DOSSIÊ: JAMIE LEE CURTIS

"Ela deixou de ser só a filha de atores famosos para se tornar um símbolo sexual e uma atriz versátil e requisitada."


Desde 1990, Jamie Lee Curtis tem sido nossa musa. Claro, na época Jamie era um mulherão, e ainda é, mas aos 32 anos a atriz era para nós dois um símbolo sexual e, sendo assim, nossa deusa. Jamie Lee nasceu em 22 de novembro de 1958 em Los Angeles, Califórnia, e tornou-se nosso ídolo, exatamente por ser conhecida como ‘A Rainha do Grito’, porque naqueles dias, no inicio da década de 90, só assistíamos a filmes de terror; produções que não eram terror, só víamos os que haviam Jamie Lee Curtis atuando. Queremos homenagear nossa eterna estrela com um artigo especial e dedicado a ela. Graças a muitos documentários e revistas, conseguimos ótimas informações sobre sua trajetória, nesses 32 anos de carreira. Uma vez que Jamie Lee é ‘A Rainha do Grito’, não existe lugar mais honroso de publicar uma pequena biografia desta linda e talentosa atriz do que num site especial sobre filmes de terror, o ‘Boca do Inferno’.

“Sou um corpinho de sorte”, costumava dizer Jamie Lee Curtis, quando respondia às inevitáveis perguntas sobre o fato de a maioria de seus papéis no cinema explorarem sua plástica invejável. “Para ser honesta, adoraria dizer que foi o meu talento que me jogou nessa profissão. Mas sabe uma coisa? Foram os meus seios”. O excesso de autocrítica funciona como uma arma contra os inúmeros rótulos que lhe foram impostos desde o começo de sua carreira como atriz, no fim da década de 70. O estigma de ser filha de atores famosos foi o primeiro deles. Também, pudera: Jamie Lee descende dos pesos pesados Tony Curtis, astro de, QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Some Like it Hot, 1959), e Janet Leigh – a mulher esfaqueada no banho em PSICOSE (Psycho, 1960) de Alfred Hitchcock.
Jamie Lee cansada de fazer pequenas aparições em seriados de TV, como COLUMBO, entre outros, conseguiu fazer sua estreia, ainda como coadjuvante na TV, em um papel de destaque no seriado O CASO DAS ÁNAGUAS (Operation Petticoat, 1977-1978), série baseado no filme de mesmo nome estrelado por seu pai Tony Curtis e ainda Cary Grant, em 1959. Logo após, estrelou seu primeiro filme, o maior terror slasher do cinema naquela época e a maior bilheteria para uma produção independente de terror: HALLOWEEN (Halloween, 1978).

Jamie Lee foi escolhida pelo diretor John Carpenter exatamente por ser a filha da atriz Janet Leigh, a vítima de Norman Bates e logo após o sucesso inacreditável de ‘Halloween’, Carpenter achou estranho, ninguém oferecer papéis a ela. O máximo que ela tinha conseguido era uma participação num capítulo do seriado AS PANTERAS (Charlie’s Angels) em que interpretava uma tenista lésbica e um episódio ao lado de sua mãe, no seriado O BARCO DO AMOR (The Love Boat).



O diretor escalou mãe e filha para seu próximo filme de terror, o sucesso A BRUMA ASSASSINA (The Fog, 1979), um soberbo filme, e a partir deste fato, os executivos começaram a perceber: ela faz esse tipo de filme, então vamos chamá-la. Daí em diante, vários títulos de terror contêm a ilustre presença da grande atriz Jamie Lee Curtis, fazendo o gênero marcar sua carreira e sendo a responsável pelo sucesso destes filmes: A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR ou BAILE DE FORMATURA (Prom Night, 1980); TREM DO TERROR (Terror Train, 1980) e a seqüência de Halloween em 1981. Seu primeiro filme, não sendo de terror, foi o telefilme de comédia MARCHA PARA UM IDEAL (She’s in the Army Now, 1981).

Seu modo de fugir das comparações com os pais famosos foi fazer-lhes ataques públicos e dizer que ignorava o trabalho dos dois no cinema. Chegou a dizer que já havia cheirado cocaína com o pai e que nunca assistira à antológica cena da mãe no chuveiro. “Nenhum filme dos meus pais foi decisivo na minha vida”, disparava, no inicio da década de 80. Aos 38 anos, em 1997, casada e com dois filhos adotivos, a atriz conseguiu enfrentar melhor o fato de ser filha de quem é. Ela fez uma mea-culpa de tudo o que disse no inicio da carreira para rechaçar as comparações e reconhece, inclusive, que ter frequentado as festas de Hollywood com os pais facilitou o caminho até seus primeiros filmes. “Eu me arrependo muito das coisas que disse à imprensa sobre minha família”. Confessou naquele ano.



Mas arrepender-se do que faz não é algo comum na vida de Jamie Lee, que ganhou o apelido de ‘The Body’ (O corpo) graças a um bom número de filmes em que suas curvas foram mais exploradas que seu talento dramático. Nesta lista inclui-se TROCANDO AS BOLAS (Trading Places, 1983), em que faz uma famosa cena de strip-tease que dura sete segundos; por este trabalho, Jamie ganhou o ‘Bafta Awards’ (considerado o Oscar britânico), de melhor atriz coadjuvante; o fracasso PERFEIÇÃO (Perfect, 1985), ao lado de John Travolta, em que interpreta uma dona de academia que passa quase o filme todo em sensuais malhas de ginástica, e o excelente suspense PAIXÃO ASSASSINA (Mother’s Boys, 1993), feito na fama de A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO (The Hand That Rocks the Cradle, 1992), no qual encara uma polêmica cena em que sua personagem seduz o filho de 11 anos, ficando nua na sua frente e o obrigando a colocar a mão na cicatriz da cesárea responsável pelo seu nascimento.

Para interpretar a instrutora de aeróbica em ‘Perfeição’, Jamie Lee treinou por vários meses, até atingir seu objetivo. Todas as cenas em que mostra a professora dando um show de aeróbica para dar aula aos seus alunos foram filmadas primeiro e em seguida as cenas dramáticas. No fim das filmagens, o último take gravado do filme foi à cena em que o elenco está malhando, para dar início aos créditos. É nítido perceber que Jamie perdeu uns 10kg de músculos desde que as cenas de aeróbica foram gravadas. Ela também participou do clip da música de Jermaine Jackson, ‘(Closest Thing To) Perfect’, para ajudar a promover o filme.



A atriz é a primeira a reconhecer que sua trajetória no cinema esteve muito ligada a sua beleza, e acha isso natural. Tudo começou quando ela mandou para um agente uma foto de corpo inteiro, com setas indicando seus maiores atributos. Com isso ganhou o papel em MULHER ARDENTE (Death of a Centerfold: The Dorothy Stratten Story, 1981), um filme para TV, cujo nome já da uma pista do conteúdo. O filme conta a trajetória verídica e trágica da modelo Dorothy Stratten. A modelo também já foi vivida no cinema por Mariel Hemingway em STAR 80 (Star 80, 1983). “Fiz filmes que não são engraçados. Mas quando se é solteira, não há muito com o que se preocupar.”

A não ser, é claro, quando essa exploração chega às raias do ridículo. Ela se recusou, por exemplo, a fazer uma cena do sensacional e imperdível filme policial JOGO PERVERSO (Blue Steel, 1989), em que a nudez era totalmente descabida. “Era uma cena de tiroteio, e foi escrita como uma cena de nudez. Eu disse que não iria correr com um revolver na mão e nua. Todos iam ficar olhando meus seios balançando, e não a cena”, diverte-se.

Jamie Lee não rejeita os filmes que fez, mas diz que hoje escolhe melhor seus papéis, pensando nos filhos, Annie, de 23 anos e Thomas, de 13. Em 1997, Jamie teve consciência de que não poderia encarnar a protagonista sexual nos filmes por muito tempo. “Não vou ter paciência de insistir na imagem de sexy até os 50”, avisou na época. Por exemplo, ainda era possível ver essa mulher de 1,75m e controlados 63kg desfilando em vestidos justíssimos, como em seu filme, FEROCIDADE MÁXIMA (Fierce Creatures, 1997). O filme reuniu, depois de nove anos, o elenco do filme UM PEIXE CHAMADO WANDA (A Fish Called Wanda, 1988), que deu a Jamie seu primeiro papel de protagonista.



Até então, ela tinha feito algum sucesso em uma série de filmes de terror, como os dois primeiros filmes da série Halloween: HALLOWEEN – A NOITE DO TERROR (Halloween, 1978) e HALLOWEEN II – O PESADELO CONTINUA (Halloween II, 1981). Entre 1978 a 1981, estrelou outros filmes de terror. A constante aparição nesses filmes foi responsável pelo seu primeiro apelido na carreira: ‘A Rainha do Grito’. Logo em seguida, partiu para comedias românticas e filmes de gosto duvidosos, como A VOLTA POR CIMA (Grandview USA, 1984), em que mais uma vez aparece em tórridas cenas de sexo. Chegou a pensar em desistir da carreira e a elaborar uma seleta lista de dez diretores, os únicos com quem aceitaria trabalhar. Não é preciso dizer que a relação foi esquecida meses depois.

Participou dos poucos vistos: o cult CARTAS DE AMOR (Love Letters, 1983), sendo dirigida pela feminista Amy Holden Jones, que havia feito outro cult, o incrível slasher SLUMBER PARTY - MASSACRE (The Slumber Party Massacre, 1982) e UM HOMEM APAIXONADO (A Man in Love, 1987); nos fracos A VOLTA POR CIMA (Grandview U.S.A., 1984), ao lado de Patrick Swayze e C. Thomas Howell, e A VOZ DO SILÊNCIO (Amazing Grace and Chuck, 1987), ao lado de Gregory Peck e mais um telefilme dramático em 1982, ainda inédito no Brasil (Money oh the Side) que aborda a prostituição.

Teve suas cenas deletadas de AS AVENTURAS DE BUCKAROO BANZAI (The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension, 1984), cenas que podemos conferir nos extras do DVD, e participações em seriados como CONTOS DE FADA (aquele seriado infantil exibido na Cultura apresentado por Shelley Duvall) e um piloto de uma série que não vingou, CALLAHAN (1982).

Participou do excelente suspense Hitchcockiano australiano ENIGMA NA ESTRADA (Road Games, 1981); atuou ao lado da grande Bette Davis em outro telefilme NUM CERTO VERÃO (A Summer Die, 1986) e no extraordinário drama DOMINICK & EUGENE (Nicky & Gino, 1988).

Foi a partir de ‘UM PEIXE CHAMADO WANDA’ que Jamie Lee pôde sentir que ser atriz era algo além do mostrar incessante de pernas intercalado por gritos agudos nas cenas de filmes de terror.
Nesta produção, ela teve a oportunidade de explorar, pela primeira vez, sua veia cômica. Foi o bastante para elevar o nível dos convites que passou a receber e o das produções em que ela passou a atuar.

Fez parte de um grande elenco que incluía: Joe Mantegna, Linda Fiorentino, Kevin Bacon, John Malkovich e outros famosos somente nos Estados Unidos na comédia independente ENTRE AMIGOS (Queens Logic, 1991). Jamie aparece depois de uma hora de filme, tem uma breve participação e consegue roubar a cena do filme e tornando-se a única atração divertida dessa história que fora um sucesso de crítica.

Teve grandes momentos em TRUE LIES (True Lies, 1994), em que contracena com Arnold Schwarzenegger. Ao lado dele, passa por situações hilárias como a mulher de um agente secreto que desconhece a verdadeira atividade do marido.



O diretor de ‘True Lies’, ninguém mais ninguém menos que James Cameron, telefonou para a atriz e disse que estava escrevendo um roteiro para ela atuar como protagonista. Imagine que honra! Cameron escreveu o roteiro de ‘True Lies’, porque foi a primeira vez que Schwarzenegger veio lhe trazer uma história dizendo achar o papel de Harry Tasker interessante. Portanto ao saber que Jamie Lee seria seu par, Helen Tasker, fez de tudo para tirá-la do filme, afinal outras atrizes foram consideradas para interpretá-la: Jodie Foster, Rosanna Arquette, Kim Basinger, Annette Bening, Joan Cusack, Geena Davis, Melanie Griffith, Jennifer Jason Leigh, Madonna, Demi Moore, Michelle Pfeiffer, Sharon Stone, Emma Thompson e Debra Winger, mas Cameron queria Jamie Lee Curtis e ponto final. Ele havia reparado a veia cômica de Jamie Lee não somente em ‘Um Peixe Chamado Wanda’, mas também no seriado (Anything But Love 1989-1992), no qual Jamie conquistou seu primeiro Globo de Ouro de melhor atriz de série de TV musical ou comédia em 1990, uma indicação na mesma categoria em 1992 e o People Choice Awards de melhor atriz.

Schwarzenegger mudou de opinião assim que começou as filmagens e reconheceu seu erro. Jamie Lee foi responsável por 50% do sucesso do filme e Helen Tasker tornou-se seu personagem mais famoso, marcando o filme para sempre. O papel foi feito para ela, Jamie brilhou e roubou a cena. Isso foi comprovado em 1995 quando Jamie Lee Curtis ganhou seu segundo Globo de Ouro, desta vez na categoria de melhor atriz musical ou comédia em um filme, o American Comedy Awards de melhor atriz e o Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA, de melhor atriz por ‘True Lies’ e a indicação para o Screen Actors Guild Awards (SAG) de melhor atriz coadjuvante - o prêmio do sindicato dos atores - e a indicação como melhor atriz e melhor beijo no MTV Movie Awards.

Jamie Lee Curtis não usou dublê para gravar ‘True Lies’ e protagonizou a cena de strip-tease mais engraçada da história do cinema. O filme foi um retumbante sucesso de público e crítica.



Já em ETERNAMENTE JOVEM (Forever Young, 1992), ao lado de Mel Gibson e nos dois filmes da serie MEU PRIMEIRO AMOR (My Girl, 1991, e My Girl 2, 1994), ela interpreta mães boazinhas e comportadas. Dan Aykroyd, seu par romântico nos dois filmes de ‘Meu Primeiro Amor’ e ‘Trocando as Bolas", junto de Mel Gibson, foram os atores que a atriz confessou que mais sabem beijar.

É nesse tipo de papel que ela espera ser vista pelos filhos. Com a experiência de quem foi filha de pais famosos, quer criar os seus longe da fogueira de vaidades que cerca os atores, e espera que eles não sigam a carreira artística. Hoje, ela admite que a separação de Tony e Janet a afetou muito, e detesta pensar na possibilidade de Annie e Thomas passarem por isso. “Mas sabe de uma coisa? Até que aquilo me deixou mais forte. Deu-me determinação para construir uma vida familiar e gostar disso, como estou fazendo agora”, avalia.

Cuidadosa ao extremo, Jamie confessa que muitos de seus trabalhos da fase sensual são barrados em casa. “Ainda não sei com que idade eles poderão ver alguns de meus filmes”, admite a mãe zelosa. Enquanto esse dia não chega, ela dedica aos herdeiros livros infantis que escreveu. Além disso, é também fotografa e patenteou em 1996 um invento no mínimo inusitado: uma fralda especial para carregar em bolsos de camisa.



Jamie Lee Curtis é autora best-seller de vários livros infantis. Destacamos ‘Where do Ballons Go?’, que foi lançado em setembro de 2000 e permaneceu por 18 semanas na lista de mais vendidos do New York Times e ‘Today I Feel Silly and Other Moods That Make My Day’ que novamente permaneceu 9 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times, entre outros, todos com grandes sucessos de vendas. Seu livro mais recente, ‘My Friend Jay’, será lançado este ano.

A atriz apostava na diversificação de atividades enquanto esperava por boas propostas no cinema. Em 1997, tomou uma decisão radical e proibiu seu agente de oferecê-la aos executivos dos estúdios para qualquer projeto. “Só vou fazer filmes quando as pessoas realmente me quiserem”. De quebra, decidiu também manter seu cachê numa faixa bem abaixo de outras atrizes do seu quilate. Costumava receber cerca de 2 milhões de dólares por filme. “Com isso, quero ampliar meu leque de possibilidades. Quero que as pessoas saibam que podem me utilizar no elenco, sem aquela coisa de ‘não podemos pagar o que ela pede’”, justifica.



É claro que a estratégia nem sempre funciona. Em 1996, ela foi preterida para o papel principal de ESFERA (Sphere, 1998), sobre um vírus que ataca a tripulação de um submarino. Em seu lugar foi contratada ninguém menos que a estrela Sharon Stone, conhecida por, juntamente com Julia Roberts e Demi Moore, receber os maiores salários de Hollywood. No lugar, estrelou outra produção de ficção científica, VIRUS (Vírus, 1999). Este filme, como ‘Esfera’ foram grandes fracassos de bilheteria, de qualquer jeito Jamie iria entrar em uma canoa furada. Em entrevista, ela diz que considera este filme um dos piores de sua carreira, junto com ‘A Volta por Cima’, onde os chamam de “piece of shit”, traduzindo, “pedaços de bosta”.

Enquanto um bom papel não vinha, ela curtiu e ainda curte o título que recebeu em 1996: o de baronesa. Desde então ela se tornou Lady Haden-Guest, por conta da origem nobre do marido, o inglês Christopher Guest, de 60 anos. A família chegou em estudar a possibilidade de se mudar para Londres, onde Christopher vai poder assumir a cadeira do pai, morto em 1995, na Câmara dos Lordes. Jamie Lee e Christopher são casados desde 1984. O relacionamento começou de forma bastante inusitada. Ela viu uma foto do até então apresentador do programa ‘Saturday Night Live’ na revista Rolling Stone e teve a certeza: era o homem da sua vida. Então, deu o número de seu telefone para o empresário de Christopher e ficou esperando, mas ele nunca telefonou. Os dois se encontrarão três meses depois, em uma festa, iniciaram o romance e se casaram depois de alguns meses. Como ela não pode ter filhos, os dois decidiram adotar duas crianças.



Christopher é ator, comediante, produtor, escritor e diretor. Além de ‘Saturday Night Live’, ele participou do filme QUESTÃO DE HONRA (A Few Good Man, 1992), ao lado de Tom Cruise, Demi Moore e Jack Nicholson e como diretor, realizou o excelente 15 METROS DE MULHER (Attack of the 50Ft. Woman, 1993), um remake feito para TV do clássico de 1958, estrelado por Daryl Hannah (Kill Bill Vol. 1 & 2 e Blade Runner – O Caçador de Andróides).

Antes de se casar, Jamie Lee Curtis era uma inveterada namoradeira. A lista de ex-namorados inclui desde o roqueiro Adam Ant até o decorador J. Michael Riva, neto da diva Marlene Dietrich. “Ele tinha as pernas da avó”, costuma brincar.

Por mais que negue, o fato de ser filha de quem é mexeu com a cabeça da jovem Jamie Lee Curtis, numa clara demonstração de insegurança e de vontade a afronta a fama de seus pais. Teve parte da juventude regada a um explosivo coquetel de drogas, que incluía cocaína, LDS e uma variada gama de tranqüilizantes. “Até que no início era divertido, mas tive sorte de ter conseguido parar”, lembra a atriz. Sua companheira de aventura nessa época era a colega Melanie Griffith, que chegou a ficar internada várias vezes em clínicas de desintoxicação. “Na primeira metade dos anos 80, passamos várias noites sem fazer nada, batendo papo e nos drogando”, diz Jamie. Ela resolveu parar quando recebeu um diagnóstico errado de que tinha esclerose múltipla e não deveria chegar aos 30 anos. “Um médico me disse que eu não conseguiria viver intensamente”, lembra.



Desde então, a atriz faz parte da chamada geração saúde. Ela aboliu das refeições carne vermelha, faz três horas de exercícios físicos por dia e parou de fumar. Os cuidados garantem a forma física que ela exibe nas telas. Mesmo assim, Jamie não se sente bonita. “Nunca fui bonita. Tenho dentes grandes e meu cabelo é feio”, enumera. Por isso, ela mantém há muitos anos as madeixas curtinhas, o que, juntamente com o rosto quadrado, contribuiu para o visual andrógino que a tornou um símbolo sexual ala David Bowie.

Após o mega sucesso em ‘True Lies’ é estranho para qualquer fã de atriz o rumo que sua carreira tomou. Participou de muitos filmes pequenos e medíocres, como o chato filme independente feito para TV, exibido na TNT LEMBRANÇAS DE UMA PAIXÃO (The Heidi Chronicles, 1995), ela recebeu mais uma indicação ao Globo de Ouro por este filme de melhor atriz em um filme ou mini-série de TV, mas em seguida de ‘True Lies’, imaginávamos outra coisa. O único trabalho de destaque da atriz foi A DÁDIVA DE NICHOLAS (Nicholas’s Gift, 1998), um excelente drama feito para TV, pelo qual Jamie foi indicada ao Emmy de melhor atriz e HALLOWEEN H20 (Halloween H20: 20 Years Later, 1998), onde interpreta mais uma vez a personagem que a introduziu no mundo do cinema Laurie Strode. O filme foi feito a partir de uma idéia da própria atriz que achou importante comemorar o 20º aniversário da série de filmes de terror ‘Halloween’.

Papéis pequenos em produções independentes como TRÊS SÓCIOS DUVIDOSOS (Homegrown, 1998), QUEM NÃO MATOU MONA? (Drowning Mona, 2000), O ALFAIATE DO PANAMÁ (The Tailor of Panama, 2001) e TUDO EM FAMÍLIA (Daddy and Them, 2001), não fazem justificativa ao enorme talento e beleza da atriz. Sem mencionar o fiasco de HALLOWEEN RESSURREIÇÃO (Halloween: Resurrection, 2002).

Protagonizou vários filmes família, repletos de moral e clichê como: UMA FAMÍLIA QUASE PERFEITA (House Arrest, 1996); SEXTA-FEIRA MUITO LOUCA (Freaky Friday, 2003), remake do clássico da Disney SE EU FOSSE MINHA MÃE de 1977 estrelado por Jodie Foster, no qual recebeu sua ultima indicação ao Globo de Ouro como melhor atriz musical ou comédia e UM NATAL MUITO MUITO LOUCO (Christmas with the Kranks, 2004) seu último filme antes de se aposentar das telas do cinema. Jamie Lee Curtis diz que não se vê mais atuando em filmes, perdeu a vontade, que sua família esta em primeiro lugar e nada vai atrapalhar essa decisão. A atriz afirma que não está atuando porque não consegue imaginar outra pessoa fazendo o trabalho que realiza hoje em dia, para poder gravar um filme. Hoje em dia, faz pequenas aparições em curtas metragens, na TV, até filmes infantis representando ela mesma, faz vozes em desenhos animados e quando resolve aparecer no cinema novamente, faz uma participação especial na bomba PERDIDOS PRA CACHORRO (Beverly Hills Chihuahua, 2008).

Jamie Lee Curtis também é uma ativista na causa da AIDS, além de ter uma conexão profunda e ativa com muitas instituições de caridade voltadas às crianças, incluindo o Children’s Hospital of Pittsburgh e o Children’s Hospital of Los Angeles, além de ser a porta-voz oficial da CAAF (The Children’s Affected by AIDS Foundation), instituição da qual faz parte do conselho deliberativo. Ela também está atualmente atuando como Vice Presidente do grupo de diretores da escola de seu filho em Los Ageles, Califórnia.

Jamie sempre foi grande amiga de sua mãe, ao contrário de seu pai. Ela o vê quando ela quer vê-lo, pois ele não faz parte de sua vida, por isso nunca criou uma decepção em sua vida, uma vez que nunca foi presente. Infelizmente, sua mãe, Janet Leigh faleceu em 3 de outubro de 2004, vítima de vasculite.
Jamie negou participar de uma pequena aparição em Pânico 3 (2000) – fez muito bem -, é madrinha do ator Jake Gyllenhaal, foi indicada ao Grammy de melhor álbum para crianças por ter gravado os livros infantis que escreveu, narrou um documentário da vida de Marlene Dietrich e só faltava dar mais valor à sua carreira, seu talento e sua beleza.

Madura, está bem melhor. Depois de mais de trinta anos nas telas, ela se permite rir de todos esses rótulos e manter a espontaneidade e o bom humor. São essas qualidades que lhe permitem juntar todas as análises e fazer o seguinte auto-retrato: “Sou vulgar, insana e estranha. Na verdade, sou apenas uma criatura agitada.”

André e Marcos Luiz




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