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Ah, a Itália e seus diretores... Ah, o coração da floresta e seus canibais... Possivelmente o leitor mais iniciado no terror já deve ter assistido, ou pelo menos ouvido falar, sobre umas boas dúzias de filmes assim. Diretores como Lenzi, Deodato e companhia entregaram roteiros fuleiros apenas para jogar um punhado de incautos expedicionistas no meio do mato a padecer nas mãos das quase sempre tribos locais comedoras de carne humana. A diversão nestes casos está na carga ofensiva e grotesca da violência, o que quase sempre conseguiam.
Em 1978, o versátil diretor Sergio Martino resolveu contribuir com seu próprio filme neste gênero, ou seja, estava a fim de ganhar alguns trocados. Infelizmente fez um filme bastante inferior ao de seus conterrâneos mais famosos, tanto sob os aspectos técnicos, quanto na sua tentativa de chocar o espectador, porém se Martino não fez uma produção melhor pelo |
menos colocou uns rostinhos mais conhecidos do grande público e isto é o primeiro dos motivos para assistir A MONTANHA DOS CANIBAIS.



Susan Stevenson (Ursula Andress imortalizada em
007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO) é a esposa de um famoso expedicionista perdido nas florestas da Nova Guiné (assim como poderia ser nas Filipinas, Amazônia, etc.). Assustada com a possibilidade de seu marido estar morto, ela e seu irmão Arthur Weisser (Antonio Marsina) vão pedir ajuda ao consulado britânico, porém ela é informada pelo cônsul Burns (Lanfranco Spinola) que as buscas foram interrompidas porque a expedição foi conduzida ilegalmente.



Com as mãos atadas e por indicação do próprio cônsul, os dois procuram o professor Edward Foster (Stacy Keach de
FUGA DE LOS ANGELES e
ENIGMA NA ESTRADA, hoje pode ser visto no seriado
PRISION BREAK), amigo do marido de Susan, que acredita que o desaparecimento foi próximo a uma montanha sagrada que os nativos crêem conter uma maldição.



Susan convence Edward a fazer uma expedição de resgate, mesmo contra as leis locais e suas próprias crenças. Para acompanhá-los destacam vários nativos locais, entre eles um que foi praticamente criado por Edward chamado Asaro.
Depois de encontrarem uma aranha venenosa no caminho, os nativos acompanhantes dos três fazem um ritual, sacrificando um lagarto e comendo suas entranhas ainda cruas. Não entendo muito da anatomia dos lagartos, mas aparentemente este era real, hehe... Nada ofensivo demais, no entanto não é uma coisa legal de se ver enquanto almoça.
A polícia circunda a área de helicóptero e isso desperta a fúria (sem muito propósito) de Arthur, fazendo com que quase todos fujam, menos Asaro. Por isso, é estranho quando na cena seguinte vários outros nativos estejam acompanhando o grupo. Em seguida pegam um barco e chegam à ilha onde está a montanha, encontram um corpo na praia que é de um leproso com um amuleto e o canivete do marido de Susan.



Um integrante de uma das tribos canibais há muito perdidas dá um sumiço em Asaro. Nos dias que se seguem os componentes nativos (e conseqüentemente descartáveis) morrem na floresta, sejam pelos animais, sejam pelos canibais. Sobrando apenas os três, acontece então que Susan é perseguida, mas é salva por Manolo (Claudio Cassinelli de
KERUAK, O EXTERMINADOR DE AÇO), um médico que trabalha na missão do padre Moses (Franco Fantasia do western
SABATA, ADEUS), velho amigo de Foster.
Na missão é explicado mais sobre a tribo dos Puka, que logicamente duvidavam de sua existência, até o momento. A mala sem alça do Arthur comete adultério e o grupo é expulso do acampamento, entretanto Manolo resolve ajudar e seguir viagem até a montanha, mas os canibais estarão esperando (com direito a uma hilária aparição de um canibal anão) e eles não são tão amigáveis como o padre Moses.



Cesare Frugoni, o roteirista, não deve ter tido muito trabalho na concepção de sua história, também não é para menos, só que em uma tentativa de fazer uma reviravolta surpresa acaba falhando, pois é o tipo de revelação que todos os que acompanharam desde o começo já esperavam.



E claro que não ficaria completo sem uma cena de violência animal, neste caso uma cobra que se enrola em um macaquinho que tenta, em vão, escapar enquanto tem sua vida drenada pela serpente. Para quem não está acostumado pode parecer ofensivo, entretanto não é nada muito mais violento do que um documentário da National Geographic.



Sergio Martino, que em sua carreira já fez de tudo um pouco, peca não só por entregar um trabalho menos chocante, mas principalmente por ficar embromando metade do filme. A bem da verdade a tribo só aparece efetivamente no ato final, faltando menos de meia hora, e aí precisa dar uma certa corrida para acabar a história, não dando muito tempo para que o espectador dê importância para o destino dos personagens.



Mas apesar do que eu disse não é de todo ruim, existem cenas bastante gráficas com efeitos simples e convincentes, como a aguardada cena da castração, entretanto colocando em um paralelo com
CANNIBAL HOLOCAUST e
CANNIBAL FEROX fica bem inferior.



Outro motivo que poderia levar o espectador incauto a assistir à produção é Ursula Andress, que mesmo com mais de 40 anos permanecia linda e talentosa. Já que estamos falando de elenco, ele é melhor do que a maioria (se não todos) os filmes de canibais desta época, à exceção de Antonio Marsina que é um fardo para o público de tão ruim.



Lançado há muito tempo pela extinta Pole Vídeo, para quem não é iniciado no gênero canibal fica a dica, mas se quiser ficar chocado de verdade prefira os mais famosos
CANNIBAL HOLOCAUST e
CANNIBAL FEROX.


Gabriel Paixão
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A MONTANHA DOS CANIBAIS (La Montagna del dio cannibale/The Montain of the Cannibal God, Italia, 1978).
Direção: Sergio Martino
Roteiro: Cesare Frugoni; Sergio Martino
Produção: Luciano Martino
Fotografia: Giancarlo Ferrando
Música: Guido De Angelis; Maurizio De Angelis
Edição: Eugenio Alabiso
Desenho de Produção: Massimo Antonello GelengBR>
Maquiagem: Franco Freda
Efeitos Especiais: Paolo Ricci
Elenco: Ursula Andress (Susan Stevenson); Stacy Keach (Professor Edward Foster); Claudio Cassinelli (Manolo); Antonio Marsina (Arthur Weisser); Franco Fantasia (Padre Moses); Lanfranco Spinola (Consul Burns); Carlo Longhi (Phil); Luigina Rocchi (Sura); Akushula Selayah; Dudley Wanaguru; T.M. Munna; M. Suki; Giovanni Masini; Franco Cuccu; Franco Coduti; Claudio Morabito; Alfredo Senzacqua; Angelo Pennoni; Franco Freda; Adalgisa Favella; Rodolfo Ruzza; Giuseppe Romano; Luciana Pianella; Paolo Ricci; Matteo Giordano; Fernando Massaccesi; Mario Massaccesi
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