NIGHTS OF THE TERROR, THE
por Felipe M.Guerra
"Eles virão entre os vivos como mensageiros da morte... e será A NOITE DOS MORTOS-VIVOS!"
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O povo etrusco é um dos mais antigos da história da humanidade. Se desenvolveram antes mesmo do início da civilização romana, no primeiro milênio antes de Cristo, ocupando a maior parte da península itálica (incluindo Roma) durante mais de seis séculos. Os etruscos tinham como característica o fato de fazerem comércio com as províncias mais distantes, em toda a região do Mediterrâneo. Sua longa rede comercial se estendia do Norte até o Mar Báltico, onde comercializavam, principalmente, âmbar.
Outro detalhe importante é que os etruscos foram uma espécie de ponte para que os deuses da Antiga Grécia fossem difundidos na Itália e entre o futuro Império Romano, que adotaria os mesmos deuses gregos, mudando apenas o nome das divindades. | Eles desenvolveram, ainda, uma variação do alfabeto grego, influenciando as letras romanas e, posteriormente, o alfabeto do Norte da Europa.
Construíram, ainda, as primeiras cidades da Itália, todas com uma estrutura muito bem organizada, numa época em que as colinas de Roma nem sonhavam com o esplendor do futuro Império Romano, e eram semelhantes a terrenos baldios. A influência etrusca é percebida na arquitetura e nas artes dos romanos.
 
Quando sua civilização entrou em decadência, em parte dizimada por guerras da época, iniciou a ascensão do Império Romano, adotando muito da cultura etrusca e relegando este povo fascinante e misterioso ao esquecimento. Até hoje, muito pouco se sabe sobre os etruscos e sua cultura, sendo que a cada dia são feitas novas descobertas em escavações arqueológicas realizadas no Norte da Itália.
Caray! E o que todo esse papo de aula do 2º Grau tem a ver com aquele filme de terror italiano chamado NIGHTS OF TERROR, afinal de contas???  |
Pois é, já ia chegar lá... O filme de Andrea Bianchi (que, apesar do nome, é um cara... e feio, ainda por cima!) tem um monte de etruscos. Mas pode esquecer tudo que está escrito aí em cima: os etruscos estão todos mortos, transformados em zumbis putrefatos que não querem saber de louvar deuses greco-romanos nem de comercializar âmbar no litoral do Mar Báltico, mas sim de trucidar e devorar pobres seres humanos!
Percebe-se, logo de começo, que NIGHTS OF TERROR é um filme impossível de levar a sério. Afinal, com tanto tipo de zumbi para inventar, os caras me vêm com ZUMBIS ETRUSCOS???? |
Não que isso faça diferença, considerando que os tipos esqueléticos e apodrecidos que cambaleiam pelo cenário lembram tanto etruscos quanto árabes, mouros ou japoneses, ou seja, são apenas monstros decompostos, e o fato de pertencerem à antiga civilização etrusca nada acrescenta ao roteiro ou à história. Entendeu? Então pode esquecer tudo sobre o povo etrusco agora!  
Bem, começando então: NIGHTS OF TERROR, de 1980, é um daqueles filmes que a gente tem vergonha de dizer que gosta. Na verdade, ele provoca reações antagônicas, e é preciso apreciá-lo mais de uma vez.
Quando vi pela primeira vez, por exemplo, odiei - e o filme é ruim pra caramba mesmo, não me censurem. Mas, depois de um tempo, senti uma espécie de curiosidade mórbida, quase um fascínio, enfim, uma vontade forte de ver o filme de novo. Dessa vez dei muita gargalhada com o festival de bobagens. Na terceira vez (sim, teve uma terceira vez!), já estava assistindo com gosto e sem acionar o fast foward uma única vez!!! Na quarta, quinta, sexta e por aí vai eu já estava um verdadeiro fã declaro do filme, que, longe de ser bom, ainda assim é um passatempo trash de primeira.
Mas justamente por ser tão ruim, eu tinha vergonha de dizer que gostava do filme (como tenho vergonha de assumir que gosto de FUGA DE LOS ANGELES, de John Carpenter). Até que fui falando e falando com pessoas na Internet e descobri que mais gente tem verdadeira adoração por essa porcaria. Dêem só uma olhada:  
"O filme é foda! Eu simplemente adoro essa podreira. Sou suspeito por falar pois você conhece meu gosto extremo e minha paixão por zumbis, mas esse filme é tão surreal que chega a ser bizarro. A cena do anão que suspostamente deveria parecer uma criança (muito feia por sinal) comendo o seio de sua mãe já é clássica e já ficou marcado como o único incesto entre zumbis da história do cinema. E os zumbis então, as máscaras cheias de vermes é uma das coisas mais precárias que existem no cinema, mas ao mesmo tempo mais legais", argumentou o fãzaço de NIGHTS OF TERROR Gênesis Ramone, com sua experiência de 24 anos de idade.
"Podem falar mal, mas pra mim, que detesto superproduções, NIGHTS OF TERROR é perfeito, o melhor filme de zumbis que já vi, e George Romero que me perdoe. Quem for da geração terror teen vai detestar, achar a maquiagem péssima. Mas é justamente o baixo orçamento que o torna tão maravilhoso. Assisti pela primeira vez no início dos anos 90 e só fui revê-lo há 1 ano. Uma cena que me marcou foi a do menino-anão-mutante arrancando a dentadas o peito da sua mama. Pra completar, o filme é italiano. Precisa de mais alguma coisa?", questiona Patty Fang, que tem 30 anos de idade e é outra fã maluquinha pelo filme de Andrea Bianchi - ela não está brincando quando diz que considera a produção melhor que a trilogia de George Romero!
"A maquiagem é tão ruim que se torna um espetáculo à parte. Teria algum valor como comédia", repudia o sempre mal-humorado Guia de Vídeo Nova Cultural, na velhíssima edição de 1992.
"Eu acho que esse filme é mais um daqueles que de tão ruim, fica bom. Tipo, são poucos filmes de zumbi com estórias decentes, e este com certeza não é um deles. Sinceramente, o filme é uma colagem de situações, Você acha que um professor que busca a cultura turca (ou libanesa, ou curda, ou seja lá o que for) ia chamar seus amigos para um fim de semana de sexo no seu sítio, enquanto ele trabalha nas escavações? Pare com isso. Fora o detalhe que o professor é praticamente o Papai Noel, tamanha a barba que o sujeito possui. Enfim, tosco até a medula. Mas ainda assim, bem divertido!", elogiou Vinicus Lemos, 22 anos.
 
"Facilmente, um candidato a pior filme de todos os tempos. Sem estilo ou qualquer valor como entretenimento, uma catástrofe de vídeo. Se você acha que os piores são PLAN 9 FROM OUTER SPACE e ROBOT MONSTER, você obviamente não conhece ou não viu uma absoluta *** piece of shit *** como esta", castiga Mike Martinez, crítico do site Kult Movie Maximus, onde são elogiadas e idolatradas várias porcarias classe Z.
"O que me lembro é que tive a impressão básica de ser uma produção completamente tosca, principalmente a concepção dos zumbis, e de apresentar uma significativa dose de cenas violentas e sangrentas. E também não me esqueço da cena de um adolescente estranho acariciando e chupando o seio de sua mãe, numa sequência no mínino bizarra e diferente. No final, não fiquei entusiasmado e também não odiei o filme, apenas assisti e consegui uma diversão rápida. Além de, por curiosidade, reproduzir em meu fanzine ‘Juvenatrix’ um pequeno texto tirado do filme. Era bem legal (apesar de óbvio) falando sobre o argumento básico do filme, ou seja, mortos decompostos que se levantavam de suas tumbas podres e trazendo com eles as ‘noites de terror’ (do título em inglês)", recorda o experiente fanzineiro e crítico de filmes Renato Rosatti, 35 anos, editor do famoso e excelente fanzine “Juvenatrix” e membro da equipe do site Boca do Inferno.
"Eu gosto do filme do Bianchi porque me marcou pra caralho. Assisti quando era molequinho e aquela cena do moleque dando a maxidentada no peito da mãe é sem noção, formou todo um conceito na minha cabecinha pueril", declarou o "flogueiro" Gothchrist.
Então, o negócio é o seguinte: tem gente que gosta justamente porque o filme é ruim demais (eu sou um desses); tem gente que gosta do filme na sua ingenuidade; tem gente que gosta do filme levando ele a sério mesmo (loucos!), e tem aqueles que não podem ver esta fita na frente nem pintada de ouro! Que preferem ver NUNCA BRINQUE COM OS MORTOS dublado em tailandês do que pegar uma reprise do filme de Andrea Bianchi. É a velha máxima: "Gostos, cores e amores não se discutem". Ou aquela outra: "Cada louco com sua mania!".
NIGHTS OF TERROR também é chamado, lá fora, de BURIAL GROUND ("Cemitério"), embora em italiano seja LE NOTTI DEL TERRORE. Aqui no Brasil saiu nos anos 80, pela Poderosa Vídeo, com o enganoso título de NOITE DOS MORTOS-VIVOS (para enganar os trouxas que pensavam tratar-se do clássico de George A. Romero), e uma fotinha enganosa na capa, pertencente ao filme AMANTES DIABÓLICOS, de Lamberto Bava. Algum tempo depois, o filme foi relançado com o nome certo, A NOITE DO TERROR.
Trata-se de mais um dos muitos filmes italianos feitos na esteira do sucesso de DAWN OF THE DEAD, de George A. Romero. Ao verem os cinemas europeus repletos de espectadores para a obra-prima americana de mortos-vivos, cada produtor italiano picareta resolveu correr atrás de uma versão própria explorando o fenômeno "zumbis". Um dos primeiros filmes neste sub-gênero foi o famoso ZOMBIE, de Lucio Fulci. Com o sucesso deste, mais e mais pérolas foram surgindo. NIGHTS OF TERROR é uma delas.  
É inegável que o diretor Andrea Bianchi viu e reviu muitas vezes o ZOMBIE de Fulci. Ele homenageia (embora o certo seria "copia") o filme do colega italiano o tempo inteiro, citando cenas inteiras e mortes. O enredo é o de sempre em filmes do gênero: os zumbis deixam um pequeno grupo de seres humanos ilhado em um local fechado, onde aos poucos as pessoas vão morrendo enquanto tentam enfrentar o cerco dos mortos. Claro que se os personagens tivessem um pouco de inteligência para sair correndo ou pegar seus carros e se mandar não teria graça nenhuma, é melhor fazer uma barricada dentro de casa! hehehehe
Bianchi não era um "rei do horror" quando fez NIGHTS OF TERROR. Lucio Fulci também não era nos tempos de ZOMBIE, mas saiu-se infinitamente melhor. Isso porque Bianchi era chegado numa baixaria: antes de partir para os zumbis, ele assinou vários pornôs softcore, tipo aqueles que passam no Cine Privê da Band, com muita mulher pelada e sexo simulado, mas nada de explícito. Ele não abandonou esse estilo em NIGHTS OF TERROR, pelo contrário: o que tem de sexo e mulher pelada nos primeiros 15 minutos é coisa de louco, de fazer o sujeito conferir bem na capinha se não pegou um filme pornô ao invés de um de terror.
Comparando com o ZOMBIE de Fulci, com a trilogia dos mortos de Romero e com centenas de outros filmes de zumbis feitos desde os anos 60, NIGHTS OF TERROR tem pelo menos um mérito: ele entrega ao espectador exatamente aquilo que ele quer ver. Ou seja, nada de enrolação, de história complicada, de desenvolvimento dos personagens: os mortos aparecem e vão matando sistematicamente os personagens, e era isso. Temos míseros 12 minutos para delinear a história básica e apresentar as vítim... ops, personagens, e depois é pauleira da grossa, muito zumbi pra lá e pra cá e sangue o tempo todo.
Eu prefiro falar sobre o filme fazendo piadinhas, porque ele é realmente muito engraçado, bobo até. E espero que essas brincadeiras minhas não magoem fãs verdadeiros do filme, como a Patty, porque eu também sou um adorador confesso de NIGHTS OF TERROR, para o bem ou para o mal!  
O filme começa nos apresentando o Professor Ayres, um suposto cientista, mas que tem cara de tudo, menos de cientista. Para começar, o maluco tem um barbão que chega até a cintura! E não é postiço não, aquilo é barba mesmo!!! Putz, o cara é um verdadeiro Papai Noel! E quer saber o melhor? Pois o Professor Ayres é um brasileiro! Trata-se de Renato Barbieri, que só fez esse filme e deve ter percebido que pagou um micão, aí voltou para cá e escreveu o roteiro do documentário nacional ATLÂNTICO NEGRO - NA ROTA DOS ORIXÁS, de 1998. E desde então, sumiu do mapa.
Bem, voltando ao filme: logo sabemos que o Professor Ayres está trabalhando nas escavações de um velho cemitério etrusco, que fica bem nos fundos da mansão de George (Roberto Caporali). Ele estuda um velho tablete etrusco (tão mal feito que parece ter sido construído pela produção no dia anterior) e murmura, em off: "Sou o único que conhece o segredo...". Só não se sabe segredo do quê, e nem ninguém nunca vai saber, porque o professor morre um minuto depois!!! hehehehe. Mas o melhor é o tal tablete, formado por três símbolos: uma arvorezinha, um smiley (aquela carinha feliz) e um A de cabeça para baixo. Neste magnífico tablete, com estes intrincados símbolos, está o segredo da vida e da morte! hehehehehe
De olho no tal "segredo" que só ele conhece, o Professor Ayres pega uma lanterna e uma picareta e volta à catacumba etrusca. Ao quebrar uma parede, acaba acordando o povo milenar de seu sono... e eles acordam com a maior fome de carne humana, atacando o professor. Ele, ao perceber a cagada que fez, tenta argumentar com os monstros (hohohoho), dizendo: "Para trás! Eu sou seu amigo!". Sim, claro. Os zumbis, obviamente, não querem saber de papo e caem de pau, dilacerando o coitado. Isso aos três minutos de filme rolando! 
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Pausa! - Vamos só dizer que os zumbis etruscos são manés vestindo máscaras imóveis, aparentemente feitas de papel machê, cobertas de vermes e minhocas de verdade, que ficam se mexendo por cima do lance - e o diretor Bianchi faz questão de mostrar isso com supercloses da napa dos zumbis. Todos eles estão vestidos com sacos de batata (hehehehe), alguns cinzas, outros verdes, alguns com um suspeito lacinho no pescoço... Bem, primeiro que não devia ter mais nem poeira dos mortos de uma civilização surgida no ano 1000 antes de Cristo, mas vá lá. O que não dá mesmo para engolir é que alguns dos zumbis tenham cara de caveira e olhos intactos (por baixo da máscara, claro). Ou cabelos!!! Pior são aqueles que têm a cara totalmente podre e as mãos normais! Argh! |
No que o cientista é devorado, entram os créditos e, sem mais delongas, somos apresentados às nossas vítima... ops, personagens! George, o dono da casa, eu já apresentei para vocês. Acompanhado da esposa Evelyn (Mariangela Giordano) e do filho de 12 anos, Michael (Peter Bark), George aparentemente convidou dois casais de amigos, Mark (Gian Luigi Chirizzi) e Janet (Karin Well), James (Simone Mattioli) e Leslie (Antonella Antinori), para um final de semana na sua casa de campo. Fim de semana regado a perversão, diga-se de passagem!
Na casa ainda estão o mordomo Nicholas (Claudio Zucchet) e a empregada Kathleen (Anna Valente). Eles aparecem pouco, não falam nada e estão ali apenas para aumentar a contagem de cadáveres.
Nunca ficamos sabendo se George e Evelyn são casados ou amantes, mas o filho Michael odeia George, o que nos faz acreditar que seja uma espécie de padrasto. Nunca sabemos se os casais são amigos, parentes ou amantes. Nunca sabemos o que leva um cara como George a deixar um cientista maluco tipo o Professor Ayres fazer escavações na sua propriedade... e pior, deixar o cara ficar para lá e para cá na sua mansão... E nada disso importa mesmo, pois o filme prossegue velozmente e, após um rápido interlúdio erótico, os zumbis atacam, sem que o roteiro faça qualquer desenvolvimento dos personagens (e nem precisava, eles são ridículos mesmo!).  
Pausa de Novo! - A lei era rigorosa na Itália daquela época quanto à presença de crianças num filme de horror. Como o roteiro amalucado de NIGHTS OF TERROR previa até uma cena de incesto entre o garoto de 12 anos e sua mãe (isso mesmo, o rapazinho tenta comer a mamãe!), Bianchi teve problemas com as autoridades e foi obrigado a recorrer a um ator "de maior". Peter Bark (na verdade, Pietro Barcella) era meio anão e tinha cara de garotinho, mas na época estava com seus 25 anos. O resultado é uma "criança" com cara de mutante, a criatura mais esquisita jamais vista em um filme de horror, e responsável por uma das cenas mais famosas do terror italiano. Mas já vamos chegar lá. |
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Volta ao filme. Enquanto os zumbis etruscos, recompostos após comer o professor de lanchinho, se mobilizam para atacar, os três casais se entregam à luxúria. É quando o diretor Bianchi entra em seu território, o sexo softcore. Logo aos 8 minutos, dá um close constrangedor na bunda de Antonella, que veste uma cinta-liga que aparentemente pertenceu à bisavó de George. Seu parceiro (namorado? amigo? marido? irmão?) James dispara a pérola: "Você parece uma putinha, mas eu gostei", e inicia a putaria. No quarto ao lado, Evelyn e George estão mandando ver quando chega Michael e mela o lance (ô menino pentelho!). |
Como todo filme de terror que se preze, NIGHTS OF TERROR tem uma loirinha chata metida a vidente. Ela é Janet, que logo no início azucrina o namorado com aquele papo tradicional de "algo horrível vai acontecer, eu sei", e "sonhei com a morte, bla bla bla".
Finalizada a sacanagem, corta para o café da manhã, quando os personagens se encontram. George fala aos demais que o Professor Ayres estava pesquisando os segredos da vida e da morte do povo etrusco (os manés que fizeram a tradução das legendas nacionais não sabiam o que era "etrusco", então colocaram lá "um povo da Antigüidade"). Janet, a loira chata e vidente, dispara: "Sempre tive medo dos mortos. Espero que eles nos deixem em paz!".
Os casaizinhos, então, se dispersam pela propriedade. Enquanto George leva Evelyn e Michael para ver algumas antigüidades (vasos de barro, diga-se de passagem), James e Leslie vão transar à beira de uma árvore e Janet e Mark vão tirar fotos. Quando a loirinha insuportável fala que "quando for modelo famosa vai querer um aumento de salário", Mark manda uma pérola: "Vou te dar um aumento sim, mas não tem nada a ver com dinheiro"!!! hehehehehehehe
Algo estranho está para acontecer. Na casa de campo, as lâmpadas piscam e explodem (por quê???). Sem mais delongas ou frescuras, pode marcar no relógio, aos 17 minutos de filme, começa o ataque dos zumbis. Bianchi chupa descaradamente a cena de ZOMBIE onde um zumbi putrefato sai da cova lentamente. A diferença é que sua maquiagem é péssima: por baixo da máscara de caveira decomposta dá para ver o olho fechado do ator, seu nariz e os lábios, tudo pintado de preto para, supostamente, NÃO aparecer!!!! hahahahahaha
Quando Janet e Mark dão de cara com um dos zumbis, desenrola-se um diálogo brilhante (semelhante a uma passagem de HELL OF THE LIVING DEAD, de Bruno Mattei):
JANET: O que é isso?
MARK: Não sei!
JANET: Que horror!
MARK: O que quer que seja, não é humano. (ele está dizendo isso sobre um zumbi putrefato cambaleante que se aproxima cada vez mais dos dois, até chegar a uma brilhante conclusão) Meu Deus! É um morto-vivo!!! (hahahahahaha)
JANET: Estou apavorada! (ela fala isso parada ao lado de Mark, ao invés dos dois coiós saírem correndo!).
 
Marque no relógio: são 22 minutos e lá vem gore! E bobagem também: Michael pega um tecido antigo e diz para Evelyn: "Mamãe, este tecido cheira à morte!". hahahahahahaha. Entram os zumbis. George puxa um revólver sabe-se lá de onde e começa a atirar. Closes nas feridas abertas nos zumbis, o sangue gosmento, verde e amarelo (homenagem ao Brasil?), saindo em câmera lenta dos buracos. Enquanto isso, com a maior calma do mundo, George tenta contato com os monstros, como se ver um corpo putrefato fosse a coisa mais normal do mundo: "Quem é você? O que está querendo?", pergunta. hahahahaha. Porra, é um defunto podre na frente do cara e ele em vez de correr tenta dialogar???
Aos 25 minutos, uma cena inacreditável: um zumbi sai de dentro de uma floreira! Isso mesmo, de um canteiro de flores!!! Que tipo de casa tem um cadáver enterrado na floreira???? Será que quando os caras plantaram as flores ali naquele canteiro não deram de cara com um fóssil etrusco de três mil anos de idade enterrado em cova rasa? E por que será que os etruscos foram enterrar um compatriota dentro de uma floreira? Será que o falecido era "florzinha"??? hahahaha
Começa a matança e os sobreviventes correm para dentro de casa (não adianta tentar pegar os carros, apesar dos zumbis caminharem a passos de tartaruga). Alguns já foram devidamente eviscerados no caminho, com a câmera de Bianchi filmando closes grosseiros de peitos abertos e intestinos ensangüentados (provavelmente retirados diretamente de algum frigorífico) sendo puxados e devorados pelos mortos-vivos, em cenas bem feitas e nauseantes.
Um momento divertidíssimo é quando Evelyn joga um balde de tinta verde num zumbi e risca um fósforo. Bem, aquela tinta pega fogo mais rápido que querosene ou gasolina! Será que era tinta mesmo, ou algum combustível para foguetes? Só um detalhe: ela joga a tinta na frente do zumbi, mas o fogo começa nas costas, onde o líquido nem atingiu!!! hehehehehehe. Vão anotando na coleção de bobagens.  
Como em A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, os vivos (hehehehe) resolvem fazer uma barricada dentro da casa de campo para manter os mortos (agora já às centenas) do lado de fora, enquanto pensam em um plano um pouquinho melhor.
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A diferença é que os zumbis de Romero eram uns bundões que ficavam caminhando que nem bobos de um lado para o outro. Mas os zumbis de Bianchi são "zumbis etruscos", eles estão mortos há três mil anos e não querem saber de esperar, então botam mãos à obra e pegam ferramentas (isso mesmo, mortos usando ferramentas!), como picaretas e machados, para detonar portas e janelas e entrar na casa. Eles são bem inteligentes, escalando paredes e até mesmo apelando para o "trabalho em equipe", ao usar um tronco como aríete para derrubar uma das portas da casa. Sem contar que ainda dão um jeito de enganar os heróis ao vestirem roupas de monges em um mosteiro, atraindo suas vítimas para uma cilada!!! |
Fala sério, você já viu zumbis de outros filmes fazendo coisas tão elaboradas e criativas???
Uma cena simplesmente fantástica acontece aos 37 minutos de filme: a empregada vai verificar o andar de cima e, descuidada, coloca a mão na janela, para o lado de fora. Um dos zumbis joga um prego de ferro enorme e consegue cravar a mão da vítima na parede! Isso mesmo! Um verdadeiro prego ninja, que atirado por um cadáver consegue atravessar a mão de um ser humano e ainda pregá-la na parede!!!! hahahaha. Mas o melhor vem agora: com a moça sem poder soltar a mão, outros dois zumbis erguem uma foice e colocam por cima da cabeça da vítima, puxando devagarzinho até cortar seu pescoço e decepar a cabeça da dita cuja!!! Só vendo para acreditar!!!!  | |
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Se você acha que Andrea Bianchi inspirou-se apenas vagamente em ZOMBIE e que eu sou malvado demais nas minhas acusações de plágio, espere só para ver a cena em que um zumbi escala até o segundo andar e fica toda noite esperando um idiota passar pela frente da janela onde está escondido. A idiota é Leslie, que tem sua cabeça puxada pela vidraça até uma grande lasca de vidro (e não madeira, como em ZOMBIE) atravessar seu olho. Plágio total, mas muito mal realizado. |
Logo depois dessa vem uma das cenas mais grotescas jamais mostradas pelo cinema. Michael, o garoto mutante de 12 anos, beija sua mãe na boca e começa a acariciar seus seios, dizendo: "Mamãe, adoro seu peito...". Quando leva um merecido tabefe no lado da orelha, dado pela mãe, ele tem um faniquito, sai chorando e solta mais uma maravilha do roteiro: "Mas qual é o problema? Eu sou seu filho!". Ou seja, é que nem cachorro, que pode comer a mãe e não tem problema nenhum! hahahahaha
A partir daí, nada de mais interessante acontece. O filme se limita a um festival de bobagens e a incessantes duelos entre humanos (burros que nem umas pedras) e mortos-vivos (mais inteligentes que a média, tanto que comecei a torcer para eles). Várias cenas de confronto são filmadas em câmera lenta, com os "heróis" arrebentando as cabeças ocas dos zumbis, usando espadas e barras de ferro.
Até o final, e são apenas 80 minutos de filme, o espectador é brindado com mais algumas abobrinhas, como o personagem que vê Leslie transformada em zumbi, com a cara deformada e parte do couro cabeludo arrancado, e diz: "Leslie, você está bem?". hahahahaha.
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Mas a grande cena do filme, que não posso deixar de revelar, é aquela em que Michael, devidamente transformado em zumbi (o que o deixa ainda mais estranho do que ele já era), dá uma dentada no peito da mãe, arrancando o biquinho do seio (isso é mostrado explicitamente, daquela forma que só é possível no cinema europeu!). Uma das minhas cenas preferidas do cinema de horror, citada por todos que assistem a este filme! Trata-se, além do mais, de uma temática polêmica e corajosa para um "inocente" filme de horror - o incesto, ou o amor entre pais e filhos. Mais um ponto para o filme de Andrea Bianchi. |
E era isso. Creio que me alonguei demais, mas temos um panorama perfeito do que é NIGHTS OF TERROR: uma piada disfarçada de filme sério, onde diretor, elenco e roteirista estão levando tudo a sério, o que torna o filme ainda mais engraçado - ou insuportável, para aquele tipo de espectador que não conseguir levar tudo na brincadeira. Sem contar que a ridícula, péssima, nojenta dublagem dos diálogos em italiano para inglês deixa o filme ainda mais engraçado!
Não vou revelar o final, mas basta dizer que o filme encerra melancolicamente e com uma tal de "Profecia da Aranha Negra" (hein??? hehehehe), que diz: "A terra tremerá... Sepulturas vão se abrir... Eles virão entre os vivos como mensageiros da morte... E será *** the nights of terrors ***, que na versão nacional que eu tenho foi traduzido para: "...e será a noite dos mortos-vivos". hahahahaha
O roteiro se resume a meia dúzia de diálogos e muitas cenas envolvendo zumbis e humanos, o que não deixa de ser uma bela coisa. Não interessa o fato dos mortos serem etruscos, não interessa o que o professor estava pesquisando, não interessa de onde vieram os zumbis, para onde vão e o que querem. Só o que se sabe é que eles são podrões e querem comer os humanos. Precisa mais? O detalhe é que eles nunca comem o suficiente, e as vítimas dos mortos acabam se transformando em mais zumbis, o que logo causará um problema sério de superpopulação morta-viva. hahahahaha
 
Muita coisa também fica sem explicação ou simplesmente não necessita de explicação! Por exemplo: por que os zumbis etruscos ficam concentrados ao redor da casa de campo do grupo, ao invés de sair daí e atacar a vizinhança? Por que as luzes da casa explodem (além da desculpa de deixar o ambiente mais escuro e assustador...)? Como ninguém nota o desaparecimento do Professor Ayres, morto logo no começo do filme? O que faz uma armadilha para animais bem no meio do quintal da casa (além de estar ali esperando para algum dos personagens idiotamente enfiar o pé dentro...)??? Qual era o segredo descoberto pelo cientista??????
Mas esqueça. O que vale mesmo é que o ritmo do filme nunca fica parado ou pesado. Começa a mil por hora - com o surgimento dos zumbis e a primeira morte logo nos cinco primeiros minutos -, passa por uma rápida apresentação dos personagens e, aos 15 minutos, os mortos já estão atacando de novo, e em plena luz do dia, ainda por cima, para que possamos apreciar bem a péssima e grosseira maquiagem (hehehehe). A partir daí, é só morte, morte, morte, sangue, sangue, sangue, gosma, gosma, gosma, e nunca pára até o final.
Resumindo: NIGHTS OF TERROR é um filme fácil de a gente não gostar. Para começar, ele jamais assusta, a não ser que você se impressione muitooooo facilmente. Como as cenas de violência, sangue e tripas são exageradas e mal-feitas, é impossível ficar chocado, a não ser, novamente, que você não tenha visto coisa pior no gênero (como os filmes de Lucio Fulci, Joe D´Amato, Ruggero Deodato e Umberto Lenzi). A grande graça é tentar adivinhar quem será o próximo a cair nas garras dos zumbis!
Mas, mesmo que você odeie o filme, sempre fica aquela vontade de ver uma segunda vez, nem que seja para dar mais umas risadas dos péssimos diálogos, péssimas interpretações ou da maquiagem vagabunda. E acredite: se você viu uma vez, gostando ou não, vai acabar vendo de novo - é inevitável, é mais forte que você, não lute! E este, no fundo, é o charme dos filmes trash.
Vamos dizer apenas que NIGHTS OF TERROR tem um certo apelo que muita superprodução atual não tem (leia-se a megabomba HOUSE OF THE DEAD e o apenas razoável RESIDENT EVIL, que tentaram revitalizar o gênero "filmes de zumbis"). Estes filmes modernos podem ter seus efeitos especiais gerados por computação gráfica, que são superiores, sim, às máscaras de papel machê de Andrea Bianchi. Mas, por outro lado, também são muito mais sem graça.
COISAS QUE VOCÊ VAI APRENDER VENDO ESTE FILME:
- Pregos de ferro, mesmo pesados e com péssima aerodinâmica, podem ser usados como se fossem armas ninja.
- Zumbis podem estar mortos e putrefatos, mas ainda têm inteligência para usar ferramentas e fazer trabalho em equipe.
- Tinta verde deve ser manuseada com cuidado, pois é altamente inflamável.
- Apesar de apreciarem carne humana, os zumbis normalmente comem apenas os intestinos das suas vítimas, pois esta é a forma como eles se reproduzem: criando novos zumbis.
- Não se deve abrir paredes em velhas catacumbas etruscas.
- É bom deixar os segredos da vida e da morte anotados em algum lugar antes de entrar numa caverna cheia de zumbis, só para o caso de você ser atacado por eles e morrer, levando consigo o segredo.
- Zumbis têm poderes sobrenaturais para explodir lâmpadas.
- Os etruscos se vestiam com sacos de batata cinzas e verdes, alguns com lacinhos no pescoço.
- Mesmo que você esteja morto há três mil anos, se virar zumbi você continuará com seus olhos para enxergar as vítimas e com força para agarrá-las e matá-las.
- Muito cuidado ao dar de mamar para seu filho, ainda mais se ele já estiver com 12 anos e tiver voltado dos mortos! |  
O QUE ACONTECEU COM AS PESSOAS ENVOLVIDAS EM "NIGHTS OF TERROR":
- Andrea Bianchi (diretor): vai fazer 79 anos este ano e dirigiu 27 filmes, o último em 1993. É mais conhecido por seus thrillers eróticos, como THE EROTIC DREAMS OF A LADY e SEDUCTION OF ANGELA, sendo NIGHTS OF TERROR um dos seus únicos filmes de horror. Em 1989, dirigiu MASSACRE, sobre um assassino que ataca nos bastidores das filmagens de um filme de horror (idéia copiada 10 anos depois em PÂNICO 3 e LENDA URBANA 2).
- Piero Regnoli (roteirista): nasceu em 1921 e morreu em 2001, depois de escrever roteiros para 85 filmes e dirigir 11 deles. Entre os que dirigiu, nada de muito destaque. Já entre seus roteiros estão os de DEMONIA (1990, dirigido por Lucio Fulci), A ESPADA DE FOGO (1983, dirigido por Michele Massimo Tarantini) e NIGHTMARE CITY (1980, dirigido por Umberto Lenzi).
- Gabriele Crisanti (produtor): trocou a produção de filmes eróticos, como DECAMERON 2 (1972) e POSSESSION OF A TEENAGER (1979), pela de filmes de horror, ao perceber que o gênero estava dando lucro. O primeiro foi GIALLO A VENEZIA, de 1979. Com o sucesso de DAWN OF THE DEAD, de Romero, e ZOMBIE, de Fulci, resolveu que seu segundo filme de horror seria NIGHTS OF TERROR. Depois dessa furada, ele só conseguiu produzir mais dois!!! hehehehe. Em 1988, dirigiu o documentário sensacionalista MONDO CANE 4.
- Rosario Prestopino (maquiagem): já fez muita coisa melhor, trabalhando com feras do cinema italiano, como Lucio Fulci (em ZOMBIE, sem crédito, e em PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS, THE BLACK CAT e NEW YORK RIPPER, entre outros), Lamberto Bava (em DEMONS 1 e 2 e AMANTES DIABÓLICOS), Dario Argento (em TERROR NA ÓPERA), Luigi Cozzi (em PAGANINI HORROR) e Michele Soavi (em A CATEDRAL e LA SETTA).
- Gianetto de Rossi (efeitos especiais): surpreso em ver o mestre num filme com efeitos tão ruins? Pois ele saiu direto do set de PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS para esse filme. Mas todos nós sabemos que mister de Rossi já fez coisa muito melhor em filmes como ZOMBIE, de Fulci, THE BEYOND, CANNIBAL FEROX e até filmes americanos ( DUNA, de David Lynch, CONAN O DESTRUIDOR, RAMBO 3, CORAÇÃO DE DRAGÃO e muitos outros).
- Karin Well (que interpretou Janet, a loirinha chata): seu verdadeiro nome é Welma Truccolo. Fez 23 filmes, o último deles em 1989. Entre elas, muito pornô softcore e filmes eróticos, como LA MONACA DEL PECCATTO/CONVENT OF SINNERS (1986), EROTIC FAMILY (1980) e PORNO EROTIC WESTERN (1979).
- Gian Luigi Chirizzi (que interpretou Mark): NIGHTS OF TERROR foi seu último filme! Ele deve ter ficado com vergonha ou percebido sua péssima atuação, abandonando imediatamente o cinema.  
- Mariangela Giordano (que interpretou Evelyn): coincidência ou não, Mariangela apareceu em 69 filmes, quase sempre fazendo um tipo depravada e quase sempre pelada. O último foi em 1989. Michele Soavi a homenageou com um papel em LA SETTA (1991, inédito no Brasil), mas é mais fácil encontrá-la em faroestes dos anos 70 e 60. Será eternamente conhecida como a mãe que teve a teta arrancada a dentadas pelo próprio filho neste filme. Ela comenta o momento-família em entrevista no DVD americano do filme.
Felipe M.Guerra
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NIGHT OF TERRORS (Night of Terrors, Itália, 1980). 85 minutos
Direção: Andrea Bianchi
Roteiro: Piero Regnoli
Produção: Gabriele Crisanti
Fotografia: Gianfranco Maioletti
Música: Burt Rexon; Elsio Mancuso Efeitos Especiais: Giannetto De Rossi Direção de Arte: Giovanni Fratalocchi
Elenco: Karin Well (Janet); Gianluigi Chirizzi (Mark); Simone Mattioli (James); Antonella Antinori (Leslie); Roberto Caporali (George); Claudio Zucchet (Nicholas); Peter Bark (Michael); Anna Valente (Kathleen); Raimondo Barbieri (Prof. Ayres); Mariangela Giordano (Evelyn)
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