 |
Há um tempo atrás, quando eu escrevi um artigo confessando gostar do filme RINGU 2, seqüência de um grande sucesso do cinema de horror japonês (ambos os filmes dirigidos por Hideo Nakata), abri o texto citando as diferenças entre Ocidente e Oriente. Dentro desta minha comparação, eu exemplifiquei dizendo que uma seqüência de filme de sucesso feita no Japão tentava expandir a mitologia do primeiro, e não apenas copiar os elementos que fizeram sucesso anteriormente - como normalmente acontece no cinema ocidental. Apostava eu, também, que O CHAMADO 2, seqüência do remake americano do primeiro RINGU, seria praticamente |
uma cópia do original, aproveitando as idéias que deram certo e sem mexer em uma linha do roteiro.
Pois é... O mundo dá voltas, os dias passam, os meses também, e aqui estou eu voltando ao tema, desta vez escrevendo sobre aquele mesmo O CHAMADO 2 que era apenas um projeto em desenvolvimento enquanto eu analisava RINGU 2 para a Boca do Inferno. Algumas coisas me pegaram de surpresa nestes meses que separam os dois artigos, como o fato de os produtores americanos terem "importado" o diretor japonês Hideo Nakata para comandar a seqüência nos Estados Unidos, porém com a condição de que o filme tivesse um roteiro original, sem nada a ver com o RINGU 2 - que é considerado pavoroso por aquelas pessoas que gostam de assistir filmes sem a necessidade de ter que pensar e raciocinar sobre o que vêem.


O envolvimento de Nakata no projeto me deu pelo menos uma garantia: mesmo que o filme ficasse longe das doideiras da série japonesa, mesmo assim teria um diferencial, que seria o toque oriental e um sujeito de visão que, afinal, trabalhou nos filmes originais! E além do mais, Nakata não é um diretor de videoclip, como esses para quem os produtores dos EUA gostam de entregar projetos de filmes de horror. Vale lembrar que o primeiro escalado para comandar
O CHAMADO 2 era o diretor de comerciais de TV (!!!) Noam Murro. Por outro lado, eu continuei com aquela idéia fixa de que o filme não seria nada mais do que uma cópia de tudo o que deu certo em
O CHAMADO, com pouca ousadia - o extremo oposto do que foi a seqüência japonesa, que teve cara e coragem para mudar completamente a trama do original, para o bem ou para o mal!
E ver
O CHAMADO 2 no cinema me deu a comprovação de que eu estava certo em algumas coisas e errado em outras. Certo sobre a cópia, e errado sobre Nakata. Não é que o japa acabou influenciado pelos produtores americanos? Pelo menos é o que parece: este é o filme mais impessoal do cineasta japonês. Tudo bem que ele não se entrega aos devaneios e pirotecnias típicas dos diretores americanos do gênero, preferindo compor um clima mais contido, sem abusar dos efeitos especiais. Por outro lado, não hesita em avacalhar a obra assustadora que ele próprio ajudou a criar,
"americanizando" em demasia certos detalhes, enchendo de sustos desnecessários e forçando heroísmos e soluções absurdas. Talvez o maior culpado de tudo seja o roteiro péssimo de Ehren Kruger, que nem tenta criar uma história minimamente aceitável, caindo no lugar comum. Por outro lado, a direção de Hideo Nakata também não ajuda muito, e o diretor acaba fazendo uma montanha-russa de cinema-pipoca tipicamente americana, ou seja, uma colcha de retalhos formada de sustos, sem um pingo de originalidade e ousadia.


O diretor também faz o pior que poderia fazer: ele se repete. Ou melhor: se auto-plagia. A impressão que tive é que Nakata perdeu o roteiro de
O CHAMADO 2 e resolveu refilmar outro de seus filmes,
DARK WATER, talvez sem saber que nosso amigo Walter Salles já estava trabalhando nisso. Do começo ao fim,
O CHAMADO 2 é praticamente um xerox de
DARK WATER, inclusive na nova motivação que o roteirista encontrou para a vilã-mirim Samara, aquela que vive no poço e que mata em sete dias. O quê? Você pensou que ela só queria ser
"ouvida"? Hahaha. Engano seu, meu amigo. Samara tem outros planos, na linha
DARK WATER, e é inevitável uma sensação de decepção com esta mudança na personalidade da
"vilã".
Já explico, em partes, porque é tão fácil se decepcionar com
O CHAMADO 2:
1-)
RINGU, o original japonês de 1998 - e, vá lá, suas continuações também - praticamente revolucionou o cinema de horror moderno. Dá até para dizer que não existe uma outra série cinematográfica no gênero tão referencial quanto
RINGU feita nos últimos anos - é só lembrar que os filmes geraram mangás, séries de TV e remakes diversos, não só nos EUA, mas também na Coréia. Também influenciaram várias imitações, como o péssimo
MEDO PONTO COM.
2-)
THE RING, ou
O CHAMADO, o remake americano de 2002, com direção segura de Gore Verbinski, é uma das raras boas refilmagens americanas, embora eu não concorde com muitas das mudanças relacionadas ao original japonês. E também foi um sucesso de bilheteria, que praticamente PRECISAVA ser transformado em série para os produtores poderem lucrar mais.

3-) O envolvimento de Hideo Nakata, diretor de
RINGU e
RINGU 2, era uma garantia de que a seqüência americana pelo menos teria fidelidade às suas raízes, e que o filme não cairia no lugar-comum das produções feitas nos Estados Unidos. Mas, na prática, não foi o que aconteceu.
4-) Ainda que o filme fosse fraco, se mantivesse um mínimo da
"essência" da trama original (Samara, a maldição, o prazo de sete dias para morrer, a investigação do mistério...), os fãs aprovariam de qualquer forma. Também não foi o que aconteceu.
5-) A dupla de atores principais do remake, Naomi Watts e David Dorfman, estavam de volta, o que garantia que o roteiro da seqüência realmente daria continuidade à trama, ao invés de partir para uma história independente.
Todas as peças estavam no lugar, mas algo deu errado.
O CHAMADO 2 começa com uma introdução que é praticamente um repeteco da abertura de
RINGU e
O CHAMADO. Um rapaz e uma garota estão em casa, sozinhos. O garoto, Jake (Ryan Merriman, do péssimo
HALLOWEEN RESURRECTION), pede se a namoradinha gostaria de ver
"a coisa mais assustadora do mundo". E mostra uma fita sem identificação, pedindo que ela veja e se apavore. Percebe-se que o rapaz está nitidamente apavorado e olhando para o relógio. Acontece que Jake já sabe tudo sobre Samara e a maldição, viu a fita e seu prazo de sete dias está se encerrando. É preciso mostrar a cópia feita da fita amaldiçoada para uma nova vítima, e propagar a maldição, caso contrário todos nós sabemos o destino do pobre coitado... E o inevitável acontece: a garota não assiste a fita e Jake tem que pagar o preço. E Samara sai da TV para agarrá-lo e mostrar que a maldição, como vista no primeiro
O CHAMADO, continua.


O filme então corta para nossos velhos conhecidos, a jornalista Rachel Keller (Naomi) e seu filho Aidan (David), que continua tão esquisito quanto no original. Depois do pesadelo vivido no primeiro filme, da ameaça de morrerem vítimas da maldição e da morte de Noah, ex-marido de Rachel e pai de Aidan, a dupla decidiu se mudar para uma cidade do interior do Estados Unidos, chamada Astoria, onde podem recomeçar suas vidas longe da ameaça da maldição de Samara. Aliás, é bom lembrar que nunca fica claro para quem, afinal, Rachel mostrou a cópia da fita que fizeram no final de
O CHAMADO, o que foi decisivo para salvar a vida de Aidan.
E já que toquei neste assunto, um rápido aparte: vamos considerar que, entre
O CHAMADO e
O CHAMADO 2, a maldição de Samara já se espalhou de forma irremediável pelo mundo. Pense que se a cópia feita por Rachel no final do primeiro filme teve que ser passada para alguém e este alguém, já sabendo o que precisava fazer para não morrer em sete dias, também fez sua cópia, já deveriam existir centenas de fitas circulando por todos os Estados Unidos, talvez por todo o mundo. As pessoas até saberiam como escapar da maldição (Jake, o rapaz do início do filme, por exemplo, já sabia), mas ainda assim teriam que fazer novas cópias e espalhar pelo mundo, mostrando a outras pessoas. Só que o roteiro fraquinho de Kruger simplesmente esquece deste detalhe, que poderia dar uma interessante magnitude à história.
Na verdade, isso não importa dentro do contexto da seqüência, já que toda a trama da fita maldita é rapidamente abandonada, isso ainda nos primeiros 20 minutos de duração. Acontece que Rachel, atualmente trabalhando no pequeno jornal de Astoria, fica sabendo que um jovem (Jake, lembra dele ainda?) foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas. A jornalista vai até lá, meio com a pulga atrás da orelha, e acaba invadindo a ambulância para dar uma olhada no cadáver e ter certeza se é obra de Samara ou não. Ao ver o rosto terrivelmente deformado do rapaz (um elemento que foi introduzindo no remake americano, pois nos filmes japoneses as pessoas apenas morriam com uma expressão natural de horror em seus rostos), Rachel tem a certeza de que não pode fugir da maldição. Pior: num susto completamente gratuito, mas eficaz (pelo menos todo o cinema pulou da poltrona na sessão em que eu estava), o fantasma de Samara sai de dentro do cadáver do garoto, agarra Rachel pelo braço e diz, com sua voz cavernosa:
"Eu te encontrei!!!", antes de desaparecer. Uma rápida visita do fantasminha ou alucinação da cabeça da traumatizada jornalista?


Tempo! Tempo! Eu até gostaria de pensar que era uma alucinação, mas é óbvio que o roteiro quer que acreditemos que Samara realmente apareceu naquele momento para deixar bem claro a Rachel que estava de volta. E que a havia encontrado. A pergunta: por quê? Se Rachel havia feito exatamente o que Samara queria (espalhou a maldição, gravando uma cópia da fita e mostrando a outra pessoa), que motivo Samara teria para querer vingança contra Rachel? Ora, ela fez exatamente o que outras pessoas com certeza também fizeram para fugir da maldição. E, supostamente, este era o objetivo da garota: ser ouvida, espalhar suas fitas para que todos soubessem o que aconteceu com ela...
Mas voltemos ao filme: Rachel acaba recuperando a fita de vídeo na casa onde o rapaz foi morto e, rapidamente, dá um fim nela, incinerando-a. Neste momento, parece que o pesadelo acabou (apesar de, volto a salientar, certamente existirem dezenas, talvez centenas de outras cópias da fita se espalhando por todos os Estados Unidos naquele exato momento). A jornalista volta para casa e é como se Samara nunca mais fosse incomodar. Mas este é um filme de horror, certo? E logo Samara parte para o plano B: se a fita mixou, então vamos buscar outra forma de atazanar os pobres Rachel e Aidan, que, sabe-se lá por quê, se transformaram em alvos prioritários da menina-fantasma.
Certa tarde, mãe e filho vão participar de uma feira de antigüidades. Enquanto Rachel fica circulando pelas bancas, e encontra até uma suspeita fita de vídeo sem identificação numa barraquinha (olha ali outra evidência de que a maldição está se espalhando de maneira irremediável!!!), Aidan vai ao banheiro e vê o vulto de Samara no espelho. Sabe-se lá porquê, ele faz várias fotografias da menina, ao invés de sair no pinote dali e correr para debaixo da saia da mãe. E o improvável acontece: Samara possui Aidan. Assim, sem mais nem menos.
A partir de então, e por um bom tempo, pouquíssima coisa acontece. Rachel começa a perceber que há algo de estranho com seu filho (ou mais estranho, considerando que o pirralho já é bem esquisito). A temperatura corporal do garoto passa a abaixar violentamente (como se ele estivesse morto), e Aidan começa a chamá-la de
"mamãe", e não de
"Rachel", como era usual. Aos poucos, a jornalista começa a se conformar com a idéia de que Samara está no corpo do seu filho, e as fotografias tiradas pelo garoto no banheiro - que mostram, lentamente, Samara
"entrando" em Aidan (sem malícia, por favor...) - comprovam esta teoria. Para tentar salvar a vida do garoto, que vai parar no hospital, Rachel reinicia sua investigação, voltando para os locais por onde já havia passado no primeiro filme, em busca de novas informações sobre Samara, que possam levar a uma salvação para Aidan.


Lá pelas tantas, Rachel chega a voltar para o Rancho Morgan, aquela fazenda de criação de cavalos onde Samara viveu na infância antes de ser morta, e onde seu pai adotivo, Richard Morgan, se suicidou no filme original. Ali, Rachel descobre evidências que a levam até a verdadeira mãe da garota, Evelyn, que vive num hospício desde que tentou afogar a filha quando esta ainda era um bebê (é mal de família, todo mundo quer matar a Samara!!!). Neste momento, descobrimos porque a menininha é malvada e tem poderes que usa para o mal: a atriz que interpreta Evelyn é ninguém menos que a veterana Sissy Spacek. Ou seja: Samara é filha de Carrie, a Estranha!!! Agora sim tudo se explica... Aliás, os produtores de
O CHAMADO 2 merecem um prêmio pela total falta de imaginação, ao representarem Evelyn como uma
"versão envelhecida" de Samara, inclusive com o longo cabelo negro na frente do rosto, no tal esquema
"mais óbvio, impossível".
Como o leitor pode observar,
O CHAMADO 2 não tem lá muita história - e este fiapo de enredo também não é lá tão interessante quanto poderia, e deveria, ser. A própria trama da maldição da fita é sumariamente abandonada já nos primeiros 20 minutos, e então o filme se transforma na enésima versão sobre uma criança possuída por espírito do Mal. Muitos podem argumentar que o filme tentou seguir uma direção diferente, ao invés de simplesmente repetir a história original. E aí eu dou a cacetada: pois
RINGU 2, que seguiu numa direção radicalmente oposta ao original, ainda assim manteve alguns elementos primordiais do original, como a maldição da fita (que fica em segundo plano, mas está lá), o prazo de sete dias e uma investigação realmente interessante.
O grande problema, na comparação entre
O CHAMADO 2 e
RINGU 2, é que Rachel, por ser a personagem principal também em
O CHAMADO, deveria saber muito mais sobre Samara, porque foi obrigada a aprender sobre sua oponente no primeiro filme. Mas, ao contrário, parece que a
"heroína" não aprendeu absolutamente nada. Tanto que ela precisa voltar aos lugares onde já tinha ido no original em busca de mais pistas e informações, e até as encontra facilmente, considerando que o Rancho Morgan, por exemplo, estava desabitado. Além do mais, não existe a limitação de tempo em sete dias, e o espectador não se sente aflito e oprimido com a condição de Rachel. Na verdade, o que parece é que ela tem todo o tempo do mundo para investigar e resolver o mistério sobre o passado de Samara, mesmo que Aidan esteja internado num hospital. Isso tira muito do suspense do filme, ajudando a tirar o interesse do espectador pelo desenvolvimento da história.

E o roteiro fraco (ele de novo) torna tudo muito conveniente e facilitado para os personagens, especialmente para Rachel. No início, por exemplo, ela tenta falar com a garota que testemunhou a morte de Jake e um policial a impede, levando a moça embora... apenas para deixá-la sozinha em uma sala momentos depois, bem ao lado de Rachel, que aproveita então para interrogar a menina sem qualquer dificuldade. Rachel também consegue invadir sem qualquer problema tanto o carro funerário onde está o cadáver de Jake quanto a cena do crime, para recuperar a fita. Depois, durante sua investigação, tem toda as pistas entregues de bandeja: primeiro, tem uma
"visão" que já lhe mostra todas as informações necessárias; depois, encontra um amigável corretor de imóveis no Rancho Morgan que facilita sua entrada na casa; depois, ainda, consegue acesso sem qualquer dificuldade ao manicômio onde Evelyn, a mãe verdadeira de Samara, está internada, e por aí vai. Só em filme, mesmo.
O roteiro fraco (olha ele mais uma vez!) também deixa pouco espaço para outros personagens, concentrando toda a ação em Rachel, Aidan e Samara, quando a continuação original japonesa era fascinante justamente por resgatar diversos personagens secundários do primeiro filme e lhes dar mais destaque. Em
O CHAMADO 2, os coajuvantes fazem muito pouco ou nada, e parecem estar ali apenas para morrer. Ou não fazem diferença alguma. Pior: com isso, acaba-se desperdiçando excelentes atores. Sissy Spacek é de longe a mais afetada: sua Evelyn, apesar de ter dado vida à grande vilã do filme, não faz absolutamente nada, quando poderia ser uma importante fonte de conhecimento e esclarecimentos, explicando, por exemplo, a origem de Samara e de seus poderes malignos (o que jamais acontece); Simon Baker (que estará também em
LAND OF THE DEAD, de George A. Romero) interpreta Max Rourke, um jornalista que é colega de trabalho de Rachel em Astoria, e cuja participação no filme é tão inútil que eu acabei nem precisando citá-lo quando narrei a história, nas linhas acima. Embora tenha sido colocado no roteiro como uma espécie de
"ajudante" de Rachel, tomando o lugar do falecido Noah do original, Max acaba se transformando apenas em baby-sitter de Aidan, sem participar diretamente da ação e sem ajudar a heroína em sua investigação - sem nem ao menos envolver-se romanticamente com Rachel, como muitos poderiam imaginar. Também sobra pouco para a outrora bela Elizabeth Perkins (de
OS FLINTSTONES), irreconhecível como a dra. Emma Temple, que acredita que Rachel está agredindo Aidan ao encontrar o garoto cheio de marcas pelo corpo (provocadas, obviamente, por Samara). Mas o mais desperdiçado do elenco é o excelente Gary Cole (das séries de
TV THE WEST WING e
AMERICAN GOTHIC), que não tem qualquer função na trama como o corretor de imóveis Martin Savide, que mostra o Rancho Morgan para Rachel quando ela volta àquele amaldiçoado local. E se Naomi Watts faz seu bom trabalho habitual, o garoto David Dorfman continua tão ruim quanto no primeiro filme, se não pior. As caras e bocas que ele faz quando já se encontra possuído por Samara são de se mijar de rir!

É uma pena que uma trama tão fascinante quanto a da maldição de Samara (ou Sadako, para aqueles que, como eu, preferem a série original japonesa) tenha sido diluída infantilmente em uma historia de vingança e possessão demoníaca. Em
O CHAMADO 2, some o mistério e o suspense do primeiro filme, aquele tom de tragédia iminente e o desespero da contagem de dias que se encerra. Em seu lugar, entra um óbvio festival de sustos, muitos deles gratuitos. Outro erro do filme é colocar Samara muito tempo em cena, destruindo a aura de mistério que havia em torno da vilã no filme original (até a atriz-mirim mudou, de Daveigh Chase para Kelly Stables, sem grandes resultados práticos). E, infelizmente, esta personagem fascinante acaba perdendo completamente o foco que tinha no original e nos filmes japoneses. Se antigamente podíamos até nos sensibilizar com a situação da menininha (afinal, ela teve um destino tão triste que sua terrível maldição chegava a ser justificada), em
O CHAMADO 2 ela é definitivamente transformada numa vilã sem sentimentos e objetivos, tipo um Pinhead ou Freddy Krueger, que aparece o tempo todo sem a necessidade da pessoa estar amaldiçoada ou ter assistido sua fita, que mata qualquer personagem só por matar, novamente independente da vítima estar amaldiçoada ou não. Enfim, tornou-se uma vilã-fantasma sem graça e sem novidades, como tantas outras. Perdeu a magia, virou clichê.
O CHAMADO 2 ainda inclui um ataque de veados (o animal! o animal!) feitos em computação gráfica, que me deixou rindo sozinho no cinema. Mas todo mundo está elogiando e dizendo que a cena é muito bem-feita, o que me leva a pensar que o errado sou eu - que, só para constar, já coloquei o momento lado a lado com o péssimo ataque de hienas em CGI mostrado em
O EXORCISTA: O INÍCIO. E o roteiro (ele de novo), mesmo com fama de original, ainda bebe muito da fonte de
RINGU 2, sim. Nakata tem até uma oportunidade para refazer - agora em computação gráfica - a assustadora e tétrica seqüência em que Rachel é perseguida por uma super-ágil Samara no interior do poço (em
RINGU 2, era Mai Takano que era perseguida por Sadako, que escalava com rapidez as paredes do poço, lembrando uma aranha). Esta talvez seja a melhor cena de
O CHAMADO 2, e nem ao menos é original. O detalhe de colocar Aidan como catalisador do mal de Samara também vem diretamente do roteiro de
RINGU 2, onde Sadako se aproveitava dos poderes paranormais de Yoshi, o filho de Reiko Asakawa, para tentar transformá-lo em uma cópia de si própria. Ou seja: os dois filmes têm muito em comum, sim. Embora eu ainda prefira os delírios de
RINGU 2.
Mesmo que seja muito fraco em comparação com todos os outros filmes já produzidos sobre o universo
RINGU (perde até para o polêmico e não-oficial
RASEN e suas paranóias científicas),
O CHAMADO 2 ainda assim é um filme assistível. A produção é boa e alguns sustos realmente pegam o espectador de surpresa, mesmo que sejam gratuitos e enfureçam aqueles que gostavam do filme original justamente por não precisar destes artifícios medíocres para assustar (como o som que sobe, fazendo um TCHAN!!!, por exemplo). Eu mesmo tinha muita expectativa quanto ao filme, principalmente pela participação do diretor Hideo Nakata, e me decepcionei bastante, acreditando que é uma seqüência perfeitamente dispensável, que não acrescenta nada à história e pode ser facilmente esquecida sem qualquer prejuízo. Pelo menos, o roteiro encontra uma forma de finalmente prestar a devida homenagem a Kôji Suzuki, o autor dos livros que deram origem à série
RINGU, quando descobrimos que o médico de Aidan se chamava
"dr. Kôji".

E uma coisa fica bem clara: Nakata é simplesmente obcecado por água. E, ainda, pensa que água é uma coisa terrivelmente assustadora - o que não é, ainda mais sendo usada de forma tão gratuita quanto em
O CHAMADO 2. O que tem de água em cena não é brincadeira: é água saindo da TV, das paredes, debaixo de portas, voando da banheira, são cenas em banheiras, poços ou mostrando rios e lagos... Enfim, é água que não acaba mais - o que me leva a pensar, mais uma vez, que Nakata se enganou e tentou refilmar
DARK WATER ao invés de
RINGU 2. Outra coisa que fica bem clara é que o diretor japonês rendeu-se definitivamente aos modismos hollywoodianos, principalmente quando ele coloca na boca de Rachel o diálogo mais ridículo do ano, digno de estudos semióticos, quando a
"heroína" solta uma
"frase heroíca" envolvendo o palavrão fuck, uma sentença que se encaixaria muito bem em um filme de Stallone ou Van Damme, mas nunca em um terror pretensamente
"sério" como este, onde acaba completamente deslocada - tanto que fez gargalhar todo o público na sessão onde eu estava.
Mas os adolescentes, aparentemente o público-alvo dos produtores e do roteirista Kruger, adoraram. Pelo menos na sessão de cinema em que eu estava, eles saíram do cinema como uma manada de búfalos, rindo, gritando e falando maravilhas sobre o filme. Inclusive heresias, como
"é melhor do que o primeiro". No fundo, eles esquecerão tudo o que viram em, vamos dizer assim, sete dias. E só queriam, mesmo, era levar uns sustinhos básicos e arrepios por duas horas, enquanto comiam pipoca e paqueravam seus pares. Se este também é o seu objetivo, pode encarar
O CHAMADO 2 sem medo. Agora, se você é um grande fã do primeiro filme, ou mesmo da série japonesa, prepare-se para uma grande desilusão e para um inevitável sentimento de que não existem mais boas idéias em Hollywood, mesmo que eles importem cineastas japoneses para tentar dar um novo fôlego ao seu cada vez mais agonizante cinema de horror.
Quem duvida que logo sai um
O CHAMADO - O INÍCIO???
O CHAMADO 2 VERSUS RINGU 2
Atenção: SPOILERS! Não leia este texto se não tiver visto O CHAMADO 2 e RINGU 2!
Sou um dos fãs da continuação oriental de
RINGU, o polêmico
RINGU 2, que deu um nó na cabeça de muita gente ao apresentar complicadas teorias científicas e até uma amalucada experiência para dispersão dos poderes malignos de Sadako no mar. Mesmo não concordando com tudo que a seqüência japonesa mostra (nunca engoli a informação de que Sadako viveu não só sete dias, mas a vida inteira no fundo do poço, por exemplo), é inegável que
RINGU 2 é um filme muito mais rico e interessante que
O CHAMADO 2. Ainda mais porque a seqüência americana se resume a uma trama banal sobre possessão.
Para começar a análise dos dois filmes, acredito que um dos grandes problemas da continuação americana é trazer de volta a dupla principal do primeiro filme, Rachel Keller e seu filho Aidan. Com isso, qualquer possibilidade de criar um novo mistério se dilui (lembre-se que mãe e filho já enfrentaram Samara em
O CHAMADO e já sabem praticamente tudo o que precisam saber sobre ela). Pessoalmente, prefiro a solução encontrada pelo roteiro de
RINGU 2, que transforma personagens secundários do primeiro
RINGU em personagens principais, colocando-os para fazer uma nova investigação sobre os mistérios do filme original. No caso, Mai Takano, a namorada do falecido professor Ryuji Takayama (o equivalente ao videomaker Noah no remake americano), alia-se a um jornalista que era colega de trabalho de Reiko (a Rachel japonesa) para descobrir o mistério por trás da morte de Ryuji e do desaparecimento de Reiko.


Se utilizasse esta mesma linha narrativa, ou algo semelhante,
O CHAMADO 2 teria pelo menos o frescor de apresentar algo novo, considerando que os dois personagens não sabiam nada sobre Sadako ou sobre a maldição, tendo que descobrir tudo por conta própria. E, novamente, em
RINGU 2 havia a contagem de sete dias, com os personagens condenados a morrer, a não ser que descubram uma forma de deter Sadako de uma vez por todas. Isso não existe no roteiro de
O CHAMADO 2, onde o que parece é que Rachel tem todo o tempo do mundo para investigar o passado de Samara e descobrir uma forma de detê-la, tirando qualquer suspense que a situação poderia render se, de alguma forma, os personagens principais estivessem novamente amaldiçoados - e por isso eu acredito que o melhor era criar novos personagens, utilizando Rachel e Aidan como personagens secundários, exatamente como fizeram em
RINGU 2.
Além disso, a trama de
O CHAMADO 2 deixa de enfocar a maldição de Samara (que em
RINGU 2 continuava se espalhando e fazendo vítimas) para centrar o foco na possessão de Aidan por Samara. Na continuação japonesa, até temos algo parecido: Yoichi, o filho de Ryuji e Reiko, herdou do pai diversos poderes paranormais. Influenciado por Sadako, e pela perda prematura do pai e da mãe, Yoichi começa a usar seus poderes para o Mal - como a própria Sadako. Isso abria as portas para que a menina voltasse ao mundo no corpo do próprio Yoichi, o que levou os cientistas a tentar aquele experimento de eliminar a energia negativa de Sadako na água do mar, no final da seqüência japonesa.
Mesmo que tenha partido para este lado,
RINGU 2 nunca abandonou a trama primordial, aquela de que a maldição de Sadako continuava se espalhando. Porém, isso aconteceu em
O CHAMADO 2, eliminando parte do charme da continuação americana. Para piorar,
O CHAMADO 2 tenta passar a idéia de que o objetivo de Samara nunca foi realmente espalhar maldições ou matar pessoas: ela queria simplesmente um corpo de criança para possuir e voltar a viver uma infância normal, coisa que nunca teve porque sempre fez mal às outras pessoas, de propósito ou não.


Porém, o clímax de
O CHAMADO 2 e RINGU 2 é idêntico, com Reiko/Rachel voltando ao fundo do poço onde Sadako/Samara morreu, e sendo perseguida pela menina-fantasma ao escalar as paredes do poço. O filme japonês fez isso sem a necessidade de abusar dos efeitos especiais, como fez a produção americana, que deu super-agilidade a Samara. Mas é inegável que as duas cenas são assustadoras e têm sua dose de suspense. Em
RINGU 2, a perseguição encerrava com a participação do espírito de Ryuji, o ex-marido morto de Reiko, no fundo do poço. Nada disso acontece em
O CHAMADO 2, porque os americanos aparentemente odeiam este tipo de coisa e gostam de tudo bem explicadinho - e como explicar a participação de um personagem morto no filme anterior???
Além disso, o roteiro dos dois filmes tem em comum a investigação, que leva seus personagens de volta aos cenários do primeiro filme. Em
RINGU 2, Mai Takano e Yoichi acaba visitando novamente a ilha onde Sadako e sua mãe viveram, e para onde Reiko já havia ido no
RINGU original. Em
O CHAMADO 2, é a vez de Rachel retornar ao Rancho Morgan, que ela já havia visitado no primeiro
O CHAMADO. Entre as loucuras de um e a historinha sem graça de outro, ainda fico com a seqüência japonesa, que pelo menos tem o mérito de ser criativa sem soar pedante, e sem precisar recriar cenas inteiras do original para assustar, como faz
O CHAMADO 2. Além do quê, o roteiro bobinho sobre possessão simplesmente não convence, e havia várias formas dos produtores continuarem a história do original de uma forma mais criativa e interessante.
A impressão que fica, no fim, é que tanto o roteirista americano Ehren Kruger quanto o diretor japonês Hideo Nakata, os responsáveis por
O CHAMADO 2, se inspiraram menos em
RINGU 2 e mais em
DARK WATER, um drama sobrenatural japonês que o próprio Nakata dirigiu em 2002, mais uma vez baseado em romance de Kôji Suzuki, o mesmo autor dos livros que deram origem à série
RINGU. Em
DARK WATER, uma mãe solteira e sua filha se mudam para um apartamento de um prédio antigo, onde presenciam diferentes fenômenos ligados à água (mais ou menos como em
O CHAMADO 2), até descobrirem que existe uma menina fantasma rodeando o local. Porém, a fantasminha não quer matar ninguém: ela quer apenas o amor de uma mãe (EXATAMENTE como em
O CHAMADO 2).
Nakata chega a recriar, em
O CHAMADO 2, uma cena inteira de
DARK WATER, quando Samara sai da banheira para atacar Rachel (algo semelhante acontecia no outro filme de 2002), além da cena em que a água escorre pelo teto do banheiro, que também está em
DARK WATER. Será que o diretor não se enganou e acreditou ter sido contratado para fazer o remake de
DARK WATER, e não de
RINGU 2? De qualquer forma, Nakata parece ter gostado da idéia de dirigir remakes, pois foi escalado para comandar a versão americana do excelente
THE EYE, cuja pré-produção já iniciou.
TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE "O CHAMADO 2",
MAS TINHA MEDO QUE A SAMARA NÃO TE DEIXASSE PERGUNTAR
Atenção: por motivos óbvios, só leia este texto se já tiver visto o filme. A menos que você queira saber tudo sobre O CHAMADO 2 para poder ficar contando aos seus amiguinhos durante a sessão de cinema!
o POR QUE SAMARA POSSUI AIDAN?
Esta é a grande dúvida de todos os fãs do filme original. Duas respostas são possíveis. A primeira é a mais simples: Samara queria se vingar de Rachel e Aidan. Porém, esta resposta não tem lá muita lógica, pois Samara deveria estar era feliz da vida com Rachel, que no final de
O CHAMADO libertou-a do poço onde ela estava presa e deixou seu espírito maligno livre para aprontar pelo mundo (inclusive aparecendo livremente, sem a necessidade das pessoas assistirem sua fita, como vemos neste
O CHAMADO 2). A outra resposta possível é que Samara sempre teve este objetivo. Esqueça aquela história de que ela "só queria ser ouvida", ou seja, tinha apenas o objetivo de que sua maldição se espalhasse para que o mundo soubesse o que aconteceu com ela. Na verdade, Samara vivia solitária no fundo do poço e só queria ter uma vida normal - a qual, como sabemos, nunca teve. Enfim: só queria uma figura materna, pois as duas únicas que teve (sua mãe verdadeira, Evelyn, e sua mãe adotiva, Anna Morgan) só lhe fizeram mal. Porém, Samara sabia que só podia levar uma vida de criança normal se encontrasse uma mãe... e por isso ela possui Aidan para lhe roubar a mãe e ser feliz - uma trama muito semelhante com DARK WATER, filme japonês de Hideo Nakata, que foi refilmado pelo brasileiro Walter Salles.

Pelo que o filme demonstra, ainda, Aidan não foi a primeira tentativa de Samara de possuir uma criança para voltar a levar uma vida normal. Quando Rachel chega ao sanatório onde Evelyn está internada, o enfermeiro lhe explica que a mulher é uma espécie de
"santa", e que de tempos em tempos alguma mãe aparece querendo orientações de Evelyn. Ou seja: Samara já possuiu, no passado, outras crianças, cujas mães aparentemente foram obrigadas a fazer a mesma investigação de Rachel (só não me pergunte como!) e chegaram até o manicômio para falar com Evelyn e pedir orientações sobre o que fazer. Para todas, Evelyn deu a mesma sugestão: que afogassem seus filhos na banheira, única forma de fazer Samara ir embora - mas apenas temporariamente, para logo possuir outra criança. Rachel recebe a mesma orientação, mas não mata Aidan afogado. Pelo contrário: apenas deixa o garoto tempo suficiente na água para que Samara (que odeia água, por motivos óbvios) saia de dentro do seu corpo. Depois, quando a garotinha volta para tentar possuir o menino novamente, Rachel faz com que Samara a leve no lugar do filho. Como a única idéia de
"lar" que Samara tem é o poço onde passou a vida (ou morte, hehehe), ela leva Rachel para lá, para lhe fazer companhia. E então a nossa heroína percebe que Samara tem o poder de sair da sua
"prisão" e assombrar os humanos porque a pedra que cobre o poço está parcialmente aberta. No final, Rachel escala o poço e tranca Samara para sempre, lacrando a saída com a pesada pedra - e soltando a inacreditavelmente ruim frase
"Eu não sou a porra da sua mãe!".
o AFINAL, DE QUEM SAMARA É FILHA?
Boa pergunta! Mas é claro que Samara não é deste mundo. Na série japonesa RINGU, ficamos sabendo que Sadako, aparentemente, veio do mar. Em
O CHAMADO ela tem uma forte ligação com a água também, mas a única pista que temos do passado de Samara é o relato de sua mãe biológica, Evelyn, em
O CHAMADO 2: ela teria engravidado misteriosamente e, logo que o bebê nasceu, tentou afogá-lo numa fonte, para dar logo um fim ao reinado de horror da diabólica Samara. Mas é claro que Evelyn foi impedida e acabou num hospício, e Samara foi adotada por Anna e Richard Morgan, com os resultados que todos nós conhecemos muito bem.
o COMO É QUE JAKE, NO INÍCIO DO FILME, SABE QUE É PRECISO COPIAR A FITA E MOSTRAR A ALGUÉM EM SETE DIAS PARA QUEBRAR A MALDIÇÃO?
Aparentemente, na época em que
O CHAMADO 2 se passa, a maldição de Samara já se espalhou de forma incontrolável. Se ela já era uma lenda urbana no primeiro filme, no segundo definitivamente já é de conhecimento da maioria das pessoas. Quando a maioria assiste o vídeo de Samara, já sabe que é preciso mostrar a alguém para não morrer. E assim as fitas vão se espalhando. Provavelmente, foi a própria Rachel a responsável pela propagação da maldição e da forma de se livrar dela, pois no final do primeiro filme ela grava uma cópia da fita para salvar a vida de seu filho Aidan - e teria que mostrá-la para alguém para quebrar a maldição. Na minha opinião, Rachel entregou a cópia a alguém dizendo para que esta pessoa assistisse a fita e orientando para que fizesse uma nova cópia em sete dias, mostrando-a para outra pessoa, num ciclo eterno que jamais teria fim. A diferença é que as pessaso, além de espalharem as novas cópias da fita, começaram a divulgar também a forma de escapar da maldição, descoberta por Rachel. Mas nada impede, também, que outras pessoas tenham descoberto o mistério além de Rachel, ajudando a espalhar a solução do enigma.
o POR QUE AIDAN E RACHEL SÓ PODEM FALAR NOS SONHOS QUANDO O GAROTO ESTÁ POSSUÍDO POR SAMARA?
Porque quando Samara possui o garoto, ela toma conta de seu corpo e de sua vontade. Neste momento, Aidan não existe; existe apenas Samara. E a menina, como todos nós sabemos do primeiro
O CHAMADO, tem um distúrbio que não permite que ela durma (ou você não lembra da frase
"Ela nunca dorme!", dita por Aidan no final do primeiro filme?). Como fica eternamente acordada, mesmo usando o corpo de Aidan, Samara não tem como monitorar os sonhos de Rachel com seus poderes sobrenaturais. Por isso, enquanto Rachel dorme e sonha, Aidan pode conversar com a mãe tranqüilamente.
o QUAL O MISTÉRIO RELACIONADO AOS VEADOS?
No primeiro filme, descobrimos que Samara vivia num rancho de cavalos e acidentalmente enlouquecia e enfurecia os animais, utilizando seus incontroláveis poderes paranormais. Tanto que chegou o dia em que todos os cavalos fugiram e foram se suicidar no mar, só para escapar da influência de Samara. Em
O CHAMADO 2, Rachel e Aidan estão no carro em uma estrada deserta, pelo meio do bosque, quando são atacados por veados, que parecem furiosos com alguém ou alguma coisa. Esta cena, na verdade, parece ser uma homenagem ao momento do ataque dos babuínos do clássico
A PROFECIA. Acontece que os veados sentem a presença maligna de Samara, que a estas alturas já começou a possuir Aidan. E, como a melhor defesa é o ataque, os animais
"enlouquecem" e atacam o carro, talvez tentando destruir o próprio Aidan e a influência maligna que ele emana. Mais tarde, quando Rachel visita novamente o Rancho Morgan, descobrimos o porquê do faniquito dos veados (sem malícia, pessoal...): há dezenas de chifres do animal no porão da casa. Duas hipóteses: ou o velho Richard Morgan, além de cavalos, também criava veados, que acabaram morrendo (e Morgan guardou os chifres de
"lembrança"), ou a própria Samara gostava de caçar e maltratar veados que viviam na floresta próxima ao rancho, o que justificaria uma vingança por parte dos animais.
o SE O CORPO DE SAMARA FOI LIBERTADO POR RACHEL NO PRIMEIRO FILME, ELA AGORA ESTÁ LIVRE PARA FAZER O QUE QUER?
Teoricamente, sim. Eu sempre fui da opinião de que, a partir do momento em que é libertada do poço, Samara teria a oportunidade de gerar suas fitas amaldiçoadas em qualquer lugar do mundo, inclusive em grandes emissoras de TV, para poder contaminar as pessoas em escala global - o que ela, sabe-se lá porquê, nunca faz! Lembram que no primeiro filme era preciso estar na cabana construída sobre o poço onde ela estava para
"gravar" uma fita amaldiçoada? Pois com a libertação do corpo da garotinha do fundo do poço, em teoria, não existia mais esta limitação de espaço. E, novamente pelo menos na teoria, Samara poderia gerar a qualquer momento novas fitas amaldiçoadas em qualquer lugar do mundo, desde que assim quisesse. Infelizmente, os roteiristas preferiram não utilizar este raciocínio e deixaram a trama da fita em segundo plano.
o POR QUE MAX É MORTO POR AIDAN/SAMARA?
Mais forte, livre e sem a necessidade de apelar para a sua maldição para aparecer e matar pessoas, Samara usa Aidan como corpo físico e continua com seus poderes destruidores. Anteriormente, ela já havia utilizado estes poderes para convencer a dra. Temple a cometer suicídio. Depois, quando Max encontra Aidan, ele tenta fotografar o garotinho para ter a prova cabal do que Rachel desconfiava (de que o garoto estava possuído). Anteriormente, Rachel mostrou a Max fotos tiradas por Aidan, que mostravam Samara se apossando do corpo do garoto. Max acreditava que, se fizesse uma fotografia de Aidan, e se ele estivesse realmente possuído, iria aparecer a imagem de Samara na fotografia, e não a do menino. Ao perceber a desconfiança de Max, e ao ver que ele programou a máquina digital para fazer uma fotografia sua, Samara/Aidan sentiu-se ameaçada e matou o rapaz para que ele não saísse espalhando seu segredo e estragasse sua nova vida como criança de carne e osso.
Felipe M.Guerra
 |
O CHAMADO 2 (The Ring 2, EUA, 2005)
Direção: Hideo Nakata
Roteiro: Ehren Kruger, baseado em livro homônimo de Koji Suzuki
Produção: Walter F. Parkes e Laurie MacDonald
Música: Hans Zimmer; Martin Tillman; Henning Lohner
Fotografia:Gabriel Beristain
Edição: Michael N. Knue
Desenho de Produção: James D. Bissell
Direção de Arte: Christa Munro
Maquiagem: Rick Baker; Barney Burman; Jamie Kelman; Bart Mixon
Elenco: Naomi Watts (Rachel Keller), Simon Baker (Max Rourke); David Dorfman (Aidan Keller); Elizabeth Perkins (Dr. Emma Temple); Gary Cole (Martin Savide); Sissy Spacek (Evelyn); Ryan Merriman (Jake); Emily VanCamp (Emily); Kelly Overton (Betsy); James Lesure (Doutor); Daveigh Chase (Samara - arquivo); Kelly Stables (Evil Samara); Cooper Thornton (Pai de Emily); Marilyn McIntyre (Mãe de Emily); Jesse Burch; Michael Chieffo; Steven Petrarca; Michael Dempsey; Kirk B.R. Woller; Jeffrey Hutchinson
|