adrienne: Não. No acordo feito antes do filme, eu entendi que Alice iria voltar nesta seqüência apenas no começo e que ela iria desaparecer, mas não morrer. A idéia era que ela retornasse em algum projeto futuro, talvez em uma Parte 3. Mas como eu mencionei antes, aconteceram várias falhas de comunicação entre o meu (breve) agente e com os produtores do filme.

Aqui estão as boas notícias. Ainda há tempo para Alice voltar e cuidar de negócios inacabados com Jason. Depois de participar das gravações do DVD “His Name Was Jason; 30 Years of Friday the 13th”, o diretor e os produtores falavam como todos os fãs lamentaram um fim tão rápido para Alice na Parte 2. Foi realmente o Jason que a atacou? Pense nisso; você realmente viu alguma vez o corpo morto de Alice? Não. Portanto estamos pensando com carinho nas idéias de, quem sabe, trazer Alice de volta em um futuro próximo. Pensamos como seria interessante reunir Jason com aquela que matou a mãe dele. Quem sabe?

Boca do Inferno: Você assistiu as demais seqüências de Sexta-feira 13? Se sim, qual é a sua favorita? Existe algum dos filmes que você realmente não goste?

Adrienne: Eu assisti recentemente uma versão restaurada do original e fiquei impressionada como o filme ainda funciona. Eu acompanhava a reação da platéia e todos pareciam gostar do que estavam vendo. Os efeitos criados por Tom Savini são melhores do que muita coisa recente feita com CGI. Foi muito bom rever o filme com uma platéia e em um cinema. Continuo achando a Betsy Palmer incrível como senhora Voorhees.



Devo confessar que adoro o embate final de Amy Steel, que faz a Ginny, na Parte 2. Também acho que Joey Zito criou uma Parte 4 inteligente e intuitiva. Mas, naturalmente, o meu favorito sempre será o original.

Boca do Inferno: Você vai participar do evento Friday The 13th Reunion , no ScareFest. Você gosta de participar de programas como este?

Adrienne: Eu realmente gosto destas convenções. A minha parte favorita é a interação com os fãs. Cada novo contato é sempre uma experiência diferente e única. Alguns fãs vêm de locais distantes e passam horas viajando para nos encontrarem. Temos fãs muito leais!!

Boca do Inferno: Você gosta quando está andando no shopping e alguém chega para você e fala: Ei, eu te conheço. Você é a estrela de Sexta-feira 13. Isso é algo que acontece com frequência?

Adrienne: Não é algo que acontece tão frequentemente, mas com o lançamento do DVD “His Name Was Jason; 30 Years of Friday the 13th”, que está agendado para janeiro do próximo ano, e com o lançamento do meu próximo filme Walking Distance, que também será exibido no próximo ano, tenho uma sensação de que isso pode acontecer com mais freqüência (risos). Sempre gosto de ter contato com os meus fãs.

A melhor forma (para mim) de interagir com os meus fãs é através do meu web site www.adrienneking.com (também www.officialfridaythe13th.com), onde posso compartilhar novidades, minha pintura e ainda espero que todos possam escrever para o meu e-mail que está por lá.

Boca do Inferno: Como é o seu relacionamento com os seus fãs?

Adrienne: Acredito que a nossa relação é bastante agradável! Eu recebo tanta energia positiva e carinho de todos. Quando estou em uma convenção e percebo que eles estavam em uma fila e pagaram para participarem do evento ou vieram de outras cidades, eu procuro dar o melhor de mim, conversar e ser simpática com todos. Quero que esse investimento deles seja recompensado com bons momentos ao meu lado.

Após alguns destes encontros, eu recebo muitas mensagens de agradecimento através de e-mails ou pelo meu myspace (I’m adrienneking13).




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