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Banquete no Inferno (Feast, 2005) é um dos mais divertidos filmes de terror desta última década. É desta forma direta que esta produção deve ser apresentada. Mas afinal, é possível se divertir assistindo a uma película de terror? Sim, e muito.
Antes de qualquer coisa, é preciso entender que dentro do universo dos filmes de terror e suspense existe uma série de subdivisões. Por exemplo, há aquela película que foi produzida com o único objetivo de provocar medo e deixar o público sem dormir direito. Logo em seguida, temos as produções carregadas de violência e cenas repulsivas, que mexem com o estômago do telespectador. Também temos as tramas que provocam apenas susto. Não podemos esquecer dos filmes trashes, gores, mistério, quem é o assassino e de toda uma série de produções.
Claro, estamos falando de filmes que são feitos propositalmente para serem reconhecidos como tais. Neste caso, também é bastante comum encontrar uma película que foi produzida para provocar medo e, por diversos motivos, gera gargalhadas ou tédio no público. Isso é um assunto delicado e rende, |
inclusive, um outro artigo.
Pois Banquete no Inferno é uma produção sem crise de identidade e que foi criada justamente para quem gosta de um bom filme de terror, mas com uma forte dose de exagero e humor negro. É importante deixar bem claro que não estamos diante de um Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), que é uma comédia que satiriza filmes de terror. Banquete no Inferno é antes de tudo uma produção do gênero, mas que possui uma linguagem capaz de agradar e divertir os fãs simpatizantes desta categoria de filmes de terror.
A trama acompanha um grupo de desconhecidos que fica preso em um bar decadente no meio do nada. Todos os personagens são surpreendidos pelo ataque de criaturas assassinas que simplesmente aparecem no lugar para comer a todos.


Fica difícil de imaginar um roteiro mais clichê do que este, mas é justamente nessa característica que o filme consegue ser original e agradar. Por exemplo, em
Banquete no Inferno não temos um herói bonitão que vai salvar a todos. Quer dizer, até temos. O sujeito em questão chega correndo ao bar e quando todos perguntam quem é ele, a resposta é imediata:
Eu sou aquele que vai salvar vocês de morrerem. Pois em menos de 10 segundos, o herói tem a sua cabeça arrancada e morre diante do restante do elenco. Essa é a grande sacada de
Banquete do Inferno, que pega todos os elementos conhecidos do gênero e subverte cada um deles. E salve-se quem puder.
Se você está acostumado aos filmes nos quais, após os créditos iniciais, já sabe quem morre e sobrevive, vai ter uma agradável surpresa, pois
Banquete no Inferno tem a sua linha narrativa trabalhada de forma a confundir o público com relação aos candidatos a sobreviventes. Isso significa que qualquer personagem pode morrer, mesmo aqueles que com certeza seriam poupados em produções semelhantes. União para vencer o mal? Que nada, cada um que cuide de si.
O filme segue os seus 95 minutos de duração nessa agonia dos personagens para sobreviverem. Claro, todas as cenas são desculpas para um verdadeiro banho de sangue ao melhor estilo
Evil Dead (Evil Dead, 1981). Durante esse percurso, planos mirabolantes surgirão, ataques surpresas das criaturas acontecerão e o público ficará realmente dividido entre a diversão e a escatologia.


Os monstros são uma atração à parte. Quem está acostumado a trabalhos elegantes como o
Alien do artista plástico suiço H R Giger vai achar que as criaturas de
Banquete no Inferno foram feitas por crianças para uma peça escolar de fim de ano. E isto não é um exagero. A principio, um dos personagens explica que os seres estão
“vestidos” com couro de bodes para se
“disfarçarem” (!!!). Em uma das cenas na qual os tais monstros são vistos parados, se tem a nítida impressão de que na verdade um figurante simplesmente vestiu o couro do bode. O pior (ou seria o melhor?) é que ver as criaturas, no escuro, com essa
“fantasia” chega a provocar uma certa inquietação.
E se você achar que a
“fantasia” de bode é mal feita, espere só para ver os monstros sem a mesma. Apesar disso, dificilmente o cinema de terror produziu criaturas tão vorazes e pertinentes ao gênero. E para completar, o processo reprodutivo é rápido como uma bala, o que complica, ainda mais, o restante de vida dos personagens.
BRINCADEIRA
Ao assistir
Banquete no Inferno, tem-se o pensamento de que estamos diante de uma obra autoral. No caso desta produção de 2005, a idéia original foi desenvolvida pelos roteiristas Marcus Dunstan e Patrick Melton e pelo então futuro diretor John Gulager. Os dois primeiros estão atualmente trabalhando no remake de
Hellraiser, que deve ser produzido em 2009, e pelo roteiro de
Jogos Mortais 5, em fase de pré-produção. Mas em 2005, o trio era bem desconhecido.

Tudo mudou quando os três decidiram participar do
Project Greenligght, uma espécie de reality show produzido pelos atores Matt Damon, Ben Affleck e Chris Moore, em parceria com a
Miramax. O programa tinha como objetivo escolher um roteiro inédito, que seria transformado em filme. A trama de
Banquete no Inferno foi a vencedora da terceira e última temporada do programa. O filme, que custou US$ 3 milhões, conta inclusive com a produção executiva de Damon, Affleck e de Wes Craven.
POP
Seria difícil encontrar uma única fonte na qual os roteiristas tenham se inspirados para criarem
Banquete no Inferno. Talvez a trama nada mais seja do que uma colagem de cenas já previamente conhecidas por quem acompanha o gênero. Essa miscelânea remete aos padrões que ficaram conhecidos nos anos 80, no entanto, com uma linguagem e um visual mais pop.
É basicamente como se pegássemos
Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 1977) e comparássemos com o remake
Viagem Maldita, de 2006. Temos os mesmos elementos, mas com um tratamento diferente. E parte deste resultado é fruto do trabalho dos roteiristas, que além de terem criado os ótimos personagens, também foram felizes na concepção dos diálogos. A direção de Gulager é regular, mas bastante eficiente para gerar um resultado no mínimo interessante para o gênero.


O elenco também ajuda
Banquete no Inferno a ser uma agradável surpresa. Apesar de não termos nenhuma interpretação digna de ser comparada com a de Ellen Burstyn, em
O Exorcista (The Exorcist, 1973), todos estão extremamente a vontade em seus respectivos papeis. Os destaques vão para o veterano Clu Gulager, de
A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead, 1985), que é pai do diretor e faz aqui uma participação; Jason Mewes, o Jay da dupla
Jay and Silent Bob; Krista Allen, do seriado
Baywatch e que vai estar no
Premonição 4; e Eileen Ryan, de
Magnólia (Magnolia, 1999), como uma das personagens mais divertidas do filme: uma velha que, segundo ela, já que vai mesmo morrer, quer mais é beber.
Apesar do teor positivo deste artigo, não espere em
Banquete no Inferno uma obra prima que vá concorrer ao Oscar de melhor roteiro ou atriz. Mesmo dentro da proposta de um filme de terror divertido, a película possui falhas, embora nenhuma seja forte o suficiente para criar algum efeito negativo à produção. Aqui temos uma simplicidade que foi levada a sério e gerou um bom resultado. É como um grupo de amigos que decide fazer um filme de terror juntos. Eles podem ter pouco dinheiro, mas com criatividade, boa vontade e respeito pelo gênero, podem fazer um bom filme.


Atualmente,
Banquete no Inferno está para ganhar não uma, mas duas seqüências. Seguindo a linha de pensamento de que é possível economizar dinheiro gravando dois filmes ao mesmo tempo, o diretor Gulager e a dupla Dunstan e Melton criaram duas continuações para a obra original.
Feast 2: Sloppy Seconds e
Feast 3: The Happy Finish estão em fase de pós-produção e devem estrear em breve. O roteiro divulgado entrega que a trama do segundo filme é centrada em um uma pequena cidade, no meio do nada, que é atacada pelos monstros. Os moradores do local, com ajuda de alguns personagens do original, devem se unir para sobreviverem. Originalidade zero, mas não torça o nariz quando encontrar o DVD de
Banquete no Inferno 2 nas locadoras. Assim como o primeiro filme, este segundo pode ser uma agradável surpresa.
Para comentar o artigo e entrar em contato com Filipe Falcão:
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BANQUETE NO INFERNO (Feast, EUA, 2005). Duração: 95 minutos.
Direção: John Gulager
Roteiro: Marcus Dunstan; Patrick Melton
Produção: Joel Soisson
Produção Executiva: Ben Affleck; Wes Craven; Matt Damon; Adrienne Maloof; Colleen Maloof; Gavin Maloof; George Maloof; Joe Maloof; Phil Maloof; Chris Moore; Bob Weinstein; Harvey Weinstein
Fotografia: Thomas L. Callaway
Maquiagem: Blake Bolger; Wes C. Caefer; Michael Davis; Jamie Grove; Snowy Highfield; Steven Lawrence; Mark Maitre; Michael Mosher; Stephen Norrington; Richard Redlefsen; Mike J. Regan; Nancy Stimac; Gary J. Tunnicliffe; Claire Jane Vranian; Bridget Winton
Música: Stephen Edwards
Edição: Kirk M. Morri
Elenco: Balthazar Getty (Bozo); Henry Rollins (treinador); Navi Rawat (heroína); Judah Friedlander (rapaz da cerveja); Josh Zuckerman; Jason Mewes (Edgy Cat); Jenny Wade (Honey Pie); Krista Allen (Tuffy); Clu Gulager (Bartender); Anthony 'Treach' Criss (Vet); Eric Dane (herói); Chauntae Davies (garota bêbada); Diane Goldner (Harley Mom); Somah Haaland (Charlie); Tyler Patrick Jones (Cody); Mike J. Regan (Papa Beast); Eileen Ryan (vô); Hannah Schick; Gary J. Tunnicliffe (Mama Beast); Duane Whitaker (chefe)
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