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O cinema de suspense e terror deveria ter um órgão semelhante ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o famoso Iphan, que cuida para que as construções antigas tombadas pela Unesco continuem preservadas. Como seria bom se um Instituto do Patrimônio das Produções de Suspense e Terror existisse e pudesse, por exemplo, impedir que seqüências aleatórias fossem produzidas e acabassem por sujar o nome de uma película original de qualidade. Se pensarmos dessa forma, a série Hellraiser seria uma das primeiras a ter a maioria das seqüências “interditadas”.
Hellraiser: O Mundo do Inferno (Hellraiser: Hellworld, 2005) é a parte 8 e (até agora) última seqüência da respeitada série iniciada em 1987. O filme original, Hellraiser: Renascido do Inferno (Hellraiser), foi um dos pilares do terror na década de 80 e, até hoje, uma referência para o gênero. |
A trama, dirigida pelo inglês Clive Barker e baseada na série de romances Livros de Sangue, conta a história de um cubo quebra cabeças que, quando montado, abre as portas para o inferno e liberta os Cenobitas, criaturas que sentem prazer com o sofrimento humano. Infelizmente, com exceção de Hellraiser 2 (Hellbound: Hellraiser 2, 1988), as demais seqüência não repetiram o êxito das primeiras partes.
Como um elevador que desce para o inferno, o nível das seqüências foi caindo gradativamente com cada filme que era lançado. E quando se pensava que já se tinha assistido ao pior da série, eis que chegava mais um capítulo nas locadoras. Isso mesmo, com o passar dos anos, os lançamentos, que eram feitos nos cinemas, passaram a acontecer direto no mercado de vídeo (posteriormente DVD), o que mostrava que além da qualidade, a série também estava ficando sem público.



Se o nosso fictício
Instituto do Patrimônio das Produções de Suspense e Terror fosse fazer uma comparação entre a trama original e as seqüências, talvez chegasse a conclusão de que o principal problema possa ser resumido em duas palavras:
Dimension Films. A produtora de terror, que ficou famosa com
Pânico (Scream, 1996), comprou os direitos da série depois da
Parte 2 e lançou
Hellraiser 3: Inferno na Terra (Hellraiser 3: Hell on Earth, 1992), que não é um filme ruim, mas é visivelmente inferior aos dois episódios anteriores.
Coincidência ou não, foi depois que a
Dimensions Films comprou os direitos da série que o formato original foi mexido. Antes tínhamos filmes com forte teor de violência, sangue, gore e tramas bem costuradas que geravam momentos de tensão e repulsa. Já a partir do
Hellraiser 3, tivemos que nos contentar com enredos não tão bem construídos e uma violência apenas sugerida, o que provocava apenas alguns sustos e muito tédio.
E se
Clive Barker é um nome lembrado com carinho pelos fãs da série, o mesmo não deve acontecer com Rick Bota, diretor dos filmes 6, 7 e 8. Responsável pela direção de fotografia de algumas séries de TV, ele realmente não teve muita sorte na cadeira de diretor, tanto que, com exceção dos
Hellraisers, dirigiu apenas um episódio da série de TV
L.A. Doctor, em 1999.
FILME DOS INFERNOS
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O fã de verdade sempre tem uma esperança de que aquele filme tão aguardado seja bom, mesmo que os antecedentes afirmem o contrário. Por exemplo, mesmo sendo dirigido pelo mesmo Rick Bota e lançado direto no formato DVD, algumas pessoas devem ter criado expectativa quando leram o enredo do Hellraiser 8.
Em O Mundo do Inferno, acompanhamos um grupo de jovens amigos que são fãs do universo Hellraiser e viciados em um jogo de computador chamado Hellworld. Tudo vai muito bem até que Adam (Stelian Urian, que por enquanto só fez este filme), acreditando que, através do jogo, estava dando a sua alma para os Cenobitas, comete suicídio. O pai de Adam, interpretado pelo canastrão Lance Henriksen (de Aliens Vs Predador, 2004) decide se vingar dos amigos do filho e organizar uma Festa Hellraiser, na qual os convidados incluirão Cenobitas de verdade. |
Achou o enredo acima interessante? Muita gente deve ter pensado o mesmo afinal o uso de metalinguagem no cinema costuma gerar resultados satisfatórios. Infelizmente
O Mundo do Inferno nada mais é do que aquilo que já foi visto dos filmes fracos da série. A trama começa até de forma interessante, com toda a questão do universo
Hellraiser sendo explorada pelos personagens, como quando um rapaz fala que comprou uma máscara do
Cenobita Chatterer, aquele que sempre fica batendo os dentes, no
Ebay.


No entanto, o roteiro, assinado por Joel Soisson (de
Dracula 2000), simplesmente não consegue prender a atenção do público e em pouco mais de 10 minutos, se perde o interesse em acompanhar o desenrolar do filme. A trama apenas vai mostrando o destino de cada um dos personagens que vão morrendo de formas estranhas para os padrões
Hellraiser. Quem se lembrar das carnificinas dos dois primeiros filmes vai sentir saudades dos grilhões do inferno que rasgavam as carnes alheias.
O problema é tão grande que nem os
Cenobitas conseguem salvar o filme. O próprio
Pinhead (
Doug Bradley), que costumava ser o Senhor do Inferno e apenas a voz deixava qualquer pessoa com medo, é extremamente mal aproveitado. Em uma das piores cenas de toda a série, o General do Inferno mata um dos personagens com uma simples faca. Ao final, o roteiro ainda tenta dar uma reviravolta para (tentar) explicar o que realmente aconteceu.




Se formos procurar uma qualidade para
Hellraiser 8, talvez a mais forte seja o fato do filme ter mostrado para os produtores que a série já estava esgotada. Mas no lucrativo mundo do cinema, no qual o dinheiro fala mais alto do que qualquer outro argumento, teremos, para 2009, um
remake do filme original. A aparente boa notícia é que
Clive Barker parece estar ligado ao projeto, uma vez que o nome dele está sendo creditado como produtor. Será um retorno aos bons tempos dos
Cenobitas ou mais um filme que o
Instituto do Patrimônio das Produções de Suspense e Terror deveria embargar?
Para comentar o artigo e entrar em contato com Filipe Falcão:
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HELLRAISER: O MUNDO DO INFERNO (Hellraiser: Hellworld, EUA, 2005). Duração: 91 minutos
Direção: Rick Bota
Roteiro: Joel Soisson; Carl V. Dupré, baseado em personagens de Clive Barker
Produção: Ron Schmidt
Produção Executiva: Nick Phillips
Fotografia: Gabriel Kosuth
Maquiagem: Daniela Busoiu; Letitia Ghenea; Snowy Highfield; Viorel Militaru; Mike J. Regan; Gary J. Tunnicliffe
Efeitos Especiais: Kevin Carter; Ionel Popa
Efeitos Visuais: Chad Goei; Jamison Scott Goei; Paul Runyan; Chris Wallace
Música: Lars Anderson
Elenco: Stelian Urian (Adam); Katheryn Winnick (Chelsea); Anna Tolputt (Allison); Khary Payton (Derrick); Henry Cavill (Mike); Christopher Jacot (Jake); Lance Henriksen (o anfitrião); Doug Bradley (Pinhead); Magdalena Tun; Gavril Patrv; Desiree Malonga; Carl V. Dupré; Catalina Alexandru; Victor McGuire; Costi Mirica; Snowy Highfield; Gary J. Tunnicliffe; Mike J. Regan
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