PÂNICO NA ILHA

Por Felipe M.Guerra

Enfim uma sátira aos slasher movies que não ofende a inteligência!

Os brasileiros são um povo sofrido quando se fala em humor e humoristas. Os melhores programas de humor foram cancelados (tipo TV PIRATA, OS NORMAIS e ARMAÇÃO ILIMITADA), enquanto as maiores porcarias, aquelas mais sem graça, continuam na telinha por anos a fio (CASSETA & PLANETA, ZORRA TOTAL, A PRAÇA É NOSSA, etc etc.). Tirando raros casos, o humor nacional é baseado no ridículo e na repetição. Será que eles acham mesmo que é engraçado falar pela milésima vez nas Organizações Tabajara ou inventar personagens que repetem, todo sábado, os mesmos bordões, só mudando o cenário?
Dá ainda mais tristeza constatar o humor refinado e inteligentíssimo que existe fora do Brasil, como o grupo inglês Monty Python. Ou o programa americano "Saturday Night Live", de onde saíram astros de comédias dos anos 80 e 90, como Bill Murray, John Belushi, Chevy Chase e, mais recentemente, Mike Myers, Jimmy Fallon, Adam Sandler e Will Ferrell, entre outros.
Também nos States, existe um grupo desavergonhado de humoristas chamado Broken Lizard, que a crítica americana está taxando (talvez um tanto precipitadamente) de "o novo Monty Python". Eles não têm programa de TV (ainda), mas se reúnem para fazer cinema, como o trio Zucker-Abrahams fazia nos bons tempos de APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU... e TOP SECRET.

Pois como os velhos Pythons, os insanos integrantes do Broken Lizard resolveram investir em filmes para o cinema, roteirizados e estrelados por eles mesmos. O primeiro foi PUDDLE CRUISER, inédito no Brasil. Depois veio a engraçada comédia SUPERTIRAS, onde eles tiram uma onda com o dia-a-dia de policiais rodoviários do interior dos Estados Unidos. O filme tem toneladas de abobrinhas, mas muitas piadas engraçadas e nenhuma vergonha na cara ao falar de drogas e baixaria - numa cena, um policial se masturba e resolve apontar o radar no próprio pênis para conferir a velocidade do ato solitário. Neste ano, o Broken Lizard voltou à carga: agora, resolveu aprontar com os slasher movies. Qualquer pessoa minimamente informada vai pensar que trata-se de um novo TODO MUNDO EM PÂNICO. Felizmente, não é!



A diferença é que BROKEN LIZARD´S CLUB DREAD, o tal filme slasher cômico do grupo, não ofende a inteligência do espectador, como TODO MUNDO EM PÂNICO, e realmente trata os clichês dos slasher com o maior respeito - enquanto o anterior se perdia em piadas sobre sexo e aquelas tiradas nonsense que ninguém agüenta mais. Ou seja, é uma comédia... mas também é um slasher movie, com todo sangue e mortes que um slasher movie deve ter!

Fazer graça com este subgênero, onde assassinos mascarados saem matando a maior parte do elenco, nem sempre é uma boa idéia. A maioria das tentativas acabou mal, abusando das piadas e errando na dose de sangue e tripas - caso do TODO MUNDO EM PÂNICO, por exemplo, e isso que virou série com duas continuações ainda mais idiotas. Até eu tentei fazer a minha parte, ao dirigir, em 2001, o filme amador ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO, que se divide em duas partes distintas: começa comédia e termina terror. Mas talvez o slasher cômico do Broken Lizard ainda seja a melhor tradução de como deveria ser uma comédia do gênero.

CLUB DREAD, que em qualquer país civilizado ganharia uma tradução como lhe convém (CLUBE HORROR ou CLUBE DO PAVOR), no Brasil virou PÂNICO NA ILHA. Talvez as distribuidoras nacionais ainda não tenham percebido que estão forçando a barra em comparar todo e qualquer filme novo de terror ou comédia de horror com a série PÂNICO ou com TODO MUNDO EM PÂNICO. Infelizmente, o mesmo já tinha acontecido antes com SHAUN OF THE DEAD, que virou TODO MUNDO QUASE MORTO, e WRONG TURN, que virou PÂNICO NA FLORESTA. Aliás, quem será que elegeu a trilogia PÂNICO uma referência tão grande para guiar as traduções de todo e qualquer filme no Brasil? Credo!



Ao contrário de um Casseta & Planeta da vida, que estreou no cinema (no péssimo A TAÇA DO MUNDO É NOSSA) repetindo os personagens e piadas que já faziam na TV, o Broken Lizard entrega um filme com vida própria - você nem precisa saber o que diabos é "Broken Lizard" para se divertir. Todos os membros do grupo são creditados como roteiristas - Jay Chandrasekhar, Kevin Heffernan, Steve Lemme, Paul Soter e Erik Stolhanske. Como nos dois filmes anteriores, a direção é de Chandrasekhar. Todos eles, também, aparecem como personagens do filme.

CLUB DREAD se passa em uma ilha paradisíaca da Costa Rica chamada Coconut Pete's Pleasure Island (Ilha dos Prazeres de Pete Coco). No caso, Coconut Pete (interpretado por um engraçadíssimo Bill Paxton) é um astro de rock dos anos 70 e 80 que cansou de usar drogas pesadas e comer tietes, resolvendo se aposentar e transformar em realidade o sonho de todo hippie: uma ilha onde o sexo e as drogas são liberadas, e há diversão toda noite com festas na piscina, luaus, shows de rock, danceteria, etc. etc. O lugar é uma cobiçada colônia de férias para jovens americanos, sendo controlado por uma seleta equipe de funcionários de Coconut Pete - especializados em fazer qualquer coisa para que os convidados se divirtam.



É na equipe da ilha que atuam os rapazes do Broken Lizard. Chandrasekhar interpreta Putman, um instrutor de tênis indiano com cabelo rastafári e sotaque inglês (!!!); Steve é Juan, o instrutor de mergulho com sotaque latino; Paul é Dave, o DJ sobrinho de Coconut Pete, fornecedor de drogas oficial da ilha; Erik é Paul, o "policial da diversão", cujo único objetivo é fazer com que os hóspedes se divirtam, e Kevin é Lars, um massagista com dedos mágicos, que provoca reações esquisitas nas pessoas sempre que as encosta em determinado ponto do corpo (uma brincadeira com aqueles velhos truques dos filmes japoneses, tipo o "golpe dos cinco pontos que explodem o coração", de KILL BILL). A equipe tem ainda a gostosíssima Jenny (Brittany Daniel), professora de aeróbica, e a oriental Yu (Lindsay Price) - cujo nome rende um trocadilho intraduzível com "you", que significa você, em inglês. E Coconut Pete é assessorado pelo segurança Hank (M.C. Gainey), que acompanha o patrão desde os tempos das turnês regadas a sexo e drogas.

O filme começa com alguns dos funcionários de Coconut Pete entrando no meio da selva (sim, a ilha tem uma boa parte de mata inexplorada) para uma seqüência gratuita de sexo, nudez e consumo de drogas, que lembra qualquer SEXTA-FEIRA 13. Um rapaz e duas garotas tentam transar primeiro no meio de um cemitério, depois dentro de um velho mausoléu. É quando aparece um assassino trajado com roupas indígenas, mascarado (é óbvio), e levando um enorme facão, que usa para matar dois dos jovens. Uma loirinha escapa correndo até chegar à beira de um precipício. Desequilibrada, quase cai, mas se agarra à primeira coisa que encontra. Quando vai ver, é a lâmina do facão do assassino - e seus dedos vão lentamente escorregando e cortando na lâmina, numa cena que poderia muito bem estar num filme de horror "de verdade". Logo, o matador despacha também a mocinha e entram os créditos iniciais do filme.



Numa brincadeira divertida, após os créditos a história retorna "algumas horas" no tempo, mostrando o trio de presuntos anteriormente despachados quando ainda estavam vivos. É engraçado porque os três, em questão de minutos, enfurecem praticamente todos os outros personagens (e a câmera dá um close no olhar furioso), dando a cada um motivos para ser o assassino que viria a matá-los - e brincando com aqueles filmes onde o objetivo é descobrir a identidade do assassino. De qualquer forma, ninguém sente a falta dos três funcionários por um bom tempo e a festa acontece de qualquer jeito, com Coconut Pete lembrando seus funcionários a todo momento: "Gente, pelo amor de Deus, transem com os hóspedes! Alguns nem são tão feios!".

Enquanto vamos recebendo mais informações sobre os personagens, acontece a inevitável cena onde o grupo está reunido ao redor de uma fogueira à noite. Então, o DJ Dave resolve contar uma velha história que teria acontecido na ilha, sobre um misterioso assassino chamado Machete Phill (Phill Facão, na tradução nacional), que cometeu uma série de crimes no local até cortar acidentalmente o próprio pênis (!!!). Ele então ficaria rondando a floresta, com seu afiado facão e sempre perguntando: "Onde está meu pênis? Onde está meu pênis?". Nem funcionários, nem hóspedes imaginam que um verdadeiro assassino com machete está rondando o lugar, e parece ter uma vingança pessoal contra os funcionários da ilha, já que os hóspedes nunca são molestados.

A resposta para o mistério pode estar numa música gravada por Coconut Pete nos anos 70, chamada "Naughy Cal", uma baboseira sem sentido que o roqueiro nem lembrava de ter composto (!!!), numa referência à clássica trama policial O CASO DOS 10 NEGRINHOS, de Agatha Christie, onde um assassino inspirava-se numa cantiga infantil para despachar suas vítimas. Este detalhe institui a paranóia entre o grupo, à medida que eles analisam a música e tentam descobrir como serão mortas as próximas vítimas - numa cena impagável, Dave tenta convencer os amigos que o cabelo rastafari de Putman parece um polvo, pois a canção cita que uma das vítimas será morta por um polvo!!!



CLUB DREAD bombardeia o espectador com dezenas de homenagens e citações a filmes de horror e cultura pop (as capas dos discos de Coconut Pete, por exemplo, são impagáveis). Mas está anos-luz à frente da série TODO MUNDO EM PÂNICO, onde o espectador precisava ter visto diversos filmes para entender as piadas e citações (especialmente a terceira parte, que só acha graça quem viu O CHAMADO). Em CLUB DREAD a brincadeira é mais sutil e não há necessidade de fazer a "lição de casa" e conhecer tudo sobre filmes de horror para entender as brincadeiras. Claro, algumas cenas serão ainda mais engraçadas para quem entender a citação, como a impagável piada com o hábito do assassino de O SILÊNCIO DOS INOCENTES de esconder o pênis entre as pernas para simular uma vagina (e que mostra muito bem como a trupe do Broken Lizard não tem a menor vergonha na cara!). Mas a maioria das homenagens vai fazer sentido mesmo para quem não sacar de onde veio a inspiração, como na citação da clássica cena da "visão por dentro da máscara", inaugurada por Michael Myers em HALLOWEEN, ou na enésima brincadeira com PSICOSE, onde uma gatinha, já ciente de que há um assassino à solta, resolve recusar um banho de chuveiro com medo de ser a próxima "Janet Leigh".

E o melhor mesmo é que o filme, como SHAUN OF THE DEAD, tem um pouco dos dois gêneros: existe a comédia, mas sem avacalhar com o terror, que é levado a sério. As cenas de assassinato são bem sangrentas, há faconaços no pescoço, cabeças decepadas e até pessoas partidas ao meio. Alguns espectadores vão acabar encarando como um verdadeiro filme de horror bem humorado, como se fazia muito nos anos 80 (tipo A HORA DO ESPANTO).

CLUB DREAD tem ainda uma divertida brincadeira com aquela velha tradição de que os assassinos de filme de horror não morrem facilmente (e que, modéstia à parte, também está no meu filme amador ENTREI EM PÂNICO..., feito três anos antes). Por mais que o coitado do assassino de CLUB DREAD apanhe e leve golpes, chegando ao ponto de ser fartamente mutilado pelos personagens, ele sempre acaba abrindo os olhos e voltando a atacar, numa seqüência de sustos impagáveis para quem lembra das milhares de ressurreições de Jason e Michael Myers em seus filmes!



Uma das melhores coisas a respeito de CLUB DREAD é que, ao contrário de nove entre 10 slasher movies "sérios", existe o desenvolvimento dos personagens. Os integrantes do Broken Lizard são simpáticos e engraçados, e cada um acaba imprimindo detalhes significativos ao seu personagem - como também acontecia em SUPERTIRAS. Sendo assim, cada espectador certamente terá seu personagem preferido (o meu é o latino Juan, que com seu péssimo sotaque faz sucesso entre as mulheres e até fatura a gata do filme). E sendo assim, também, fica fácil simpatizar com os personagens e lamentar quando morrem - sim, vários vão para a faca, afinal, trata-se de um slasher movie. A impressão que fica é que todo mundo está se divertindo pra caramba, como seus personagens. Inclusive um ator veterano, como Paxton, que deita e rola ao fazer seu Coconut Pete o mais "malucão" possível, sempre doidão e a fim de festa. Já os integrantes do Broken Lizard são amigões de longa data e loucos na vida real também, então fica fácil interpretar juntos - dê uma olhada em www.brokenlizard.com, no blog do grupo, para ver como falam bobagem esses caras!

Outro detalhe curioso é que, lá pelas tantas, o roteiro começa a lançar diversas pistas falsas para que não se adivinhe facilmente a identidade do assassino. Brincando com os clichês dos filmes do gênero, o filme vai bombardeando o espectador com segredos de cada um dos personagens, como o fato de Juan ter sido preso por um crime que ninguém sabe qual é, de Jenny ter ganhado um programa de aeróbica na TV depois que a sua chefe foi envenenada "acidentalmente", de Paul ter um trauma de infância relacionado a um show de Coconut Pete, e por aí vai. Também entra na trama uma gatinha chamada Penelope (Jordan Ladd, de MADHOUSE e CABANA DO INFERNO, que aparece pelada!!!), muito estranha e com um suspeito olhar maluco. Bem, você pode até fazer suas apostas, mas é praticamente impossível identificar o assassino até que ele revele sua identidade. Lá pelas tantas, qualquer um pode ser o dito-cujo!



Ao contrário de SUPERTIRAS, que bombardeava com dezenas de piadas por segundo, CLUB DREAD é mais contido e diversas vezes apela para o suspense e para o horror, esquecendo temporariamente do humor. Assim, quem espera um filme para se esborrachar de rir pode acabar ficando decepcionado com a mistura - e quem não gosta de terror deve ficar longe. Claro que o filme tem vários momentos divertidos, incluindo cenas do mais puro besteirol, como uma competição “live action” de Pacman (!!!), onde os funcionários da ilha vestem-se de frutas - os bônus para o jogador no videogame, lembra? A partida se desenrola em um labirinto feito de cerca-viva, que talvez seja referência ao famoso labirinto do filme O ILUMINADO, de Stanley Kubrick.

Além da razoável dose de violência, CLUB DREAD também não poupa o espectador de linguagem chula e várias piadas referentes a sexo, lembrando aquelas pornochanchadas dos anos 80, tipo O ÚLTIMO AMERICANO VIRGEM. De ídolos antigos com o pênis ereto a vibradores e mulheres peladas, o filme é repleto do mais puro baixo-nível - o que é saudável dentro da proposta. E todo o tempo de projeção é pontuado por belas gostosas de biquíni (ou sem ele).

No fim, ainda que não seja tão criativo e inteligente quanto SHAUN OF THE DEAD, dá a maior vontade de ver CLUB DREAD mais uma vez, mesmo já sabendo tudo que vai acontecer. E o filme não deixa saudade das piadas infames da série TODO MUNDO EM PÂNICO ou do horrendo HISTERIA: aqui o assassino não tem pena de ninguém e sai massacrando até personagens importantes do roteiro. Uma boa pedida tanto para quem procura uma comédia escrachada com doses de horror quanto para quem quer um filme de terror sangrento com pitadas de humor. E olha que não é fácil de satisfazer os dois tipos de público...



Para encerrar, só dois comentários. Primeiro, que é uma pena os dois filmes de terror/humor mais divertidos do ano terem ido direto para as locadoras, sem uma chance no cinema - isso que o trailer de CLUB DREAD chegou a ser exibido nos cinemas no começo do ano. Uma pena, também, que o filme tenha ganhado um título tão lamentável e dispensável quanto PÂNICO NA ILHA. O segundo comentário diz respeito à edição nacional do DVD: embora não tão completa quanto a americana, o disquinho brasileiro traz 15 minutos de cenas deletadas ou alternativas, relativos à “versão do diretor” do filme. Acontece que nos EUA, originalmente, os cinemas exibiram CLUB DREAD com 104 minutos (mesmo tempo da versão do DVD nacional). Mais tarde foi lançada a versão sem censura de 119 minutos, contendo estas cenas que constam como extra no disco brasileiro. São 15 minutos que realmente valem uma olhada, pois é surpreendente como cortaram coisas do filme - inclusive uma longa cena onde dois policiais da Costa Rica são mortos pelo assassino.

Logo, naquele seu próximo sábado de ócio, deixe de lado o ZORRA TOTAL, esqueça A PRAÇA É NOSSA e dê uma chance ao humor bagaceiro do Broken Lizard. Que venham as próximas presepadas desses malucos, e que os brasileiros do Casseta & Planeta dêem uma conferida no filme e tomem nota direitinho para não fazer fiasco na sua próxima empreitada no mundo do cinema.

Felipe M.Guerra


PÂNICO NA ILHA(CLUB DREAD, EUA 2004). 104 minutos.
Direção: Jay Chandrasekhar
Roteiro: Jay Chandrasekhar; Kevin Heffernan; Steve Lemme; Paul Soter; Erik Stolhanske
Produção: Richard Perello
Produção Executiva: Lance Hool; Peter E. Lengyel
Fotografia: Lawrence Sher
Edição: Ryan Folsey
Música: Nathan Barr
Direção de Arte: Theresa Wachter
Desenho de Produção: Ben Conable
Maquiagem: Alfredo Mora; Adriana Rosado; Adriana Rosado; Juan Carlos Trujillo
Elenco: Elena Lyons (Stacy); Dan Montgomery Jr. (Rolo); Tanja Reichert (Kellie); Nat Faxon (Manny); Michael Weaver (Roy); Kevin Heffernan (Lars); Michael Yurchak (Burke); Jordan Ladd (Penelope); Brittany Daniel (Jenny); Richard Perello (Cliff); Steve Lemme (Ruan); Jay Chandrasekhar (Puttman); Paul Soter (Dave); Erik Stolhanske (Sam); Lindsay Price (Yu); Julio Bekhor (Carlos); Bill Paxton (Pete); Greg Cipes (Trevor); M.C. Gainey (Hank)




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