FUTURE KILL
A VIOLÊNCIA DO FUTURO

por Felipe M.Guerra

Punks, sangue e comédia num filme charmoso de tão ruim!

Se você é um verdadeiro fã de horror e vê um cartaz de filme com uma fan-tás-ti-ca arte cyberpunk do mestre H.R. Giger e a frase “Os astros de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA estão de volta”, nada mais importa: você PRECISA ver aquele filme, não importa se é uma história de horror classe Z ou um drama lacrimoso produzido no Afeganistão. Entretanto, o que você certamente não espera é que o tal cartaz pertença a um filme bizarro, que mistura gêneros sem muito critério, parecendo mais uma mistura de MAD MAX, A HORA DO PESADELO, PORKY’S, THE WARRIORS - OS SELVAGENS DA NOITE e FUGA DE NOVA YORK. Pode acreditar: tal disparate, que parece até um delírio saído de alguma produção de Bruno MatteiM baseada em roteiro de Jess Franco após tomar LSD, existe e possui certa fama underground - lá nos Estados Unidos, óbvio. Trata-se de FUTURE KILL, obra no mínimo estranha produzida em Austin, no Texas, no hoje longínquo ano de 1985.
E cá entre nós: você certamente já viu muitos casos em que o trailer é melhor do que o próprio filme; mas e quando um cartaz é melhor do que o filme em questão?

A bem da verdade, nada faz muita lógica no roteiro de FUTURE KILL, e toda vez que revejo o filme (foram três vezes no total, verdadeiro prazer sadomasoquista!) fico perguntando a mim mesmo como é que nem o diretor, nem os produtores, nem os atores perceberam a lambança que estavam fazendo. Para exemplificar sem muito lero-lero, a trama corta sem cerimônia de um cenário pós-apocalíptico à la MAD MAX para uma comédia de fraternidade estilo PORKY'S (ou, para os contemporâneos, AMERICAN PIE); mais tarde, corta de uma cena de extrema violência em câmera lenta para o insuportável show de uma banda pseudo-punk oitentista; exibe, ainda, um festival de figurinos e maquiagens berrantes que representam, supostamente, o nosso futuro não muito distante (ou a visão que os figurinistas dos anos 80 tinham do nosso futuro não muito distante). Bem, se no futuro todos teremos que nos vestir com aquelas roupas espalhafatosas e pintando nossos rostos com maquiagem colorida, como se fossemos todos figurantes de MAD MAX 2, então espero não viver muitos anos mais...



FUTURE KILL chegou a ser lançado no Brasil, nos primórdios do VHS, com o péssimo título A VIOLÊNCIA DO FUTURO. Acredito até que foi uma das primeiras fitas nacionais, ainda com aquelas legendas horríveis que surgiam com atraso em relação ao que os atores falam - e que, para piorar, não traduzem nem 60% dos diálogos, resumindo tudo em poucas e sintéticas frases repletas de erros de tradução (“freaks”, por exemplo, foi traduzido para “aleijões” ao invés de “aberrações”). Produzido com uma merreca, FUTURE KILL é o primeiro e único filme de Ronald W. Moore, que, na faixa de comentário do recém-lançado DVD importado da obra, teve a humildade de dizer: “Eu sou o diretor deste filme, se é que podemos chamá-lo assim”. hahahahaha. Só por essa, já ganhou minha admiração - e se Moore algum dia dirigir um outro filme, ou algo que possamos chamar assim, certamente pagarei o preço do ingresso ou locação em respeito à sinceridade do sujeito!

Mas vamos ao que interessa: nossa história começa num laboratório futurista (leia-se: cenário pobre repleto de maquinário pobre, luzes neon e placas com o símbolo de radiação). Ali, um personagem bizarro chamado Splatter (Edwin Neal) discute com outro personagem bizarro chamado Eddie Pain (Doug Davis). Torna-se necessário explicar desde já que Pain é líder de um movimento de jovens punks contrários ao uso de radiação, após um acidente nuclear acontecido dois anos antes naquela região. Estes jovens vestem-se com roupas berrantes, pintam o rosto com maquiagem colorida e chamam a si mesmos de “Mutantes”, embora nenhum deles tenha, realmente, algum tipo de mutação.



Já Splatter é o principal “soldado” do movimento, um brutamontes que, aparentemente, teve a maior parte do corpo destruída por lixo radioativo no tal acidente nuclear de dois anos antes, e, portanto, sobrevive graças a implantes biônicos - leia-se: uma bagaceira armadura feita de plástico. Ah sim: Splatter também tem garras de metal nas mãos, à la Wolverine ou Freddy Krueger, como você preferir. Pela discussão da dupla, ficamos sabendo que Splatter, como o nome já indica, prefere utilizar de violência e métodos pouco ortodoxos para prostestar contra a radiação, mesmo que isso envolva torturar e matar os próprios membros da gangue quando eles falam com repórteres. Mas Eddie Pain, o líder dos Mutantes, odeia violência e quer que o grupo faça manifestações pacíficas para ser melhor compreendido pela sociedade, sem qualquer derramamento de sangue. Claro que isso não vai acabar bem...

Logo após esta cena climática, que nos introduz no universo pós-apocalíptico da trama, FUTURE KILL simplesmente dá um corte maluco e nos leva diretamente a uma alegre e colorida fraternidade americana, típica de comédias do período, como PORKY’S, A VINGANÇA DOS NERDS e CLUBE DOS CAFAJESTES. Belas gatinhas com pouca roupa jogam em máquinas de pinball (e isso que estamos, supostamente, no futuro!), enquanto rapazes bobalhões com péssimos cortes de cabelo enchem a cara com cerveja e olham, admirados, para os peitões das moçoilas. Pelo que se percebe, nosso futuro não será nem um pouco diferente do “presente”. Já o choque entre o clima “dark” e futurista da primeira cena (discussão de Eddie Pain e Splatter) e esta segunda cena (repleta de humor sexista e bobagem) é tão grande que o espectador chega a imaginar que está vendo outro filme, completamente diferente, gravado por cima da fita que estava assistindo originalmente. Acreditem, é algo MUITO sem pé nem cabeça! E a confusão que atormenta o espectador não pode ser descrita, apenas SENTIDA in loco!!!



De qualquer jeito, a festa na fraternidade é primordial para o roteiro porque introduz nossos “heróis”, cinco jovens cabaços, manés e sem graça. Caso você realmente se importe, eles são Paul (Gabriel Folse, de MISS SIMPATIA), Steve (Wade Reese, em seu único filme), Tom (Barton Faulks, no primeiro dos dois filmes de sua carreira), Jay (Robert Rowley, em seu único filme) e George (Jeffrey Scott, no seu segundo e último filme; o primeiro foi, ahá!, THE WARRIORS!). O quinteto aprontou alguma e destruiu o Corvette do presidente de uma fraternidade rival, o que provocou a ira da turma do colégio. Portanto, numa tentativa de se desculpar pelo seu erro, eles vão até lá se desculpar com o proprietário do carro destruído, mas preferem cobri-lo com piche e penas (!!!) ao invés de assumir que fizeram cagada.

Quando a história chega aos ouvidos de Clint (Craig Kanne, em seu único filme), presidente da própria fraternidade dos arruaceiros, ele resolve dar aos cinco brincalhões uma “missão” como castigo: ir até o bairro pobre onde vivem os Mutantes (apelidado de “FreakCity”, uma terra de ninguém onde nem a polícia pisa, tipo FUGA DE NOVA YORK) e raptar um dos punks para levar até uma festa da fraternidade. Opa, calma aí: será que ninguém mais pensou, como eu, que esta é a idéia mais infeliz que eles podiam ter? Será que os cinco jovens bundões (seis, contando também com o líder que teve a “brilhante” idéia) realmente acreditavam que podiam ir até um bairro conhecido pela violência e alta criminalidade para seqüestrar um dos punks sem imaginar que NADA DE ERRADO iria acontecer?



Para dar mais realismo à “missão”, os cinco estudantes se disfarçam de Mutantes (e não estamos falando do famoso grupo musical brasileiro), vestindo a roupinha punk tipicamente anos 80 (embora a trama se passe no futuro) e as toneladas de maquiagem colorida no rosto e nos olhos. A bordo de uma caranga oitentista, ouvindo música oitentista (embora, novamente, a trama se passe no futuro), o grupo vai até FreakCity em busca de um punk para seqüestrar. E, para complicar ainda mais a coisa, resolvem levar justamente o líder do movimento, Eddie Pain. Eis que enquanto os jovens tentam agarrar o sujeito surge, do nada, o cruel Splatter, que não sabe que o “seqüestro” é de mentirinha. Portanto, achando que o lance é pra valer, o brutamontes chega sentando a mão na orelha da galera. Quando Clint sai do seu esconderijo para acalmar os ânimos e explicar que é tudo brincadeira, Splatter se enfurece e responde: “Quero ver você rir disso!”, ao mesmo tempo em que crava suas pontiagudas garras metálicas na garganta do sujeito. A cena, torna-se necessário informar, está grotescamente cortada no VHS nacional - e grotescamente mesmo, porcamente até, pois o corte fica perceptível graças aos “pulos” na trilha sonora.

Com seu amigo e presidente de fraternidade morto, os cinco jovens bobocas ficam completamente estupefatos e desnorteados - e finalmente percebem a roubada em que se meteram! Eles provavelmente também seriam mutilados por Splatter se Eddie Pain não fosse dar uma bronca no sujeito: “Não era preciso matá-lo, Splatter!”, grita o líder dos Mutantes. Revoltado com a xaropeação do chefe, o vilão resolve "pedir demissão", ou melhor, se livrar de Eddie Pain, disparando uma estrelinha ninja direto na jugular do agora ex-patrão. E, obviamente, joga a culpa do assassinato na garotada da fraternidade, que àquela altura resolveu fugir para salvar a própria pele. Com isso, Splatter mata dois coelhos num tiro só: livrou-se do líder pentelho e pacifista e conquistou o comando dos Mutantes. Mas, para isso, terá que aniquilar as cinco testemunhas, de qualquer maneira.



As "testemunhas", que obviamente não estão querendo ser mortas, se dividem na fuga: três correm para um lado, dois para outro. Por sua vez, Splatter reúne os soldados do movimento para, bem armados, perseguirem os “assassinos de Eddie Pain” pelas ruas escuras e desertas da cidade. A partir deste momento, o que era um filme pós-apocalíptico misturado com comédia adolescente se transforma numa aventura futurista que se assemelha a um clone de FUGA DE NOVA YORK e THE WARRIORS, com os cinco jovens tendo que enfrentar um ambiente hostil, perseguidos por inimigos vindos de todos os lados, numa tentativa desesperada de voltar à “civilização”, ou seja, ao seu tranqüilo bairro de classe média.

Apresentado assim resumidamente, FUTURE KILL parece um samba do crioulo doido. E realmente é! As cenas dos jovens correndo pelas ruas e enfrentando os soldados enviados por Splatter são entrecortadas por cenas curtas do próprio vilão despachando desafetos - incluindo uma prostituta assanhada -, sempre violentamente, numa tentativa de apresentá-lo como um monstro cruel e sanguinário no estilo Jason ou Freddy Krueger (tanto que, em alguns países, o filme foi lançado com o título SPLATTER). Mas não funciona: Splatter, no final das contas, aparece muito pouco tempo em cena, e também mata pouquíssimos personagens, nunca parecendo tão ameaçador quanto o roteiro, o diretor e a fan-tás-ti-ca arte do cartaz tentam nos fazer acreditar que é. E também soa completamente deslocado o fato de Splatter circular o tempo inteiro com seu figurino berrante de cyborg em meio à maioria dos figurantes humanos e normais (e isso que eles se chamam “Mutantes”!!!). O filme se beneficiaria muito mais se tivesse outros personagens com figurinos bizarros semelhantes ao de Splatter, para pelo menos dar uma cara mais futurista à história. Vale nomear os responsáveis pela bagunça: além do próprio diretor, assinam o roteiro Neal, John Best e Kathleen M. Hagan.



Diretor e roteirista de primeira viagem, Moore ainda inventa viagens como cenas em câmera lenta inseridas na montagem sem muito critério, perseguições repetitivas (espere só para ver o milésimo take dos rapazes correndo pelas ruas escuras com suas sombras refletidas no asfalto ou nas paredes, algo que o diretor deve ter achado lindo, pois repete a cada 10 minutos!!!) e momentos estapafúrdios, como aquele em que os jovens, perseguidos e ameaçados de morte por metade do bairro, simplesmente param num clube noturno e ficam assistindo tranqüilamente a um show de punk rock - ao mesmo tempo em que tentam chegar na mulherada e se dar bem, esquecendo que estão fugindo de metade do bairro, que um dos amigos foi morto violentamente e que existe um monstrengo cibernético com sede de sangue e garras de aço atrás deles... Simplesmente não dá para levar a sério! Há, ainda, o fato dos Mutantes que perseguem os jovens terem recebido a ordem de agarrá-los vivos - para que o próprio Splatter possa matá-los. Assim, como os vilões supostamente não têm liberdade para matar os heróis em fuga, os heróis por sua vez têm liberdade para entrar em confronto corporal e até aniquilar seus perseguidores. Sentiu o drama?

Se muita coisa não faz sentido, há uma explicação mais ou menos lógica: segundo narra na faixa de comentário do DVD importado, Moore filmou todo o roteiro que tinha à disposição e acabou com apenas 50 minutos de material nas mãos; com isso, obrigou-se a criar novas cenas e "enrolar" para fechar o tempo total de 85 minutos. Isso justifica alguns momentos difíceis de engolir, como o tal show da banda e as intermináveis perseguições. Mas o maior pecado de FUTURE KILL é misturar gêneros sem nunca decidir-se por um deles. Não há nenhum problema em mesclar horror e comédia, como o diretor/roteirista fez. Aliás, é válido destacar, a história começa no terreno "comédia adolescente" e da metade em diante se transforma num pesadelo sangrento, mais ou menos da mesma forma que fez, exatos 20 anos depois, Eli Roth em seu fantástico HOSTEL. O problema é que Moore, ao contrário de Roth, exagerou na comédia-pastelão: os vinte minutos iniciais, que retratam a vida na fraternidade, são bisonhos e parecem ter saído de alguma cena excluída de A VINGANÇA DOS NERDS.



Para o leitor ter uma idéia, há até uma piada muito ridícula onde dois jovens cabaços deitam-se na cama com uma prostituta peituda e muito gostosa. O quarto está no escuro e, quando um dos jovens vai acender a luz, descobre que, no lugar da prostituta gostosa, há uma gordona imensa (e pelada) abraçada com eles. Detalhe: não havia forma humanamente possível da gostosa do primeiro take sair da cama de fininho para que a gordona pudesse deitar-se com a dupla e consumar o trote sem que nenhum dos dois percebesse - logo, é uma piada esdrúxula, absurda e ridícula. Não bastasse isso, Moore também não consegue escolher entre fazer um filme pós-apocalíptico (já que os detalhes "futuristas" são escassos e praticamente resumem-se à presença do cibernético Splatter), um filme de ação (já que a "ação" se resume às cenas de correrias e algumas poucas pancadarias entre os heróis e os Mutantes) ou um filme de horror (já que o sadismo de Splatter é pouco explorado, e as cenas sangrentas são poucas, embora interessantes). Com tanta mistureba, FUTURE KILL é exatamente o que parece: uma colagem com um pouquinho de tudo, mas menos do que seria satisfatório em cada gênero - há pouca ação, pouco terror, pouco humor e pouca ficção científica.

Apesar dos pesares, o espectador ainda consegue encontrar em FUTURE KILL alguns poucos detalhes interessantes que justificam pelo menos uma assistida (nem que seja usando a tecla fast foward como alívio para o cérebro). Algumas cenas são tão grotescas que chegam a se tornar engraçadas. Minha preferida é aquela onde dois Mutantes, armados de fuzis, perseguem os jovens até um beco escuro. Ali, escutam um barulho, mas é apenas um simpático gatinho saracoteando entre as lixeiras - um clichê cinematográfico mais velho que o próprio cinema, diga-se de passagem. Mas então, num saboroso anti-clichê, um dos vilões fica furioso e descarrega sua metralhadora no bichano, e no take seguinte vemos o que restou da carcaça do felino crivado de balas - tente segurar o riso! Outro momento divertido é aquele em que uma prostituta assanhada inventa de fazer um boquete em Splatter - e não consigo imaginar o que ela vê de excitante num monstro robótico como aquele. Subitamente, a garota faz uma cara de assustada e o vilão agarra seus cabelos, gritando: "Se encontrar alguma coisa aí, pode começar a chupar, sua vagabunda!", antes de matá-la violentamente, é claro! Ou seja: além de sádico e cibernético, Splatter ainda por cima é castrado!!! Dá até para entender um pouco da frustração do sujeito. hahahaha



Brincadeiras à parte, é preciso destacar bons momentos num conjunto medíocre. Quando os rapazes estão no clube noturno curtindo uma folga das perseguições, por exemplo, o diretor Moore filma em câmera lenta a cena onde um dos rapazes fica olhando apaixonado (e abobalhado) para Julie (Alice Villarreal), uma bela Mutante, enquanto Splatter e seus soldados vêm se aproximando ameaçadoramente pelo meio da multidão. É uma bela cena de suspense, tão bem conduzida que me faz acreditar que foi dirigida por outra pessoa. E há também resquícios de brutalidade à la O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, como quando Splatter atinge um dos rapazes com um faconaço e ele cai no chão se contorcendo violentamente antes de morrer, algo bem semelhante à morte de Kurt no filme de Tobe Hooper, após levar uma marretada no crânio desferida por Leatherface. A conclusão é o ponto alto de FUTURE KILL, com um longo confronto entre os rapazes da fraternidade e Splatter e seus mutantes num velho laboratório abandonado - onde, sem querer entregar demais, o vilão tem um destino bastante sangrento e nojento, que também sofreu cortes no VHS nacional.

E quanto à fan-tás-ti-ca arte de H.R. Giger no cartaz de FUTURE KILL? Bom, este é um dos grandes mistérios relacionados à produção: o que levou o genial e renomado (já naquela época) artista suíço a entregar uma arte de sua autoria para uma produção classe Z obscura como esta? Ainda mais considerando que Giger era nome famoso em Hollywood, depois de quase ganhar um Oscar pelo design da criatura de ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO. Na época, ele estava decepcionado com o mundo do cinema porque suas idéias para DUNA (de David Lynch) e POLTERGEIST 2 foram respectivamente usadas sem crédito ou deturpadas. Existem duas versões conhecidas para o envolvimento do artista plástico em FUTURE KILL. A primeira é contada pelo próprio astro Edwin Neal: na época, ele circulava pelo mundo vendendo "memorabilia" cinematográfica, e ainda curtindo a fama de ter aparecido como um dos vilões de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (caso você ainda não tenha ligado o nome à pessoa, ele era o asqueroso Caroneiro).



Pois Giger era muito fã do filme de Tobe Hooper e, ao conhecer Neal, os dois conversaram e o artista concordou em desenhar o cartaz de FUTURE KILL, que àquela altura já estava filmado e em fase de edição (Neal inclusive lamenta que idéias de Giger não tenham sido utilizadas também nos figurinos da película). A outra versão é do próprio artista: em um dos seus livros, ele conta que o diretor Ronald W. Moore foi procurá-lo e fez chantagem emocional, praticamente chorando para que ele cedesse uma arte de sua autoria para o cartaz, ou não conseguiria lançar o filme comercialmente. Seja qual for a história correta, sabe-se que o original de Giger ficou com Edwin Neal durante muitos anos, e depois o ator vendeu-o num leilão por um valor alto o suficiente para comprar uma casa de campo!!! Talvez pelo fato de H.R. Giger estar envolvido na produção (somente na arte do cartaz, mas vá lá...), na Europa o título foi mudado para NIGHT OF THE ALIEN (!!!), sendo que nem ao menos existe um alien na trama!!!

Mais que um filme independente e ruim, FUTURE KILL funciona como uma verdadeira reunião de pessoas envolvidas no clássico O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (o original de 1974, obviamente). Além de Edwin Neal e de Marilyn Burns (cuja passagem pelo filme é meramente decorativa, com uma pequena participação no final como a Mutante Dorothy Grim), há a presença de Robert A. Burns, que foi diretor de arte na produção de Tobe Hooper e aqui assina os efeitos especiais ao lado de Kathleen M. Hagan. Curiosamente, um dos capangas de Splatter é interpretado por um ainda anônimo Bill Johnson, que no ano seguinte (1986) seria convidado para interpretar o próprio Leatherface em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, que Tobe Hooper dirigiu para a Cannon Pictures! Coincidência pouca é bobagem... Único ator "profissional" envolvido na produção, Neal também foi creditado como "treinador de diálogos", pois ajudou o restante da galera a decorar e recitar suas falas. Vale lembrar que ele também assina o roteiro e a co-produção. Logo, Neal é um legítimo "mil-e-uma utilidades", e aparentemente estava bem esperançoso quanto ao sucesso comercial de FUTURE KILL... hehehehehe. Na faixa de comentários do DVD importado, o ator diverte-se ao lembrar que várias pichações feitas para o filme (inclusive um enorme letreiro escrito "Splatter" e grafitado na parede de um prédio) ficaram marcados por mais de 10 anos!!!



Enfim, FUTURE KILL pode até ser uma bela bomba, que mistura gêneros sem critério, não empolga e tem sangue e violência de menos para justificar a presença de tantos ex-O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA no elenco. Entretanto, uma coisa é indiscutível: a arte do cartaz é fan-tás-ti-ca. Eu até sugeriria que os curiosos comprassem a fita, jogassem fora a dita cuja e guardassem apenas a capinha. Mas, atualmente, FUTURE KILL é um VHS raro demais para receber tão pouco nobre tratamento. Então, na dúvida, consiga o seu, faça uma cópia ampliada da capinha para decorar seu quarto e depois venda a fita por 50 reais no Mercado Livre que é mais negócio!



Felipe M.Guerra
FUTURE KILL - A VIOLÊNCIA DO FUTURO (Future Kill, EUA, 1985)
Direção: Ronald W. Moore
Roteiro: Ronald W. Moore, John Best, Kathleen M. Hagan, Edwin Neal
Produção: John H. Best e Gregg Unterberger
Fotografia: Jon H. Lewis e Ralph Watson
Música: Robert Renfrow
Maquiagem: Robert A. Burns e Kathleen M. Hagan
Figurino: Kathleen M. Hagan
Edição: Leon Seith e Charles Simmons
Elenco: Edwin Neal (Splatter); Marilyn Burns (Dorothy Grim); Gabriel Folse (Paul); Wade Reese (Steve); Barton Faulks (Tom); Rob Rowley (Jay); Craig Kanne (Clint); Jeffrey Scott (George); Alice Villarreal (Julie); Doug Davis (Eddie Pain); Karin Kay; Elizabeth Henshaw; Cathy Durkin; Kate Cadenhead; Joe Abner; Deborah Damm; Rebecca Scoggin


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