Em meio aos milhares de filmes feitos todo ano ao redor do planeta, nós invariavelmente acabamos sem conhecer muitas produções de menor destaque, que não tiveram a sorte de serem reconhecidas pelas publicações especializadas ou adoradas por fãs fanáticos. Às vezes, são filmes muito ruins, que merecem o esquecimento. Mas às vezes, também, ótimos filmes acabam caindo na obscuridade injustamente. Eu já escrevi artigos anteriormente sobre pérolas tipo GAROTOS MORTOS NÃO PODEM VOAR e O FAROL DA MORTE, dois filmaços que não tiveram o reconhecimento que mereciam - muita gente nunca tinha ouvido falar sobre eles, antes... Agora, volto ao tema com uma pequena e desconhecida produção chamada O DIA DE SATÃ.


Se não fosse por um pedido expresso do webmaster da Boca do Inferno, Marcelo Milici, que pediu se eu poderia escrever um artigo sobre este que é um dos seus filmes prediletos, talvez eu demorasse muito mais tempo para ver
O DIA DE SATÃ. Eu até tinha a fita em casa há vários meses, adquirida via Internet, mas compro muitos filmes todo mês e alguns acabam ficando na prateleira, à espera de uma folga no meu tempo para serem assistidos. Cheguei a pegar a caixinha de
O DIA DE SATÃ na mão algumas vezes, mas ela não me chamou muito a atenção.
"Felipe, você poderia escrever um artigo sobre O DIA DE SATÃ, o filme mais aterrorizante da minha infância? Se não puder, não tem problema", me pediu o Marcelo. Não fosse por ele, eu não descobriria as virtudes deste desconhecido filme classe B. Ou seja, estou escrevendo este artigo porque realmente gostei do filme, e não só para puxar o saco do chefe em busca de um salário maior (hehehehe). Ah sim: ele também disse que gosta mais de
O DIA DE SATÃ do que do
EVIL DEAD, mas pediu para que eu não contasse para ninguém, então que isso fique em segredo entre nós.
Infelizmente, a Internet é uma ferramenta traiçoeira: ao mesmo tempo em que existem 200 milhões de páginas sobre alguns filmes, sobre outros não há mais que 15 linhas. E este
O DIA DE SATÃ está incluído na segunda categoria. Nem o superpoderoso Internet Movie Data Base (
www.imdb.comD), que se orgulha de ser a maior fonte de informações sobre o cinema mundial, tem muito a dizer sobre o filme americano dirigido por Ferde Grofé Jr.


O que se sabe com certeza é que as informações contidas no velho Guia de Vídeos da Nova Cultural 1992 (que traz uma resenha bem mal-humorada sobre o filme, dando-lhe uma única estrelinha) estão erradas:
O DIA DE SATÃ não foi feito em 1978, mas sim dez anos depois, em 1988. O título original é
THE THIRD HAND (A TERCEIRA MÃO), mas nos Estados Unidos ele também é conhecido como
JUDGEMENT DAY (O DIA DO JULGAMENTO). Logo, chegamos à conclusão de que este é um caso raro em que a tradução nacional do título é mais chamativa e interessante do que o original - fala sério, você seria seduzido a locar um filme chamado
A TERCEIRA MÃO???
Filmes sobre adoradores do demônio e sobre o próprio coisa-ruim existem aos montes, mas este é diferente. De uma forma simples e com um orçamento visivelmente reduzido, o filme conta uma história sem grandes complicações, mas com uma capacidade extraordinária de acrescentar mais e mais elementos à sua própria mitologia. Assim, o que começa como mais um historinha igual a muitas outras logo vai tomando proporções maiores, desenvolvendo uma trama bem mais interessante e detalhada. Uma surpresa, enfim!
Convenhamos: a maioria dos filmes sobre adoradores do demônio e cidades misteriosas são muito, muito chatos. Até o supostamente "sério"
ADORADORES DO DIABO, de um diretor respeitável (John Schlesinger) e com um grande elenco (encabeçado por Martin Sheen) deu com os burros n'água e acabou pecando pelo exagero. Eu mesmo não gosto muito de produções do gênero porque acabam caindo nos mesmos clichês de sempre: pentagramas, rituais satânicos, etc etc. Por isso é uma surpresa que esta produção que fala sobre o demônio e sobre adoradores do dito cujo não só seja interessante, como ainda procura fugir dos clichês.

O DIA DE SATÃ começa com cenas no que parece uma velha vila mexicana ou espanhola. Mas a produção foi rodada nas Filipinas, como faziam muitos cineastas italianos com seus filmes sobre canibalismo ou sobre a Guerra do Vietnã. Acontece que além do lugar ter todas as características rústicas e uma fechada selva tropical, ainda havia muita mão-de-obra barata nas Filipinas. Por isso, filmes como
ZOMBIE 3, de Lucio Fulci/
Bruno Mattei, e a trilogia sobre o Vietnã
BRADDOCK, estrelada por Chuck Norris, foram rodadas por lá.
Voltando ao
DIA DE SATÃ, os créditos iniciais se desenrolam sobre imagens de um ônibus que leva não só descendentes de espanhóis, mas também dois amigos americanos, Pete Johnson (Ken McLeod, que depois passou a fazer filmes de artes marciais, como
RINGUE DE FOGO 2 e
DOUBLE DRAGON) e Charlie Manners (David Anthony Smith, que parece um jovem John Ritter), alegres e tocando violão, cercados pelos outros passageiros. Quando o ônibus está passando por uma estrada deserta, e por uma misteriosa velha vestida de preto da cabeça aos pés, um dos pneus fura, obrigando o motorista a parar.
Quando os dois turistas descobrem que terão que esperar três horas até passar outro ônibus, ou caminhar 60 quilômetros até San Marcos, a cidade mais próxima, eles decidem pegar outro caminho e ir para uma vila próxima, chamada Santana - uma sugestão da misteriosa velha de preto. Ao ouvir o nome do vilarejo, o motorista do ônibus gela de pavor e tenta convencer os jovens a não seguirem para lá. É claro que eles não escutam e partem em direção à cidadezinha, escoltados pela velha misteriosa. Assim que chegam ao local, a velha desaparece.


Então, você logo pensa que Santana é uma cidade-fantasma repleta de fantasmas e adoradores do demônio, certo? Bom, pelo título e pelo resumo no verso da capinha, eu também pensava. E aí vem a primeira surpresa: Santana é uma cidadezinha normal, com carros, estabelecimentos comerciais e até um hotel. O povo é bem normal, sem adoradores de Satã, vampiros ou fantasmas. Pete e Charlie também se surpreendem, devido ao alerta assustado do motorista do ônibus. A dupla só estranha que o local esteja bastante movimentado, com máscaras demoníacas penduradas na porta das casas, crianças estourando bombinhas e homens bebendo nos bares e gritando:
"O diabo é um filha da puta!".
Logo, os turistas vão parar na taverna local, dirigida por um compatriota americano, Enrique Samuel Flaherty, mais conhecido como Sam (Monte Markham, que depois fez o seriado BAYWATCH). Atencioso e simpático, o taverneiro oferece uma cerveja aos dois rapazes, mas se espanta ao saber que eles pretendem passar a noite em Santana. Então, conta aos dois (e ao espectador) a tenebrosa história sobre o vilarejo.
Aparentemente, três séculos antes, no ano de 1689, uma praga espalhou-se pela pequena Santana, matando boa parte da população. Então, os pioneiros fundadores da cidade conseguiram fazer um pacto com o demônio, entregando a alma de todos os habitantes da cidade em troca da sua salvação e do fim da epidemia. Assim foi feito, após o contrato assinado com sangue sobre um pergaminho feito em pele de animal. Mas o contrato tinha uma cláusula beneficiando os habitantes: o demônio só poderia coletar as almas dos habitantes em um único dia do ano, o Dia de Satã do título nacional. Que, é claro, é o mesmo dia em que os dois turistas vão parar na cidadezinha!
Desde 1689 e até os tempos atuais, os habitantes de Santana mantém a tradição de deixaram em massa a cidade, fechando todas as casas e estabelecimentos comerciais, para que o Dia de Satã passe sem que novas almas sejam coletadas - a não ser a dos desavisados que circulam pelo local naquelas 24 horas amaldiçoadas. E toda a cidadezinha volta à normalidade no dia seguinte, quando o perigo já passou.


Desnecessário dizer que os dois rapazes inicialmente não acreditam em uma palavra do relato de Sam. E o próprio taverneiro conta aquilo como se fosse uma lenda, para não assustar demais os jovens. Ao perceberem que realmente não haverá nenhum lugar para ficarem na vila, e que todos estão indo embora, Pete e Charlie decidem também deixar Santana. Sam até lhes oferece uma carona. Mas é claro que algo deixará todos eles presos no local em pleno Dia de Satã.
Acontece que Angela, filha do taverneiro, ficou presa dentro de uma velha torre nos arredores do vilarejo, enquanto brincava de esconde-esconde com os amiguinhos. Desesperado com o começo da noite que se aproxima, Sam sai em busca da filha, e os dois jovens resolvem ajudá-lo, apesar dos insistentes pedidos do novo amigo para que abandonassem imediatamente a cidade. Enquanto isso, na igreja de Santana, o padre Dominick (Peter Mark Richman, o professor chato que é morto por Jason em
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 8) cobre as imagens sacras com uma cortina preta, anunciando que coisas horripilantes irão acontecer ali.
A velha cidade, que já era esquisita de dia, fica totalmente tétrica à noite, e o diretor Grofé faz questão de filmar as ruas escuras, os prédios antigos e sinistros, sombras, os barulhos ao longe que assustam os personagens, deixando o espectador apreensivo e com aquela sensação de que uma desgraça iminente vai acontecer - mas demora a acontecer, aumentando o suspense! Então o grupo se separa: Sam, ainda em busca da filha, se distancia da cidade, e os dois turistas, que tinham resolvido ir embora da cidade, são atrapalhados pela chuva. Eles acabam parando num velho casarão em estilo espanhol onde vive um velho chamado Octavio (Cesar Romero, que interpretava o Coringa no velho seriado do Batman), um escravo negro com uma enorme cicatriz no rosto e uma bela filha espanhola, Maria (Gloria Hayes), por quem Pete se apaixona.
O misterioso Octavio parece não ter medo do Dia da Satã e convida os dois jovens a dormirem em sua casa, oferecendo sua hospitalidade e belas camas quentes e limpas. Pete aceita imediatamente, querendo passar a noite com Maria, mas Charlie resolve abandonar o local, com a sensação de que algo ruim vai acontecer. Caminhando sozinho pelas ruas escuras de Santana, Charlie finalmente vai descobrir que não há nada de lenda no Dia de Satã ao testemunhar a Procissão dos Condenados - um cortejo fúnebre onde demônios vestidos como monges, encobertos pelas sombras, caminham em fila indiana pelas ruas da cidade levando os condenados ao fogo do inferno, a chicotadas. O visual dos demônios é mostrado sem exageros, praticamente como pessoas normais, só que carecas e com longos dentes pontiagudos (lembrando o Nosferatu do filme de F.W. Murnau).


Ainda apavorado pela visão daquele verdadeiro pesadelo, Charlie leva um susto ao se deparar com Sam, todo esfarrapado e ensangüentado após outro encontro com os mesmos demônios.
"Seu tolo! Eu disse para vocês irem embora!", reclama Sam, recomendando que Charlie vá imediatamente buscar Pete e que saiam correndo de Santana. E dá ainda um outro conselho:
"Não confiem em ninguém! E cuidado com aquele com a terceira mão!".
O DIA DE SATÃ se desenvolve como um filme à antiga, sem perseguições frenéticas, duelos sangrentos, mortes exageradas ou grandes efeitos especiais pirotécnicos. Na verdade, apesar de ter sido feito em 1988, lembra aquelas produção feitas pelos estúdios ingleses Hammer e Amicus, com muito clima, cenários sombrios e situações de mistério e suspense no lugar da sangreira desatada. Existem até fantasmas interpretados como se fossem pessoas normais, sem apelar para efeitos especiais ou maquiagem. E o visual simples dos demônios que conduzem os condenados ao inferno é outro acerto: na maior parte do tempo eles são mostrados como pessoas comuns usando capuzes negros, o que às vezes é bem mais eficiente do que efeitos digitais.
Então, quem espera ver muito sangue e tripas vai se decepcionar, pois não há uma única gota aqui. Em compensação,
O DIA DE SATÃ é carregado de um forte clima de tensão, que deixa o espectador apreensivo para o que vai acontecer em seguida. No clímax da história, Charlie e Pete acabam descendo ao inferno para salvar Sam, que foi aprisionado pelos demônios. Lá, em um ritual macabro, o próprio diabo marca a fogo o peito dos condenados, que são levados até ele crucificados em cruzes de madeira - um momento arrepiante. O inferno é mostrado com muita criatividade e poucos efeitos especiais, usando e abusando de gelo seco, pessoas levando chicotadas e sendo martirizadas de diversas formas - o que chega a lembrar o inferno de José Mojica Marins no filme nacional
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER, que também foi feito com baixo orçamento e também tem as mesmas características, ou seja, fumaça de gelo seco, torturas, chicotadas e crucificações.


Contra a produção há o aspecto de que às vezes o filme se desenvolve muito lentamente - especialmente as cenas passadas no casarão de Octavio -, e mesmo que os dois heróis sejam jovens mais inteligentes que a média mostrada no cinema americano, eles às vezes têm algumas atitudes questionáveis (principalmente o fato de irem até o inferno, enfrentando no caminho o próprio diabo, para salvar Sam, o que qualquer pessoa comum jamais pensaria em fazer, ainda mais considerando a óbvia desigualdade numérica dos dois para o batalhão de demônios que havia ali). E, como acontece em todos os filmes do gênero, os jovens logo se revelam exímios lutadores, inclusive enfrentando no braço alguns dos demônios.
Um outro ponto que considerei negativo é a caracterização do demônio. Até então, o filme ia muito bem, mostrando tudo nas sombras, com poucos efeitos especiais, deixando espaço para a imaginação do espectador - o que é muito mais apavorante, convenhamos. Mas então o demônio aparece e o diretor faz questão de mostrar seu rosto em close. É o diabo mais clichê do cinema, com rosto deformado e enrugado, longos chifres (só faltou o rabo pontudo e o tridente), e ainda por cima vestindo uma ridícula capa que lembra aquelas de mágico de quinta categoria! Seria muito mais assustador mostrar o diabo como uma pessoa comum ou uma entidade que aparecesse sempre nas sombras, que não pudesse ser distinguida, do que apelar para aquela maquiagem chinfrim de demônio mambembe, que só assusta mesmo criancinhas.


Mas é muito pouco para desmerecer o filme, como fez o Guia de Vídeos da Nova Cultural. As cenas com o diabo chinfrim são mínimas e não chegam a estragar a diversão. E o clima de horror permanece, com um final surpresa que pega o espectador realmente de surpresa (não aqueles que você adivinha ainda na primeira metade do filme). Ao seu favor, também, o filme tem o roteiro interessante, que faz com que a gente se importe com os personagens - algo raro no cinema de horror atual.
Por isso, é injusto boicotar a produção, como fez a Internet em geral. Pior: além de poucos sites falando sobre o filme, estes que têm meia dúzia de linhas sobre
O DIA DE SATÃ ainda trazem informações incorretas, como informar que são quatro jovens que vão até Santana ao invés de dois ou que o diabo é interpretado por Cesar Romero. Cruzes! Será que esse pessoal viu o mesmo filme? E quanto às fotos foi o mesmo problema: a maior parte das imagens que você vê neste artigo foram feitas por mim mesmo, apontando uma câmera digital para a tela da TV, pois não há NADA na Internet...
O DIA DE SATÃ é uma obra toda de Ferde Grofé Jr. Ele dirigiu, roteirizou e até produziu o filme, ou seja, é uma produção completamente autoral. A Internet não tem muita informação sobre Grofé, nem mesmo se hoje ele está vivo ou morto. Mas, pelas informações do IMDB, este foi seu penúltimo filme - ele faria
HELL RAIDERS no mesmo ano de 1988 e depois sumiria para obscuridade. A única coisa sobre Grofé que é possível descobrir na Internet é o seu nome inteiro: Ferdinand Rudolph Von Grofé Jr., filho de Ferde Grofé Sr. O pai tocava violino na Orquestra Sinfônica de Los Angeles e também jazz com Paul Whiteman e Orquestra - chegou a fazer a trilha sonora de alguns filmes.


Quanto ao pobre Ferde Grofé Jr., começou a dirigir alguns westerns de baixo orçamento nos anos 60, tipo
THE PROUD AND THE DAMNED, disponível em DVD nos States, mas nunca teve uma carreira reconhecida - eu mesmo nunca tinha ouvido seu nome até ver
O DIA DE SATÃ. E considerando seu desaparecimento que já tem 16 anos, eu apostaria que o diretor acabou visitando a pequena Santana naquele único e amaldiçoado dia do ano...
10 CARAS DO DEMO
O diabo já apareceu em centenas, talvez milhares de filmes. Às vezes dá as caras pessoalmente, às vezes manda representantes, tipo o demônio Pazuzu em
O EXORCISTA ou seu próprio filho, o Anticristo, na série
A PROFECIA. Desde os primórdios do cinema, diretores, atores e técnicos em efeitos especiais têm trabalhado arduamente para criar novas e assustadoras versões do chamado Lúcifer, Mefistófeles, Belzebu e tantos outros nomes. Afinal, o monstrengo com chifres e cara deformada (tipo o mostrado em
O DIA DE SATÃ) não está com nada, e a moda agora é transformá-lo em uma figura mais humana e andrógina. Confira algumas das faces mais populares do demônio no cinema, e repare como grandes atores já se arriscaram a interpretar o cramulhão ao lado de alguns ilustres desconhecidos:
EMIL JANNINGS (
FAUSTO, 1926)
No clássico do expressionismo alemão dirigido por F. W. Murnau, nos tempos do cinema mudo, Satanás é mostrado como uma figura simpática ao tentar seduzir o velho Fausto para que ele venda a alma em troca da juventude. O ator alemão Emil Jannings foi responsável por uma das primeiras caracterizações do personagem, sem chifres ou orelhas pontudas. Chega a ser assustador.
LON CHANEY JR. (
THE DEVIL'S MESSENGER, 1961).
Conhecido por trabalhar sob pesada maquiagem em filmes de lobisomem, Lon Channey Jr. também encarou o papel do demo no filme
THE EVIL´S MESSENGER, da década de 60. Só que desta vez a maquiagem foi mais simples: dois corninhos na testa de Channey, e era isso! Não dá medo nem na vovó!
JACK NICHOLSON (
AS BRUXAS DE EASTWICK, 1987)
No filme de George Miller, Nicholson deita e rola com suas expressões malvadas no papel de um Satanás humano, que nunca aparece com chifres ou rabo pontudo, e ainda seduz três belas mulheres. Como o ator já tem uma expressão demoníaca (lembram de
O ILUMINADO?), foi fácil encarar o papel complicado.
ROBERT DE NIRO (
CORAÇÃO SATÂNICO, 1987)
No mesmo ano em que Nicholson fez o demo, De Niro roubou a cena como um misterioso personagem de cabelos compridos, barba e longas unhas chamado Louis Chypher. Quando o detetive interpretado por Mickey Rourke descobre que o nome é uma brincadeira com "Lúcifer" e não acredita, De Niro fica com os olhos vermelhos e diz:
"Se eu tivesse chifres e rabo pontudo, você acreditaria?". Filmaço!
JAMEY SHERIDAN (
A DANÇA DA MORTE, 1994)
Na minissérie baseada em um livro de Stephen King, Jamey interpreta Randall Flagg, um motoqueiro que, na verdade, é o demônio. Quando ele está em forma humana até engana, mas ao se transformar... cruzes! Uma maquiagem horrenda, pior ainda que a do
DIA DE SATÃ. Será que eles pensavam que alguém ia ficar com medo desse Satã de meia tigela?
VIGGO MORTENSEN (
ANJOS REBELDES, 1995)
Acredite se quiser, mas uma das mais assustadoras aparições de Satanás no cinema foi na pele de Viggo Mortensen, que depois faria o heróico Aragorn de
O SENHOR DOS ANÉIS. Em
ANJOS REBELDES, o diabo aparece no final, como coadjuvante, por menos de cinco minutos, mas seu discurso para os heróis e sua caracterização sinistra colocam Mortensen como um dos melhores intérpretes do demo no cinema, sem exageros, sem caretas e sem efeitos especiais.
AL PACINO (
O ADVOGADO DO DIABO, 1997)
Outro diabo em pele humana, como o Jack Nicholson de
AS BRUXAS DE EASTWICK. No filme de Taylor Hackfor, estrelado por Keanu Reeves, Pacino interpreta Satanás sem nunca apelar para efeitos especiais, embora exagere nas caretas no final, quando blasfema contra Deus. Ironicamente, o demo controla um escritório de advocacia!!!! Isso deve ter dado margem a muitas e muitas piadinhas...
GABRIEL BYRNE (
FIM DOS DIAS, 1999)
Neste filme estrelado por Arnold Schwarzenegger, Byrne não interpreta o demônio em pessoa, mas sim o humano cujo corpo foi possuído pelo diabo. Mas a interpretação cínica e o olhar maléfico valem uma citação. Pena que no final insistam em mostrar o diabo desencarnado como uma enorme serpente de fogo (CGI barato) perseguindo o Schwarzenegger...
HARVEY KEITEL (LITTLE NICKY, 2000)
O coitado do Keitel pagou o maior mico da história como um Satanás de orelhinhas pontudas e corninhos, tipo aqueles das historinhas da Turma da Mônica... Menos mal que o filme é uma comédia bobalhona, estrelada por Adam Sandler. Mas Keitel merecia coisa melhor e deve estar com vergonha na cara até hoje de ter entrado nessa furada!
ROSALINDA CELENTANO (
A PAIXÃO DE CRISTO, 2004)
Uma das melhores caracterizações de Satã no cinema em todos os tempos ficou para uma mulher, a atriz italiana Rosalinda Celentano, no filme de Mel Gibson. Ela interpreta um diabo andrógino (você fica até na dúvida se é mesmo uma mulheres a intérprete) e careca, com uma expressão malvada que chega a dar arrepios. E o melhor: sem efeitos computadorizados. Brrrrrr... Mas na vida real, a atriz é uma gatinha (quando deixa o cabelo crescer, claro).
Felipe M.Guerra
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O DIA DE SATÃ (The Third Hand/Judgement Day, EUA, 1988. 93 minutos)
Direção: Ferde Grofé Jr.
Roteiro: Ferde Grofé Jr.
Produção: Ferde Grofé Jr.
Música: ?
Fotografia: ?
Edição: ?
Direção de Arte: ?
Efeitos Especiais: ?
Elenco: Ken McLeod (Pete), David Anthony Smith (Charlie), Monte Markham (Sam), Peter Mark Richman (Padre Dominick), Cesar Romero (Octavio) e Gloria Hayes (Maria/velha de preto)
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