Mais ou menos. Esta foi a impressão que tive ao final da sessão em que vi o tão comentado Freddy Vs. Jason pela primeira vez. Entretanto, nem sempre a primeira impressão é a que fica. E muita gente estava elogiando o filme, o que me levou a acreditar que talvez eu estivesse sendo muito rabugento e muito crítico na primeira avaliação. Logo, um mês depois, resolvi encarar uma segunda sessão para ver se mudava minha opinião.
Depois de encarar uma reprise, meu novo parecer: mais ou menos. Mas mais para menos do que para mais. Freddy Vs. Jason realmente não é nem tão divertido quanto falam, nem tão surpreendente quanto elogiam, nem tão despretensioso quanto parece. É uma meia bomba, só não uma bomba inteira justamente porque o filme não se leva a sério o tempo todo. Mas, infelizmente, em alguns momentos se leva. E tão a sério que chega a
ser constrangedor.
A maioria das críticas sobre o filme que eu li dizem que este é um filme mais de Freddy Krueger do que de Jason. Pois eu discordo totalmente. Embora o filme seja narrado, no início, por Freddy, e o próprio Freddy seja um elemento importante na história, é visível que quem brilha na produção é Jason. Para começar, Freddy não mata ninguém o filme inteiro! O trabalho sujo fica todo para Jason. Assim, ao psicopata das garras de aço resta perseguir algumas vítimas em seus pesadelos (muito mais sem graça do que aqueles mostrados por Wes Craven no filme A Hora do Pesadelo, em 1984, com um orçamento irrisório se comparado ao desta produção recente). E também fazer suas piadinhas sem graça, como se tornou uma constante desde a parte 3 de suas "aventuras" solo.
Bem, é meio inútil falar da história em um filme que se chama Freddy Vs. Jason. É óbvio que um projeto assim só existe para justificar o duelo entre os dois personagens. Mesmo assim, percebe-se claramente que os produtores do filme estão mesmo levando a coisa a sério! Sim, porque ao invés de abordar o combate puro e simples, os roteiristas Damian Shannon e Mark Swift enrolam o espectador durante mais de uma hora com dezenas de detalhes completamente relevantes, mas que parecem ter a maior importância dentro da história (esqueça, eles não têm!). Deixando, assim, para o final o tão prometido duelo entre as duas hediondas criaturas.
O filme começa com narração de Freddy Krueger e uma colagem de várias cenas dos filmes anteriores da série "A Hora do Pesadelo" (infelizmente, não fizeram o mesmo com Jason). Freddy conta que se divertia muito com as crianças de Elm Street até que seu nome caiu no esquecimento quando os adolescentes da nova geração foram criados sem qualquer informação sobre a existência do psicopata. Ora, sem conhecer Freddy Krueger, os jovens não podem sonhar com ele. E, assim, o assassino caiu no esquecimento, condenado ao limbo.
Até que Freddy tem uma idéia espantosa: entrar nos sonhos do serial killer Jason Voorhees, que está morto e enterrado (bom, enterrado sim, mas não propriamente morto), passando-se pela sua mãe, a sra. Voorhees, e fazendo o matador de adolescentes acreditar que deve se mudar de Crystal Lake para Elm Street e chacinar os jovens de lá. Com isso, Freddy espera que um clima de desespero e paranóia se instale novamente no local, fazendo com que os adolescentes voltem a falar em Freddy Krueger, o que lhe daria o poder de voltar com força total aos pesadelos da garotada.
Bem, vamos dizer que, até esse ponto, a história realmente faz um mínimo de sentido e lógica e soa até divertida. Temos até uma cena de nudez gratuita à beira do lago de Crystal Lake, algo que não se via desde a parte 7 de Sexta-Feira 13, lá no final dos anos 80 (é, faz tempo...). Mas é só Freddy colocar em prática seu plano diabólico de usar Jason como marionete que o filme vira um festival de furos.
Primeiro, como Jason foi de Crystal Lake a Elm Street? De ônibus ou pedindo carona na estrada? Ou simplesmente caminhando? Difícil que algum pedestre ou motorista não tenha percebido numa figura enorme e putrefata, com máscara de hóquei e um facão ensangüentado, caminhando rumo a uma cidade (Springwood). O que os roteiristas esquecem, talvez, é que uma figura como Jason pode, sim, passar despercebida no meio da floresta, ao redor do campo de Crystal Lake, mas jamais poderia se locomover sem provocar suspeitas em uma cidade (onde ele se esconderia, por exemplo? Num hotel ou numa pensãozinha barata?).
Somos logo apresentados aos heróis e vítimas do filme, um bando de adolescentes patetas como convém ao gênero, mas tão chatos e desinteressantes que torna-se maçante quando percebemos que seremos obrigados a passar com eles a próxima 1h30min de filme. Lori, Kia e Gibb são três amigas desmioladas que estão na casa de uma delas, sozinha em casa. Logo surgem dois rapazes e a "festinha" começa. Literalmente, já que Jason surge e mata o namorado de Gibb, apunhalando-o várias vezes antes de dividi-lo ao meio no colchão - um festival de sangreira lembrando os melhores momentos de Jason na sua série regular.
Quando a polícia chega para "controlar a situação" (leia-se "recolher o cadáver"), o nome de Freddy é citado pelos policiais e Lori escuta. Ela comenta com os amigos, dando alguma força para Freddy Krueger voltar aos pesadelos da garotada. Mas ele ainda não está forte o suficiente para começar a matar.
E Jason, onde está? Não sei, perguntem ao roteirista. Vamos dizer apenas que entrar sorrateiramente em uma casa pela porta dos fundos e matar apenas uma pessoa lá dentro não é bem o estilo do psicopata. Ora, o cara é um monstro imortal, uma besta humana, sem qualquer noção de inteligência ou planejamento dos seus atos. Considerando o que ele faz nos filmes da série Sexta-Feira 13, Jason, no mínimo, deveria entrar na casa derrubando a porta da frente, sem descansar até matar todos os jovens lá dentro (e não matar apenas um e ir embora rapidinho com medo da polícia... O cara é imortal, pô!).
Outro detalhe: que fim leva Jason entre este primeiro crime e os demais? Bem, o mínimo mesmo que se deveria esperar do serial killer era que ele fosse entrando de casa em casa na rua Elm matando gente a torto e a direito, inclusive os próprios policiais. Mas não é o que ele faz. Jason revela-se um assassino contido e paciente, quase um Michael Myers (que nunca foi), esperando até suas vítimas estarem sozinhas para agir. Misteriosamente, os mesmos roteiristas que criaram este "Jason boiola" esquecem tudo depois e voltam a mostrar o psicopata alucinado, atacando um rave cheia de jovens no seu velho estilo... Mas calma que já chegamos lá.
Bem, enquanto Jason volta ao seu esconderijo depois de cometer o primeiro assassinato (o que ele fazia lá? Lia "O Senhor dos Anéis"? Assistia TV? Jogava videogame?), descobrimos que um ex-namorado de Lori, Will, supostamente desaparecido, está bem vivo, mas internado numa clínica para doentes mentais. Na verdade, a instituição é uma espécie de "depósito" dos jovens que tinham pesadelos com Freddy Krueger, separados dos demais para não "contaminar" os adolescentes da rua Elm com a paranóia e o medo. Eles tomam um medicamento experimental chamado Hypnocil (aparentemente, o mesmo que Nancy, a personagem de Heather Langenkamp, tomava em A Hora do Pesadelo 3), um supressor dos sonhos.
Pois não é que Will e seu amigo Mark, dois amigos idiotas como poucos, conseguem fugir da bem cuidada instituição médica? Pior: conseguem chegar a Springwood sem levantar suspeitas e até caminhar livremente pelas ruas e pelo colégio onde Lori estuda (acreditem se quiserem!). A lenga-lenga em cima da volta de Will e seu relacionamento com Lori, as explicações para a internação na clínica e o tal do Hypnocil tomam um tempo danado de filme e retardam a matança, o que jamais deveria acontecer em um filme bobo e sem pretensões, como este. É como se os roteiristas estivessem levando tudo a sério e quisessem explicar tudo tintim por tintim, tomando o público de idiota.
Para piorar, não bastassem todos estes elementos e informações, ainda inventam mais uma trama paralela onde Will é acusado do assassinato da mãe de Lori, mas jura ter visto seu pai esfaqueando a mulher - algo que está aí apenas para enrolar, ou "encher lingüiça", como se diz por aqui -, retardando a luta de Freddy e Jason.
E Freddy, por falar nisso? Bem, ele nunca está forte o suficiente para começar a matar. E quando finalmente está, perde sua primeira vítima (Gibb) para Jason, que chega antes. É o suficiente para deixar o assassino das navalhas nos dedos totalmente puto da cara. Ele resolve que antes de voltar à sua carreira de crimes, terá que se livrar do "cúmplice" de uma vez por todas. E é aí que o filme perde o rumo de vez.
Entram mais e mais personagens que nada acrescentam a trama, inclusive um maconheiro e um policial que acredita que há um serial killer "imitando" os crimes de Jason Voorhees (claro, os policiais nunca acreditam que há um assassino imortal à solta por aí). É quando rola a cena que realmente vale o preço do ingresso: Jason totalmente alucinado, e em chamas, invadindo uma festa rave realizada em um milharal, matando umas boas dezenas de jovens antes de, mais uma vez, desaparecer (o que eu chamo de "voltar para seu esconderijo").
Mais blábláblá entre policiais, mais blábláblá entre as vítimas, mais enrolação, mais personagens entrando e falando bobagens, até que os jovens resolvem voltar à instituição onde Will estava internado e roubar o Hypnocil, para que não tenham mais pesadelos. Pois, sabe-se lá porque, Jason também tomou o mesmo rumo (com qual objetivo, só os roteiristas sabem, talvez nem eles). Paralelamente, em uma coisa que não se via desde A Hora do Pesadelo II, Freddy possui o corpo do maconheiro (na forma de uma ridícula lagarta, em citação a "Alice no País das Maravilhas") e se livra do Hypnocil. Depois, coloca Jason para dormir com sedativos. É justamente isso que Freddy quer: Jason dormindo, para que possa sonhar com ele.
No pesadelo de Jason (!!!), temos o primeiro duelo entre os dois monstros. Totalmente ridículo, devo dizer. Freddy faz Jason voar e bater em canos da sua velha refinaria, como se fosse uma bolinha de pinball. Hahahahaha, gargalha o cinema inteiro. Bem, acho que rir não deveria ser a proposta de um filme de horror, ainda mais estrelado por dois ícones do moderno cinema de horror, mas deixa para lá. E tome porrada do Freddy, e tome piadinha sem graça, até que o assassino leva a melhor, aprisionando Jason na água - supostamente, a única coisa de que ele tem medo, já que morreu afogado. Só faltou os roteiristas lembrarem que nos filmes da série Sexta-Feira 13, Jason nunca teve medo de água.
Os jovens que sobraram, enquanto isso, levam o corpo adormecido de Jason para Crystal Lake (!!!). Acreditam que, em seu território, a luta entre ele e Freddy será mais fácil. Lori dorme e "entra" no pesadelo de Jason (como eles fazem isso???), trazendo Freddy para o mundo real. Agora, ele terá que acertar as contas com Jason de uma vez por todas, enquanto o assassino de Crystal Lake aproveita para despachar mais alguns adolescentes desta para melhor.
Tirando algumas bobagens (Freddy disparando tubos de gás em Jason, por exemplo), a luta final entre os dois é bem realizada e tem tudo aquilo que o restante do filme não tem: bastante sangue e violência. Freddy esquarteja Jason de todas as formas enquanto este decepa braços e arranca pedaços de Freddy a facadas. É um verdadeiro duelo de titãs. Pena que no final tudo acaba em empate técnico (é ver para crer). Mas alguém aí realmente acreditou que um dos dois ia vencer?
Bem, resumindo, acho que o filme enrola muito para chegar naquilo que todo mundo espera: a luta entre Freddy e Jason. Hypnocil, a morte da mãe de Lori, a fuga de Will, os adolescentes que não podem sonhar, isso tudo é balela, enrolação que não acrescenta nada à história. Os roteiristas poderiam ter caprichado mais no duelo entre os dois assassinos e muito bem reduzido a duração do filme para 1h20min, no máximo, cortando o blablabla e boa parte dos detalhes que estão sobrando.
Mas teriam que melhorar também a história, porque não cola essa de Jason andar por Springwood cometendo assassinatos isolados, como nunca fez. E também reduzir um pouco a bobagem. Poucas piadas são engraçadas, há cenas ridículas (como aquela em que dois maconheiros confundem Jason com um fazendeiro e mandam ele ir fazer sexo com ovelhas), péssimas interpretações (principalmente de Jason Ritter, que, como Will, não pára de sorrir nem por um momento, mesmo nas cenas onde supostamente deveria estar triste ou assustado).
Meu veredito: justamente um filme mais ou menos. O diretor Ronny Yu foi muito melhor em "A Noiva de Chucky", onde tinha um roteiro infinitamente mais simples e divertido para trabalhar. Aqui, a história é tão ridícula que chega a espantar o fato de até mesmo o diretor levar certos momentos mais a sério do que deveria (colocando música sinistra e ritmo lento, como se aquilo fosse um filme de suspense "sério").
Infelizmente, o filme ficou longe de ser aquilo que eu esperava: uma sátira total, como Sexta-Feira 13 Parte 6, com mortes engraçadas e gozação em geral com o gênero. Parece que todos os envolvidos no projeto ficaram com medo de partir para a brincadeira assumida - até os atores estão interpretando como se fosse um filme "sério".
Na soma geral, Freddy Vs. Jason ganha uma nota 5, talvez até menos. Zero para sua proposta, zero para seu objetivo, cinco pelo pouco de diversão que ele oferece. Mas que dá uma saudade danada dos primeiros filmes das duas séries (Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo), ah, isso dá... Talvez os americanos tenham desaprendido a fazer bons "slasher movies"...
CURIOSIDADES
- Freddy Vs. Jason foi um projeto anunciado no início dos anos 90. Desde então, até sua realização, dezenas de roteiros diferentes foram escritos, inclusive um envolvendo uma seita satânica e o fim do mundo!
- A primeira vez em que a idéia de juntar Freddy e Jason foi discutida aconteceu em 1987. Na época, os direitos da série Sexta-Feira 13 pertenciam à Paramount, que nem quis saber da idéia - a parte 7 da série estava sendo produzida.
- Inicialmente, os personagens de Alice (heroína em A Hora do Pesadelo 4 e 5) e Tommy Jarvis (que apareceu em Sexta-Feira 13 partes 4, 5 e 6) estariam no roteiro de Freddy Vs. Jason.
- O diretor Ronny Yu não quis colocar Kane Hodder (intérprete de Jason desde a parte 7) neste filme, magoando o ator. Yu argumentou que Kane não tinha os olhos expressivos.
- Jason Bateman (do picareta "O Garoto do Futuro 2") era a primeira escolha para o papel de Will, que ficou com Jason Ritter.
- Três finais diferentes foram considerados para o filme:
1-) Após o "duelo", Will e Lori começavam a transar, até que o rapaz passasse a agir como maníaco, surgindo na sua mão uma luva igual à de Freddy, com a qual ele estraçalha o peito da namorada.
2-) Freddy e Jason lutam dentro do lago, que de repente começa a secar num redemoinho, sugando os dois para o "inferno". Entretanto, quando o pai de Lori chega, a garra de Freddy sai do chão e o mata.
3-) Freddy e Jason são sugados para o inferno e continuam a luta entre as chamas. Até que correntes aparecem do nada e aprisionam os dois. Eis que surge Pinhead (da série " Hellraiser") e pergunta: "Bem, cavalheiros, vocês poderiam me dizer qual é o problema?". Este final foi descartado porque a New Line não tinha os direitos sobre o personagem Pinhead, mas certamente seria muito, muito divertido, assumindo a avacalhação geral.
- Quando o filme foi projetado em exibições de teste, para ver como o público reagia ao filme, não foi mostrado o final. Em seu lugar aparecia uma mensagem dizendo: "O final desta batalha só será conhecido em 15 de agosto de 2003" (a data de estréia). Assim, ninguém saberia o "vencedor" do duelo.
- Quando Will está no hospital psiquiátrico e assiste sobre os assassinatos em Springwood na TV, a sigla da emissora é KRGR, uma brincadeira com o sobrenome "Krueger". Em A Hora do Pesadelo, Glen (Johnny Depp) está escutando uma rádio com o mesmo nome antes de ser morto por Freddy.
- Quando perguntaram sua opinião sobre o filme, Wes Craven (o criador de Freddy Krueger) resumiu: "É mais forte na ação do que na história".
- Uma fala de Freddy ("how sweat, flesh meat" /"que ótimo, carne fresca") em A Hora do Pesadelo 4 foi adaptada no final, quando ele diz para Kia, que é negra, a frase "How sweat, dark meat!" ("Que ótimo, carne escura").
- A instituição psiquiátrica mostrada no filme, onde Will está aprisionado, chama-se Westin Hills. É o mesmo hospital onde Freddy foi gerado (quando sua mãe, freira, foi estuprada por criminosos violentos) e o mesmo cenário de A Hora do Pesadelo 3.
- Em "A Noiva de Chucky", Ronny Yu dirigiu o falecido John Ritter, filho de Jason Ritter, que aqui interpreta Will.
- O diretor da escola onde os personagens principais estudam é Robert Shaye, produtor de todos os episódios da série A Hora do Pesadelo (e também deste filme), creditado com o pseudônimo L. E. Moko.
- Segundo os roteiristas, o prédio em obras em Crystal Lake, quando Freddy e Jason brigam, é o mesmo prédio que será usado, no futuro, para congelar Jason, como mostrado no filme Jason X.
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por Renato Rosatti
Quando dois dos maiores ícones populares do cinema de horror moderno, Freddy Krueger e Jason Voorhees se encontram mortalmente num mesmo filme, o que se pode esperar é logicamente muita carnificina explícita e uma profusão de sangue para todos os lados. E é exatamente isso o que acontece no crossover "Freddy x Jason", que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 31 de Outubro de 2003 (pouco mais de dois meses depois da estréia nos Estados Unidos em meados de agosto). O filme foi marcado principalmente por uma incrível overdose de violência e sangue, honrando com méritos a história das respectivas franquias (que já totalizam 17 filmes em mais de duas décadas), e destaca-se também pelo oportuno resgate que foi realizado trazendo novamente o clima característico dos filmes de horror "slasher" dos saudosos anos 80.
Ao longo de um século de história do cinema de horror, foram se formando naturalmente uma infinidade de categorias dentro dessa temática básica do gênero fantástico. Entre todas elas, os filmes que apresentavam como protagonistas psicopatas violentos e assassinos seriais foram ganhando um destaque maior na filmografia do horror principalmente a partir dos anos 1970, um período fértil onde começaram a surgir vários monstros sagrados e eternizados pelos apreciadores do estilo como o maníaco Leatherface ("O Massacre da Serra Elétrica"), os mascarados Michael Myers ("Halloween") e Jason Voorhees ("Sexta-Feira 13"), vindo depois em meados dos anos 80 o sarcástico Freddy Krueger ("A Hora do Pesadelo") e o demônio Pinhead ("Hellraiser"), culminando na década de 90 com o carniceiro aristocrático Dr. Hannibal Lecter ("O Silêncio dos Inocentes"), citando apenas os principais. Eles foram os responsáveis pela produção de dezenas de filmes, destacando-se de forma unânime os primeiros de cada respectiva série, e sendo muitos deles com roteiros ruins que acabaram desgastando nitidamente suas imagens.
Mas um fato que sempre foi claro para os produtores era que esses monstros do horror moderno despertavam grande fascínio e interesse popular, justificando a insistência em permanecer seus legados nas telas, conseguindo conquistar cada vez mais novos públicos. Em 1987, no auge desses filmes com psicopatas assassinos, surgiu a primeira idéia de se juntar dois desses anti-heróis numa mesma produção, e os escolhidos foram os mais populares, o falador Freddy Krueger e o silencioso Jason Voorhees, ambos extremamente violentos e com incrível contagem de cadáveres em seus currículos. Porém, problemas técnicos entre as produtoras "New Line" (A Hora do Pesadelo) e "Paramount" (Sexta-Feira 13) impediram um acordo para a realização do filme.
Após 15 anos de muitas especulações e intensas movimentações nos bastidores, finalmente em 2003, uma época onde a tendência dos crossovers está saindo dos papéis e ganhando a realidade das telas do cinema (como podemos notar na união de dois monstros modernos da Ficção Científica com elementos de Horror, "Alien VS Predador"), o tão aguardado confronto entre Freddy e Jason nasce das mãos do produtor Sean S. Cunningham, criador da série "Sexta-Feira 13", do diretor nascido em Hong Kong Ronny Yu, mais conhecido pelo filme "A Noiva de Chuchy" (1999), quarto exemplar da saga do famoso boneco assassino, e dos jovens roteiristas Damian Shannon e Mark Swift, fãs declarados das franquias.
Novamente trazendo o ator Robert Englund como o vilão Freddy Krueger (ele que interpretou o personagem em todos os filmes da série) e Ken Kirzinger como seu oponente Jason Voorhees (o ator estréia na pele do assassino, que anteriormente foi interpretado quatro vezes pelo dublê Kane Hodder, descartado agora), o filme mostra Freddy aprisionado no inferno, sem energias para surgir novamente nos pesadelos de suas vítimas, as quais são sedadas por drogas experimentais num hospital psiquiátrico que as impedem de sonhar.
Uma vez abandonado no esquecimento, sem receber a força proveniente do medo das pessoas, Freddy planeja seu retorno à ativa utilizando a ajuda inconsciente do psicopata Jason, despertando-o de seu profundo sono e ressuscitando-o de seu túmulo. Manipulando seu adversário através da imagem de sua falecida mãe Pamela Voorhees (Paula Shaw), Freddy incita-o a atacar a cidade de Springwood e mais precisamente os moradores da Rua Elm, para continuar sua vingança àqueles que o queimaram vivo no passado, recuperando sua potência sobrenatural e perpetuando a chacina de suas vítimas em seus sonhos.
Jason ressurge sedento de sangue e mais violento do que nunca, e com seu enorme facão retalha impiedosamente todos que cruzam a sua frente, num banho de sangue de proporções descomunais, com direito a decapitações, vísceras expostas, desmembramentos, com suas vítimas sentindo a terrível dor de uma lâmina dilacerando brutalmente suas frágeis carnes.
Freddy por sua vez volta a recuperar as forças e também a aterrorizar suas vítimas penetrando em seus sonhos e rasgando seus corpos com sua tradicional luva feita de afiadas lâminas. Porém, fica irritado pelo descontrolado Jason matar indefinidamente e roubando dele algumas vítimas. Quando Freddy consegue se transferir para o plano real, saindo do mundo onírico, ele passa a enfrentar mortalmente seu rival Jason num confronto de ultra violência, em meio a um grupo de jovens adolescentes que tenta sobreviver aos ataques de ambos, formado pelo casal principal Lori Campbell (Monica Keena) e Will Rollins (Jason Ritter), além de Kia (Kelly Rolland) e Charlie Linderman (Christopher George Marquette), entre vários outros que sentiram a fúria sangrenta de Freddy e Jason.
Para se assistir um filme como "Freddy x Jason" é fundamental em primeiro lugar você esquecer completamente a lógica do roteiro e procurar entrar no clima de uma produção repleta de fantasia, clichês e situações inverossímeis. Para se ter uma idéia, até um dos personagens do filme fica a todo momento (enquanto está vivo, é claro) respondendo que tudo é possível quando alguém resolvia perguntar sobre a ocorrência de fatos totalmente absurdos existirem realmente. Uma vez desconsiderando a razão e os motivos de uma série de acontecimentos que envolvem a condução da história, certamente o espectador vai se divertir com o show de imagens sangrentas que se apresentará a sua frente, manchando a tela de vermelho, não escapando nem os letreiros.
Dentre os clichês extremamente desgastados, estão as inúteis tentativas de assustar as pessoas com as tradicionais cenas onde o volume do som é aumentado excessivamente e de forma repentina numa fração de segundos. Nada mais óbvio e sem graça... Não faltam também as tentativas de humor forçado com o uso de piadas idiotas proferidas por adolescentes mais estúpidos ainda, e é claro, não poderia faltar o uso de drogas e sexo num desfile de personagens arquetípicos que apenas nos fazem torcer fervorosamente para serem massacrados das formas mais insanas e dolorosas possíveis pelos vilões psicopatas.
De positivo em "Freddy Vs Jason" temos o fato claro de que o filme tem um ritmo acelerado de muita ação, correrias, barulhos, porradas e sangue para todos os lados, sem perder muito tempo com diálogos inúteis que em nada ajudariam na composição do roteiro que, repito, não está muito interessado (e nem poderia estar) em situações lógicas. O filme tem o cuidado especial de oportunamente esclarecer para o público que não conhece o universo ficcional das franquias a origem dos vilões e suas mitologias básicas, as quais foram exploradas nos diversos filmes posteriores de ambos os psicopatas. E muitos desses filmes foram completamente desconsiderados na história do crossover, fato totalmente compreensível até porque as próprias séries já tiveram filmes anunciando as mortes de seus vilões e os números das bilheterias forçaram seus ressurgimentos em argumentos muitas vezes ridículos. Outros momentos interessantes foram que no início do filme, tanto Jason Voorhees como Freddy Krueger estiveram bem à vontade em seus ambientes naturais, realizando suas chacinas no melhor estilo de seus primeiros filmes ao longo da década de 1980, num oportuno resgate e homenagem ao cinema de horror com psicopatas produzido naquela época. Um destaque notável foi um massacre cometido por um Jason enfurecido com sua enorme faca, contra um grupo de jovens que estavam dançando ao som de música eletrônica numa clareira no meio de uma plantação de milho. A música dançante foi substituída pelo som da faca cortando a carne dos adolescentes e pelo fluxo do líquido vital deles irrigando o milharal.
Porém, a partir do momento em que eles se confrontam num duelo de morte, o que prevalece é apenas a incrível exposição de violência dos golpes entre ambos, pois não é possível se esperar algo mais interessante numa briga envolvendo duas entidades sobrenaturais e praticamente invencíveis. O resultado passa a ser um show de desmembramentos, objetos cortantes dilacerando a carne, rasgos profundos na pele jorrando sangue em profusão, e todos os tipos de atrocidades imagináveis entre duas criaturas completamente possuídas e guiadas pelo ódio e insanidade. E inevitavelmente nesse momento o filme perde um pouco de seu interesse, deixando claro para mim que seria muito melhor se eles, ao invés de se enfrentarem, unissem suas forças demoníacas para ampliar seus domínios e intensificar seus planos de vingança num massacre cada vez mais efetivo. E então o filme não seria "Freddy Vs Jason" e sim ambos os vilões juntos contra a escória da humanidade...
Após uma quantidade exagerada de cenas violentas no duelo entre os vilões, o filme se conclui com um desfecho satisfatório e totalmente interpretativo sobre os resultados deixando obviamente uma oportunidade para uma futura sequência da franquia. Enfim, um filme com uma carga de violência que honra as origens de seus protagonistas e que certamente garantirá ótimos momentos de entretenimento para os apreciadores do cinema de horror com psicopatas assassinos. Para quem entrar no clima e proposta de "Freddy Vs Jason", desconsiderando os clichês e lógica do roteiro, terá aproximadamente uma hora e meia de diversão garantida sem compromisso.
O PRINCÍPIO DO MAL
Eu confesso que não estava nem um pouco entusiasmado com a realização de um filme envolvendo Freddy e Jason, e me mantive de certa forma afastado das notícias de bastidores sobre a produção. Eu estava apenas esperando sua estreia no Brasil como mais um filme qualquer e que nitidamente foi criado para a obtenção de lucros nas bilheterias. E essa história de crossover nunca me despertou grande interesse justamente por seu caráter comercial. Mas ao assistir "Freddy Vs Jason" de forma totalmente aleatória, entrei em seu clima e me diverti bastante. Mas, mesmo assim, ainda acho equivocada a tentativa dos produtores em realizar filmes que misturem personagens já consagrados por suas performances independentes e continuo não vendo como boas iniciativas a união de "Alien Vs Predator" e outras especulações envolvendo o psicopata Michael Myers, o herói Ashley da série "Evil Dead", o demônio "Pinhead" e outros mais...
O produtor Sean S. Cunningham nasceu em Nova York no último dia do ano de 1941. Especialista no horror, ele dirigiu o primeiro episódio de "Sexta-Feira 13" em 1980 e produziu vários filmes do gênero como os quatro capítulos da franquia "A Casa do Espanto" (House), que se iniciou em 1986, além do horror submarino "Deep Star Six" (1989) e as partes 9 e 10 de "Sexta-Feira 13".
O ator americano Robert Englund nasceu em 06/06/1944, e possui uma respeitável carreira com participação em aproximadamente 70 filmes. Foi coadjuvante em raridades como "Eaten Alive" (1977), de Tobe Hooper, e em interessantes produções de baixo orçamento como "Os Mortos-Vivos" (Dead and Buried) e "Galáxia do Terror" (Galaxy of Terror), ambos de 1981, antes de se consagrar alguns anos depois no papel de Freddy Krueger no filme "A Hora do Pesadelo". Englund é bastante conhecido também pelo seu papel de Willie na série de TV sobre invasão alienígena "V, A Batalha Final", produzida entre 1984 e 1985. Outros filmes de horror de sua filmografia são "O Fantasma da Ópera" (1989), de Dwight H. Little, "Noites de Terror" (1993) e "Mangler - O Grito do Terror" (1994), ambos dirigidos por Tobe Hooper, além de "Lenda Urbana" (1998), de Jamie Blanks. Na direção, Englund se aventurou no thriller de horror "976-Evil" (1989) e em alguns episódios da série de TV "A Hora do Pesadelo".
Já o ator canadense Ken Kirzinger é mais conhecido como dublê em séries de TV como "Arquivo X" e "Smallville" e filmes recentes como "O 13º Guerreiro", "13 Fantasmas", "Insônia" e "X-Men 2". Na franquia "Sexta-Feira 13", ele apareceu numa pequena ponta não creditada como um cozinheiro na parte 8, "Jason Ataca em Nova York" (1989).
O resto do elenco é desconhecido. Jason Ritter participou do suspense "Fixação" (2002), Monica Keena esteve em "O Advogado do Diabo" (1997), Kelly Rowland é cantora do grupo "Destiny´s Child", e a canadense Katharine Isabelle fez uma ponta em "Insônia" e protagonizou o papel principal no filme de licantropia "Possuída" (Ginger Snaps, 2000), além das duas sequências dessa franquia.
A título de curiosidade e aproveitando a oportunidade de um filme que une Freddy Krueger e Jason Voorhees numa mesma história, vale relembrar as filmografias de ambas as enormes franquias, que inclui filmes para o cinema e séries de televisão. Primeiro surgiu a série "Sexta-Feira 13", com um total de dez filmes e tendo o original lançado em 1980 com direção de Sean S. Cunningham. Jason Voorhees foi um garoto supostamente normal e que aparentemente morreu afogado nas águas de "Crystal Lake" aos 11 anos de idade. Sua mãe, Pamela, era cozinheira de uma colônia de férias local e culpou os monitores do acampamento pela morte do filho, alegando que eles negligenciaram suas funções e permitiram, mesmo que involuntariamente, que Jason se afogasse. Ela própria acabou enlouquecendo e se encarregou de realizar uma sangrenta vingança, sendo que mais tarde Jason misteriosamente também ressurgiu transformado num assassino psicopata, que vivia como um animal na floresta defendendo seu território com fúria e violência. Com o sucesso de público, as primeiras continuações vieram logo nos anos seguintes, tendo como características a enorme quantidade de furos nos roteiros, evidenciando o pouco cuidado com a lógica dos eventos. "Sexta-Feira 13 - Parte II" (Friday the 13th - Part II, 1981) e "Sexta-Feira 13 - Parte III" (Friday the 13th - Part III: 3D, 1982), foram ambas dirigidas por Steve Miner.
Já a série "A Hora do Pesadelo" iniciou sua saga no cinema em 1984 num filme dirigido por Wes Craven, sendo que o título nacional foi escolhido de forma oportunista numa época onde vários outros filmes de horror recebiam o manjado prefixo "A Hora" como por exemplo "A Hora do Lobisomem", "A Hora do Espanto", "A Hora dos Mortos-Vivos", "A Hora da Zona Morta" e a "A Hora do Calafrio". Uma freira fica acidentalmente presa num manicômio junto com dezenas de pacientes e é violentamente estuprada por todos eles numa relação de pura insanidade. Como resultado, nasceu Freddy Krueger, que se tornou um cruel psicopata assassino de crianças. Uma vez descobertas suas atrocidades, ele é executado e queimado vivo em sua casa. Porém, o vilão fez um pacto com um demônio do sono transformando-se em imortal e conseguindo o poder de invadir os pesadelos de suas vítimas para aterrorizá-las e consumar seu plano de vingança. O sucesso do primeiro filme incentivou os produtores na criação de uma franquia e em seguida vieram "A Hora do Pesadelo 2 - A Vingança de Freddy" (A Nightmare on Elm Street 2 - Freddy´s Revenge, 1985), de Jack Sholder, "A Hora do Pesadelo 3 - Os Guerreiros dos Sonhos" (A Nightmare on Elm Strret 3 - The Dream Warriors, 1987), de Chuck Russell, "A Hora do Pesadelo 4 - O Mestre dos Sonhos" (A Nightmare on Elm Street 4 - The Dream Master, 1988), de Renny Harlin, "A Hora do Pesadelo 5 - O Maior Horror de Freddy" (A Nightmare on Elm Street 5 - The Dream Child, 1989), de Stephen Hopkins, "A Hora do Pesadelo 6 - A Morte de Freddy" (Freddy´s Dead - The Final Nightmare, 1991), de Rachel Taladay, e finalmente "O Novo Pesadelo - O Retorno de Freddy Krueger" (Wes Craven´s New Nightmare, 1994), de Wes Craven.
A franquia ainda é composta por uma série de TV (Freddy´s Nightmares, 1988/1990) com 44 episódios de 60 minutos apresentados por Freddy Krueger em pessoa. Além também de um lançamento de um vídeo game em 1990 inspirado no universo ficcional da série.
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ACAMPAMENTO SANGRENTO 11: O CONFRONTO
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores
por Marcelo Milici
Na época do lançamento de “Freddy Vs Jason” nos cinemas brasileiros, em 24 de outubro de 2003, escrevi uma crítica sobre o filme, preparando o público para o confronto mais esperado do século. Agora, não há necessidade de reescrever o texto, apenas aproveitar para analisar exclusivamente a participação de Jason Voorhees e as citações aos filmes do personagem.
O roteirista Mark Swift deixou claro numa entrevista que o produtor Robert Shaye estaria mais interessado na cine-série “A Hora do Pesadelo” do que “Sexta-Feira 13”, exigindo que muitas cenas envolvendo a franquia de Jason fossem excluídas do texto original. O que temos, então, é praticamente a participação do assassino mascarado num filme de Freddy Krueger em boa parte de sua projeção.
A introdução do filme situa o público sobre a origem de Freddy Krueger, explicando que o assassino dos sonhos não consegue mais matar jovens porque eles simplesmente não se lembram mais dele. A cidade de Springwood armou um esquema para que a população não se lembrasse mais dos crimes da Rua Elm e de Freddy, levando os jovens que poderiam ter alguma recordação do assassino para uma instituição mental, onde seriam aplicadas grandes doses de Hypnocil, um remédio que os impede de sonhar.
Freddy Krueger, então, invade um sonho de Jason e, fingindo ser sua mãe, pede que ele vá a Rua Elm matar algumas pessoas que merecem morrer. Jason levanta de seu túmulo e caminha lentamente para a região – que, de acordo com o filme, é praticamente ao lado de Crystal Lake. Jason invade a casa 1428 e mata violentamente um rapaz que estava deitado na cama, aguardando a namorada sair do banho. A morte é do jeito que o público gosta: ele arranca o intestino do jovem e ainda aciona o fechamento da cama, quebrando no meio.
Quando todos começam a acreditar que Freddy é o autor do crime, ele retorna aos poucos para sua sede de sangue, mas é obrigado a barra Jason, que também quer realizar seu massacre de costume. Nessa disputa por vítimas, quem sai ganhando é o público, com um show de sangue espirrando na tela, mortes criativas, pesadelos sinistros e, por fim, o combate dos ícones do horror num pesadelo de Jason e em Crystal Lake.
A história até caminhava bem, mas alguns furos tornaram a experiência desagradável para os fãs das franquias. Vamos falar de “Sexta-Feira 13”.
- o filme traz uma novidade absurda: Jason, que morreu afogado, tem medo de água. Essa é uma tremenda mentira. No quarto filme, “Sexta-Feira 13: O Capítulo Final”, Jason atravessa o lago para matar uma jovem que nadava num barco. Na Parte VII, ele afoga uma jovem; na Parte VIII, ele invade um navio e depois chega a Manhattan por baixo da água...
- Crystal Lake neste filme é apenas um acampamento. Os cenários são bem diferentes dos acampamentos mostrados na franquia.
- Jason mata uma vítima na casa e vai embora. Ninguém sabe para onde foi. Se Springwood é um bairro urbano, onde teria Jason se escondido? Talvez na casa de Michael Myers...
- Jason é interpretado quase que fielmente pelo gigantesco Ken Kirzinger (ator que mede 1,96, e fez uma ponta na Parte VIII). Manteve o andar lento e o olhar sinistro, mas deixou de lado a velha respiração do personagem. Dizem que o ator nunca tirou a máscara durante as filmagens e entrevistas, pois queria transmitir ao elenco e ao público sua fidelidade ao ícone.
- No filme, o Jason consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo: no hospital psiquiátrico, na rave, na Rua Elm....sempre a um passo à frente de Freddy Krueger. Essa característica foi atribuída ao personagem apenas na parte VII...
- a atriz que faz Pamela Voorhees até que lembra Betsy Palmer, mas o visual com cabelo comprido estragou a sua caracterização. Ela também é um pouco exagerada na interpretação, deixando o lado comum da personagem mostrado no primeiro e segundo filme.
Algumas referências à franquia:
- o saco que é colocado na cabeça de Jason, durante o pesadelo em Crystal Lake, é uma referência à veste do assassino na Parte II.
- quando Jason empala Frisell e Gibb, ele faz uma referência à Parte II, quando faz o mesmo com Jeff e Sandra.
- o modo como Jason olha para a mão, com os dedos cortados por Freddy, refere-se ao que acontece com o personagem na Parte IV, quando ele olha do mesmo jeito depois que Trish corta sua palma.
- A seqüência em que Jason quebra as portas do hospital psiquiátrico refere-se ao ato do personagem em “Jason X”. O policial que é eletrocutado no painel também se refere a uma morte similar...
Dirigido de forma competente por Ronny Yu, associado aos excelentes efeitos especiais – com exceção, dos vôos de Jason e Freddy -, o filme é bastante divertido, tem uma ótima trilha sonora e boas atuações.
CONTAGEM DE CORPOS
Assassino: Jason Voorhees 3 (107) : Trey – cortado com um facão, e a cama o dobra no meio... 4 (108) : Pai de Blake – decapitado pelo facão 5 (109) : Blake – rasgado com o facão 6 (110) : Frisell e 7 (111) : Gibb – duplamente empalados com um cano 8 (112) : amigo – cabeça virada em 360 graus 9 (113) : Shack – empalado por uma arma em chamas 10 (114) : jovem da rave 1 – cortado com o facão 11 (115) : jovem da rave 2 - cortado com o facão 12 (116) : jovem da rave 3 – rasgado no ombro 13 (117) : jovem da rave 4 – ferido no estômago com o facão 14 (118) : jovem da rave 5 - cortado com o facão 15 (119) : jovem da rave 6 - cortado com o facão (off screen) 18 (120) : Security Guard – esmagado pela porta de metal 19 (121) : Deputy Stubbs – eletrocutado no painel 20 (122) : Freeburg – possuído pela criatura de Freddy, rasgado ao meio com o facão 22 (123) : Linderman – empalado por um pedaço de madeira 23 (124) : Kia – cortada com o facão e arremessada contra uma árvore 24 (125): Freddy Krueger – braço arrancado e enfiado no próprio corpo
Assassino: Freddy Krueger 17 (1): Mark – queimado, rosto cortado
Flashback/Morte nos Sonhos 1 : Garotinha – olhos arrancados por Freddy (off screen) 2 : Heather – pregada na árvore com o facão 16 : Irmão de Mark - motivado a se suicidar por Freddy 21 : Mãe de Lori – esfaqueada no estômago por Freddy
Assassino: Lori Campbell 24 (1): Freddy Krueger – decapitado pelo facão do Jason
O total de vítimas da rave é desconhecido.
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FREDDY VS JASON(Freddy Vs Jason, EUA, 2003). New Line, 98 minutos
Direção: Ronny Yu Roteiro: Damian Shannon e Mark Swift, baseados em personagens criados por Wes Craven e Victor Miller Produção: Sean S. Cunningham Produção Executiva: Douglas Curtis Fotografia: Fred Murphy Música: Graemme Revell Edição: Mark Stevens Direção de Arte: Ross Dempster Elenco: Robert Englund (Freddy Krueger), Ken Kirzinger (Jason Voorhees), Monica Keena (Lori Campbell), Jason Ritter (Will Rollins), Kelly Rowland (Kia), Katharina Isabelle (Gibb), Christopher George Marquette (Charlie Linderman), Brendan Fletcher (Mark Davis), Tom Butler (Dr. Campbell), Lochlyn Munro (Deputado Scott Stubbs), Kyle Labine (Freeburg), Zack Ward (Bobby Davis), Paula Shaw (Pamela Voorhess), Gary Chalk (Xerife Williams), Jesse Hutch (Trey), David Kopp (Blake), Brent Chapman (Pai de Blake), Alistair Abell (Oficial Goodman), Robert Shaye (Diretor Shaye).