O uso de imagens de arquivo e de documentários em seus filmes, as péssimas interpretações, os erros grosseiros de continuidade e a doideira geral das suas obras renderam ao cineasta italiano Bruno Mattei o carinhoso título de "Ed Wood italiano". Assim como o mestre dos filmes ruins que reinou na Hollywood dos anos 50, Mattei fez diversas "pérolas" entre os anos 70 e 90, mas só teve seus filmes redescobertos em meio à década de 90, depois de ser incansavelmente massacrado pela crítica devido à extrema ruindade das suas obras. |
Bruno nasceu na Itália em 1931 e cresceu em Roma, onde seu pai tinha um pequeno estúdio de edição de filmes. Aos 20 anos de idade, Mattei já era assistente do pai no estúdio e sonhava seguir seus passos na carreira de editor de filmes. Em 1962 assumiu seu primeiro trabalho cinematográfico, de edição de som na aventura épica (feita com uma merreca, como todos os filmes italianos da época) "Maciste Contro I Mostri" (Maciste Contra o Monstro), dirigida pelo falecido Guido Malatesta - na época estavam na moda os filmes de aventura italianos disfarçados de produções americanas, com heróis mitológicos como Maciste e Hércules.
A partir deste ano, Mattei passa a atuar também na edição de filmes de outros diretores. Seus primeiros trabalhos foram em "Il Sangue e la Sfida" (1962, de Nick Nostro), "Mondo Caldo di Notte" (também 1962, de Renzo Russo) e "La Cieca di Sorrento" (1963, também de Nick Nostro). A partir daí, não parou mais de trabalhar. |
Com o sucesso de "007 e o Satânico Dr. No" (1962, de Terence Young), aventura inglesa que deu origem à série do espião James Bond, os filmes estrelados por espiões invencíveis passaram a render fartas bilheterias. E os italianos, claro, começaram a copiar a fórmula. Surgiram agentes secretos com todos os nomes e números, e Bruno Mattei era o editor oficial destas cópias piratas, escondendo-se, pela primeira vez, atrás de um pseudônimo americano, "Jordan B. Matthews", seu nome falso oficial, que usaria muitas vezes ao longo da "carreira".
Nesta época Mattei editou tralhas trash como "Agent 3S3: Passport to Hell" (1965, de Sergio Sollima), "Agent Z-55: Mission Hong-Kong" (1965, de Roberto Bianchi Montero) e "Agent 3S3: Massacre in the Sun" (1966, também de Sollima). Trabalhou ainda numa longa série de porcarias antes de ser escalado para uma produção de outro conhecido faz-tudo, o espanhol Jesus "Jess" Franco, que em 1970 estava rodando uma versão não-autorizada do romance "Drácula", de Bram Stoker, estrelada por Christopher Lee, e chamou Mattei para trabalhar na edição. O filme foi batizado "Count Dracula" (embora também seja chamado "The Nights of Dracula"). Foi o "ponto alto" do Mattei editor.
Depois deste trabalho, onde conheceu grandes astros do cinema de horror da época - além de Lee, trabalharam no filme de baixo orçamento Herbert Lom (como Van Helsing) e o malucão Klaus Kinski (como Renfield, é claro!) -, Mattei resolveu dirigir seus próprios filmes. No mesmo ano (1970), dirigiu o obscuríssimo dramalhão "Armida, Il Dramma di una Sposa", assinando com o pseudônimo "oficial" de Jordan B. Matthews.
A recepção fria da sua primeira obra fez com que o incompreendido Bruno voltasse à edição de filmes. Até que, em 1972, resolveu apostar no filão capa-e-espada que estava rendendo horrores nos Estados Unidos. Dirigiu uma bomba chamada "Les Aventures Galantes de Zorro", um filme erótico com sexo softcore (não-explícito), que assinou com o pseudônimo "William Russell". O filme é tão ruim quanto raro, mas fez com que Mattei voltasse a edição de filmes pelos próximos quatro anos - e é uma das produções com nota mais baixa no site do Internet Movie Data Base, o IMDB. | |
Entre 1973 e 1976, Mattei foi editor de filmes sexploitation (aqueles com excesso de sexo e sacanagem), como "Black Cobra/Eva Nera", dirigido pelo mestre da picaretagem Joe D´Amato em 1976. O filme tem Laura Gemser (milagrosamente num papel que NÃO é de "Black Emanuelle"), Gabriele Tinti e Jack Palance, este último um colecionador de cobras venenosas. E o roteiro envolve tudo aquilo que uma boa produção sensacionalista italiana deve ter: muito sexo softcore, mulher pelada, violência contra animais (no caso, uma cobra que é morta e transformada em comida, na frente da câmera, claro!) e nojeiras diversas - clássica a cena onde Tinti tem uma serpente venenosa enfiada no traseiro. |
Mattei aprendeu tudo direitinho e em 1976 voltou a dirigir, investindo também no filão do sexploitation, e alcançando relativo sucesso de público. Assinou (sempre com pseudônimo, obviamente) petardos como "Emanuelle and the Porno Nights" (1977), com Laura Gemser e co-direção de Joe D´Amato; "SS Extermination Love Camp" (1977), esquisita mistura de nazismo, pornografia, violência, tortura e crueldade; e "SS Girls" (também em 1977), praticamente uma continuação do anterior, com tantas cenas de sexo softcore que costuma ser incluído na seção dos filmes pornôs das locadoras.
Em meio a mais filmes com a Black Emanuelle Laura Gemser e pseudo-documentários na linha "Mondo Cane", como "Sesso Perverso", Mattei teve a honra de assinar um dos primeiros filmes pornôs da estrela italiana da época, Ilona Staller, ou melhor, Cicciolina, no filme "Cicciolina Amore Mio", de 1979, em um dos primeiros X-rated trash da história (o ator principal é um sósia do John Travolta!).
Subitamente, os filmes de horror made in Italy estavam no auge, graças às obras de Lucio Fulci, Umberto Lenzi, Ruggero Deodato, entre outros. Mattei resolveu explorar também este filão, mas não tinha a menor idéia de como fazer um filme de terror, considerando que até então só tinha feito pornografia. |
Por isso, seus primeiros filmes de horror têm uma curiosa mistura entre sexo e sangue.
O primeiro da linha foi "The Other Hell/L´Altro Inferno" (1980), com o pseudônimo de "Stefan Obloswky". Inédito no Brasil, mas respeitado no exterior, o filme conta a história de freiras de um convento que são possuídas por demônios e saem em busca de sexo selvagem e violência. A história inicia com uma chocante cena onde uma freira está embalsamando o cadáver de uma "colega" e, possuída, arranca o útero do cadáver a punhaladas! "The Other Hell" marca também a histórica primeira colaboração de Mattei com seu parceiro de longa data Claudio Fragasso, autor de alguns dos piores roteiros da história do cinema italiano (e que adorava falar mal de Mattei pelas costas).
Com o sucesso de seu primeiro filme de "terror", Mattei foi co-diretor (sem receber crédito) do picaretaço "Porno Holocaust", de Joe D´Amato - mistura de horror e erotismo feita em 1981 -, antes de entregar-se à produção de um de seus filmes mais famosos, "Hell of the Living Dead" (1981), conhecido como "Predadores da Noite" no Brasil. Praticamente uma refilmagem de "Dawn of the Dead", de George A. Romero, foi feito numa época em que todos os cineastas italianos estavam fazendo filmes ou com zumbis, ou com canibais.  | |
Mattei fez com que a história se passasse na Nova Guiné para poder enxertar imagens de um documentário filmado no país, com animais selvagens e tribos indígenas! Em "homenagem" a Romero, adotou o pseudônimo "Vincent Dawn" (de "Dawn of the Dead"), além de roubar a trilha sonora composta pelo grupo Goblin para o filme americano.
"Hell of the Living Dead" tem repelentes e baratíssimo efeitos especiais, onde foram usadas verdadeiras vísceras de animais e nacos de carne bovina que os "zumbis" arrancam a dentadas das suas vítimas. Este estilo de filme absurdamente gráfico e violento - onde também se encaixam os filmes de canibais da época e produções tipo "Nights of Terror", de Andrea Bianchi - ficou conhecido como "cinema de açougue", pois não importava a maquiagem ou os efeitos especiais, mas sim a quantidade de sangue, carne e tripas mostrada em cena. Em entrevista, Mattei disse que não tinha como copiar os efeitos dos filmes americanos, então eles optavam por exagerar na violência e no realismo. |
Mesmo com o péssimo roteiro de Claudio Fragasso, "Hell of the Living Dead" acabou virando um clássico trash (hoje em dia, já foi até elogiado pelo respeitado diretor americano Quentin Tarantino!). Mattei, entretanto, não queria deixar o sub-gênero sexploitation. Até 1983 só fez isso: dirigiu mais dois filmes com Laura Gemser interpretando "Black Emanuelle" (um deles, "Violenza in un Carcere Femminile", de 1983, aproveitou o sucesso dos filmes sobre presídios femininos e foi lançado no Brasil como "Escravas da Corrupção"). Dirigiu também uma bobagem chamada "Caligula Reincarnated as Nero".
Ainda em 1983, tentou fazer uma aventura nos moldes antigos, "Os Sete Magníficos Gladiadores". Ele gostou tanto do projeto que é um dos raros filmes onde assina com seu verdadeiro nome. A história nos bastidores é curiosa e foi contada pelo roteirista Claudio Fragasso: a produtora americana Cannon, dos picaretas Menahem Golan e Yoram Globus (sim, aqueles mesmos dos filmes de Chuck Norris e Charles Bronson), passou a contratar mão-de-obra italiana, mais barata, para uma série de aventuras épicas de baixo orçamento, semelhantes aos velhos filmes de Hércules e Maciste. |
Mattei foi contratado para dirigir uma produção chamada "Hércules 87" (não porque fosse o 87º filme do herói, mas sim porque seria lançada em 1987 - dã!), estrelada pelos atores americanos Lou Ferrigno (na época em alta graças ao seriado "O Incrível Hulk") e Sybil Danning. Ao verem como Mattei se comportava no set, os dois produtores resolveram demiti-lo antes mesmo de começar as filmagens, entregando a direção de "Hércules 87" a Luigi Cozzi (que assina "Lewis Coates"). Para que Mattei não enchesse o saco, Golam e Globus lhe deram um orçamento modesto e a chance de filmar, por poucas semanas, um outro filme épico, com o mesmo elenco de "Hércules 87", depois que Cozzi terminasse a sua gravação. Feliz da vida, Mattei encomendou um roteiro de Claudo Fragasso, que fez uma história copiando o clássico "Os Sete Samurais" e sua refilmagem americana, "Sete Homens e um Destino". Mattei gostou tanto que resolveu lançá-lo com seu nome verdadeiro nos créditos. Mas, como era de se esperar, o filme é ruim demais e obrigou Mattei a voltar aos filmes de horror com orçamentos modestos. Foi lançado no Brasil, mas é raríssimo!
Em 1984, novamente trabalhando para produtores italianos, ele levou para as telas um roteiro de Claudio Fragasso que deu origem a um dos piores filmes de todos os tempos, "Ratos/Rats: Night of Terrors". Ele aproveitou que os filmes futuristas passados no ano 2000 ou 3000, como a série "Mad Max", estavam dando dinheiro e criou esta bobagem, supostamente uma versão do clássico "A Noite dos Mortos-vivos", de George A. Romero, apenas substituindo os zumbis por ratos famintos, conforme o próprio diretor declarou em entrevista ao documentário "Hell Rats of the Living Dead". Para piorar, Mattei nem usou ratos verdadeiros, mas sim porquinhos-da-índia pintados de cinza! O resultado vai do lamentável ao horroroso, mas o diretor considera este um dos seus melhores filmes!!!

Nos anos seguintes, ele resolveu trabalhar apenas em filmes mais convencionais, voltados ao espectador tradicional, o que, teoricamente, lhe garantiria uma bilheteria certa. Usando os pseudônimos
"Werner Knox" e
"Vincent Dawn", dirigiu dois faroetes,
"Apache Branco" (1986) e
"Escalpo" (1987), ambos produções trash, com falhas grosseiras, interpretações ridículas e os tradicionais exageros do cinema de Mattei - especialmente na violência explícita. O primeiro é sobre um rapaz branco criado entre os índios, e tem uma hilária cena onde um vilão leva uma machadada no rosto e sobrevive, escondendo a cicatriz atrás de uma máscara. O segundo, mais violento, tem closes de cabeças escalpeladas e um momento que homenageia
"Um Homem Chamado Cavalo", onde o herói é arrastado por cavalos tendo ganchos cravos no seu peito! Brrrrrr... Os dois são filmes bem razoáveis, embora perceba-se a completa falta de técnica cinematográfica de Mattei, que simplesmente não consegue dirigir os atores e arrasta algumas cenas além do necessário.
Mais tarde, o sucesso de filmes de guerra onde um homem só vencia um exército, tipo
"Rambo", levou Mattei a dirigir dois filmes com o nome
"Strike Commando", em 1987 e 1989, um estrelado pelo péssimo Reb Brown (e com roteiro copiando
"Rambo 2"), outro com Brent Huff no papel principal (desta vez plagiando
"Rambo 3"). Os filmes foram lançados no Brasil, respectivamente, como
"Comando de Ataque" e
"Covil da Morte", e trazem um festival de cenas de ação absurdas, tiroteios mal-filmados, explosões reaproveitadas de outros filmes, interpretações canastronas e cenas inteiras copiadas dos filmes de Sylvester Stallone!
Mais picareta do que nunca, o diretor perdeu completamente a vergonha na cara e passou a fazer plágios descarados, como
"Robowar" (1988), mistura de
"Predador" e
"Robocop", sobre grupo de mercenários (Reb Brown é o líder) que vai para as selvas da América Latina em busca de guerrilheiros, mas encontra máquina de guerra indestrutível, que os caça um a um. O andróide assassino é interpretado por Claudio Fragasso, com um ridículo capacete de motoqueiro na cabeça o tempo inteiro. E o roteiro segue esquematicamente os personagens e mortes do filme
"O Predador" (percebe-se até Brown copiando as ações e piadinhas do personagem de Arnold Schwarzenegger no filme americano). Mas o plágio mais notável é o personagem de um soldado indígena, que fica para trás para enfrentar o predad... ops, o andróide assassino, igualzinho ao filme de John McTiernam!


Pior ainda foi com
"Shocking Dark" (1989), cópia tão vergonhosa de "
Aliens, O Resgate" e
"O Exterminador do Futuro" que ficou famoso pela ameaça de processo que Mattei levou do próprio James Cameron. Isso porque o nome inicial da obra era
"Terminator 2" (
"O Exterminador do Futuro 2"). Mattei podia fazer esse tipo de lambança porque a Itália não tinha uma lei de diretos autorais quanto a nomes de filmes - por isso existem produções italianas com nomes enganosos como
"Jaws 5" e uns quinhentos filmes chamados
"Zombie 3". Mas Cameron, que estava preparando a continuação oficial de
"Terminator" (lançada apenas em 1991), não quis saber e "apertou" Mattei, que resolveu mudar o nome da sua obra. Nem precisava: seu andróide é tão copiado do
"exterminador" de Schwarzenegger que parece uma refilmagem do primeiro
"Terminator".
1988 foi um ano de trabalho para Mattei, que assinou nada mais nada menos de seis filmes, inclusive o horrendo "
Zombie 3", depois que Lucio Fulci desistiu da produção - feita nas Filipinas com um mínimo de dinheiro. O produtor achou que a única pessoa capaz de acabar o filme gastando pouco era Mattei, e o contratou. Mas não colocou seu nome nos créditos, vendendo o filme como se fosse uma obra de Lucio Fulci, enfurecendo o próprio Fulci! Trata-se de uma porcaria onde os zumbis correm, se escondem e lutam com os heróis, tudo menos devorá-los! As outras obras são produções convencionais de guerra e ação, que em nada lembram as tralhas de horror e ficção feitas por Mattei/Fragasso.
Os anos 90 foram tristes para os produtores italianos, que viram o mercado se fechar cada vez mais para seus filmes (eles nem eram mais exibidos nos cinemas americanos, como antigamente). Foi o declínio de muita gente criativa, como Enzo G. Castellari, Michele Soavi e muitos outros. Mattei também sofreu com isso. Seu único filme de destaque na época foi uma produção para a TV italiana chamada "Cruel Jaws/Tubarão Cruel", feita em 1995, com o pseudônimo William Snyder. Mattei, que fez também a edição do filme, simplesmente aproveitou cenas de outras produções, como "O Último Tubarão", de Enzo G. Castellari, e o próprio "Tubarão", de Steven Spielberg, "Tubarão 2", de Jeannot Szwarc, e "Deep Blood", de Joe D´Amato, mas milagrosamente nem foi processado pela façanha - e ainda economizou uma fábula em efeitos especiais, considerando que as cenas já estavam prontinhas!!! | |
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"Cruel Jaws" foi o último filme de horror de Mattei, que voltou à ativa em 2003 realizando "Snuff Trap", onde mostra sua visão sobre o universo dos snuff movies. No enredo, uma mãe desesperada procura pela filha, raptada por realizadores de filmes pornôs clandestinos, no submundo de Paris. Diferente de porcarias como "8MM", de Joel Schumacher, o filme de Mattei é repleto de sexo e violência. Mas permanece inédito nos Estados Unidos, estando disponível em vídeo e DVD apenas na Grécia!!!!!!!!
No total, Bruno Mattei dirigiu 41 filmes (incluindo o inédito "Snuff Trap), foi editor em 35 filmes (alguns dirigidos por ele mesmo) e escreveu o roteiro de 19 produções.
Além do uso de imagens de arquivo e de documentários em suas obras, Mattei também é famoso por copiar, sem constrangimento, roteiros, personagens, situações e cenas inteiras de filmes americanos famosos. O exemplo mais notável é "Hell of the Living Dead", onde os heróis são soldados da SWAT (como no filme de Romero).Mas os soldados de "Robowar" também são idênticos aos de "O Predador", e os de "Shocking Dark" parecem cópia carbono dos heróis de "Aliens, o Resgate" (existe até uma soldado machona, igual ao filme de James Cameron).
Também plagiou, sem qualquer vergonha na cara, cenas dos filmes da série "Rambo" e de "Os Caçadores da Arca Perdida" (lembra da cena em que Indiana Jones atira num árabe que se exibe com sua espada? |
Pois a cena está em
"Strike Commando 2", de Mattei, que apenas substitui Harrison Ford por Brent Huff (e o talento de Steven Spielberg pela incapacidade típica do diretor italiano).
Ironicamente, foi em meio aos anos 90, a época do declínio do cinema italiano, que Bruno Mattei passou a ser celebrado como diretor "trash" e "cult", vendo suas obras serem relançadas em caprichadas edições, primeiro em VHS, depois em DVD. Hoje seus filmes são disputados a tapa por colecionadores, e relançados em edições luxuosas em DVD. Uma verdadeira prova de que o mundo não pára de dar voltas e até quem sempre foi criticado e malhado - como
Ed Wood, Bruno Mattei e, por que não?, o "nosso"
José Mojica Marins - pode conseguir seu lugar ao sol.
Principais Filmes de Bruno Mattei
1994 -
TUBARÃO CRUEL (Cruel Jaws):Quando corpos mutilados começam a aparecer em cidade litorânea, diretor de aquário descobre que as mortes estão sendo provocadas por gigantesco tubarão-tigre e resolve caçá-lo. Mattei fez o filme a partir de cenas de outros filmes com tubarões, inclusive o próprio "Jaws", de Spielberg. Produção da TV italiana, foi lançado em vídeo nos EUA com o nome "Jaws 5"! Cena antológica: o tubarão puxa um helicóptero para dentro do mar e o devora. Epa, peraí! Esta cena foi tirada de "O Último Tubarão", de Enzo G. Castellari!!! Ah, tudo bem. Vale mesmo assim! Lançado pela América Vídeo. Mattei assina "William Snyder". Com David Luther e Scott Silveria.
1990 -
COP GAME (Cop Game):Já dando sinais do declínio do cinema italiano da época, Mattei dirige sem empenho esta aventura policial "classe Z" que se passa em Saigon, ao final da Guerra do Vietnã, quando uma dupla de policiais americanos (o péssimo Brent Huff, de STRIKE COMMANDO 2, e Max Laurel) é designada para investigar o misterioso assassinato de um oficial. Cena antológica: nenhuma (este filme é péssimo, mesmo para os padrões do diretor), sendo que 40% do filme foi feito aproveitando cenas das outras produções de Mattei (especialmente a série "Strike Commando"). Bem antes do horrendo "House of the Dead", o roteirista Claudio Fragasso teve vergonha na cara para criar um militar chamado "Capitão Kirk"!!! Para piorar, Mattei roubou uma cena de perseguição de carros de "Ark of the Sun God", filme de Antonio Margheritti,e editou no meio desta sua obra. Mas quem passar em câmera lenta pode ver alguns frames onde aparece David Warbeck, ator do filme de Margheritti (e que NÃO está no filme de Mattei), pilotando um dos carros! Pirataria total!!! Mattei assina "Bob Hunter". Lançado pela Condor Vídeo. Com Brent Huff e Max Laurel.
1989 -
SHOCKING DARK (Shocking Dark/Terminator 2):Num futuro não muito distante, a cidade de Veneza é arrasada por nuvem tóxica. Um grupo especial de soldados é formado para chegar até a cidade por um túnel subterrâneo e resgatar tecnologia de um centro de pesquisas. Eles não desconfiam da ameaça de monstros alienígenas que dominam a cidade, nem de um cyborg que está infiltrado no grupo. Plágio constrangedor de "Aliens" e "O Exterminador do Futuro", sendo que Mattei foi ameaçado de processo pelo próprio James Cameron - pois o filme foi lançado dois anos antes do "Terminator 2" oficial. Os personagens são totalmente copiados de "Aliens", sendo que existe até uma menininha resgatada pelos soldados! O andróide se chama "Samuel Fuller", nome de um famoso diretor cult americano. Cena antológica: quando finalmente aparece o rosto metálico do cyborg, no final, numa cópia deslavada de "Terminator"!!! Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado pela Condor Vídeo. Com Christopher Arens e Alex McBride.
1989 -
NASCIDO PARA A LUTA (Born to Fight): Um dos raros filmes de Mattei lançados no Brasil que eu nunca encontrei em lugar algum e nunca tive o "prazer" de ver. Novamente com roteiro de Claudio Fragasso, é um filme de ação sobre Sam Wood (o péssimo Brent Huff), um veterano da Guerra do Vietnã, convidado por uma emissora de TV para participar de um documentário sobre a batalha. Ele volta ao local onde lutou nos anos 70 com a equipe da TV e encontra um homem à beira da morte, que lhe revela um plano de terroristas internacionais para destruir os EUA. Os malvados atacam e são combatidos por Sam e por uma repórter. O filme tem até uma participação de Fragasso como ator, e deve ser uma "maravilha". Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado em vídeo no Brasil pela Condor.
1989 -
COVIL DA MORTE (Strike Commando 2): Continuação do filme de 1987, embora a história não tenha nada a ver e o herói Ranson seja interpretado por outro ator (o ainda mais canastrão Brent Huff). A aventura agora se passa no presente, quando um super soldado resolve voltar ao Vietnã para resgatar o homem que salvou sua vida durante a guerra - em mais um plágio constrangedor, desta vez de "Rambo 3"! O mais triste de tudo é ver o excelente ator Richard Harris (de "Um Homem Chamado Cavalo" e "Os Imperdoáveis", "O Gladiador", recentemente falecido) pagando mico como o amigo resgatado pelo herói, copiando o Coronel Trautman de Richar Crenna na série "Rambo". Muitas das cenas de explosões deste filme foram reaproveitadas pelo diretor nos posteriores "Robowar" e "Cop Game". Cena antológica: a cópia descarada de "Os Caçadores da Arca Perdida", na cena onde uma garota faz concurso de bebedeira e no momento onde um vilão ataca o herói com uma espada e este resolve a questão com um único tiro! Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado pela América Vídeo. Com Brent Huff e Mary Stavin.
1988 -
ZOMBIE 3 (Zombie 3): Mattei foi contratado para assumir a produção paupérrima depois que Lucio Fulci desistiu. O roteiro de Claudio Fragasso mistura "O Exército do Extermínio" e filmes de zumbis, naquele que é considerado o pior filme de mortos-vivos da história. Inédito em vídeo no Brasil. Cena antológica: este filme é tão ruim que falta espaço, mas merece ser citada aquela que já foi considerada uma das piores cenas do cinema de horror de todos os tempos, onde uma cabeça-zumbi decepada (!!!! cadê o corpo?), que estava dentro de uma geladeira (!!!! como foi parar ali???), voa (!!!!) quando um mané abre a porta do eletrodoméstico, dando uma dentada no pescoço do infeliz. É ver e chorar de rir! Mattei não ganhou crédito, apenas Fulci. Com Deran Sarafian e Beatrice Ring.
Leia o artigo de Felipe M. Guerra sobre o filme
1988 -
ROBOWAR, A CAMINHO DO INFERNO (Robowar): Soldados americanos embrenham-se em selva da América Latina para destruir grupo de guerrilheiros, ignorando a ameaça de um cyborg programado para destruir, indestrutível, que começa a caçá-los e matá-los sem piedade. O roteiro de Claudio Fragasso copia sem dó nem piedade as situações de "O Predador", misturando ainda a trama do policial biônico de "Robocop". O próprio Fragasso "interpreta" o andróide assassino. Trash para rolar de rir. Cena antológica: são muitas, mas o confronto final de Reb Brown e o predador..., ops, o cyborg assassino, é demais, inclusive pelo aveadado pulinho do herói de uma cachoeira, mostrado em câmera lenta! Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado pela América Vídeo. Com Reb Brown e Catherine Hickland.
1988 -
COMANDOS MERCENÁRIOS (Double Target): Cópia do filme "De Volta Para o Inferno": um veterano da Guerra do Vietnã (o americano Miles O´Keeffe, que já interpretou Tarzan e o guerreiro da trilogia italiana "Ator, a Águia Guerreira") monta um grupo de combatentes para voltar ao país e resgatar prisioneiros de guerra, incluindo o filho de um figurão (Donald Pleasence). A história é semelhante a "Cobra Mission", dirigido anos antes por Fabrizio de Angelis. Feito em 1988 junto com cinco outros filmes (!!!), este é um dos menos piores, com boas cenas de ação e tiroteios sangrentos. Cena antológica: um soldado vietnamita é devorado por um tubarão, sendo que Mattei filma o bicho se aproximando do coitado e depois corta para uma cena de documentário, onde um tubarão devora um pedaço de carne crua (hahahahaha)! O diretor assina "Vincent Dawn". Lançado pela AB Vìdeo. Com Miles O´Keeffe, Bo Svenson e Donald Pleasence.
1987 -
COMANDO DE ATAQUE (Strike Commando): O super soldado Michael Ranson lidera um grupo de soldados americanos com a missão de explodir uma ponte, em plena Guerra do Vietnã. Mas, graças à presença de um traidor, a missão dá errado e todos são mortos, menos o herói, que foge em busca de vingança. Cópia vergonhosa de "Rambo 2", inclusive no confronto final. Mesmo assim, fez sucesso e originou continuação. Cena antológica: o herói enfrenta o vilão russo (interpretado pelo falecido Christopher Connelly) numa vagabunda cópia do final de "Rambo 2". Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado pela AB Vídeo. Com Reb Brown e Christopher Connelly.
1987 -
ESCALPO (Scalps): Esquadrão de renegados massacra uma aldeia indígena. Uma princesa índia, única sobrevivente do massacre, é levada e torturada, até conseguir fugir e aliar-se a pistoleiro branco contra os malfeitores. O filme tem sangrentas cenas de pessoas sendo escalpeladas e um momento de gore extremo, onde o herói é arrastado por cavalos com ganchos atravessados no peito - como em "Um Homem Chamado Cavalo". Cena antológica: o vilão é esquartejado, com um superclose no seu couro cabeludo sendo arrancado! Lançado pela FJ Lucas. Mattei assina "Werner Knox". Com Karen Wood e Vassili Karis..
1986 -
APACHE BRANCO (White Apache): Único sobrevivente do massacre de um grupo de colonos por bandidos, menino branco é adotado por tribo apache. Na adolescência, ele e o meio-irmão índio se apaixonam pela mesma jovem. O triângulo amoroso acaba em tragédia. Banido da aldeia por ter assassinado o meio-irmão, o "Apache Branco" enfrenta a fúria dos caras-pálidas. Outro faroeste "trash", um dos filmes "menos ruins" de Mattei, embora contenha muitos absurdos, como o vilão que tem o rosto atingido com uma machadinha, mas sobrevive! Cena antológica: mulher grávida dá um tiro de espingarda na barriga de um malfeitor e ele segue caminhando em sua direção, com uma risada maléfica, como se fosse o Jason! Lançado pela FJ Lucas. Mattei assina "Vincent Dawn". Com Sebastian Harrison e Lola Fornet.
1984 -
RATOS (Rats, Night of Terrors): Em um mundo pós-apocalíptico, sobreviventes que vagam pela superfície desolada do planeta em busca de água e comida vão parar em cidade-fantasma. Ao hospedarem-se em velho hotel, eles descobrem que o lugar está infestado de ratos carnívoros e tratam de lutar pela sua sobrevivência. Palhaçada onde Mattei assina "Vincent Dawn". Um de seus filmes mais trash (e também um dos que ele mais gosta!). Cena antológica: os ratos entram no corpo de um morto e transformam-no em zumbi, que caminha pelo hotel até o local onde estão os seus amigos!!!. Lançado pela FJ Lucas. Com Paul Merlin e Vic Mitchell.
Leia o artigo de Felipe M. Guerra sobre o filme
1983 -
OS SETE MAGNÍFICOS GLADIADORES (The Seven Magnificent Gladiators): Em um mundo mágico da Antiguidade, sete guerreiros juntam seus poderes para combater um exército de bárbaros e livrar vilarejo da maldição de uma bruxa. Aposta arriscada de Mattei, num dos únicos filmes que assina com o nome verdadeiro. Foi fracasso de bilheteria e crítica, enterrando as pretensões do diretor (que homenageia "Os Sete Samurais" e "Sete Homens e um Destino"). Na verdade, é considerado o pior filme de Mattei (título que não é fácil de conquistar!). O filme foi produzido pela empresa americana Cannon (a mesma dos filmes de Chuck Norris), e reza a lenda que Mattei foi contratado para fazer um filme chamado "Hércules 87", mas os produtores odiaram seu trabalho e o substituíram por Lewis Coates (Luigi Cozzi), dando uma merreca para Mattei dirigir "Os Sete..." e não incomodar ninguém. Cena antológica: qualquer uma das lutas de espadas, pessimamente coreografadas. Lançado pela América Vídeo. Com Lou Ferrigno, Sybil Danning e Brad Harris.
1983 -
ESCRAVAS DA CORRUPÇÃO (Emanuelle Reports from a Women´s Prison): Aproveitando o filão WIP (Women in Prison, ou Mulheres no Presídio), Mattei coloca Laura Gemser, a eterna Black Emanuelle, como uma jornalista que provoca a própria prisão em um presídio no Novo México, tentando investigar denúncias de corrupção e tráfico de escravas brancas no local. Mas passará pela tradicional sessão de violência, estupros, tortura e humilhação. Cena antológica: Emanuelle é presa em uma cela e atacada por ratos (preparando para o próximo filme de Mattei, RATOS). Mattei assina "Vincent Dawn". Lançado pela América Vídeo. Com Laura Gemser, Gabriele Tinti, Leila Ducci e Raul Cabrera.
1981 -
PREDADORES DA NOITE (Hell of the Living Dead): Vazamento de gás tóxico em centro de pesquisas na Nova Guiné espalha praga que transforma cientistas e nativos em zumbis canibais. Uma força especial da Swat é enviada para controlar a situação e trata de defender um grupo de turistas dos ataques dos mortos-vivos. Cena antológica: Santoro, um dos policiais, deixa a metalhadora de lado e pula no meio de um grupo de zumbis, gritando: "Você quer me morder? Você quer me morder? Desculpem, mas eu não estou no cardápio de hoje". Isso sem contar a cena do "rato zumbi" (é ver para crer) e o momento especial onde um dos heróis bota vestidinho de ballet e começa a sapatear e cantar "Singing in the Rain", antes de ser devorado vivo pelos mortos! Lançado pela AB Vídeo. Com Frank Garfield e Roger O´Neill.
Leia o artigo de Felipe M. Guerra sobre o filme
1980 -
THE OTHER HELL (L´Altro Inferno): Mistura de pornografia e horror sangüinolento, na primeira aposta de Mattei no gênero, já com roteiro de seu parceiro Claudio Fragasso. Em um convento, um padre é chamado para investigar possessões demoníacos, que transformam freiras em assassinas loucas de desejo. O fato pode ter relação com um episódio negro acontecido no local há muitos anos, e ocultado pela Madre Superiora. Cena antológica: todas aquelas envolvendo mutilação sexual e violência contra animais (uma galinha tem sua cabeça decepada). Mattei assina "Stefan Obloswky". Inédito em vídeo no Brasil. Com Carlo De Mejo, Franca Stoppi e Susan Forget.
1979 -
CICCIOLINA, MEU AMORZINHO (Cicciolina Amore Mio): Pornô dirigido em parceria com Amasi Damiani (que assina A. V. Dike), e estrelado pela rainha da pornografia na época Ilona Staller, a sensual Cicciolina. No enredo, um rapaz (Enrico Bessler) se apaixona por Cicciolina ao ver suas fotos no jornal. Ele consegue marcar um encontro com a musa, mas se decepciona ao ver que, pessoalmente, ela é toda certinha. Assim, resta ao apaixonado fantasiar cenas de sexo ardente com Cicciolina. Cena antológica: é um filme pornô, meu! Lançado pela Rossi Vídeo. Mattei assina com o pseudônimo "Jimmy Matheus". Com Ilona Staller (Cicciolina) e Enrico Bessler.
1978 -
AS NOITES ERÓTICAS DE EMANUELLE (Emanuelle and the Erotic Nights): Não é propriamente um filme, mas sim um documentário sexploitation, onde a atriz Laura Gemser faz uma viagem pelo mundo mostrando os hábitos sexuais dos diferentes povos, passando desde inferninhos da cidade grande até rituais violentos de tribos indígenas. Muita coisa é "fabricada" e vendida como se fossem cenas reais (a exemplo da série "Faces da Morte"). Cena antológica: diversas, considerando que o filme na verdade é uma colagem de diversas cenas. Mattei assina "J. Mettheus" e o filme foi co-dirigido pelo mestre da sacanagem Joe D´Amato. Lançado pela VMW. Com apresentação e narração de Laura Gemser.
1977 -
GAROTAS DA SS (SS Girls): Depois do famoso atentado em julho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, o ditador alemão Adolph Hitler encarrega um subordinado de cumprir missão exótica: recrutar um grupo de prostitutas e treiná-las para realizar todas as fantasias eróticas de seus generais. Pornô softcore misturado com nazismo e violência, em exploitation clássico, cópia vagabunda de "Salon Kitty", do italiano Tinto Brass, que tinha o mesmo enredo (mas se levava mais a sério). Cena antológica: as de sadomasoquismo envolvendo Hans Schellen (Gabriele Carrara), a "chefe do bordel". Mattei assina "Jordan B. Matthews". Lançado pela VMW Vídeo. Com Gabriele Carrara e Thomas Rudy.
Curiosidades
- Bruno Mattei quase nunca assina seu verdadeiro nome, seja como diretor, editor, roteirista ou ator. Ele tem uma galeria de 17 pseudônimos, um para cada ocasião: Werner Knox é para os filmes de faroeste, Vincent Dawn para os filmes de horror, ficção e ação, Jordan B. Matthews para os pornôs softcore, e por aí vai. Temos ainda os nomes William Snyder, Michael Cardoso, Norman Dawn, Erik Montgomery, George Smith, entre outros. Então, cuidado ao pegar um filme na locadora: sem querer, você pode estar locando uma tralha de Bruno Mattei!!!
- No documentário "Hell Rats of the Living Dead", Mattei justificou dizendo que considera todos os seus filmes (41, contando com o ecente SNUFF TRAP) como se fossem seus filhos, mas que não costuma gostar do resultado final (por que será?) e que adoraria refilmar cada um deles. Por isso, usa pseudônimos ao invés de assinar com seu verdadeiro nome. Sei...
- É amigão do roteirista Claudio Fragasso, tanto que o credita como "assistente de direção" em diversos dos seus filmes, às vezes até deixa Claudio dirigir cenas dos seus filmes. Em retribuição, Fragasso adora dar entrevistas dizendo que Mattei é um péssimo diretor. hehehehe. Vá entender.
- Ele trabalhou com Fragasso como roteirista em 14 filmes. Já Fragasso foi diretor de segunda unidade ou assistente de direção em 10 filmes de Mattei.
- Mattei fez uma ponta como ator em um dos seus piores filmes, ZOMBIE 3 (que começou a ser dirigido pelo veterano Lucio Fulci). Ele aparece durante cinco segundos como um dos soldados no crematório.
- O primeiro trabalho cinematográfico de Mattei foi como editor de som no filme MACISTE CONTRO I MONSTRI, dirigido em 1962 por Guido Malatesta. Também é uma das suas únicas participações assinando "Bruno Mattei", e não com pseudônimo.
- Seu primeiro filme é de 1970. Antes disso, a partir de 1962, ele trabalhou como editor de filmes para terceiros. Foi ele o responsável pela montagem de obras como AGENTE 3S3 - MASSACRO AL SOLE (de Sergio Sollima, de 1966), usando o pseudônimo Jordan B. Matthews, EL CONDE DRACULA (de Jess Franco, feito em 1970 e estrelado por Christopher Lee), e BLACK COBRA (de Joe D´Amato, 1976). Também foi editor de vários dos seus filmes.
- Ele é creditado como escritor dos seus filmes CRUEL JAWS (1995), STRIKE COMMANDO (1988), ESCALPO (1987), HELL OF THE LIVING DEAD (1981), entre outros.
- Com o pseudônimo "Gilbert Roussel", trabalhou como assistente de diretor de Lamberto Bava em 1984, no pavoroso MONSTER SHARK (a ruindade de Mattei deve ter contaminado Bava).
- O multifacetado Mattei também compôs a trilha sonora do filme ERÉNDIRA, de 1983, dirigido por Ruy Guerra, e inclusive participa das músicas tocando acordeon!!!
- Trabalhou com a musa pornô de outrora Cicciolina (Ilona Staller) no filme X-Rated, CICCIOLINA AMORE MIO, de 1979 (onde assina "Jimmy B. Matthews). Também fez filmes eróticos, com cenas de sexo softcore, estrelados pela "Black Emanuelle" Laura Gemser.
- Teve a cara-de-pau de declarar que o pavoroso RATOS (1984) é sua versão para o clássico A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, de George A. Romero, apenas substituindo os zumbis por ratos! Só não explicou como ratinhos minúsculos conseguem derrubar portas e possuir seres humanos!!!
- Bruno Mattei não fala uma palavra de inglês.
- Quentin Tarantino é um fã confesso de HELL OF THE LIVING DEAD. Mattei não gosta muito do filme porque tinha dois roteiros à disposição e os produtores escolheram justamente aquele do qual ele não gostava.
Texto: Felipe M.Guerra