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Taí um filme que quase ninguém gosta. Mas eu realmente acho um bom filme, apesar de ser realmente o mais fraco dos filmes do boneco Chucky. Por mais que eu tente ser imparcial, este foi um dos primeiros filmes de horror que eu vi, e fica difícil de dar uma nota ruim. Talvez um 6,5 pelo menos.
Eu assisti Brinquedo Assassino 3 quando eu tinha uns 6 anos, na época que o Cinema em Casa ainda passava este tipo de filme, não aquelas coisas ridículas do Disney Channel. Foi lá, nesta idade, que eu assisti também A Coisa, Bala de Prata, A Bolha Assassina, O Monstro do Armário e um monte de produções do tipo. |
Era um tempo diferente, em que eles passavam até mulher pelada e violência para os garotos que chegavam da escola.
Tá legal, vamos parar de falar da minha infância, e vamos ao que interessa. O que esta seqüência tem que faz com que as pessoas a odeiem? Talvez seja o enorme acúmulo de absurdos que permeiam o roteiro. Tá legal, o nome do filme é Brinquedo Assassino 3, então não dá para esperar muito realismo. Mas um boneco aniquilando metade do pelotão de uma escola militar já pegou pesado. Ou talvez o problema seja a mudança do clima, de um ambiente caseiro para um cenário militar, muito diferente dos filmes anteriores. Mas, na verdade, esta mudança parece saudável. Afinal de contas, todo mundo reclama que os filmes do Jason são idênticos um ao outro, não é mesmo?


O próprio Don Mancini não gosta do filme, dizendo que foi forçado a escrever o roteiro às pressas antes mesmo da
parte 2 estar pronta. Isso explica a quantidade de buracos e situações forçadas. Mas, apesar disso tudo, eu ainda sinto que
Brinquedo Assassino 3 é um filme perfeitamente assistível e divertido.
Vamos à história. Como na
parte 2, tudo começa com a ressurreição de
Chucky. Ressurreição ridícula, diga-se: uma gota do sangue do boneco cai num tonel de plástico derretido, deste plástico é feito um boneco, e voilá! Agora, e se o sangue tivesse caído num monte de cerâmica, poderia a alma de Charles Lee Ray parar num pingüim de geladeira? E se, no lugar de um boneco
Good Guy tivessem feito uma bola de borracha, Chucky iria quicando para matar suas vítimas?


Alguns dizem que o próprio
Chucky se reconstruiu a partir do plástico, mas então, como diabos ele foi ganhar roupa, cabelo, olhos e ir parar numa caixa? E, por que diabos, se reconstruir como um boneco
Good Guy, já que ele odeia este corpo? Este início é tão escroto que eu tive que gastar dois parágrafos para tentar entender!
Bem, logo depois desta ressurreição, a ação se volta para uma reunião dos donos da
Play Pal, fábrica de bonecos
Good Guy. O dono da fábrica, Sullivan (novamente interpretado por Peter Haskell), aquele tipo de executivo que fala coisas como
“Nós estamos vendendo um produto, não importa se são carros, armas nucleares ou brinquedos”, e adora pisar nos funcionários. Sullivan está reabrindo a companhia, e a grande estratégia de marketing deles é voltar a comercializar os bonecos
Good Guy, para superar a polêmica por conta dos assassinatos dos filmes anteriores. Grande estratégia! Nada melhor para superar os maus tempos do que voltando a fabricar o boneco que quase levou a companhia à falência. Faz sentido pra você? Pra mim também não.


Enfim, Sullivan leva para seu escritório o primeiro boneco da nova leva. Você já sabe qual. Enquanto assiste o canal de economia e joga golfe no seu apartamento, Sullivan é surpreendido por
Chucky que o estrangula, numa cena que seria muito tensa, se não durasse sete minutos de sustos falsos e ataques frustrados, e até lá o espectador já não agüenta mais e torce para Sullivan morrer de uma vez e a história poder andar.
Com a entrada do boneco a coisa começa a ficar mais interessante, mas não menos idiota.
Chucky entra no computador, descobre que o garoto Andy Barclay está num colégio militar e decide ir atrás dele. Agora uma perguntinha: por que diabos Sullivan tinha uma ficha atualizada de Andy no computador do seu escritório? Tá legal, o garoto esteve envolvido com a companhia, mas pelo amor de Deus, precisava saber até onde ele estava estudando? Ou será que existia Internet em 1991? Caso positivo, como é que
Chucky sabia usá-la, já que ficou oito anos morto?


Superado este prólogo ridículo, a história começa de fato. Andy Barclay, agora com 16 anos e interpretado por Justin
“Jimmy Olsen” Whalin, está entrando para o Colégio Militar Kent. E lá ele vai conhecer aqueles velhos estereótipos de filme militar: tem o oficial veterano Cochrane (Dakin Matthews); o tenente filho da puta Shelton (Travis Fine); o barbeiro neurótico Botnick (interpretado por Andrew Robison, o Larry Cotton, de
Hellraiser); o cadete covarde Withehurst (Dean Jacobson); e De Silva, a cadete gostosa que logo se engraça por nossos herói, interpretada pela bonitona Perrey Reeves. A novidade é um garotinho, Tyler (Jeremy Sylvers), que acaba sendo o novo alvo de
Chucky.
A partir daí, visualize a primeira metade de
Nascido para Matar com um boneco assassino no meio. O roteiro até que melhora, e tem umas boas cenas de morte (destaco a do lixeiro e a de Botncik, que tenta raspar a cabeça de
Chucky e se dá mal). As coisas acontecem como o previsto (Tyler fica amigo de
Chucky, De Silva e Andy se beijam, Shelton pega no pé de todo mundo...), mas não é tão mau quanto parece. Pelo menos o personagem
Chucky continua matando de formas criativas, chegando ao cúmulo de carregar as armas de paintball dos soldados com munição real!


Já no final o cenário muda completamente, da selva onde os soldados estão em treinamento para um parque de diversões (que fica no meio do mato!) onde ocorre o confronto final contra
Chucky, doido para trocar de corpo com Tyler. O clímax se dá num
Túnel do Terror, e é até bem legal. O problema é que destoa completamente do resto do filme. Parece que Don Mancini tinha na gaveta a idéia de um clímax no parque e decidiu enxertá-la de alguma forma no filme.
Mas apesar dos pesares, eu ainda considero este um bom filme. Assistindo pela primeira vez depois de tantos anos, posso dizer que não fiquei decepcionado, mesmo tendo fresca na memória a lembrança dos filmes anteriores. Sim, é uma continuação feita às pressas. Sim, é o pior filme da série até então. Mas em nenhum momento eu fiquei olhando para o timer do DVD louco para o filme acabar, e em momento nenhum pensei em desligar a TV e ir fazer outra coisa. E convenhamos, é o suficiente para um filme que muitos consideram um dos piores já feitos no gênero horror.


Neste caso, se o roteiro tem falhas, ele ao menos tem uma boa construção de personagens, coisa que
Sexta-Feira 13 não tem nem o cheiro. Chegamos a lamentar o destino de alguns personagens (especialmente Whitehurst, que tem uma bela redenção no final). O elenco é afinado, e dá para crer realmente que são um bando de soldados treinados com medo de um boneco de plástico.
E falando em elenco, Brad Dourif está de volta com a voz de
Chucky, o que já é motivo suficiente para assistir o filme. Ele transmite o sarcasmo e sadismo do pequeno homicida. Como na cena em que ele vê uma revista
“adulta” na bagagem de Andy e diz
“Puxa, você cresceu mesmo!” E quando ele vê um casal se agarrando e diz
“Cacete, eu preciso mesmo sair deste corpo!”
Agora, eu sei que muita gente ainda vai continuar odiando este filme. Don Mancini iria ressuscitar a série sete anos depois, desta vez transformando a história de horror em comédia. O resultado foi a
Noiva de Chucky, que trouxe fôlego novo para série, e transformou o personagem em figura cômica. Não houve nenhuma menção ao personagem Andy, nem aos fatos das partes 2 e 3. Agora um remake surge no horizonte, prometendo trazer
Chucky de volta às origens. Com a voz de Brad Dourif, é claro.
Para comentar o artigo e entrar em contato com Matheus Ferraz:
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BRINQUEDO ASSASSINO 3 (Child´s Play 3, EUA/Inglaterra, 1991). Duração: 90 minutos
Direção: Jack Bender
Roteiro: Don Mancini
Produção: Robert Latham Brown
Produção Executiva: David Kirschner
Fotografia: John R. Leonetti
Música: John D'Andrea; Cory Lerios
Edição: Edward Warschilka; Scott K. Wallace
Desenho de Produção: Richard Tom Sawyer
Maquiagem: Edward T. Breathitt; Kenneth H. Brilliant; David P. Calvillo; Dorinda Carey; Gilbert Correa; Kimberly Felix; Vincent J. Guastini; Mecki Heussen; Teresa A. Hogan; Peter Konig; Robert Maverick; Scott Oshita; Cody Pence; Ron Pipes
Elenco: Justin Whalin (Andy Barclay); Perrey Reeves (Kristen De Silva); Jeremy Sylvers (Ronald Tyler); Travis Fine (Brett C. Shelton); Dean Jacobson (Harold Aubrey Whitehurst); Brad Dourif (Chucky); Peter Haskell (Sr. Sullivan); Dakin Matthews (Cochrane); Andrew Robinson (Sgt. Botnick); Burke Byrnes (Sgt. Clark); Matthew Walker (Maj. Ellis); Donna Eskra (Ivers); Edan Gross (Voz do boneco Good Guy); Terry Wills; Richard Marion (Patterson); Laura Owens; Ron Fassler (Petzold); Michael Chieffo; Henry G. Sanders; Lois Foraker (Sgt. Frazier)
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