MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, O

por Felipe M.Guerra

"O filme que verão é baseado na tragédia que assolou um grupo de cinco jovens, especialmente Sally Hardesty e seu irmão inválido Franklin. Foi mais trágico devido ao fato de serem jovens. Mas, se eles tivessem vivido muito, muito longas vidas, jamais teriam esperado ou desejado ter visto a loucura e o macabro que viram naquele dia. Para eles, um passeio de carro num verão à tarde tornou-se um pesadelo. Os acontecimentos daquele dia guiaram o descobrimento de um dos mais bizarros crimes nos anais da história norte americana, O Massacre da Serra Elétrica"


Assim começa aquele que é, indiscutivelmente, um dos grandes clássicos do cinema de horror. Você pode conversar com dez pessoas e, mesmo que oito não tenham visto o filme, com certeza já ouviram falar nele. O título é tão citado em outros filmes, dos mais diferentes gêneros, e até em piadas e jogos de videogame, que a obra acabou se transformando em "cultura pop".

A horripilante narração no início do filme é feita por John Larroquette, sem fundo musical, com letreiros sobre um fundo preto, falando sobre os tais "crimes da serra elétrica do Texas", que teriam acontecido em 1973, como se fosse um fato real - coisa que os italianos adoravam fazer em seus
filmes sobre canibalismo -, mas, na verdade, é tudo ficção mesmo. Larroquette anuncia: "O crime é ainda mais chocante porque as vítimas eram jovens".

Depois, o diretor/roteirista Tobe Hooper, praticamente em sua estréia cinematográfica, filma uma assustadora e absolutamente genial abertura com flashes de máquina fotográfica... A escuridão da tela provoca arrepios no espectador, que ouve sons estranhos mas nada vê - algo que, quase 30 anos depois, seria usado também inventivamente em "A Bruxa de Blair". Aos poucos, flashes fotográficos vão iluminando detalhes de um corpo em decomposição... A cena vai crescendo em intensidade até que uma voz radiofônica ao fundo fala sobre vandalismos em um cemitério do interior do Texas. É o fim de qualquer sutileza. Um cadáver aparece sentado sobre uma lápide, como se Hooper estivesse falando diretamente ao espectador: "Apertem os cintos, agora começa a viagem direto ao inferno". O uso dos flashes fotográficos ficou tão bom que foi copiado na abertura das partes 3 e 4, sem bons resultados, obviamente.
O fato do filme inteiro ter sido rodado em 16 milímetros e depois ampliado é uma qualidade, e não um defeito. Fica aquela estética de filme amadorzão, caseiro, que dá um ar de realidade, de documentário ao filme, tornando-o ainda mais assustador. Acredito que, se tivesse sido filmado hoje, com câmera digital, imagem limpinha, enquadramentos OK, iluminação perfeita, perderia este mesmo impacto. E a produção baratíssima (míseros 140 mil dólares) ajuda a dar o tom de pobreza, forçando os produtores a usarem criatividade para driblar a falta de recursos.

A história é o feijão com arroz de sempre, mostrando aquele velho passeio inocente que termina em pesadelo - argumento emprestado por Wes Craven no posterior "Quadrilha de Sádicos", que também tem uma família de canibais.
Cinco jovens vão passear em uma van pelo interior do Texas e cruzam com uma família de doidos canibais, em algo vagamente inspirado no caso do serial killer americano Ed Gein - o malucão que usava roupas e máscaras feitas com pele de cadáveres.

A personagem central da trama é Sally Hardesty (Marilyn Burns), que está levando na viagem o irmão paralítico, Franklin (Paul A. Partain), o namorado Jerry (Allen Danziger) e o casal de amigos Kirk (William Vail) e Pam (Terry McMinn). O filme se desenvolve lentamente, jogando as informações aos poucos para o espectador.

Hooper faz um bom aproveitamento do Texas como cenário árido e selvagem. Até um bêbado atirado no chão o diretor consegue deixar assustador, quando o velho se contorce e, olhando para a câmera, diz: "Eles acham que eu sou louco, mas eu vi tudo! Eu vi tudo!", referindo-se à profanação no cemitério.

Durante a viagem - que tem como destino a velha casa de campo da família de Sally e Franklin -, a van com os cinco jovens passa por uma estrada deserta, cenário que depois seria utilizado em muitos outros filmes de horror - de "A Morte Pede Carona" a "Olhos Famintos". Ali, eles cometem o erro fatal de dar carona a um estranho, o maluco "Caroneiro" anônimo (Edwin Neal), que revela-se um psicopata. Ex-trabalhador de matadouro, o Caroneiro se diverte mostrando fotos de gado esquartejado para os amigos. Mas logo revela sua verdadeira natureza, cortando a própria mão violentamente e apunhalando Frank no braço, antes de ser expulso do veículo.
O grupo se apavora, pensando se o maluco poderia segui-los mas, mesmo assim, encontra a velha casa da família Hardesty, ponto de parada da viagem. Eles desconhecem que ali perto fica uma outra fazenda, praticamente escondida da civilização, onde moram o Cozinheiro (Jim Siedow), o maligno Caroneiro e o psicótico Leatherface (Gunnar Hansen), um demente assassino que usa máscaras de pele humana e diverte-se matando pessoas como se fossem gado, esquartejando-as em um pequeno matadouro montado no interior da casa, onde as vítimas são penduradas em ganchos de açougue, como meros pedaços de carne, e trucidadas com uma motosserra.
A família mantém seu avô (John Dugan) em estado catatônico, meio vivo, meio morto, alimentando-o com sangue humano fresco retirado das vítimas.

Como outros filmes do período ("Halloween", por exemplo), "O Massacre da Serra Elétrica" não se entrega freneticamente a mortes sangrentas e sustos banais. Passam praticamente 50 minutos antes do primeiro dos jovens morrer, em uma cena arrepiante, chocante, que chega a pegar o espectador de surpresa, tal a brutalidade. Cabe ao jovem Kurt a "honra" de ser o primeiro abatido da história: ao checar a casa da família de canibais, ele ouve grunhidos de porco vindo do tal matadouro e, ao entrar no aposento, tropeça num degrau, sendo rápida e violentamente atingido com um golpe certeiro de marreta na cabeça, desferido por Leatherface - imitando o que faziam nos matadouros, com bois e porcos. O jovem cai e se contorce violentamente, com espasmos brutais provocados pelo golpe direto no cérebro, sendo prontamente liquidado com uma nova marretada no crânio.

Detalhando assim, parece um festival de sangue e violência, mas a verdade é que só vemos as duas marretadas na cabeça do jovem mostradas de longe, e nem uma gota do sangue arrancado pelos sucessivos golpes (algo que é mostrado da forma mais explícita e grosseira possível no posterior "O Massacre da Serra Elétrica 2", que ironicamente foi dirigido de forma herética pelo próprio Tobe Hooper!). Quando Leatherface agarra o cadáver do rapaz e puxa para dentro do matadouro, fechando rapidamente o portão de ferro, o espectador finalmente consegue soltar a respiração.

É claro que Hooper poderia ter mostrado a cabeça de Kurt arrebentada com a marretada, ou, depois, a lâmina da serra dilacerando a carne de uma vítima, mas certamente explicitar estas seqüências tiraria todo o impacto que elas têm do jeito que foram mostradas em "O Massacre da Serra Elétrica". Isso porque cabe ao espectador imaginar o tamanho do estrago de uma motosserra ou de uma marreta, imaginar o quão horrendo é morrer deste jeito, e aí sim ficar verdadeiramente assustado - ainda mais ao considerar que Leatherface e seus amigos fazem aquilo como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se as vítimas não fossem pessoas, mas sim pedaços de carne ambulantes. E sabe-se lá há quanto tempo vem fazendo isso, pois a propriedade da família tem vários carros abandonados escondidos sob uma lona...



Mas o auge do grotesco e do sinistro o diretor guarda para o final. É quando Sally, a heroína gritalhona do filme, é amarrada a uma cadeira para participar de um sádico jantar com a insana família de canibais. Cadeiras, lustres e "enfeites" da casa são feitos com pedaços de gente. O cardápio servido, também - provavelmente pedaços dos amigos de Sally estão nos pratos, mas o diretor não se preocupa em focalizar nojeiras ou pedaços de cadáveres, e sim o rosto completamente apavorado de Marilyn Burns, com closes rápidos dos olhos apavorados, arregalados, em um medo muito melhor encenado do que o de Heather Donahue décadas depois em "A Bruxa de Blair". Marilyn parece estar realmente vivendo a cena, apavorada, à beira da insanidade com tanta crueldade e depravação... Um desempenho surpreendente, que nos faz pensar em como a mocinha se preparou para o papel - e também em porque ela não teve mais e melhores chances no cinema!

Falar mais sobre o filme é estragar a diversão que existe em saborear cada minuto deste banquete canibal. Não espere grandes doses de sangue ou efeitos de maquiagem à la Freddy Krueger. Mas prepare-se para muitos arrepios e, isso mesmo, MEDO. Uma palavra que há muito desapareceu do vocabulário dos filmes de horror e suspense. "O Massacre da Serra Elétrica" ainda se deu ao luxo de criar um sem-número de clichês que seriam aproveitados e reaproveitados à exaustão no cinema de horror durante os anos seguintes. Para começar, a trama de viajantes às voltas com uma família de canibais, que inspirou "Quadrilha de Sádicos", um obscuro (mas muito interessante) filme B chamado "Canibal" e o recente "Wrong Turn" (lançado no Brasil como "Pânico na Floresta").

Outra cena que virou clichê é aquela onde a mocinha tenta desesperadamente escapar da perseguição do assassino que, armado com a barulhenta motosserra, a persegue, primeiro dentro da casa, depois no meio da floresta escura. Lutando por sua vida, a garota pula da janela do segundo andar de uma casa e depois corre incessantemente pelo meio do bosque, em um momento que seria copiado depois em filmes como "Halloween" e "Sexta-Feira 13". A diferença é que nenhum deles conseguiu reproduzir o mesmo desespero da perseguição de "O Massacre da Serra Elétrica": nada de trilha sonora, seja ela sinistra ou rock pauleira, apenas os gritos da jovem e o ronco da motosserra, como se estivéssemos lá no meio da floresta junto com ela.



Infelizmente, como normalmente acontece com estes clássicos independentes, os realizadores nunca mais conseguiram acertar a mão. O diretor Tobe Hooper envolveu-se em tantos fiascos nos últimos vinte anos que hoje é "persona non grata" para a maioria dos estúdios de cinema (e ainda brigou com Steven Spielberg no set de "Poltergeist"!). O elenco todo já se aposentou ou morreu, sendo que o único ainda atuante é o "Leatherface" Gunnar Hansen, seguidamente aparecendo em participações especiais em filmes de horror bagaceiros, tipo "Hollywood Chainsaw Hookers" e "Mosquito", vivendo da fama de ter interpretado o primeiro (e melhor) Leatherface, sempre à sombra deste papel! Os demais atores nunca mais fizeram outro filme, ou se perderam em produções medíocres ou, ainda, mudaram de função, tipo o ator William Vail (Kirk, no filme), que atualmente é "decorador de set" em séries de TV! Já Marilyn Burns só fez, de destaque, o filme "Eaten Alive", também dirigido por Tobe Hooper, em 1976, novamente comendo o pão que o diabo amassou!

Esqueça as continuações, inclusive a parte 2, em que Hooper prostitui sua obra máxima. Todas as seqüências (e também o recente remake) optam por mostrar o que o diretor antes preferiu - com razão - esconder. O medo some quando você vê a serra cortando a pessoa, porque ao contrário de pensar na dor você apenas fica imaginando "uau, como o pessoal dos efeitos especiais fez isso?", diferente da violência implícita, que realmente assusta porque acontece na imaginação de cada um. Isso sem contar com a trilha sonora "pop rock" adotada pelas três seqüências (e pela refilmagem). Além do mais, as histórias das continuações nem ao menos se preocupam em oferecer novos elementos, praticamente reaproveitando tudo que foi mostrado no original (as partes 3 e 4, principalmente, são mais refilmagens do que seqüências).

Dizer que você nunca viu nada igual não é exagero quando se fala em "O Massacre da Serra Elétrica". E eu concordo com a frase do trailer do filme, que diz: "Tão assustador quanto estar lá". Realmente, poucos filmes conseguem jogar o espectador em um pesadelo tão aterrorizante e violento. E fazer com que ele se sinta verdadeiramente aliviado ao dar "stop" e perceber que, na verdade, ele não está lá, mas seguro em casa. Seguro, sim... Mas até quando?

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por Renato Rosatti

"O filme que verão é baseado na tragédia que assolou um grupo de cinco jovens, especialmente Sally Hardesty e seu irmão inválido Franklin. Foi mais trágico devido ao fato de serem jovens. Mas, se eles tivessem vivido muito, muito longas vidas, jamais teriam esperado ou desejado ter visto a loucura e o macabro que viram naquele dia. Para eles, um passeio de carro num verão à tarde tornou-se um pesadelo. Os acontecimentos daquele dia guiaram o descobrimento de um dos mais bizarros crimes nos anais da história norte americana, O Massacre da Serra Elétrica".


Com essa introdução narrada por John Larroquette, alertando o espectador dos terríveis eventos que viriam a seguir, tem início um dos filmes mais insanos da história do cinema de horror. Não poderia ser melhor ou mais apropriada a definição de perturbador para "O Massacre da Serra Elétrica", filme de baixo orçamento dirigido de forma independente em 16 mm por Tobe Hooper em 1974. Principalmente por evidenciar vários motivos esclarecedores para a escolha de tal adjetivo.

Basta citar algumas cenas grotescas como um psicopata demente pendurar uma jovem viva e aterrorizada num gancho como se fosse um animal a ser abatido num matadouro; ou a violência crua do assassinato de um jovem através do golpe de uma pesada mareta em sua cabeça, com seu corpo se debatendo em horríveis espasmos do sistema nervoso, seguindo o mesmo método brutal com que se abate um boi ou porco; ou ainda o momento em que um outro jovem paraplégico em uma cadeira de rodas é surpreendido pelo maníaco e retalhado através da ação devastadora, sangrenta e altamente dolorosa de uma motosserra. É verdade que cenas como essas, ou muito piores ainda, foram exploradas à exaustão em uma infinidade de filmes produzidos posteriormente, tendo o auxílio do crescente desenvolvimento dos efeitos especiais que conseguiram simular situações muito próximas da realidade, obtendo-se verdadeiros espetáculos "splatter" de carnificinas. Porém, duas questões devem ser expostas e analisadas. Primeiro, é o fato de "O Massacre da Serra Elétrica" ter sido produzido no distante ano de 1974, numa época com menos violência no cinema (tanto que o filme chocou fortemente o público e sua exibição permaneceu proibida por vários anos em muitos países, inclusive o Brasil). Segundo, porque o verdadeiro horror é justamente aquele onde não há o exagero de se mostrar sangue e vísceras explicitamente, funcionando muito melhor em situações sugeridas, intensificando o medo no espectador. E o filme mostra uma violência grotesca sem no entanto apelar para a exibição de sangue em excesso, investindo mais na incrível insanidade de uma família depravada canibal, desprovida de humanidade.



A história é sobre um grupo de cinco jovens, sendo dois casais formados por Sally Hardesty (Marilyn Burns) e seu namorado Jerry (Allen Danziger), e Pam (Teri McMinn) e Kirk (William Vail), além do irmão inválido de Sally, Franklin Hardesty (Paul A. Partain). Eles decidem fazer uma visita à antiga casa, agora abandonada, onde Sally e Franklin viveram a infância, numa pequena cidade do interior do Texas. E também eles queriam verificar no cemitério local se não havia violação do túmulo de seus ancestrais, pois haviam recebido notícias sobre saqueamentos e profanações das tumbas. Eles embarcam numa van e percorrem uma estrada onde dão carona a um misterioso homem, "Caronista" (Edwin Neal), que mostra-se perigoso e imprevisível. Porém, o pior ainda estava por vir quando são surpreendidos e atacados por uma família sádica de necrófilos formada, além de "Hitchhiker" (Caronista), também por seus dois irmãos, "Old Man" (Jim Siedow), um gourmet lunático e "Leatherface" ou "Rosto de Couro" (Gunnar Hansen), um gigante deficiente mental que usa uma máscara formada por retalhos de pele humana retirados de suas vítimas. Eles ainda mantém vivo seu avô "Grandfather" (John Duggan), um velho meio zumbi e inofensivo, que é alimentado com sangue humano.



O diretor Tobe Hooper teve seu nome eternamente associado ao filme, que aliás foi seu primeiro trabalho. Nascido em 1943 em Austin, Texas, sua carreira a partir de então foi marcada pela instabilidade, alternando entre ótimos e interessantes e também medíocres e descartáveis filmes. Seu nome é muito lembrado por dirigir o divertido "Poltergeist, o Fenômeno" em 1982, escrito e produzido pelo popular Steven Spielberg, e outros filmes importantes em sua filmografia de destaque são "Eaten Alive" (1976), "Salem's Lot" (1979), "Pague Para Entrar, Reze Para Sair" (The Funhouse, 1981) e "Força Sinistra" (Lifeforce, 1985). E o mais incrível é que Hooper dirigiu "O Massacre da Serra Elétrica 2" em 1986 e conseguiu "destruir" toda a essência e atmosfera de um horror perturbador que ele próprio criou e que envolveu o filme de 1974, fazendo agora uma mistura de horror explícito, sangue em profusão e vísceras expostas, com elementos de comédia num resultado insatisfatório, onde prevalece apenas um bom trabalho com os efeitos especiais. Atualmente, o diretor teve seu nome associado a dois filmes seguidos da desgastada franquia "A Volta dos Mortos-Vivos", com as partes 4 ("Necrópolis") e 5 ("Rave from the Grave"), mas logo negou qualquer vínculo com os projetos já produzidos.



Com roteiro escrito pela dupla Tobe Hooper e Kim Henkel, "O Massacre da Serra Elétrica" teve inspiração no famoso "serial killer" Ed Gein para criar a família canibal e principalmente o psicopata demente "Leatherface". Gein foi um assassino que aterrorizou a pequena cidade de Plainfield, Winsconsin, durante a década de 1950, matando várias pessoas brutalmente e utilizando suas peles e ossos para uma coleção particular de objetos bizarros. Outros filmes também utilizaram o caso do conhecido psicopata para compor parte de seus argumentos como o clássico "Psicose" (1960), dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, além de "Deranged" (1974), e o moderno "O Silêncio dos Inocentes" (1991), de Jonathan Demme e com Anthony Hopkins. Ainda teve um outro filme baseado inteiramente na vida do assassino intitulado "Ed Gein", lançado em 2001.

O elenco é formado por nomes desconhecidos e a maioria não tiveram continuidade notória em suas carreiras, acabando por ficarem eternizados no gênero por seus envolvimentos com o "O Massacre da Serra Elétrica". O grandalhão ator Gunnar Hansen nasceu em Reykjavik, Islândia, em 1956, e ficou para sempre como o primeiro e original "Leatherface". Marilyn Burns também nasceu em 1956, só que é americana de Cleveland, Ohio. Chamada por Hooper, participou também de "Eaten Alive" e da produção para a TV "Helter Skelter" (1976), baseado na vida do assassino Charles Manson. Ela teve também uma pequena ponta como uma homenagem em "O Retorno do Massacre da Serra Elétrica", quarta parte da série, filmada em 1994.



Comparado com dezenas de outras boas produções realizadas posteriormente, o filme de Tobe Hooper realmente tem um ritmo mais lento, com menos ação e principalmente pouca exibição gratuita de "sangue". Mas "O Massacre da Serra Elétrica" é o filme que introduziu no cinema o psicopata "Leatherface", que figura na galeria dos imortais monstros modernos ao lado de Michael Myers ("Halloween"), Jason Voorhees ("Sexta-Feira 13") e Freddy Krueger ("A Hora do Pesadelo"), e o filme inegavelmente possui cenas perturbadoras, de uma violência crua e brutal. Vários são os destaques dessa preciosidade do cinema fantástico. A abertura com uma sequência de flashes macabros destacando pedaços de cadáveres decompostos e profanados num cemitério. O desfecho com "Leatherface" furioso dançando como um verdadeiro maníaco, fazendo acrobacias com sua feroz motosserra rasgando o ar em movimentos bruscos. E principalmente a perseguição insana onde "Leatherface" corre à noite numa floresta atrás da jovem Sally Hardesty com sua moto-sserra zunindo e sedento para destroçar o corpo da mulher. A cena demora tanto tempo, em vários intermináveis minutos, que praticamente nos obriga a torcer para que ela seja logo capturada e termine assim a agonia e tortura no espectador de tanta correria e gritos alucinados de puro desespero. É totalmente compreensível que a personagem corra por sua vida e grite de forma selvagem, pois afinal ela está sendo perseguida por um demente que pretende esquartejar seu corpo e fazê-la sentir a terrível dor de uma serra cortando sua carne e músculos, jorrando seu sangue em profusão para todos os lados, num morte torturante e coberta de um grau tão elevado de violência que torna-se difícil imaginar a intensidade da dor.



"O Massacre da Serra Elétrica" foi lançado em DVD no Brasil com preço popular e distribuição em banca de jornais, encartado na revista "DVD News" número 38 (Abril de 2003), da "Editora NBO", e é interessante notar que a revista não fez nenhum comentário sobre o filme, sem publicar algum artigo ou qualquer citação mínima, mostrando um evidente descaso com a obra. O material extra do DVD inclui "cenas não aproveitadas", "trailer de cinema", "erros de filmagens", "notas de produção", "galerias de fotos", "pôsteres promocionais", "sinopse" e "biografias do elenco", porém tudo muito superficial e sem grandes atrativos.

Em vídeo VHS, o filme original foi lançado duas vezes no Brasil, a primeira pela "Europa Home Vídeo" e depois pela "Reserva Especial Vídeo", e ambas as versões são difíceis de se encontrar nas locadoras, já estando fora de catálogo.

Passou-se doze anos e esse grande clássico do cinema de horror inevitavelmente deu origem a uma franquia composta por vários filmes descartáveis e desnecessários, imensamente inferiores ao precursor da série. Foram mais três continuações, "O Massacre da Serra Elétrica 2" (1986), também de Tobe Hooper, "Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica 3" (1990), de Jeff Burr, e "O Retorno do Massacre da Serra Elétrica" (1994), de Kim Henkel, um dos roteiristas do filme original. Todos os três foram lançados em vídeo VHS no Brasil e já estão fora de catálogo.

Em 1988 foi produzido um filme bizarro lançado aqui no Brasil em vídeo VHS pela "AB Vídeo" (fora de catálogo) com o nome de "O Massacre da Serra Elétrica 3" (Hollywood Chainsaw Hookers), de Fred Olen Ray, com o ator que interpretou o "Leatherface" no original, Gunnar Hansen. Porém, o filme nada tem a ver com o clássico de Hooper e teve o título nacional escolhido de forma totalmente equivocada, confundindo os fãs brasileiros e demonstrando o péssimo tratamento que os filmes de horror recebem ao chegar no país, numa incompetência que incomoda.



E como os executivos da indústria de cinema americano, incluindo os roteiristas de plantão, estão com uma incrível escassez de idéias (ou melhor, uma vergonhosa falta de vontade de criação), no final de 2003 foi lançada uma refilmagem do filme de 1974. A nova versão de "O Massacre da Serra Elétrica" tem direção de Marcus Nispel, roteiro de Scott Kosar e traz no elenco o ator Andrew Bryniarski no papel do psicopata "Leatherface" (cujo personagem, depois de Gunnar Hansen, passou a ser maltratado por Bill Johnson, R. A. Mihailoff e Robert Jacks nos filmes seguintes).

A franquia em torno de "O Massacre da Serra Elétrica" ainda inclui um vídeo game lançado em 1983 e dois documentários produzidos diretamente para o vídeo. "The Texas Chainsaw Massacre: A Family Portrait" (1988) foi dirigido e escrito por Brad Shellady, trazendo depoimentos dos atores do filme original, entre eles Gunnar Hansen, Edwin Neal, John Duggan e Jim Siedow, além da presença do famoso colecionador Forrest J. Ackerman, editor da revista "Famous Monsters of Filmland". E o documentário inglês com cenas de bastidores "The Texas Chainsaw Massacre: The Shocking Truth" (2000), com direção e roteiro de David Gregory, narração de Matthew Bell e com a participação de vários nomes envolvidos com os filmes como Tobe Hooper, Kim Henkel, Marilyn Burns, Gunnar Hansen, Paul A. Partain e Edwin Neal.

Algumas informações interessantes e que servem como curiosidade em torno de "O Massacre da Serra Elétrica" são por exemplo o valor do orçamento do filme ser de apenas US$ 140 mil (e atualmente essa cifra é inexpressiva, com os valores girando em torno de dezenas de milhões de dólares). O mais incrível é ainda o faturamento obtido nas bilheterias, algo como US$ 40 milhões, ou seja, quase trezentas vezes o valor investido, comprovando seu inegável sucesso e alta lucratividade. As filmagens ocorreram em "Austin", uma pequena cidade do Texas onde nasceu o diretor Tobe Hooper. A atriz Marilyn Burns foi uma das primeiras e mais autênticas "scream queen" do cinema, gritando histericamente a maior parte do tempo, fugindo da lâmina cortante de uma motosserra. O cineasta Hooper foi muito convincente ao filmar as expressões faciais do mais puro horror da personagem Sally, focalizando um perturbador enquadramento de seus olhos desesperados e de sua boca escancarada gritando por socorro. Esse recurso foi muito utilizado em vários filmes seguintes, sempre obtendo bons resultados.

O psicopata "Leatherface" aparece pela primeira vez no filme apenas após 35 minutos e, imediatamente, ele coloca sua marreta e motosserra em ação, protagonizando um tormento que seguiria até o fim. Imaginem se ele aparecesse desde o início... No primeiro filme da franquia ele é claramente um retardado mental, que parece agir por impulso e descontrole matando sem plena consciência do que está fazendo, quase como uma vítima do próprio ambiente depravado em que vive. Porém, nos filmes seguintes o psicopata mudou suas características tornando-se um "serial killer" consciente e que planeja suas ações assassinas. O personagem "Old Man" da família canibal recebeu o nome de "Cook" (Cozinheiro) na continuação de 1986, e foi interpretado pelo mesmo ator Jim Siedow nos dois filmes. Aliás, nessa mesma sequência a família de insanos recebeu mais um membro, "Chop Top" (Bill Moseley), o irmão gêmeo de "Hitchhiker" que estava num sanatório, e os efeitos de maquiagem ficaram a cargo do especialista Tom Savini, largamente conhecido por seus trabalhos em filmes como "Sexta-Feira 13" (1980) e "Dia dos Mortos" (1985).

Um último detalhe que merece registro é um grande equívoco cometido pelos responsáveis em nomear os filmes que chegam ao Brasil. O correto e ideal seria traduzir o original para algo como "O Massacre da Motosserra no Texas", pois o instrumento utilizado por "Leatherface" para retalhar suas vítimas parece ser uma motosserra movida por combustível líquido e não elétrica como sugere o título nacional escolhido. E curiosamente o nome original estava previsto para ser "Leatherface" ou "Headcheese", e somente perto do lançamento do filme é que foi escolhido o título definitivo de "The Texas Chain Saw Massacre". Quando eu assisti pela primeira vez em 1987, através daquelas chamadas fitas de vídeo "alternativas" que infestavam as locadoras ainda carentes de lançamentos oficiais no mercado brasileiro, o nome que foi dado ao filme foi "Chacina e Massacre no Texas".

Enfim, uma obra indispensável que costuma frequentar qualquer lista de "TOP 10" promovida por especialistas e fãs do cinema de horror, conseguindo destaque na minha lista pessoal de preferências.



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O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chain Saw Massacre, Estados Unidos, 1974). Vortex, 82 minutos, Cores
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Kin Henkel e Tobe Hooper
Produção: Kim Henkel, Tobe Hooper, Jay Parsley, Lou Peraino e Richard Saenz
Música: Wayne Bell e Tobe Hooper
Fotografia: Daniel Pearl
Edição: Larry Carroll e Sallye Richardson
Direção de Arte: Robert A. Burns
Elenco: Marilyn Burns (Sally Hardesty), Allen Danziger (Jerry), Paul A. Partain (Franklin Hardesty), William Vail (Kirk), Teri McMinn (Pam), Edwin Neal (Hitchhicker), Jim Siedow (Old Man), Gunnar Hansen (Leatherface), John Duggan (Grandfather), Robert Courtin, William Creamer, John Henry Faulk, Jerry Green, Ed Guinn, Joe Bill Hogan, Perry Lorenz, John Larroquette (narrador da introdução).


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