Dezenas de quilômetros de escuros túneis subterrâneos... Tão fascinantes quanto assustadores, os metrôs são um método de transporte já bastante comum em grandes cidades. Minha primeira experiência subterrânea com a locomoção via metrô foi numa viagem de férias para a Argentina com minha namorada Carolina - percorria-se metade de Buenos Aires em minutos dentro daqueles desconfortáveis trens que desbravavam os escuros túneis como se fossem monstruosas serpentes metálicas... Em meio ao trajeto, é impossível - para quem não está tão acostumado com a coisa, como eu - não ficar com o olhar perdido naqueles túneis escuros... O que não existirá ali, naquela escuridão?


Se hoje o medo contemporâneo da nossa atualidade são os ataques terroristas e a alta criminalidade nas estações de metrô, talvez existam ainda outras ameaças a temer, vindas justamente daqueles túneis escuros. A idéia de que uma criatura monstruosa possa utilizá-los como lar, escondida dos olhares da humanidade na superfície, não é exatamente nova (já foi usada até num inspirado conto de horror do autor Clive Barker, incluído na sua coletânea
LIVROS DE SANGUE), mas continua com fôlego para gerar boas histórias. Pelo menos é a conclusão que se tira após ver
PLATAFORMA DO MEDO, título
"assim-assim" para
CREEP. Trata-se de um excelente filme de horror inglês lançado neste ano (2005) para provar que nem todas as boas histórias já foram contadas. Foi, por sinal, uma bela recomendação da minha amiga orkutiana Inara, que viu o filme lá na Alemanha e logo me passou a dica - fica, aqui, o agradecimento oficial. É, ainda, mais uma produção caprichada do gênero a vir da Inglaterra, mesmo país que já nos deu os igualmente deslumbrantes e recentes
DOG SOLDIERS e
SHAUN OF THE DEAD.
Ao contrário do que o título nacional possa indicar,
PLATAFORMA DO MEDO não se passa em uma plataforma de petróleo assombrada (hehehe), e sim na estação de metrô da Inglaterra pré-atentados terroristas e pré-morte daquele pobre brasileiro pelos truculentos policiais ingleses. A história concebida pelo próprio diretor - o estreante Christopher Smith, de quem se esperam novos e promissores trabalhos - é simples e não se preocupa em dar muitas explicações, deixando várias evidências ao longo do caminho para que o próprio espectador vá juntando as pontas soltas. Basicamente,
PLATAFORMA DO MEDO é sobre uma criatura horrenda que vive nos túneis do metrô e se dedica a caçar alguns humanos que estão rondando por lá... Simples? Sim. Mas nunca bobo, nem previsível, nem maçante, nem enfadonho, como um filme assim poderia ser. Na verdade, percebe-se claramente muitas características de outros filmes e cineastas, especialmente Tobe Hooper (a tensão crescente, a tortura psicológica através da violência implícita) e John Carpenter (cenas em locais escuros e cada vez mais fechados, vultos cruzando em frente à câmera com música sinistra). E a comparação com os dois mestres não é nem um pouco gratuita: Christopher Smith não faz feio!

PLATAFORMA DO MEDO já começa de maneira inspirada, com dois trabalhadores do setor londrino de saneamento descendo às galerias de esgoto do metrô para desentupir alguns canos problemáticos. A introdução já situa o espectador e dá uma idéia do que esperar; por isso, vá se acostumando com corredores estreitos e escuros, pouquíssima luz e muita, mas muita sujeira e ratos (que a câmera do diretor faz questão de enfocar o tempo inteiro). Um dos trabalhadores é Arthur (Ken Campbell), o típico veterano que conhece tudo das galerias de esgoto, após décadas de serviços prestados à comunidade; o outro é um novato, George (Vas Blackwood), na verdade um ex-presidiário que está prestando serviço comunitário para manter sua liberdade condicional e poder morar com a filha pequena.
Não demora muito para a dupla chegar até um ponto das galerias onde há uma parede semi-aberta, com uma passagem aberta em meio aos tijolos. Arthur se deslumbra:
"Eu venho aqui embaixo há 30 anos e nunca ouvi falar desta passagem! Você sabe o que é isso? É um novo túnel!". George, que não está gostando muito do trabalho sujo, só pensa em sair logo dali. Mas o veterano, movido pela curiosidade, quer explorar a passagem para ver que mistérios ela possa esconder. E, enquanto caminha pelo meio da água suja, Arthur tropeça, fazendo com que o espectador veja beeeem de relance, graças à iluminação no capacete do homem, um assustador vulto encostado a uma parede. O típico susto sutil do bom cinema de horror, sem a necessidade de grandes efeitos especiais ou sonoros. Arthur então demora para reaparecer e George vai checar o que está acontecendo. Encontra o colega caído na água suja, meio vivo meio morto, com uma expressão de extremo horror estampada no rosto.
"Mas o que foi que ele viu?", questiona-se George. E, então, ele se vira, lentamente, meio assustado, e o espectador passa a enxergar o túnel escuro como se fosse pelos olhos do próprio George... Bem, prepare-se para pular da cadeira!


Da escuridão dos túneis,
PLATAFORMA DO MEDO corta para um rápido refresco, mostrando uma festinha bem iluminada (ufa!) num apartamento - aproveite, porque é o último sinal da vida na superfície que você verá pelos próximos 88 minutos! Kate (a bonita Framka Potente, de
CORRA, LOLA, CORRA e
ANATOMIA 1 e
2) é uma jovem alemã que trabalha e estuda na Inglaterra, e está na festinha aproveitando um pouco de álcool e drogas com as amigas. Enquanto resiste às cantadas frustradas de um colega de trabalho, o canalha Guy (Jeremy Sheffield), Kate conta às suas amigas qual será o seu
"programa" para aquela noite: ela e uma amiga descobriram que o ator americano George Clooney (!!!) estará secretamente hospedado num determinado hotel da cidade. E, bem... Kate quer ir lá se atirar em cima do galã. Como se vê, uma heroína de poucos princípios... Interessante forma de apresentar sua personagem central!
Só que Kate perde a hora e se obriga a correr para a estação de metrô (ainda mais porque sua amiga lhe deixou na mão, talvez temendo a concorrência). Ela pretende pegar o último trem para seu encontro com Clooney (hehehe). O problema é que a loirinha fecha os olhos por alguns minutos enquanto espera pelo trem. E, para quem já está meio alta e muito cansada, é só o que basta. Ao acordar, Kate percebe que não só perdeu o último trem, como ainda foi
"abandonada" no interior da estação. Isso mesmo: todos os funcionários foram embora, as grades foram fechadas, os terminais desativados... Enfim, Kate está completamente sozinha dentro daquela pequena cidadezinha subterrânea. Bem, não necessariamente
"sozinha".


Acontece que, após alguns minutos de desespero da moça, um trem pára na estação e ela embarca, sem estranhar o fato dos vagões estarem completamente vazios. Então, bem no interior de um dos escuros túneis, o metrô pára... E um vulto se aproxima ameaçadoramente de Kate na escuridão. Um serial killer? Um zumbi? Um vampiro? Não! É o pedante do Guy, que acredita que a bela Kate está morrendo de amores por ele. Por isso, ele pagou uns cobres para o condutor do trem lhe proporcionar um
"momento romântico" com a gata. Só que, meio turbinado pela cocaína, ele passa dos limites e não aceita o fora de Kate. Pior: tenta estuprá-la! Bem feito para Guy que, no momento do rala-e-rola, as portas do trem se abrem e alguém - ou alguma coisa - agarra o agressor, puxando-o violentamente para fora. Antes de desaparecer na escuridão, entre gritos de dor e de medo, o homem só consegue gritar uma coisa para a moça:
"CORRA!!!". Começa, oficialmente, o pesadelo!


Quem espera de
PLATAFORMA DO MEDO um slasher moderno, na linha de
PÂNICO e suas cópias acéfalas, vai cair do cavalo. O assassino que persegue suas vítimas pelo metrô nem mesmo é o tradicional psicopata mascarado, mas sim uma aberração, aparentemente chamada Craig, conforme indica uma daquelas pulseirinhas de hospital, presa ao seu pulso. A criatura é interpretada por Shaun Harris, que passava por sete horas diárias de maquiagem para interpretar o papel. Inicialmente, o
"freak" (ou
"creep", para citar o título original do filme) é escondido nas sombras pelo diretor, sempre mostrado apenas como um vulto que corre de um lado para o outro da tela; o recurso aumenta o choque depois de meia hora de projeção, quando Craig finalmente dá as caras e revela uma das melhores criaturas do moderno cinema de horror - melhor até que o exagerado Jeepers Creepers, da série
OLHOS FAMINTOS. Aliás, prepare-se para sentir arrepios dos dedos do pé ao último fio de cabelo na cena em que o filme apresenta o vilão: uma genial seqüência de perseguição que termina no escuro e, quando
"faz-se a luz", revela a carranca do perseguidor em close - de gelar o sangue!


Há quem acredite que
PLATAFORMA DO MEDO seja um remake de
METRÔ DA MORTE (conhecido tanto por
Raw Meat como por
Death Line). Esta é uma outra excelente produção inglesa, dirigida por Gary A. Sherman em 1972 (com Donald Pleasence e
Christopher Lee no elenco), cuja trama também se passa no metrô londrino. O obscuro
"cult movie", que é um dos primeiros filmes daquela época a apresentar explicitamente extrema violência e nojeiras diversas (principalmente corpos apodrecidos e canibalismo), narra os ataques de um assassino canibal que vive numa das galerias abandonadas do metrô - era um trabalhador da estação que ficou aprisionado após um desmoronamento e perdeu qualquer sinal de humanidade, transformando-se em uma criatura bestial. Christopher Smith pode até ter se inspirado em
METRÔ DA MORTE ao conceber
PLATAFORMA DO MEDO, mas o filme não é um remake assumido. E Smith garante que a idéia para seu projeto surgiu após ver a longa perseguição de uma vítima pelo lobisomem no clássico
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES - onde a câmera, representando o lobisomem em terceira pessoa, percorre uma estação de metrô deserta atrás de um inglês almofadinha. De fato, algumas seqüências de
PLATAFORMA DO MEDO, que mostram Framka Potente em fuga pelos corredores desertos da estação, perseguida pela câmera em terceira pessoa, realmente lembram
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES...


Na curta entrevista de Smith apresentada na edição nacional em DVD de
PLATAFORMA DO MEDO, o diretor se revela um amante dos filmes de horror à antiga, citando até
CANNIBAL HOLOCAUST (embora as legendas em português, traduzidas por algum completo imbecil, nem se dignem a registrar o nome do clássico de Ruggero Deodato). É justificável, portanto, que a estréia do diretor seja exatamente um terror à moda antiga, sem freios na violência e na tensão, sem poupar o espectador com invencionices e modernismos, apelando para uma trama que chega a lembrar
PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR, de Tobe Hooper (trocando o trem-fantasma de parque de diversões pelo metrô), muito sangue e maquiagem e praticamente nenhum efeito realizado por computador.


Quando se fala em violência, é bom registrar que são cenas bem gráficas, de fazer tremer nas bases a geração
PÂNICO: há pescoços cortados e rasgados mostrados em close, cabeças atravessadas por estacas e, no momento mais selvagem e bizarro, uma
"cirurgia" realizada por Craig numa garota inocente amarrada a uma mesa de operações. Nesta cena, você vai precisar de muito sangue de barata para não fazer pelo menos uma careta de choque - principalmente ao ver ONDE o sujeito enfia um facão serrilhado de tamanho descomunal!!! E isso que a cena é praticamente implícita, arrepiando apenas com os efeitos sonoros da carne sendo serrada... Porém, em sua tentativa desesperada de chocar, o diretor Smith também parte para alguns momentos um tanto gratuitos, como ao mostrar a criatura esquartejando um cadáver fresquinho para retirar alguns pedaços de carne destinados a alguma futura refeição - que nunca é mostrada.


Além de não economizar no sangue, o diretor e roteirista também é muito corajoso ao criar uma galeria de personagens difíceis de simpatizar. Kate, a
"mocinha" interpretada por Framka, é algo muito distante dos modelos de conduta dos papéis principais femininos em filmes de horror (normalmente, sempre são todas umas santinhas); pelo contrário, ela é tão arrogante e vagaba que tem gente que vai torcer para a moça se dar mal. Os outros personagens também não são lá grandes exemplos a seguir: além de Guy, o amigo estuprador, aparecem um guarda de segurança xarope e covarde, um casal de mendigos viciados em heroína e um cara tão covarde, mas tão covarde, que não hesita em deixar uma mocinha indefesa viva nas mãos do monstro só para salvar o próprio couro!!! E aí? Para qual deles você está torcendo? hehehehe
PLATAFORMA DO MEDO também arrebata o espectador graças ao cenário e à extraordinária fotografia. A câmera de Smith passeia por túneis sujos, repletos de ratos e mergulhados na mais completa escuridão, onde volta-e-meia alguns fachos de luz iluminam um mínimo para que os personagens (e o espectador) possam enxergar. Não temos o alívio da luz do sol, nem mesmo os heróis da história podem acender a lâmpada para iluminar um corredor ou sala escura quando estão com medo; nesse sentido, seu perseguidor pode estar escondido em qualquer lugar, em meio àquela assustadora escuridão. É até interessante constatar que, num filme quase todo tétrico e escuro, o único detalhe mais colorido é justamente o vestido amarelão usado por Kate, que se destaca no breu dos túneis - e, como bem comparou o Alisson Couto, do blog
Erotikill, parece
"uma margarida num decomposto jardim de cemitério". São pequenos detalhes que revelam um diretor estreante criativo, já preparado para alçar vôos maiores.


Como é bem comum (mais do que deveria) nos dias de hoje, uma parcela do público - especialmente aqueles que começaram a ver filmes de terror mais recentente - vai torcer o nariz para o fato do roteiro nunca explicar, pelo menos não em detalhes, a origem daquela criatura zanzando pelo metrô londrino. Pois este é justamente mais um dos méritos do filme de Smith, que não se preocupa em pausar a ação para ficar mostrando flashbacks, ou então a tradicional cena em que algum personagem conta a assustadora lenda da
"criatura do metrô de Londres". Pelo contrário: quando começa a perseguição dos personagens pelo monstro, e isso aos 15 ou 20 minutos iniciais, o clima de tensão e suspense não pára mais. Não há tempo e nem espaço para ficar explicando sobre o agressor. Com a palavra, o próprio Christopher Smith:
"Eu quis que o público ficasse pensando na sua própria idéia sobre o que o 'Creep' é. Não gosto de filmes de horror onde o horror é muito explicadinho. O que eu fiz foi tentar criar um personagem horrível, por quem, no fim, você pudesse simpatizar. Ele faz coisas horríveis, mas também sofre dor". Ao lado de criaturas como o mutante de
PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR e o Giorgio de
O CASTELO MALDITO, de Stuart Gordon,
"Craig" é realmente um vilão que pode inspirar pena no espectador, pois se percebe que ele não faz o que faz por ser malvado ou por vingança, mas sim porque sempre fez aquilo e, para ele, é algo totalmente normal. Mesmo quando ele pratica as mais brutais torturas, o faz praticamente como uma criança curiosa e sem consciência da travessura que está aprontando, e não propriamente por sadismo ou maldade.


Se devemos comemorar que um filme independente como
PLATAFORMA DO MEDO tenha chegado ao Brasil, ao mesmo tempo somos obrigados a criticar a pobreza do disquinho nacional, que só tem umas curtas e nada interessantes entrevistas com os realizadores e um trailer bagaceiro. Uma vergonha, se compararmos com o DVD importado, este sim digno do filme em questão, com comentário de áudio do diretor, três featurettes de making-of, imagens do lançamento do filme no festival Frightfest, um início e um final alternativos e spots de TV. Smith conta, em uma entrevista, que cortou o início alternativo porque ele dava pistas demais sobre o surgimento do
"Creep", e ele queria que cada um tivesse a sua versão para a origem da criatura. Além disso, o início alternativo faria com que o público tivesse ainda mais pena do personagem, ao invés de sentir medo e ódio dele.
E para quem duvida que realmente possam existir estações de metrô completamente abandonadas, onde ninguém pisa há décadas, como mostra o filme em determinado momento, fica mais uma informação dada pelo diretor em entrevistas:
PLATAFORMA DO MEDO foi quase que totalmente filmado em uma estação de metrô desativada, que estava fechada desde os anos 30 e, atualmente, está se deteriorando no subterrâneo (pois o trem passa longe dela e não existe outra forma de chegar até lá). Smith se emociona:
"Está tudo lá embaixo, porque qualquer coisa que é desativada no metrô acaba ficando abandonada. Não sei porque eles não fazem viagens de turismo até o local, porque ainda existem pôsteres da Segunda Guerra Mundial e aquelas velhas máquinas de cigarros lá embaixo!". Com base nisso, volto à minha pergunta inicial, quando comecei este artigo: se existem estações abandonadas e intocadas desde a década de 30, o que mais não poderá existir ali embaixo, naquela escuridão? Brrrrrr...
PLATAFORMA DO MEDO foi lançado oficialmente, na Inglaterra, em agosto de 2004. Quase um ano depois, em 7 de julho de 2005, o filme de horror se transformou em uma trágica realidade quando ataques terroristas no metrô londrino deixaram 700 pessoas feridas e mais de 40 mortos. Algum tempo depois, o brasileiro Jean-Charles de Menezes seria morto brutalmente e injustamente pela polícia inglesa no mesmo metrô,
"confundido" com um terrorista. O próprio cartaz original de
CREEP (uma mão ensangüentada escorregando no vidro de um trem no metrô) acabou sendo banido na Inglaterra, considerado de
"mau gosto". Fatos como estes comprovam, mais uma vez, que o horror contemporâneo e real é muito pior que qualquer roteiro cinematográfico, que qualquer monstro deformado que ataque nos túneis do metrô, que a pior imaginação desvairada de um roteirista de horror.
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PLATAFORMA DO MEDO (Creep ,Inglaterra, Alemanha, 2004), 88 minutos
Direção: Christopher Smith
Roteiro: Christopher Smith
Produção: Julie Baines; Jason Newmark
Produção Executiva: Robert Jones
Fotografia: Danny Cohen
Música: The Insects
Edição: Kate Evans
Desenho de Produção: John Frankish
Direção de Arte: Matthew Gray; Ellen Latz; Ashley Winter
Figurino: Phoebe De Gaye
Maquiagem: Jan Sewell
Elenco: : Franka Potente (Kate); Vas Blackwood (George); Ken Campbell (Arthur); Jeremy Sheffield (Guy); Paul Rattray (Jimmy); Kelly Scott (Mandy); Sean Harris (Craig); Kathryn Gilfeather (garota); Grant Ibbs (homem); Joe Anderson; Sean De Vrind; Ian Duncan; Debora Weston; Emily Gilchrist; Craig Fackrell; Elizabeth McKechnie; Jonathan Taylor; Morgan Jones
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