GUERREIROS DO FUTURO

por Felipe M.Guerra

Um imperdível trash com vilões gays e muita sangueira barata

Quem viver, verá: o mundo será destruído, nos próximos anos, por uma gigantesca explosão nuclear, e em 2019 os sobreviventes desta tragédia precisarão se adaptar à vida em um planeta árido e semi-destruído. Neste ano, os edifícios e as cidades se transformaram em escombros e a face da Terra virou um enorme deserto, mas, milagrosamente, todos os automóveis estão em perfeitas condições e, pelo jeito, os postos de gasolina continuam funcionando, já que ninguém nunca fica sem combustível. Neste mundo do futuro, o maior desafio não será a falta de água ou de comida, nem a radiação da atmosfera, mas sim um grupo de mercenários frutinhas, com fetiche por ombreiras enormes um bizarro ritual de iniciação, que varrem o deserto aniquilando os sobreviventes do holocausto sem motivo. Assim será o nosso futuro, pelo menos na visão do cineasta italiano Enzo G. Castellari e seu irresistível trash movie GUERREIROS DO FUTURO.
Como fã de podreiras e filmes bagaceiros, toda noite, antes de dormir, eu rezo uma Ave-Maria para o cineasta George Miller, aquele australiano que dirigiu MAD MAX e, principalmente, MAD MAX 2. (Tá, ele também dirigiu o fraquinho MAD MAX 3, mas isso não vem ao caso). Miller não só deu ao mundo do cinema dois filmaços (tá, três, vá lá...), mas também originou toda uma série de clones e imitações baratas feitas nos Estados Unidos e, principalmente, na Itália, o país dos "ripoffs", ou seja, imitações baratas de filmes de sucesso. E foi o sucesso de MAD MAX 2, de 1981, que deu origem a uma série de "filmes pós-apocalípticos" em todo globo, um fenômeno que se manteve entre 1982 e 1988. Os americanos responderam com pérolas como DEF-CON 4 (1985) e a série IMPÉRIO DAS CINZAS; até o Brasil teve seu momento “pós-nuclear”, quando o "cineasta" Levy Salgado copiou os figurinos bizarros e as guerras de gangues do futuro de MAD MAX 2 no risível PUNK’S - OS FILHOS DA NOITE (que também ganhou uma versão com cenas de sexo explícito enxertadas na montagem, comicamente rebatizada SEXO SELVAGEM DOS FILHOS DA NOITE!).



Mas foi na Itália que a estética “pós-nuclear” fez mais sucesso, talvez por serem produções razoavelmente baratas: não era necessário construir cenários, pois bastava filmar no deserto ou usar cenários semi-destruídos de outras produções; nem era necessário gastar em figurinos, pois bastava usar roupas rasgadas e farrapos, e por aí vai. De uma vez só, entre 82 e 84, pipocaram diversos filmes de ação apocalípticos, como O EXTERMINADOR DO SÉCULO 3000, O GUERREIRO DO MUNDO PERDIDO, O EXECUTOR FINAL e este GUERREIROS DO FUTURO, que é, disparado, um dos melhores (ou pelo menos mais engraçados) da safra. Veja outros na relação ao final deste artigo.

GUERREIROS DO FUTURO foi filmado em 1982 e lançado nos cinemas europeus em 1983. O nome original era "I Nuovi Barbari" (Os Novos Bárbaros), mas pelo mundo a produção ganhou todo tipo de títulos, como é comum com estas produções bagaceiras italianas. Nos EUA, o nome mais popular é a versão literal em inglês, "The New Barbarians", mas também é possível achar o filme com o título "Warriors of the Wasteland". Já no Brasil, acredite se quiser, foi lançado em VHS duas vezes por distribuidoras diferentes e com títulos diferentes, no auge do VHS no país: a Sagres mandou para as locadoras com o título "2019 - Os Bárbaros do Futuro", e a Jota Home Vídeo com a tradução utilizada neste artigo, GUERREIROS DO FUTURO. Nem precisa dizer que as duas fitas são impossíveis de encontrar atualmente, e que o filme permanece inédito em DVD no Brasil, embora tenha uma edição caprichada nos States.



O responsável pela brincadeira, Castellari, era até então um conhecido diretor de policiais e faroestes-spaghetti, como o excelente KEOMA (1976) e VOU, MATO E VOLTO (1967). Uma das características do seu cinema era filmar cenas de ação em câmera lenta, estilo explorado com muita elegância anteriormente pelo diretor norte-americano Sam Peckinpah, e depois repetido à exaustão pelo chinês John Woo. Ao filmar GUERREIROS DO FUTURO, Castellari vinha de uma pendenga judicial que tirou dos cinemas americanos sua produção anterior, L'ULTIMO SQUALO (1981), filme de suspense acusado de ser "muito parecido" com o TUBARÃO, de Spielberg.

Aparentemente com um orçamento precário, que transparece o tempo inteiro na tela, o diretor fez de GUERREIROS DO FUTURO uma aventura esquisita e involuntariamente cômica. Não dá para saber até onde o roteiro (assinado por Castellari, Tito Carpi e Antonio Visone) é sério ou sátira, pois em alguns momentos parece que estão levando tudo na brincadeira, principalmente na bizarra caracterização do herói e dos próprios vilões. Acidentalmente ou propositalmente, o filme é trash do começo ao fim e NÃO deve ser assistido por quem não curte este tipo de bobagem...



GUERREIROS DO FUTURO já começa a mil: nos créditos iniciais, a explosão de uma maquete super-tosca em cartolina representa o suposto fim do mundo. Na minha opinião, porém, é o tenebroso tema de sintetizador que toca na abertura, composto pelo mestre Claudio Simonetti (sim, o ex-Goblin, em dia de dor de barriga), o verdadeiro fim do mundo! Imediatamente após os créditos, vemos alguns escombros, esqueletos (um deles veste uma bizarra roupa feminina com um espaço para colocar os peitos!!!) e um letreiro informativo: “2019 A.D. - O holocausto nuclear terminou”.

Dali, a câmera de Castellari corta imediatamente para uma colônia de sobreviventes do fim do mundo - na verdade, um mero acampamento com carros velhos e tendas -, onde um operador de rádio tenta encontrar sinais em ondas curtas. Os tais sobreviventes, pelas roupas e bigodões, parecem figurantes saídos de algum filme barato sobre a Segunda Guerra Mundial - tem até um velho vestido como coronel nazista!!! “Talvez o resto do mundo não esteja perdido... Talvez tudo possa voltar a ser como antes...”, sonha uma das sobreviventes. Quando o operador finalmente detecta um sinal distante, prova irrefutável de que há gente transmitindo ondas de rádio em algum lugar ali perto, o tema de sintetizador recomeça e surgem os vilões do filme, os tenebrosos Templários!



Os Templários são malvados, vestem-se de branco dos pés à cabeça e têm umas ombreiras enormes, tipo jogador de futebol americano. São revoltadinhos provavelmente por causa de suas roupas abichonadas, de seus cortes de cabelo grotescos e de seus carros fuleiros, porque todo mundo no filme possui carrões envenenados, mas eles dirigem umas latas-velhas que parecem buggys ou carrinhos de golfe - e, ao invés de barulho de motor, emitem um som xarope tipo “bzzzzzzzzz”.

“Não atirem! Talvez eles vão embora...”, ordena um dos otimistas sobreviventes bonzinhos para seus colegas armados de fuzis e pistolas. Mas é claro que os Templários não vão embora. Dentro da sua “missão sagrada” de exterminar todos os sobreviventes do holocausto, eles atacam com suas armas que disparam laser e seus carrinhos fuleiros, mas cheios de acessórios à la James Bond (um deles tem até uma hélice circular, tipo ventilador, que surge na lateral para decepar cabeças de imbecis que tentam fugir correndo).



E você sabe que está vendo um filme de Enzo G. Castellari quando, por piores que sejam os efeitos e figurinos, os tiroteios acontecem todos em câmera lenta, mostrando em detalhes pessoas caindo fulminadas por tirambaços e dublês virando cambalhotas, atirados ao ar por explosões, sempre em slow-motion! Resumindo: todos os tais sobreviventes deixam de ser sobreviventes e acabam exterminados pelos vilões, que não, não foram embora, como imaginava aquele pateta otimista, que definitivamente devia ter ordenado que seus amiguinhos atirassem...

O líder dos Templários é um gigante chamado One, interpretado por ninguém menos que George Eastman (nome de batismo: Luigi Montefiori), o assassino canibal de ANTROPOPHAGOUS e vilão em incontáveis produções italianas do período. One passa o filme todo dando discursos sem pé nem cabeça que, teoricamente, justificam a matança do seu grupo de frutinhas. Ao rasgar no meio uma Bíblia encontrada no acampamento dos ex-sobreviventes, por exemplo, ele declara: “Livros... Foi isso que começou o Apocalipse”, e tire você a conclusão que quiser.

O que importa é que os próprios Templários, pelo menos, seguem fielmente o seu mestre, e parecem entender seus discursos desconexos, já que vibram, erguem os braços e gritam "One! One!" em uníssono após cada abobrinha dita pelo seu líder. One tem um braço direito, um frescão chamado Shadow, que fica uma gracinha com seu cabelo comprido amarrado em cima da cabeça num coque, tipo uma bailarina anabolizada - e é interpretado por Thomas Moore, ou Enio Girolami, irmão do diretor Castellari, pagando mico provavelmente em consideração aos laços familiares. Ah sim: One também tem um “queridinho” entre seus soldados, Mako (Massimo Vanni), com corte de cabelo moicano e tudo mais. “Você mima ele demais!”, queixa-se um ciumento Shadow, mas o líder quer Mako como seu sucessor - ou amante, tire suas próprias conclusões.



O roteiro nunca se preocupa em explicar porque os Templários não passam o tempo matando um ao outro, já que sua missão é exterminar toda a vida existente no mundo devastado. Também não explica como, afinal, os Templários são recrutados, considerando que One mata todo mundo que lhe cruza a frente. (hahahahaha). Num discurso, o líder se exalta: “Purificarei o mundo com sangue! Ninguém é inocente! Apenas nós, os Templários, seremos os ministros da vingança!”. Quer dizer, talvez até exista civilização em algum lugar, mas as bonecas preferem ficar se matando e construindo carrinhos cheios de acessórios, ao invés de procurar algum sinal de sociedade civilizada... Também faltou explicar onde fica o estoque de ombreiras do grupo e onde eles compram o Omo para deixar suas roupas sempre branquinhas, apesar de eles viverem num deserto devastado e passarem o dia matando “infiéis”.

Mas os Templários não perdem por esperar: eis que naquele mundo devastado também existe um valente guerreiro pós-apocalíptico chamado Mad Max... ou melhor, Scorpion! E interpretado por Timothy Brent (nome de batismo: Giancarlo Prete), um dos grandes nomes do cinema de ação oitentista carcamano, que apareceu também em TORNADO (versão genérica de RAMBO) e FUGA DO BRONX (versão genérica de FUGA DE NOVA YORK), sempre detonando malvados.



Scorpion, na verdade, é um projeto de herói: odeia os Templários, mas nunca fica claro se já foi um deles ou se era ex-namorado de One; veste uma justíssima calça de couro marrom com uma almofadinha ultra-gay sobre o saco, amarrada com o que parece ser um fio-dental que passa pela bunda; usa também um casaco de pele com duas ombreiras extra-large (será uma herança do seu tempo como Templário?), e dirige um Dodge Charger com um crânio prateado na lataria e uma enorme abóboda de vidro (plástico?) no teto, lembrando tanto um disco voador quanto um carro alegórico de alguma escola de samba de quinta categoria!!! Eu juro: num mundo pós-apocalíptico, o último cara para quem eu pediria ajuda seria Scorpion, que não parece herói nem aqui e nem na China!

Ah, vale destacar que o carrão de Scorpion é ainda mais incrementado que os carrinhos dos Templários. Aliás, dá um banho no Batmóvel, no Aston Martini do James Bond e no carro do Stallone Cobra JUNTOS. Acompanhe: além da abóboda de vidro no teto, do crânio na lataria e de canos prateados que saem misteriosamente das laterais, o carrão tem um painel repleto de botões coloridos, que Scorpion usa para fazer praticamente TUDO. Um botão abre o capô, outro abre as portas, outro faz a porta do lado do motorista voar para longe do carro quando um vilão gruda uma bomba na dita cuja, outro dispara mísseis, e por aí vai. E como todo carrão tem que ter sonzeira, Scorpion também tem um rádio - que não toca nem fitas nem CDs, mas uns moderníssimos cubinhos de plástico, que provavelmente serão a mídia digital do futuro!



Sozinho, em sua primeira aparição no filme, Scorpion detona meia dúzia de saqueadores que estavam roubando o que sobrou daquele acampamento destruído pelos Templários. Encontra um sobrevivente em estado lamentável (interpretado pelo diretor Castellari, em participação especial), e dá um tiro no homem para poupar-lhe do sofrimento, transformando-o também em ex-sobrevivente. Depois, o herói vai até sua “oficina mecânica pós-apocalíptica”, um trailer administrado por um garotinho tão loiro que parece ter saído daquele filme, A CIDADE DOS AMALDIÇOADOS! Trata-se de Giovani Frezza, o guri pentelho de A CASA DO CEMITÉRIO e MANHATTAN BABY, ambos dirigidos por Lucio Fulci. Além de mecânico dos bons, eis que o anônimo garoto também é um terror no estilingue, e aparentemente só sobreviveu até então porque mata seus desafetos disparando certeiras estilingadas (o filme nunca se preocupa em mostrar o quê, exatamente, ele dispara nas suas estilingadas, mas os inimigos colocam a mão no pescoço, dão gritos de dor e caem mortos instantaneamente!!!). Scorpion vai até a oficina porque está com um probleminha no carro, e o guri logo descobre o que é: tem uma orelha enfiada no motor!!! hahahahaha

Em seguida, quando um pelotão de Templários está perseguindo um comboio de sobreviventes (resumido a um único furgão prateado por limitações orçamentárias), Scorpion tem sua primeira chance de mostrar porque, afinal, é o herói do filme. Ele aparece do nada e salva uma garota que está vestida como assistente de mágico, com biquíni e capa púrpura - o IMDB diz que seu nome é Alma, mas ninguém nunca chama a pobre moça pelo nome durante o filme inteiro! Ela é interpretada pela bela Anna Kanakis, que protagoniza até uma cena de sexo com o galã italiano à meia-luz, dentro de uma esquisita tenda de plástico!



Ao perceber que o herói não vai deixar que eles matem a garota, Shadow (aquele vilão-bailarina com cabelo em coque, lembra?) prefere discutir com Scorpion ao invés de matá-lo de uma vez: “Você também rouba e mata, não é diferente de nós!", acusa Shadow. Calmamente, o herói responde: “Eu quero viver, enquanto vocês querem exterminar todos os seres humanos para que nada mais viva na Terra...”. O que me leva novamente à velha dúvida: quando acabarem seu “trabalho”, será que os Templários vão matar um ao outro, ou simplesmente passar o resto da vida escutando os discursos de One???

E já que estamos falando em One, é claro que o bofe não está nem um pouco contente ao saber que Scorpion salvou a moça do extermínio. Shadow sugere matá-lo, mas One aparentemente ainda mantém uma pontinha de amor platônico e berra: “Não! Seu sangue não é suficiente... Ele tem que me dar seu orgulho, e sua alma!”. Orgulho e alma??? Hmmm... Tá bom... Acho que ele quer é outra coisa...

Mas Mako, guerreiro jovem e louco pra agradar seu mestre, resolve partir por conta própria, com alguns amigos, para trazer a cabeça de Scorpion e conquistar de vez a simpatia de One. O ataque dos bandidos é hilariante: Scorpion simplesmente se livra dos baitolas com sua arma laser, cujos tirambaços explodem pessoas em pedacinhos (será a Kruger Blaster usada por Brick Bardo em DOLLMAN?). Desnecessário dizer que as cenas são em câmera lenta, mostrando as sangrentas explosões toráxicas à la ALIEN CONTAMINATION, de Luigi Cozzi.





Até que, encurralado por Mako e perseguido pelo vilão em seu carro com a hélice giratória na lateral, Scorpion sai na pernada (não seria mais fácil se atirar no chão, por baixo da hélice?). Quando está quase sendo alcançado, eis que surge um enorme negrão vestido como se estivesse num desfile de escola de samba. É o norte-americano Fred Williamson, astro de nove entre cada dez tralhas da época que precisavam de um negro mal-encarado e lutador!

Williamson interpreta Nadir, um arqueiro que anda para lá e para cá com uma ridícula luva dourada repleta de pontas de flecha explosivas (coloridas, mais parecem luzinhas de Natal!). No caso, Nadir escolhe a ponta, atarracha na flecha e dispara, novamente explodindo Templários em pedacinhos - espere só para ver o bandido que toma uma flechada no pescoço e tem a cabeça explodida em câmera lenta, e o longo take do cadáver sem cabeça ainda pilotando a veloz motocicleta!






Mas voltando à ação: sabe como Nadir salva Scorpion da morte certa? Ele simplesmente dispara uma flecha explosiva no caminho, a explosão abre um buraco no solo e o herói se joga dentro, escapando da hélice no carro de Mako!!! hahahahaha. Furioso por quase ter sido atropelado e/ou decapitado por Mako, Scorpion pula sobre o carro do pit-bicha e sai no braço com ele (e só falta mesmo algo como: "Ui, não estraga meu cabelo moicano, seu bruto!!!"). A briga acaba com Mako caindo debaixo do rodado e tendo a cabeça esmagada pelo próprio carro, tudo mostrado em detalhes.




Nadir parece ser um guerreiro errante como Scorpion, só que mais orgulhoso e arrogante (afinal, é o Fred Williamson!). Ele diz a Scorpion que acabou de passar por uma caravana de sobreviventes (mais uma!), e os dois, junto com Alma, resolvem se juntar a eles. Os tais sobreviventes são uns carolas, liderados por um guia chamado Moisés (!!!), que ficam o tempo inteiro dando sermão e perseguindo os mesmos sinais de rádio que aquele grupo do começo do filme (já que a vida pós-hecatombe nuclear se resume a procurar ruídos em aparelhos de rádio da era pré-histórica). Quando Scorpion estranha a generosidade e simpatia dos homens da caravana, Nadir diz: "Eles acreditam em algo chamado... (pausa dramática) Deus!". hahahahaha. Do jeito que a coisa é apresentada, é como se todo mundo tivesse esquecido de Deus após uma explosão nuclear, mesmo que 90% dos sobreviventes já estivessem vivos ANTES do fim do mundo, e certamente ouviram falar em Deus alguma vez na vida!

Enquanto na caravana tudo é festa (Nadir descola até uma gata, enquanto Alma consegue um médico para tratar seus ferimentos), no acampamento dos Templários é um momento de dor e perda. O cadáver de Mako está deitado sobre uma maca, só de cuequinha (de couro, mano!!!), enquanto o resto da boiolada escuta o discurso de seu mestre Clodovil, ou melhor, One. Furioso por terem matado seu namora... ops, futuro sucessor, One berra furioso, como uma boneca que quebrou a unha recém-pintada: "Somos os Templários, os altos sacerdotes da morte! Mako, eu irei lhe oferecer mil, 10 mil vidas estúpidas!!! Eu prometo exterminar a semente do homem da Terra devastada!". Semente do homem??? Xiiiii...



De volta à caravana dos sobreviventes bonzinhos, o operador de rádio descobre que os sinais estão sendo transmitidos em código morse a menos de 10 milhas dali. "Estamos salvos", murmura o líder dos sobreviventes. Mas é claro que não será tão simples, pois os Templários se preparam para a batalha final e para vingar a morte de Mako.

Primeiro, eles conseguem aprisionar Scorpion, que estava deixando a caravana para viver sua vida solitária de Mad Max italiano. Levado ao acampamento dos vilões e amarrado a dois postes, o pobre herói passa pelo ritual de "iniciação" dos Templários, que é a maior prova de que todos os vilões gostam de alisar um croquete: enquanto Shadow força Scorpion a ficar de quatro, One "faz o serviço" no fiofó do nosso herói, numa cena que parece ter sido tirada de AMARGO PESADELO (ou do posterior PULP FICTION). E, sinceramente, me diga qual filme você já viu nesta vida em que o personagem principal é sodomizado pelo vilão ao invés de ser simplesmente torturado ou surrado!

O pior é que a cena da curra é demente: Castellari intercala cortes rápidos de closes no rosto de One com expressão de prazer (ele parece estar curtindo muito a "iniciação") com closes na cara de desespero e dor de Scorpion. Com certeza, um dos momentos mais malucos (e constrangedores, claro) que eu lembro de ter visto no cinema de ação carcamano. Nenhum herói nunca sofreu tanto quanto o pobre Scorpion...




Para a sorte de nosso Mad Max de quinta categoria, logo surgem dois capangas com notícias de que uma nova caravana foi avistada, interrompendo os "festejos" da noite. One pára o que está fazendo (hahahaha) e ordena o ataque, mobilizando todos os seus homens (bem, não sei se "homens" é a melhor expressão neste caso), e deixando Scorpion para morrer nas mãos de apenas três capangas, ao invés de ele mesmo terminar o serviço. É claro que não vai terminar bem: Nadir aparece, explode umas cabeças com suas fechas explosivas e liberta o herói, que agora vai ter que esquecer a humilhação e a ardência na rosquinha para dar uma nova turbinada no seu carro e deter os Templários antes que eles destruam a caravana. A batalha final, com mais algumas toneladas de explosões e tiroteios em câmera lenta, é um festival de risadas, incluindo o aguardado confronto entre Scorpion e One - não, eles não ficam juntos no final! hahahahaha.

GUERREIROS DO FUTURO é o típico filme que 99% da humanidade vai achar tão divertido quanto escorregar num tobogã de giletes e cair numa tina com sal e vinagre. Para os escolados em bagaceirices italianas, fãs de tralha diversas e adoradores de trash movies, entretanto, é um clássico instantâneo num dos subgêneros mais podres da história do cinema - as imitações de MAD MAX. Se você assistir em turma, fica difícil segurar o riso por mais de cinco segundos: ou você gargalha com os diálogos bisonhos (e a dublagem medonha), ou com os nomes ridículos dos personagens, ou com as situações esquisitas (incluindo o estupro do herói), ou com a roupa ultra-fashion da galera, ou com os carros sucateados do futuro, ou com a sonoplastia bagaceira... Enfim: não faltam motivos para rir de GUERREIROS DO FUTURO, e por isso ele é um excelente programa para sessões trash com amigos que curtam esse tipo de lixo.



O filme todo é inconsistente: num mundo devastado por uma explosão nuclear, os sobreviventes se preocupam mais em turbinar seus carros e enchê-los com traquitanas do que em tentar reconstruir cidades (o tempo todo vemos os sobreviventes como nômades, nos carros ou operando equipamentos de rádio, mas o filme nunca mostra de onde eles tiram água, comida e gasolina, por exemplo). Outra coisa engraçada é que, no mundo devastado, não existem cidades, hospitais, postos de gasolina ou supermercados (enfim, não existe prédio algum!), mas mesmo assim todos os sobreviventes têm um suprimento ilimitado de gasolina (pois seus carros estão sempre rodando), maquiagem (para as mulheres, sempre com o rosto absurdamente pintado) e ombreiras (para heróis e vilões). Tanto heróis quanto vilões passam o dia todo andando para lá e para cá em seus carros, os primeiros procurando os sobreviventes e os segundos caçando sinais de rádio, mas nenhum deles fica sem gasolina em momento algum. Vai ver que os automóveis do futuro são movidos a ar...

E não se preocupe com essa história dos sinais de rádio: apesar de ser um dos detalhes mais interessantes do roteiro, o filme termina num massacre onde quase todos morrem, e não resta praticamente ninguém para continuar seguindo os sinais de rádio! E aí o roteiro nem se preocupa em explicar se realmente ainda existe algum resto de civilização nas proximidades, que está transmitindo em código morse para reagrupar os sobreviventes, ou se os sinais são simplesmente uma armadilha dos Templários para atrair suas vítimas - o que acredito ser a probabilidade mais correta. Provavelmente, os roteiristas colocaram estes sinais de rádio só para a história parecer um pouco mais inteligente (e não ficar só no mata-mata entre heróis e vilões, que é o que acaba acontecendo). Mas depois eles esqueceram que tinham que dar um desfecho para a coisa (por exemplo, One dizendo que era tudo uma armadilha dos Templários, ou então os poucos sobreviventes chegando aos restos de alguma cidade ainda civilizada, escolha o final que você preferir).



Quando eu escrevi, no começo do artigo, que não sabia se GUERREIROS DO FUTURO era ruim de propósito ou acidentalmente, não estava exagerando: é tanta bobagem e cena ridícula que daria para escrever um livro sobre esta tralha. Mas quero comentar outros dois momentos antológicos. Um é aquele em que os três Templários amarram Scorpion na traseira de um carro e o arrastam pela estrada. Nadir aparece para salvar o herói (pela segunda vez no filme), mas, ao invés de detonar primeiro o motorista, para abreviar o sofrimento do "amigo", prefere matar primeiro os dois que estavam pendurados no carro, permitindo que Scorpion seja arrastado por mais alguns quilômetros! hahahaha. A outra: no final, ao invés de matar logo o violento Shadow, nosso herói fica se fresqueando e permite que o vilão execute friamente uns 10 sobreviventes que já se consideravam sãos e salvos com a aparição de Scorpion! A cena, de tão cretina, chega a ser inacreditável.

Além dos seus habituais tiroteios e explosões em câmera lenta, Castellari ainda aproveita para homenagear os velhos tempos como diretor de faroestes-spaghetti. Os ataques dos vilões, por exemplo, lembram os ataques de índios a caravanas nos filmes de Velho Oeste, com os carros dos bonzinhos adotando uma formação em círculos para se defender - a diferença é que temos motos e carros ao invés de cavalos, e armas laser no lugar de flechas. Porém o momento de maior referência ao western acontece quando Scorpion surge para o duelo final, vestindo um poncho marrom (à la Clint Eastwood na Trilogia do Dólar, de Sergio Leone). Neste momento, até a música de sintetizador de Simonetti assume um tom de western. One tenta matar Scorpion a tiros, mas, por baixo do poncho, o herói veste uma armadura indestrutível, citação direta a uma cena idêntica em que Eastwood vestia uma placa de ferro por baixo do poncho para escapar dos tiros do vilão, no clássico POR UM PUNHADO DE DÓLARES. Só esta brincadeira já vale o filme inteiro.



Cineasta experiente, o velho Enzo também utiliza uma série de divertidos subterfúgios para fazer seu pequeno filme parecer maior do que realmente é: o fato dos vilões utilizarem roupas brancas padronizadas e capacetes de motoqueiro (como uma versão trash dos Storm Troopers da série STAR WARS) facilita a reutilização dos mesmos figurantes pelo menos umas dez vezes, já que os anônimos Templários mortos em uma cena podem voltar em outras sem que se saiba a identidade deles (por causa dos capacetes). E muita atenção para perceber um inteligente truque de montagem: numa das cenas do cerco dos Templários ao acampamento de sobreviventes, a câmera passa por dezenas de vilões em seus carros e motos, depois passa por uma parede e, neste momento, Castellari aproveita para fazer um corte imperceptível e rearranjar todos os figurantes e veículos DO OUTRO LADO da parede, fazendo parecer que há muito mais gente na cena do que existe na verdade! hahahahaha.

Por estas e por outras que convém nem contar para não estragar a surpresa, é claro que eu não vou recomendar GUERREIROS DO FUTURO para qualquer um. Apenas para quem gosta de trash, de rir de produções ineptas e bagaceiras como esta, e principalmente para quem curtiu "coisas" como OS CAÇADORES DE ATLÂNTIDA e KERUAK - O EXTERMINADOR DE AÇO. Para estes, será diversão garantida - embora não tanto quanto a incursão posterior de Castellari nas aventuras pós-apocalípticas, 1990 - OS GUERREIROS DO BRONX e FUGA DO BRONX, que são muito melhores.



De qualquer forma, amiguinhos, 2019 está chegando. Portanto, preparem seus estoques de ombreiras e de gasolina, encham seus carros de equipamentos desnecessários que possam ser acionados com um botãozinho colorido e decidam-se por um dos lados do conflito: desmunhecar e entrar para os Templários (o ritual de iniciação não é dos mais agradáveis), ou virar crente e correr atrás de sinais de rádios inexistentes? Você decide!

Mas, pelo menos na visão de Enzo Castellari, o nosso futuro já está definido: baitolas ou crentes, seremos todos uns imbecis e nos mataremos até restar dois ou três. Nada muito diferente dos dias de hoje - só faltam as ombreiras...



10 coisas que você precisa saber sobre 2019
(segundo GUERREIROS DO FUTURO):

1- O melhor mecânico do futuro é um garoto de 10 anos.
2- Apesar das bombas nucleares terem transformado as cidades em cinzas, as rodovias continuam inteiras - e em perfeito estado.
3- A prioridade dos sobreviventes não é comida nem água, mas sim zanzar de carro por aí.



4- Os carros do futuro são movidos a ar (pelo menos nunca se vê ninguém preocupado com combustível...).
5- Veículos caindo aos pedaços mas repletos de acessórios continuam na moda (nada diferente dos Chevettes tunados de hoje).
6- Se for convidado para entrar nos Templários, saiba que o ritual de iniciação não é nada agradável.
7- Não há cabeleireiros, maquiadores e nem ao menos chapinha, mas as mulheres estão sempre impecáveis.
8- As armas mais mortais são um estilingue e um arco-e-flecha cujas pontas coloridas são colocadas na hora do disparo.



9- Seus pais vão lhe dar nomes como One, Scorpion, Shadow... Isso é, se não forem mortos pelos Templários antes de terem você!
10- Pode jogar fora seus CDs: os rádios de carro do futuro só lerão cubinhos de plástico.

O futuro italiano é de matar... de rir!
Outras impagáveis produções pós-apocalípticas da Terra da Bota:

O GUERREIRO DO MUNDO PERDIDO (Warrior of the Lost World/I Predatori dell'anno Omega, 1983)
Direção: David Worth e Fred Williamson (sem crédito)
Elenco: Robert Ginty, Fred Williamson, Persis Khambatta e Donald Pleasence.
Depois de uma bobagem como GUERREIROS DO FUTURO, esta "obra-prima dos filmes ruins" é um bom complemento para uma imperdível e engraçadíssima sessão dupla. O diretor David Worth e o elenco são norte-americanos; Worth inclusive declarou que viajou para a Itália sem nem saber qual era o roteiro, tendo apenas o pôster do filme como base, e o ator Williamson acabou filmando várias cenas sem receber crédito. A trama se passa num mundo pós-apocalíptico (evidente) dominado por uma sociedade tirânica semelhante à dos nazistas, cujo líder é o malvado Prossor (Donald Pleasence, claro). Isso até aparecer o clone sem nome de Mad Max interpretado pelo impagável Robert Ginty, que, pilotando uma moto inteligente (que pensa e fala), decide jogar areia nos planos do vilão. Impossível levar a sério, principalmente na cena em que o herói invade a "impenetrável" fortaleza do vilão e mata uns 200 soldados - mais violento que o final de COMANDO PARA MATAR.
(Lançado em VHS pela Look Vídeo)

OS EXTERMINADORES DO ANO 3000 (Gli Sterminatori dell'anno 3000, 1983)
Direção: Jules Harrison (nome de batismo: Giuliano Carnimeo)
Elenco: Robert Jannuci, Alicia Moro, Juliano Pigozzi e Eduardo Fajardo.
O roteiro desse filme sonha alto: nada de 2019 ou 2030, o negócio aqui é pular direto para o ano 3000. Mas o mundo à la MAD MAX é o mesmo, não importa a data. Após um apocalipse nuclear (outro), o planeta se transformou num imenso deserto - mas os carros, claro, permaneceram intactos. Uma colônia de sobreviventes que vive nas cavernas fica sem água potável. A única fonte próxima está no território controlado por uma selvagem gangue de motoqueiros. Como o último homem enviado para buscar água não retornou, a solução é organizar uma grande caravana para ir atrás do precioso liquido. Para ajudar, surge Mad Max... ops! Na verdade um outro guerreiro sem nome (Janucci), que obviamente ajuda a galera contra os vilões, além de ganhar a amizade de um garotinho pentelho que está entre os sobreviventes. Cópia xerox de MAD MAX 2, apenas trocando a gasolina por água, e a qualidade do filme australiano pelo trash involuntário.
(Lançado em VHS pela Mega Vídeo)

O EXECUTOR FINAL (The Final Executioner/L'Ultimo Guerriero, 1984)
Direção: Romolo Guerrieri
Elenco: William Mang, Woody Strode, Marina Costa e Margit Evelyn Newton.
Depois de um holocausto nuclear (sim, mais um), com o planeta transformado num inferno radiativo, uma nova sociedade tirânica emerge das cinzas e se diverte utilizando seus condenados à morte como presas num sádico jogo: os prisioneiros são libertados numa reserva de caça e perseguidos pelos agentes do governo até a morte. A coisa funciona bem até que os homens no poder resolvem se livrar também dos que estão incomodando, como o herói, que, na mira das armas, precisa lutar para sobreviver. Cópia óbvia do sangrento filme australiano A CAÇADA DO FUTURO (Turkey Shoot, 1981), com alguns bons momentos. Duas curiosidades: o diretor Guerrieri é tio de Enzo G. Castellari, e todas as cenas com o ator norte-americano Woody Strode foram reeditadas no posterior O EXTERMINADOR DO BRONX (Il Giustiziere del Bronx, 1989), de Vanio Amici.
(Lançado em VHS pela Hipervideo)

ANNO 2020 - IL GLADIATORI DEL FUTURO (1982)
Direção: Joe D'Amato e George Eastman (sem crédito)
Elenco: Al Cliver, Harrison Muller Jr., Sabrina Siani e Donald O'Brien.
No ano de 2020, o Texas pós-apocalipse nuclear (óbvio) tornou-se uma terra de ninguém, onde grupos de bárbaros atacam e matam selvagemente - como mostra a cena inicial, dos vilões estuprando freiras e crucificando um padre durante o ataque a um convento. Porém, algumas pessoas ainda acreditam na paz e na ordem: são os rangers, entre eles Nisus (Al Cliver, de ZOMBIE). O herói apaixona-se por uma das garotas que salva, mas, justamente quando ela está grávida, surge uma nova seita de assassinos, liderada por um tirano que quer fundar uma nova ordem mundial. Bobagem sangrenta dirigida por Joe D'Amato, praticamente ao mesmo tempo em que filmava DUELOS MORTAIS (Endgame, 1983), que também é uma história sobre o futuro apocalíptico e também é estrelada por Al Cliver.
(Inédito no Brasil)

2019 – AFTER THE FALL OF NEW YORK (1983)
Direção: Sergio Martino
Elenco: Michael Sopkiw, George Eastman, Anna Kanakis e Edmund Purdom.
Filme que se passa no mesmo ano de GUERREIROS DO FUTURO, dirigido com empenho pelo veterano Martino. Depois da guerra nuclear (mais uma), a sociedade se divide em duas facções: os Euraks, que são malvados e dominam o mundo, e a Federação Rebelde, que quer derrubar os tiranos do poder. Numa Nova York destruída pelo holocausto, um mercenário chamado Parsifal (Sopkiw, de PERDIDOS NO VALE DOS DINOSSAUROS) luta para resgatar a última mulher fértil do mundo, e única esperança de um futuro decente para a humanidade (sim, e o filme foi feito mais de 20 anos antes do fantástico FILHOS DA ESPERANÇA...). Atirando para todos os lados, tem até homens-macaco chupados da franquia O PLANETA DOS MACACOS! Como curiosidade, um dos vilões é interpretado por... George Eastman! Mas ele não se chama One neste aqui, nem tem tendências homossexuais...
(Inédito no Brasil)

THE NEW GLADIATORS (I Guerrieri dell'anno 2072, 1984)
Direção: Lucio Fulci
Elenco: Jared Martin, Fred Williamson, Claudio Cassinelli e Al Cliver.
Uma das várias bombas dirigidas pelo mestre Fulci depois que tentou abandonar os filmes de horror. Pelo menos tem o "mérito" de antecipar a trama da produção norte-americana O SOBREVIVENTE, com Schwarzenegger, feita dois anos depois. Na Roma do futuro (o ano desta vez é 2072), a sociedade é dominada por uma poderosa rede de televisão, que, entre outros programas sangrentos, promove lutas de gladiadores ao vivo. O negócio é pra valer, até a morte, e os competidores são prisioneiros condenados à morte. Isso até os executivos da emissora acreditarem que precisam de um campeão mais popular. Por isso, eles armam uma cilada para condenar o herói Drake (Jared Martin) e colocá-lo no programa. Claro que a coisa não vai acabar bem, nesta cópia disfarçada de ROLLERBALL. Inclui pequenas participações de outras figurinhas carimbadas dos trash pós-apocalípticos italianos, como Williamson e Cliver.
(Inédito no Brasil)


Para comentar o artigo e entrar em contato com Felipe M.Guerra:

Nome:
Idade:
E-Mail:
Cidade/Estado:
O que você tem a dizer?



GUERREIROS DO FUTURO (Nuovi barbari, I , EUA/Itália, 1982). Duração: 94 minutos
Direção: Enzo G. Castellari
Roteiro: Enzo G. Castellari; Tito Carpi; Antonio Visone
Produção: Fabrizio De Angelis
Fotografia: Fausto Zuccoli
Música: Claudio Simonetti
Maquiagem: Giovanni Morosi; Alberto Trevaglini
Efeitos Especiais: Germano Natali
Cenografia: Antonio Visone
Figurino: Mario Giorsi
Edição: Gianfranco Amicucci; Rita Antonelli
Elenco: Giancarlo Prete (Scorpion); Fred Williamson (Nadir); George Eastman (One); Anna Kanakis (Alma); Ennio Girolami (Shadow); Venantino Venantini (Moses); Massimo Vanni (Mako); Giovanni Frezza (jovem mecânico); Iris Peynado (Vinya); Andrea Coppola (amiga de Mako); Vito Fornari; Zora Kerova; Fulvio Mingozzi; Enrica Saltutti; Marinella Troian; Patsy May McLachlan; Franco Maria Salamon; Stefano Randazzo; Ivano Silvari; Enzo G. Castellari; Paul Costello; Andrea Girolami; Stefania Girolami Goodwin; Paul Dion Monte; Riccardo Petrazzi




Artigos