HELLRAISER 2: HELLBOUND
por Carlos Paraná
 | Seguindo a primeira diretriz dos grandes estúdios em relação a quase todo tipo de filme "Se ele conseguiu lucrar, faça uma sequência", a sequência da pequena jóia rara "Hellraiser" levou menos de um ano para ganhar vida.
Agora Clive tinha um orçamento maior mas, aqui apenas optou agir como um consultor e produtor, o trabalho de script foi produzido por Peter Atkins (amigo de longa data), embora baseado numa estória de Clive.A direção também ficou a cargo de (TONY RANDELL). O interessante é que embora o filme seja um reaproveitamento das idéias do original, ele consegue ser tão bom quanto seu predecessor, o que é algo raro nas sequências no cinema em geral. A primeira cena não parece ter muita relevância, mas será importante no decorrer do filme. Um militar, que parece ser de algum exército europeu da primeira guerra mundial, está trabalhando na configuração de lamentos, e a resolve. |
Correntes e ganchos fogem de dentro dela, multiando-o. Adicionado-se a isso, pregos e martelos empunhados por mãos invisíveis trabalham em sua cabeça. Testemunhamos assim o nascimento de um cenobita.
 
A trama começa na mesma noite do desfecho do primeiro filme. Após sofrer os efeitos de uma horrorosa noite, Kirsty (ASHLEY LAURENCE), foi aparentemente abandonada por seu namorado e está internada na seção psiquiátrica de um hospital, dirigido pelo doutor Channard (o excelente KENNETH CRANHAM). Os policiais não acreditam na história de Kirsty sobre a existência dos cenobitas e não dão ouvidos quando Kirsty pede para destruírem o colchão, que seria por onde Júlia (a bela e competente CLARE HIGGINS, sua madrasta, que supostamente morrera no primeiro filme) poderia retornar do inferno. Channard, pelo contrário, ouve atentamente os delírios de Kirsty, e embora pareça ter interesses meramente clínicos por ela, recolhe o colchão e leva-o para sua casa. Nesta mesma noite, Kirsty recebe um visita de uma criatura, que julga ser seu pai, no quarto do hospital, onde ele escreve com sangue na parede "I am in hell, help me" (estou no inferno, ajude-me).Aí os pesadelos começam novamente.  
Channard é um estúdioso da configuração dos lamentos há anos e possui várias caixas, mas infelizmente nunca conseguiu resolver seus enigmas.Vendo ali a possibilidade de realizar seu desejo, ele tentará trazer Júlia de volta. Ele retira de uma cela acolchoada um interno que constantemente se corta, pois imagina ter seu corpo infestado por vermes. A maneira com que o interno insistentemente grita "Get them off me" (Tire os de mim), é perturbadora. Channard, coloca-o sobre o colchão e ao sangrar, Júlia é trazida de volta. Ela se encontra num estágio semelhante a Frank Cotton (SEAN CHAPMAN), sem energias e sem pele, e faz do interno sua primeira vítima. Um assistente do doutor chamado Kyle infiltra-se em sua casa e assiste a cena, sabendo agora que o que de Kirsty contara era qualquer coisa memos um delírio, decidindo ajudá-la.  |
Uma interna chamada Tiffany (IMOGEN BOORMAN), que não fala e possui extrema habilidade com quebra cabeças, será usada pelo doutor para resolver a configuração.Enquanto isso, ele vai coletando mulheres para alimentar Júlia, da mesma maneira que ela fez com Frank.Com Júlia recuperada, ele traz a garota para seu quarto e a menina consegue solucionar a configuração de lamentos, trazendo os cenobitas de volta. | Quando Kyle e Kirsty vão até a casa de Channard, já é tarde demais e Kyle acaba assassinado por Júlia, tendo uma morte extremamente violenta.
 
No primeiro filme, os cenobitas apareciam por poucos minutos durante o filme (talvez por restrições orçamentárias).Aqui eles fazem presença por uma maior período e são os mesmos quatro do filme anterior,com um novo integrante:
Pinhead - O líder, que dispensa comentários, interpretado por Doug Bradley.
Female - A cenobita feminina, que possui um prego cravado em seu nariz, e vários arames em seu pescoço.Desta vez a prima de Clive Barker, Grace Kirby, não faz o papel da cenobita como no 1º filme.O papel é de Barbie Wilde (um nome artístico curioso, mais cabível a uma atriz pornô)
Butterbal (SIMON BAMFORD) - O cenobita balofo, que possui um corte em seu abdome,o qual fica acariciando sempre quando pode,além dos óculos cravados em seu rosto.Uma maneira realmente muito prática de não esquecê-los. Chatterer (NICHOLAS VINCE) - Este cenobita, para mim foi sempre o mais perturbador de todos, o insistente bater de seus dentes, lembra aqueles macaquinhos de brinquedo.Adicione a isso cenas onde ele aparece sem os olhos e às vezes com eles costurados.O (estranho) carisma é realmente do líder, mas o caráter selvagem e a fúria dos cenobitas ficam a cargo de Chatterer. 
 | Um pequeno parêntese sobre o design dos cenobitas. Voltando um pouco ao primeiro filme, antes da trilha sonora ser entregue a CRISTOPHER YOUNG ela estava a cargo de uma banda chamada Coil, formado por um dos pioneiros do industrial, Peter Christopherson. Este, emprestou a Clive diversas revistas de sadomasoquismo, que Clive afirmou terem sido decisivas no conceito dos cenobitas.Agora sabemos o motivo de tantas facas, lâminas e o couro em seus uniformes. Clive Barker também afirmou que há uma grande inspiração em relação a padres, sacerdotes e coisas do gênero, e mesmo a palavra cenobita significa "sacerdote que vive em comunidade" |
Channard então é levado ao inferno, que é uma sequência de labirintos dominados por Leviathan. Descobrimos que Júlia precisava de almas para levar ao inferno, e por isso foi permitida a ser trazida de volta.Channard foi o escolhido, e agora ele se tornaria também um cenobita, numa chocante cena de transformaçao. Certamente o Channard é o cenobita mais marcante. É suspenso no ar por um tentáculo e suas mãos possuem vários objetos cortantes.Tesouras, bisturis, cilindros infestados de agulhas e tudo mais que você puder imaginar.  | |
Kirsty e Tiffany também são levadas ao inferno e terão que enfrentar Júlia, seu tio Frank e outros perigos novamente.Kirsty volta para lá com a intenção de trazer seu pai de volta (ela achou que quem pedira socorro para ele no quarto de hospital fora ele, e não seu tio, como é mostrado posteriormente).Kirsty tenta fazer um novo trato com os cenobitas, que não é aceito, mas mostra a Pinhead uma foto do que seria sua anterior forma humana (Do mesmo homem que foi transformado no início).E insiste no conceito de que todos eles foram humanos um dia. Channard caça as duas garotas pelos labirintos, mas o verdadeiro alvo dele é Tiffany.Kirsty e Tifanny conseguem voltar ao hospital mas, ao chegarem lá encontram diversos pacientes trabalhando em várias caixas, e alguns acabam a resolvendo.Ao entrarem numa sala, encontram os cenobitas e Kirsty consegue convencê-los a enfrentar Channard, onde são facilmente derrotados, revelando sua forma humana.(É estranho o fato de nenhum roteirista ter usado a origens dos cenobitas como roteiro para os próximos filmes, preferindo utilizar naves espacias (parte 4) e policiais corruptos (parte 5). Mais uma vez, as duas se vêm frente a Channard e Kirsty acaba resolvendo a configuração pela última vez, derrotando-o (numa cena um tanto forçada, onde ela veste a pele de Júlia).
 
No epílogo, dois empregados de uma empresa de mudanças estão trabalhando na casa de Channard e encontram o colchão (aqui é estranho o fato de Kirsty ter ido embora tão contente e ter deixado o colchão de lado, o qual ela implorava a todo instante para ser destruído).Um deles é capturado, e quando o outro chega ao seu socorro, encontra um pilar onde estão expostos rostos deformados, genitálias cortadas, Pinhead sofrendo e até mesmo Jesus Cristo, com o rosto cheio de insetos, pergunta "Qual seu prazer, senhor?" (a mesma frase final do filme anterior), e mais uma alfinetada, como a frase "Jesus Wept" (Jesus chorou, dita por Frank ao ser torturado pelos cenobitas no primeiro filme, sampleada por diversas bandas).
Recomendo fortemente Hellraiser 2, e embora alguns efeitos pareçam pobres (o filme é de 1988), ele ainda possui algumas cenas que impressionam, sendo uma maneira divertida de se gastar duas horas.  
Pequenas curiosidades:- Clive Barker não ficou contente com o final e aconselhou o diretor a refilmá-lo,no que foi atendido.Portanto o filme possui um final que não conhecemos, e que nunca foi disponibilizado em nenhum DVD ou Laserdisc. - Kirsty não participou de mais nenhum outro filme da franquia até retornar numa pequena participação na sexta parte (ainda inédita por aqui).
- Existem rumores da existência de uma cena, onde Pinhead e Female atormentam Kirsty no hospital, disfarçados de médicos, e que ela não foi utilizada devido a problemas com os efeitos especias.Dizem que ela está disponível numa versão asiática em LD.Mas, a única prova da existência desta cena é a foto abaixo: 
por Renato Rosatti
“Estou no inferno, ajude-me!”
Entre as várias franquias do cinema de horror que possuem uma enorme quantidade de filmes, “Hellraiser” é uma das principais, contando com oito produções até o momento (o último filme é “ Hellraiser – Hellworld”, 2004), e que pelo desgaste do tema, inevitavelmente vão perdendo a qualidade progressivamente. O filme original, “ Hellraiser – Renascido do Inferno” (87) tem direção e roteiro de Clive Barker, baseado em seu conto “The Hellbound Heart” e é um dos mais importantes filmes de horror dos saudosos anos 80, apresentando-nos os misteriosos cenobitas, criaturas infernais habitantes de um universo paralelo onde é celebrada a dor e o sofrimento através de brutais torturas na carne. Os cenobitas são liderados por Pinhead e apenas aparecem quando ocorre uma comunicação entre o inferno e o mundo que conhecemos através da solução de um enigma para abrir uma caixa mágica, a “configuração dos lamentos”.
O sucesso comercial de “ Hellraiser” impulsionou a criação de uma franquia, e apenas um ano depois foi lançada a continuação “ Hellbound: Hellraiser II”, dessa vez com direção de Tony Randell e tendo Clive Barker apenas na produção. Bem mais sangrento que o anterior e tendo à disposição mais dinheiro para a criação dos efeitos especiais, agora os cenobitas aparecem mais tempo que o filme original, e quase toda a história é ambientada no inferno com a revelação de vários elementos para uma maior compreensão do universo ficcional de “Hellraiser”.   
A história complementa os eventos ocorridos no primeiro filme, com Kirsty Cotton (Ashley Laurence) internada num hospital psiquiátrico, ainda atormentada pela experiência traumática com os cenobitas. O sanatório é dirigido pelo Dr. Philip Channard (Kenneth Cranham), que demonstra um interesse maior pela incrível história de Kirsty, cuja versão não é levada a sério pelo detetive da polícia Ronson (Angus McInnes). O assistente do Dr. Channard, Kyle MacRae (William Hope), acaba descobrindo que seu patrão é um estudioso da “configuração dos lamentos” e que tem como objetivo conhecer o mundo dos cenobitas ajudando Julia (Clare Higgins) a ressuscitar do inferno (visto no filme anterior), cedendo-lhe vítimas humanas para recuperar suas energias, e contando também com o auxílio de uma jovem adolescente internada na clínica, Tiffany (Imogen Boorman), que não falava por causa de um trauma envolvendo sua mãe, e que possuía um oportuno dom peculiar para a solução de enigmas com caixas e cubos.
O jovem Kyle decide então ajudar Kirsty a fugir do hospital e tentar resgatar do inferno seu pai que fora capturado pelos cenobitas, percorrendo um perturbador labirinto de corredores estreitos sob o domínio demoníaco de Leviathan. A partir daí, ela passa a enfrentar seus piores pesadelos, entre eles o traiçoeiro tio Frank (Sean Chapman), na forma de uma massa de carne sem pele, e os terríveis cenobitas comandados por Pinhead (Doug Bradley), que tem a cabeça coberta de pregos, além de Chatterer (Nicholas Vince), com seus dentes rangendo sem parar, Butterball (Simon Bamford), obeso e com um óculos cravado no rosto, e Female (Barbie Wilde), a única que também fala e que tem a garganta aberta, com todos eles apresentando cortes profundos no corpo e vestindo roupas de couro.
 
“ Hellbound: Hellraiser II” possui duas diferenças significativas em relação ao filme original. Apresenta muito mais violência e cenas sangrentas, e é bem exagerado na fantasia de sua história, com a maior parte do roteiro sendo ambientada no inferno dos cenobitas. De uma forma geral, é um pouco inferior ao filme de Clive Barker, mas ainda assim bastante divertido, com algumas cenas bem perturbadoras como a visita do Dr. Channard aos subterrâneos da clínica psiquiátrica, onde seus pacientes estão presos em celas individuais, e um deles em especial tem o insano hábito de mutilar o próprio corpo violentamente pensando estar sendo devorado vivo por vermes; ou a sequência de transformação do próprio Dr. Channard num horrendo cenobita suspenso pela cabeça por um enorme tentáculo, apresentando uma infinidade de objetos cortantes em suas mãos, e que a toda hora faz comentários irônicos e trocadilhos médicos e cirúrgicos; ou ainda a cena mostrando vários cadáveres decompostos pendurados por cordas no sótão da casa do Dr. Channard, os quais estavam apodrecendo lentamente em meio às moscas e vermes pestilentos depois de servirem de alimento para Julia recuperar a pele e forma física.
Tanto “ Hellbound” quanto o terceiro filme da série, “ Inferno na Terra” (92), foram lançados em DVD por aqui com um preço mais acessível em Outubro de 2004, recebendo os nomes “ Hellraiser 2 – Renascido do Inferno” e “ Hellraiser 3 – Inferno na Terra”. Ambos ocupando os dois lados de um mesmo disco, e trazendo como material extra apenas sinopses curtas e pequenas biografias de alguns dos atores. Aliás, em “ Hellbound”, foi cometido um erro grotesco ao colocarem a foto da atriz Ashley Laurence na biografia de Clare Higgins.
Curiosamente, o ator inglês Doug Bradley encarnou o personagem Pinhead em todos os sete filmes da franquia, ficando eternamente associado à imagem do principal cenobita de “ Hellraiser”, num caso similar ao de Robert Englund, o homem por trás do psicopata assassino dos sonhos (ou pesadelos) Freddy Krueger na saga “ A Hora do Pesadelo”. Já a cenobita Female foi a única das criaturas infernais que mudou de atriz, passando de Grace Kirby em “ Hellraiser” para Barbie Wilde em “ Hellbound”. E Ashley Laurence somente participou ativamente dos dois primeiros filmes da franquia, tendo depois pequenas e discretas aparições em “ Hellraiser III – Inferno na Terra” e “ Hellraiser VI – Hellseeker” (2002).
“Nós temos a eternidade para conhecer a sua carne” – Do sádico Pinhead para a desesperada Kirsty
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HELLRAISER 2: HELLBOUND (Hellbound: Hellraiser 2, Inglaterra, 1988). Duração: 97 minutos
Direção: Tony Randel
Roteiro: Peter Atkins, baseado em história de Clive Barker
Produção: Clive Barker, David Barron, Christopher Figg e Christopher Webster
Fotografia: Robin Vidgeon
Música: Christopher Young Efeitos Especiais: Bob Keen
Edição: Richard Marden
Direção de Arte: Andy Harris
Efeitos Especiais: Jesse E. Johnson, Bob Keen e Graham Longhurst
Elenco: Clare Higgins (Julia Cotton), Ashley Laurence (Kirsty Cotton), Kenneth Cranham (Dr. Philip Channard / Cenobita Channard), Imogen Boorman (Tiffany), Sean Chapman (Frank Cotton), William Hope (Kyle MacRae), Doug Bradley (Pinhead / Capitão Elliot Spencer), Barbie Wilde (Cenobita Female), Simon Bamford (Cenobita Butterball), Nicholas Vince (Cenobita Chatterer), Oliver Smith (Browning / Frank, sem pele), Angus MacInnes (Detetive Ronson), Deborah Joel (Julia, sem pele), James Tillitt (Oficial Cortez), Bradley Lavelle (Oficial Kucich).
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