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Não preciso ficar gastando muitas linhas para dizer o quão divertido e interessante é A VOLTA DOS MORTOS VIVOS, um clássico moderno do terror e do humor negro e que, se você não assistiu, interrompa agora esta leitura e adquira cultura rapaz! hehehe... Considerando a importância que esta produção teve em sua época e até hoje, tanto pela qualidade nos aspectos técnicos quanto pela sua rentabilidade financeira (pagou seu custo de produção só no fim de semana de estréia), não é de se admirar que diversos outros produtores gananciosos se deixem levar pela cor das verdinhas e comecem a criar cópias picaretas sem o menor sentido de existir, a não ser enganar o público para faturar.
Mas existe ao menos um filme que se destaca dos demais por não ser uma cópia escrachada, ao contrário, podendo ser considerado realmente inspirado em sua grande influência, demonstrando uma boa dose de personalidade própria. Divertindo, sem ser picareta de copiar páginas inteiras do roteiro de sua influência, conduzindo o espectador a um viagem interessante e ao mesmo tempo sangrenta. |
A MALDIÇÃO DO NECROTÉRIO, o filme sobre o qual estou falando lançado em 1991, é uma daquelas produções para se ver com os amigos a fim de passar momentos de pura descontração. Mas não se deixe enganar pelo encarte (onde um poodle está carregando ossos de um braço humano cheio de sangue), é um filme de baixo orçamento, sem ser trash.


Alley Cates (Deborah Rose) é uma parapsicóloga que no passado ajudou a polícia a solucionar casos com um toque mais sobrenatural - pense nela como sendo uma versão feminina e obesa de Frank Black (do seriado
MILLENIUM) - cujas dores causadas em suas visões fizeram com que ela parasse com este ofício e vivesse reclusa em sua residência.
Entretanto o detetive veterano Jersey Callum (Ed Nelson, participou de vários filmes B cinquentistas como
A BUCKEO OF BLOOD e
ATTACK OF THE CRAB MONSTERS, ambos dirigidos por
Roger Corman) e seu parceiro novato Gordon Mullin (James Eustermann) vão precisar da ajuda dela mais uma vez, para tentar resolver um caso que desafia os métodos convencionais de investigação: a morte de três crianças chinesas, provavelmente em um ritual de magia negra, que foram forçadas a comer carne de cadáveres humanos (caraca!).


A muito custo, Callum convence Alley a ajudar a polícia por uma última vez com a única pista que a polícia tem: uma confissão muito mal explicada, onde um tal de Sr. Chen (Robert Yun Ju Ahn), o único suspeito e o agente funerário do lugar onde o ritual aconteceu, afirma que o fez por medo, que este tipo de ritual se repete a três séculos e que se os corpos não forem alimentados eles irão se alimentar por conta própria. Não explica muita coisa, mas já é um princípio.
O trio resolve ir ao necrotério, pois quem sabe vendo os corpos as coisas fiquem esclarecidas? Mas lá chegando encontram a barreira burocrática, a chatice e o humor sarcástico da Srta. Poopinplatz (Phyllis Diller a voz da monstra velha em
A FESTA DO MONSTRO MALUCO), a recepcionista de plantão. Depois de muita conversa mole a equipe consegue ver os três corpos apenas através de um monitor, onde o Dr. Sheppard (Norman Fell de
C.H.U.D. II e
A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM) conduzirá a autópsia baseado nas instruções dos investigadores. A pedido de Alley, Sheppard manda uma mecha de cabelo de uma das crianças, onde a paranormal irá tentar visualizar o que realmente aconteceu.


Poopinplatz arruma uma treta com o entregador de presuntos Marty (Willie Stratford Jr.), que tenta encaminhar uma nova entrega pelo elevador de serviço, pois a entrada específica para isto estava quebrada. Jersey consegue apaziguar o conflito e segue com Marty e Mullin para o necrotério, mas, para a surpresa de todos, no início da autópsia da garota suicida de nome Dana (Denise Young), descobre-se que ela não está morta! Apenas ficou inconsciente.
Neste meio tempo, Alley tem uma visão não muito agradável: as crianças mortas estão voltando a vida como pequenos monstros zumbis que parecem mumificados. A mulher se assusta e corre para o necrotério. Entretanto, para sua infelicidade e alegria do público, a visão aconteceu mesmo e agora Alley, a dupla de investigadores, o Doutor Sheppard e a suicida fracassada Dana precisam sobreviver às intempéries daquela noite e arrumar um jeito de acabar de vez com as crianças assassinas.


O roteiro escrito por James Cummings, apesar de muito parecido com
A VOLTA... consegue colocar um
"quê" de novidade e originalidade quando introduz os zumbis chineses e sacadas como a forma com que os cativos conseguem suas armas e outras situações inusitadas, claro que há algumas coisas a mais e eu seria maldoso se contasse as peculiaridades do roteiro e da produção sem estragar surpresas, as mesmas que eu tive quando assisti pela primeira vez, portanto deixo esta parte para que o público interessado descubra por si só.
Entretanto é preciso assumir que certas coisas não funcionam adequadamente, como o dom da paranormal Allie, que simplesmente não serve de nada depois que os monstrinhos aparecem, e algumas passagens bobas como o envolvimento romântico entre a garota suicida e o policial novato, que poderiam ser facilmente limadas.


Cummings também manda na direção e consegue imprimir o ritmo adequado à proposta do filme na maior parte do tempo. A única falha mais grave ao meu ver é que começa em um tom mais sóbrio, até uns 20 minutos de filme, e ainda depois, de vez em quando, a ação é interrompida para que o diretor explique mais do passado das personagens de maneira dramática; o que além de quebrar a movimentação, deixa o público um pouco confuso se este é um filme para ser levado a sério ou não.
Um grande ponto deve ser dado à equipe de efeitos especiais: A maquiagem de primeira das crianças zumbis e os monstros animados exagerados que aparecem no decorrer do filme são muito bem feitos, acima da média, alguns causando risos e outros nojo, mas tudo propositadamente.


O elenco é muito bom e também é digno de menção. Todos eles sem exceção desempenham bem o seu papel (o casal é um pouco meloso, mas é bom também) e ajudam a criar aquele climão de
"isso não pode estar acontecendo!" que acompanham todas as seqüências que se passam no necrotério.
Portanto, se você gostou de
A VOLTA DOS MORTOS VIVOS, vasculhe, procure e se encontrar um poodle com uma ossada humana na boca, não hesite em alugar ou comprar, pois você tem grandes chances de curtir
A MALDIÇÃO DO NECROTÉRIO.
Curiosidades: 

- Em seu lançamento em vídeo nos Estados Unidos,
A MALDIÇÃO DO NECROTÉRIO saiu com duas versões nas caixas do VHS. A primeira o promovia como um filme de horror (com um monstro na capa), a segunda (vagamente parecida com a nacional, com o poodle) como comédia.


- Os produtores procuraram primeiramente o rockeiro Alice Cooper (
MONSTER DOG) e o ator veterano Clu Gulager (
DO SUSSURO AO GRITO,
A HORA DO PESADELO 2,
THE HIDDEN) para os papéis principais, curiosamente Gulager também participou de
A VOLTA DOS MORTOS VIVOS no papel de Burt Wilson.



Gabriel Paixão
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A MALDIÇÃO DO NECROTÉRIO (The Boneyard, EUA, 1991). Duração: 98 minutos.
Direção: James Cummins
Roteiro: James Cummins
Produção: Richard F. Brophy; Phil Smoot
Produção Executiva: Richard F. Brophy
Fotografia: Irl Dixon
Música: Katherine Anne Porter; John Lee Whitener
Efeitos Especiais: Ray Bivins; James Cummins; Tom Williamson
Maquiagem: John R. Bayless; Andy Clement
Elenco: Ed Nelson (Jersey Callum); Deborah Rose (Alley Cates); Norman Fell (Dr. Shepard); James Eustermann (Gordon Mullen); Denise Young (Dana); Willie Stratford Jr. (Marty); Phyllis Diller (Sra. Poopinplatz); Robert Yun Ju Ahn (Chen); Sally Middleton; Rick Brophy; Martin Thompson
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