ANTROPOPHAGOUS

Por Felipe M.Guerra

Os prazeres do canibalismo no filme mais famoso (e perverso) de Joe D'Amato

Quem já viu ou pelo menos ouviu falar dos filmes do diretor italiano Joe D'Amato sabe muito bem o que esperar: perversão, sadismo e muito, mas muito sangue e violência explícita. Nascido com o nome de batismo "Aristide Massaccesi" em 1936, o cineasta dirigiu 185 filmes e produziu outros 23, além de ter uma bem-sucedida carreira como diretor de fotografia. Durante seus quase 30 anos de carreira dedicada ao cinema, usou dezenas de pseudônimos (sendo "Joe D'Amato" o mais conhecido) para lançar aventuras baratas, filmes de horror sangrentos e pornôs de todos os tipos (do softcore ao hardcore). Em um universo de 185 filmes, vários são muito polêmicos, como EMANUELLE IN AMERICA (com suas supostas cenas reais de snuff movies) e BUIO OMEGA (uma ode apaixonada à necrofilia e ao canibalismo).

Mas, com certeza, entre todas as obras de D'Amato, nenhuma é tão conhecida, famosa, comentada e criticada quanto ANTROPOPHAGOUS, de 1980, aclamada como uma das obras mais brutais e chocantes de todos os tempos. Esta fama veio ainda no começo dos anos 80, quando o Reino Unido vivia a época de caça aos chamados "video-nasties" - produções muito violentas ou eróticas, com cenas que pudessem ferir o "bom gosto" e a "decência" dos ingleses. Estes filmes eram identificados por um comissão de censores e completamente cortados em suas cenas mais fortes, ou então terminantemente proibidos (só faltava queimar os produtores na fogueira). Entre as obras que ficaram proibidas na Inglaterra naquele tempo estão, por exemplo, EVIL DEAD e O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, além de boa parte da filmografia italiana do período.

Foi em meio a esta verdadeira "caça às bruxas" que os censores se apavoraram com o tal filme chamado ANTROPOPHAGOUS. Aparentemente, toda a polêmica começou com a cena mais sádica do filme, envolvendo uma mulher grávida que sofre um aborto forçado e tem seu filho, ainda um feto, devorado por uma cruel criatura canibal. Encenado de forma realista, com efeitos grosseiros e um incômodo ar de crueldade, este crime abalou os censores ingleses, que subitamente passaram a acreditar que se tratava de um "snuff movie" e que a atriz, Serena Grandi, tinha sido morta de verdade. Foi a mesma conclusão que os tais censores tiveram, também em 1980, em relação ao filme CANNIBAL HOLOCAUST, de Ruggero Deodato - será que eles não sabiam que existiam efeitos especiais? Seja como for, a cena do aborto virou até alvo de um programa da BBC, que discutia o realismo no cinema.



O tal boato de que ANTROPOPHAGOUS era um snuff movie, somado às descrições de cenas brutais envolvendo canibalismo e assassinato, deram uma fama inesperada à obra de D'Amato, especialmente nos circuitos underground. O filme passou a ser cobiçado por fãs de horror de todo o mundo, mas era praticamente impossível encontrar uma cópia sem cortes, já que a tesourinha dos censores foi mais rápida e tirou as duas cenas mais polêmicas (e nojentas): o aborto e o chocante final. Ou seja: além de privar o público da tal momento em que o feto é devorado, a censura ainda conseguiu alterar a conclusão do filme!!! Esta versão cortada foi relançada como THE GRIM REAPER (O Ceifeiro Cruel), para tentar contornar a má fama da produção.

Com este ar de "maldito", ANTROPOPHAGOUS nunca foi devidamente lançado na maioria dos países. As cópias em vídeo nos Estados Unidos, por exemplo, estão todas censuradas. Um DVD pirata lançado por lá recentemente - com o título THE GRIM REAPER e imagem em full-screen, sem qualquer remasterização - também está incompleto, sem as duas famosas cenas. São 82 minutos contra os 90 minutos da versão original. No Brasil o filme nunca foi lançado nas locadoras (diz a lenda que chegou a alguns cinemas com o título ANTROPÓFAGO, mas não consegui mais informações a respeito). Logo, a única forma de obter uma versão "uncut" é comprando o DVD alemão, com o gore intacto.

A primeira vez que eu vi o filme de D'Amato foi na versão THE GRIM REAPER, ou seja, altamente censurada. A abertura é diferente, a cena do feto foi limada e o final está cortado. Ver ANTROPOPHAGOUS sem estes dois momentos históricos é algo completamente brochante, quase o mesmo que você olhar uma Playboy e descobrir que as páginas com os ensaios de mulher pelada foram arrancadas pelo seu irmão mais novo e mais tarado. Portanto, não descansei até não conseguir uma cópia pirata do DVD europeu (porque não sou bobo de gastar uma fortuna em euros por causa de duas cenas!!!), via Putrescine, para saber o que havia de tão forte para chocar os censores. Infelizmente, descobri mais tarde que esta versão alemã também está incompleta, faltando alguns diálogos.



No fim, cheguei à conclusão de que é muito barulho por nada. Não que as tais cenas cortadas sejam suaves, pelo contrário, elas são chocantes mesmo, embora nos últimos vinte anos efeitos muito mais sangrentos tenham sido mostrados pelo cinema (é só lembrar da cabeça sendo desmanchada a golpes de extintor de incêndio, no intragável IRREVERSÍVEL). O grande problema é que ANTROPOPHAGOUS é um filme chato e mal-feito, amparado pela fama e pelo banho de sangue, que, infelizmente, está todo reservado para a conclusão. São 50 minutos iniciais onde pouco, ou nada, acontece, deixando o espectador com a maior vontade de usar o fast-foward e passar tudo, pois é somente no final, quando o sangue começa a rolar, que o filme mostra a que veio.

Na verdade, ANTROPOPHAGOUS tem a maior cara de ter sido rodado em poucos dias, por um Joe D'Amato visivelmente sem saco para filmar. Isso porque, naquele ano de 1980, o workaholic D'Amato esteve envolvido com nada mais nada menos de NOVE filmes, onde não só dirigia, mas também filmava, produzia e ainda era autor dos roteiros. Para o leitor ter uma idéia de como o homem trabalhava, foi neste ano que D'Amato filmou, simultaneamente, TRÊS filmes envolvendo sexo explícito e mortos-vivos, chamados SESSO NERO, EROTIC NIGHTS OF THE LIVING DEAD e PORNO HOLOCAUST (este foi lançado em 1981). As três produções foram rodadas no mesmo cenário, com os mesmos atores (um deles é George Eastman, que também ajudou nos roteiros) e reaproveitando até os efeitos especiais!



ANTROPOPHAGOUS foi filmado em algum momento de folga do diretor entre estes três filmes de sexo e zumbis e os outros cinco - que são os eróticos PORNO ESOTIC LOVE, SUPER CLIMAX, BLUE PARADISE, HARD SENSATIONS e BLUE EROTIC CLIMAX. Tamanha demanda explica porque os filmes saíam apressados, mal-filmados e mal-acabados. Particularmente falando de ANTROPOPHAGOUS, a película é grosseiramente filmada, com uma câmera que sacode o tempo todo, e editada de forma maluca - entre cenas que se arrastam e cortes rápidos em cenas fundamentais. Além disso, o filme é lamentavelmente escuro, com a maior parte do tempo de projeção se passando em casas sem energia elétrica, escuras catacumbas ou cemitérios à noite. Em alguns destes momentos, a vontade que dá é de mandar tudo à merda, pois é impossível enxergar qualquer coisa no meio da escuridão. Às vezes, um único ponto de luz (vela ou lampião) ilumina todo o cenário, numa tentativa, talvez, de criar um clima assustador, mas que só consegue enfurecer o espectador (que fica perdido, sem enxergar absolutamente nada)!

Apesar dessa qualidade duvidosa da produção, ANTROPOPHAGOUS é, sim, um bom filme. Talvez, para não ser tão injusto, um "bom filme ruim". Feito em locações reais na Grécia, faz um bom uso da produção barata para criar um clima mais realista de medo e horror. O roteiro foi escrito a quatro mãos por D'Amato e por George Eastman, um gigantesco ator italiano cujo verdadeiro nome é Luigi Montefiori. Foi reservado a ele o papel "principal", o do terrível vilão canibal que apronta o diabo com suas pobres vítimas. E, assim, Eastman encarnou seu personagem mais famoso e um dos vilões mais populares do cinema de horror italiano. A frase do cartaz dá o tom da produção: "Não é o medo que despedaça você... É ELE!".



Na versão americana (THE GRIM REAPER), os créditos de abertura se desenrolam sobre frames congelados de um velho casarão, com os créditos em inglês. Mas na versão européia do filme, a abertura é diferente, com um casal andando pelas ruelas de uma vila grega enquanto entra o título ANTROPOPHAGOUS e os créditos em italiano. Prefiro esta versão, que ao menos nos mostra a bela paisagem grega. Curiosamente, até a música entre as duas versões é diferente: nos créditos da versão americana, o tema original, de Marcello Giombini (péssimo, por sinal), foi substituído pela trilha do filme O IMPÉRIO DAS ARANHAS (Kingdom of the Spiders).

Passados os créditos, as duas versões continuam de forma idêntica, com um casal de vítimas (Simone Baker e Mark Logan, ironicamente identificados como "primeira e segunda vítimas" nos créditos!!!) passeando na praia. Enquanto o rapaz deita numa pedra para tomar banho de sol, com um gigantesco fone de ouvido típico do início dos anos 80, a mocinha vai tomar seu tranqüilo banho de mar. "Tranqüilo" em termos, porque logo algo se aproxima vindo do fundo do oceano - a visão em primeira pessoa do assassino se aproximando da moça submersa parece uma citação a TUBARÃO. A garota é agarrada e a água do mar fica turva com sangue fresco. Em seguida, o matador (ainda a visão em primeira pessoa) sai do mar pingando água e sangue, aproximando-se do namorado bobão com um enorme cutelo numa das mãos. A lâmina é erguida, refletindo o rosto da vítima (um belo take, digno dos velhos filmes "giallo" feitos na Itália), antes de descer fulminante bem no meio da cabeça do rapaz.



O filme corta então para amigos americanos caminhando pelas ruas da Atenas, na Grécia. A câmera de D'Amato faz questão de registrar a paisagem e as pessoas, para provar que tudo foi filmado na Grécia mesmo. Chega a ser estranho em alguns momentos, como quando é mostrada a troca de guarda em algum local não-identificado e um dos soldados fica insistentemente olhando para a câmera, talvez nervoso com a invasão da equipe de filmagem italiana. Mais algumas cenas "turísticas" depois, somos apresentados aos nossos personagens, candidatos a novas vítimas do misterioso assassino do cutelo. A principal é Julie, interpretada por Tisa Farrow - irmã da talentosa atriz americana Mia Farrow, e que em 1979 foi vista no clássico ZOMBIE, de Lucio Fulci. Julie é uma turista que encontra, no caminho, um alegre grupo de americanos, formado por Andy (Saverio Vallone), Carol (a gatinha Zora Kerova, aquela que acaba pendurada com ganchos nos peitos em CANNIBAL FEROX), Daniel (Mark Bodin), Arnold (Bob Larsen) e sua esposa Maggie (Serena Grandi), que está grávida. Tirando os nomes mais conhecidos, como Tisa, Zora e Eastman, o elenco é péssimo e, felizmente, a maior parte participou apenas deste filme.

O grupo tem viagem marcada para a distante ilha de Serifos (aquela onde o casal foi morto no início), e convida Julie para integrar sua excursão, já que ela tem o mesmo destino. No barco, durante a viagem, Carol insiste em olhar o futuro da viagem em suas cartas de tarô. E, obviamente, acaba tirando a carta que mostra o "grim reaper" (daí o título americano do filme), e que simboliza a morte, no desenho de um esqueleto segurando uma enorme foice.



A partir de então, ANTROPOPHAGOUS se transforma no filme de horror mais sonolento já realizado. Nada de muito emocionante acontece: os jovens descobrem que a ilha está deserta, porque todos os seus habitantes fugiram de repente (espantados por algo muito assustador). Encontra também Rita (Margaret Mazzantini), uma garota cega que vivia na ilha e só sobreviveu porque ficou escondida dentro de um grande barril de vinho. Ela adverte os jovens de que um monstro sedento de sangue está circulando pelo local. "Você pode sentir que ele se aproxima... Ele cheira a sangue! Sangue! SANGUE!", grita Rita. Só que o aviso vem tarde demais: àquela altura, o tal monstro já se livrou do barco em que o grupo foi até a ilha, e também fez desaparecer a gestante Maggie, deixando seu marido desesperado.

Nos minutos seguintes, só o que vemos são pessoas andando por corredores ou ruas escuras levando lampiões, caminhadas sem fim, diálogos que não levam a lugar nenhum e até um rápido passeio noturno pelo cemitério - que também não dá em nada. E os tradicionais sustos falsos, com pessoas comuns (que NÃO são o assassino) assustando os colegas ao chegarem repentinamente, e silenciosamente, por trás. Demora muito até o filme voltar a engrenar, o que pode fazer com que muita gente desista antes que a história chegue às "partes boas". Uma delas acontece em meio a uma noite de tempestade, onde apenas os raios iluminam o cenário, um casarão abandonado. Ali, Rita, que está deitada na cama, "pressente" a aproximação do assassino. Daniel diz que não há ninguém na casa e sai do quarto, fechando a porta. Então um novo raio ilumina o recinto e apresenta a figura do tenebroso assassino, que estava escondido atrás da porta! Eastman está horrendo, com a cara meio deformada por uma maquiagem grotesca. Quando ele tenta matar Rita, Daniel intervém apenas para ter o pescoço rasgado a dentadas. Em seguida, o assassino canibal foge.

Quando o grupo descobre estar sendo caçado, continuam fazendo as coisas mais idiotas, ou seja, se separando a toda hora e entrando sozinhos em lugares escuros. A partir dos 20 minutos finais, o canibal passará a caçá-los - e matá-los... e devorá-los... - um por um, quando ANTROPOPHAGOUS realmente mostra a que veio e se transforma num inspirado filme de horror, ainda que hoje boa parte de seus sustos já tenham virado clichês, ainda mais depois das 10 partes de SEXTA-FEIRA 13. Ficamos sabendo, por meio de um flashback, que o canibal interpretado por Eastman era uma pessoa normal - o nome varia, sendo Nikos Karamanlis numa tradução e Klaus Weltman em outra! -, cujo barco naufragou no litoral da ilha. Em um bote perdido no meio do oceano, com a esposa e o filho pequeno, Nikos/Klaus teve que praticar canibalismo para sobreviver, devorando os entes queridos e transformando-se numa besta sanguinária e irracional. Quando o bote chegou a tal ilha, ele passou a se alimentar dos moradores, fazendo com que fugissem do local.



Após este flashback, o filme apresenta as cenas sangrentas que D'Amato deixou guardadas para o final. A principal é a já citada cena do aborto: Arnold, o marido de Maggie, vai procurar pela esposa em uma assustadora e escura catacumba, repleta de corpos decompostos sendo devorados por ratos. Ali, surge de repente Nikos, que apunhala o rapaz e depois se aproxima da sua esposa. Sem hesitar, o monstro estrangula Maggie com uma das mãos enquanto enfia a outra no meio das pernas da gestante. Aos poucos, vai entrando mais e mais, diante do olhar abismado do marido moribundo, até retirar o feto ensangüentado, do qual arranca um suculento naco com os dentes. Foi utilizado um pequeno coelho sem a pele no lugar de um feto - mas os censores ingleses acharam que era snuff movie! Chocante até hoje (mais pela situação, revoltante em si, do que propriamente pela violência), esta cena une dois tabus que continuam atuais - canibalismo e aborto -, mostrando que D'Amato não tinha o menor pudor quando o objetivo era chocar o público. Trata-se de um dos momentos mais fortes de toda a filmografia do cineasta, e talvez de todo o cinema do período, tanto que até hoje nada do gênero foi novamente mostrado pelo cinema.

Outras mortes sangrentas estão reservadas para os demais personagens e para o próprio Nikos, que no final é atingido bem no meio do peito por uma picaretada, que lhe abre o torso. Mas, como um Jason ou Michael Myers, o monstro canibal não morre, pelo contrário: ao ver suas tripas caindo para fora do peito aberto, Nikos não vê outra solução, segura as entranhas nas próprias mãos e, num outro momento grosseiro, tenta se "auto-devorar", comendo as tripas na tentativa de fazê-las entrar de volta no corpo. Brilhante, este momento ironicamente antropofágico lembra aquela imagem clássica da cobra devorando o próprio rabo, ou seja, o monstro que se devora por dentro. Não consigo pensar num fim mais apropriado para um monstro canibal! Claro que na versão censurada chamada THE GRIM REAPER nada disso acontece: Nikos simplesmente leva a picaretada e cai morto, como se a morte tivesse sido provocada pelo ferimento, e não pelo fato de ele ter perdido e tentado devorar os próprios intestinos!

Só estas duas cenas censuradas já são dignas de transformar ANTROPOPHAGOUS em um filme obrigatório para os fãs do horror extremo e absurdamente sangrento. O que, ironicamente, o filme não é em sua versão censurada, quando se transforma num burocrático e chato slasher movie idêntico a centenas de outros. É certo que o resultado final é irregular, e o próprio D'Amato não considerava ANTROPOPHAGOUS um de seus melhores filmes. Mesmo assim, as cenas fortes e alguns momentos mais inspirados, com o bom aproveitamento do cenário tétrico da ilha grega deserta, conseguem manter a atenção. Só que é imprescindível procurar por uma cópia uncut de ANTROPOPHAGOUS - fique longe da versão THE GRIM REAPER - para saber de onde vem a fama tão grande desta obra.



Como convém às antigas produtoras italianas, chegadas numa picaretagem para faturar, dois anos depois do sucesso do filme, em 1982, circulou um tal ANTROPOPHAGOUS 2, também dirigido por Joe D'Amato e novamente estrelado por George Eastman. "Mas como, se o Nikos morreu no final do primeiro filme?", é a primeira pergunta que vem à cabeça. Não, nossos amigos não transformaram o canibal num zumbi tipo Jason. A verdade é que o tal filme não tem nada a ver com ANTROPOPHAGOUS: trata-se de um slasher movie chamado ABSURD (ROSSO SANGUE, na Itália), onde Eastman interpreta um psicopata que ataca num hospital (numa cópia de HALLOWEEN 2). A obra foi rebatizada como se fosse seqüência de ANTROPOPHAGOUS apenas para faturar em cima do sucesso do filme original.

O próprio ANTROPOPHAGOUS ganhou todo tipo de título ao ser lançado em diferentes partes do mundo, com nomes como THE SAVAGE ISLAND, GOMIA - TERROR IN EL MAR EGEO, MAN-EATER e MAN BEAST. Recentemente, em 1999, o diretor alemão Andreas Schnaas lançou um remake feito em vídeo digital, com o nome ANTHROPOPHAGOUS 2000, assumindo ele mesmo o papel que ficou marcado para sempre no físico de George Eastman.

Infelizmente, o ANTROPOPHAGOUS original de 1980 ainda não ganhou uma edição em DVD à altura de sua fama. Se a versão americana está em tela cheia e toda cortada, a versão alemã (a mais próxima de uma versão uncut, embora também lhe faltem alguns minutos) tem de longe a pior qualidade de imagem, possivelmente gravada da própria fita VHS, de tão ruim, granulada e escura - no quesito "escuridão", é ainda pior que a versão censurada lançada nos EUA. Então, o negócio é torcer para que, em breve, alguma distribuidora perceba o potencial do comedor de gente Nikos e lhe dê a merecida edição especial, quem sabe até entrevistando o célebre Eastman, que continua na ativa, participando de produções da TV italiana. Sonhar é preciso...

Felipe M.Guerra

ANTROPOPHAGOUS(Antropophagous , Itália, 1980). 090 minutos.
Direção: Joe D'Amato
Roteiro: Joe D'Amato; George Eastman
Produção: Joe D'Amato; George Eastman; Oscar Santaniello
Produção Executiva: Edward L. Montoro
Fotografia: Enrico Biribicchi
Música: Marcello Giombini
Edição: Ornella Micheli
Maquiagem: Pietro Tenoglio
Desenho de Produção:Ennio Michettoni
Elenco: Tisa Farrow (Jullie); Saverio Vallone (Andy); Serena Grandi (Maggie); Margaret Mazzantini (Henriette 'Rita'); Mark Bodin (Daniel); Bob Larsen (Arnold); Rubina Rey (Irina Karamanlis); Simone Baker (primeira vítima); Mark Logan (segunda vítima); George Eastman (Nikos Karamanlis); Zora Kerova (Carol)




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