Aviso: é impossível falar do filme sem revelar detalhes muito importantes. Se você ainda não viu, veja primeiro e só depois leia...
Depois do péssimo
Alien 3 os produtores se superam. Não só fazem um filme ainda pior (como se não bastassem os erros do terceiro) como trazem de volta um personagem morto. Eles clonam a personagem Ripley e não satisfeitos ainda inventam que ela traz o alien dentro dela!!! Retiram a rainha-alien dentro dela e prendem as duas, sendo que uma traz características da outra. O sangue de Ripley agora também e ácido, apesar de um pouco mais fraco e a rainha pode ter filhos sem necessidade de colocar ovos. Com esse início de história fica difícil esperar muita coisa, mesmo para quem só queira se divertir. Se a parte 3 irrita por ter matado os personagens da parte 2 em vão, a parte 4 irrita porque se era para o personagem continuar, não deveria ter morrido nunca. Óbvio que eles só decidiram fazer mais uma seqüência depois, mas dava para ter previsto antes de tomarem uma decisão dessas. Ótimo para Sigourney Weaver, que embolsou 11 milhões de dólares e ainda virou co-produtora - lembrando que o primeiro filme inteiro custou 8 milhões!!!!
Assim como em "
Alien 3" existem duas versões bem diferentes: a do cinema e a versão estendida. A versão estendida já começa de forma péssima, com um close em dentes feitos por CGI completamente falsos.
A câmera se afasta e nota-se que os dentes são de um inseto (a piada sem graça sobre os aliens serem insetos, que fazem desde o segundo filme) que é esmagado por um dos personagens que de forma bem porca pega a gosma põe num canudo e assopra. Ergh.


Na versão pro cinema pula-se essa cena nojenta e é mostrada a nave com o clone Ripley bem novo, aparentemente com uns 10, 13 anos de idade. Num efeito legal o rosto muda para ela adulta, e é contada a história de como clonaram, etc...


Temos o primeiro contato com a rainha-alien tirada de dentro dela e mais um desapontamento. É a pior dos 4 filmes: feia, falsa e computadorizada.

Depois de alguns diálogos monótonos e sem graça, como por exemplo um onde se fala que a companhia foi comprada pela Wal-Mart, vemos uma outra nave se aproximando com contrabandistas dentro, entre eles Winona Ryder linda e ótima atriz mas aparentando estar insegura ou
"fora do lugar", ela não tem nada a ver com o resto dos tripulantes por exemplo. Junto dela vemos um dos atores mais feios do mundo se não for o próprio: Ron Perlman que de cara me fez lembrar de
"O Nome da Rosa" mas as pessoas mais novas vão lembrar dele como "
Hellboy".


O filme consegue reunir mais minutos de tédio que seu antecessor, que foi um dos campeões nesse quesito. Uma prova disso é que eu não dormi vendo "
Alien 3", apesar de quase ter feito isso algumas vezes, mas dormi fácil vendo esse início de "
Alien - a Ressurreição". Quando os contrabandistas chegam à nave onde Ripley está chega mais um furo do roteiro...eles trazem consigo ovos dos aliens. Onde eles pegaram isso???? E como conseguiram pegar sem serem mortos? Os ovos são colocados na mira de rostos de alguns prisioneiros (aparentemente também trazidos pelos contrabandistas) e novos aliens são nascidos. Os ovos também são destaque de feiúra, possuem mais movimentos do que os dos filmes anteriores mas são muito mais falsos, chegando a parecer que foram feitos por computador também. Entre algumas cenas ridículas destaque para o militar que joga uma granada depois bate continência e a do contrabandista que atira em tetos e as balas sempre ricocheteiam e atingem os alvos, sendo o cúmulo do exagero quando ele atira duas vezes num teto e as duas balas caem dentro de dois ovos explodindo tudo... pena que ao mirar reto eles não sejam tão bons, porque existem cenas onde eles atiram à queima-roupa nos bichos e não acertam.

O som também é pior que "
Alien 3": o barulho do alien é horroroso e também muito falso. Consegue ser mais violento que os anteriores com bastante cenas de gore, mas que não ajudam muito a tornar o filme divertido.
Como todo filme da série esse também tem suas cenas clássicas, apesar de tudo. Uma é a que Ripley encontra outras experiências antigas mal sucedidas de clonarem ela, inclusive um mutante com sua cara pedindo para que ela a mate por estar sofrendo. Sigourney dá um show de interpretação nessa cena. Destaque negativo para o roteiro que a faz matar a criatura ateando fogo nela, uma das mortes mais lentas e dolorosas. Não era melhor dar um tiro na cabeça?






A outra cena que se destaca é a dos momentos submarinos, inclusive com Winona Ryder superando um trauma de infância já que tinha quase se afogado há anos atrás. Pena que os aliens nadando sejam quase no total das cenas feitos em CGI senão ficaria ainda melhor. Antes que pareça que eu sou um fanático defensor de cenas sem CGI, eu não acho que o uso delas sejam ruins, desde que sejam muito boas senão fica falso e até ridículo. O personagem Gollum de "
Senhor dos Anéis" é um exemplo de bom uso da CGI, apesar de alguns contestarem. Os que foram usados em "
Alien - A Ressurreição" não seguem esse padrão e o filme perde muito ao utilizar essa técnica.

E uma outra cena clássica é o nascimento do bebê da rainha-alien. Ele herda traços humanos - possui olhos por exemplo - e seu rosto é capaz de algumas expressões que em alguns momentos nos faz ter pena dele. Ao ver a rainha, sua mãe, ele simplesmente arranca pedaço do rosto dela com um golpe e se vira até Ripley como se ela sim fosse a mãe dele. A cena da morte dele também é legal, sendo sugado por um pequeno buraco da nave, em outra cena bem violenta.


Depois do final mais que previsível sabemos que a nave está indo em direção à Terra, que nunca apareceu nos filmes anteriores. Foram feitos 5 finais diferentes, no dvd temos dois: na edição lançada no cinema vemos apenas o horizonte, e na especial a nave pousa e vemos a Terra completamente destruída, aliás por acaso pousam na terra do diretor Jean-Pierre Jeunet - Paris - que reconhecemos através de uma falsíssima Torre Eiffel destruída.


Aliás, já que falei do diretor, ele dirigiu o filme sem falar inglês!! Vendo filmes anteriores seus, como
"Delicatessen", era de se esperar humor negro, mas particularmente acho que ele errou a mão nesse "
Alien Ressurrection".Esperamos uma quinta parte, já que ninguém merece que a série termine de forma tão ruim. Mas como nada é tão ruim que não possa ser piorado, meu medo é que consigam piorar ainda mais.
Curiosidades:
- O primeiro diretor escolhido foi Danny Boyle (
Trainspotting,
Extermínio) que não pôde aceitar por estar filmando
"Por Uma Vida Menos Ordinária". Pena, acho que teria feito um filme muito mais interessante.
- Numa cena entre Ripley e o personagem de Ron "
Hellboy" Perlman, ela joga uma bola de basquete de costas em direção a uma cesta...e acerta! No filme parece um truque barato de computador, mas ela realmente fez a cesta e como Ron Pearlman ficou com cara de babaca vendo aquilo, tiveram de cortá-lo da cena após a cesta.
Antonio Filho
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ALIEN - A RESSURREIÇÃO (Alien: Resurrection, EUA, 1997) Duração 109 minutos
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Joss Whedon
Produção: Bill Badalato; Gordon Carroll; David Giler; Walter Hill
Co-Produção: Sigourney Weaver
Música: John Frizzell
Fotografia: Darius Khondji
Desenho de Produção: Nigel Phelps
Direção de Arte: Andrew Neskoromny
Figurino: David Perry; Bob Ringwood
Edição: David Crowther; Hervé Schneid
Elenco: Sigourney Weaver (Ellen Ripley); Winona Ryder (Annalee Call); Dominique Pinon (Vriess); Ron Perlman (Johner); Gary Dourdan (Christie); Michael Wincott (Frank Elgyn); Kim Flowers (Sabra Hillard); Dan Hedaya (Gen. Martin Perez); J.E. Freeman (Dr. Mason Wren); Brad Dourif (Dr. Jonathan Gediman); Raymond Cruz (Vincent Distephano); Leland Orser (Larry Purvis)
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