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A Romênia é mesmo um país estranho e cheio de antigas lendas ligadas ao mundo sobrenatural, principalmente por causa da Transilvânia e toda a mistura de história e obscurantismo que gerou o Conde Drácula, o maior Mito da Literatura e do Cinema Fantástico. Existe ao mesmo tempo toda uma série de histórias sobre fanatismo religioso medieval, exorcismos clandestinos misturados a tentativa do país de se modernizar e integrar a Comunidade Européia após décadas de um rígido Regime Comunista.
Em 2002, a Romênia inteira ficou chocada com uma bizarra notícia policial relacionada a diversos ataques mortais onde o choque maior está na identidade dos autores. Afinal de contas: QUEM SÃO ELES? |
Uma dupla de novos diretores franceses resolveu contar essa história, focando as horas de pesadelo passadas por um casal, em uma madrugada em sua casa em meio a uma floresta romena. David Moreau e Xavier Palud dirigiram e roteirizaram ILS aka THEM, ELES. O filme é simples, direto, original e assustador. Na abertura vemos uma sequência recorrente em filmes slasher: Duas mulheres estão em uma Van: Mãe e Filha. É noite, a estrada está deserta e o carro sofre um pequeno acidente. Elas estão sozinhas e obviamente algo vai acontecer. A maneira como os diretores constroem essa cena é brilhante. Percebe-se pelo som que a chuva se aproxima. A mãe sai do carro e abre o capô, enquanto a filha está dentro da Van. Sons estranhos e ameaçadores começam a rondar o local onde elas estão. Ninguém aparece, nenhum carro, nada. A mãe desaparece e o horror se instaura quando um sinistro sussurro vem da floresta onde a filha ouve a palavra “Mama...” A chuva começa e o inevitável ataque ocorre de onde menos se espera. O rosto do agressor não aparece. Não sabemos quem é ele ou quem são eles...


Um
fade out já nos conduz ao corredor de uma escola onde é apresentada a protagonista feminina do filme, a Professora francesa Clementine, que está na Romênia há apenas três meses, junto com o marido, Lucas. Com os dois personagens centrais apresentados o roteiro nos conduz a casa deles, afastada da cidade, em meio a uma tranqüila floresta. No caminho Clementine vê a Van da noite anterior cercada de policiais mas nem liga e segue para casa. Quando chega a noite o casal se prepara para dormir. Vemos vários cômodos da casa mostrados de maneira simples numa demarcação do cenário onde irá se instaurar o horror. Um ruído no meio da madrugada acorda Clementine. A partir desse momento o filme é desenvolvido em tempo real, até seu desfecho. Eles descem para ver o que está acontecendo e ao sair para a rua Lucas é
“cegado” com os faróis do carro que são acesos e descobrem que realmente não estão sozinhos, que seu domínio, seu espaço, foi invadido por seconhecidos.

Os climas angustiantes que se seguem são mostrados com uma câmera tensa, muitas vezes na mão, que tece uma teia de puro horror e angústia com silêncios bem colocados, ataques aterradores vindos do buraco da fechadura e a aparição de um dos invasores em uma brilhante seqüência no sótão onde vemos apenas uma figura de agasalho e capuz, sem rosto, sem identidade e sem um motivo concreto para os ataques. A dupla de protagonistas é conduzida até mundos obscuros e sombrios num jogo de luzes bem colocadas em meio a escuridão, fruto do excelente trabalho do Diretor de Fotografia Alex Cosnefroy.
ILS é uma espécie de
ALTA TENSÃO sem o Gore estremo, mas muito tenso e assustador. O epílogo é simplesmente apocalíptico e perturbador. Um dos filmes mais originais e bem realizados dentro do Gênero Horror dos últimos anos.

A dupla de Diretores: David Moreau e Xavier Palud foi convidada para dirigir o remake norte-americano de
THE EYE 1, com Jéssica Alba. Pela qualidade desse longa e a criatividade alcançada em construir com poucos recursos um excelente Thriller, podemos esperar muito dessa dupla de jovens diretores franceses.

Marcelo Carrard
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ILS (Ils / Them , França, 2006). Duração: 77 minutos.
Direção: David Moreau e Xavier Palud
Roteiro: David Moreau e Xavier Palud
Produção: Richard Grandpierre e Bogdan Monsea
Fotografia: Alex Cosnefroy
Figurino: Tina Grani
Edição: Nicolas Surkissian
Elenco: Olívia Bonamy (Clementine) e Michael Cohen (Lucas)
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