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Existe uma filmografia dentro do Horror Cinematográfico que conseguiu elevar o universo gótico a um status de Cult. Desde obras clássicas como: Nosferatu, de Murnau, até recriações pop contemporâneas como: A Noiva Cadáver e Sweeney Todd, ambos de Tim Burton, o cinema conseguiu mergulhar no sombrio mundo dos amantes que transitam entre o mundo dos vivos e dos mortos, no coração profundo de assassinos que povoam as trevas mais intensas, nas fantasmagóricas narrativas dos umbrais. Outras obras obrigatórias desse conjunto de filmes seriam: A Máscara de Satã e The Whip and The Body, ambos de Mario Bava, sem esquecer do clássico absoluto dos anos 80: Fome de Viver. Para a legião de fãs de filmes de temática gótica, um dos mais interessantes é o recentemente restaurado e lançado em DVD em uma versão sem cortes: Castle of Blood aka Danza Macabra, dirigido pelo irregular Antonio Margheriti, o mesmo de bizarrices como: Cannibal Apocalypse e O Peixe Assassino. |
A edição desse DVD teve o apoio do crítico e historiador Tim Lucas, biógrafo do Mestre Mario Bava. Castle of Blood tem uma atmosférica trilha-sonora de Riz Ortolani, um dos maiores compositores da História do Cinema de Horror Europeu, responsável por trilhas antológicas como a de Cannibal Holocaust. E por falar em Cannibal Holocaust, seu diretor, Ruggero Deodato, foi o Assistente de Direção de Margheriti em Castle of Blood - o Cinema Italiano e seus profundos laços de amizade, que já existiam nos tempos dessa produção de 1964.


Castle of Blood é livremente inspirado na Obra de
Edgar Allan Poe, o mais popular ícone da literatura gótica de todos os tempos, que teve diversas adaptações para o Cinema. O próprio autor aparece em cena representado pelo ator Silvano Tranquilli, na sequência de abertura. A trama é simples inicialmente. Um homem: Alan, aceita o desafio de passar a noite em uma mansão abandonada que tem a fama de ser mal-assombrada, habitada por almas atormentadas. Ele faz uma aposta e parte para seu desafio. O que vemos em cena a partir desse momento é a densa, lenta e atmosférica jornada desse homem andando pela mansão abandonada. Os silêncios dessa sequência tem grande força narrativa. Aos poucos ele descobre os aposentos dessa mansão aparentemente abandonada. Impactante é o momento em que se vê diante do quadro de uma mulher, cuja face parece fantasmagórica e hipnótica para Alan. Ao entrar em uma sala e chegar próximo a um piano surge da escuridão intensa, as mãos pálidas de uma mulher: é Elisabeth, a melancólica, mórbida e ao mesmo tempo bela figura de Elisabeth, a típica
“Noiva das Sombras” onipresente nas narrativas góticas. Interpretando essa mulher de mórbida sensualidade temos a Lenda do Horror Europeu:
Barbara Steele, a eterna Bruxa Asa de
A Máscara de Satã. Nesse momento o mundo dos vivos e dos mortos se mescla, e Alan inicia sua noite de horror com conseqüências inimagináveis.



Muitos acreditam que o fantasma é um
“evento” que se repete pela eternidade até que a alma perturbada e vingativa consiga alcançar o descanso eterno. No caso dos eventos sobrenaturais, ricamente mostrados em
Castle of Blood, através de uma inspirada fotografia em Preto e Branco, essa questão do
“evento” eternamente repetido fica muito clara. É muito forte como exemplificação do contexto gótico do filme, o momento em que Elisabeth afirma estar morta, mostrando a Alan que seu coração não bate mais. O amor obsessivo do herói pela musa morta, o modelo clássico da literatura gótica por excelência, onde esse amor conduz os protagonistas para o abismo. Fragmentos de ações culminam na sequência onde Alan vê o momento onde todos foram condenados. Surge Julia, a mulher do quadro, o amante de Elisabeth e seu marido. Numa ciranda de horror, sangue e morte todos selam o seu destino. Na época, uma insinuação forte de lesbianismo entre Elisabeth e Julia foi cortada da versão americana do filme. No DVD essa sequência breve aparece com áudio em francês, pois a única versão com essa cena intacta só existia na França. A fúria selvagem de Elisabeth é um dos grandes momentos da carreira de
Barbara Steele, um momento antológico e muito ousado para uma produção de 1964, muito bem dirigida. A figura do Dr Carmus é muito interessante. Além de ser uma espécie de anfitrião de Alan naquele limbo sombrio, ele faz uma interessante experiência mostrando a dualidade da vida e da morte cortando uma espécie de serpente ao meio que continua viva após o corte.
São muito intensos os momentos em que Alan percebe que está totalmente cercado por mortos que surgem diante dele com um realismo que o confunde o tempo todo. Corredores misteriosos, caixões, sepulturas, todo um cenário se desenha diante dele numa composição cada vez mais sufocante que o conduzirá a um desfecho totalmente inesperado.
Castle of Blood é um grande clássico do
Cinema de Horror Europeu, mostrando mais uma vez que os italianos estavam bem a frente dentro desse gênero. Grandes sequências, excelente atmosfera e duas protagonistas femininas de força implacável. Um desses tesouros esquecidos do cinema de horror que merece ser redescoberto com urgência.
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CASTLE OF BLOOD (Danza Macabra, Itália, 1964).
Direção: Antonio Margheriti
Roteiro: Sergio Corbucci e Giovanni Grimaldi
Produção: Leo Lax e Marco Vicario
Edição: Otelo Colangeli
Desenho de Produção: Ottavio Scotti
Assistente de Direção: Ruggero Deodato
Efeitos Especiais: Enrico Catalucci
Fotografia: Riccardo Pallottini
Música: Riz Ortolani
Elenco: Barbara Steele (Elisabeth), Georges Riviére (Alan). Margarete Robsahm (Julia), Arturo Dominici (Dr Carmus), Silvano Tranquilli (Edgar Allan Poe); Sylvia Sorrente (Elsi); Giovanni Cianfriglia; John Peters; Merry Powers; Umberto Raho; Salvo Randone; Benito Stefanelli; Johnny Walters
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