Antes de começar este artigo, eu vou contar uma historinha verídica que aconteceu comigo. Se ela tivesse um título seria "Como fui enganado direitinho por um encarte inocente": Estava eu na minha eterna caçada por um filme para a minha coleção de VHS e conseqüentemente encontrar uma pauta para um novo artigo quando surge em minha frente um filme chamado NIGHT FRENZY - QUANDO O SONHO VIRA PESADELO. Uma mão agarrando o pescoço de uma garota ilustrando a capa e uma sinopse relativamente atraente me fizeram adquirir a bendita fita (captaram a rima?). O diretor era um tal de Arch Stanton. Desconfiado, fui procurar mais informações.


E não foi que eu acabei descobrindo que o filme na realidade era
Sorority House Massacre II (também conhecido como
Nighty Nightmare), uma produção fuleira de 1990, tendo
Roger Corman como produtor executivo. Arch Stanton era um dos vários pseudônimos do diretor de porcarias Jim Wynorski. Nesta hora pensei:
"Maldição, eu não vou ver outro filme de Jim Wynorski...", afinal o último que eu vi deste cidadão foi
KOMODO VS. COBRA e vocês que leram o artigo já devem saber o que aconteceu. No entanto, ao mesmo tempo, pensei que poderia ser uma boa experiência por ser um slasher bagaceiro (meu subgênero favorito), além disso, no pior dos casos, o filme era extremamente curto, apenas 78 minutos.


Pois acabei vendo, e não é que gostei do bastardo!? Acredito que se o filme
TODO MUNDO EM PÂNICO satirizasse os slashers oitentistas haveria uma enorme possibilidade de que ele saísse como
NIGHT FRENZY, pois a produção é uma piada só, uma versão exagerada e tosca do gênero, e melhor ainda, cheio de mulheres nuas ou seminuas que farão a alegria da marmanjada.


A história (ou a desculpa para os assassinatos) começa com cinco peitud.... digo, belas garotas que estão prestes a se mudar para uma velha casa e fundar uma fraternidade (assim como poderia ser um grêmio, uma casa de massagem, não importa), mas a mudança vai chegar apenas no dia seguinte, assim como o conserto dos telefones e da energia elétrica.


São elas, Linda (Gail Harris, que participou de outra tranqueira de Wynorski,
CRIATURAS), Jessica (Melissa Moore de
SAMURAI COP e mais recentemente
DEMÔNIO), Kimberly (Stacia Zhivago), Suzane (Michelle Verran) e Janey (Dana Bentley,
KARATE COP e
JOGO FATAL), que pretendem passar a noite no local mesmo em suas condições precárias. Janey revela que conseguiu a casa por um preço baixíssimo, pois há cinco anos um doido chamado Hockstetter matou toda a família e só parou porque uma garota conseguiu impedi-lo utilizando um facão bem afiado.


A noite cai. Aparece na casa das garotas Orville Ketchum (Peter Spellos de
A HORA DO PESADELO 6 e
HOMENS DE PRETO II), o bizarro vizinho da frente, que conta todos os detalhes sórdidos da história para elas, além de deixar a chave do porão onde Hockstetter supostamente guardava suas ferramentas de matar e que estava intacto desde o massacre. Apesar de assustadas com a história, elas resolvem seguir para o porão onde encontram uma mesa Ouija e decidem utilizá-la para invocar o espírito de Hockstetter, o que é, obviamente, uma péssima idéia. Não tarda muito para que as garotas (agora com pouca roupa - e assim ficando até o final do filme) comecem a serem perseguidas por um misterioso assassino que quer iniciar um novo massacre. E esse não é um resumo do roteiro; é apenas isso mesmo.


Ah, sim, já estava me esquecendo. Existe uma trama paralela, obviamente para encher lingüiça, onde um casal de policiais, o tenente Block (Jürgen Baum) e a sargento Shawlee (Toni Naples de
CHOPPING MALL, que também é de Wynorski), investigam os acontecimentos de cinco anos atrás e a ligação de Orville com Hockstetter. O que não faz o menor sentido, pois não há nenhuma pista nova e eles agem como se os assassinatos tivessem ocorrido na semana anterior.


Infelizmente não assisti a
Sorority House Massacre e vou ficar devendo na comparação com esta continuação, entretanto fui informado por fontes seguras que o
"roteiro" não tem ligação alguma com o original, apesar de mostrar o final inteiro em flashbacks e desvirtuar completamente a história, o que não me surpreende nem um pouco, porque é nítido que esta continuação só foi feita para pegar embalo no primeiro. Na verdade, a única coisa estranha é que o fiapo do roteiro cheio de buracos da continuação tenha sido escrito por três pessoas (Mark Thomas McGee, James B. Rogers e Bob Sheridan).


Sobre o elenco, especialmente as atrizes, todas elas sabem usar seus
"atributos interpretativos" como ninguém (hehehe...) além de possuir duas estrelas do pornô no elenco (Michelle Verran conhecida como
Barbii no papel de Suzanne e Shannon Wilsey conhecida como
Savannah no papel da stripper Satana McVixen), algumas até tentam atuar no meio do caminho, mas falham miseravelmente para o bem da nação masculina. O restante - uns dois ou três são medíocres, exagerados e não merecem menção, exceto Peter Spellos como o estranho Orville Ketchum, o vizinho das garotas que se recusa a morrer. Cada vez que o homem se estrepa é uma gargalhada só.


Falando do diretor, Jim Wynorski entrega um trabalho padrão sem nenhum suspense e sem o menor capricho, mas a ação é incessante por culpa da curta duração do filme: a partir do momento que as garotas na casa colocam suas camisolas, os peitos não param de balançar de tanta correria. Claro que se analisamos como cinema
"sério", o filme seria tão ruim como os demais do diretor: efeitos toscos (dá para ver o mecanismo que espirra sangue na parede pelo menos duas vezes), erros de continuidade a perder de vista, e, é importante frisar que qualquer um que quiser ver mais do que matança desordenada e mulheres em trajes sumários vai ter um ataque do coração. Assim, esvazie um pouco seu cérebro, coloque seu lado pervertido para funcionar e divirta-se.

Gabriel Paixão
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NIGHT FRENZY - QUANDO O SONHO VIRA PESADELO (Sorority House Massacre II / Night Frenzy / Nighty Nightmare, EUA, 1990). Duração: 78 Minutos
Direção: Jim Wynorski
Roteiro: Mark Thomas McGee; James B. Rogers; Bob Sheridan
Produção: Julie Corman
Produção Executiva: Roger Corman
Fotografia: J.E. Bash; Jürgen Baum
Edição: Nina Gilberti
Maquiagem: Tricia Sawyer; Suzy Evans
Desenhos de Produção: Richard K. Wright
Efeitos Especiais: Dean Jones; William Starr Jones
Música: Chuck Cirino
Elenco: Gail Harris (Linda); Melissa Moore (Jessica); Stacia Zhivago (Kimberly); Michelle Verran (Suzanne); Dana Bentley (Janey); Jürgen Baum (Tenente Block); Toni Naples (Sargento Shawlee); Mike Elliott (Eddie); Bridget Carney (Candy); Peter Spellos (Orville Ketchum); Bob Sheridan; Gunnar Johnson; Eric Hoffman; Carlo Jonzi (Abdul); Hassan Feffer (Schmabdul); Emil Rochelle; Shannon Wilsey (Satana McVixen); Alex Tabrizi; Kevin Tent; Don Keehed; James B. Rogers
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