Sempre que eu vejo um filmão como O FAROL DA MORTE (Lighthouse) ser lançado no Brasil sem qualquer destaque, sem receber um mínimo da atenção que deveria, sem nem ao menos ser falado em revistas especializadas em cinema ou sites da Inernet, sendo tristemente condenado a mofar para sempre nas locadoras, acabo ficando deveras entristecido. E cada vez que isso acontece, eu confirmo que as grandes produtoras de filmes de horror, tipo Dimension e New Line, estão sendo dirigidas por um bando de imbecis que sinceramente não estão antenados para o mundo cinematográfico atual.
Isso porque qualquer sujeito com um mínimo de amor pelo cinema, e que tivesse assistido a O FAROL DA MORTE (lançado em 1999), não pensaria duas vezes em contratar o diretor, um inglês chamado Simon Hunter, para fazer filmes com orçamento maior e melhor divulgação. Mas, ao invés de isso acontecer, os estúdios americanos preferem colocar doses generosas de grana nas mãos de incompetentes, como Uwe Boll (o cara por trás de "House of the Dead") e William Malone (o cara por trás de "MedoPontoCom"), entre outros nomes que eu nem vou citar aqui.


É a prova de que o mundo é um lugar injusto. Pois reassistindo
O FAROL DA MORTE esta semana (eu pirateei o filme depois de vê-lo pela primeira vez em 2003), pensei no que Simon Hunter faria se tivesse sido contratado, por exemplo, para dirigir "
Halloween Ressurreição", no lugar do péssimo e burocrático Rick Rosenthal. E pensei nisso justamente porque este debut cinematográfico de Hunter (e até agora seu único filme, injustamente) lembra, do início ao fim, o "
Halloween" original, de
John Carpenter. E o melhor: não faz feio na comparação. E arrepia! E prende a atenção! E realmente deixa o espectador roendo as unhas!
Se eu disser que
O FAROL DA MORTE é apenas um slasher movie - aqueles filmes tipo "
Sexta-feira 13" onde um assassino mudo sai matando todo o elenco -, eu estaria definindo muito bem o filme. É isso mesmo. Por outro lado, também estaria sendo extremamente injusto. Pois este filme de Simon Hunter é a prova de que com talento e criatividade é possível tirar leite de pedra, ou, neste caso, fazer um ótimo filme a partir da mais batida das tramas, a do serial killer perseguindo pessoas em um lugar isolado, que não é mais novidades desde que
Alfred Hitchcock fez
PSICOSE lá em 1960.


Mas o que, afinal, diferencia este slasher movie inglês, dirigido em 1999, de todos os outros feitos nos últimos anos, da série "
Sexta-feira 13" até podreiras como a trilogia "
Acampamento Sinistro" e, mais recentemente, "
Pânico"???
Bem, para começar, temos uma história que realmente convence (ao contrário de balelas tipo "
Lenda Urbana" e "
Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado"), um elenco interessado e que realmente está atuando (as expressões de pavor ficam próximas da realidade), cenas de extrema violência que não são a atração principal do espetáculo (ao contrário do que acontece na série do nosso amigo Jason, por exemplo), cenas de suspense que deixam o espectador literalmente angustiado de tanta aflição (sem brincadeira!), e, o que é melhor, um vilão que realmente passa uma idéia de ameaça e medo (fala sério: alguém que passa dos 12 anos realmente tem medo de um
Freddy Krueger????).
O tal vilão é Leo Rook ("interpretado" por Christopher Adamson, que não fala uma única palavra e está quase sempre com rosto encoberto pela escuridão, ressaltando que ele é, como
Michal Myers no filme de
John Carpenter, o
"Mal absoluto"). Rook é um serial killer sobre o qual não sabemos muita coisa (nem o filme faz questão de esclarecer), além do fato que ele adora colecionar cabeças decepadas, adora usar sapatos brancos e não é de falar muito.
Nunca sabemos quantos crimes Rook cometeu e nem sua motivação, mas a forma como os personagens falam do vilão nos faz acreditar que ele é o verdadeiro demônio em pessoa (mais uma vez: isso não lembra o velho e bom
Michael Myers, de "
Halloween", pintado como um verdadeiro
"bicho-papão" pelo seu psiquiatra dr. Loomis no filme de Carpenter?). Tanto que a simples menção do nome
"Leo Rook" leva os personagens ao total desespero, faz com que eles arregalem os olhos de medo e comecem literalmente a tremer e a se desesperar, provocando no espectador uma ansiedade semelhante - afinal, o quão horrível este tal Leo Rook pode ser?

O FAROL DA MORTE começa com uma rápida introdução em preto-e-branco, onde a psiquiatra dra. Kristy McCloud (interpretada por Rachel Shelley) assiste a velhos filmes feitos pela polícia nas cenas de crime de Leo Rook, enquanto datilografa parte do seu estudo sobre o serial killer. Kristy é a especialista que vem tratando Rook desde que ele está na cadeia, em mais uma referência à série "
Halloween", que tinha como herói o psiquiatra dr. Sam Loomis (o imortal Donald Pleasence).
Enquanto a dra. Kristy divaga, temos uma pré-apresentação da crueldade e do Mal absoluto que Leo Rook representa:
"Palavras como PERDÃO não entram em questão. Ele é parte humano, parte caçador, parte demônio, parte maligno... Talvez a natureza da sua brutalidade jamais seja entendida ou explicada. Mas a força de seu nome ficará para sempre em nossas lembranças... O nome de Leo Rook", narra a psiquiatra, enquanto a montagem dinâmica apresenta cenas escabrosas e recortes de jornal sobre a prisão do assassino, onde lê-se a manchete
"Crimes of a devil" (crimes de um demônio).
Após a rápida seqüência de abertura, o filme corta, sem perder tempo, para o interior de um escuro e claustrofóbico navio, o Hyperion, que está transportando três prisioneiros para a penitenciária de segurança máxima que fica em uma ilha inglesa. O quarto prisioneiro, trancafiado em segredo numa cela especial, com guarda particular, é o próprio Leo Rook, enjaulado e acorrentado numa jaula como o dr. Hannibal Lecter em "
O Silêncio dos Inocentes". Ele é levado em segredo para não despertar o pânico no capitão do navio ou nos outros prisioneiros. É noite escura e de tempestade, como convém às produções do gênero...

O roteiro não perde tempo com frescuras: já aos cinco minutos, Rook escapa da cela com a ajuda de uma admiradora que estava infiltrada no grupo de policiais. Ele mostra sua
"gratidão" à moça torcendo seu pescoço, após estrangular o sentinela, e escapa do navio em um bote rumo a uma ilha próxima, onde existe o farol Gehenna - um dos últimos faróis do Reino Unido que ainda é administrado por seres humanos, ou seja, não foi automatizado, como os outros.
Enquanto isso, o navio - onde também estão quatro oficiais de justiça e a psiquiatra de Rook, além dos três presos - segue uma curta viagem, pois o radar está danificado, chocando-se contra os recifes e começando a afundar. Os oficiais e a psiquiatra se salvam, deixando para trás os prisioneiros, que precisam se salvar por conta própria. Um deles é Richard Spader (James Purefoy, o vilão de "
Resident Evil"), que logo entendemos ser o
"herói" do filme, considerando que é o típico personagem que está preso por um crime que não cometeu. Os outros são Spoons e Weevil, literalmente
"o gordo e o magro", que foram algemados um ao outro por um dos policiais.
Também estão entre os sobreviventes o arrogante oficial-chefe O´Neill (Chris Dunne), o covarde oficial Ian Goslet (Don Warrington), o capitão do navio, Campbell (Paul Brooke) e o jovem oficial Hopkins (Peter McCabe).
Ao mesmo tempo em que o grupo se salva, Rook já está na ilha fazendo seu serviço preferido. Ele mata dois dos vigias do farol, enquanto o terceiro escapa. Logo os outros personagens, que se salvaram do naufrágio, resolvem ir até o farol em busca de um rádio para pedir ajuda e de medicamentos para os feridos no acidente. Eles terão, obviamente, que enfrentar a fúria do maligno Leo Rook, que os persegue e mata um a um, armado com um enorme e afiado facão. No percurso, destrói o bote que serviria para o grupo escapar da ilha e ainda danifica todo e qualquer equipamento de comunicação, isolando os sobreviventes no local para poder caçá-los de forma mais prazerosa.


E é isso. O filme não se preocupa em explicar alguns detalhes (como o crime pelo qual Spader é injustamente acusado, ou a motivação do sádico Leo Rook), mas sim em criar um agradável e arrepiante clima de suspense. A maior parte do filme se passa na escuridão de uma noite chuvosa, em uma ilha cercada pelo mar enfurecido. Ou então no interior do apertado, e também escuro, farol - onde não há lugar para se esconder e nem escapatória.
Seria muito cômodo fazer um filme como "
Sexta-feira 13", onde os assassinatos de tempos em tempos preenchem a falta de história e disfarçam a produção medíocre. Mas
O FAROL DA MORTE realmente quer pegar o espectador pelos cabelos e deixá-lo vidrado com o que está acontecendo, com os nervos à flor da pele.

Para dar só um exemplo da refinada manipulação do suspense, em uma cena, filmada com precisão de profissional pelo estreante diretor, um oficial está no banheiro ouvindo, ao fundo, o som do rádio que acabou de consertar para comunicar-se com o serviço de resgate.
De repente, escuta o barulho do equipamento sendo destruído, e então passos que parecem cada vez mais próximos.
Ele se abaixa para ver por baixo da porta e enxerga os sapatos brancos característicos do cruel Leo Rook, com sangue pingando em cima e tudo mais.
Desesperado e sem saída, sobe em cima do vaso sanitário para que o psicopata não veja seus pés.
Enquanto isso, Rook examina o cenário em busca da sua vítima.
Agoniado, o espectador quase tem um treco quando o cotovelo do pobre policial encosta em um tubo de desodorante e este cai no chão, pronto para fazer o maior barulhão e alertar o assassino...
Entretanto, para a sorte do candidato a vítima, o produto cai bem em cima de uma toalha, abafando o som!
Mas calma!
A cena ainda não acabou!
Você já está respirando aliviado, Rook já está dando meia volta e descendo as escadas, mas então o oficial, louco para cair fora daquela ratoeira, levanta e, sem pensar, puxa a toalha, aquela onde o desodorante caiu em cima!
O tubo rola em câmera lenta por baixo da porta do banheiro...
Com a câmera no teto, o diretor filma uma panorâmica mostrando o atrapalhado oficial suando frio, o tubo rolando em direção à escada e o maligno Rook descendo calmamente os degraus.
É óbvio que aquilo vai cair e fazer um barulhão danado, alertando o psicopata.
Mas, novamente para a sorte do policial, o tubo de desodorante pára bem na beira da escada, a centímetros de cair degraus abaixo!!!
Então vocês já está respirando aliviado mais uma vez e acredita que o pior já passou, Rook já está quase no fim da escada, o oficial já está quase saindo do banheiro, e eis que de repente a ventania abre a janela violentamente, num estouro daqueles que certamente faria o público pular da poltrona do cinema.
A ventania empurra toalhas, folhas de papel e, claro, o tubo de desodorante, que cai em câmera lenta descendo os degraus da escada, fazendo o maior barulhão e alertando o psicopata, preparando o público para mais um crime sangrento... que certamente não teria a mesma graça sem esta autêntica novela antecedendo o desenlace violento!


E olha que
O FAROL DA MORTE ainda entrega outras duas cenas parecidas, onde o espectador fica com os nervos em frangalhos esperando para ver o que vai acontecer.
Em uma delas, um outro oficial se esconde justamente no barco usado por Rook para guardar as cabeças decepadas de suas vítimas, tendo junto um walkie-talkie que a qualquer momento pode dar sinal, entregando ao psicopata a localização da vítima escondida - e o diretor insiste em filmar o aparelho, brincando com a idéia de que é ele que decidirá o destino do personagem.
Na outra cena angustiante, os dois bandidos que foram algemados no começo do filme caem de um barranco quando estão fugindo do assassino; um deles perde os sentidos, e o outro precisa decidir o que fazer: tentar puxar o corpo desmaiado do parceiro na fuga, o que fatalmente irá fazer com que corra mais lentamente, ou decepar sua mão com um machado, escapando sozinho?

Numa clara influência do cinema europeu, as mortes são violentíssimas. Mesmo que não exista uma variedade de objetos usados para machucar (Leo Rook usa um facão o filme inteiro), o filme é suficientemente sangrento para agradar aos fãs de gore. Pescoços cortados jorram rios de sangue, em efeitos bem realizados e impressionantes. Ao mesmo tempo, há a tradicional cena de uma cabeça decepada desgrudando do corpo, melhor encenada do que a média. E os atores parecem realmente apavorados com a ameaça do assassino e com a possibilidade de morrer, ao contrário da garotada sem emoção que domina o atual
"terror teen".


É claro que no final o filme parte para os exageros, mostrando Rook como um vilão invencível e imortal (mais um detalhe que o assemelha a
Michael Myers). Mas nem a luta final pode ser considerada previsível. Tanto que em um momento de forte suspense e violência, o
"herói" fica pendurado no topo do farol segurando a mocinha dependurada. Não pela mão, nem pela perna, mas pelos cabelos!!! E o diretor faz questão de mostrar o sangue escorrendo pelo rosto da moça e o seu couro cabeludo literalmente desgrudando ao seu peso! Brrrrr...
Resumindo: se você quer a prova de que um slasher movie pode ser suficientemente criativo e interessante para manter sua atenção mesmo depois de 20 anos repetindo os mesmos clichês,
O FAROL DA MORTE é a produção modesta que poderá comprovar esta teoria. A ordem das mortes segue o padrão do gênero e de cara o espectador já adivinha quem vai sobreviver. Mas é o caminho até lá (e as situações criadas pelo roteiro do próprio diretor Hunter) que vale o preço da locação, trazendo alguns excelentes momentos de suspense e horror, como o dito
"cinema slasher" há muito tempo não mostra.
Ou, para resumir, são 95 minutos de pura diversão sangrenta, arrepios e sustos. Não vai mudar a vida de ninguém, nem merece ser visto como um
"novo clássico" do cinema - apenas diverte mais do que a maioria dos filmes americanos de horror da nova safra...
Mesmo assim, o filme ganhou dois prêmios de menor importância em festivais voltados ao horror: o troféu de Melhor Filme Fantástico Europeu de 2000, no Festival Cinenygma, de Luxemburgo, e o prêmio do júri, também em 2000, no FantaFestival, de Roma. Como curiosidade, nos EUA o filme foi lançado com o péssimo título de
"Dead of Night" (forçando uma comparação com o clássico de mesmo título lançado em 1945). E custou apenas 3 mihões de dólares (não dá uma puta raiva pensar que uma bobagem como "
House of the Dead" teve orçamento de 10 milhões e saiu como saiu???).
O FAROL DA MORTE é o filme perfeito para esquecer bobagens como "
Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado", "
Lenda Urbana", "
Pânico" e outros menos cotados. E talvez aí esteja o motivo para não ter feito o sucesso que merecia: sem atores "teen" no elenco, sem astros de
"Friends" ou
"Dawson´s Creek", sem trilha sonora pop-rock, a garotada não iria querer assistir. Mesmo assim, e ignorando o sucesso fácil, o diretor não colocou nada disso no seu filme.
Ainda bem!
E a quem interessar possa, o diretor Simon Hunter aparentemente continua esperando pela oportunidade de dirigir um novo filme, limitando-se a trabalhar em comerciais de TV. Será que, em um daqueles milagres que acontecem a cada dois mil anos (o último deles foi a ressurreição de Cristo, ou vocês não viram o filme do Mel Gibson???), Hunter não poderia ser chamado para dirigir
"Halloween 9", talvez? Como fã da série "
Halloween", e como novo fã deste primeiro filme do diretor estreante, garanto que valeria a pena esperar por este milagre... Assistam e comprovem minhas palavras. Amém!
MAIS 10 SLASHER MOVIES QUE VALEM A PENA:
(Excluindo títulos óbvios, como "Halloween", "Pânico" e "Sexta-feira 13")
ACAMPAMENTO SINISTRO (Sleepaway Camp 2: Unhappy Campers, 1988, EUA)
Direção: Michael A. Simpson. Com Pamela Springsteen, Renee Estevez e Walter Gottell
Este filme na verdade é o segundo da série, mas foi lançado no Brasil como se fosse o primeiro. Considerando o nível das cópias de "Sexta-feira 13", aqui está uma que realmente diverte. Angela (Pamela, que é irmã do músico Bruce Springsteen) é uma monitora de acampamento de férias e também psicopata, que extermina brutalmente todos os jovens que não são "bonzinhos", ou seja, os que fazem sexo, brigam, falam palavrões e usam drogas. Isso quer dizer metade do elenco, obviamente. Apenas uma série de mortes criativas e sangrentas, mas com bom ritmo e as tradicionais tiradas divertidas da assassina, à la Freddy Krueger. O ótimo filme original permanece inédito no país e a terceira parte (lançada aqui como "Acampamento Sinistro 2") é muito ruim.
POR QUE VER: pela cena onde Angela enfia uma garota invejosa e patricinha dentro de uma privada repleta de bosta e sanguessugas, fazendo com que ela afunde na imundície a pauladas!
CHAMAS DA MORTE (The Burning, 1981, EUA)
Direção: Tony Maylam. Com Brian Matthews, Leah Ayres e Holly Hunter
Cropsy, um sádico monitor de acampamento de férias (lógico), fica horrivelmente queimado após sacanagem aprontada por alguns garotos. Ele passa um tempo no hospital e, quando tem alta, revela-se um psicopata em busca de vingança, que volta ao acampamento para esquartejar adolescentes usando uma enorme tesoura de jardineiro. Um dos mais interessantes "slasher movies" do período, com todos os clichês da época (casais indo transar no mato, o assassino saindo da água para atacar jovens num barco). Mas ainda assim consegue manter o suspense e tem uma dose tão grande de sangue que consegue ser mais ainda mais violento do que o primeiro "Sexta-feira 13", feito no ano anterior.
POR QUE VER: pela excelente maquiagem de Tom Savini, que nos entrega sangrentas cenas de pescoços cortados e dedos decepados a tesouradas.
MANSÃO DA MORTE (Sorority House Massacre, 1987, EUA)
Direção: Carol Frank. Com Angela O´Neill, Wendy Martel e Nicole Rio
A distribuidora nacional não sabia o que era uma "sorority house" (casa de fraternidade) e tascou o ridículo título em português. Esta é a mais vergonhosa cópia de "Halloween" já feita, e produzida pelo mestre da picaretagem Roger Corman. Beth é uma garota que sobreviveu ao massacre da sua família, mas não lembra do fato traumático. Enquanto isso, seu irmão psicopata, John, está trancafiado num hospício, pensando em completar a chacina total dos parentes (Michael Myers, alguém?). Quando Angela entra para uma fraternidade feminina, John escapa, pega um facão e prepara-se para liquidar um monte de garotas peitudas vestidas apenas de calcinha e sutiã. É só isso. E por isso mesmo é divertido!
POR QUE VER: porque o filme tem tantos clichês do gênero "slasher" que chega a ser divertido, mas conta também com boas cenas de pesadelos da personagem principal.
O MASSACRE (Slumber Party Massacre, 1982, EUA)
Direção: Amy Holden Jones. Com Michelle Michaels, Robin Stille e Michael Villella
A essência dos slasher movies se encontra nesse filme, também produzido por Corman: começa com um close em um jornal dizendo que um perigoso serial killer fugiu do hospício. Sem perder tempo, e sem maiores explicações ou apresentações dos personagens, o tal matador aparece armado com uma furadeira e passa a sistematicamente matar garotas depois de elas tomarem banho, fazerem sexo ou fumarem maconha. História tola, mas com tantas cenas de violência e sangue - e ao mesmo tempo uma curiosa metáfora para a entrada na vida adulta - que não tem como não gostar. Toda a equipe técnica principal (direção, roteiro) é feminina.
POR QUE VER: pela cena onde as meninas abrem a porta da frente de casa e encontram o entregador de pizza com os olhos furados pelo assassino.
MANIAC (Maniac, 1980, EUA)
Direção: William Lustig. Com Joe Spinell, Caroline Munro e Kelly Piper
Frank Zito é um gordo escroto que leva uma vida medíocre e solitária, rodeado de manequins. Para compensar, sai pelas ruas à noite matando e esquartejando belas mulheres, cujo cabelo arranca para adornar seus manequins. Uma modelo (a belíssima Caroline Munro) é seu próximo alvo. Filme extremamente simplório e sensacionalista, estrelado por um personagem impossível de simpatizar, e tentando contar a história do ponto de vista de um assassino louco. É extremamente violento, num tipo de produção realista que dificilmente seria feita nos dias de hoje. Efeitos especiais de Tom Savini, que faz uma ponta.
POR QUE VER: só pela cena onde o malucão explode a cabeça de um mané (o próprio Savini) com uma espingarda, em momento tão graficamente detalhado quanto a famosa cena de cabeça explodindo em "Scanners".
A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS (April Fool´s Day, 1986, EUA)
Direção: Fred Walton. Com Deborah Foreman, Ken Olandt e Amy Steel
Garota reúne seus colegas de universidade numa ilha, onde um assassino psicopata passa a exterminá-los um a um, durante o dia 1º de abril (o famoso "Dia da Mentira"). A distribuidora nacional achou melhor não traduzir o título para "Dia 1º de Abril" ou "Dia da Mentira", estampando a bobagem relativa a "brincadeiras mortais". Acontece que o fato da história se passar num 1º de abril tem extrema importância na surpreendente revelação final, que pode ser chocante para alguns espectadores, idiota para outros. Na média dos "slasher movies", este diverte pela química entre os atores, que realmente parecem amigos festejando. Também tem boas cenas de suspense, sem exagerar na violência.
POR QUE VER: pela cena onde uma mocinha cai em um velho poço e pedaços de cadáveres começam a boiar ao seu redor.
O PÁSSARO SANGRENTO (Aquarius, 1987, Itália)
Direção: Michele Soavi. Com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radicci
Precisou aparecer um cineasta italiano (no caso, o talentoso Soavi, em seu filme de estréia) para dar uma aula aos americanos de como se faz um verdadeiro "slasher movie", sem apelar para garotas peitudas ou acampamentos de férias. Uma companhia de teatro ensaia peça sobre os assassinatos de um famoso psicopata chamado Irving Wallace, que usa uma máscara de coruja, num velho teatro trancado. O que eles não sabem é que o verdadeiro serial killer infiltrou-se no grupo, passando a matá-los com machados, picaretas, brocas, serras elétricas e por aí vai. Cenas de extrema violência são acessórias do suspense e da divertida mistura entre realidade e ficção, com um final macabro onde a única sobrevivente sofre o pão que o diabo amassou. Um dos melhores "slasher movies" já realizados, dá até vergonha de gostar de "Sexta-feira 13".
POR QUE VER: pela cena onde o personagem mais arrogante do filme tem seu braço cortado com uma serra elétrica e depois a cabeça decepada por uma machadada.
PSYCHOCOP: NINGUÉM ESTÁ EM SEGURANÇA (Psychocop, 1988, EUA)
Direção: Wallace Potts. Com Robert R. Shafer, Jeff Qualle e Palmer Lee Todd
OK, OK, este é mais um filme classe B sem grandes novidades. O vilão é um policial satânico (???) que vendeu a alma ao demônio e sai matando pessoas pelas ruas. Ele persegue obsessivamente um grupo de jovens que investiu em ações da bolsa (argh!) e faturou alto, resolvendo comemorar com um final de semana numa casa de campo. Tirando o personagem do policial, é um "slasher movie" como todos os outros, com mortes a facadas e machadadas, um vilão implacável que nunca morre e perseguições na floresta. Vale justamente pelos excessos e pelas piadinhas feitas pelo policial assassino. Mas o clima demoníaco, com música "satânica", também agradará aos fãs.
POR QUE VER: pela cena onde um mané, ao ver o policial doidão com um machado nas mãos, diz: "Não pode ser verdade", e o assassino devolve: "Mas é!" antes de enfiar-lhe o machado na cabeça!
DIA DOS NAMORADOS MACABRO (My Bloody Valentine, 1981, Canadá)
Direção: George Mihalka. Com Paul Kelman, Lori Hallier e Neil Affleck
Mais uma data comemorativa vira pretexto para a matança: depois de sexta-feira 13, dia das bruxas, 1º de abril, Natal, ano novo e Páscoa, agora o assassino ataca no dia dos namorados. Em uma pequena cidade que vive da exploração de uma mina, festas de dia dos namorados estão proibidas depois que um psicopata andou matando pessoas e enviando seus corações em caixas de bombons. É claro que os jovens da geração atual (ou seja, dos anos 80) não acreditam na lenda e resolvem fazer sua festinha, onde serão atacados pelo assassino - um mineiro louco, armado com uma picareta. Infelizmente, a cópia em VHS lançada no Brasil está com vários cortes... Mas o filme é razoável, apesar de certa lentidão no desenvolvimento da história.
POR QUE VER: pela cena onde um grupo de sobreviventes está escalando uma enorme escada e o assassino atira, de lá de cima, uma das vítimas, amarrada a uma corda pelo pescoço.
O MUTILADOR (The Mutilator, 1985, EUA)
Direção: Buddy Cooper. Com Matt Mitler, Ruth Martinez e Bill Hitchcock
Aqui está um filme que quase chegou lá, com um clima sádico e mortes realmente sangrentas. O problema é que a história é ridícula e, sinceramente, não há qualquer desenvolvimento ou roteiro (os personagens apenas caminham de um lado para o outro e são mortos eventualmente). Ou seja, é um filme que vale unicamente pelo sangue e gore (lembrando os "Sexta-feira 13" da vida). A "trama" já entrega de cara o assassino, pai de um dos personagens, cuja esposa foi morta acidentalmente pelo filho. Anos depois, o garoto, já crescido, convida os amigos para passar o fim de semana em sua casa de praia, onde todos serão mortos pelo "mutilador". O excesso de sangue compensa a ausência de suspense, mas não há como perdoar as situações triviais - personagens entrando em lugares escuros, indo checar sozinhos os barulhos estranhos, etc.
POR QUE VER: podia ser pela cena onde um rapaz é eviscerado por um motor de barco, mas eu não podia deixar de citar a magnificamente sádica e sangrenta cena onde o mutilador enfia um gigantesco gancho de pesca na vagina de uma garota e torce o ferro, fazendo jorrar um rio de sangue!!! |
MAIS 10 SLASHER MOVIES QUE SÃO UMA PORCARIA:
(Excluindo títulos óbvios, como "Lenda Urbana", e também seqüências ruins)
A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR (Prom Night, 1980, Canadá)
Direção: Paul Lynch. Com Jamie Lee Curtis, Leslie Nielsen e Casey Stevens
Péssimo filme com um bom elenco, e que acabou se tornando espécie de "clássico" do gênero por originar série (cujas seqüências não têm relação). Diz respeito a crianças que matam, acidentalmente, uma amiguinha. Anos depois, todos estão crescidos e às vésperas do baile de formatura ("Prom Night"), quando um psicopata mascarado os persegue e mata. Péssimo aproveitamento de Jamie Lee, em alta após o sucesso de "Halloween". Mortes sem emoção, um assassino que parece acrobata e violência zero, em filme sem qualquer suspense ou interesse.
POR QUE NÃO VER: pela cena onde o ridículo herói e Jamie Lee dançam, no baile de formatura, uma música "disco", lembrando "Os Embalos de Sábado à Noite" (lembre-se que era a moda da época!!!).
O DEPREDADOR (The Prey, 1984, EUA)
Direção: Edwin Brown. Com Debbie Thureson, Steve Bond e John Leslie
Cópia padrão de "Sexta-feira 13", com seis campistas indo aventurar-se em região montanhosa, assombrada por um assassino que é o único (e deformado, obviamente) sobrevivente de incêndio criminoso em aldeia de ciganos. O diretor estica uma história de 30 minutos para mais de uma hora e meia!!! Para isso, encheu o filme com imagens da natureza (pássaros, aranhas, animais silvestres, pôr-do-sol...) e esticou o flashback do incêndio no acampamento cigano para mais de 20 minutos! O resultado é um filme arrastado, chato e sem graça, que parece durar três horas! Até bingo da terceira idade é mais emocionante. Efeitos especiais de Jon Carl Buechler, mas como tem pouca violência, também tem pouco interesse.
POR QUE NÃO VER: pela ridícula maquiagem do monstro assassino, que a distribuidora nacional (a péssima Lamy Filmes) teve coragem de estampar na capa da fita!
CONTAGEM DE CADÁVERES (Body Count/Camping del Terrore, 1987, Itália)
Direção: Ruggero Deodato. Com Bruce Penhall, Mismy Farmer e David Hess
Um filme que prometia: direção de Ruggero "Cannibal Holocaust" Deodato, roteiro de Alessandro "A Casa do Diabo" Capone, elenco com o malucão David "Last House on the Left" Hess e música de Cláudio "Goblin" Simonetti. Isso sem contar que é um filme de horror italiano, conhecido por seus excessos. Mesmo assim, o resultado é um fiasco: as cenas sangrentas são poucas e mal-feitas, o elenco é péssimo e a história perde tempo com tramas paralelas (uma traição amorosa, um suposto espírito índio que assombra a região) ao invés de investir no sadismo e na violência. O resultado é um filme sonolento e xarope, uma das maiores decepções que eu já tive na vida - e olha que passei um tempão correndo atrás desta fita!
POR QUE NÃO VER: porque o filme desperdiça os atores David Hess, Ivan Rassimov, John Steiner e Charles Napier, e ainda tem uma grotesca cena onde Deodato mostra o pau de um gordão de forma totalmente gratuita. Fim de carreira! "Slasher movie" tem que ter mulher gostosa, não gordo mostrando o pau!
A HORA DO CALAFRIO (Savage Weekend, 1979, EUA)
Direção: David Paulsen e John Mason Kirby. Com Christopher Allport, Jim Doerr e David Gale
Outro filme sonolento, onde nem as mortes bem raras emocionam. O roteiro sem imaginação (sobre um grupo de casais que vai até um sítio para assistir à construção de um barco por um deles) já entrega que este é apenas mais um título oportunista, tentando faturar uns trocados em cima dos fãs de horror que agüentam qualquer porcaria. Pior: passa 50 minutos até o assassino, usando uma ridícula máscara de caveira, entrar em ação, para começar a aparecer algum sangue. Como se não bastasse, o filme ainda desperdiça o ator David Gale (o dr. Hill de "Reanimator"). E tamanha porcaria ainda foi feita por dois (isso mesmo, DOIS!!!) diretores!!!
POR QUE NÃO VER: pela completa e total ausência de interesse, de violência, de roteiro, de emoção e de suspense.
ESQUIANDO PARA A MORTE (Shredder, 2001, EUA)
Direção: Greg Huson. Com Scott Weinger, Brad Hawkins e Juleah Weikel
A nova safra de "horror teen" tem muita porcaria, mas esta é uma das piores, feita diretamente para o mercado de vídeo. Um grupo de adolescentes patões vai passar as férias em local isolado (e tome cenas de jovens esquiando!), onde serão mortos um a um por assassino, que também é esquiador. O óbvio ululante do gênero, com personagens que saem para checar sons ou para passear sozinhos e acabam mortos. Francamente desagradável pela completa burrice dos personagens, que encaram a morte dos amigos como se fosse a coisa mais normal do mundo. E isso sem contar a patética revelação da identidade do assassino e sua motivação.
POR QUE NÃO VER: pela cena onde um rapaz encara o assassino psicopata e fala, com a maior tranqüilidade do mundo: "Você não pode me matar, eu sou virgem!", mas mesmo assim vai pro saco.
FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM (Happy Birthday To Me, 1981, EUA)
Direção: J. Lee Thompson. Com Melissa Sue Anderson, Glenn Ford e Lawrence Dane
O Marcelo Mestre Infernauta gosta desse filme. Eu já uso como sonífero para aquelas noites de insônia. Há muitas "coincidências" entre a trama deste e do primeiro "Pânico", para quem ainda acha que o filme de Wes Craven é uma obra-prima da criatividade. Como é de praxe, mortes misteriosas cercam estudantes de um colégio, aparentemente tendo relação com um acidente automobilístico fatal acontecido anos antes. Muitas pistas falsas e cenas desnecessárias, além de mortes muito tolas e pouco violentas (aquela do espeto de churrasco mostrada na capinha está no filme em versão bem pobre, o que demonstra propaganda enganosa).
POR QUE NÃO VER: pelo fato do filme se passar devagar quase parando, com poucos momentos interessantes, apesar do final surpresa.
EM PÂNICO (Hide and Go Shriek, 1988, EUA)
Direção: Skip Schoolnik. Com Bunky Jones, Brittain Frye e Annette Sinclair
Um grupo de adolescentes idiotas passa a noite na loja de departamentos do pai de um deles, brincando de esconde-esconde (argh!). Quando alguns deles começam a não ser mais encontrados, os jovens restantes suspeitam que um assassino psicopata está rondando a área. Desperdício de tempo e filme, num "slasher movie" totalmente convencional e sem qualquer tentativa de variação. Ainda consegue ter cenas francamente patéticas, como aquela em que uma mocinha faz um strip-tease praticamente profissional para o namorado e depois justifica dizendo que aprendeu num filme pornô! O diretor hoje está fazendo episódios da série "Angel".
POR QUE NÂO VER: pela cena onde uma loira peituda tem sua cabeça decepada na porta do elevador. Até seria legal, se o efeito especial em questão não fosse tão ridículo.
A INICIAÇÃO (Initation, 1984, EUA)
Direção: Larry Stewart. Com Daphne Zuniga, James Read e Vera Miles
Variação não era o forte dos "slasher movies" oitentistas: esse aqui é parecido com o anteriormente citado ("Em Pânico"), mostrando uma jovem, Kelly, que está entrando em uma fraternidade de moças, onde o trote será passar uma noite numa enorme e escura loja de departamentos. Ali, um psicopata misterioso vai fazer a festa com os jovens que só pensam em transar ou entrar sozinhos em locais escuros. Desperdício de bons atores (Vera Miles, Clu Gulager) em filme com poucos momentos sangrentos. O final ridículo não esquece nem a tradicional reviravolta envolvendo um irmão gêmeo malvado. Bah...
POR QUE NÃO VER: pela horrenda cena da festa à fantasia, onde um mané vai vestido de pênis (sério)!
NATAL SANGRENTO (Silent Night, Deadly Night, 1984, EUA)
Direção: Charles E. Sellier Jr. Com Lilyan Chauvan, Gilmer McCormick, Toni Nero e Robert Brian Wilson
A idéia é interessante (um Papai Noel assassino???), mas a realização é péssima. Traumatizado ao ver um bandido vestido de Papai Noel matar seus pais, um jovem se transforma em assassino quando os patrões da loja onde ele trabalha o obrigam também a vestir-se como o "bom velhinho" no Natal. Sai pela cidade cometendo crimes a machadadas. O aproveitamento do tema natalino é nulo (a única cena interessante é aquela em que a polícia mata acidentalmente um padre vestido de Papai Noel, achando tratar-se do assassino), e nem há a tradicional dose de violência para manter a atenção. Teve quatro continuações, as duas últimas sem relação com o original (à la "Halloween 3").
POR QUE NÃO VER: pela ridícula cena onde um mané desce uma colina de trenó e chega no cume com a cabeça decepada, obra do machadão do Papai Noel assassino.
MOONSTALKER: UM DEMÔNIO ESTÁ SOLTO (Moonstalker, 1988, EUA)
Direção: Michael O´Rourke. Com Joe Balogh, Jill Foors e Blake Gibbons
Cópia podreira de "Sexta-feira 13": um psicopata ataca acampamento de férias depois que sua família de lenhadores foi despejada da região. Seu hobby é cortar braços e pernas com um machadão, como se fosse lenha. As milésimas cenas de sempre repetidas: gatinhas tomando banho, casais fazendo sexo e morrendo, etc. etc. A diferença é a completa falta de suspense e estrutura narrativa, onde os assassinatos são apenas filmados um atrás do outro, sem qualquer preocupação em trabalhar os personagens ou a história.
POR QUE NÃO VER: pela cena onde o monitor do acampamento, um militar maluco e sádico (!!!) chamado Regis, tem seus dois braços decepados a machadadas e não sai nem uma gotinha de sangue dos ferimentos!!!
|
Felipe M.Guerra
 |
O FAROL DA MORTE (Lighthouse, Inglaterra, 2000. 95 minutos)
Direção: Simon Hunter
Roteiro: Simon Hunter; Graeme Scarfe (história)
Produção: Tim Dennison; Mark Leake
Produção Executiva: Chris Craib
Fotografia: Tony Imi
Música: Debbie Wiseman Edição: Paul Green Desenho de Produção: Simon Bowles
Direção de Arte: Christian Huband
Elenco: James Purefoy (Richard Spader); Rachel Shelley (Dr. Kirsty McCloud); Christopher Adamson (Leo Rook); Paul Brooke (Capitão Campbell); Don Warrington (Oficial de Prisão Ian Goslet); Christopher Dunne; Bob Goody (Weevil); Pat Kelman (Spoons); Peter McCabe; Norman Mitchell; Howard Attfield; Jason Round; Stuart Callaghan
|