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Hollywood está mesmo sem idéias. O cúmulo dessa afirmação foi a intenção de
refilmarem "A Bruma Assassina" que mesmo sendo um bom filme, convenhamos (e olha
que eu sou um de seus maiores fãs) nunca foi importante para o cinema fantástico.
Filmes como "Massacre da Serra Elétrica" e "Despertar dos Mortos" até que têm um
por quê de serem refilmados devido à grande fama que alcançaram, mas refilmar "A
Bruma Assassina"? Um ótimo, mas talvez o menos famoso filme de John Carpenter no
gênero? Como um grande fã do filme original - costumo colocá-lo em qualquer lista
dos 10 filmes mais importantes da minha vida- resolvi fazer esse artigo. Tentarei
aqui ser o mais imparcial possível, mas é impossível que não haja comparações.
Prometo, no entanto, conter a "fúria |
adolescente" que se manifesta quando alguém
faz besteira em algo que gostamos muito.


A refilmagem de "
A Bruma Assassina" (lançada aqui como
A Névoa) tomou ares de
lenda urbana. Isso porque foi anunciado, teve trailers nos cinemas e até pôsteres
pendurados. Em um cinema da minha cidade o pôster ficou semanas, até depois da
distribuidora ter cancelado a estréia nos cinemas nacionais e dito que iria lançar
diretamente em DVD. Isso porque o filme foi um fracasso (merecido) de bilheteria e
de crítica. No Rotten-Tomatoes, um site famoso de críticos de internet, a cotação
do filme ficou abaixo de
House of the Dead! Hehehehe, teve críticos dizendo coisas
hilárias como
"Onde está Tom Atkins quando se precisa dele"? hehehe. Aqui houve um
período de silêncio gigantesco, muita gente nem estava se lembrando que havia uma
refilmagem de "
Bruma Assassina" até que finalmente o filme chegou às locadoras.


"
A Névoa" se passa em Antonio Bay, Oregon e não Antonio Bay Califórnia como no
filme original. Do farol, a radialista Stevie Wayne (Selma Blair) comanda o
programa de rádio local, ao mesmo tempo que dá aviso aos navegantes sobre qualquer
coisa estranha no mar. A tal cidadezinha se prepara pra comemorar seu centenário e
com isso homenagear os membros fundadores, mas pra quem viu o filme original sabe
que boa coisa não vem aí. O interessante do remake é que diferente de muitos
remakes atuais, os personagens do original são mantidos, assim como há uma Stevie
Wayne, há um Nick Castle, uma Elizabeth, um padre Malone, etc...
Nick Castle no caso foi interpretado por Tom Welling, o super-homem da série deTV
Smallville. Nem preciso dizer que a escolha foi totalmente errada, não tanto pelo
ator que é gente fina, mas é o tipo de papel que nunca convence mesmo se Tom
Welling fosse o melhor ator do mundo! É o mesmo que colocar Brad Pitt como um
cobrador de ônibus. Há certos atores pra certos papéis - isso é fato -, e Tom Weeling
neste poderia ser tudo menos um pescador! Bem, poderia ser um
modelo-pescador...hehe


Bem, Nick Castle assim como no original é responsável pela traineira Sea Grass e
vive na cidadezinha de Antonio Bay amargando um
"fora" que levou da namorada
Elizabeth Willis (Maggie Grace, de
Lost), que foi pra Nova York há seis meses. Pra
quem não se lembra, Elizabeth é o mesmo personagem interpretado por Jamie Lee
Curtis no original, só que, no original, ela conhecia Nick Castle (Tom Atkins): ao pedir
carona, então deram início a um relacionamento amoroso. Na refilmagem, eles já tinham um
relacionamento até que a moça resolve ir pra Nova York. O bonitão que faz? Resolve
dar uns pegas na Stevie Wayne..hehehe


Só que Elizabeth retorna pra cidadezinha e volta para o amado Nick. só que a
menina começa a ter visões (???) estranhas do tipo
"que-explicam
tudo-e-são-mais-úteis-que-ler-um-diário-que-conta-toda-a-trama". Paralelo a isso
uma névoa que se move contra o vento começa a invadir a cidade vagarosamente.
Durante uma noite no mar, os amigos de Nick levam umas piranhas pro Sea Grass para
uma festinha, até que são atacados impiedosamente pela neblina. Durante todo o
filme, podem reparar, a neblina parece ter fetiche em atirar pessoas pela janela,
tamanha a quantidade de cenas assim.


Nessa refilmagem NADA, mas absolutamente NADA se salva. Seja analisando como
remake ou filme independente, é uma bomba, cheia de furos (consegue ter mais furos
que o filme de Carpenter), e nenhum, mas nenhum mesmo momento de suspense. No meu
artigo sobre "
A Bruma Assassina" comentei que uma das coisas mais legais do filme
era não usar flashbacks, pois chegava a ser muito mais interessante imaginar o
terror que se abateu sobre Blake e seus homens do que simplesmente acompanhar os
acontecimentos. Aqui é tudo mostrado, tintin por tintin através dos flashbacks pro
pessoal que não gosta de imaginar muito..


Outra coisa legal do
THE FOG original era o fato de simplesmente sugerir do que
mostrar. Praticamente não há sangue e é tudo sugerido, os fantasmas sempre estão
envoltos em neblina e escuridão. E não há sangue, só que mesmo assim consegue ser
mais violento que a refilmagem! Também no âmbito do sugerir, compare as duas
versões onde um cadáver do necrotério
"volta à vida" pra dar um recado à
Elizabeth. Na versão de Carpenter o suspense estava totalmente no fato de vermos
aquele vulto embaçado atrás de Jamie Lee Curtis caminhando vagarosamente em
direção a ela, nem precisávamos ver o estado de sua face, já que o legista havia
dado informações aterrorizantes sobre o estado do corpo em questão. No remake, o
cadáver levanta (e o diretor faz questão de mostrar seus olhos furados) vai até
Elizabeth e ainda tem tempo de dizer uma frase antes de cair estatelado no chão!


Outra característica do
THE FOG original que expus no artigo foi o fato do roteiro
ser dividido em núcleos e esses núcleos se encontrarem (com exceção de Stevie
Wayne) no clímax do filme na igreja do padre Malone. Aqui praticamente todos se
conhecem, na verdade chega a dar a impressão que a cidadezinha só tem meia dúzia
de pessoas já que as coincidências são tantas. O personagem do padre Malone é um
porre (nos dois sentidos)! Passa o filme todo bebendo e falando asneiras e
alertanto, igualzinho aqueles velhos sem nada pra fazer da série
Sexta-feira 13.
Selma Blair, no entanto se destaca. A seu modo consegue ser tão sexy quanto
Adrienne Barbeau no filme original, mas mesmo assim ela não convence como mãe. A
não ser que tenha tido o filho com uns 15 anos de idade, porque ela está com cara
e trejeitos de adolescente em muitos momentos.


Sem contar que o roteiro é cheio de furos. Durante o ataque ao Sea Grass, um
personagem sobrevive e consegue filmar a tragédia. Mais tarde a polícia passa a
desconfiar do tal personagem, pensando que ele mesmo foi que assassinou os outros,
mas claro que ele tinha a filmagem como prova! A anta do Nick Castle o que faz?
Rouba a câmera da cena do crime, entrega para Elizabeth e diz:
"Essa talvez seja a
prova da inocência dele". Putz, mas pra que esconder da polícia? Não era mais
fácil entregar para os policiais, assim não iriam desconfiar de seu amigo? Além do
mais, todos os personagens do filme parecem ter sido reprovados no teste de QI,
pois é um festival de asneira só. Em certo momento, Elizabeth acorda e vê que no
teto pegadas molhadas se formam e depois há batidas suspeitas na porta. A genial
garota o que faz? Abre a porta e fica de calcinha lá fora vendo se tem alguém!
Ainda tem o fato do filme ser chato demais! Tem aproximadamente uma hora e
quarenta minutos, mas
parece ter umas 3 horas! Não foram poucas as vezes que apertei o botão do menu DVD
pra ver quanto tempo faltava de filme.


Quando os produtores contataram Carpenter sobre fazer o remake, o velhinho nem
pensou duas vezes:
"Vão em frente, me façam rico!", disse em certa ocasião.
Carpenter acabou sendo o produtor executivo, assim como sua parceira velha de
guerra Debra Hill, que infelizmente faleceu antes do filme estar pronto. Ela
estava com um câncer que a obrigou a amputar as duas pernas, mas estava firme na
produção do projeto. Uma pena que a grande Debra Hill tenha se despedido com essa
bomba colossal, mas isso no fundo não importa pois Carpenter e Hill serão mais
lembrados por um filme pequeno com neblina feito no fim dos anos 70 do que por uma
refilmagem esquecível do novo século.
"Há uma postura cultural hoje em dia que diz que tudo que tem mais de 15 anos é
velho e fora de moda"
JOHN CARPENTER, no MAKING OF de "
A NÉVOA".
A NEBLINA DE ONTEM E HOJE
Diferenças gritantes (ou não) entre as duas versões.
+A História de Blake e seus fantasmas -
Originalmente Blake era um homem muito rico, atingido pela lepra, que só quer um
pedaço de terra pra viver com sua comunidade na futura Antonio Bay. Os fundadores
então aceitam a proposta, mas roubam o ouro de Blake e criam uma fogueira falsa
nas rochas da Baía para que o galeão de Blake naufrague e mate todos os leprosos.
Com o tesouro, fundariam Antonio Bay. 100 anos depois, os fantasmas de Blake e
compania resolvem reaver seu ouro e se vingar, matando todos os descendentes dos
conspiradores originais.
Na refilmagem é quase a mesma coisa, ao passo que tudo é contado em flashbacks (no
filme de Carpenter tudo era somente dito). Aqui Blake é traído só que preso junto
com os leprosos no porão de seu navio onde são queimados vivos pelos
conspiradores. Só que a motivação da vingança de Blake e seus fantasmas é a mais
idiota possível. Que ouro que nada, eles querem é um pedacinho de terra e uma
namorada pra Blake! Argh! E ainda cometem a asneira de não matarem todos os
descendentes dos traidores!
+ Os descendentes dos conspiradores
No original, Blake e seus fantasmas decidem se vingar dos descendentes
conspiradores originais, por isso durante o filme todo só matam 6 pessoas, apesar
de perseguirem outras aparentemente sem motivo (um dos furos do filme de
Carpenter).
Em "
A NÉVOA" é festa do crioulo doido! Eles matam qualquer pessoa. Ok, seria até
melhor, mas porque não mataram TODOS os descendentes dos conspiradores???
Blake prefere matar alguns com mais ênfase nos descendentes de Malone. O diretor e
o roteirista ainda preferem criar coincidências ridículas (como eu já havia
citado) como o fato de Nick Castle e Stevie Wayne também serem descendentes dos
traidores! E pior, eles não são mortos!
Bruno C. Martino
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A NÉVOA (The Fog, Canadá/EUA, 2005). Duração: 103 minutos
Direção: Rupert Wainwright
Roteiro: Cooper Layne, a partir do roteiro original de John Carpenter e Debra Hill
Produção: John Carpenter; David Foster; Debra Hill
Produção Executiva: Derek Dauchy; Todd Garner; Dan Kolsrud
Música: Graeme Revell
Fotografia: Nathan Hope
Edição: Dennis Virkler Desenhos de Produção: Michael Diner; Graeme Murray
Direção de Arte: Michael Diner; Catherine Schroer
Elenco: Tom Welling (Nick Castle); Maggie Grace (Elizabeth Williams); Selma Blair (Stevie Wayne); DeRay Davis (Spooner); Kenneth Welsh (Tom Malone); Adrian Hough (Padre Robert Malone); Sara Botsford (Kathy Williams); Cole Heppell (Andy Wayne); Mary Black (tio Connie); Jonathon Young (Dan); R. Nelson Brown
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