CANIBAL FILMES

por Roberto Marcelo Caresia

Petter Baiestorf e o "sinema" trash catarinense

Com certeza, o Estado de Santa Catarina não poderia ser lembrado pela sua ínfima produção cinematográfica, lembrando ainda que a produção brasileira também não é lá aquelas coisas comparadas com outros países. Ainda mais tratando-se do gênero terror ou trash (misturando humor negro, deboche e nudez com elementos de terror e ficção), que atualmente no país só sobrevive no cinema independente, dito underground, onde filmes de baixíssimo orçamento, mas feitos com muita garra e vontade, tentam mal e mal cobrir os custos. Quem faz filmes de terror neste país não apenas demonstra que é corajoso, significa também fazer uma verdadeira declaração de amor ao gênero. Portanto, só a história da produtora catarinense Canibal Filmes, totalmente anárquica, debochada e underground, já poderia render um belíssimo filme.
É difícil não resumir a Canibal Filmes sem relacioná-la com Petter Baiestorf, responsável não só pela criação e concepção da produtora como também por ser roteirista, produtor e diretor da grande maioria dos filmes (curtas, médias e longas), além de participar em alguns deles como ator. Fã desde os 5 anos de idade, impressionou-se mais tarde com filmes como "O Incrível Homem que Derreteu e "Ultimo Mondo Cannibale. Já em 1991/1992, Baiestorf editava os fanzines Arghhh! e Necrofilia, com textos sobre filmes e HQs de horror, usando o nome Canibal Produções. Mas parece que a coisa começou a tomar vulto em 1992, quando os dois colegas, Baiestorf e E. B. Toniolli, ambos com dezoito ou dezenove anos, juntando alguns colegas secundaristas, resolveram fazer um filme em VHS, nas redondezas da cidade de Palmitos, interior de SC. A escolha era óbvia: um filme de terror e ficção, gênero que os dois cultuavam, com uma pitada bem carregada de humor negro e sarcasmo. Inicialmente, o filme se chamaria Lixo Cerebral vindo de Outro Espaço, usando uma câmera VHS emprestada por um pastor evangélico(!!??) mas o projeto não foi concluído. Aproveitando o que tinham filmado como base, acrescentaram outras filmagens de fim de semana e finalizaram o que veio a ser o primeiro filme, Criaturas Hediondas (1993) , uma pérola dos filmes undergrounds, uma homenagem a todos os filmes bagaceiros de ficção e terror, com um visual totalmente tosco e recordista absoluto em erros de produção, edição, direção e atuação, tornado ainda mais hilário com o sotaque interiorano do oeste catarinense. O que não tira nenhum mérito do filme, pelo contrário, torna ele divertidíssimo, uma peça rara na estante de qualquer infernauta. Baiestorf inclusive relançou o filme em 1999, cortando algumas seqüências mal feitas da edição original e remontando o filme, além de mudar o título para Os Bagaceiros de Marte Sonham com Garotas Peitudas da Terra que, afinal, não mostra garota nenhuma, quem dera peituda (afinal, eles apenas "sonham").



O filme tem uma história muito louca, onde um cientista marciano, Dr. Rottenberg (Toniolli) vem para a Terra estudar a estrutura dos seres humanos e fazer uma poção que os transforme em escravos mortos-vivos. Vários personagens aparecem na história causando uma grande confusão, como Igor (Baiestorf), um metaleiro que adora invadir cemitérios e, depois de beber a poção, torna-se ajudante do Dr. Rottenberg (as várias cenas em que os dois "atuam" juntos são impagáveis!); um caipira (Odair Massola) que tira fotos de qualquer folha ou árvore que ele vê no meio do mato (cenário de maior parte do filme), dois amigos donos da propriedade procurando por vândalos, e um caçador (Leomar Wazlawick) que cada vez que aparece está com uma camisa diferente. Alguns atrapalhados acabam ressuscitando Hannsmorgue (Alfredo DeBortolli), arqui-inimigo de Rottenberg, fazendo um confronto entre ambos inevitável.

Descrever os erros técnicos encontrados no filme é desnecessário, basta dizer que ultrapassam de longe o "Ed Wood ou qualquer filme de Bruno Mattei. O resultado final é a diversão pura e simples, sendo impossível segurar as gargalhadas com as falas absurdas e o sotaque interiorano dos atores (todos amigos de Baiestorf e Toniolli que parecem ter aceitado fazer o filme pela farra).

A trilha sonora também é uma preocupação constante em todos os filmes da produtora, composta por bandas de death metal, grindcore, hardcore e outras coisas do gênero; além de não dispensar músicas de Elvis Presley, Beatles e Pink Floyd só pra zoar com o clima do filme.

O segundo filme da Canibal é Criaturas Hediondas 2 (1994), um filme ainda mais trash e ruim do que o primeiro, onde uma nave espacial é feita com uma indisfarçável calota de carro pendurada com um anzol. Na trama, Rottenberg ordena uma invasão marciana na Terra, sendo que a NASA envia seus agentes brasileiros para deter a invasão, dirigindo uma Rural caindo aos pedaços, sendo que o motorista é o pai de Baiestorf (ele é quase sempre creditado como motorista da equipe de filmagens). O outro marciano (Ivan Pohl) que aparece no filme é a coisa mais próxima do ridículo que alguém poderia imaginar: um cara usando botas sete léguas, com luvas de borracha verde, uma capa que mais parece um cobertor amarrado no pescoço e usando um capacete de motoqueiro com um pedaço de mangueira colada na cabeça, a qual insiste em ficar se soltando e caindo. Mais trash impossível!! Se quiser assistir estes dois filmes na seqüência não esqueça de convidar seus amigos e trazer umas caixas de cerveja e alguns pacotes de fandangos. A diversão vale a pena.
Ainda em 1994, foi produzido o média Açougueiros, que conta a história de uma turma de amigos pelo interior, chegando numa casa quase abandonada onde uma família de freaks canibais, liderados por um aleijado com poderes psíquicos (Peter Baiestorf), perseguem e devoram os visitantes. O filme é uma espécie de "Massacre da Serra Elétrica" com parapsicologia barata, sendo que o próprio Baiestorf considera o filme "a maior merda que já fez". É interessante notar que o cenário e a casa são os mesmos do clássico Eles Comem sua Carne (1996). Neste mesmo ano, a equipe filme ainda o ótimo curta Detritos (1995), onde cristo volta à Terra só para ser novamente escorraçado por bêbados, prostitutas, padres, policiais e adolescentes.
Com estes filmes na bagagem, a turma começou a aparecer em festivais alternativos de vídeo e cinema. Isso tudo, somado à participação na I HorrorCon (abril de 1995, sendo a primeira convenção do gênero no Brasil), em São Paulo, onde despertaram grande interesse do público com a exibição de seus filmes. Nesse mesmo evento, Baiestorf conhece o gaúcho César Souza (que já fazia filmes em super 8 desde o início dos anos 80) e ambos se juntam como Canibal/Mabuse Produções, uma parceria que durou até 1999.
Juntos, produziram o maior sucesso da Canibal até hoje. O Monstro Legume do Espaço (1995) é o mais porraloca filme de ficção, terror e humor negro que já vi. O alienígena (Loures Jahnke), com um grotesca maquiagem verde que começa a se desprender da pele ao longo das filmagens, é um filósofo debochado e niilista, querendo detonar todos que encontra pela frente porque considera os humanos inferiores. Inicialmente, ele está preso num laboratório de um cientista maluco, Dr. Karloff (Marcos Braun), que fica no meio do mato, realizando suas pesquisas proibidas. O companheiro de cela do monstro legume é o impagável Caquinha (Leomar Wazlawick), um estudante do Dr. Karloff que também serviu de cobaia e acabou ficando perturbado, deformado e coprófago (ele se delicia comendo e se lambuzando com merda, vísceras, sangue menstruado, vômito e morcegos em formol). Com sua ajuda, o monstro legume consegue fugir e promove um rastro de sangue e tripas pelas redondezas, onde até uma seita de necrófilos vive no meio do mato (interpretados por Baiestorf, Jorge Timm, Susana Mânica, Marcelo Severo e liderados por César Souza). A cidadezinha conta com um padre cínico (Toniolli, em outro papel antológico) que bebe, fuma, cheira, joga cartas e nega-se a enterrar uma das vítimas porque ela não estava em dia com a igreja; além de um heroizinho canastrão (Jorge Hippler) - o "ator" é uma nulidade, não sabe para onde olhar, atropela suas falas e ainda fica rindo na frente da camêra - uma mocinha que só berra (Onésia Liotto) e um poeta incompreendido e apaixonado por ela (Inácio Roeder).

Em 1996, fizeram Eles Comem Sua Carne, novamente uma referência à "Massacre da Serra Elétrica", onde um grupo de amigos canibais vive no interior, capturando e devorando os fiscais do IPTU que por lá aparecem para cobrar os impostos. Outro cult do underground nacional. O filme tem uma seqüência no mínimo perturbadora, onde um dos canibais, Arkham (Toniolli), depois que sua noiva Hérnia (Susana Mânica) foi morta por um turista, abre o estômago dela numa banheira e fica rolando pelo chão do banheiro, se lambuzando com as vísceras, como se estivesse querendo literalmente voltar ao útero.
Essa mesma seqüência foi toda montada, tirando os cortes de edição do filme, e apresentada às pressas como sendo um curta metragem, com o título 2000 anos para isso? (1996), exibido numa mostra de filmes gore em Gijón, na Espanha. O filme tem outras cenas antológicas, como um dos canibais (Marcos Braun) tomando banho com sangue humano ao som de Elvis Presley!! Segundo Baiestorf, o filme foi elogiado por Lloyd Kaufman, da produtora trash estado-unidense Troma, mas não pôde ser distribuído nos EUA por estar no formato VHS (?!).

Em 1996, filmam também o curta Arachnoterror (1996), um sci-fi trash sem diálogos, muito tosco, sobre um alienígena aracnídeo tentando capturar um humano enquanto o mundo está um caos. Há também o média Satânikus (1996), na verdade, uma refilmagem de um antigo curta homônimo de 1981, filmado por César Souza em super 8, onde satanistas despertam um demônio, que os persegue e mata um por um. Este filme, junto com Açougueiros, é vendido na mesma fita, com o curta em super 8 de brinde.

Ainda naquele ano, filmam Caquinha Superstar a Go-Go (1996), um filme mais experimental, apresentando o já célebre personagem coprófago Caquinha (desta vez interpretado por Toniolli), de O Monstro Legume, fazendo suas nojeiras em ritmo de musical trash, no estilo de "The Rock Horror Picture Show", mas com muito gore.
No filme, Caquinha vive numa floresta encantada, é casado e tem sua esposa estuprada e assassinada por dois caçadores, fazendo com que Caquinha saísse pelo mundo afora cantando, encontrando ecologistas, padres tarados, ninfetas e mendigos. Haviam projetos para uma seqüência, Caquinha Smell Pussies Again, mas é improvável que saia.

Na II HorrorCon (março de 1996) vários dos filmes da Canibal são exibidos e Baiestorf e companhia quase tomam conta da cena, fazendo performances ao vivo, retratando seqüências dos filmes e algumas palestras. Empenham-se em produzir vários curtas de ficção, alguns muito bagaceiros como Speak English or Die, e outros muitos experimentais, como Ácido.

Com a bola toda e gozando de prestígio, produzem outro filme prá lá de polêmico. Blerghhh (1996) teve sua exibição recusada na III HorrorCon (abril de 1997), sendo que a produtora foi totalmente boicotada pela organização do evento. É claro que a recusa do filme acabou sendo usado como marketing, visto que a capa da fita ostenta os dizeres "O filme Censurado na 3ª HorrorCon!" e, segundo dizem, vendeu pra caramba. O filme é um policial/terror debochado que abusa da violência explícita, dos litros de sangue, da linguagem chula e acusado de ser reacionário e de "extrema direita", pois esculhamba com os terroristas de esquerda (um velho fardado, parecido com Fidel Castro, é responsável pelas falas e situações mais hilárias e grotescas do filme). Na trama, um grupo de terroristas sem dinheiro decide seqüestrar filho de um milionário, Sid (o poeta José Salles, em sua estréia em vídeo), e sua guarda-costas Naja (Denise V, hoje musa do underground brasileiro, mas que teve sua estréia neste filme) enquanto estavam numa boca negociando drogas com um traficante (Baiestorf).
Enquanto o dinheiro do resgate não chega, um dos seqüestradores, Rumba (César Souza), resolve torturar Naja para fazer um snuff movie, enquanto entopem Sid com drogas experimentais. Com a notícia de que o resgate não será pago, decidem livrar-se de Sid com uma overdose, porém, a mistura química em seu sangue era tanta que o playboy vira um zumbi indestrutível. Em outra cena antológica, Sid tem sua cabeça decepada (com a tampa de uma lata de sardinhas), coloca ela de volta no lugar e continua vivo. Naja consegue escapar de Rumba e ambos iniciam uma carnificina com os terroristas. Vale a pena conferir, o filme é ótimo, se você encará-lo de forma despretensiosa.

Depois de Blerghhh, a Canibal entra numa fase mais experimental. Misturando cenas do making off de Blerghhh com outras viagens não aproveitadas, Baiestorf lança o média Bondage (1996), uma colagem visual sobre o fetiche de ser amarrado(a). No ano seguinte, seguem-se vários curtas e médias experimentais, tais como The Butterfly over Sky Brain, Chapado, Vomitando Lesmas Lisérgicas, PVC e O Homem-cu Comedor de Bolinhas Coloridas, rompendo totalmente com a linearidade e partindo para o surrealismo, o simbolismo e a transgressão.
Em 1997 eles também lançam o incompreendido Super-Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (ou Ainda Bem que Jimi Hendrix Morreu), na verdade, lançado só três anos depois de finalizado. Nos dizeres de Baiestorf, é uma espécie de "fábula real cheia de simbolismos" onde o próprio faz o papel de Glauber Rocha, um ser mítico que tem negócios com Deus e o Diabo (ambos interpretados por Toniolli) e que deseja fazer mais negócios com seu rival Super-Chacrinha (Carli Bortolanza), que não suporta nem Deus nem o Diabo. Glauber Rocha pede a Deus/Diabo para convencer Super-Chacrinha a unirem forças e dominarem o mundo mítico de Varatrhum. De início, Deus/Diabo consegue convencer os sócio do Super-Chacrinha, Ultra-Shit (José Salles, usando uma impagável máscara de ultra-seven), Tor Johnson (Jorge Timm, usando máscara de Tor Johnson) e Super Violla (Antonio Viola). Em crise existencial, Super-Chacrinha assiste ao show da banda de death metal do Diabo, convencendo-se a associar-se com Glauber Rocha e ambos dominarem o mundo dos negócios.
O filme passa por longas tomadas sem cortes de edição, em localidades como prédios em ruínas, casas abandonadas e terrenos baldios (dando a perspectiva de um mundo destruído ou em desconstrução) e muitas seqüências demoradas de cantorias, batuques e monólogos (com uma narrativa semelhante a muitos filmes de Glauber Rocha, tais como O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Cabeças Cortadas, O Leão de Sete Cabeças e A Idade da Terra). O filme foi concebido para ter quatro horas de duração, mas foi editado só para duas horas, reconhecendo que era um empreendimento nada comercial e relegando sua exibição para mostras especiais. Um dos pontos interessantes é a interpretação de Toniolli para Deus e o Diabo: quando interpreta o primeiro, está de terno branco, quando é o segundo, de terno preto, mas o discurso do personagem é sempre o mesmo. Ou seja, ele apenas troca de roupa!! O resultado é um filme que vale a pena ser visto, como sugerem, depois de beber uma garrafa de vinho tinto barato. Não sei dizer se o filme é uma homenagem debochada ou um deboche em homenagem ao cinema de Glauber Rocha (talvez seja as duas coisas).

Neste mesmo ano, Baiestorf é convidado por Ivan Cardoso para participar do XV Festival de Gramado, sendo que seu filme exibido, À Meia Noite na Zona com Glauber, teve participação de Baiestorf na trilha sonora. Os palmitenses aproveitaram o evento para lançar fanzines e manifestos, como Defecando Urros e outros, causando polêmica entre a turma bem comportada. Ainda em 1997 foi produzido o quase longa Bondage 2: amarre-me gordo escroto (1997), um suspense erótico, levemente inspirado na Bela da Tarde, dirigido pela colega Susana Mânica e estrelado por José Salles, Denise V e César Souza, chegando a fazer um relativo sucesso no circuito alternativo. Este ano, além de marcado pelo experimentalismo, marca também o início da fase mais transgressora da produtora. O polêmico e pornográfico curta Deus: o matador de sementinhas (1997), com apenas 4 minutos, anunciava o que vinha pela frente. No curta, um homem se masturba até ejacular, enquanto ao seu lado um rádio transmite um culto evangélico com uma garotinha cantando. Seria Deus ouvindo atentamente seus fiéis?
1998 foi o ano barra-pesada da Canibal. Investidos em fazer o filme mais ofensivo da história, a dupla Baiestorf/Souza produz Gore Gore Gays (1998; a princípio, o título era pra ser A Ninfeta Gore), misturando violência explícita, pornografia e muito gore, onde um casal de veados, Tirano e Adolfo (Baiestorf e Souza) deixam de ser veados (!?) e saem pelo mundo afora cometendo mutilações, atrocidades e sexo bizarro. Basta dizer que o filme não teve boa recepção. Citando um exemplo, Baiestorf conta que o filme foi exibido numa Universidade de Porto Alegre e, logo após, os acadêmicos responsáveis pela exibição receberam uma semana de suspensão.
Simultaneamente a Gore Gore Gays, a produtora realizou um filme pornográfico "convencional", para tapar o buraco dos últimos fracassos comerciais, e acabaram fazendo o que dizem ser (eu não cheguei a assistir, ainda!) a coisa mais repulsiva, transgressora e escatológica, sem comparação alguma com qualquer filme caseiro do país. Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos ou SBAF (1998) trata sobre um médico maluco (Baiestorf) que estuda a cabeça de dois tarados (Souza e C.B. Rot), presos por ele. Se dependesse só do roteiro... é neste filme que tem a cena em que uma vela é enfiada no ânus de um velho vestido de militar. E esta, segundo dizem, é a cena mais light do filme (quando Baiestorf grava um longa ou um média, geralmente aproveita os cenários e o elenco para rodar alguns curtas experimentais, eu não duvido que este velho vestido de militar seja o mesmo do filme Blerghhh, mas como não assisti o filme ainda...). Como disse Baiestorf, além deste filme ser o seu maior orgulho, ele é mais comentado do que visto. O filme foi tido como "genial" no Festival Bad Taste, na Espanha, mas foi proibido em todas as mostras de vídeo do Brasil. Inclusive, Baiestorf alega que este deve ser o filme mais pirateado da Canibal, pois o mesmo já ouviu vários casos em que o filme foi assistido por grupos de pessoas às quais ele nunca vendeu a fita (o encalhe delas foi grande). Aliás, reparem que as siglas do título do filme são as mesmas que formam o nome da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica (Sbaf), entidade que promoveu as edições da HorrorCon.

Estes dois filmes, somados a outro curta polêmico, Boi Bom (1998), fazem parte da famosa "fase 98" da Canibal, radicalmente violentos, pornográficos e experimentais. Em Boi Bom, o único desta fase que não é pornográfico, um boi é morto e esquartejado enquanto Jorge Timm brinca e se delicia com as tripas e restos do animal. Polêmico, devido às cenas do esquartejamento do boi, o filme não convence muito ao anunciar no final que "nenhum animal foi morto para a realização do filme". Na verdade, o boi foi morto mesmo, mas não para fins únicos e exclusivos do filme. Uma churrascaria ia abater o animal para consumo e, sabendo disso, Baiestorf resolveu juntar uma equipe e filmar o acontecimento. Qual é? O boi não ia morrer de qualquer jeito? O resultado pode ser grotesco para alguns, mas você também não aprecia um bom churrasco? Ou você não sabia que tinha que matar o animal antes de servi-lo num bom e suculento espeto corrido? Além disso, o filme pode até ser visto como um "manifesto vegetariano"!!

Outros curtas ainda foram realizados em 1998, tais como o poético e surreal O Vinicultor faz o Vinho e o Vinho faz o Poeta, com José Salles travando a cabeça e proclamando poesias diante das câmeras; o interessante A Despedida de Susana: Olhos e Bocas, gravado durante uma feijoada com os amigos; os experimentais Homenagem, Chumbo, Fodendo meu Vitelo e Crise Existencial.

Apesar de alguns destes filmes da "fase 98" serem aclamados em alguns festivais alternativos, a produtora levou mesmo foi o maior sarrafo com o fracasso comercial destes filmes, auxiliado com a crise financeira que assolou o país em 98/99, praticamente levando a Canibal/Mabuse à falência, sendo formada em 2000 a Canibal Distribuidora (pela qual pretende distribuir filmes de outras produtoras) e a Canibal Filmes. Além disso, havia discordâncias técnicas entre Baiestorf e Souza: o primeiro queria melhorar a parte técnica, enquanto o segundo preferia deixar tudo o mais tosco e experimental possível.
Mas nada que impedisse cada um de fazer o que estivesse a fim e voltassem a se encontrar para produzir alguma coisa juntos.
Tentando reverter a situação, Baiestorf escreve, produz e dirige o média-metragem Zombio (1999), fechando a parceria Canibal/Mabuse. O resultado é uma fita que vendeu tanto quanto O Monstro Legume, ou seja, vendeu pra caramba. O filme tem 45 minutos, teve um orçamento de uns míseros R$ 250,00 e um ótimo resultado. Na minha modesta opinião de fã, o melhor e mais divertido filme da Canibal! Um casal de ecologistas (Coffin Souza e Denise V.) vai passear pelo interior, numa ilha no Rio Uruguai, e encontra uma horda de zumbis sanguinários e famintos, comandados por uma sacerdotisa diabólica (Rose de Andrade). Paralelo a isto, um serial killer vestido de velhinha (César Souza, impagável) arrasta para o seu barracão isolado uma "loirinha" da cidade (Cláudia de Sordi) para servir de vítima em suas torturas sádicas. A loirinha foge pelo mato e o psicopata vai atrás dela. Todos se encontram com os zumbis e o final é muito bom. Os zumbis estão ótimos e a maquiagem impressiona, sendo que a maior parte das maquiagens foi reciclada e reaproveitada durante as filmagens.No final dos créditos, além de uma singela homenagem a Lucio Fulci, há mais um minuto que mostra o que seriam os bastidores do filme, com Baiestorf xingando o contra-regra que não conseguiu fazer um disco voador com a calota do carro, e tendo a equipe toda devorada pelos zumbis ("onde é que tu conseguiu esses 'figurante', cara?") que aparecem do meio do mato, enquanto Baiestorf grita "Filma!!! Filma!!!"
A fita ainda traz o elogiado curta Nocturnus (1999), dirigido por Dennison Ramalho, exibido várias vezes na TVE, onde um grupo de caçadores de vampiros é massacrado num navio abandonado, cheio de sanguessugas ambulantes.

Em 1999, a Canibal aproveita para lançar a ótima coletânea Festival Psicotrônico Vol.1, reunindo treze curtas realizados entre 1995 e 1998, já citados antes, com experimentação, surrealismo, gore e sarcasmo. Além de filmar outros como 9.9 (nove.nove), Aventuras do Dr. Cinema na Terra do VHS Vagabundo e Pornô.
No ano de 2000 não há registro de nenhum lançamento, ou pelo menos nada que quisessem ter lançado naquele momento, devido a boa parte do ano ter sido preenchida na elaboração do zine Brazilian Trash Cinema, dedicado inteiramente aos videomakers nacionais e suas produções. Deixaram para 2001 o lançamento de Raiva (Rage-O-Rama); de longe, o filme de melhor qualidade já produzido por eles (levando em consideração a tosqueira dos primeiros anos). Ainda conta-se alguns defeitos técnicos, mas como nenhum filme é perfeito... seja como for, está a quilômetros de distância à frente da qualidade técnica de O Monstro Legume, e quem dirá de Criaturas Hediondas.
A história é sobre três amigos pilantras (E.B. Toniolli, Jorge Timm e Elio Copini) que matam um alemãozinho para roubar sua coleção de Spketro, o saudoso gibi de terror do começo dos anos 80, e viajam para vendê-la a um colecionador no Paraguai. A viúva do cara assassinado contrata um detetive particular (Airton Bratz, mais pilantra que os três amigos juntos) para encontrar os sujeitos. O trio acaba com o carro encalhando numa localidade rural e, ao pedir ajuda na fazenda mais próxima, percebem que os moradores parecem transformados em canibais e outras nojeiras. A cena mais memorável é onde um deles (César Souza) devora o próprio braço no auge de sua fome, numa antropofagia de si mesmo.
Não vou contar porque eles ficaram assim, só vou dizer que a explicação é hilária. No fim, o detetive encontra a mochila com as revistas, liga para a viúva e diz que perdeu o trio de vista e que está fora do caso, ficando com a coleção de gibis para ele mesmo vender para o colecionador paraguaio. Mais canalha impossível! Pelas críticas que li na Internet, o filme se deu muito bem, sendo um dos mais elogiados de Baiestorf. Segundo ele, este foi seu filme mais comercial, "uma aventurazinha gore para ganhar grana", com direito até a um carro explodindo (uma carcaça de ferro velho), esculhambando com os filmes de ação americanos.

Mais alguns curtas são produzidos nesse ano de 2001, lançados pela Caos Filmes, com uma proposta mais experimental, tais como Filme Caseiro Número Um, além do lançamento da Coleção Coffin Souza, feito pelo seu colega César Souza no nordeste brasileiro, com os títulos Freak Circus, Worm Universe, Zombi X, Inquilino e Creation.

Outros curtas se seguem no ano seguinte, através da Caos Filmes, tais como o perturbador Fragmentos de uma Vida, o simbólico Demências do Putrefacto, o excelente, estranho e divertido Não há Encenação Hoje e Relembre da Carne. Muitos destes curtas estão reunidos na coletânea Minimalismo Surreal Vol 1, contando com curtas da Caos Filmes e da recém fundada N.A.V.E. (Núcleo Associado de Vídeo Experimental de Palmitos, em sociedade com os amigos Cesar Souza e Elio Copini) entre 1998 e 2002.

Em 2003, lançam mais um longa pela Canibal Filmes. Cerveja Atômica é uma ode a tudo o que o pessoal da Canibal mais adora: escatologia, ficção científica bagaceira, nudez, trilha sonora pesada, humor negro, vísceras e cerveja, muita cerveja! No filme, um cientista maluco (Coffin Souza) inventa uma cerveja para viciar e escravizar as pessoas: depois de algumas garrafas detonadas, o sujeito caga as tripas, virando um zumbi!!! No auge da confusão, um grupo de velhinhas (Baiestorf, Elio Copini, Carli Bortolanza, Airton Bratz e Alessandro Véio) declara guerra aos zumbis e ao cientista embriagador. Não chega a ser um candidato a cult, mas com certeza garante a diversão. As chamadas do filme na capa da fita são hilárias: "Mais perigosa que a bomba nuclear!!! Mais mortal que a AIDS!!! Num boteco perto de você!!!", dizendo ainda ser "filmado em ébriovision". Não esqueça de assisti-lo bebendo cerveja. De brinde, a fita de Cerveja Atômica traz o interessantíssimo curta Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica, com Elio Copini (tecnólotra) e Coffin Souza (primata), numa disputa entre o arcaico e o tecnologicamente moderno, ou o videomaker primitivista contra o cineasta global-televisivo encurralado. Outro curta lançado nesse ano foi Frade Fraude vs o Olho da Razão, exibido em algumas mostras nacionais.

Algumas mostras interessantes, como o Cinema Transgressor em Debate, promovida pelos acadêmicos do Centro de Ciências Humanas da UNISINOS, em São Leopoldo-RS, em novembro de 2004, garantiram um ótimo espaço para Baiestorf e Souza, com vários de seus curtas exibidos, além de terem trazido material de outros videomakers como Fernando Rick e Anderson Dino. Nesse mesmo ano, produzem os quase médias Duelando pelo Amor de Teresa (19m.), Vai Tomar no Orifício Pomposo (14m.), Por que?... Porque sou Brasileiro! (15m.) e Predadoras (21m.).

Além de filmes, Baiestorf também já fez videoclips para bandas como Zero Vision, Necrotério, The Tchó Kongas e Mechanics, além de ter filmado os shows das bandas Catalépticos, Trap, Amsanctus e Malencarada, reunidos na coletânea Os Canibais-Mabusiânus Também Dançam Vol 1 (1998). Há também seus livretos de prosa e poesia surreal escatológica, tais como Defecando Urros (1997), Expurgando Líquidos Matinais (1998) e Surreal (2000), ajudando a produzir o jornal poético Salvador Daqui, e seus tradicionais e conhecidos fanzines dedicados ao universo do horror: Arghhh!, Brazilian Trash Cinema e Clássicos Canibal, com quadrinizações de obras literárias do século XIX e de seus filmes. César Souza também não fica atrás, lançando os fanzines She-Demons, Suspiria e Sanguelia.

Voltando para 2002, Baiestorf elabora e escreve seu grito de guerra. Kanibaru Sinema - Manifesto Canibal (uma declaração de guerra dos que nada tem e tudo fazem contra os que tudo tem e nada fazem), foi inicialmente distribuído xerocado, em forma de fanzine, onde é apresentado todos os princípios de Baiestorf e Souza para a realização de filmes independentes em VHS, bem como sugestões aos videomakers iniciantes (que alguns puristas podem apontar como "anti-ético") e muitas provocações aos ditos cineastas e produtores de filmes comerciais. O fato é que o manifesto correu o Brasil e foi publicado recentemente pela Editora Achiamé, especializada em publicações de textos anarquistas, libertários e transgressores do sistema, tendo o texto devidamente revisto e ampliado.



É claro que Baiestorf não faz tudo sozinho. A colaboração de alguns companheiros, que desde o início o acompanham é crucial. Gente como E.B. Toniolli, Carli Bortolanza, Susana Mânica, Onésia Liotto, César Souza, Elio Copini, Ivan Pohl, Airton Bratz, Jorge Timm e, inclusive, Cláudio Baiestorf, pai de Petter, são presenças constantes em praticamente todas as produções da Canibal, contribuindo diretamente com o resultado final. Além deles, também outros videomakers começaram trabalhando com a Canibal, como Boni Coveiro (O Enviado das Trevas), Cleiner Micceno, José Salles, Gurcius Gewdner (O Triunvirato e Nosferatum, além de ter atuado no longa Cerveja Atômica) e Dennison Ramalho (Nocturnus, co-produzido pela Canibal/Mabuse e Gore G.G. Efeitos, de Bortolanza e Souza, além da participação de Baiestorf e Denise V no elenco). Outros, tem suas produções influenciadas pelo Manifesto Canibal, como Daniel Maceduss (Je$us-Ateu, 2004).

Há filmes que Baiestorf anuncia já estar em projeto ou em fase de filmagens desde 2002, tais como os longas O Monstro Legume do Espaço 2 (um filme que ele já vem sendo anunciado desde 1998), Mantenha-se Demente e Uma Viagem de Baiestorf Chapado de Nietzsche. Depois de 1998, a tendência parece ser a de fazer um ou dois filmes mais comerciais (ou aquilo que seja tido como comercial, dentro dos padrões de normalidade de Baiestorf!) arrecadar grana e produzir curtas ou longas radicalmente experimentais, estranhos, bizarros e transgressores.

Se você se interessou, escreva para Petter Baiestorf, Caixa Posta 67, Cep 89887-000 Palmitos SC. Vale a pena conferir o catálogo.

AnoTítuloFormatoDireçãoGênero
1993Criaturas HediondasLongaPetter BaiestorfFicção-trash
1994Criaturas Hediondas 2LongaPetter BaiestorfFicção-trash
1994AçougueirosMédiaPetter BaiestorfTerror-trash
1995O Monstro Legume do EspaçoLongaPetter BaiestorfTerror-Ficção-trash
1995DetritosCurtaPetter BaiestorfFilme de autor
19962000 anos para isso?CurtaPetter BaiestorfGore-simbolismo
1996Eles Comem sua CarneLongaPetter BaiestorfTerror-Trash
1996Caquinha Superstar a go-goLongaPetter BaiestorfMusical-gore
1996“Speech” - Zero VisionVideoClipPetter BaiestorfVideoclip
1996ArachnoterrorCurtaCésar SouzaFicção-trash
1996BlerghhhLongaPetter BaiestorfPolicial-ação-gore
1996BondageCurtaPetter BaiestorfColagem-visual
1996ÁcidoCurtaPetter BaiestorfExperimental
1996SatânikusMédiaCésar SouzaTerror-trash
1996Speak English or DieCurtaPetter BaiestorfFicção-muitotrash
1997The Butterfly over Sky BrainCurtaPetter BaiestorfExperimental
1997“Morgue” - NecrotérioVideoclipPetter BaiestorfVideoclip
1997ChapadoCurtaPetter Baiestorf, César Souza e Marcos BraunExperimental surrealismo
1997Vomitando Lesmas LisérgicasCurtaPetter BaiestorfSurrealismo
1997PVCCurtaPetter Baiestorf???
1997Super-Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em crise vs Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (ou ainda bem que Jimi Hendrix morreu)LongaPetter BaiestorfFilme de autor
1997Deus: o matador de sementinhasCurtaPetter Baiestorf e Carli BortolanzaPornô-experimental
1997O Homem-cu Comedor de Bolinhas ColoridasCurtaPetter Baiestorf Surrealismo escatológico
1998Crise ExistencialCurtaPetter Baiestorf Experimental
1998A Despedida de Susana: olhos e bocasCurtaPetter Baiestorf Experimental
1998Boi BomCurtaPetter Baiestorf Gore-simbolismo
1998HomenagemCurtaCarli BortolanzaExperimental
1998O Vinicultor faz o Vinho e o Vinho faz o PoetaCurtaPetter BaiestorfSurrealismo experimental
1998ChumboCurtaPetter BaiestorfExperimental
1998Fodendo meu ViteloCurtaCarli BortolanzaDrama
1998“Transform” - The Tchó KongasVideoclipPetter BaiestorfVideoclip
1998Os Canibais-Mabusiânus também dançamLongaPetter Baiestrof e César SouzaShow de bandas
1998“Spider Baby” - MechanicsVideoclipPetter Baiestrof Videoclip
1998Gore Gore GaysLongaPetter Baiestrof Ação-gore erótico transgressor
1998SBAF - Sacanagens Bestiais dos Arcanjos FálicosLongaPetter Baiestrof Porno-gore escatológico trangressor
1999ZombioLongaPetter Baiestrof Terror-trash-gore
19999.9 (nove.nove)CurtaPetter Baiestrof ???
1999Aventuras do Dr. Cinema na Terra do VHS VagabundoCurtaPetter Baiestrof ???
1999PornôCurtaPetter Baiestrof ???
2000Festival Psicotrônico Vol 1CurtasVáriosColetânea 1995-1998
2001Raiva (rage-o-rama)LongaPetter BaiestrofAção-gore-humor negro
2001Filme Caseiro Número MuCurtaPetter BaiestrofExperimental
2001Coleção Coffin SouzaCurtasCésar SouzaColetânea curtas
2001KosmicznaCurtaCésar SouzaExperimental
2001“Sabe?”CurtaCésar SouzaExperimental
2002Não há Encenação HojeCurtaPetter BaiestorfSimbolismo-surrealismo
2002Demências do PutrefactoCurtaPetter BaiestorfSimbolismo
2002Relembre da CarneCurtaPetter Baiestorf???
2002Fragmentos de uma vidaCurtaPetter BaiestorfGore-drama
2002Minimalismo Surreal Vol. 1CurtasPetter Baiestorf e César SouzaColetânea 1998-2002
2003Cerveja AtômicaLongaPetter Baiestorf Ficção-gore-humor negro
2003Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia CatódicaCurtaPetter Baiestorf Simbolismo
200331 de março para todos os santosCurtaPetter Baiestorf ???
2003CiclotimicoCurtaAnderson Dino Surreal-experimetal
2004Duelando pelo Amor de TeresaCurtaPetter BaiestorfDrama
2004Por Quê?... porque sou brasileiro!CurtaIvan PohlExperimental
2004PredadorasCurtaCésar SouzaDrama-experimental
2004Vai Tomar no Orifício PomposoCurtaPetter Biaestorf???


Roberto Marcelo Caresia

Referências Consultadas

Criaturas Psicotrônicas de Outro Espaço (ou: Transgressões de Peter Baiestorf). Coletânea de entrevistas e textos sobre Petter Baiestorf. Concepção, pesquisa e pré-edição por Jack Zombie. Edição, diagramação e arte final por Roger Psycho. Fanzine; 2002/2003.
Kanibaru Sinema - Manifesto Canibal (uma declaração de guerra dos que nada tem e tudo fazem contra os que tudo tem e nada fazem). Elaborado e escrito por Petter Baiestorf (e César Souza).; 2002. Revista Horror Show, Editora Escala, nºs 02 e 04.
A Grande Maioria dos Filmes do Catálogo da Produtora. Acervo pessoal do autor deste artigo. www.dissonancia.com/2004/223-04.htm
Artigos