Após descobrir que a equipe de produção de “Portão do Cemitério” (Cemetery Gates, 2006) é a mesma do péssimo “Hospital Maldito” (Boo), feito no ano anterior, imediatamente imaginei que se trataria de outro filme ruim. Depois de assistir, tive uma surpresa: o filme ainda é pior do que imaginava. E a decepção é ainda maior pois os produtores David E. Allen, Brian Patrick O’Toole e Harmon Kaslow têm em seus currículos o excelente e divertido “Cães de Caça” (Dog Soldiers, 2002).


Dois ativistas ecológicos invadem um laboratório que fazia experiências com animais e roubam uma caixa enorme com um bicho dentro, na intenção de libertá-lo numa floresta que fica próxima de um cemitério criado para as vítimas de um desastre que matou centenas de mineiros há muitos anos atrás. O animal é um demônio da Tasmânia que foi modificado geneticamente, aumentando de tamanho e ferocidade. Um acidente no transporte liberta a criatura que foge para a floresta e inicia sua coleção de vítimas, dilacerando violentamente a carne de quem cruza seu caminho.
Em seu encalço está o cientista responsável pelo desenvolvimento da fera, Dr. Kevin Belmont (Reggie Bannister), que juntamente com sua assistente Dra. Christine Kollar (Aime Wolf), tentam capturar o monstro antes da carnificina. O homem da ciência alegava que pelo fato do animal comer carne viva ou morta, havia desenvolvido um forte sistema imunológico, e que poderia descobrir estudando esse fato em experiências genéticas, uma provável cura para o câncer e a aids (todo
“cientista louco” alega que suas pesquisas são para o bem da humanidade...).
E entre os candidatos para uma morte violenta nas garras do enorme bicho carnívoro, temos um grupo de jovens fúteis que vão até o cemitério para filmar um vídeo bagaceiro. São eles, Hunter Belmont (Peter Stickles), que é filho do cientista; sua namorada Kym (Nicole DuPort), além de outros quatro colegas de faculdade, a loira gostosa August (Kristin Novak), e os acéfalos Matt (Chris Finch), Tony (Ky Evans) e Enrique (John Thomas).
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“Portão do Cemitério” foi lançado em DVD no Brasil pela “Europa” em Dezembro de 2006. Dirigido por Roy Knyrim a partir de roteiro de Brian Patrick O’Toole, inspirado em história de Pat Coburn e J. Victor Renaud, o filme consegue a façanha de apresentar um grupo de jovens tão banais que dificilmente serão superados em outros filmes. Entre eles, destaca-se no quesito “futilidade” a burrinha August, que adora exibir os peitos, mas que tem mesmo como único atributo favorável o belo corpo, pois de resto seu cérebro não deve ser maior que uma bola de gude, e quando ela fala consegue tornar-se mais insignificante que uma pedra abandonada no chão. |
Os responsáveis pela história provavelmente fizeram o mesmo que os personagens que criaram: fumaram muita maconha enquanto escreviam, pois a maioria dos diálogos é ridícula ao extremo. Vou citar apenas uma frase da já citada
“anta” August, logo depois que descobre que participará de um vídeo caseiro sobre zumbis, filmado pelos amigos, e que é mais ou menos assim:
“Eu adoro filmes de zumbis. Só gostaria de saber quem vai me comer...”. E essa missão ficou para o marsupial deformado...
O roteiro faz questão de inserir vários personagens apenas para servirem de alimento para o demônio da Tasmânia mutante, pois são 17 vítimas dilaceradas pelo bicho, como revela a narração de um trailer de divulgação, e eu confirmei esses números fazendo uma contagem de todas as mortes. Não posso deixar de citar em especial os dois homens totalmente drogados que vão até a floresta tentar um contato ,B>“espiritual" com os animais. Eles são Doug e Michael, interpretados pelos conhecidos técnicos em maquiagem Howard Berger e Gregory Nicotero, respectivamente, e que parecem estar se divertindo muito fazendo o papel de idiotas chapados. Eles só não imaginavam que teriam seus corpos rasgados violentamente por uma fera que só está interessada em devorar suas carnes. Tem também um velho pescador, Ed (Aristide Sumatra), que está sempre com um sorriso idiota na boca, além dos dois filhos do coveiro bêbado John Martin (Bill Lloyd), os patéticos Earl (Karol Garrison) e Dale (Damian Lea), que provavelmente causariam indigestão na criatura (nem para isso eles serviriam...).  | |
Por outro lado, para aqueles que esperam sangue e mutilações (mesmo através de efeitos toscos e bizarros), temos muitos litros de sangue jorrando para todos os lados, além de corpos brutalmente destroçados, desmembramentos, cabeças arrancadas e tripas espalhadas. Mas, esse excesso de violência já é algo tão comum no cinema de horror, que tem deixado de ser um fator diferencial, pois os fãs têm procurado justamente encontrar mais qualidade nos roteiros, algo que no caso de “
Portão do Cemitério”, definitivamente foi deixado de lado.
Renato Rosatti
por João Pires Neto
Descanse em Pedaços
Dois ativistas ecológicos libertam um demônio da Tasmânia de um laboratório onde o animal vivia confinado. A criatura era parte de um experimento genético que a tornou um predador incontrolável.
Alguns jovens estão num cemitério onde pretendem rodar um filme de horror, quando são atacadas pela estranha criatura. Novamente a natureza se revolta, e inocentes pagarão pelos erros da ciência.
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Os realizadores de “Portão do Cemitério” utilizaram da infalível receita para se fazer um filme ruim, muito ruim. Tudo começa com uma idéia. Ruim e nada original, diga-se de passagem. A premissa de animais assassinos já foi explorada a exaustão no cinema, principalmente nos anos 70. Foram tubarões, baleias, piranhas, cães, cobras, formigas, abelhas, crocodilos entre outros. Mas animais apenas já não metem muito medo, então vamos modificá-los geneticamente. E como a lista de animais usadas nos filmes do gênero estava praticamente esgotada, os roteiristas resolveram usar um que ninguém nunca viu (ou quase ninguém): o demônio da Tasmânia (é sério, o mesmo do Taz). Coloca-se então um bando de adolescentes que só pensam em sexo e drogas num local isolado, onde futuramente é solto o demônio-da-Tasmânia-modificado-sedento-por-sangue. Entretanto, para interpretar personagens tão complexos, o elenco escolhido tem que ser desconhecido, devem ser atores que não têm sua imagem ligada a nenhum outro personagem no cinema. Melhor ainda se eles forem amadores, daqueles piores que os da Malhação. |
Bom, os produtores já tinham o roteiro e o elenco, faltava escalar o diretor. Roy Knyrim possui uma extensa carreira dedicada ao cinema de horror. Fez parte da equipe de maquiagem de “Psycho Cop - Ninguém Está Em Segurança”, de “O Vingador Tóxico II”, “Amityville 8: A Casa Maldita”, “Colheita Maldita 5” e “Anjos Rebeldes 2”. Seus outros trabalhos como diretor ainda permanecem inédito no Brasil, são eles “Demons at the Door” (2004), “The Chronicles of the Dark Carnival” (2006) e “Night Skies” (2007). Recapitulando: roteiro ruim e batido, elenco vergonhoso, diretor experiente em fiascos. Falta então o principal: os efeitos especiais e a concepção da criatura. E é aí que toda a equipe se esforça e se supera. O demônio-da-Tasmânia-modificado-sedento-por-sangue, singelamente chamado de Preciosa (numa referência a outro filme do mesmo nível: “O Senhor dos Anéis”, lembram do monstrinho-hobbit Gollun choramingando “Oh my precious...”, atrás do bendito anel?), é uma das criaturas mais sinistras já inventadas pelo cinema.  | |
Tá certo, tô brincando, a criatura é ridícula, parece mais um mendigo fantasiado de lobisomem. Ironias a parte, “
Portão do Cemitério” é uma grande opção quando quiser recomendar um filme ao seu inimigo.
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Portão do Cemitério” é o segundo longa-metragem da produtora
Graveyard Pictures (de David Allen, produtor de “
Cães de Caça”), que assim como a
Ghost House (de Sam Raimi) e a
Dark Castle (de Robert Zemeckis e Joel Silver), foi criada especialmente para realizar filmes de horror. O longa de estréia da Graveyard, “
Boo” (2005), foi lançado no Brasil como
Hospital Maldito. Esperava-se muito mais dos primeiros trabalhos da produtora, visto que o sucesso, pelo menos comercial, justificaria a continuidade da mesma.
Alguns podem se divertir com o excesso de sangue, que jorra aos baldes em cada morte. O próprio filme deixa de se levar a sério, a partir de certo momento, quando provavelmente os realizadores perceberam que não havia mais salvação.
Portão do Cemitério” foi lançado em DVD no Brasil pela Europa Filmes. Talvez um Making Off mostrando como foi a construção da criatura e a realização dos defeitos especiais tornasse o DVD bem mais divertido. Infelizmente, a versão digital não traz nenhum extra, e tanta avacalhação deixa de ser divertido depois de meia hora. Indicado somente para os mais corajosos.
João Pires Neto
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PORTÃO DO CEMITÉRIO (Cemetery Gates, EUA, 2005).
Direção: Roy Knyrim.
Roteiro: Pat Coburn, Brian Patrick O'Toole e J. Victor Renaud.
Produção: David E. Allen.
Fotografia: Steve Adcock.
Música: Ben Cooper.
Edição: Christopher Roth.
Elenco: Reggie Bannister (Belmont), Peter Stickles (Hunter Belmont), Aime Wolf (Dr. Christine Kollar), Nicole DuPort (Kym), Kristin Novak (August), Ky Evans (Tony) e John Thomas (Enrique).
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