Entre 1988 e 1989, espremendo o bagaço da popularidade do personagem, foi realizada uma série de TV com ótima produção e a participação de diretores consagrados. Cada segmento durava cerca de 30 minutos, e a participação de Freddy Krueger era mera coincidência - na maioria dos episódios o vilão só aparecia no começo e no final para dar a
"moral da história". No fundo, no fundo, era uma tentativa de copiar o modelo
"Contos da Cripta", substituindo a caveirinha deste seriado popular por Freddy. As histórias giravam em torno de personagens, normalmente jovens, que eram aterrorizados por pesadelos.



O ator
Robert Englund participou de todos os 44 episódios, produzidos na época em que a TV americana exibia séries um pouco mais violentas (no mesmo ano foram exibidas "
Sexta-feira 13 - O Legado" e
"A Guerra dos Mundos"). O próprio Englund chegou a dirigir alguns episódios, ao lado de diretores como Mick Garris ("
A Dança da Morte"), William Malone (de "
A Casa da Colina" e "
MedoPontoCom"), Dwight H. Little ("
Halloween 4"), John Lafia ("
Brinquedo Assassino 2"), Tom McLoughlin ("
Sexta-feira 13 - parte 6") e Ken Wiederhorn ("
A Volta dos Mortos-vivos 2"). E, pelo que me lembro, até um jovem Brad Pitt chegou a participar de um dos episódios, anos-luz antes da fama!
Como Freddy Krueger era uma febre também no Brasil, a distribuidora de vídeo Herbert Ritchers (extinta há séculos) comprou os direitos da série e lançou 16 episódios em oito fitas chamadas "
O Terror de Freddy Krueger", com dois episódios por fita. Alguns até mantinham a atenção do público, mas o resultado era irregular na maioria dos casos. Algum tempo depois, o SBT comprou parte do lote e começou a exibir bem tarde da noite, começando pelo interessante episódio-piloto dirigido por Tobe Hooper.



O grande problema da série - além da falta de boas histórias - era a violência muito branda e o excesso de humor. No fundo, os episódios acabavam muito repetitivos, já que, basicamente, enfocavam os pesadelos de jovens vítimas, sem mudar muito este conceito bastante limitado. E a participação de Freddy Krueger soava a picaretagem, pois ele praticamente não dava as caras nos episódios, salvo pequenas participações!
Confira uma rápida análise de algumas das oito fitas lançadas no Brasil (não consegui ver todas, até porque a qualidade do material não era tão boa assim).
VOLUME 1
A fita contém o episódio-piloto
"Nunca Mais um Bom Rapaz" (dirigido por ninguém menos que Tobe Hooper, de "
O Massacre da Serra Elétrica"), que conta a origem de Freddy, desde o ataque dos pais revoltados que o incendiaram vivo até sua vingança. No final, ele tortura um dos seus carrascos em uma cadeira de dentista. O segundo episódio foi dirigido por Tom McLoughlin e conta a história de dois adolescentes que assistiram ao julgamento de Freddy e sofrem a vingança do assassino, sem conseguir separar pesadelo de realidade. É a melhor das seleções de episódios.
VOLUME 2
Os episódios
"Noite das Bruxas", dirigido por Ken Wiederhorn, e
"Instinto Assassino", de Mick Garris, não trazem grandes novidades. As duas histórias são ambientadas em Springwood. Na primeira, uma garota fica estudando anatomia na noite de Halloween e começa a sofrer com os pesadelos de Freddy; na segunda, o confronto de duas amigas atletas. A curiosidade é a participação de Lori Petty (
"Caçadores de Emoção",
"Tank Girl"), quando ela ainda era gostosa.


VOLUME 5
Os desconhecidos Jonathan Betuel e George Kaczender dirigem os dois episódios desta fita, que também frustram a expectativa de qualquer fã de horror. O primeiro chama-se
"O Fim do Mundo" e mostra uma garota que tem pesadelos com uma futura guerra nuclear. No segundo episódio,
"A Dama de Vermelho", um casal enfrenta os sonhos mortais de Freddy, materializados em uma misteriosa garota. Uma das maiores atrações desta coletânea é a participação do envelhecido George Lazemby (que fez James Bond no filme
"007 A Serviço Secreto de sua Majestade") interpretando um médico.
VOLUME 6
Provavelmente os dois piores episódios da série estão nesta fita. Em
"Sonhos Sangrentos", dirigido por Dwight H. Little, um atleta tem pesadelos em que se vê como um misterioso "assassino do machado" que tem atacado na vizinhança. O verdadeiro culpado é o treinador da sua escola. Quando o jovem é internado num manicômio, acusado de ser o psicopata, resolve fugir para limpar seu nome. O segundo episódio é pior ainda:
"Rebelde Sem Carro", de John Lafia, mostra um casal de jovens rebeldes que sonha fugir juntos, mas a moça entra para uma irmandade feminina e é maltratada pelas colegas, até resolver se vingar. Sem qualidade ou surpresas, os episódios nem têm relação com Freddy, que vira apenas "mestre-de-cerimônias".

VOLUME 8
A melhor compilação de episódios depois do primeiro volume, até pela curiosidade da estréia do ator Robert Englund na direção. Ele comanda o segundo episódio,
"Pânico nas Alturas", onde um executivo, filho do dono da companhia aérea, tem pesadelos horríveis durante uma viagem turbulenta. No primeiro episódio,
"A Última História", de Michael Lange, a curiosidade é que a história tenta retratar o cotidiano de um jornal: um jovem repórter começa a sofrer pesadelos ao ser obrigado a escrever os obituários. Como nos episódios anteriores, Freddy não tem participação muito marcante nas histórias, limitando-se a aparecer no início e no fim
COMENTÁRIOS
"Eu assisti o primeiro episódio no SBT, eu gostei.
"
Antonino Queiroz Filho
NOTA:

"Eu não sou do tempo em que a série passava no SBT, mas eu assiti em video todas elas, e minha opinião é totalmente igual a sua, caro Felipe.
Ná época eu achava o máximo, pois tinha apenas 6 anos de idade, mas agora não aprovaria como antes aprovava.
O único que eu tiro o chapéu é o primeiro volume, pois o episódio "Nunca Mais Um Bom Rapaz" é fantástico. Deveriam fazer um longa a respeito da vida de Freddy antes dele ser morto pelos país dos jovens de Elm Street.
Obrigado!
Até mais, Felipe !
"
Danilo Fernandes de Souza
NOTA:

"Esta fita contêm a compilção de dois episódios fraquíssimos da série de TV de Freddy Krueger. O primeiro episódio, Jud Miller, seu futuro a espera, mostra a jovem Jud que tem uma vida infernal, morando com o seu marido ausente e seus sogros. Então ela participa de um daqueles típicos programas de pergunta e resposta, a única cena boa da fita, com uma boa dose de sadismo. O caldo entorna quando Jud contrata uma estranha empregada, e a coisa descamba para a velha história de que acontecerá uma tragédia e Jud deve fazer de tudo para evitá-la. Obviamente, suas tentativas de contornar o problema acabaram por fazer com que ele aconteça. Eta clichê batido!!!
Mas horrível mesmo é o sengundo episódio "Pesadelos de sábado a noite", onde um cara procura uma agência de encontros, conhece Lana, uma mulher com poderes estranhos e a coisa toda "termina" em uma cena muito estranha. "Termina" entre aspas porque o episódio tem outro segmento, onde Mary, amiga "canhão" de Lana faz uma plástica bizarra e outra vez tudo termina de um jeito muito estranho.
"
Matheus Fernades Ferraz Soares
NOTA:

"cara, é mais uma dica que um comentário: nao sei se esses videos são raros de serem encontrados, mas em Porto Alegre ele têm todos os episodios na locadora Canal Zero, na João Wallig. Valeu, site perfeito como sempre...
"
Henrique
NOTA:

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Texto: Felipe M.Guerra
N.E.: Esse artigo foi cedido pelo autor Felipe M. Guerra para publicação no site Boca do Inferno, extraído originalmente do prestigiado site www.myers.cjb.net ("Halloween - o site brasileiro de Michael Myers"), editado por Alexandre Sobrino.