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Imagine se, durante as filmagens de seu "clássico" STALLONE COBRA, o galã Sylvester Stallone acidentalmente invadisse o set de QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS. E, para não perder o dia de filmagens, o malucão da Troma Lloyd Kaufman resolvesse dirigir algumas cenas de qualquer jeito. Se você conseguir visualizar algo do gênero, certamente chegará bem perto do que é DOLLMAN - 33 CM. DE ALTURA... E ATIRA!, um delicioso e irresistível trash movie lançado pela produtora Full Moon, aquela por trás de outros cults direct-to-video da década de 90, incluindo as franquias PUPPET MASTER e SUBSPECIES.
DOLLMAN (vamos esquecer o subtítulo HORROROSO com seu trocadilho pra lá de infame!) é um daqueles filmes que parecem rir da cara do espectador e gritar, a todo momento, "Veja só como eu sou ruim!", e mesmo assim você simplesmente não consegue desligar o videocassete e parar de ver. |
Pode até terminar com a maior cara de otário por ter perdido 80 minutos da sua vida com uma bagaça como esta, mas certamente vai ter tirado algo de produtivo - ou pelo menos terá se mijado de rir com a pobreza e com o absurdo, ou ainda vai lembrar dos efeitos chinfrins e da carnificina mostrada em efeitos exagerados!


Tomando emprestada a definição de um site gringo,
DOLLMAN é como se
O PEQUENO STUART LITTLE fosse estrelado por um minúsculo Clint Eastwood (!!!). A idéia, por si só, é um avacalho sem limites: Tim Thomerson, um dos atores mais cool do cinema classe B (como é que Quentin Tarantino ainda não o convidou para um de seus filmes?), interpreta seu milésimo papel de tira durão, desta vez um policial alienígena (!!!). Após 20 minutos em seu planeta-natal (que é idêntico à Terra, diga-se de passagem), o herói acaba sendo enviado ao nosso planeta azulão (mas você nem vai perceber a diferença, hehehe), onde, e aí está a grande piada, tem apenas 33 centímetros de altura em relação a nós, seres humanos normais!!!


Charles Band, o mestre da
Full Moon, parece ter uma tara sexual não-explicada por miniaturas, já que muitos de seus filmes trazem criaturinhas animadas em stop-motion (os brinquedos de
PUPPET MASTER,
BRINQUEDOS DIABÓLICOS,
DOLLS e outras podreiras, os diabinhos da franquia
SUBSPECIES, os humanos reduzidos de
O ALIEN DO MAL, as pequenas cabeças encolhidas de
CABEÇAS VOADORAS, e por aí vai...).
DOLLMAN tinha tudo para ser a grande realização de Band, uma aventura trash onde o policial intergaláctico passaria o tempo todo encolhido e andando em cenários gigantescos na Terra, enfrentando ameaças como bandidos gigantes (para seu padrão de altura, é claro) e até insetos, como baratas e ratos - para o tamanho do herói, verdadeiros monstros! Infelizmente, não é o que se vê na tela: com um orçamento reduzidíssimo, o espectador só consegue enxergar um Tim Thomerson
"em tamanho real", que raras vezes passa a impressão de ser uma criaturinha de 33 centímetros!


Inicialmente, o projeto foi idealizado como uma cópia trash de
QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS, um sucesso da Disney lançado em 1989 (e que gerou diversas seqüências e imitações). Band imaginava Tim Thomerson como um cientista às voltas com os problemas de ficar encolhido em nosso mundo cotidiano. O personagem só se transformou em policial durão quando entrou no projeto o
"cineasta" Albert Pyun, que assumiu o controle da película. Reconhecidamente um dos piores diretores de todos os tempos, o havaiano Pyun é a cabeça pensante (sim, isso foi uma ironia) por trás da série de ficção científica trash
NEMESIS (4 filmes), e de bobagens como a capenga versão cinematográfica de
CAPITÃO AMÉRICA (rodada a custo zero). Embora volta-e-meia ele até acerte o alvo (nos interessantes
JOGO DE ASSASSINOS e
ADRENALINA, ambos com Christopher Lambert), é muito difícil você dizer algo como
"Vi um filme bom dirigido por Albert Pyun". E o pior é que o sujeito foi ajudante e discípulo de um mestre do cinema, o japonês Akira Kurosawa, quando era adolescente e foi morar no Japão. Uma prova de que ou Pyun era um péssimo aluno ou Kurosawa, como professor, era um ótimo cineasta...


Enfim, foi Pyun que surgiu com a idéia de transformar o
"personagem encolhido" de
DOLLMAN em tira alienígena, ao invés de cientista humano, como queria o produtor Charles Band. O diretor uniu-se aos roteiristas Chris Roghair (em seu único crédito cinematográfico) e David Pabian (não-creditado, autor de
PUPPET MASTER 2 e
SUBSPECIES) para criar uma aventura maluca que começa muito bem e depois degringola, mas pelo menos sempre consegue deixar o espectador com um sorriso nos lábios, no esquema
"tão ruim que fica bom". E mantendo uma bizarra característica de seu
"trabalho", Pyun batizou o personagem-título como Brick Bardo (
"Dollman", ou
"Homem-Boneco", é apenas um apelido). Trata-se de uma homenagem a um amigo do cineasta, o cameraman Joseph Bardo, cujo apelido era
"Brick". Curiosamente, tal homenagem já havia sido feita em outros filmes de Pyun - existem
"Brick Bardos" em
VIAGEM RADIOATIVA,
UMA ESTRANHA EM LOS ANGELES,
CYBORG - O
DRAGÃO DO FUTURO,
NEMESIS 3 e outros.
"13 polegadas [33 cm.] com atitude", diz a frase no cartaz original de
DOLLMAN, que começa a 10 mil anos-luz da Terra, num planeta chamado Arturos. Ali vive uma sociedade tecnologicamente avançada (com naves espaciais e carros voadores), mas todo o resto é igualzinho à Terra: os políticos são corruptos, a TV é sensacionalista, os policiais são violentos, a criminalidade é alta e até mesmo as roupas e gírias são as mesmas - e uma cena importantíssima acontece dentro de uma lavanderia igualzinha àquelas que pipocam nas ruas dos Estados Unidos! Logo no início, um assaltante de banco psicótico (Frank Doubleday) foge da polícia e invade a tal lavanderia, pegando um montão de gordas e seus filhos gordinhos (!!!) como reféns.
"Se tentarem entrar aqui vão encontrar um monte de banha espalhada pelas paredes!", ameaça. A lavanderia é cercada, a polícia não sabe o que fazer e o prefeito sugere que se negocie com o refém para evitar problemas, pois, como acontece também por aqui, é
"ano de eleição".


Mas eis que entra em cena nosso herói, Brick Bardo (o ultracool Thomerson, vestindo sobretudo e usando óculos escuros, apesar de ser noite!!!). Num diálogo que parece saído de alguma cena de
STALLONE COBRA, os superiores discutem que Bardo está suspenso por sua truculência, que é para ele ficar longe da cena do crime, bla bla bla. Sem dar ouvidos, o herói entra tranqüilamente na lavanderia e, diante do olhar surpreso e estupefato do assaltante e dos reféns, simplesmente começa a lavar sua roupa!!! Quando o criminoso reclama e exige que Bardo saia do local, o herói saca sua arma - chamada Kruger Blaster,
"a arma mais poderosa de todo o Universo" -, aponta para a fuça do bandido pé-de-chinelo e diz, com toda a calma do mundo:
"Um de nós vai ter que sair, e eu já coloquei moedas na máquina". hahahaha. Genial! A conclusão da cena é de uma trasheira monumental: ao invés de crivar o seqüestrador de balas, Bardo começa a enojar as enormes reféns, dizendo que vai atirar em uma delas e espalhar gordura e intestinos pelas paredes. Resultado: uma das gordonas tem um ataque cardíaco e desmaia sobre o seqüestrador, que acaba ficando sem ar e também desmaia. hahahahaha
Tudo está bem quando acaba bem, mas é claro que Bardo tem que escutar a tradicional carraspana do prefeito e dos seus superiores. Pior: quando chega em casa, liga a TV e escuta
"informações não-confirmadas" sobre um massacre na lavanderia, quando é acusado de ter matado vários reféns a tiros. hehehe. O
"descanso" do herói é rapidamente interrompido quando um velho inimigo à procura de vingança o aprisiona. Trata-se de Sprug (Frank Collison, que teve um pequeno papel em
A VILA). Outrora um vilão normal, Sprug teve vários encontros anteriores com Brick Bardo, e em cada um deles o policial sempre explodia uma parte de seu corpo. Por isso, o malvado acabou reduzido a uma mera cabeça que voa com um par de foguetes de propulsão atados ao pescoço! hahahaha. Genial!!! Sprug quer vingança do herói e de todo planeta: quer explodir a chamada
"bomba de fusão dimensional" e reduzir Arturos a cinzas. Mas é claro que o tira espacial não planeja deixar aquilo passar em branco: usando um dispositivo magnético que tem numa das mãos (e que nunca é devidamente apresentado ou explicado ao espectador), Bardo atrai em sua direção a pistola Kruger Blaster, que estava em poder de um dos capangas de Sprug, e começa o massacre, disparando tiros que explodem os vilões em pedacinhos - literalmente!!! Espere só para ver a cena em câmera lenta do pistoleiro virando picadinho, numa explosão ultraviolenta de tripas e sangue!!!








Sprug, que não é bobo nem nada,
"flutua" até um disco voador que estava
"estacionado" nas proximidades e se manda dali. Bardo deixa o segundo capanga para morrer, com o torso arrebentado, e pega sua navezinha, iniciando a perseguição ao arquiinimigo. Assim encerra a melhor parte de
DOLLMAN: quando os personagens deixam Arturos, atravessam uma misteriosa
"faixa de energia" e vão para a Terra, o filme perde parte do seu charme, exagero e senso de humor... Isso porque, por algum misterioso motivo, o diretor Pyun e seus roteiristas Roghair e Pabian
"esquecem" que o projeto que eles têm nas mãos é uma bobagem e, acredite se quiser, tentam levar a coisa a sério. Você não leu errado: eles tentam passar uma mensagem de CRÍTICA SOCIAL dentro de uma aventura trash sobre um policial alienígena em miniatura! Assim que Bardo e Sprug deixam o planeta Arturos e caem na Terra, mais especificamente no bairro pobre e violento de South Bronx, uma colagem de imagens nos mostra flagrantes da miséria urbana: prostitutas, tráfico de drogas, mendigos pelas ruas, um assalto a uma loja de conveniência, guerra de gangues... É como se, de repente, aquela produção bagaceira da
Full Moon se transformasse num filme de Spike Lee!!!
O roteiro não demora a nos apresentar os personagens
"humanos" (lembre-se que Bardo e Sprug são
"aliens"). A principal é Debi Alejandro (Kamala Lopez), viúva que perdeu seu marido marginal justamente numa guerra de gangues, e que agora tenta transformar o bairro num lugar mais seguro para criar seu filho Kevin (Humberto Ortiz). Como Debi organiza um comitê de vigilância para denunciar meliantes, e expulsa ela mesma os traficantes da esquina da sua casa, passa a ser visada pela quadrilha do poderoso e violento Braxton Red (Jackie Earle Haley). Os brasileiros desconhecem a carreira de Haley, que foi um jovem galã dos anos 70 e caiu em decadência quando adulto. Mas, mesmo depois de ter aparecido em um trash como
DOLLMAN, o sujeito conseguiu dar a volta por cima: neste ano de 2007, concorreu ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu desempenho em
PECADOS ÍNTIMOS, de Todd Field. Não ganhou; mas quem disse que vilão trash não se dá bem na vida um dia? hehehehe


Mas continuemos: furiosos com a resistência de Debi ao tráfico, três marginais da gangue de Braxton agarram a moçoila, levando-a até um terreno baldio nas proximidades. Eles são Hector (Vincent Klyn, o vilão de
CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO, também dirigido por Pyun), Wick (John Eastman) e Jackson (Luis Contreras, de
REPO MAN). Claro que, coincidentemente, aquele é o mesmo terreno baldio onde caiu a nave de Brick Bardo. Os marginais estão para incendiar viva a pobre Debi, após jogarem gasolina sobre seu corpo, quando Bardo sai da pequena nave e dispara tiros da sua super-arma na galera. Como a pistola foi minituarizada, agora não explode mais os corpos, como fazia em Arturos; em compensação, abre cada rombo que até parece tiro de escopeta! Wick cai morto na hora, Hector toma um tiro na barriga e fica com as tripas para fora, enquanto Jackson sai correndo e é seguido pelo companheiro ferido. E Debi, surpresa e assustada ao mesmo tempo, resolve carregar Bardo e sua nave (do tamanho de um brinquedo!) de volta ao seu apartamento. Nem precisa dizer que o policial linha-dura fica puto ao ser tratado como brinquedo pelos
"gigantes" do planeta Terra, e não se preocupa nem um pouquinho em ser simpático... hehehehe.
"I hate fucking giants!", reclama para si mesmo.
Praticamente no mesmo momento, Braxton e um capanga passeiam pelo mesmo local que serviu de massacre para os bandidos há alguns minutos. E ali o chefão do crime organizado encontra a pequena nave de Sprug. O diálogo que se segue é genial e intraduzível:
Braxton: "Look! A head in the road!!!"
Capanga: "I don't see anything ahead..."
Braxton: "No! A head! In the road!"
(Na legenda em português esta última frase é traduzida como:
"Ali, uma cabeça pequeninha", ou algo do gênero... hahaha)


Sprug, o vilão alienígena, usa sua simpatia para fazer uma aliança com o vilão terrestre: ambos se juntam para destruir Brick Bardo, e Sprug promete presentear Braxton com sua poderosa bomba de fusão dimensional, capaz de desintegrar tudo num raio de
"3 parsecs", segundo a cabeça voadora. Duas dúvidas: vá saber que utilidade tem uma cabeça alienígena voadora e em miniatura para um rei do tráfico repleto de capangas, metralhadoras e explosivos... E vá saber que diabos é um
"parsec!". hahahaha. Até então, Braxton não sabe da existência do pequeno Brick Bardo. Quando volta ao covil da sua gangue, entretanto, ele encontra o que sobrou de Hector sobre uma poça de sangue, em cima da mesa de sinuca. E, desesperado, grita:
"My fucking pool table!!!". hahahaha. Neste momento, Sprug convence Braxton e seus homens de que Bardo é uma ameaça e precisa ser destruído.
O restante da história nem precisa ser narrado: Bardo dá um tempo na sua tentativa de consertar a nave e voltar a Arturos, pois resolve ajudar Debi e os bons cidadãos de South Bronx (acredito que sejam uns sete ou oito, hehehe), livrando o bairro da quadrilha de Braxton, explodindo os criminosos com sua super-arma alienígena. Apesar do sujeitinho ter apenas 33 centímetros, acredite, ele é mais invocado que muito brutamontes e consegue dar conta do recado com a maior facilidade!!! Claro que ajuda o fato de sua pistola Kruger Blaster (que parece uma Magnum .357) abrir rombos nos marginais e até mesmo arrancar seus braços!!! hahaha


Algumas das melhores tiradas de
DOLLMAN só funcionam graças à presença de Tim Thomerson no papel-título. Fosse qualquer outro ator interpretando Brick Bardo e o filme não teria nem metade da graça. Thomerson está perfeitamente tranqüilo no papel, bem humorado e cínico, consciente da bobagem em que está metido - e o principal pré-requisito para participar de um trashão como estes da
Full Moon é o bom humor. Mantendo permanentemente a expressão de quem está puto com a vida, e odeia ficar perdido num mundo esquisito entre aqueles
"gigantes", Brick Bardo chama crianças de
"piece of shit", se enfurece ao ser tratado como brinquedo e resolve descontar a raiva nos pobres bandidos, que comem o pão que o diabo amassou nas mãos do pequeno herói. Embora Thomerson não tenha aqui tiradas tão divertidas quanto na série
TRANCERS (onde também interpreta um policial durão, só que em
"tamanho normal"), em alguns momentos ele consegue chamar para si o espetáculo, como na luta final. Ao ver bandidos e carros sendo explodidos pelo pequeno herói, um marginal reclama:
"What the fuck is this?" (Mas que porra é essa?). Com a maior tranqüilidade, antes de disparar mais um tirambaço, Bardo fala com o canto da boca:
"Urban fucking renewal" (A porra da renovação urbana)!!!
Aliás, vale ressaltar que
DOLLMAN deve ser um dos filmes com maior número de palavrões da história do cinema: o termo
"fuck" é utilizado como verbo, conjunção, adjetivo, substantivo... Eu sei que
SCARFACE, de Brian DePalma, é um dos recordistas neste quesito, com 207
"fucks". Porém
SCARFACE tem quase três horas, e
DOLLMAN mal chega aos 80 minutos, logo detém com folga o recorde de
"maior número de fucks por segundo". Basta analisar o
"monólogo" de um dos membros da quadrilha de Braxton para ter uma idéia da boca-suja da galera (vou transcrever em inglês porque seria impossível traduzir mantendo a
"essência", hehehe):
"What the fuck are we fuckin' waitin' for? I mean, fuck this shit! Fuck man, the fuckin' set-up is fucked up! The little fucker knows what kind of fuckin' shit is waiting here to fuck him up! So lets get the fuck out of this fuckin' deal and go lookin' for the tiny motherfucker!!!". Se numa única frase tem tantos
"fucks", imagine no filme inteiro... Perdi a conta!


Como nem tudo são flores - e, afinal, o diretor desta tralha é o péssimo Albert Pyun -,
DOLLMAN é um filme bem longe da perfeição (e quando eu digo isso quero na verdade dizer que poderia ser bem mais divertido). A
Full Moon é popular pelos seus efeitos bagaceiros em stop-motion, usados principalmente nas franquias
PUPPET MASTER e
SUBSPECIES. Sendo assim, foge à minha compreensão o porquê de Brick Bardo não ser animado com efeitos em stop-motion, pelo menos em algumas cenas. Devido à produção barata, raramente vemos o herói em contraste com algo
"de tamanho normal"; o diretor prefere mostrar todas as cenas de Bardo em close e, com truques simplórios de fotografia (como posicionar a câmera de cima para baixo), o espectador é obrigado a engolir que Tim Thomerson está
"encolhido", o que nem sempre funciona.
Seria legal ver o ator interagindo com ratos e outros insetos através de efeitos melhorzinhos - nas duas cenas envolvendo animais, no caso um rato e uma barata, o ator nem chega a interagir com os bichos, a edição apenas intercala sem muita criatividade takes de um e de outro. Além disso, nem mesmo cenários em escala
"gigantesca" foram construídos para que Thomerson pudesse atuar - numa cena em que ele caminha por um terreno baldio, vê-se claramente que a grama e as capoeiras no chão têm
"tamanho normal", quando deveriam ser maiores em relação ao miniaturizado Brick Bardo. Logo, é uma pena que o filme tenha um personagem em miniatura e raramente explore o fato de o herói ter apenas 33 centímetros!!!


O sonho do produtor Charles Band era transformar as aventuras do minúsculo tira espacial em mais uma interminável e bem-sucedida franquia da
Full Moon - afinal, a série
TRANCERS, estrelada por Thomerson, sempre foi um sucesso cult nos Estados Unidos. Infelizmente,
DOLLMAN não vingou, mesmo com Band teimosamente incluindo o personagem em outros dois filmes (ele aparece no epílogo de
O ALIEN DO MAL, de Ted Nicolaou, e num crossover com outra franquia da
Full Moon, no divertido
DOLLMAN CONTRA OS BRINQUEDOS DIABÓLICOS, de 1993, dirigido pelo próprio Charles Band, utilizando algumas cenas do original na edição para economizar!).
"Eu sempre achei uma vergonha o fato de Dollman ter aparecido em apenas dois filmes, ou três se você contar o final de O ALIEN DO MAL", lamentou o produtor numa entrevista a um site de cinema fantástico.
"Ele era um ótimo personagem, no topo da minha lista, e eu adoraria trazê-lo de volta. Claro que agora eu teria que encontrar um novo ator... Mas ele é um grande pequeno personagem, que funciona bem na dimensão de brinquedos e bonecos que eu criei".
Já o diretor Pyun não guarda boas recordações de
DOLLMAN, já que o orçamento da produção era menor que o próprio Brick Bardo!
"Foi uma filmagem difícil, porque não havia dinheiro", confessou na entrevista a um site.
"Charlie [Charles Band] é um cara muito legal, mas as severas restrições orçamentárias foram um desafio muito grande, mesmo para uma produção de apenas 12 dias de filmagem. Foi uma filmagem muito tensa com uma equipe muito decepcionada". Questionado se tinha gostado da seqüência
DOLLMAN CONTRA OS BRINQUEDOS DIABÓLICOS, Pyun respondeu apenas que não a viu.
Entre mortos e feridos,
DOLLMAN - 33 CM. DE ALTURA... E ATIRA! (ah, este maldito subtítulo nacional... hahaha) é um daqueles trash movies impagáveis que você pode até odiar, mas com certeza vai comentar por muito tempo com os amigos - e, daqui há uns 10 anos, vai estar pensando:
"Como é mesmo aquele filme do policial alienígena em miniatura que mata traficantes no planeta Terra?". É a opção perfeita para assistir bêbado ou chapado (embora os 20 minutos iniciais, no planeta Arturos, sejam o ponto alto), e uma daquelas pérolas que só podem ser indicados para pessoas com um senso de humor muito, mas muito peculiar. Pois estes, e só estes, não irão quebrar a fita em 200 pedaços na cena em que uma amiga de Debi solta a pior frase do filme inteiro:
"Bem que eu gostaria de ver um homem de 33 centímetros...". hahahaha. E ainda dizem que tamanho não é documento!
OUTROS PERSONAGENS EM MINIATURA
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SCOTT CAREY 
- Filme: "
O Incrível Homem que Encolheu" (The Incredible Shrinking Man, 1957)
Reprisado infinitas vezes na madrugada da TV aberta, este pequeno clássico da ficção científica dos anos 50 mostra um homem comum, o pobre Scott Carey (Grant Williams), sendo atingido por uma estranha névoa durante um passeio de barco. De maneira inexplicável, Carey começa a encolher progressivamente, sendo obrigado a mudar-se para uma casa de bonecas (!!!), enquanto é acompanhado de perto por equipes médicas espantadas com o fenômeno. Paralelamente, ele vive as aventuras típicas de quem fica minúsculo num planeta como o nosso: o gato da casa se transforma num monstro gigantesco, minúsculas gotas d'água têm o mesmo poder de um arrasador dilúvio, e até insetos, como aranhas, tornam-se perigosas ameaças. O roteiro é do mestre da literatura fantástica Richard Matheson, e um remake está previsto para 2008.
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• PAT KRAMER
- Filme: "A Incrível Mulher que Encolheu" (The Incredible Shrinking Woman, 1981)
Se houve um homem que encolheu, certamente deveria existir também uma mulher. hehehehe. Trata-se de um clássico da Sessão da Tarde do SBT, misteriosamente inédito em vídeo e DVD no Brasil. Nesta comédia de Joel Schumacher, Lily Tomlin é a dona de casa Pat Kramer, que, contaminada por uma mistura de produtos de limpeza, começa a encolher. O fato provoca comoção nacional, atrai a atenção de cientistas, provoca problemas na família da agora pequenina dona de casa e leva a pobre Pat a ser seqüestrada por uma organização criminosa, que quer estudar a pequena mulher na tentativa de criar uma fórmula para encolher todo o planeta! |
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ENFERMEIRA GINGER

- Filmes: "
O Alien do Mal" (Bad Channels, 1992) e
"Dollman Contra os Brinquedos Diabólicos" (Dollman Versus Demonic Toys, 1993)
A linda Melissa Behr interpreta a enfermeira Ginger, que, no trash
O ALIEN DO MAL, de Ted Nicolaou, foi minituarizada pelos raios de um malvado invasor extraterrestre. Incapaz de voltar ao seu tamanho normal, a pequena loirinha se transforma em namorada de Brick Bardo (sim, o herói de
DOLLMAN), reaparecendo ao seu lado no
"crossover" DOLLMAN CONTRA OS BRINQUEDOS DIABÓLICOS, onde quase é estuprada por um dos bonecos do Mal numa casinha de bonecas!!! Quem disse que é fácil a vida de mulher encolhida?
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MINI-ASHES

- Filme: "
Uma Noite Alucinante 3" (Army of Darkness, 1992)
Na terceira parte da série
EVIL DEAD, Ash (Bruce Campbell) vai parar na Idade Média. Numa noite assombrada num velho moinho, o herói pateta comete o erro mortal de quebrar um espelho. Pois os fragmentos de seu reflexo no espelho quebrado se transformam em
"mini-Ashes", versões em miniatura e muito malandras do próprio Ash! As incontáveis criaturinhas passam longos minutos torturando o herói de todas as maneiras possíveis, até que uma delas comete suicídio atirando-se goela abaixo do
"gigante" - e fazendo nascer
"Badash", a versão malvada de Ash. Mais uma viagem do aloprado Sam Raimi, que nem todo mundo achou engraçada.
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A TURMA DE "TERRA DE GIGANTES"

- Seriado televisivo
"Terra de Gigantes" (Land of the Giants, 1968)
O clássico seriado produzido por Irwin Allen, várias vezes reprisado na TV brasileira, passava-se no
"futuro" ano de 1983, quando uma nave espacial decolava da Terra e caía numa versão alternativa do planeta. Nesta dimensão paralela, tudo era 20 vezes maior. Os pequeninos são caçados pelo governo ditatorial da
"Terra de Gigantes", enquanto tentam encontrar uma forma de voltar ao seu próprio planeta. Apesar de ser uma produção televisiva barata, e dos anos 60, os efeitos especiais e os cenários em dimensão maior para criar a ilusão de
"gigantismo" são muito superiores aos de
DOLLMAN, feito quase 30 anos depois!
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• CHAPOLIM COLORADO
- Seriado televisivo "Chapolim" (El Chapulín Colorado, 1973)
Hahahahaha! Eu não resisti! É claro que o clássico herói de roupa vermelha e anteninhas de vinil, interpretado por Roberto Gómez Bolaños, não é uma miniatura. Mas lembram que em mais de um episódio ele encolhia após tomar suas fantásticas "pílulas de nanicolina" (hahaha)? Curiosamente, também, os efeitos bagaceiros de chroma-key usados no seriado setentista mexicano são muito, mas muito melhores que os efeitos especiais de DOLLMAN, que é de 1991! Ou seja: Charles Band tinha muito que aprender com a turma do Chapolim, cujo orçamento certamente era ainda mais reduzido que o da Full Moon!
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Felipe M.Guerra
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DOLLMAN (Dollman, EUA, 1991)
Direção: Albert Pyun
Roteiro: Charles Band; David Pabian; Chris Roghair
Produção: Cathy Gesualdo
Produção Executiva: Charles Band
Fotografia: George Mooradian
Desenho de Produção: Don Day
Direção de Arte: Phil Brandes
Música: Anthony Riparetti
Figurino: Cindy Rosenthal
Edição: Margeret-Anne Smith
Elenco: Tim Thomerson (Brick Bardo); Jackie Earle Haley (Braxton Red); Kamala Lopez-Dawson (Debi Alejandro); Humberto Ortiz (Kevin Alejandro); Nicholas Guest (Skyresh); Judd Omen (prefeito); Michael Halsey (Cally); Frank Doubleday (Cloy); Frank Collison (Sprug); Vincent Klyn (Hector); John Durbin (Fisher); Merle Kennedy (Maria); Luis Contreras (Jackson); Eugene Robert Glazer (Capitão Shuller); Richard D'Sisto (Armbruiser)
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