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Existem pessoas que não se abatem por nada. Até mesmo os mais terríveis obstáculos são encarados como novos e maravilhosos desafios. Hoje conheceremos a história de Tobe Hooper. Tobe Hooper, 34 anos de idade, torna-se aclamado diretor de um dos ícones do cinema de terror no auge de seu sucesso e de sua forma física.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas e numa bela manhã de Sol, Tobe Hooper passou a fazer uma tranqueira de filme atrás do outro, sendo um dos responsáveis pela falência da Cannon Group, e seu trabalho caiu em descrédito. Qualquer um de nós ficaria chateado, desmotivado, sem vontade de cantar uma bela canção, mas, não, este homem! Não, Tobe Hooper!
Resolveu que iria adaptar uma história de Stephen King, pensando que todos os fãs de terror gostam de King e seu nome poderia ser alçado ao patamar que fora elevado anteriormente... Mas a vida, a vida é uma caixinha de surpresas... |
Tobe Hooper decidiu assumir a bronca ao trazer para as telas o conto Mangler, de Stephen King, assinando o roteiro e ficando responsável pela direção, só que o resultado não poderia ser mais desastroso: um filme fraco, carente de interpretação, sem o menor sentido de existir, MANGLER - O GRITO DE HORROR foi lançado no ano de 1995, apedrejado com as piores criticas possíveis.Logo saberemos porque que eles tinham razão ao fazer isto.


O filme começa com uma magnânima apresentação da lavanderia Blue Ribbon e sua principal máquina, uma secadora (ou seja lá como se chama) gigantesca carinhosamente apelidada de Mangler, ou a mutiladora. Pronto, você acabou de ver a melhor parte do filme, ainda há tempo de rebobinar e devolver para sua própria saúde, mas se você continuar vai ver a mocinha Sherry Ouelette (Vanessa Pike, que sumiu depois do mico) cortar a mão e sangrar aos borbotões na frente da máquina, além disto ocorre um curto-circuito, quando alguns empregados derrubam uma geladeira que seria levada para outro lugar. Sangue + curto-circuito + um monte de explicações estúpidas = uma máquina que come gente.


Enfim, o dono da lavanderia é o afetado Bill Gartley (Robert Englund), que anda com certa dificuldade utilizando duas muletas. Bill é o patrão
"son-of-a-bitch" padrão do cinema, ignora o acidente de Sherry e bota todo mundo pra trabalhar novamente.


Até que a tal geladeira (porque não se parece com uma) será entregue em algum lugar a esmo - que não faz a menor diferença no roteiro -, mas os entregadores quase causam um acidente envolvendo o estressado detetive John Hunton (Ted Levine,
O SILÊNCIO DOS INOCENTES e
VIAGEM MALDITA), que tem uma personalidade amarga devido a um manjado trauma envolvendo a morte de sua esposa...bem, isto não é realmente importante agora, mas o detetive John é destacado para investigar morte de uma funcionária da lavanderia que foi engolida pela Mangler. Aparentemente, trata-se de um acidente, mas os sucessivos que continuam a ocorrer sem explicação fazem com que Hunton comece a investigar mais a fundo as origens da máquina e seu misterioso dono.


Para ajudar o detetive, seu amigo e ex-cunhado, que calha de ser um interessado em ocultismo, Mark Jackson (Daniel Matmor de
NOITES DE TERROR, também de Hooper) aparece com algumas histórias sobre possessão demoníaca que obviamente ninguém acredita, mas Hunton passará a acreditar a medida que mais pessoas serão mortas pela máquina.


O roteiro então joga diversas possibilidades diferentes para a
"ressurreição" da máquina a cada cinco minutos e depois junta todas elas confundindo o espectador: primeiro, o sangue de Sherry, que seria virgem, depois o pacto de Gartley com um demônio dentro da máquina, o fotógrafo sinistro da polícia que sabe mais do que aparenta, em seguida acontece da geladeira também ser assassina. Então aonde entra o curto-circuito no começo do filme para não citar outras perguntas? Ficou confuso? Eu também... Então eu nem vou comentar o climax no final que só não é mais decepcionante porque já passamos por sofrimento suficiente no decorrer do filme.


Dá até para imaginar a cara dos produtores quando pensaram no marketing:
"Baseado na obra do mestre do terror, do diretor de O Massacre da Serra Elétrica e com Freddy Krueger no elenco, não tem como falhar...", só que o que vemos é muita estrela pra pouca constelação.
Os erros começam desde a concepção do filme, pois é fato que
Mangler, o conto, não é uma das mais intrigantes histórias de
Stephen King, mas funciona muito bem no papel, o que na prática necessitaria de mãos bastante habilidosas para que o resultado na tela seja satisfatório, mas a adaptação de Hooper foi medíocre (ou talvez pior). As situações são tão surreais quanto a própria premissa de uma máquina de passar possuída pelo demônio, causando descrédito no aglomerado de exageros que o filme aborda, além de tentar explicar o inexplicável, o que soa muito pretensioso.


Apesar de conseguir efeitos bem sangrentos e uma ou outra cena bem dirigida, aparentemente Hooper se destaca apenas como diretor de cenas violentas, falhando terrivelmente quando dirige os atores que poderiam dar uma boa valorizada na história. Como não reconhecer que Ted Levine não consegue fazer uma expressão diferente de alguém de que está com dor de barriga? E a mocinha Sherry, que faz a mesma cara de assustada, inclusive quando não precisa? Até o talento de Robert Englund, que de longe é o melhor do filme, é desperdiçado com diálogos toscos e esticando como pode, para compensar a falta de um roteiro eficiente.


Não sei como, e me cansa procurar entender, porque
Mangler conseguiu virar uma trilogia (talvez a mesma maldição que carrega
Colheita Maldita) e depois desta porcaria qualquer um de nós ficaria chateado, abatido, quem sabe até desmotivado mas, por Deus, este é Tobe Hooper! Um exemplo de perseverança! Um exemplo de que não devemos desistir tão fácil, porque ele continuou fazendo porcarias tão grandes ou piores quanto. No mais, hoje meu VHS de
Mangler apenas serve como feliz e bem-sucedido peso para papel.
Gabriel Paixão
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MANGLER - O GRITO DE HORROR (The Mangler, EUA, 1995). Duração: 102 minutos. Duração: 99 minutos.
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Tobe Hooper; Stephen David Brooks; Harry Alan Towers baseado em conto de Stephen King
Produção: Anant Singh
Produção Executiva: Sudhir Pragjee; Sanjeev Singh; Helena Spring; Harry Alan Towers
Fotografia: Amnon Salomon
Edição: David Heitner
Maquiagem: Scott Wheeler
Desenhos de Produção: David Barkham
Direção de Arte: Zack Grobler
Efeitos Especiais: Max Poolman
Música: Barrington Pheloung
Elenco: Robert Englund (William 'Bill' Gartley); Ted Levine (John Hunton); Daniel Matmor (Mark Jackson); Jeremy Crutchley (J.J.J. Pictureman); Vanessa Pike (Sherry Ouelette); Demetre Phillips (George Stanner); Lisa Morris (Lin Sue); Vera Blacker (Adelle Frawley); Ashley Hayden (Annette Gillian); Danny Keogh (Herb Diment); Ted Le Plat (Doutor Ramos); Todd Jensen (Roger Martin); Sean Taylor (Derrick Gates); Gerrit Schoonhoven (Aaron Rodriguez); Nan Hamilton (Sra. Ellenshaw); Adrian Waldron (Sr. Ellenshaw); Norman Coombes (Juiz Bishop); Larry Taylor (Xerife Hughes); Irene Frangs (Sra. Smith); Megan Wilson (Ginny Jason); Odile Rault (Alberta); Ron Smerczak (Oficial Steele)
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