JOGADOR MISTERIOSO
(Il Cartaio, Itália, 2004)

Direção: Dario Argento.
Roteiro: Dario Argento e Franco Ferrini.
Produção: Claudio Argento e Dario Argento.
Edição: Walter Fasano.
Música: Claudio Simonetti.
Elenco: Stefania Rocca (Anna Mari), Liam Cunningham (John Brennan), Adalberto Maria Merli (Comissário de Polícia), Claudio Santamaria (Carlo Sturni), Silvio Muccino (Remo), Luis Molteni (Patologista), Cosimo Fusco (Berardelli) e Fiore Argento (Lucia Marini).
Distribuição: Em DVD pela Fox Filmes.


SINOPSE
Um assassino serial desafia a policia de Roma apostando a vida de suas vítimas num jogo de pôquer pela internet. Caso vença, elas morrem. Caso seja derrotado, ele as liberta. A execução, filmada por uma webcam, é mostrada ao vivo. A detetive Anna Mari (Stefania Rocca) e o agente da Interpol John Brennan (Liam Cunningham) embarcam numa frenética investigação em busca do responsável pelos assassinatos. Enquanto não descobrem sua identidade, a única chance de evitar mais mortes é entrar no jogo do maníaco... e vencer.


"Perder o jogo é perder a vida."

Fulci, Bava e Argento formavam a notável tríade de realizadores do cinema fantástico italiano. No decorrer das décadas de 60 e 70, juntos, construíram uma filmografia consistente e respeitada em todo o mundo. Eram filmes sofisticados, cuja atmosfera barroca carregada de cores berrantes e sombras, somadas a violência explícita e a trilha sonora sempre incisiva, tornar-se-iam grandes clássicos, cultuados e copiados a exaustão nos anos que viriam.

Fazem parte desta safra, entre outros filmes: “A Máscara do Demônio” (1960) e “Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror” (1963), ambos dirigidos por Mario Bava; “Zombie – A Volta dos Mortos” (1979) dirigido por Fulci; e os maravilhosos “Prelúdio para Matar” (1975), “Suspiria” (1977) e “Phenomena” (1985), realizados por Argento. Infelizmente, Bava Faleceu em 1980 e Fulci em 1996, portanto o único ainda em atividade é Dario Argento.



Já em seu primeiro longa-metragem, “O Pássaro das Plumas de Cristal” (1970), Argento daria continuidade ao subgênero concebido por Mario Bava: o Giallo. “Amarelo” (Giallo em italiano), é uma espécie de thriller policial que derivou dos livretos de suspense cujas capas eram amarelas (assim como o cinema Noir, preto em francês, advém dos livros policiais cujas capas eram negras). Nos Giallos de Bava e Argento alguns elementos tornaram-se obrigatórios, como o assassino em série mascarado, sempre impiedoso, do qual vemos apenas seus passos ou suas mãos.

Jogador Misterioso” quase se encaixa na categoria Giallo. O assassino das luvas emborrachadas está lá, o cenário clássico das ruas de Roma também, a investigação policial, as vítimas mulheres. Mas faltam as mortes estilizadas, o capricho estético registrado de Argento, a trilha sonora pulsante da banda Goblin, parceira do diretor em diversas empreitadas.



Não é segredo pra ninguém que Argento e sua turma sempre deixaram o roteiro em segundo plano, em prol da violência estilizada e da fotografia caprichada. Em “Jogador Misterioso”, o roteiro (do próprio Argento), apesar de simples, é artificial e quase inverossímil, além de extremamente pobre. E ao contrário das produções antigas, esta deficiência não é compensada em nenhum momento.

O elenco é, além de desconhecido, muito ruim. A trilha sonora, composta pelo paulistano Claudio Simonetti (ex-tecladista da banda Goblin), resume-se a alguns rifes eletrônicos sem inspiração nem entrosamento com a ação decorrente.



Outra grande frustração para os fãs do diretor é a ausência das famosas seqüências de violência explícita, que sempre foram tão presentes na sua obra, até mesmo nos seus trabalhos menores (como “Sleepless” (2001) ou “Síndrome de Stendhal” (1996)). Sem membros decepados ou vísceras expostas, em “Jogador Misterioso” as poucas cenas que incomodam é uma rápida autópsia ao estilo “C.S.I.” e o trágico destino do vilão.

Jogador Misterioso” foi exibido nas Mostras de Cinema do Rio e São Paulo em 2004 e pessimamente distribuído em DVD pela Fox Home Vídeo no final de 2006. A versão digital não apresenta nenhum material extra e traz o vídeo em formato tela cheia, prejudicando ainda mais a pobre fotografia do longa.

O resultado desastroso de “Jogador Misterioso” deve-se muito a limitação resultante de um baixo orçamento e de uma direção sem nenhum empenho, muito aquém do que Dario Argento pode proporcionar. O cineasta teve um desempenho muito superior ao dirigir os episódios “Jenifer” (2005) e “Pelts” (2006), da série de TV “Mestres do Horror”. Ainda que distante de seus clássicos, os episódios resgatam um pouco da violência e estilo do Mestre Argento.


Para conhecer melhor o Cinema Italiano de Horror e Fantasia

Como a fase áurea do cinema italiano, em especial no gênero fantástico, foi entre a década de 60 e 80, poucos destes filmes foram lançados em DVD no Brasil. Clássicos como “Demons” (Demons, 1986, dirigido por Lamberto Bava, filho do mestre Mario Bava), “A Casa do Cemitério” (Quella Villa Accanto al Cimitero, 1982, do Fulci), “A Catedral” (The Church, 1989, de Michele Soavi), “O Anticristo” (The Antichrist, 1974, de Alberto De Martino), “Banho de Sangue” (Bay of Blood, 1972, de Mario Bava), “O Pássaro Sangrento” (Aquarius, 1986, de Michele Soavi), “Terror na Ópera” (Opera, 1988, do Argento), "The Beyond” (The Beyond, 1982, do Fulci), “Cannibal Holocaust” (Cannibal Holocaust, 1980, dirigido por Rugero Deodato) foram distribuídos apenas em VHS e só podem ser encontrados (com muita sorte) nos sebos especializados.



Em DVD foram lançados poucos títulos, entre eles estão: “O Pássaro das Plumas de Cristal” (L´Ucello Dalle Piume de Cristallo, 1970), “Prelúdio para Matar” (Profundo Rosso, 1975), “Phenomena” (Phenomena, 1985), “Suspiria” (Suspiria, 1977), “Sleepless” (Non ho sonno, 2001) , “Jogador Misterioso” (Il Cartaio, 2004) e o episódio “Jenifer” (da série Mestres do Horror), todos Dirigidos por Dario Argento; “Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror” (I Tre volti della paura, 1963), “A Máscara do Demônio” (La Maschera del demonio, 1960) e “Hércules no Centro da Terra” (Ercole al Centro Della Terra, 1961) dirigidos por Mario Bava e “Zombie – A Volta dos Mortos”, do Lúcio Fulci.

João Pires Neto




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