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Um dos melhores filmes de terror de 2006. É dessa forma que Abismo do Medo (The
Descent, 2005) ficará lembrado pelos fãs do gênero. A película, que teve estréia
nacional no último dia 15, é uma bem sucedida trama que mistura fortes cenas de
suspense, com genuínos momentos de horror, provocando medo na medida exata para
quem assiste.
A história gira em torno de seis amigas aventureiras. Dentro da trama, destaca-se
Sarah (Shauna Macdonald), que perdeu o marido e a filha pequena em um violento
acidente de automóvel. Um ano depois da tragédia, ela resolve se juntar às cinco
companheiras para explorarem uma caverna local. Um acidente faz com que aconteça
um deslizamento de rochas, que bloqueia a saída do lugar, obrigando as amigas a |
explorarem o espaço em busca de uma forma de escapar.
A situação, nada agradável, se complica ainda mais quando a organizadora da
expedição explica que o grupo não está na caverna conhecida, mas sim em uma nunca
antes explorada pelo homem. A justificativa para a troca
de percurso seria das amigas descobrirem esse novo espaço e batizarem a caverna
com o nome delas.
Presas, em um lugar desconhecido, semelhante a um labirinto com uma infinidade de
corredores e túneis. Vai ser nesse ambiente que as seis amigas vão precisar
trabalhar em equipe para encontrarem uma saída. Mas não vai demorar muito para o
grupo perceber que a caverna é habitada por perigosas criaturas que vão se
mostrar, além de asquerosas, bastante agressivas.


Dirigido pelo inglês Neil Marshall,
Abismo do Terror consegue ser um agradável
diferencial dentro de um gênero tão sobrecarregado de produções fracas ou
medianas. Trabalhando com uma história simples, o roteiro, também assinado por
Marshall, consegue prender a atenção do público ao apresentar esse ambiente hostil
da caverna quase como um personagem dentro da trama. E a sensação para quem
assiste à produção é de estar junto com o grupo, preso nesse lugar.
Uma das principais características de
Abismo do Medo é a excelente ambientação
claustrofóbica criada para o filme. O diretor não se limitou apenas a mostrar
túneis apertados, embora eles existam e sejam realmente minúsculos, mas também
soube utilizar a escuridão dentro desse espaço aumentando ainda mais a sensação de
medo. Muitas vezes, os personagens estão utilizando apenas uma lanterna, ou um
isqueiro e a visibilidade torna-se bastante precária. Tal decisão é bastante
positiva, pois o que se está acostumado a ver em filmes de terror é uma
pseudo-escuridão, na qual o telespectador enxerga claramente tudo, enquanto os
personagens parecem estar cegos. Na maioria das cenas de
Abismo do Terror, nem
elenco nem público conseguem ver direito tamanha a escuridão.


Mesmo antes dos habitantes da caverna serem descobertos,
Abismo do Medo já oferece
grandes momentos utilizando apenas esses corredores escuros e minúsculos do lugar.
Algumas cenas são especialmente aterradoras, como quando as amigas precisam passar
por um pequeno túnel e uma das moças fica presa sem conseguir respirar. De tirar o
fôlego, literalmente.
O susto também vem de forma bem trabalhada, pois o filme cria várias cenas onde se
espera que algo aconteça, mas muitas vezes não ocorre nada, o que deixa o público
tenso aguardando por alguma cena de impacto. Mas esses momentos de susto vão vir
em outras sequências e sem muito aviso prévio, pegando as pessoas mais relaxadas e
desprevinidas.

Seres da escuridão
Abismo do Medo foi gravado obedecendo à cronologia da
história, o que possibilitou ao elenco conhecer os habitantes da caverna apenas na
primeira cena em que eles são vistos. Um detalhe referente à aparição das
criaturas deve ser dado, pois as mesmas só dão as caras na metade do filme. Mas a
boa notícia é que a narrativa da película segue de forma tão bem construída que
essa
“demora” dos estranhos não prejudica em nada o andamento do
filme, que vai trabalhando outros pontos até chegar nesse momento.
A primeira aparição dos bichos é de fazer gelar a espinha. Logo após o desabamento
da caverna, a personagem Sarah começa a escuta estranhos barulhos, mas não
consegue identificar o tipo de animal que poderia estar fazendo o som. Após uma
das moças sofrer um acidente, em uma cena de forte impacto, Sarah parece escutar
novamente o barulho e começa a procurar a origem do mesmo. A seqüência é
extremamente bem realizada por mostrar a fraca luz da lanterna da moça percorrendo
as rochas até encontrar, distante, um dos seres que, após se dar conta da
estranha, desaparece na escuridão.


Tal cena é feita de forma simples, mas estabelece o tom que o filme vai seguir a
partir de então. A reação imediata de Sarah, e do público, é de processar a
estranha visão através do rápido raciocínio de que aquele ser, que parece um
homem, mas não é humano, está na caverna com o grupo. Será que existem outros? São
perigosos? A sensação final é de que as amigas precisam, mais do que depressa,
encontrar uma saída.
Como homens que andam de quatro, sem pigmentação, cegos, mas com olfato e audição
apurados, garras e dentes afiados e extremamente agressivos. Assim são os seres
que habitam nessa perigosa caverna. Nenhuma das mulheres dá crédito a
“visão” de
Sarah e o grupo prossegue na tentativa de sair do lugar. Vai ser durante uma
caminhada que os estranhos sons, que antes só uma delas escutava, vão soar
audíveis para todas. Com pouca visibilidade, uma das amigas utiliza uma câmera de
vídeo com infra-vermelho para observar o lugar e durante a panorâmica vai oferecer
uma das, se não a melhor cena de todo o filme. É ver e tomar medo, de verdade.


A partir desse momento, o filme segue uma combinação de muita correria e pouca
visibilidade. O grupo logo se separa e passamos a acompanhar os diferentes
destinos reservados para cada garota. Nesse momento, o diretor Marshall nos
apresenta uma série de cenas violentas e nojentas entre os estranhos seres e as
mulheres, essas cada vez em menor número.
Vai ser nessa parte final que o filme vai dar algumas derrapadas de roteiro com
certas situações bastante forçadas, mas nada que comprometa o produto como um
todo. Basta fazer uma comparação de
Abismo do Medo com outras produções que
abordem temas semelhantes, como
A Caverna (The Cave, 2005) para perceber que
existe um grande abismo entre os dois filmes. Essa segunda produção foi tida como
um dos piores trabalhos vistos nos últimos anos pelo péssimo roteiro, total
ausência de situações de medo ou suspense e direção voltada para clichês e
previsibilidade, o que é totalmente o oposto de
Abismo do Medo.


Ou seja, mesmo com uma história simples, foi a linguagem utilizada por Marshall
que deu direcionamento e fôlego ao filme. Até o elenco de seis mulheres deve
receber crédito positivo, pois, se não é formado por nenhuma estrela, ao menos,
soube segurar a peteca dentro de seus respectivos personagens. E para fechar com
chave de ouro, o final de
Abismo do Medo é uma agradável surpresa para os fãs do
gênero, que vão ser pegos pela brincadeira do roteiro. Ratificando o que já foi
dito, é por todos os motivos apresentados nesse texto que
Abismo do Medo vai ficar
considerado como um dos melhores filmes de terror de 2006. Por isso mesmo, corra
para o cinema mais próximo da sua casa.
Filipe Falcão
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ABISMO DO MEDO (The Descent, Inglaterra, 2005). 99 minutos
Direção: Neil Marshall
Roteiro: Neil Marshall
Produção: Keith Bell; Christian Colson;
Produção Executiva: Paul Smith
Fotografia: Sam McCurdy
Música: David Julyan
Edição: Jon Harris
Desenho de Produção: Simon Bowles Figurino: Nancy Thompson
Direção de Arte: Jason Knox-Johnston
Maquiagem: Jennifer Harty; Jo Hannford; Vicki Lang; Sandrine Mugglestone
Elenco: Shauna Macdonald (Sarah); Natalie Jackson Mendoza (Juno); Alex Reid (Beth); Saskia Mulder (Rebecca); MyAnna Buring (Sam); Nora-Jane Noone (Holly); Oliver Milburn (Paul); Molly Kayll (Jessica); Craig Conway; Leslie Simpson; Mark Cronfield; Stephen Lamb; Catherine Dyson; Julie Ellis; Sophie Trott; Tristan Matthiae; Stuart Luis; Justin Hackney
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