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Em 1964, a Hammer Films da Inglaterra produziu seu filme mais caro até então e o 3º contando a história de Frankenstein. O filme, distribuído pela Universal (fato importante que irei abordar depois) e tendo novamente Peter Cushing como Barão Frankenstein foi denominado “The Evil of Frankenstein”, ou “O Monstro de Frankenstein”, no Brasil.
O filme, que não tem nenhuma ligação com “A Vingança de Frankenstein”, feito 6 anos antes, começa mostrando o Barão Victor Frankenstein (Peter Cushing) e seu jovem ajudante Hans (Sandor Eles) sendo forçados a sair de uma pequena cidade onde estavam devido as peculiares experiências que vinham desenvolvendo com os mortos. |
Sem dinheiro e sendo obrigados a começar de novo do nada, Victor resolve retornar ao abandonado Castelo Frankenstein, em Karlstadt, visando vender algumas tralhas do lugar e conseguir uns trocados para dar início novamente aos seus experimentos. Hans não aprova de início, pois Frankenstein havia sido preso e expulso anos antes da cidade (pelos motivos que já sabemos), e sua volta poderia fazer com que fosse novamente para cadeia. Porém, estava-se realizando uma grande festa de Carnaval na cidade e Frankenstein e Hans não foram notados, conseguindo chegar ao castelo no alto das montanhas. Para surpresa de Victor, quando ele chega ao local, vê que tudo foi levado e seu laboratório foi arrebentado. Aí, em flashback, ele conta a Hans sobre sua primeira criação bem sucedida: um abominável ser formado a partir de corpos de pessoas já motas (num visual macabro, diferentemente do visto no filme anterior, e tendo forte semelhança com o monstro de Frankenstein da Universal). Mas em determinado momento a criatura (Kiwi Kingston) escapa do laboratório e é alvejada com tiros pelos aldeões, acabando por cair em uma fenda na terra, sendo considerada destruída pelos aldeões e pela polícia local.

A seguir, os dois resolvem ir até a cidade para comer. Eles compram umas máscaras e entram no meio da multidão que aproveitava a festa de Carnaval. Aí que Victor vê um caro anel seu nas mãos do prefeito, que estava em mesa próxima (numa cena claramente apelativa e típica da
Hammer, onde a câmera focaliza a mão do Prefeito em cima do generoso decote e dos grandes seios de sua mulher, que só aparece no filme para isso) e fica furioso, a ponto de ser notado e ter de escapar da polícia. A noite, ele vai até a casa do prefeito para acertar as contas, mas a polícia intervem e ele é obrigado a fugir do lugar. Sem poder voltar para o castelo, por temer a ida da polícia ao local, ele vai para as montanhas, junto com seu companheiro Hans. Lá, eles encontram uma mendiga surda e muda (Katy Wild), que lhes oferece abrigo numa caverna onde ela vive. É nessa mesma caverna que Victor encontra o corpo, congelado e preservado, da criatura que ele criara no passado. Ele, Hans e a garota levam o corpo da criatura ao Castelo Frankenstein onde eles tentam reanimá-la, mas sem sucesso. O cérebro da criatura estava adormecido e era necessário algo que fosse no mais profundo de sua mente. Aí que Victor tem a idéia de chamar o oportunista hipnotizador Zoltan (Peter Woodthorpe) para tentar despertar a mente do monstro. Ele tem sucesso e apenas a sua palavra passa a ter efeito sobre a criatura. Quando comenta com Victor sobre a fortuna que poderiam fazer apresentando o monstro como uma alegoria em circos e convenções, esse logo se mostra totalmente contrário, afirmando que a única função da criatura existir era a pesquisa, visando o desenvolvimento e o descobrimento de novos horizontes científicos. Como apenas Zoltan pode controlar a criatura, Victor é obrigado aceitar o acordo. Porém, Zoltan decide usar o pobre monstro para roubar e perpetrar sua vingança pessoal contra alguns de seus desafetos em Karlstadt, gerando assim uma macabra sucessão de eventos.
O grande diferencial desse filme talvez seja quanto a presença do hipnotizador, que faz uso da inocente criatura para seus perversos fins. Algo parecido foi visto em “
O Filho de Frankenstein” (1939), onde o corcunda Ygor (Bela Lugosi) também faz do monstro (Boris Karloff) seu
“testa-de-ferro” para sua vingança pessoal.

Por ser o único filme da
Hammer sobre Frankenstein com copyright da
Universal Pictures, os homens se animaram para copiar ao máximo os elementos dos antigos filmes da grande produtora americana que abordaram a história de Frankenstein. Vemos isso logo de cara pela aparência do monstro, interpretado de forma nada mais que razoável pelo lutador Ernie
“Kiwi” Kingston (que se fez outro trabalho além desse no cinema foi muito). Na maquiagem desenvolvida pelo competente Roy Ashton, temos reproduzidas a testa quadrada, a cabeça achatada, até um pouco de cabelo escuro, as grandes e pesadas botas (muito parecidas com as usadas por
Boris Karloff no original), etc. Talvez no intuito de mostrar que aquilo não era uma simples cópia da maquiagem desenvolvida pelo mestre Jack Pierce, Ashton maquiou o rosto da criatura de uma forma muito pesada, o que acabou por prejudicar as expressões faciais do ator e deixou o monstro com uma aparência de
"falso" (considerado por muitos como uma paródia do monstro original), devido aos excessos, o que definitivamente não aconteceu na maquiagem original do monstro da
Universal, onde conseguiu-se um equilíbrio perfeito numa maquiagem amplamente convincente e assustadora (pelo menos quando aplicada sobre
Boris Karloff, pois em Lugosi, Chaney Jr. e até Glenn Strange em "
A Casa de Frankenstein", 1944, fica aquela impressão de
"falso"). Outros pontos que muito provavelmente foram chupados de filmes da Universal foram o fato do monstro ser encontrado congelado e intacto (como em "
Frankenstein Encontra o Lobisomem", de 1943 e "
A Casa de Frankenstein", de 1944), o laboratório do Dr. Frankenstein (lembra muito os de "
Frankenstein", de 1931 e "
A Noiva de Frankenstein", de 1935) e até a estrutura do roteiro: aqui o Dr. Frankenstein é praticamente o herói da história (como Colin Clive quase o foi nos 2 primeiros filmes de Frankenstein, e como
Peter Cushing nunca foi em nenhum outro filme de Frankenstein da
Hammer, onde era retratado como intermediário entre o bem ou mal ou como vilão absoluto, vide "
Frankenstein Tem Que Ser Destruído", de 1969); aqui temos até um bom destaque para o personagem do monstro, que era o personagem principal dos filmes
Universal, e não o Dr. Frankenstein, característica visivelmente alterada nos filmes da
Hammer, onde passamos grande tempo com
Peter Cushing e Ralph Bates (esse último em "
Horror de Frankenstein", 1970) e pouquíssimo tempo com
Christopher Lee ("
A Maldição de Frankenstein", 1957), Dave Prowse ("
Horror de Frankenstein", 1970 e
"Frankenstein and The Monster From Hell", 1974) e os outros que nem sequer vou citar, pois não os classifico como
"Monstro de Frankenstein", por aparentarem ser pessoas normais nos filmes.

Quanto às atuações, o grande
Peter Cushing, como de praxe, atua muito bem como Dr. Frankenstein,
Sandor Eles tem atuação segura como ajudante do doutor,
Peter Woodthorpe talvez seja o maior destaque como o vigarista Zoltan,
Katy Wild convence como uma mendiga surda e muda e
Kiwi Kingston, como já citado, tem atuação razoável como a criatura, nem tão decepcionante como a de
Bela Lugosi (não é possível que em 1943 não tinha ninguém melhor do que ele, até fisicamente, para interpretar o monstro em "
Frankenstein Encontra o Lobisomem"), nem tão brilhante como a de
Christopher Lee e nem de longe tão magnífica como a de
Boris Karloff (os dois dispensam comentários).
“
O Monstro de Frankenstein”, que teve seu título original estranhamente escolhido, já que o Dr. Frankenstein nesse filme está
“bom moço” até demais, não justificando assim a maldade atribuída a ele (The Evil of Frankenstein), é um filme que em geral divide opiniões. Pude comprovar isso ao pesquisar alguns sites gringos de filmes de horror, onde tem gente que o classifica como
"Pior filme de Frankenstein da Hammer". Já em outros sites, vi boas críticas ao filme (porém, em menor escala do que as críticas negativas). Isso se justifica pelo fato de que "
O Monstro de Frankenstein" é o filme mais "
Universal" da
Hammer. Quem está acostumado com o estilo
Hammer de se fazer um filme, vai notar diferenças em relação a esta película (não temos tanta violência, tanta sexualidade, os personagens aqui são mais estereotipados,etc.), mas quem é fã do estilo
Universal de terror, vai se deliciar com "
O Monstro de Frankenstein", pois esse filme, devido a tudo que foi já abordado nesse artigo, tem muita coisa em comum com os antigos e excelentes (pelo menos boa parte deles) filmes da era de ouro do terror da
Universal. Assim entendemos porque o cara que vai assistir “
O Monstro de Frankenstein” esperando assistir algo idêntico ao “
A Maldição de Frankenstein” (1957) sai um tanto frustrado, e com razão.

O filme foi lançado em DVD no Brasil pela
NBO Entertainment, a preço módico de R$12,99, e contém alguns extras, como biografias de
Peter Cushing, Duncan Lamont e do diretor Freddie Francis, Sinopse e Trailer do Filme em versão Mp4 (não é o trailer original de cinema, apenas um apanhado de cenas da criação do monstro).
No Brasil, além de “
O Monstro de Frankenstein”, já foram lançados em DVD “
A Maldição de Frankenstein” (1957) pela Warner; “
Frankenstein Criou a Mulher” (1967) pela finada Editora Works; “
Frankenstein Tem Que Ser Destruído” (1969) pela Warner e “
Horror de Frankenstein” (1970) também pela Works, só para citar os filmes de Frankenstein produzidos pela
Hammer. Quanto as películas “
A Vingança de Frankenstein” (1958) e
“Frankenstein And The Monster From Hell” (1974), também da
Hammer, vai depender da boa vontade da Columbia e da Paramount, respectivamente, para lançarem os filmes no Brasil. Nos EUA, esses 2 filmes já foram lançados, como os já citados anteriormente.

No final das contas, "
O Monstro de Frankenstein" é um filme que não irá desapontar os verdadeiros fãs do cinema de terror clássico, e que durante 86 minutos será um bom entretenimento para os fãs de Frankenstein, podendo perfeitamente fazer parte do acervo de filmes de horror de qualquer grande colecionador!
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