LEATHERFACE - O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3

por Felipe M.Guerra

Versão censurada....versão sem cortes

O que qualquer pessoa normal e em sã consciência esperaria de um filme chamado "O Massacre da Serra Elétrica"? No mínimo, muita truculência, sadismo, brutalidade e violência, seja psicológica ou explícita. Bem, tente explicar isso para a censura americana e para os produtores da New Line Cinema. Nenhuma das duas instituições viu a coisa por esta ótica, e o resultado foi que a segunda continuação de "O Massacre da Serra Elétrica" tornou-se um dos maiores exemplos cinematográficos de como a visão artística de um cineasta e de um roteirista pode ser arruinada pela cobiça dos produtores.

"Nós estávamos fazendo um filme chamado 'O Massacre da Serra Elétrica 3'... Não tem como você fazer um filme com este nome pensando em não ofender ninguém", disse o diretor da seqüência, Jeff Burr. Para explicar melhor, com "Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica 3" aconteceu a mesma coisa que com "Halloween 6". O diretor e o roteirista fizeram o filme que queriam. Os produtores não gostaram. E assim os dois primeiros foram forçados a cortar várias cenas mais fortes para que o filme não recebesse uma certificação X da censura americana - o que reduziria bastante a bilheteria nos cinemas, considerando que somente maiores de 18 anos poderiam assisti-lo.



Logo, a New Line exigiu o corte de nove minutos com cenas sangrentas e também a filmagem de um novo final, menos violento e pessimista. Ninguém pareceu se importar muito se o filme ficou vazio e sem a menor graça. Os produtores preferiram que mais gente fosse ao cinema, mesmo que elas saíssem odiando o filme. O resultado foi um fiasco: a New Line nunca divulgou o orçamento da seqüência, mas sabe-se que ficou perto do que a Cannon investiu na parte 2 (ou seja, em torno de 5 milhões), e, neste caso, o filme mal se pagou, pois rendeu nos cinemas apenas US$ 5.765.000!

A história toda ao redor desta seqüência começa em 1989. Na época, a New Line era uma pequena produtora quase independente, que nem sonhava com franquias monstruosas tipo "O Senhor dos Anéis". Pelo contrário: estavam à procura de séries de terror já desgastadas que pudessem explorar, lançando novas continuações. Eles tinham, por exemplo, os direitos sobre Freddy Krueger e a franquia "A Hora do Pesadelo". E resolveram adquirir também os direitos sobre Leatherface, depois que "O Massacre da Serra Elétrica 2" dividiu as opiniões do público. Logo depois iriam adquirir os direitos da Paramount sobre a franquia "Sexta-Feira 13", mas aí é outra história...

Meses antes do filme começar a ser rodado, já eram lançados teasers nos cinemas (aquele pré-trailer que normalmente nada tem a ver com as cenas do filme). A propaganda era bem interessante: mostrava um homem corpulento parado em frente a um lago. De repente, uma serra elétrica prateada e brilhante saía lentamente do lago, erguida por uma mão feminina - como a lenda da Excalibur, onde o rei Arthur recebia a espada mágica da Dama do Lago. A mulher atira a serra para o homem, um relâmpago atinge a arma e então ele se vira, revelando o hediondo Leatherface. Os fãs da série com certeza ficaram emocionados e esperando pelo melhor.

Algum tempo depois, o diretor Jeff Burr foi contratado para dirigir o filme. Era um nome pouco conhecido, mas vinha de duas produções no gênero: "Do Sussuro Ao Grito" (1987, com Vincent Price) e a continuação "A Volta do Padrasto" (1989). Os produtores já tinham um roteiro de David J. Schow, um escritor de livros de horror. Este é seu primeiro trabalho para o cinema (depois ele escreveria os roteiros de "Criaturas 3", "Criaturas 4" e também do primeiro "O Corvo"). Nem Tope Hooper nem Kim Henkel, os mentores do original, se envolveram. Disposto a eliminar qualquer traço de comédia ou bobeira visto na segunda parte, o roteirista resolveu encher a história com os elementos mais violentos e chocantes que conseguiu conceber, sem fazer referências à continuação anterior - como se ela nunca tivesse existido.



Aí começaram os problemas: do começo ao fim, "O Massacre da Serra Elétrica 3" é um exercício violento de sadismo e morte como poucas vezes se viu no cinema. Logo nos créditos iniciais, uma mulher é morta com uma marretada e tem a pele do seu rosto arrancada - isso nos primeiros segundos do filme! Depois tem muito mais, inclusive tortura psicológica, closes em feridas expostas, sangreira desatada, psicopatas impiedosos e até uma menininha assassina! Não era preciso ser muito inteligente para ver que a censura iria encrencar com o filme. E foi justamente o que aconteceu...

O problema é que com a quantidade de cortes que o filme sofreu, a essência da história (que era chocar através da barbárie e do excesso de violência) se perdeu. Infelizmente, os brasileiros contam apenas com a versão altamente censurada nas locadoras. Lembro que quando vi o filme pela primeira vez até achei razoável, mesmo que alguns cortes abruptos fossem visíveis. Foi só neste ano, ao assistir a versão "uncut" em DVD importado, que percebi como o filme censurado era ruim demais. A versão sem cortes é, de longe, a melhor seqüência do clássico original, um ótimo filme de terror, perverso e sangrento como poucos feitos na mesma época.

"Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica 3" começa com o tradicional letreiro que abre todos os filmes da série. Sem querer recorrer aos acontecimentos da parte 2, Schow criou uma trama mirabolante, que deixa mais dúvidas do que esclarecimentos. A abertura é assim:

"Em 18 de agosto de 1973, Sally Hardesty, irmão e amigos enfrentaram um clã de predadores canibais. Ela foi a única sobrevivente daquela noite de terror. Morreu numa clínica particular, em 1977. Um membro do clã sobreviveu e foi a julgamento. A acusação registrou seu nome como W.E. Sawyer. Ele morreu na câmara de gás em 1981. Os jurados concluíram que Leatherface, um assassino nunca preso, era na verdade uma segunda personalidade de Sawyer, ativada quando ele vestia uma máscara, feita de pele humana. Se não houve realmente um outro assassino, então Sally pode descansar em paz. Se houve, ele está vivo e o Massacre da Serra Elétrica foi só o começo."



Depois do texto, já entra uma cena em que Leatherface executa uma garota, arrancando seu rosto e recortando a pele como se fosse couro de animal, costurando-a para fazer uma nova máscara - uma cena grotesca, que já dá o tom do que vem pela frente... Somos então apresentados ao casal de heróis, dois jovens namorados da Califórnia, Michelle (Kate Hodge) e Ryan (William Butler). Eles estão cruzando o país em um Rolls-Royce, para entregar o carro ao pai de Michelle, na Flórida. No momento, passam pelo Texas - claro! Entre discussões bobas no interior do veículo, o rádio revela que numa área próxima foi encontrado um poço repleto de cadáveres em decomposição.

Anoitece e o carro com os dois jovens passa bem próximo ao local. A cena é uma das melhores do filme. Um enorme grupo de policiais e pesquisadores forenses está escavando o poço, observados por jornalistas. Uma delas é Caroline Williams, que fez a heroína Stretch na parte 2, e aqui aparece menos de três segundos em cena. Segundo o diretor Burr, a idéia era criar um vínculo que poderia ser melhor explorado numa próxima continuação, onde Stretch estaria caçando Leatherface por todo o Texas em busca de vingança. A idéia foi limada porque os produtores não queriam relação com a segunda parte, e Caroline aparece em participação relâmpago: piscou, perdeu. Enquanto isso, os técnicos tiram os cadáveres do poço repleto de membros decepados. Quando fotografam os cadáveres, entra aquele conhecido som de flash do início do filme original.

Michelle e Ryan continuam sua viagem até que resolvem parar em um posto de gasolina de beira de estrada. Triste decisão... Postos no Texas não são uma boa opção, especialmente para quem viu os outros filmes da série... Ali são atendidos pelo misterioso Alfredo (Tom Everett), um caolho esquisito que repete os tiques do Caroneiro do primeiro filme - inclusive fotografando Michelle e querendo vender-lhe a foto. Também no local aparece um cowboy, Tex (interpretado por Viggo Mortensen, muito antes da fama como Aragorn em "O Senhor dos Anéis"). Tex pede uma carona ao casal, dizendo conhecer um atalho nas proximidades, saindo da rodovia principal e entrando por uma estrada secundária. Ryan recusa-se a dar carona. Garoto esperto.



Após uma rápida briga entre Tex e Alfredo, que estava espiando Michelle no banheiro, o casal é obrigado a fugir. Alfredo pega uma espingarda e atira em Tex, perseguindo depois o Rolls-Royce do casal. Desesperados e apavorados, eles resolvem pegar o tal atalho sugerido por Tex. O último erro...

Anoitece e a estrada desconhecida parece não ter fim. Então, repentinamente, uma enorme picape com um couro inteiro de boi amarrado no capô aparece, perseguindo obsessivamente o carro do casal. Eles são obrigados a parar, para trocar um pneu furado, e subitamente escutam um barulho metálico vindo do meio da floresta escura. Trata-se de um aparelho ortopédico mecânico. Aquele "crinch, crinch" metálico aumenta o suspense da situação. Ryan tenta freneticamente colocar os parafusos de volta no pneu trocado. E então, quando estão quase terminando o serviço, surge Leatherface, com sua enorme serra elétrica ligada!

Eles conseguem escapar, mas com o estepe mal-colocado. Ryan tem medo que o pneu se solte e pede que Michelle pare o carro para ele apertar os parafusos. A garota se recusa. É quando entra em cena Benny (Ken Foree, de "Zombie - O Despertar dos Mortos"), um mercenário que tem como hábito treinar tiro com um grupo de amigos, na expectativa da chegada de uma nova "grande guerra". Ele dirige seu jipe pela mesma estrada, em sentido contrário, quando um bizarro acidente coloca tanto ele quanto o carro do casal de jovens para fora da estrada.

Benny vai acudir Ryan e Michelle e logo chega um homem com um caminhão-guincho, Tink (Joe Unger), que tem uma mão mecânica. Como todos nós sabemos, pela análise de filmes de terror em geral, mãos mecânicas entregam um vilão, mas só os heróis não percebem isso. Além do mais, em todos os filmes da série "O Massacre da Serra Elétrica", pessoas que aparecem querendo ajudar as vítimas são, na verdade, membros do clã canibal. E não é que Tink logo se revela mais um dos vilões? Eu falei! Eu falei!

Ele inutiliza o jipe de Benny, que consegue sair do veículo antes deste ser abalroado pela picape. Lá de dentro, tira uma enorme metralhadora. Alheios ao perigo, Benny, Michelle e Ryan tentam encontrar ajuda em meio à floresta... e é claro que vão se deparar com Leatherface (interpretado sem destaque por R.A. Mihailoff) e sua nova família de canibais! Antes, cruzam com uma garota que está fugindo da família de assassinos há dias, e que obviamente será a próxima a morrer.



A situação evolui até a cena tradicional que consta em todos os filmes da série: a mocinha é "convidada para jantar" pela família de canibais, tendo as mãos literalmente pregadas na cadeira, enquanto seu namorado é morto e cortado para virar carne de churrasco. Todo o resto da nova família de Leatherface é apresentado: além de Tink e Alfredo, existem a "Mamãe" (paralítica e com um aparelho eletrônico para falar pelo pescoço), o próprio Tex, uma garotinha loira que leva uma boneca em forma de caveira (chamada Sally, talvez em homenagem à sobrevivente do primeiro filme, Sally Hardesty), e, obviamente, o "Vovô", agora transformado de vez em uma múmia, um cadáver seco.

A grande pergunta que fica: o que aconteceu com a família original de Leatherface, aquela mostrada nos primeiros dois filmes da série? Falo do Cozinheiro (também chamado Drayton Sawyer) e de ChopTop? Aparentemente, todos eles, incluindo o próprio Leatherface, morreram no final da parte 2, quando o Cozinheiro explodiu uma granada no túnel subterrâneo onde o clã vivia. Nesse caso, quem é o Leatherface apresentado nesta terceira parte?

Eu tenho algumas teorias sobre isso... Uma das prováveis é que Leatherface sobreviveu à explosão da granada e encontrou uma nova família de psicopatas, onde passou os quatro anos entre a parte 2 (de 1986) e esta parte 3 (de 1990). Aí entra a dúvida: o Leatherface do filme original serrou uma das pernas e deveria estar mancando na parte 2, mas caminha normalmente. Já na parte 3 o assassino não só manca, como tem um aparelho ortopédico numa das pernas. Poderia ser que o Leatherface da parte 2 era um outro assassino (talvez o W.E. Sawyer nomeado no texto de abertura desta parte 3), e o verdadeiro Leatherface, o da perna serrada, aparece no filme original e aqui.

Ou poderia ser que esta continuação simplesmente ignora a parte 2. Neste caso, como explicar o desaparecimento da família de Leatherface no filme original e o surgimento dos novos integrantes neste terceiro filme? Ou talvez, ainda, o tal W. E. Sawyer seja um bode expiatório, um pobre coitado preso pela polícia e condenado pelos crimes da família de canibais, sem ter, na verdade, qualquer relação com eles... Ah, quer saber? O negócio é não tentar entender e divertir-se...

A partir do momento em que Michelle é aprisionada pelos canibais, o roteiro original de Schow tinha cenas tão brutais que os produtores exigiram mudanças. Ele previa, por exemplo, que Ryan fosse pendurado nu de cabeça para baixo e serrado ao meio pela família de canibais - inspirado no modus operandi do psicopata da vida real Ed Gein, que fazia isso com suas vítimas. O estúdio bateu o pé dizendo que matar Ryan e pendurá-lo de cabeça para baixo já estava mais do que bom. Depois que o filme recebeu a certificação X, entretanto, quase todas as cenas da morte de Ryan foram cortadas, tornando completamente confuso o que acontece ao personagem.



Entre as cenas cortadas, presentes na versão "uncut", está aquela em que Tink e Tex atravessam ganchos de carne nos pés da vítima, depois erguendo-a de cabeça para baixo. Enfim, ao descobrirem que Ryan continua vivo, decidem terminar com ele ao modo tradicional: uma marretada na cabeça. Tink inventou um sistema onde uma marreta é acionada automaticamente, bastando puxar uma cordinha. Na versão censurada, vemos uma mão não-identificada puxar a corda e então um barulho, SPLAT!, que nos leva a crer que a cabeça da vítima foi esmagada - mas nada é mostrado. Na versão "uncut", é a menininha da família que resolve matar Ryan, numa cena forte e cruel. Como se estivesse fazendo uma brincadeira infantil, ela puxa a cordinha e então a câmera dá um close na cabeça de Ryan sendo atingida lateralmente pela marretada. Uma seqüência impressionante pela crueza e sadismo. Em seguida, a menina recolhe o sangue que jorra da cabeça arrebentada do rapaz para servir ao "Vovô". Tudo isso foi cortado pelos produtores, bem como o esquartejamento de Ryan: Tink, usando uma faca, começa a retalhar o cadáver sem cerimônia, inclusive levando um jato de sangue no rosto! Os produtores também cortaram os closes das mãos de Kate Hodge pregadas na cadeira, inclusive quando ela arranca as mãos dos pregos (um close sangrento, digno do diretor italiano Lucio Fulci).

Por fim, outro momento muito censurado é quando Benny aparece para atrapalhar o jantar dos canibais, disparando sua metralhadora e fazendo um pequeno massacre na cozinha da família. Na versão censurada, aparecem alguns closes da metralhadora disparando, a "Mamãe" sendo atingida por um tiro, Tink tendo sua orelha arrancada por uma bala e caindo no chão, e Michelle arrancando as mãos dos pregos (sem os closes) e correndo. Na versão "uncut", a cena é bem mais sangrenta. A "Mamãe" leva balaços na barriga, esguichando sangue no rosto de Michelle; Tink tem dedos da mão arrancados, além da orelha; o "Vovô" é tão furado que começa a jorrar sangue pela sua barriga, e até o cadáver de Ryan, pendurado e já bastante esquartejado, leva alguns tiros. A câmera dá até alguns closes nas mãos de Michelle sendo arrancadas dos pregos da cadeira, deixando buracos enormes.

Com todos estes cortes, a versão censurada de "O Massacre da Serra Elétrica 3" fica bem próxima de um daqueles filmes feitos para a TV, exibidos todo sábado no Supercine. Muito há de sugerido, mas pouca coisa é mostrada - um fiasco, ainda mais considerando que a proposta do filme era justamente exagerar no "gore"l. A morte da garota na floresta também era bem mais longa. Na versão censurada, Leatherface se aproxima dela com a motosserra e era isso, um grito ecoa pela floresta. Na "uncut", o assassino enfia a serra no peito da garota e a câmera começa a filmar por trás da árvore onde ela está apoiada, mostrando a lâmina atravessando o tronco (da garota e da árvore), enquanto o sangue jorra aos borbotões no rosto da vítima! Saber que tudo isso existe aumenta a frustração de qualquer espectador que só conhece a versão censurada do filme!



Uma outra cena que precisa ser vista é o final alternativo. Nele, Benny lutava com Leatherface num pântano e tinha sua cabeça serrada pelo assassino, morrendo na hora. Michelle então pegava uma pedra enorme e esmagava a cabeça de Leatherface, batendo mais de 10 vezes no crânio do assassino. Depois, ela caminhava sem rumo até enxergar, na estrada, uma viatura da polícia. Quando ela se aproxima, percebe que a menininha, integrante da família de canibais, está no banco de trás, rindo dela. Michelle então cai de joelhos e a câmera filma um adesivo no pára-choque do carro, dizendo "Não mexa com o Texas"!

Nas exibições de teste, o público (provavelmente adolescentes bobalhões) odiou o final, dizendo que era "pouco heróico". A maioria também gostou do personagem de Benny e não gostaria que ele morresse. Resultado: final refilmado. No fim oficial, usado na edição final, Benny sobrevive à cabeça serrada (aparece apenas com um ridículo cortezinho na careca). Graças à censura, Michelle bate com a pedra apenas 3 vezes na cabeça de Leatherface. E o casalzinho volta sorrindo para a picape dos assassinos, onde tem um encontro "amigável" com Alfredo antes de sair acelerando... deixando para trás Leatherface, que reaparece vivo e bem! Nada se fala sobre a menininha, que é esquecida. E o casal de heróis aparentemente escapa vivo e com saúde. Pois é, o público preferiu ESTE final!

O melhor é esquecer que existe a versão censurada de "O Massacre da Serra Elétrica 3" e torcer para que alguma distribuidora lance o filme sem cortes no Brasil. Este sim é um verdadeiro legado à série. Analisando criticamente, percebe-se que esta seqüência não tem quase nada de continuação. É, na verdade, quase uma refilmagem, pois não traz situações diferentes (tirando os novos integrantes da família de Leatherface). É a velha perseguição pela floresta, o velho jantar repleto de detalhes macabros e a velha perseguição final e duelo contra Leatherface. Lembra a série "Sexta-Feira 13", onde os produtores nunca deram muita atenção à história...

Comparando com as partes 2 e 4 (e também com o recente remake de 2003), "O Massacre da Serra Elétrica 3" ganha pontos pelo roteiro enxuto. Ao invés de encher o filme com personagens secundários caricatos, que aparecem apenas para morrer, o roteiro de David Schow prefere enfocar apenas três personagens (Michelle, Ryan e Benny), além da própria família de vilões. A única personagem secundária, rapidamente eliminada, é a garota perseguida por Leatherface na floresta. Como além dela só existem os outros três personagens, o espectador começa a se identificar com eles, até temendo pela vida deles - confesso que até hoje fico um tanto chocado com a frieza como Ryan é morto.

O filme é uma continuação decente do clássico original, e certamente deveria estar no lugar da ridícula parte 2. Com bom ritmo e muita loucura e crueldade, "O Massacre da Serra Elétrica 3" (o "uncut", claro) é um filme injustamente criticado, que merece ser revisto e reconhecido.

N.E.: Esse artigo foi cedido pelo autor Felipe M. Guerra para publicação no site Boca do Inferno, extraído originalmente do prestigiado site www.myers.cjb.net ("Halloween - o site brasileiro de Michael Myers"), editado por Alexandre Sobrino.


LEATHERFACE: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 (Leatherface: The Texas Chain Saw Massacre 3, Estados Unidos, 1990). , 85 minutos, Cores
Direção: Jeff Burr
Roteiro: David J. Schow, a partir de personagens criados por Kin Henkel e Tobe Hooper
Produção: Robert Engelman
Música: Jim Manzie; Pat Regan
Fotografia: James L. Carter
Efeitos Especiais: Tod Ryan
Elenco: Jennifer Banko (garotinha); Ron Brooks (T.V. Newsman); William Butler (Ryan); Miriam Byrd-Nethery (Mamãe); David Cloud (Scott); Beth DePatie (Gina); Tom Everett (Alfred); Ken Foree (Benny); Kate Hodge (Michele); Toni Hudson (Sara); R.A. Mihailoff (Leatherface); Viggo Mortensen (Tex); Joe Unger (Tinker); Duane Whitaker (Kim); Michael Shamus Wiles; Caroline Williams


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