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Desde o romance “Drácula”, de Bram Stoker, inúmeros filmes sobre vampirismo vêm sendo filmados ao redor do mundo e, talvez por isso, hoje em dia, seja difícil alguma obra chamar a atenção. Não são poucas as obras ruins como DRÁCULA 2000, DRÁCULA 3000, VAN HELSING e outras tralhas. Esqueçamos essas porcarias desagradáveis! Um bom filme sobre vampiros não tem necessariamente uma fórmula, um padrão no roteiro, para que dê certo. O pioneiro NOSFERATU, de Murnau, tem uma atmosfera sinistra e depressiva, e, sem precisar de muito sangue, transforma-se em um dos maiores, senão o maior, filme sobre vampiros de |
todos os tempos. E nós passamos pelo clássico LONDON AFTER MIDNIGHT, com o genial Lon Chaney, por DRÁCULA com o não menos genial Bela Lugosi, e muitos outros grandes filmes memoráveis.
Mas como eu ia dizendo, não é necessário um padrão para algo bom ser feito. Afinal, não há muita coisa em comum entre: UM DRINK NO INFERNO, VAMP- A NOITE DOS VAMPIROS, DRÁCULA DE BRAM STOKER, A DANÇA DOS VAMPIROS, ENTREVISTA COM O VAMPIRO e até mesmo VAMPIROS, de John Carpenter; entretanto, todos esses – cada um com sua peculiaridade - são bons filmes.


Por isso os produtores de OS GAROTOS PERDIDOS (entre eles Richard Donner, que inicialmente dirigiria também) não devem ter pensado duas vezes ao tocar o projeto. Não há nada de pretensioso em uma gangue de vampiros jovens que vive a causar problemas em uma cidade do interior, há? Não, e é por isso que o roteiro funciona perfeitamente. Com um diretor que pode não ser um monstro como Sergio Leone, mas que não é nem um pouco ruim, o filme flui que é uma beleza. E olhem que já começa ao som da excelente “Cry Little Sister”, de Gerard McMann, enquanto vemos que os tais jovens baderneiros aprontam das suas em um parque de diversões localizado quase à beira-mar. Não demora muito e os quatro (sim, são quatro) são expulsos por um guarda quando dão em cima da namorada de um fortão com um cabelo ridículo. O parque fecha e o guarda está caminhando sossegadamente no estacionamento, indo em direção ao carro e provavelmente pensando:  | |
“Vou chegar em casa e fritar uns ovos com bacon e depois cair na cama.”. De repente ele ouve alguns estranhos ruídos vindos de cima e tenta fugir, mas é inútil, pois os quatro vampiros (todo mundo já sabe que ele é pego pelos vampiros. Ninguém que não tinha visto o filme fica pensando:
“Ué, será que ele foi abduzido por ETs?”) o carregam céu acima e o guarda desaparece.
Após esse pequeno prólogo somos apresentados à família de Michael (Jason Patric, de Sleepers), que está de mudança para Santa Carla. Além de Michael, há sua mãe (a veterana Dianne Wiest), seu irmão caçula Sam (Corey Haim, que se agora irá confrontar vampiros, já enfrentou um lobisomem no filmaço
BALA DE PRATA) e o cachorro husk Nanook. De cara vemos que Santa Carla não é lá nem de perto o que se pode chamar de uma pacata cidadezinha americana. Ao som da clássica
“People Are Strange” vemos a frase
“Capital mundial dos assassinatos” pichada atrás de um outdoor; inúmeros cartazes de crianças desaparecidas e, quando Michael vai perguntar a um cara se há emprego disponível, o cidadão diz que só há coisa ilegal.
Sam e Michael parecem pensar:
“Onde eu fui me meter?”, depois que chegam à casa do estranho avô, comparando a residência ao “
Massacre Da Serra Elétrica”. O velho (Barnard Hughes, que foi o Dr. Gibbs em
TRON) tem uma estranha fixação em empalhar animais – a arte chamada
“taxidermia” – que encontram-se espalhados por quase toda a casa. À noite, os dois irmãos decidem dar uma volta e vão a um show. O mais velho fica encantado por uma jovem de cabelos cacheados que dança no meio da multidão (mas não tem coragem de se aproximar). Lucy, a mãe dos meninos, também está andando a esmo pela cidade e fica espantada com a quantidade de cartazes de pessoas desaparecidas – um dos cartazes, que acaba de ser colocado na parede, é do guarda do começo do filme. A mulher entra numa loja por causa de um garotinho perdido e acaba conhecendo Max (o também veterano Ed Hermann – que para minha esposa é mais conhecido como
“o avô da Rory”, da série
Gilmore Girls), dono do estabelecimento. Enquanto os dois conversam, o quarteto da confusão volta a aparecer, mas Max os manda embora, afirmando que já disse que não os quer por perto. Mas Lucy é gentil e diz que eles são apenas jovens e isso faz Max fica encantado com tamanha generosidade – e de quebra ainda arruma um emprego pra ela na loja.
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Michael, de saco cheio do pentelho do irmão, que o segue aonde quer que ele vá, manda que Sam vá procurar a sua turma. O garoto se entusiasma com uma grande loja de gibis e finalmente esquece do irmão mais velho. Lá dentro ele encontra Edgar e Alan Frog (os nomes são uma homenagem ao grande escritor Edgar Allan Poe), e os critica pela falta de organização nos gibis do Superman. Os estranhos garotos (Edgar: Corey Feldman, o “Mouth”, de OS GOONIES e Alan: Jamison Newlander, que teve uma pequena participação em A BOLHA ASSASSINA) insistem para que Sam leve alguma revista sobre vampiros; tanto que no dia seguinte (quando Sam retorna ao lugar) eles falam ao garoto sobre a existência dos sanguessugas em Santa Carla.
A noite vai chegando ao fim – Michael já se frustrou ao ver a morena subir na garupa da moto do líder dos vampiros -, e vemos o bombadão do começo do filme passando a mão na namorada dentro do carro. |
Vingativos como só eles, os vampiros aparecem do nada e arrancam o teto do veículo fora, para em seguida fazerem o mesmo com o casal.
O filme corta para a noite seguinte (onde as coisas começam a acontecer). Michael finalmente conhece a morena, que se chama Star (Jami Gertz, de
TWISTER), e joga um charme pra ela, chamando-a para comer alguma coisa. Porém, a rapaziada chata surge novamente (junto com o garotinho vampiro chamado Laddie), empacando o encontro. David (Kiefer Sutherland, o queridinho do diretor Schumacher, e que agora é mais conhecido como Jack Bauer da série
24 HORAS) desafia Michael para um
”pega” de moto. O cabeludo, mesmo sabendo que tem poucas chances contra a moto do rival, topa (pra não parecer covarde na frente de Star). Michael, naturalmente,
”come poeira”, mas não quer evitar o joguinho proposto por David, Marko, Dwayne e Paul. Ele vai parar numa espécie de covil, onde a tropa descansa de manhã para poder chupar muito sangue quando o sol se põe.
Nessa altura dos acontecimentos eu nem sei se dá para torcer contra os vampiros: pô, os caras têm um pôster do Jim Morrison, líder dos
“Doors” na caverninha!! E o Michael, qualquer um reparou, é muito parecido com o bom e velho Jim. Mas já que eu estou escrevendo sobre o filme, presume-se que eu tenha que manter uma certa imparcialidade...
Voltemos ao filme: Michael come o pão-que-o-diabo-amassou nas mãos de David e dos outros, achando que está comendo vermes e larvas. Porém, Michael comete o terrível erro de achar que está bebendo vinho, quando na verdade está tomando o sangue de David, e por isso se transforma pouco a pouco em um vampiro. Já dominado pelo poder do sangue do vampiro, Michael passa por algumas espécies de provas de iniciação no mundo dos imortais. Ele chega a saltar de um trilho numa ponte, ficando pendurado na parte de baixo dos trilhos, enquanto o trem passa sobre suas mãos.
As transformações de Michael começam a ficar bem nítidas: ele anda de óculos escuros pela casa devido à claridade, que o incomoda; é atacado por Nanook porque pretendia morder o próprio irmão; tem seu reflexo desaparecendo no espelho; e começa a flutuar do lado de fora da casa, enquanto Sam quase suplica para que o irmão lhe poupe a vida. O caçula, então, decide que não irá matar Michael (como sugeriram os irmãos Frog) e que também não contará o fato para a mãe deles. Resta a Sam saber mais sobre os vampiros e de alguma forma ajudar o irmão a lutar contra a própria essência. Num encontro com os Frog, ele fica sabendo que Santa Carla é uma espécie de refúgio para os mortos-vivos e que até mesmo lobisomens estão escondidos por lá e ocupam altos cargos no governo (agora eu fiquei pensando se os lobisomens e vampiros de Santa Carla não morderam os políticos daqui: isso explicaria a CPI dos Sanguessugas e muitas outras coisas, enfim...). Sam diz a Edgar e Alan que leu num daqueles gibis que um vampiro pode voltar a ser um humano se conseguir acabar com o vampiro-chefe. E o garoto desconfia que Max, que agora vive saindo com sua mãe, é o possível líder. Para desmascarar o pretendente a padrasto, ele bola um plano junto com os irmãos caça-vampiros.  | |
O tal plano consiste em desmascará-lo na frente de sua mãe, para que essa saiba o que está por trás do sempre solícito e simpático homem. Mas nada do que ele e os Frog fazem dá certo, e Sam ainda ganha uma baita bronca de sua mamãe.
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O tempo vai passando e Michael continua lutando contra sua sede por sangue. David e os demais aproveitam para deixá-lo ainda com mais vontade de matar humanos ao estraçalharem um grupo de pessoas na sua frente. O líder o adverte: “A iniciação acabou e você precisa se alimentar!”.
Sem poder suportar a idéia de ter que devorar seres humanos para se manter vivo, e de ter que enterrar seu avô, mãe e irmão |
enquanto ele permanece jovem, Michael quer pôr um fim nisso. Agora resta a ele, Sam e os irmãos Frog encontrar o vampiro-chefe e dar cabo nele, para a maldição ter um fim.
Para nós, resta esperar que a seqüência que está por vir, absolutamente desnecessária, não estrague tudo o que foi feito nesse ótimo filme. Mas se nem mesmo o diretor de
OS GAROTOS PERDIDOS, Joel Schumacher, gostou da idéia dessa continuação, será que dá pra ser otimista?

VAMPIROS POR TODOS OS LADOS
Imaginem os melhores vampiros feitos na história do cinema reunidos num só filme. Pensem só nos vampiros interpretados por
Lon Chaney, Bela Lugosi,
Christopher Lee, Carlos Villarias, William Marshall, Ferdy Mayne, John Carradine, Jack Palance, unidos a Chris Sarandon, Gary Oldman, Kiefer Sutherland e ao Sex Machine (personagem de Tom Savini) e os outros vampiros de
UM DRINK NO INFERNO. Pensaram? Todos eles seriam liderados pelo conde Orlok (Max Schreck) e estariam de volta, furiosos, para liquidarem todos esses vampirinhos vagabundos que só denegriram as imagens dos grandes vampiros do cinema. Taí um massacre que todos gostariam de acompanhar. Dá até pra imaginar o Lugosi querendo trucidar o Drácula de meia-tigela interpretado por Gerald Butler, no
“filme” DRÁCULA 2000.
A DUPLA DINÂMICA: COREY HAIM E COREY FELDMAN
Se há uma dupla teen que pode dizer que conquistou o público infanto-juvenil ontentista, essa dupla é formada pelos dois Coreys. Nos extras do DVD temos ambos falando da amizade e a longa parceria, que rendeu sete produções com os dois juntos. Os caras têm tanta química que já chegaram a protagonizar um reality show juntos (
“The Two Coreys”), só que o programa foi um fiasco. Além disso, ambos estiveram envolvidos em problemas com drogas na adolescência, provando que eles têm realmente muito em comum. E olhem que Feldman e Haim não têm semelhanças apenas nessas áreas. Hoje em dia é bem difícil saber dizer qual dos dois ficou mais feio quando cresceu.
Daniel Deschamps
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OS GAROTOS PERDIDOS (The Lost Boys, EUA, 1987). 97 minutos
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Jeffrey Boam, Janice Fischer e James Jeremias
Produção: Harvey Bernhard
Produção Executiva: Richard Donner
Fotografia: Michael Chapman
Música: Thomas Newman
Edição: Robert Brown
Desenho de Produção: Bo Welch
Direção de Arte: Tom Duffield
Figurino: Susan Becker
Elenco: Jason Patric (Michael), Corey Haim (Sam), Dianne Wiest (Lucy), Barnard Hughes (vovô), Ed Herrmann (Max), Kiefer Sutherland (David), Corey Feldman (Edgar Frog), Jamison Newlander (Alan Frog), Jami Gertz (Star), Brooke McCarter (Paul), Alex Winter (Marko), Billy Wirth (Dwayne), Chance Michael Corbitt (Laddie), Alexander Bacon Chapman (Greg), Nori Morgan (Shelly).
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