O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2

por Felipe M.Guerra

Imagine se "Halloween II", a continuação do clássico de John Carpenter, começasse com Michael Myers perseguindo Laurie Strode, tropeçando numa escada, caindo comicamente e enfiando a cabeça dentro de uma daquelas lanternas de abóbora que os americanos adoram fazer no Dia das Bruxas. E que todo o resto do filme fosse marcado pela comicidade. Imagine também se, em "O Exorcista 2", os roteiristas resolvessem mostrar Regan McNeil "possuída" em plena adolescência, fazendo piadinhas bobas como a moça namorando no carro e subitamente encarnando o capeta, com aquela voz grossa, e então seu par romântico diria: "Cruzes, você é um travesti?".

Imaginou? Pois é. Esculachar filmes de horror não é uma coisa muito legal de se fazer. Ainda mais quando eles são clássicos, tipo "Halloween" e "O Exorcista".
Convenhamos: o cara tem que ser muito bom para misturar terror e comédia e sair algo que preste, tipo "Fome Animal" e "A Volta dos Mortos-Vivos". Mas, na maioria das vezes, a mistura sai indigesta. É só lembrar que nem todo mundo engole "Evil Dead 2" e "3", onde o diretor Sam Raimi transformou seu clássico do horror, o violentíssimo "Evil Dead", em comédia. E nem todo mundo engole a transformação de Freddy Krueger e Jason Voorhees em personagens engraçadinhos nas continuações de suas cinesséries, respectivamente "A Hora do Pesadelo" e "Sexta-Feira 13".

Mas o diretor Tobe Hooper não deve ter pensado nisso quando teve a idéia de jerico de dirigir "O Massacre da Serra Elétrica 2", em 1986 porque o que ele fez foi exatamente esculachar com o seu clássico filme de 1974, transformando os personagens e situações em pura comédia, exagerando nas cenas de sangue, mutilação e violência até torná-las cômicas, de tão escatológicas (tipo um "Fome Animal" da vida, onde o espectador ri dos absurdos ao invés de chocar-se com a barbárie).



"O Massacre da Serra Elétrica 2" foi feito no auge de uma época onde a moda era o "terrir", ou seja, o horror que se levava bem pouco a sério. Foi quando saíram filmes tipo "Reanimator", "A Hora do Espanto" (aquele do vampiro que era vizinho do rapaz, lembram?), "A Volta dos Mortos-Vivos" e muitos outros. Talvez por isso, Hooper tenha resolvido apostar no filão e fazer um filme bem humorado. A seqüência fazia parte de um acordo de três filmes que ele tinha fechado com a produtora americana Cannon Groups, logo depois de ter brigado com o produtor-executivo Steven Spielberg durante as filmagens de "Poltergeist - O Fenômemo", de 1982 (diz a lenda que Spielberg não só mandou e desmandou na produção, como ainda teria refeito várias cenas, enfurecendo Hooper). Mesmo tendo dirigido um episódio da série "Amazing Stories" em 1985 (produção de Spielberg, novamente), o cineasta só encontrava portas fechadas para novos projetos. Assim surgiu a Cannon em seu caminho.

Pausa para uma rápida volta no tempo: quem viveu nos anos 80 certamente lembra da Cannon Groups, cujos filmes eram lançados no Brasil pela América Vídeo, naquelas caixinhas azuis cheias de estrelinhas brancas. Dirigida pelos produtores Menahem Golam e Yoram Globus, a Cannon era uma produtora popular, especializada em fazer filmes "para o povão", com pouquíssimo dinheiro. Eram eles que produziam os sucessos de Charles Bronson, tipo "Desejo de Matar 3" e "Desejo de Matar 4", e a maior parte dos filmes de Chuck Norris (as séries "Braddock" e "Comando Delta", por exemplo).



O contrato de Hooper com a Cannon era para três filmes de baixo orçamento, mas um, obrigatoriamente, deveria ser a seqüência do sucesso "O Massacre da Serra Elétrica" (os produtores não eram bobos). O primeiro filme de Hooper para a Cannon foi "Lifeforce", de 1985, lançado por aqui como "Força Sinistra". O roteiro aproveitava a passagem do Cometa Halley na órbita terrestre (marcada para o ano seguinte, 1986), colocando vampiras peladas, que viviam na cauda do cometa, atacando a Terra. Mesmo com um bom roteiro e efeitos especiais revolucionários para a época, o filme foi um fracasso de bilheteria - a produção custou 25 milhões de dólares e arrecadou pouco menos de 20 milhões nos cinemas.

Golam e Globus foram mais exigentes com Hooper no filme seguinte, "Invaders From Mars" ("Invasores de Marte"), feito em 1986. Hooper era fã de um filme dos anos 50 que tinha este nome e não descansou até não conseguir os direitos para refilmá-lo. Entretanto, a produção deste remake foi marcada pelo orçamento irrisório, pois a Cannon tinha medo de que o filme fosse um novo fracasso de bilheteria e não queria gastar o mesmo que no ambicioso "Lifeforce". Isso explica os péssimos cenários e efeitos especiais de "Invasores de Marte". O filme também naufragou na bilheteria (custou 12 milhões de dólares e rendeu míseros 5 milhões nos cinemas americanos!).

Então chegava a hora de cumprir o acordo e fazer "O Massacre da Serra Elétrica 2". A pressão da Cannon era imensa (eles queriam retirar, neste último filme, o lucro que os dois anteriores não conseguiram). Para se certificar de que Hooper faria tudo certinho, dentro da sua visão de cinema "popular", Golam e Globus vigiaram o diretor de perto, passando o maior tempo da filmagem no set, pressionando o cineasta. Meteram o bedelho em tudo, mudaram a história, forçaram a refilmagem de cenas e a retirada de outras do corte final. O resultado: a palhaçada que ficou.



Não que o projeto pudesse sair alguma coisa que prestasse, pois desde o começo Hooper já queria seguir pelo rumo da comédia e do esculacho. A desculpa do diretor foi dizer que o primeiro filme, o clássico, a obra-prima do horror, também era uma comédia de humor negro, mas ninguém entendeu (realmente, achei muito engraçada a cena da mocinha pendurada no gancho de açougue, ou a do paralítico serrado para churrasco!). Assim, segundo o próprio Hooper, tudo que ele fez foi aumentar o humor negro do primeiro filme. Ahãm, sei...

Mas não tinha como sair boa coisa de um roteiro fraco como este que Tobe Hooper filmou. Tirando algumas referências ao primeiro filme, o que restou é uma autêntica refilmagem, que repete muitas das cenas do original (talvez por pressão dos produtores, que queriam de volta o que tinha dado certo no primeiro filme). E tudo aquilo que o clássico apenas sugeria (a violência implícita, encoberta nas sombras ou off-screen) aqui é atirado na cara do espectador de forma grosseira, com um excesso de sangreira e mutilações violentas, criadas pelo mestre Tom Savini em sua melhor forma!

As filmagens de "O Massacre da Serra Elétrica 2" foram no primeiro semestre de 1986. O orçamento sofreu cortes severos: Hooper contava com apenas 4,7 milhões de dólares para fazer a seqüência de sua obra-prima. O roteiro do texano L.M. Kit Carson é enxuto e até tenta criar algumas situações diferentes, mas tudo parece esbarrar na gozação e na produção barata. Complica, também, o fato de Carson não ser um roteirista de "horror": seu roteiro anterior foi para o dramático "Paris, Texas" (de Win Wenders), em 1984.

Como o primeiro, "O Massacre da Serra Elétrica 2" começa com uma tétrica narração (que viraria marca registrada da série), introduzindo os elementos da história:



"Na tarde de 18 de agosto de 1973, cinco jovens em uma perua Volkswagen ficaram sem gasolina, em uma estrada no sul do Texas. Quatro deles nunca mais foram vistos. Na manhã seguinte, Sally Hardesty-Enright, a única sobrevivente, foi encontrada na beira da estrada, ensangüentada e gritando 'Mortos!'. Sally disse que havia saído do inferno por uma janela. Ela contou uma história maluca: uma família de canibais, em uma casa de fazenda isolada... dedos e ossos serrados... seu irmão e amigos retalhados... cadeiras feitas de ossos humanos. Logo após, ela entrou em estado de choque. Foi dada uma busca de um mês, mas não foi encontrada nem a casa, nem assassinos, nem vítimas. Não houve evidência. Não houve crime. Oficialmente, nos arquivos, O Massacre da Serra Elétrica nunca ocorreu. Mas, nos últimos 13 anos, repetidos relatos de assassinatos com serra elétrica, dos mais bizarros, têm persistido por todo o estado do Texas. O Massacre da Serra Elétrica não terminou. A idéia ainda assombra o Texas. Parece nunca ter fim..."

A idéia de os assassinos e as vítimas nunca terem sido encontrados é interessante, pois transforma os acontecimentos do filme anterior em uma "lenda urbana", ou seja, algo que todos já ouviram, mas poucos realmente acreditam e ninguém tem como provar que realmente aconteceu.

Estamos em 1986, em Dallas, no Texas, num final de semana onde uma torcida ensandecida está se preparando para ver a final de uma importante partida de futebol americano, entre as universidades do Texas e de Oklahoma. Dois jovens dirigem pela estrada em sua veloz Mercedes, rumo à cidade, bêbados e alegres, atirando em sinais de trânsito e caixas de correio, ao mesmo tempo em que escutam, no rádio, a DJ Stretch (Caroline Williams).

Logo, Rick e Buzz resolvem infernizar a vida da DJ, ligando de seu telefone móvel para falar obscenidades à moça. Entretanto, quando ainda estão conectados ao vivo, os dois jovens cruzam com uma caminhonete em uma ponte. Ela segue a Mercedes em marcha a ré (!!!) e uma figura macabra aparece na traseira, segurando uma enorme motosserra. É Leatherface (interpretado por Bill Johnson), que usa a lâmina para serrar a cabeça do motorista no meio, provocando um acidente em alta velocidade. Na emissora de rádio, Stretch escuta tudo pelo telefone.



Ainda que antológica (quem viu o filme, lembra de cara), esta cena inicial é absurda e inverossímil. Primeiro, pelo fato de uma caminhonete andando de ré conseguir ficar emparelhada com uma Mercedes em alta velocidade! Segundo, porque a cena é longa demais e parece que a tal ponte onde os dois carros estão andando não acaba nunca - mas quando ela foi mostrada anteriormente, não era tão grande.

No dia seguinte, a polícia investiga o que seria mais um acidente de trânsito "comum". Mas o texas ranger Lefty Enright (Dennis Hopper) tem outra versão para o acontecido. Ele percebe os rasgos feitos na lataria do carro pela lâmina da motosserra (e só um cego não perceberia), e descobre que sua busca chegou ao fim. Lefty é tio de Sally e Franklin, duas das vítimas do filme original, e nos últimos 13 anos caçou a família de canibais em busca de vingança.

Enquanto isso, um velho conhecido está ganhando o troféu de vencedor do "Concurso de Melhor Chili Texano". Trata-se do Cozinheiro (Jim Siedow, recentemente falecido), que era dono do posto de gasolina e membro do clã de canibais no primeiro filme. Aqui finalmente conhecemos seu nome, Drayton Sawyer, e ele se recusa a revelar o ingrediente secreto do seu chili, mas qualquer pessoa com um pouco de imaginação vai perceber que as vítimas da família viram carne moída para os pratos do macabro cozinheiro!

À tarde, Stretch vai procurar Lefty e lhe entrega uma cópia da fita com os sons dos dois jovens sendo esquartejados por Leatherface. O texas ranger resolve fazer uma armadilha para os canibais usando a radialista de isca (sem ela saber, lógico). Pede que a DJ toque no ar, ao vivo, a gravação, de hora em hora. Quando a mocinha sai, Lefty vai até uma loja de ferramentas e compra três motosserras para um autêntico duelo de bangue-bangue com os assassinos de seu sobrinho Franklin.

É noite e Stretch ainda está na rádio, com o colega L.G. McPeters (Lou Perry). Ele vai embora e a radialista descobre que um estranho sujeito está no local. Trata-se de ChopTop (Bill Moseley), um tipo grosseiro, com uma placa de metal no crânio, que adora comer pedacinhos do próprio couro cabeludo, arrancados com um pedaço de arame (!!!). Durante muito tempo, pensei que ChopTop fosse o Caroneiro do primeiro filme, aquele atropelado pelo caminhão no final (e daí o significado da placa de metal no crânio). Mas, segundo o roteirista Carson, ChopTop na verdade é o irmão gêmeo do Caroneiro. Ah, tá! Não ouvimos falar dele no primeiro filme porque ele estava lutando na Guerra do Vietnã (!!!), onde a explosão de uma granada lhe rendeu a bonita placa na cabeça!



ChopTop está ali para calar a radialista, mas quem vai fazer o serviço sujo é Leatherface, com sua enorme motosserra. Após uma cena desnecessariamente cômica - onde ele sai de uma sala escura e atinge a placa na cabeça de ChopTop com sua lâmina -, o assassino persegue Stretch até uma sala, onde a motosserra ronca o tempo inteiro, passando uma agonia ao espectador. L.G. volta à rádio, mas apenas para ser morto por ChopTop, com sangrentas marteladas no crânio (mostradas em closes explícitos).

Quando todos pensam que Leatherface vai matar Stretch, algo estranho acontece. Como um adolescente apaixonado, o assassino acaba gostando da mocinha, e demonstra sua afeição colocando a lâmina da motosserra no meio das pernas da moça (é ver pra crer!). Ele então vai embora, deixando Stretch viva, e a DJ resolve fazer o mais improvável: seguir a dupla, descobrindo seu esconderijo. O clã de canibais está morando nas cavernas de um velho parque abandonado, onde construíram uma versão trash do Inferno de Dante, decorando os corredores e galerias com luzinhas, neon e diversos esqueletos e partes de cadáveres (uma idéia que só o diretor Hooper deve ter achado interessante). Há tripas e sangue para todo o lado, e ninguém nunca descobriu o local, mesmo sendo em um parque nacional! Stretch cai novamente nas garras do clã, mas antes presencia o esquartejamento de L.G. O apaixonado Leatherface novamente dá provas de amor à mocinha, arrancando todo o rosto de L.G. e colocando sobre a face de Stretch. A garota é salva pelo próprio "descarado", que não estava morto, e se levanta normalmente, apesar de ter a cabeça esmagada a marteladas e vários pedaços de carne arrancados do corpo (nem ao menos geme de dor). E logo Lefty se junta à festa, trazendo um cinturão com duas serras, tipo pistoleiro, e uma motosserra maior, com a qual ele confronta Leatherface.



Não precisa ser muito genial para ler essa descrição e concluir que o filme inteiro não passa de uma grande bobagem, uma gozação do clássico original. O problema é que nem de longe a história deveria ter sido levada para o lado do humor. Algumas piadas eventuais, tudo bem... Mas o filme inteiro transformado em palhaçada? Várias cenas do clássico foram recriadas, como quando Stretch é "convidada" para jantar (como aconteceu com Marilyn Burns no primeiro filme), amarrada a uma cadeira feita de ossos humanos. Ou quando o Vovô (agora interpretado por Ken Evert) vai demonstrar seu talento adquirido no matadouro, tentando atingir a cabeça de Stretch com uma enorme marreta (o mesmo aconteceu no primeiro filme). Ou ainda quando Stretch foge sendo perseguida por ChopTop, que vai cortando suas costas com uma lâmina - exatamente como o Caroneiro fez com Sally no filme original! Ao invés de aproveitar o cenário de uma cidade grande, constrastando com a ferocidade dos canibais, o diretor preferiu centrar mais da metade do filme no odioso esconderijo subterrâneo da família - isso sem contar que foram filmadas cenas envolvendo os jogadores e torcedores do torneio de futebol citado no início da história, que eram perseguidos e mortos por Leatherface em plena cidade!

O resultado é uma comédia sem graça, que acaba com Lefty e Leatherface saindo no braço, ou melhor, na motosserra, em um duelo sobre a mesa de jantar. Se fizermos as contas, o personagem de Leatherface foi totalmente desperdiçado no filme, matando uma única pessoa - Buzz, no início do filme - e mais ninguém. Reparem também como Leatherface nem manca, apesar de ter serrado uma das próprias pernas no final do primeiro "O Massacre da Serra Elétrica"!



No livro "Making Movies", de John Russo, Hooper tentou explicar o porquê da tragédia chamada "O Massacre da Serra Elétrica 2". Segundo ele, o roteiro de Kit Carson tinha mais consistência, inclusive com uma trama paralela revelando que Lefty era um velho namorado da mãe de Stretch, e os dois teriam ligação familiar. Além disso, ele deixa claro que o texas ranger é completamente maluco (o que fica razoavelmente evidente no final do filme, quando Lefty encarna um pregador e sai citando salmos bíblicos), e acusa a Cannon de ter mandado cortar várias cenas mostrando como o "herói" era louco. Os produtores alegavam que o público precisava torcer para o personagem de Dennis Hopper, e não odiá-lo.

Hooper também disse que os dois produtores montaram uma improvisada sala de edição em pleno set de filmagens, obrigando-o a editar várias cenas e mudando-as conforme seu gosto pessoal. É o caso da cena onde Leatherface massacra um grupo de torcedores num estacionamento, serrando a cabeça de um deles no meio e decepando a mão de outro. A cena foi totalmente filmada, mas deixada de fora, apesar de exibir o talento do maquiador Tom Savini. Estes cortes deixaram o próprio Savini furioso. Em uma entrevista à revista Fangoria, naquela época, ele disse: "Não sei o que foi que fizeram com o filme! Cortaram 40% dos efeitos especiais que nós fizemos, a montagem estava incrivelmente ruim. E lançaram o filme unrated, o que significa que poderiam ter utilizado tudo o que quisessem, mas deixaram a maioria de fora. Quer dizer, se você pudesse lançar um filme unrated, não iria colocar tudo o que pudesse?".



Savini vai mais além e fala também das várias cenas de violência que foram filmadas, mas cortadas: "Não usaram uma cena inteira num estacionamento subterrâneo, onde a motosserra atinge um rapaz bem no meio da cara, a mão de outro é cortada... São coisas que dariam ao filme mais personalidade. A minha opinião sobre 'Texas Chainsaw Massacre 2' é que depois dos primeiros 20 minutos, que eram assustadores, ficamos vendo um bando de malucos a falar bobagem por quase duas horas. Claro, tem excelentes maquiagens, tipo o Vovô e o maluco com a placa na cabeça, mas nós já vimos tudo isso antes. Não sei, mas tudo em relação a esse filme foi muito estranho".

A verdade é que Tobe Hooper dirigiu "O Massacre da Serra Elétrica 2" como se fosse um verdadeiro adolescente fazendo o filme para seus amigos. Isso explica porque é uma verdadeira zona. O roteiro não tem a menor lógica (Lefty pede que Stretch toque a fita no ar como isca para a família de canibais, mas nem ao menos está na estúdio esperando os assassinos), nem é assustador.



Os personagens fazem pouca coisa (a mocinha se resume a correr e gritar sem parar o filme inteiro, com as coxas grossas à mostra) e tudo está envolvido em um tom de absurdo, desde a ponte quilométrica do início até a caverna da família no final (para onde será que vai a conta de luz da família, com todas aquelas lâmpadas e neons ligados nos túneis?). E a escolha por abusar do sangue e da violência é uma prova do desespero de Hooper e da produtora, que queriam de qualquer forma transformar o filme em uma produção bizarra e polêmica, como o original (mas nem de longe conseguiram).

Algumas cenas são interessantes de tão grosseiras, como aquela em que Leatherface coloca em Stretch a pele do rosto de seu amigo morto. Há também uma crítica cáustica aos yuppies na forma dos dois jovens do começo do filme, dirigindo uma Mercedes e falando em telefone portátil, antes de acabarem serrados por Leatherface, e também no discurso de Drayton quando Stretch é aprisionada, dizendo que as grandes empresas estão acabando com o "pequeno negócio informal e familiar", como o deles! hahahahaha



No fim, "O Massacre da Serra Elétrica 2" foi o mais lucrativo dos "filmes da Cannon" feitos por Hooper. Custou perto de 5 milhões de dólares (uma mixaria!) e rendeu 8 milhões de dólares só nos cinemas americanos (sem contar a bilheteria ao redor do mundo). Infelizmente, o filme não é nada mais do que uma exagerada e sangrenta sátira do clássico original, e ver tamanho desrespeito do próprio diretor com sua obra é sempre triste, e não agradável.

Já vi umas 10 vezes... mas simplesmente não consigo gostar de "O Massacre da Serra Elétrica 2".



N.E.: Esse artigo foi cedido pelo autor Felipe M. Guerra para publicação no site Boca do Inferno, extraído originalmente do prestigiado site www.myers.cjb.net ("Halloween - o site brasileiro de Michael Myers"), editado por Alexandre Sobrino.


O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (The Texas Chain Saw Massacre 2, Estados Unidos, 1986). Vortex, 82 minutos, Cores
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L.M. Kit Carson, a partir de personagens criados por Kin Henkel e Tobe Hooper
Produção: Yoram Globus; Menahem Golan
Música: Jerry Lambert e Tobe Hooper
Fotografia: Richard Kooris
Edição: Alain Jakubowicz
Direção de Arte: Cary White
Figurino: Carin Hooper
Elenco: Dennis Hopper (Lieutenant 'Lefty' Enright); Caroline Williams (Vantia 'Stretch' Brock); Jim Siedow (Cozinheiro - Drayton Sawyer); Bill Moseley (Chop Top); Bill Johnson (Leatherface); Ken Evert (vovô); Harlan Jordan; Kirk Sisco; James N. Harrell; Lou Perry; Barry Kinyon; Chris Douridas; Judy Kelly; John Martin Ivey; Kinky Friedman


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