HORROR DE FRANKENSTEIN

por Jefferson Prata

É impossível comentar sobre o cinema de horror das décadas de 50 e 60 sem nos referirmos a Hammer Films da Inglaterra, estúdio que promoveu o retorno triunfal dos clássicos monstros da Universal, principalmente o “Monstro de Frankenstein” e o “Conde Drácula”. Com o sucesso surpreendente do filme “A Maldição de Frankenstein”, de 1957, que lançou os desconhecidos Peter Cushing e Christopher Lee a fama internacional, uma seqüência envolvendo a história de Frankenstein foi definida, e daí seguiram-se 6 clássicos. O penúltimo filme dessa série foi produzido em 1970 e não tinha nenhuma conexão com os outros. Esse filme, produzido, dirigido e escrito por Jimmy Sangster, que fez o roteiro do primeiro da série, foi denominado “Horror of Frankenstein”.



Nessa produção temos um Victor Frankenstein jovem, com os hormônios a flor da pele e totalmente obcecado pela sua suprema criação, sendo capaz de matar até as pessoas mais próximas em detrimento do progresso do seu macabro experimento. Coisa vista até então apenas no anterior “Frankenstein Tem Que ser Destruído” (1969), onde o doutor interpretado por Peter Cushing é o grande vilão da história, e não a criatura. Dessa vez o papel fica com Ralph Bates, que a minha visão cumpre com extrema habilidade o que lhe é pedido, deixando transparecer um leve sarcasmo e uma quase loucura, que faz com perca totalmente a noção do que é certo ou não, se preocupando apenas em dar prosseguimento a todo custo ao bizarro experimento e acabando com qualquer coisa que pudesse se interpor entre ele e os seus objetivos.

Após assassinar indiretamente seu pai no início do filme, Victor vai para a universidade (matou o velho porque ele não iria permitir a ida dele para a universidade) e aí temos um pulo de 6 anos no filme, quando Victor retorna da Universidade de Medicina para o castelo acompanhado do amigo Wilhelm Kassner e encontra a jovem e bela governanta Alys cuidando do lugar. Ele passa a dormir com a governanta, tal qual ocorria com o pai dele, e constrói junto com Kassner um laboratório no sótão do castelo, onde começam a fazer simples experiências. Em certa ocasião, os dois amigos se deparam com um assalto a uma carroça e Victor mata o líder do grupo de bandoleiros. Estavam na carroça Elizabeth, amiga de escola de Victor, e seu pai, os quais saem ilesos. Após todos saírem do local, Victor degola o bandido e leva sua cabeça para o laboratório. O filme prossegue num clima calmo, mostrando antigos amigos de Victor, até o momento onde ele consegue reviver uma tartaruga e fala para Kassner que agora pretende realizar o feito com um ser humano. O descontentamento de Kassner culmina com uma ameaça de denúncia às autoridades sobre os bizarros planos de Victor, o que faz com que ele não pense duas vezes em eliminar o amigo ali mesmo. Aí temos um ladrão de covas entrando na história, que posteriormente é morto também e a morte do pai de Elizabeth, provocada por Victor, visando ter o cérebro do homem para enxertar na criatura. Feito tudo, somos apresentados ao monstro, que apresenta um visual bastante simplório numa incrível falta de criatividade do departamento de maquiagem para criar um visual mais aterrorizante. O monstro, interpretado pelo “Darth Vader” Dave Prowse, não apresenta nenhum sentimento e se resume a um tosco robô assassino. De interessante, ainda teremos a morte de Alys, que tentou chantagear Victor e teve um triste fim nas mãos do monstro. O final da película é inusitado e irá surpreender quem ainda não viu o filme.



Mesmo com alguns inconvenientes, Horror de Frankenstein merece ser conferido, pois apresenta o clima gótico típico dos filmes da Hammer, tem até boas atuações, relações interessantes entre os personagens e uma história que pelo menos foge um pouco ao convencional. O que mais fere o filme é mesmo a figura do monstro, totalmente dispensável e que até prejudica o andamento do filme após a sua aparição, a poucos minutos do fim. Por falar em fim, o final do filme é abrupto e muito pouco satisfatório. Porém, o monstro teve uma participação tão fraca que o seu desfecho não poderia ser diferente.

O filme foi lançado em DVD no Brasil pela finada Works, integrando o selo Dark Side, e hoje pode ser encontrado em algumas bancas ou sebos por R$ 9,99 ou menos. O filme não tem opção de áudio em português, apenas com legendas em inglês e espanhol e o DVD traz como extras breves biografias de Jimmy Sangster e Ralph Bates, sinopse do filme, trailer de cinema com legendas em português, galeria de fotos, álbum fotográfico de Verônica Carlson, galeria de arte de Verônica Carlson e comentários em áudio sobre o filme, cometendo o grave pecado de não ter legendas.

Jimmy Sangster foi o principal roteirista da Hammer Films em sua fase dourada, tendo escrito os roteiros de filmes clássicos da produtora, como “X The Unknow” (1956), “A Maldição de Frankenstein” (1957), “Vampiro da Noite” (1958), “The Crawling Eye” (1958), “A Múmia” (1959) e “As Noivas do Vampiro” (1960). Como diretor, teve uma curta carreira, dirigindo os longas de terror “Horror de Frankenstein” (1970), “Luxúria de Vampiros” (1971) e “Fear in The Night”(1972), todos da Hammer, além de algumas séries de tv. Continua na ativa até hoje.



Ralph Bates, embora não tenha o amplo reconhecimento de atores como Christopher Lee e Peter Cushing, participou de interessantes filmes de terror da Hammer, como “Taste the Blood of Dracula” (1970), "Dr. Jeckyll and Sister Hide" (1971), “Lust for a Vampire” (1971) e “Fear in The Night” (1972), entre outros. Trabalhou em diversas séries e filmes até a sua morte em 1991, na Inglaterra.

Os outros filmes de Frankenstein produzidos pela Hammer Films foram “A Maldição de Frankenstein” (1957); “A Vingança de Frankenstein” (1958); “O Monstro de Frankenstein” (1964); “Frankenstein Criou a Mulher” (1967); “Frankenstein Tem Que Ser Destruído” (1969) e “Frankenstein And The Monster From Hell” (1974), que não foi lançado no Brasil. Exceção a “Horror of Frankenstein”, todos os outros 6 filmes são interligados e o papel do Dr. Frankenstein coube a Peter Cushing em todos eles. Como o monstro, diversos atores tiveram chance, como Christopher Lee, Michael Gwynn e Kiwi Kingston, só para citar os principais.

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HORROR DE FRANKENSTEIN
(Horror of Frankenstein , Inglaterra, 1970). 95 minutos
Direção: Jimmy Sangster
Roteiro: Jeremy Burham e Jimmy Sangster
Produção: Jimmy Sangster
Música: Malcolm Williamson
Fotografia: Moray Grant
Edição: Chris Barnes
Maquiagem: Tom Smith
Direção de Arte: Scott MacGregor
Elenco: Ralph Bates (Victor Frankenstein), Kate O´Mara (Alys), Verônica Carlson (Elizabeth), Dennis Price (Ladrão de Corpos), Dave Prowse (Monstro), Jon Finch, Bernard Archard, Graham James, James Hayter.



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