Jogos Mortais 5 (2008)
Direção: David Hackl
Roteiro: Patrick Melton e Marcus Dunstan
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Considerando o rumo que a série tomou no quarto filme, e o fato de que JIGSAW nem fez tanta falta assim (afinal, em todos os episódios da série ele sempre teve um papel mais de coadjuvante do que como participante ativo), havia boas possibilidades para continuar a franquia com JOGOS MORTAIS 5. O roteiro foi escrito pelos mesmos Marcus Dunstan e Patrick Melton da Parte 4, uma evidência de que eles pensaram na trama como um todo e saberiam desenvolver as pontas soltas deixadas no quarto filme.
Além disso, a quinta parte trazia uma saudável mudança: um novo diretor, David Hackl (que foi diretor de segunda unidade nas partes 3 e 4), substituiu Darren Lynn Bousman, que filmou as partes 2, 3 e 4. Diz o velho ditado que "em time que está ganhando não se mexe", mas o estilo videoclipeiro de Bousman já estava cansando, e a entrada de outro profissional poderia representar um sopro de renovação na franquia.
Infelizmente, mesmo com a receita de sucesso sendo seguida à risca por todos os envolvidos, o prato saiu do forno meio indigesto. JOGOS MORTAIS 5 é, disparado, o filme mais fraco da série. Não necessariamente ruim, mas completamente desnecessário: um festival de flashbacks tentando justificar a presença do detetive Hoffman como cúmplice de JIGSAW desde os eventos mostrados no primeiro filme (embora oficialmente o personagem só tenha entrado na franquia na Parte 3). |
E quando você precisa de um filme inteiro só para explicar um detalhe simples como esse - o que poderia ser resolvido com um único flashback de 10 minutos, e bola pra frente -, é sinal de que alguma coisa está errada, e um alerta de que a série parece estar sem assunto, desovando sequências nos cinemas todo ano apenas para faturar os trocos dos fãs.
Seja como for, este quinto filme começa com uma armadilha inspirada no conto "O Poço e o Pêndulo", de Edgar Allan Poe: um assassino chamado Seth (Joris Jarsky), que escapou da prisão perpétua por um erro técnico da investigação, é partido ao meio por uma lâmina em forma de pêndulo pendurada sobre o seu corpo. Parece mais uma armadilha típica de JIGSAW, até o espectador descobrir que ele morreria mesmo se cumprisse a auto-mutilação proposta pelo "jogo". Mais tarde, também, descobrimos que, cronologicamente, este crime acontece ANTES dos fatos mostrados em quase todos os outros JOGOS MORTAIS!!!


Depois, retornamos diretamente ao final de
JOGOS MORTAIS 4, com o agente
Strahm (Scott Patterson) entrando na sala onde está o corpo de
JIGSAW e matando Jeff (Angus Macfadyen, da
Parte 3). Strahm é trancado no quarto por Hoffman, e encontra um gravador com uma mensagem de
JIGSAW. Ignorando-a, é atacado e preso a uma armadilha terrível: sua cabeça fica dentro de uma caixa de vidro que começa a encher com água. Numa das melhores cenas de toda a série, Strahm se salva com muita esperteza, enfiando um tubo de caneta na garganta e realizando uma
"traqueostomia improvisada" para poder respirar mesmo com a cabeça totalmente submersa na água!
A polícia chega ao local e Strahm é salvo, enquanto Hoffman surge carregando Corbett (a filha de Jeff, presa por
JIGSAW no terceiro filme), e dizendo que a salvou. Para a polícia, com a morte do vilão, seus crimes chegaram ao fim, e Hoffman é condecorado como herói - parece até o final de
"Conflitos Internos", que depois deu origem a
"Os Infiltrados", de
Martin Scorsese. O caminho também está livre para que Hoffman se transforme no
"novo JIGSAW", como entrega, metaforicamente, o pôster original do filme.


Logo, cinco pessoas acordam numa sala escura e são obrigadas a encarar a tradicional série de armadilhas para sobreviver. Elas descobrem estar conectadas por um fato trágico (o incêndio criminoso em um prédio que devia ser desapropriado, e que provocou a morte das pessoas que moravam no imóvel), e vão seguindo a seqüência de jogos sem muita união, brigando o tempo inteiro, até sobrarem apenas dois sobreviventes,
Mallick (Greg Bryk) e
Brit (Julie Benz, de
"Rambo 4").
Paralelamente, Strahm começa a suspeitar de Hoffman e investiga o seu passado, descobrindo (e informando ao espectador) como ele se transformou no principal comparsa de
JIGSAW, mais até do que Amanda. Foi Hoffman, e não
JIGSAW, quem matou Seth naquela cena inicial, já que o bandido havia assassinado a sua irmã e foi absolvido por bobagem. Mesmo assim, Hoffman armou a cena do crime para parecer um crime de
JIGSAW, inclusive arrancando um pedaço de pele da vítima em formato de quebra-cabeça.
Quando
JIGSAW descobriu que havia um
"copycat" (criminoso que imita o estilo de outro), conseguiu chegar até Hoffman e chantageou-o para que o detetive se tornasse seu ajudante. Através de mais um montão de flashbacks, descobrimos que Hoffman sempre ajudou
JIGSAW: ele é mostrado colocando Paul (Mike Butters) na armadilha de arame farpado vista em
JOGOS MORTAIS; preparando a casa para o
"Big Brother mortal" de
JOGOS MORTAIS 2, e até conversando com
JIGSAW durante a preparação do jogo da
Parte 3, antes que Amanda chegue chegue com a
dra. Lynn (Bahar Soomekh). Isso acaba criando um furo absurdo de roteiro envolvendo os primeiros crimes do vilão, conforme o leitor pode conferir na cronologia da série,
clicando aqui.
O problema é que a investigação de Strahm, que tem o único objetivo de justificar a ação de Hoffman como comparsa do vilão desde o começo da sua carreira, é muito arrastada e acaba tirando o foco dos jogos envolvendo os cinco personagens - situação que acaba se tornando bastante secundária no filme. Para piorar, o roteiro joga mais uma tonelada de informação sobre o espectador, como a viúva de
JIGSAW, Jill (Betsy Russell), recebendo uma misteriosa caixa do advogado do seu ex-marido (seu conteúdo não é revelado), ou o superior de Strahm no FBI,
Dan Erickson (Mark Rolston), desconfiando que é Strahm, e não Hoffman, o comparsa secreto do vilão.


Enfim, é tanta coisa e tanta informação ao mesmo tempo que você até esquece que está vendo
JOGOS MORTAIS 5. É como se você estivesse zapeando de um policial barato feito para a TV (a investigação de Strahm, os flashbacks) para um filme de horror sangrento (as armadilhas). E é uma pena, considerando que este quinto filme tem duas das melhores armadilhas da série toda: a caixa de vidro com água na cabeça de Strahm e a armadilha final, em que Mallick e Britt são obrigados a mutilar as próprias mãos numa serra para coletar a quantidade exata de sangue que permitirá a ambos escapar com vida.
Tirando essas duas cenas, e a do pêndulo (uma das mais sangrentas da série), sobra pouco para ver em
JOGOS MORTAIS 5: algumas explicações são forçadíssimas e desnecessariamente didáticas, há um retorno daquelas armadilhas gigantescas e absurdas da
Parte 3 (quem realmente consegue engolir que alguém consiga construir uma
"sala-armadilha" tipo aquela que mata Strahm no final?), e um monte de detalhes absurdos, como o fato de Hoffman, um simples policial, montar sozinho aquela estrutura imensa da armadilha do pêndulo para matar o assassino da irmã incriminando
JIGSAW (para começo de conversa, onde é que ele conseguiu uma lâmina daquele tamanho para o pêndulo sem que ninguém suspeitasse?).
E o filme também termina eliminando um dos poucos personagens interessantes da série, o
agente Strahm, que tem uma morte terrível (esmagado pelas paredes de uma sala) após falhar no segundo jogo de
JIGSAW. Eu sempre achei que um dos grandes defeitos da franquia é que todos os personagens
"bonzinhos" legais foram morrendo no decorrer dos filmes (o
detetive Matthews, a
detetive Kerry, o
tenente Rigg), e as vítimas escolhidas para participar dos jogos normalmente não conseguem ganhar a simpatia do espectador (acho que só no
JOGOS MORTAIS original eu torci pelos participantes). Embora eu não tenha gostado de Strahm na
Parte 4, neste quinto filme ele tinha se transformado num personagem simpático; matando-o, os realizadores acabaram com um dos poucos
"heróis" da série, deixando a
Parte 6 sem um
"protagonista" investigador, o que é uma pena.
Um outro problema é que, a essa altura, os fãs da série já estão acostumados a serem surpreendidos com reviravoltas finais, e
JOGOS MORTAIS 5 nem ao menos tem uma grande surpresa na conclusão. Pelo contrário, aposta em uma série de pequenas reviravoltas sem que nenhuma delas seja exatamente marcante, ou no mesmo nível dos
"choques" proporcionados pelas
Partes 1 a
4.
E a mudança de direção na verdade foi uma mudança só de nome, já que Hackl imita os piores trejeitos de
Darren Lynn Bousman, fazendo um filme igual aos anteriores, só que sem ritmo algum, perdido numa quantidade ridícula (e desnecessária) de informações, pistas e explicações. Quando você pára para pensar, esta
Parte 5 é tão desnecessária que não faria falta alguma caso a trama pulasse da
Parte 4 direto para a
6!


Aliás,
JOGOS MORTAIS 5 é tão fraquinho que tem cara daquelas continuações picaretas feitas direto para o mercado de DVD. E eu cheguei a suspeitar que este seria o destino da franquia, ladeira abaixo, até descobrir que, felizmente, os principais problemas foram corrigidos na
Parte 6.
• Personagens dos outros filmes que reaparecem: Como o filme é um festival de idas e vindas no tempo, quase todos os personagens dos outros episódios acabam retornando mais cedo ou mais tarde. Os principais em cena são o
detetive Hoffman (Costas Mandylor), das
partes 3 e
4; o
agente Strahm (Scott Patterson), da
Parte 4; e
Jill Tuck (Betsy Russell), a viúva de
JIGSAW, vista nas
partes 3 e
4. Também reaparece o
detetive Fisk (Mike Realba), que entrou para a franquia na
Parte 4, e
Paul (Mike Butters), que foi morto no primeiro filme, apareceu num flashback na
Parte 4 e volta a aparecer num flashback aqui. São citados, ou aparecem em cenas dos outros filmes, os seguintes personagens:
tenente Rigg (Lyriq Bent), visto nas
partes 2,
3 e
4 (quando morreu);
detetive Eric Matthews (Donnie Wahlberg), que apareceu nas
partes 2,
3 e
4 (quando também morreu);
Art (Justin Louis), de
JOGOS MORTAIS 4;
detetive David Tapp (Danny Glover), do JOGOS MORTAIS original;
Amanda (Shawnee Smith), a cúmplice de
JIGSAW, vista nas
partes 1,
2 e
3 (quando morreu);
Jeff (Angus Macfadyen),
"testado" na
Parte 3 e morto por Strahm no final da
Parte 4;
Corbett (Niamh Wilson), filha de Jeff, vista em
JOGOS MORTAIS 3;
Lynn (Bahar Soomekh), esposa de Jeff, morta em
JOGOS MORTAIS 3;
Gus (Tony Nappo), morto em
JOGOS MORTAIS 2 e depois visto num flashback na
Parte 4, e
Obi (Tim Burd), morto em
JOGOS MORTAIS 2. Também são citados apenas verbalmente a
detetive Kerry (Dina Meyer), que apareceu nas
partes 1 e
2, foi morta na terceira e mesmo assim teve seu cadáver exibido na quarta; a
agente Perez (Athena Karkanis), que foi gravemente ferida em
JOGOS MORTAIS 4, e é considerada morta neste quinto filme, e o traficante
Xavier (Franky G), que estava entre as vítimas da casa em
JOGOS MORTAIS 2.
• Qual é o Jogo Mortal: Desta vez são dois. O principal deles traz as cinco pessoas ligadas pelo incêndio criminoso de um imóvel enfrentando a tradicional série de armadilhas
"com lição de moral". O segundo jogo envolve o agente Strahm, cuja confiança é testada duas vezes por
JIGSAW - e, obviamente, o herói falha, deixando mais uma vez a franquia sem um personagem principal!
• A reviravolta: A conclusão traz pequenas reviravoltas, mas nenhuma delas tão impactante quanto a dos filmes anteriores. A principal diz respeito ao jogo do agente Strahm: ele segue Hoffman até a mesma casa onde aconteceram os crimes de
JOGOS MORTAIS 2, e entra numa sala com uma caixa com vidro quebrado e um gravador. Na fita,
JIGSAW pede que Strahm tenha confiança e entre na caixa. Mas ele prefere empurrar Hoffman para dentro do que considera mais uma armdilha do vilão. Nesse momento, as paredes começam a se juntar e a caixa entra pelo chão, protegendo o aprisionado Hoffman, enquanto ele toca a fita dizendo que Strahm falhou no teste e por isso levará a culpa de ser cúmplice de
JIGSAW. Strahm é então terrivelmente esmagado. Outra reviravolta envolve os cinco jogadores ligados pelo incêndio criminoso: quando os dois sobreviventes chegam à armadilha final, descobrem que todas elas foram projetadas para permitir que os cinco chegassem vivos e bem ao final, desde que eles se unissem e trabalhassem em conjunto. Como três foram mortos pelo caminho, os restantes Mallick e Britt precisam perder uma quantidade absurda de sangue para ultrapassar a última armadilha.
• Fique de olho: Em alguns momentos do filme, descobrimos que a viúva de
JIGSAW,
Jill Tuck (personagem que entrou na série na
Parte 3), pode ter ajudado o ex-marido ao longo de sua
"carreira". Ao receber uma misteriosa caixa enviada pelo falecido vilão, fica a suspeita de que a viúva continuará seguindo com o trabalho de
JIGSAW no futuro (conforme veremos depois em
JOGOS MORTAIS 6).
Jogos Mortais 6 (2009)
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Patrick Melton e Marcus Dunstan
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Eu realmente não esperava nada de JOGOS MORTAIS 6 depois da chatice que foi a Parte 5. E talvez esse seja o segredo para curtir o filme: expectativa baixa. A verdade é que este sexto filme da interminável franquia só comprova o que o quinto já anunciava: não há mais história para contar. Entretanto, o resultado é divertido porque volta o clima absurdamente sangrento dos outros episódios, diminuindo o fator "flashbacks e explicações" para o mínimo possível.
O filme começa com uma bela e criativa armadilha que lembra algum episódio de "Contos da Cripta": um casal que extorque clientes, fazendo empréstimos e cobrando juros abusivos, é confinado em uma sala com aparelhos presos às suas cabeças e a tarefa de cortar pedaços do próprio corpo para alimentar uma balança; quem colocar mais "carne" na balança desativará a sua armadilha e provocará a morte do outro. O resultado é uma sequência que chega às raias do humor negro, com a dupla (Tanedra Howard e Marty Moreau) desesperando-se para arrancar mais pedaços do que o outro!
Em seguida, é reapresentada a cena final de JOGOS MORTAIS 5, com o agente Strahm (Scott Patterson) sendo esmagado numa armadilha enquanto o detetive Hoffman (Costas Mandylor) sai ileso, apagando todas as suspeitas de que fosse um cúmplice de JIGSAW. |
Ele aproveita a mão decepada do seu falecido rival, a única coisa que restou na tétrica armadilha, para plantar digitais de Strahm na cena do crime da balança, levando o FBI a acreditar que o desaparecido agente tenha herdado o manto de
JIGSAW - seu superior, o agente Erickson (Mark Rolston), já suspeitava disso desde a
Parte 5.
É revelado que a
agente Perez (Athena Karkanis), parceira de Strahm vista na
Parte 4, não morreu na
Parte 5, como havia sido divulgado (ela simulou a própria morte para poder investigar na surdina). Hoffman começa a temer, já que a moça parece ter certeza da inocência de Strahm - e, claro, desconfia dele. Para piorar, pistas deixadas na cena do crime do pêndulo da
Parte 5, quando Hoffman matou o assassino da sua irmã e fez parecer que era um crime de
JIGSAW, parecem apontar para o verdadeiro autor.
Enquanto Hoffman sua para manter o segredo, é contatado por
Jill Tuck (Betsy Russell), que lhe revela o conteúdo da caixa de
JIGSAW que ela recebeu na
Parte 5: envelopes trazendo nomes e informações para que o detetive organize os últimos jogos mortais, aprisionando uma série de pessoas ligadas a um corrupto administrador de planos de saúde,
William Easton (Peter Outerbridge). Sem que Hoffman saiba, entretanto, há um outro misterioso envelope cujo conteúdo não é revelado e certamente é o gancho para
JOGOS MORTAIS 7 - pelo volume, ele deve conter uma fita VHS.


Descobrimos que, no passado, Easton negou o financiamento de uma terapia alternativa que poderia ter eliminado o câncer de
John Kramer, o homem que viria a tornar-se
JIGSAW. Por isso, os novos jogos são uma espécie de vingança pessoal do vilão contra o executivo. Easton é aprisionado e levado para participar da tradicional sequência de armadilhas, onde, como Jeff em
JOGOS MORTAIS 3, vai encontrando diversas pessoas que merecem ser
"punidas" pelo caminho, e deve decidir entre ajudá-las ou deixá-las para morrer.
Estas armadilhas, entretanto, são algumas das mais fracas da série, inclusive a tão comentada cena do carrossel, em que seis pessoas giram no brinquedo enquanto Easton precisa escolher duas para serem salvas de uma saraivada de tiros de espingarda. O problema desta cena é que as seis vítimas do carrossel são umas filhas da puta que realmente merecem morrer, e que não há nada de muito arrepiante em mortes a tiros - já pensou se o carrossel girasse enroscando as vítimas em arame farpado, por exemplo, ou numa sala repleta de navalhas que fossem mutilando as vítimas a cada volta do brinquedo? Além disso, volta o clássico problema das
"armadilhas absurdas". Imaginar alguém construindo algo como aquele labirinto de vapor na vida real é forçar demais a boa vontade...
Finalmente, em meio aos jogos, somos
"brindados" com mais algumas cenas de flashback para resolver as pontas soltas deixadas desde a
Parte 3 (e também para garantir o salário de
Tobin Bell, o ator que interpreta
JIGSAW, e que desde o quarto filme só aparece nestes flashbacks). Descobrimos o conteúdo da carta que Amanda recebeu de
JIGSAW em
JOGOS MORTAIS 3, e que deixou-a tão transtornada. Na verdade, como foi mostrado ainda na
Parte 4, quem escreveu a carta foi Hoffman, e não
JIGSAW. Mas apenas neste sexto filme é revelado o seu conteúdo: o detetive descobriu que Amanda participou do assalto que resultou no aborto acidental da ex-esposa de
JIGSAW, e pretendia contar isso ao vilão, obrigando Amanda a matar a dra. Lynn em
JOGOS MORTAIS 3 (conseqüentemente fazendo com que
JIGSAW perdesse a confiança na pupila).

JOGOS MORTAIS 6, entretanto, não tem mais nenhuma grande surpresa ou revelação final, com uma reviravolta fraquinha e já esperada por todos. Lembra que, ainda na
Parte 4, Hoffman ouviu a fita retirada do estômago do finado
JIGSAW e ouviu a mensagem de que ele ainda seria testado? Pois é isso que acontece no final deste sexto filme: preso por Jill, que parece assumir de vez o legado do falecido ex-marido, Hoffman ganha de presente aquela
"armadilha para urso invertida" presa à cabeça de Amanda no
JOGOS MORTAIS original, que abre-se rasgando a cabeça da vítima.
Tudo se encaminha para a morte terrível do comparsa de
JIGSAW, mas, naquela que é de longe a melhor cena do filme, Hoffman consegue escapar do dispositivo de forma emocionante, lembrando a forma como Strahm também escapou da morte em
JOGOS MORTAIS 5: ele usa as grades da porta para travar o mecanismo, impedindo de arrebentar a sua cabeça, mas de qualquer jeito mutilando a maior parte do seu rosto quando consegue arrancar a armadilha da cabeça.
E esta é a cena final do filme, Hoffman com o rosto todo arrebentado e gritando, deixando em aberto a possibilidade do agora desfigurado detetive retornar na
Parte 7 em busca de vingança. Até porque ficou bastante óbvio que Jill não aplicou um
"teste justo" ao pupilo do seu ex-marido, já que ele não tinha como escapar da armadilha - obviamente, ela queria que Hoffman morresse para que todos os segredos de
JIGSAW fossem para o túmulo.


Analisando friamente,
JOGOS MORTAIS 6 é tão desnecessário e sem assunto quanto a
Parte 5, mas pelo menos diverte, além de trazer as tão aguardadas explicações que estavam sendo sonegadas dos fãs desde a
Parte 4 (já parecia enrolação mesmo, coisa de novela da Globo), e algumas das cenas mais sangrentas de toda a série, como o festival de auto-mutilação no início e uma tenebrosa morte envolvendo ácido, que termina com um sujeito dividido ao meio e muito sangue e tripas se espalhando pelo chão.
O ritmo também é bem melhor do que o da fraquinha
Parte 5, talvez pelo fato de que quem assumiu a cadeira de diretor deixada por Hackl foi
Kevin Greutert, responsável pela edição de todos os episódios da franquia - e se o cara da montagem não tivesse noção de ritmo, aí sim seria sacanagem! Pena que Greutert, como Hackl, não tenta imprimir nenhum toque pessoal ao filme, simplesmente copiando todos os trejeitos criados por
Darren Lynn Bousman a partir de
JOGOS MORTAIS 2.
Mas o importante é que chegamos, assim, ao final de mais um ciclo da série. E, entre mortos e feridos, o saldo é positivo.
• Personagens dos outros filmes que reaparecem: O
detetive Hoffman (Costas Mandylor), visto nas
partes 3,
4, e
5, continua sendo o principal personagem
"retornante", assim como
Jill Tuck (Betsy Russell), a viúva de
JIGSAW, vista nas
partes 3,
4 e
5. Outros personagens que voltam são o
agente Erickson (Mark Rolston), superior de Strahm no FBI, que entrou na franquia na
Parte 5, e a a
agente Perez (Athena Karkanis), que foi ferida em
JOGOS MORTAIS 4 e considerada morta na
Parte 5.
Amanda (Shawnee Smith), morta na
Parte 3, retorna em diversos flashbacks especialmente filmados para este filme, e não utilizando cenas de arquivo, como já havia acontecido antes. O
agente Strahm (Scott Patterson) aparece apenas em cenas da
Parte 5, bem como
Seth (Joris Jarsky), o homem morto por Hoffman na armadilha do pêndulo. Também numa cena de flashback de fatos mostrados na
Parte 4, vemos
Cecil (Billy Otis), o viciado em drogas que provocou o aborto acidental em
Jill Tuck. Outros personagens que voltam: a repórter
Pamela Jenkins (Samantha Lemole), da
Parte 5; o
dr. Heffner, médico-legista responsável pela autópsia do próprio
JIGSAW e de todas as suas vítimas (James Van Patten), visto originalmente na
Parte 4, e
Timothy Young (Mpho Koaho), um dos mortos no teste de Jeff na
Parte 3, e que aqui aparece num flashback que mostra a preparação da sua armadilha.
• Qual é o Jogo Mortal: William Easton, que negou o financiamento de tratamentos que poderiam curar o câncer de
JIGSAW no passado, é aprisionado e forçado a decidir pela vida ou morte de várias pessoas ligadas à sua vida e carreira durante uma seqüência de armadilhas. No final, descobrimos que há um último jogo, em que a vítima é o próprio
agente Hoffman.
• A reviravolta: Não há uma grande reviravolta, na verdade. A surpresa é que há uma mulher e seu filho (Shauna MacDonald e Devon Bostick) na sala final da seqüência de armadilhas vivenciada por Easton. O espectador é levado a acreditar que aquela é a família da vítima, mas, no final, descobrimos que a mulher é viúva de um doente que não foi ajudado pela empresa comandada pelo executivo. Descobre-se o
"verdadeiro" jogo: a viúva precisa decidir se mata ou não o homem responsável pela morte do seu marido.
• Fique de olho: Hoffman sobrevive com o rosto desfigurado,
Jill Tuck cumpre a vingança do marido e parece destinada a seguir sua carreira de crimes, e vários dos sobreviventes das armadilhas (inclusive a repórter Pamela, especializada em investigar os crimes de
JIGSAW) ficam presos no armazém sem que se saiba o que acontecerá com eles. E tem ainda o misterioso envelope deixado por Jill em um hospital, o que mais uma vez resgata os boatos de que o nosso velho amigo, o
dr. Gordon, teria sobrevivido à perda do pé no final da
Parte 1! São muitos ganchos para
JOGOS MORTAIS 7...
O futuro (de 2010 até quando der dinheiro)
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JOGOS MORTAIS 6 encerrou o segundo ciclo da série. Analisando a franquia como um todo, temos duas trilogias distintas: a primeira, que vai das partes 1 a 3, enfoca o papel de JIGSAW na coisa toda e serviu para colocá-lo na galeria de grandes vilões do horror moderno; já a segunda trilogia, das partes 4 a 6, já com novos roteiristas assumindo a função, revela os trágicos acontecimentos pós-morte de JIGSAW, quando o detetive Hoffman deu sequência ao trabalho do vilão, executando seus últimos jogos planejados.
Se terminasse assim já estava de bom tamanho, mas, considerando que um JOGOS MORTAIS 7 vem aí tradicionalmente no Halloween de 2010, é de se perguntar o que os caras pretendem fazer a partir de agora. Afinal, quase todos os personagens da série já morreram, o detetive Hoffman acabou mal neste sexto filme, e ficou bem claro que todos os jogos planejados por JIGSAW ainda em vida já foram realizados. Para onde, então, irá o sétimo filme, e uma provável nova trilogia?
A dupla Dunston e Melton, que assumiu o comando dos roteiros ainda em JOGOS MORTAIS 4, confirmou sua presença no sétimo filme, e não dá para saber se eles pretendem partir para novas histórias sem JIGSAW, talvez com a ex-exposa Jill assumindo o "trabalho" do vilão (a única coisa sensata a fazer), ou continuar a explorar aspectos obscuros dos outros filmes através de flashbacks, quem sabe ligando Jill, de alguma forma, aos fatos mostrados nos outros episódios (o que foi feito com Hoffman na segunda trilogia, e ficaria MUITO FORÇADO se tentassem repetir). |
Quem sabe também tenhamos o tão sonhado (pelos fãs da série) retorno do
dr. Lawrence Gordon, interpretado por
Cary Elwes no primeiro filme. As sequências nunca explicaram o que aconteceu ao médico após serrar o próprio pé e sair se arrastando em busca de ajuda. Eu, sinceramente, acredito que ele esteja morto (e espero que esteja), mas a maioria dos fãs pensa que ele vai voltar em alguma das sequências simplesmente porque seu corpo nunca foi mostrado.
Sabe-se, porém, que o personagem só não retornou ainda porque o ator
Cary Elwes teria movido um processo contra a
Lionsgate, afirmando que não recebeu seu cachê integral pelo trabalho em
JOGOS MORTAIS. A negociação entre ator e produtora foi encerrada em 2007, mas até agora ele não foi convencido a retornar como o doutor "Perneta" Hoffman. Mas ninguém nunca sabe o que se pode esperar no universo de
JOGOS MORTAIS. Quem sabe ele não se revela um novo pupilo de
JIGSAW? (Nossa, isso sim seria de doer!)
Não duvide, também, se a futura protagonista da série for a repórter Pamela Jenkins, interpretada por Samantha Lemole desde JOGOS MORTAIS 5. Se naquele episódio ela era uma personagem sem importância, no sexto episódio a moça já apareceu mais, e ainda revelou-se uma especialista nos crimes de JIGSAW. Será que finalmente teremos uma "mulher forte" do lado dos heróis na franquia, depois que deram um fim na detetive Kerry e a agente Perez não mostrou a que veio? Do lado do bem, temos também o detetive Fisk, das partes 4 e 5, provavelmente o único homem da lei sobrevivente da investigação dos crimes de JIGSAW (sem contar Hoffman, é claro!).
Fato, mesmo, é que o fraquinho diretor David Hackl estará de volta à franquia na parte 7, e espera-se que ele tenha aprendido com os erros da Parte 5. Os produtores também revelaram que o novo filme será em 3D, e que os roteiristas haviam planejado uma grande estrutura narrativa contando o "futuro" da franquia, com previsão de encerrar num oitavo (!!!) filme. Vai saber...
O certo é que, enquanto a série estiver dando lucro, JIGSAW vai encontrar alguma brecha para continuar aplicando seus jogos mortais em vítimas nem tão inocentes assim. | |
Mas considerando que toda grande franquia acaba perdendo o rumo depois do quarto ou quinto filme, e isso vale para todas as
"grandes", como
"Sexta-feira 13" e
"Halloween", acho que dá para falar, sem medo de ser injusto, que a série
JOGOS MORTAIS é uma das melhores coisas do gênero vindas de um grande estúdio nos tempos atuais.
E, como tal, deve ser valorizada e comemorada pelos fãs - até porque quem não é fã deve ter parado de ver ainda na k
Parte 2, e se não gostou dos dois primeiros filmes definitivamente não irá gostar de nenhum dos quatro últimos. Pensa aí comigo: que outra franquia de horror melhor surgiu na última década (sendo que por franquia entende-se, obviamente, uma série com pelo menos três filmes)? "
Possuída", talvez... "
Pânico" quem sabe, embora as duas seqüências sejam bem fraquinhas. "
Premonição" definitivamente não, já que a qualidade das seqüências vem caindo de forma assustadora. "
Lenda Urbana"? "
Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado"? "
Olhos Famintos", cujo terceiro filme é prometido há anos? "
O Pesadelo" (argh!)?
Na verdade, andamos tão mal de novas franquias de terror ultimamente que os produtores tentam até ressuscitar aquelas séries antigas e já esgotadas através de remakes (
"Sexta-feira 13",
"Halloween",
"O Massacre da Serra Elétrica", agora também
"A Hora do Pesadelo"...). E aí está, amiguinhos, o porquê da importância de
JOGOS MORTAIS para o cenário do horror
"comercial" moderno: nenhuma outra franquia contemporânea chegou tão longe mantendo uma qualidade entre o bom e o razoável. Não dá para negar um feito desses...
De qualquer forma, não se esqueça: sempre é bom valorizar a própria vida e reavaliar alguns hábitos pouco salutares antes de receber uma visitinha de
JIGSAW ou de um de seus inúmeros cúmplices. Pois, do jeito que vai a coisa, logo irão revelar que o entregador de pizza ou o japonês do mercadinho da esquina também são cúmplices secretos de
JIGSAW desde o começo da franquia!
Felipe M.Guerra