 |
Felipe M. Guerra já é um nome conhecido entre os apreciadores de cinema de horror que acompanham listas de discussão, comunidades e sites na internet, contando com uma grande legião de fãs e admiradores, principalmente por causa de seus artigos e resenhas sobre filmes do gênero, sejam comerciais ou bagaceiros, num interessante trabalho detalhado de pesquisa e análise crítica. Seus textos estão publicados no site “Boca do Inferno”, que é um dos mais completos portais de horror da internet brasileira. Ele também é o criador da “Necrófilos Produções Artísticas” e com muito idealismo se aventura na produção independente de filmes caseiros. Em 2001 ele lançou “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado”, um filme com nome quilométrico parodiando as histórias com psicopatas assassinos mascarados. |
Dois anos depois Felipe iniciou um novo projeto (dirigindo, escrevendo o roteiro, produzindo e editando), só que dessa vez homenageando os cultuados filmes italianos do ciclo de canibais entre o final da década de 70 e início dos anos 80 do século passado, como o polêmico “Cannibal Holocaust” e “O Último Mundo Canibal” (ambos de Ruggero Deodato), e “Cannibal Ferox” (80) e “Os Vivos Serão Devorados” (ambos de Umberto Lenzi), utilizando um roteiro que mistura comédia romântica e uma dose discreta de horror e humor negro. Intitulado “Canibais & Solidão”, uma série de imprevistos forçou a interrupção da produção por longos três anos, até que em 2006 finalmente o cineasta independente conseguiu concluir o projeto e lançar o filme em DVD, que traz como materiais extras um trailer para exibição nos cinemas de Carlos Barbosa/RS, cidade natal de Felipe e cenários das locações, e aproximadamente quinze minutos com erros de filmagens.


A história básica de “
Canibais & Solidão” apresenta um grupo de três jovens amigos que possuem dificuldades no relacionamento com as mulheres e estão tentando perder a virgindade. São eles, Rodrigo (Rodrigo M. Guerra, irmão de Felipe), Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Fabio Prina da Silva).
Rodrigo passa seu tempo vendo filmes de canibais, e acha que isso talvez esteja influenciando em seu comportamento. Sua melhor amiga é a bela morena Niandra (Niandra Sartori). Já Eliseu teve uma decepção amorosa que o deixou inseguro, além de ser exageradamente ciumento com sua irmã Kátia (Daniela Vidor), tendo o costume de estourar a cabeça dos namorados dela com um taco de baseball. Ele também se envolve com uma bela loira conhecida como
“castradora” (Cíntia Dalposso). E Marcelo é fã de filmes pornô. Para resolverem o problema, eles solicitam a ajuda de Vini (Leandro Fachinni), que é mais experiente e conhecido pelo sucesso com as mulheres.


O grande desafio dos três amigos é colocar em prática os ensinamentos de Vini e conseguirem o objetivo com suas primeiras experiências sexuais, porém no caso de Rodrigo, afetado pelos violentos filmes de canibalismo, o desafio maior é conquistar o amor de Edna (Edna Costa), uma morena lindíssima que conheceu numa locadora de vídeo.
“
Canibais & Solidão” é uma produção independente realizada com idealismo por todos os envolvidos, especialmente o seu autor,
Felipe M. Guerra. E só por esse idealismo, virtude reservada para poucos, o filme já merece admiração, principalmente pelas imensas dificuldades enfrentadas por Felipe na condução do projeto, com a desistência de atores, cenas que tiveram que ser descartadas e refilmadas, entre outras coisas. Houve uma evolução nítida na qualidade de produção em relação ao longa metragem anterior de 2001, parodiando “
Pânico” e similares. Porém, existem pontos positivos e negativos que valem registro.


O principal e mais relevante fato que agrega valor ao trabalho e para o resultado final é a presença indispensável de belas mulheres no elenco (e isso não falta, pois todas as atrizes são muito bonitas). Temos também a favor uma ótima piada encenada no telhado de uma casa, envolvendo uma aparição rápida e inusitada do próprio diretor e que funcionou muito bem. Além de uma outra seqüência hilária (talvez a melhor do filme), dessa vez com a nona (Oldina Cerutti do Monte, avó de Felipe), que ingeriu sem saber um líquido misturado com afrodisíaco. A interpretação da idosa senhora foi impecável e convincente.


Em contrapartida, destaco dois fatos que prejudicaram o filme. Alguns diálogos ficaram incompreensíveis, principalmente envolvendo o grupo de três amigos, onde às vezes falavam baixo demais, ou excessivamente rápido, ou falavam todos juntos de uma só vez, dificultando o entendimento pelo espectador, e causando um certo desinteresse pela história. Uma exceção notável foi Vini, que sempre falou suas frases com clareza e discernimento. Mas, o maior problema é principalmente a falta de horror (e aí é uma questão meramente subjetiva, tratando-se de uma opinião e gosto pessoal). A idéia do canibalismo é muito pouco explorada e totalmente secundária na trama. Quando vemos a ótima introdução com excertos de cenas violentas reproduzidas de filmes italianos com canibais, passamos a esperar por algo que quase não acontece. A ênfase maior está focada numa comédia romântica e num drama comum sobre jovens tentando perder a virgindade, com uma discreta presença de elementos de horror.


Uma sugestão ao Felipe Guerra para um próximo projeto, utilizando-se de seu talento como cineasta independente e crítico cinematográfico de grande qualidade e conhecimento: em vez de paródias, uma boa idéia é filmar uma história séria de horror mais perturbador e extremo, com ousadia e cenas transgressoras sem limites, uma vez que por ser uma produção independente existe uma liberdade de criação artística isenta de qualquer tipo de pressão. Sinceramente, acho que o maior desafio para a produção de um filme caseiro de horror é justamente explorar esse filão, em vez de utilizar elementos de humor negro, como tem acontecido em todos os seus filmes. É uma dica que seria interessante ver numa produção da
“Necrófilos”...
Renato Rosatti
por Bruno C.Martino
 |
Em 2001, a “Necrófilos Produções Artísticas” - produtora caseira da pequena cidade de Carlos Barbosa/RS, e de propriedade do jornalista/colaborador do Boca e cineasta nas horas vagas, Felipe M. Guerra - lançou o filme caseiro “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado”, com mais de duas horas de duração e uma paródia dos filmes teens pós-Pânico. O filme foi tão comentado que rendeu matéria na revista SET, no programa “Fantástico” da Rede Globo e fez com que um tal de Luciano Huck “contratasse” Felipe para filmar um curta sangrento para ser usado em seu programa de sábado. Nada mal para um filme que custou aproximadamente 300 reais, não é? Quando comprei o filme com o Felipe, adorei e achei uma verdadeira pérola trash-caseira que merece ser vista nem muito pelo filme em si, mas pela atitude dos envolvidos de se fazer um longa com uma merreca. Além do artigo escrito pelo Renato Rosatti disponível no Boca (aqui), há uma crítica sobre o filme feita por mim (aquiaqui)
Pois em 2003, a Necrófilos atacou novamente ao produzir o mais novo longa , agora uma homenagem aos filmes italianos de canibais e comédias dos anos 80 (tipo os |
saudosos
Porky´s,
Clube dos Cafajestes e derivados). O resultado é “
Canibais & Solidão”, que só foi lançado agora, em 2006 (!!!) devido uma série de problemas que estão mais explicados na
entrevista com o diretor.


“
Canibais & Solidão” é a história de três amigos, Rodrigo (Rodrigo M. Guerra, irmão do diretor e astro de todos os filmes), Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Fabio Prina da Silva) que têm um problema em comum: são virgens e querem perder a virgindade de qualquer maneira! Mas todos têm diferentes problemas: Eliseu teve uma decepção amorosa, Marcelo é um tarado que passa o dia vendo filmes pornôs e Rodrigo é retraído e gosta de passar seu tempo livre comendo pastelina (um salgadinho típico do sul) e assistindo filmes de canibais. A coleção do cara é invejável (novamente o diretor Felipe nos colocando água na boca como fez com a coleção de VHS em “
Entrei em Pânico...”, hehe) e seu objetivo na vida é conseguir todas as versões possíveis de “
Cannibal Holocaust”, filme ícone do ciclo italiano de produções de canibais. Mas o problema mesmo do rapaz, além de não conseguir se relacionar é que estranhamente vive se imaginando dentro dos filmes sendo um canibal, o que o faz ter estranhos delírios canibalísticos.


Além deles, há Kátia (Daniela Vidor), irmã mais nova de Eliseu, que sempre que leva namorados para casa, desperta a ira do irmão que sempre arrebenta (literalmente) suas cabeças com um taco de baseball. Ainda na galeria de personagens secundários, também se destaca Ido, interpretado por Diego M. Guerra, o outro irmão do diretor, que está se especializado em personagens inconvenientes! Imagine aquele amigo chato que come e bebe na sua casa e sai na maior cara de pau, aparecendo só quando tem
“bem bom”! Pois Ido é assim, hehe...


Os três amigos decidem perder a virgindade e para isso contratam os serviços de Vini (Leandro Fachinni), o maior pegador da região,que segundo boatos comeu todas meninas da região - e como as meninas acabaram, começou a comer homem também! Hahahaha. A escolha para Vini não poderia ser mais acertada: Leandro Fachinni está perfeito e sua voz de locutor de rádio ajuda a dar um ar mais experiente e de mentor para seu personagem. Além do mais. seu figurino (camisas chamativas e óculos escuros) está demais, bem condizente com o personagem.


Pois o tal Vini decide ajudar os rapazes, mas em toda situação sempre acontece algo que os impede de perder a virgindade. Parece aquele filme
“O Último Americano Virgem”, só que ao invés de só do protagonista se ferrar e nunca arrumar mulher, são todos que se ferram! Hehehe. Uma das seqüências mais engraçadas (e a minha preferida) é quando Rodrigo e Marcelo vão à casa de duas irmãs (Taísa Baldissera e Christiane Tomasini) para dar uns
"pegas" nelas. Mas o pai delas (Álvaro Guerra) junto com a avó (Oldina do Monte, a avó do diretor!) chegam em casa pra dar um fim na festa. O resultado é que Marcelo e Rodrigo acabam fugindo pelados da casa com o pai irado (e armado!) e a avó tarada atrás deles! Impossível não rir!


Cansado de tantas enrascadas, Rodrigo vê sua vida mudar ao conhecer por acaso Edna (a estonteante Edna Costa) numa vídeo-locadora da cidade. Sua missão agora é conquistar Edna e de uma vez por todas se livrar das influências de canibais e solidão!


O pessoal da Necrófilos está de parabéns! “
Canibais” é muito mais divertido e dinâmico que “
Entrei em Pânico...”, só uma bola fora que achei foi o fato do canibalismo ficar meio relegado a certas situações e não ser tratado como um dos assuntos principais do longa. Faltou mais gore para um filme com essa temática, mas nada que atrapalhe. Aliás, numa hilária seqüência, Rodrigo está vestido de canibal e come (literalmente, não no mau sentido) Edna. Além do habitual sangue de groselha, um porco foi morto e suas entranhas foram filmadas para dar a impressão que era Edna quem estava sendo estripada! Ruggero Deodato fez escola! Aliás é nessa seqüência que o ator Rodrigo M. Guerra teve que comer pedaços de fígado e lingüiça de frango crus! Isso que é amor à arte!


Novamente falando em atores, vários do filme anterior de Felipe voltam para dar o ar de suas graças! Além dos atores principais, há Niandra Sartori, que em “
Entrei...” fez a doce heroína Niandra e aqui é a melhor amiga de Rodrigo e que nutre por ele um amor não declarado. Além dela quem volta é Cítia Dalposso, a atriz da abertura do filme anterior que aqui (mais bonita loira) faz o papel da temível
“Castradora”. E até o próprio Felipe resolveu atuar e mais, pelado (!!!) numa ótima piada do filme. E mostrou ter carisma e timing cômico! Falando em comédia, há várias piadas engraçadas e o sotaque do povo de Carlos Barbosa só faz tudo ficar mais engraçado...hehe. Sem contar algumas gírias como
“rosk fosk” que dão todo um charme! Hahaha. Algumas piadas ainda, fazem uso inteligente da metalinguagem como quando Eliseu ao ser perguntado qual é a mulher que queria, este responde:
“Espera, quando a musiquinha começar a tocar é ela”, fazendo uma alusão às músicas que tocam nos filmes sempre que alguém importante aparece.


Tecnicamente o filme está bem superior ao anterior “
Entrei em Pânico...” melhor editado e sonorizado e como o anterior conta com uma ótima trilha sonora, que vai de música clássica (O
“Amanhecer”, de Grieg, embalando uma cena de ressaca é muito legal) à dance e glam-rock.


A
Necrófilos editou este em computador diferente do anterior, editado em dois vídeo-cassetes (e quem já editou em vídeo-cassetes sabe o calvário que é...). A seqüência de abertura, com cenas de “
Cannibal Holocaust”, “
Cannibal Ferox”, “
Os Vivos Serão Devorados” e “
O Último Mundo Canibal” é tão boa que sempre que coloco o DVD eu assisto mais de uma vez. Outra seqüência muito bem editada é quando Rodrigo mastiga os dedos de outra personagem. Parece ser uma tomada única, não aparecendo aquelas diferenças de som ambiente ou efeitos sonoros quando há um corte, como acontece na edição com dois vídeo-cassetes. Em contrapartida, algumas cenas-chave deveriam estar mais iluminadas, como a primeira aparição de Edna e sua posterior aparição na casa de Rodrigo. Nada que um rebatedor (folha de isopor ou papel laminado) não resolva. O diretor Felipe também tem que tomar cuidado com alguns ângulos de câmeras que mostram
“mais do que deveriam”, como alguns em que se dá pra ver que Rodrigo e Marcelo estão de cuecas, quando deveriam estar pelados. No mais, o Felipe tem uma ótima noção de ritmo (muito melhor que muita gente profissional aí); A seqüência que comentei da fuga da casa das meninas é prova disso. Comento essas bolas-fora porque quero que o pessoal da
Necrófilos melhore cada vez mais e não por achar esses
“erros” simplesmente ruins, pois sei exatamente das dificuldades de se fazer um filme caseiro com poucos recursos. A qualidade técnica do DVD está muito boa, além da capinha ser muito bonita (me lembrou os cartazes de filmes hollywoodianos da década de 50), o DVD contém hilários 15 minutos de erros de gravação que dão uma idéia de como é filmar
“na raça”. De extra também há o trailer original de cinema (sim, o filme foi lançado em um cinema da cidade!).


Quanto mais eu vejo filmes caseiros bem feitos (dentro de suas limitações, claro) mais acredito que o Cinema Brasileiro tem jeito. Chega de filmes de Nordeste e de favelas. Chega de cineastas brasileiros com complexo de Deus querendo em um filme mostrar todas as mazelas que existem no nosso país, porque não apostar em filmes que têm a preocupação única de divertir? Filmes de gênero e populares, mas que não sejam porcarias para acéfalos como filmes da Xuxa e Didi.
Mas também tem o outro lado, certas pessoas fazem filmes trash para serem trash sem nenhuma preocupação com edição, ritmo ou o básico da linguagem cinematográfica. Pegar uma câmera e filmar porcarias qualquer um faz, que o diga Uwe Boll. Mas vermos que há pessoas empenhadas em crescer e melhorar cada vez mais seus filmes é cada vez mais raro. E o pessoal da
Necrófilos é desse último caso. De “
Entrei em Pânico...” a “
Canibais & Solidão” foi um salto gigantesco, tanto em história como na parte técnica e isso é o legal de se ver. Filmes trash não devem ficar num gueto, devem ser mostrados para que os
“grandões” vejam que há gente inteligente e criativa no Brasil. Da Nova Zelândia saiu Peter Jackson com seu “
Náusea Total”, dos Estados Unidos Sam Raimi com o curta “
Whithin The Woods” e do Brasil... quem sabe o Felipe? Mas de um país que relega José Mojica Marins a personagem folclórico não se pode esperar muito. Aqui definitivamente não é a terra das oportunidades, mas um dia a gente chega lá.... Enquanto isso aturamos algum filme xarope do Arnaldo Jabor ou Cacá Diegues... Já eu prefiro assistir alguma nova produção da
Necrófilos, que venha o terceiro!

Obs: Há uma cena surpresa após os créditos finais (Que acho que só interessará ao público feminino do Felipe...hehe)
CURIOSIDADES DO CARDÁPIO:
Coisas que você nem sabia sobre “Canibais & Solidão”:
- No quarto de Rodrigo, na cena em que ele está parado em frente ao armário colocando o pijama, é possível ver um pôster de
A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS 3 colado na porta do armário e outro de
PLAN 9 FROM OUTER SPACE sobre a cabeça do ator.


- A cena pornográfica eqüina que Marcelo assiste quando seu personagem é apresentado por Rodrigo foi retirada do clássico exploitation
EMANUELLE IN AMERICA, de Joe D’Amato.


- A foto da
"ex-namorada" de Eliseu, que o próprio enche de tiros de arma de pressão, na verdade mostra o ator Eliseu Demari abraçado com uma candidata do concurso de beleza Garota Verão.


- Quando Rodrigo confidencia que é fascinado por filmes de canibais, ele aparece entrando no artigo sobre
CANNIBAL HOLOCAUST do site Boca do Inferno, escrito por Felipe M. Guerra. Sobre a mesa, ele tem o livro
EATEN ALIVE, a
"bíblia" americana dos filmes italianos de zumbis e canibais.


- O filme que Rodrigo assiste antes de ser chamado para sair por Eliseu e Marcelo é
CANNIBAL FEROX, de Umberto Lenzi.


- A música que toca quando Eliseu convida as três garotas bêbadas para tomar uns drinks é
"Goodbye Eddie Goodbye”, da trilha sonora do clássico
.html">O FANTASMA DO PARAÍSO, de Brian DePalma (um dos filmes preferidos do diretor Felipe).


- Marcelo conta a uma das garotas bêbadas sobre um filme pornô com cavalos que assistiu, e cita o nome da atriz Márcia Ferro. A paulista atuou em diversos pornôs com animais feitos na Boca do Lixo, entre eles
JÚLIA E O PÔNEI e
ABERRAÇÕES SEXUAIS DE UM CACHORRO.


- Cerca de 300 garrafas de cerveja vazias foram
"emprestadas" de uma boate após um final de semana movimentado para filmar a cena em que os três amigos acordam de uma bebedeira. Cada garrafa foi lavada antes da filmagem, para eliminar restos de bebida, cuspe e cigarros.
- A cena em que Rodrigo, Eliseu e Marcelo jogam War com Ido era originalmente mais longa. Eliseu citava o filme
AMERICAN PIE e pedia que os amigos se unissem num plano para perder a virgindade. Já Ido citava pela primeira vez o filme amador que Marcelo gravou da irmã de Eliseu tomando banho (a fita,
"Kátia Molhada" pode ser vista sobre a mesa durante parte da cena, embora tenha sido cortado o momento em que ela é apresentada).


- Os CDs destruídos pela enfurecida irmã de Eliseu são de bandas de bailão de Carlos Barbosa:
Musical Superprodução,
Musical Miramar Show e
Grupo Alma Nova. No roteiro, os CDs quebrados seriam de bandas como Deep Purple e The Who, mas Eliseu argumentou que seu personagem, banana que era, deveria ouvir música mais apropriada. Em tempo: nenhum CD original foi realmente quebrado, apenas discos defeituosos e um CD pirata da dupla Sandy & Júnior.


- Um dos CDs quebrados é o
"tigrão do Bairro", do
Grupo Alma Nova. Eliseu chega a dizer:
"Vou ter que pedir para o Méza me dar outro", numa referência a um dos músicos da banda. Um disco do
Alma Nova, chamado
"Barraco", já havia aparecido em cena no filme anterior,
ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO (2001). Quando o próprio Méza veio agradecer ao diretor Felipe pela homenagem, este resolveu repetir a brincadeira.


- Ao ver seus CDs destruídos, Eliseu lamenta:
"Já tá tudo vaporizado mesmo...". É uma referência a uma fala famosa de Eliseu Demari em
ENTREI EM PÂNICO..., quando Ido quebrava um CD da Shakira e Eliseu comentava: "Olha Ido, vaporizou!".


- Quando está na locadora, antes de ver Edna, Rodrigo comenta:
"A maior burrada que eu fiz na minha vida...", e no mesmo momento pega nas mãos a fita de
, que por si só é uma grande burrada. Entre as fitas que ele loca na cena estão A MONTANHA DOS CANIBAIS e
CANIBAL (Lunch Meat).
- O pôster de uma peituda usado por Vini em sua aula de sexo mostra a estrela pornô americana Jenna Jameson. O filme pornográfico que ele exibe para os três
"alunos" é
MEU PÔNEI, MEU AMANTE, estrelado por Márcia Ferro.


- Originalmente, a cena em que Niandra confessa a Edna que um amigo está apaixonado por ela era bem mais longa. Na primeira versão, filmada com outro ator, Marcelo aparecia com uma escada e observava Niandra e Edna trocando de roupa (numa referência à clássica comédia
CLUBE DOS CAFAJESTES, de John Landis). Ele ainda entrava no quarto e roubava uma porção de calcinhas da gaveta do quarto de Edna. Com a troca do ator, a cena foi simplificada e nunca refilmada.
- O perfil da
"Cannibal Girl", com quem Rodrigo se relaciona no Orkut, foi criado pelo diretor Felipe com fotos falsas. Desde que entrou on-line, entretanto, já atraiu diversas pessoas que acreditam que ela existe mesmo!


- Na cena em que Rodrigo forra o quarto com fotos de Edna, foram usadas mais de 200 cópias xerox da fotografia, que ficaram coladas nas paredes por praticamente três anos, até a conclusão das filmagens! A cena em que Rodrigo cola as fotos na parede foi filmada em dezembro de 2003; a cena em que ele arranca as fotos, em julho de 2006!
- A cena em que Rodrigo confessa a Eliseu que acredita estar se transformando em canibal não estava no roteiro e foi inventada para deixar mais clara a obsessão do personagem.


- As garotas que interpretam Camila e Carina são as mesmas vocalistas da
Banda Wicca que aparecem perto do final. Felipe não conseguia meninas dispostas a fazer o papel das irmãs taradas, e convenceu as duas quando contratou a banda para tocar no filme e ainda colocou uma canção própria delas na trilha sonora (
"Uma História", cantada na cena da festa).
- Álvaro Guerra, que interpreta o pai de Camila e Carina, filmou todas as suas cenas sozinho, sem interagir nem com as duas atrizes, nem com Rodrigo e Marcelo. A edição ficou tão boa que parece que estão todos juntos (uma técnica que Felipe aprendeu com seu ídolo Robert Rodriguez).


- Originalmente, o roteiro previa que Rodrigo e Marcelo subiriam ao telhado usando apenas calcinhas. Na primeira versão das filmagens, com outro ator interpretando Marcelo, os dois usavam apenas a roupa íntima feminina. O uso das camisolas foi uma imposição de Fábio Prina da Silva quando ele passou a integrar o elenco no papel de Marcelo.
- Rodrigo fala para a velha tarada:
"Tu tem idade pra ser minha vó!". Na verdade, Oldina Cerutti do Monte É avó de Rodrigo.


- No motel com a castradora, Eliseu olha para a câmera e diz:
"Eu sou gatão! Eu sou gatão!", citação à clássica fala de Rodrigo M. Guerra em
ENTREI EM PÂNICO...
- A cena do motel não foi filmada em um motel de verdade, mas sim no quarto de um amigo de Felipe que tinha cama redonda. A intenção inicial era entrar escondido num motel de verdade, com Eliseu no porta-malas, para fazer a cena, mas Felipe ficou com medo e resolveu usar um cenário
"falso". Cintia Dalposso, que interpreta a castradora, ficou nervosa e pediu bebidas alcoólicas para se acalmar. Ela fez a cena toda praticamente embriagada.
- A cueca samba-canção amarela que Eliseu usa na cena do motel pertence ao diretor Felipe, assim como a cueca com borboletas desenhadas que Fábio Prina da Silva usa na cena do strip-tease para Camila e Carina.


- A
Banda Wicca não está tocando a canção
"Uma História" na cena da festa, o que é perceptível em alguns momentos (quando se percebe claramente que as vocalistas estão cantando outra coisa). A música foi dublada na edição.
- A cena da festa, que dura cerca de cinco minutos, custou cerca de R$ 300,00 porque os produtores realmente tiveram que fazer uma festa (o orçamento total do filme foi de R$ 600,00). Dos mais de 350 convidados, apenas uns 90 apareceram na noite, obrigando o diretor Felipe a filmar só cenas em close.
- A declaração de Rodrigo para Edna deveria ter sido filmada num único take, sem cortes, mas o ator não conseguiu decorar.
- Entre filmagens e refilmagens, Rodrigo M. Guerra tomou mais de 20 tapas de Niandra Sartori, todos eles reais.

- A cena com câmera acelerada em que Eliseu sai de carro com a castradora, ao som de
"William Tell", de Rossini, é uma singela homenagem a
LARANJA MECÂNICA, de Stanley Kubrick.
(Texto retirado da comunidade “Canibais e Solidão” do Orkut)
Bruno C.Martino
 |
CANIBAIS & SOLIDÃO (Idem, Brasil ,2006). Duração: 101 Minutos
Direção: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra
Produção: Necrófilos Produções Artísticas
Música: Vários
Design: Eliseu Demari
Edição: Felipe M. Guerra
Elenco: Rodrigo M. Guerra (Rodrigo), Edna Costa (Edna), Niandra Sartori (Niandra), Eliseu Demari (Eliseu), Cíntia Dalposso (Castradora), Daniela Vidor (Kátia), Fábio Prina da Silva (Marcelo), Leandro Facchini (Vinni), Diego M. Guerra (Ido), Oldina do Monte (Nona), Bethlem Migot, Bianca Bertotto, Daiane Baldasso, Taísa Baldissera, Christiane Tomasini, Álvaro Guerra, Tarcia Dalmás, Maristela Bergonsi, Giovana do Monte, Leonardo Zanuz, Bruno Gelmini, Raimundo dos Reis, Banda Wicca, Silvia Odibert, Germando Baldasso, Guilherme Tusset, Felipe M. Guerra.
|