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No universo que cerca o gênero do terror muitas vezes cometemos injustiças. ECOS DO ALÉM, de 1999, por exemplo, é uma das grandes produções subestimadas e, portanto, esquecidas do grande público. O principal problema com este filme em especial é que saiu no mesmo ano que O SEXTO SENTIDO, mais especificamente um mês depois... Nem preciso dizer que a estréia ocorreu sem muito alarde pela história relativamente similar e como tudo o mais que ficou na sombra do novo heap de M. Night Shyamalan, este foi um filme que "entrou mudo e saiu calado". Porém com as boas vendas em DVD e a falta de histórias mais originais para os produtores investirem seu dinheiro, ECOS DO ALÉM ganhou uma continuação, e como já era de se esperar, há apenas uma tênue conexão com a produção original e tampouco tem a ver com o livro de Richard Matheson, tanto que ele nem foi creditado. |
Na verdade, o que é um pouco preocupante a princípio é que Stir of Echoes: The Homecoming (no título original) teve sua premiere direto para televisão nos Estados Unidos, partindo depois para DVD, e quem já assistiu algumas destas produções originais para o Sci-fi Channel sempre com instalações precárias e orçamentos minúsculos (como por exemplo, BOA VS. PYTHON, PÂNICO NO LAGO 2, MORCEGOS: COLHEITA MALDITA) sabe também que não se pode esperar algo de muito interessante. No Brasil o filme foi lançado diretamente para o mercado de DVD pela PlayArte.
Ainda assim, desde as primeiras notícias achei que ECOS DO ALÉM 2 tinha um grande potencial - se não para ser melhor que o primeiro, para ser uma hora e meia carregada de tensão e entretenimento. Ao fim da projeção o resultado é até satisfatório, mas um pouco desapontador pelo histórico e pelo legado que se espera de um nome como o de ECOS DO ALÉM.


A história gira em torno de Ted Cogan (Rob Lowe,
A DANÇA DA MORTE e os filmes da franquia
AUSTIN POWERS), um capitão do exército dos Estados Unidos que está na guerra do Iraque. Tudo vai muito bem na base em que toma conta quando uma van se aproxima em alta velocidade em direção ao local onde os soldados se encontram. Ted insiste em um tiro de advertência, porém a demora em seus comandados em obedecer as ordens e a recusa do motorista em diminuir, força o capitão à uma atitude extrema, abrir fogo.
Dentro do veículo Ted descobre que há uma família iraquiana inteira, provavelmente procurando abrigo: uma garotinha sai da van com vida, porém o veículo explode, os iraquianos morrem e um ataque à base, logo em seguida, deixa Cogan em coma por duas semanas.
Quando uma pessoa fica em coma por tanto tempo, pelo menos em um filme de horror, já estamos cientes que ela terá um contato mais estreito com o mundo dos mortos e este se apresentará na forma de aparições e alucinações. Com Ted não é diferente. No princípio sempre existe a dúvida de que estas visões poderiam ser conseqüência de um trauma pós-guerra, como acontece com muitos outros oficiais quando retornam de um conflito armado. Ainda assim, como um bom soldado teimoso que é, Cogan se recusa a admitir seu estado clínico e volta para os Estados Unidos.


Em casa Ted é recebido pela esposa Molly (Marnie McPhail,
JORNADA NAS ESTRELAS - PRIMEIRO CONTATO) e pelo filho Max (Ben Lewis) com uma grande festa. Todavia não há muito o que festejar: o pai da namorada de Max também foi convocado para a guerra, acabou decapitado pelas forças rebeldes, o que deixou sua filha Sammi (Tatiana Maslany,
DIARY OF THE DEAD e
OS MENSAGEIROS) e a esposa April (Katya Gardner) com os nervos em frangalhos.
Max se envolve em problemas. Ele e seu melhor amigo Luke (Shawn Roberts,
SKINWALKERS e
TERRA DOS MORTOS) arrumam briga na escola por causa da suspeita de que Ted tenha sido culpado pela morte dos inocentes no Iraque, e Molly tem que trabalhar dobrado para sustentar a casa, o que causa diversos conflitos entre o casal e mantém a esposa num estado de permanente irritação.


As coisas para Ted também não são muito animadoras: Atormentado pela intensificação das visões que estão beirando a realidade, o oficial busca ajuda no sistema médico público - com o diretor aproveitando para dar mais uma alfinetada na administração Bush – e um
"fantasma" do hospital lhe diz para procurar Jake Witzky (Zachary Bennett de
CUBO ZERO e
JEKILL + HYDE) num pulgueiro do outro lado da cidade.
Ele vai relutante. Após uma sucessão de visões bizarras e desconexas envolvendo uma velhinha tarada (não me pergunte, eu também não entendi), Ted se encontra com Witzky. E cabe uma pequena interrupção no artigo para esclarecer que apesar do sobrenome, nunca fica claro se ele é relacionado com Tom Witzky, o personagem principal do primeiro
ECOS DO ALÉM.


Voltando ao roteiro, Jake, que arrancou os dois olhos por causa de seus próprios problemas com aparições, explica para Ted que se ele está tendo este tipo de contato com os mortos é porque o fantasma em questão quer que ele faça algum tipo de
"serviço" para poder finalmente descansar em paz.
O problema é que, se o fantasma que atormenta a Ted é alguém da família acidentalmente assassinada no começo do filme, isto significa que possivelmente ele o quer morto. Mas a solução do enigma não é tão simples assim e, seguindo a recomendação de Jake, o oficial varre cada simples detalhe de sua vida desde que chegou do Iraque para saber quem é o fantasma e o que ele quer. Aos poucos Ted vai descobrindo que a verdade é bem mais complexa do que pensa.


O diretor Ernie Barbarash (
CUBO ZERO) tem dois problemas na primeira metade do desenvolvimento do roteiro: inicialmente, a parte que se passa no Iraque é tão deslocada no contexto que parece que está sendo filmada uma produção no estilo
TRÊS REIS e não um filme de suspense - algo desagravelmente semelhante acontece em
O RETORNO DOS MALDITOS; segundo, muitos sustos falsos desnecessários. O ritmo é melhorado na segunda metade, todavia a maneira um pouco apressada com que Barbarash conduz atrapalha a diversão substancialmente, e a escolha da trilha sonora não foi uma das mais felizes também. Não tenho nada contra o Rap, porém é um péssimo estilo musical para se usar quando se tenta criar algum suspense.

Como roteirista Barbarash dá um destaque muito grande para o personagem principal, Ted Cogan, suas visões (e os efeitos especiais nele embutidos), o que acarreta o desperdício de alguns personagens importantes como a esposa e o
"mentor" Jake Witzky, que poderiam protagonizar conflitos psicológicos para valorizar a história e o nível de tensão. Contudo, por um lado positivo, o roteiro possui uma quantidade de reviravoltas suficientes para se manter interessante por quase todo o tempo de filme.


Desta maneira o elenco resume-se a uma pessoa, Rob Lowe, que faz um excelente papel de sargentão e nem tanto como uma pessoa que é cercada por alucinações, deixando evidente que faltou um pouco de
"desespero" ao seu personagem (como li em outra crítica, as duas expressões que Lowe faz é
“puto de raiva” ou
“doente”), o restante do elenco também não ajuda muito principalmente pelo alto número de personagens secundários e, por conseguinte, o pouco espaço de tempo em cena que estes atores têm para trabalhar.
No quesito violência, embora pouca pela característica mais sugerida da história, temos umas cenas legais aqui, especialmente um suicídio que é bastante gráfico. Por causa do roteiro, vemos muita coisa relacionada com fogo, incêndios e corpos carbonizados.


Ao fim das contas o filme me agradou, mas pelos motivos diferentes do que eu esperava: a panfletagem de Barbarash contra a guerra e criticando a xenofobia nos lares estadunidenses é intensa, ácida (muito parecida com as que aparecem no seriado
‘24 Horas’, diga-se de passagem) e seria até polêmico caso se tratasse de um blockbuster ou uma produção mais expressiva, mas como se trata de um inexpressivo filme de suspense com fantasmas e não uma obra de Romero ou um documentário de Michael Moore, esta
"lição de moral" certamente passará batida.


Para encerrar fica aqui minha recomendação: se ainda não assistiu ao filme original com Kevin Bacon, nem pense duas vezes, assista-o e considere este segundo apenas como uma alternativa mediana para uma noite de sábado, pois pelo menos este te mantém sentado na cadeira o tempo todo, o que para uma produção que originalmente foi feita direto para a TV, já é um grande alívio.

Para comentar o artigo e entrar em contato com Gabriel Paixão:
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ECOS DO ALÉM 2 (Stir of Echoes: The Homecoming, EUA, 2007). Duração: 89 minutos
Direção: Ernie Barbarash
Roteiro: Ernie Barbarash
Produção: Philip Stilman; Claire Welland
Fotografia: François Dagenais
Desenho de Produção: Ingrid Jurek
Música: Norman Orenstein
Direção de Arte: James Phillips
Efeitos Especiais: Brock Jolliffe
Efeitos Visuais: Noel Hooper
Maquiagem: Sarah Fairbairn
Edição: Mitch Lackie
Elenco: Rob Lowe (Ted Cogan); Marnie McPhail (Molly Cogan); Ben Lewis (Max Cogan); Tatiana Maslany (Sammi); Shawn Roberts (Luke); Vik Sahay (Farzan); Colin Williams (Drexel); Pj Lazic (Nunez); Nicholas Carella (Kablinsky); Neil Crone (Gary); Katya Gardner (April); Krista Sutton (Tessa); Zachary Bennett (Jake Witzky)
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