X-MEN - O CONFRONTO FINAL
por Filipe Falcão
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Quando fez sua premiere mundial, no prestigiado Festival de Cannes de 2006, X-Men
- O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006), não apenas foi recebido pela
imprensa internacional como um dos destaques do evento, como acabou ofuscando a
estréia do super hiper mega aguardado O Código Da Vinci (The Da Vinci Code, 2006).
O sucesso da terceira aventura dos mutantes no tradicional festival francês serviu
para antecipar que as reações do público também seriam positivas (como realmente
estão sendo). Tratando-se de uma história adaptada do universo dos quadrinhos,
pode-se dizer que X-Men é quase uma exceção a regra por conseguir fugir dos
tradicionais vícios deste tipo de projeto e por se firmar como uma das melhores
produções do gênero. |
A ação em X-Men 3 (como é chamado pela maioria dos fãs) acontece alguns meses
depois do filme anterior (X-Men 2, 2003). Na nova aventura, os mutantes da escola
do Professor Xavier (Patrick Stewart), conhecidos como os x-men, ainda muito
abalados com a morte da companheira Jean Grey (Famke Janssen), recebem a notícia
de que uma cura para a mutação foi descoberta e através dela, os mutantes voltarão
a ser “pessoas normais”, sem poderes especiais. A informação vai causar reações
positivas, para aqueles que acham que mutação é uma doença e vêem na vacina uma
possibilidade de cura, e negativa, em especial do vilão Magneto (Ian McKellen),
que é totalmente contra a idéia.
 
Durante o conflito, os x-men ainda terão que enfrentar a própria evolução da
espécie mutante, materializada na forma da ex-integrante Jean Grey, morta no filme
anterior, que ressurge na trama como a Fênix, a mais poderosa e perigosa mutante
já vista, capaz de aniquilar qualquer inimigo, até mesmo os personagens mais
poderosos da saga. O poder destrutivo da Fênix é um perigo para humanos, mutantes
e principalmente para a própria, que por não conseguir controlar a sua força,
comete atos extremos, até mesmo contra seus antigos companheiros.
A primeira impressão que se tem ao assistir X-Men 3 é que se está diante de uma
produção grandiosa, em todos os sentidos, o que é verdade. O filme possui um ótimo
roteiro, é bem conduzido, tem grandes astros que estão muito bem em seus
respectivos papéis, além de excelentes seqüências de ação mescladas com momentos
de drama. Essa última característica talvez tenha sido a que mais diferenciou, de
forma positiva, a saga e foi decisiva para uma boa aceitação da série tanto de
público como de crítica.
Se fosse uma produção apenas repleta de efeitos especiais, o primeiro X-Men
(X-Men, 2000) teria feito sucesso, mas não a ponto de permitir que a série tivesse
se consolidado como uma das mais importantes da década. Fruto do bom roteiro
assinado Zak Penn e Simon Kinberg (responsáveis pelos dois filmes anteriores), a
história agradou não apenas aos fãs dos quadrinhos, como conseguiu conquistar
admiradores que nunca leram um gibi da Marvel.  
A direção de X-Men 3 ficou a cargo de Brett Ratner ( Dragão Vermelho), que assumiu
o posto após a desistência de Bryan Singer (diretor dos filmes anteriores), que
optou por comandar o aguardado Superman Returns (2006). Ratner soube dar
continuidade ao bom trabalho feito por Signer nos dois primeiros capítulos
fechando com chave de ouro a saga iniciada em 2000. Não que a série tenha acabado,
mas ao final do X-Men 3 se tem a certeza de que, um ciclo foi fechado, mas que
existem portas abertas para novas aventuras.
E provando que os mutantes vieram pra ficar, para 2007 já foram anunciados dois
projetos independentes da franquia X-Men, que são os filmes batizados de Wolverine
(Wolverine) e Magneto (Magneto), dois importantes personagens do universo mutante.
No primeiro, seria mostrada a jornada de Wolverine em busca de sua origem, tema
abordado nos X-Men 1 e 2, mas que sequer foi mencionado no terceiro (por que
será?). Já no segundo filme, seria contada a história de Magneto, desde a sua
juventude nos campos de concentração da 2ª Guerra até se tornar um dos mais
poderosos mutantes já conhecidos.  
Tais projetos seriam uma forma de realizar filmes do universo X-Men, sem precisar
unir todo o elenco de mutantes conhecidos, algo que foi se tornando um problema
cada vez maior. Neste X-Men 3, a atriz Anna Paquin, entrou na produção
praticamente nos 45 minutos do segundo tempo, o que deixou a personagem Vampira
quase como uma participação especial dentro da trama principal, assim como Rebecca
Romijn, que por causa de outros projetos, deu vida novamente a sensual vilã
Mística por apenas 15 minutos de filme. Outro que pouco aparece em X-Men 3 é o
ator James Marsden, o Cyclope, que estava envolvido nas filmagens de Superman
Returns. Mas não se preocupe, pois mesmo com essas três baixas na trama, X-Men 3
tem mais mutantes do que os dois filmes anteriores juntos com novidades bem
interessantes para os fãs
E por ser considerado uma espécie de capítulo final da trilogia, espere para este
X-Men 3 momentos realmente marcantes, com apoteóticas cenas de batalha, alto teor
dramático e até a morte ou “cura” de alguns mutantes bem conhecidos e queridos. E
não saia da sala de cinema antes dos créditos acabarem, pois existe uma cena, de
fundamental importância para saber o que realmente aconteceu com um personagem
importante da série, mas tal passagem acontece após todos os créditos serem
exibidos. Ou seja, fique conversando com quem estiver com você no cinema o quanto
X-Men 3 é bom e comentando sobre as inúmeras cenas marcantes enquanto espera pelos
créditos acabarem para ver a tal cena. 
- Novatos e veteranos turbinados
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X-Men 3 traz novos mutantes ao lado de veteranos conhecidos dos filmes anteriores.
Da turma nova, a principal atração é a Fênix, uma força destrutiva e invencível.
Se você acha que Magneto e Xavier são fortes, é por que nunca ouviu falar da Fênix
e se prepare, pois em X-Men 3, ela é a estrela, ou seria a vilã? A cena que se
passa na casa da Jean Grey é apenas uma amostra do poder da moça. Destaque também
para Colossus (Daniel Cudmore), que foi visto rapidamente nos filmes anteriores,
mas agora tem maior participação, assim como a Lince Negra (Ellen Page), que desta
vez parte em missões importantes com os seus companheiros. Também teremos pela
primeira vez um combate real entre Homem de Gelo (Shawn Ashmore) e Pyro (Aaron
Stanford). |
Outro destaque vai para o Anjo (Ben Foster) embora a participação dele na trama
seja pequena, o que é uma pena, pois se trata de um personagem realmente
interessante. Além dele, também debuta em X-Men 3 o mutante Fera (Kelsey Grammer),
como um poderoso aliado dos mocinhos. Do lado dos vilões temos Fanático (Vinnie
Jones), Homem Múltiplo (Eric Dane), Calisto (Dania Ramirez), entre outros.
E da turma veterana temos a sempre presença marcante de Xavier, Magneto e
Wolverine (Hugh Jackman), embora o destaque deste novo filme seja a Tempestade
(Halle Berry), que praticamente assume o comando dos x-men. Segundo informações
que circularam na internet durante o período de pré-produção do filme, a atriz
havia dito, após o segundo filme, que não participaria de um terceiro,
principalmente por divergências com o antigo diretor Singer. Como o X-Men 3 ficou
a cargo de Ratner, Berry repensou na proposta de voltar a fazer a mutante
Tempestade, mas impôs uma condição: que ela tivesse mais destaque dentro da trama.
E realmente, além de estar bem mais poderosa (finalmente voado), a moça rouba a
maioria das cenas em que aparece.
- Os mutantes existem?
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A série de quadrinhos norte americana X-Men surgiu no ano de 1963, fruto da
criação de Stan Lee e Jack Kirby e publicada pela Marvel. A revista trazia
história de mutantes, pessoas que possuíam alterações genéticas que lhes conferiam
poderes especiais. Os x-men é um grupo de mutantes que tenta viver em harmonia com
os seres humanos, apesar da rejeição destes.
Com o passar dos anos, a série se tornou uma bem lucrativa franquia, com novas
histórias em quadrinhos, além de desenhos animados para televisão, diversos
souvenires como brinquedos, álbuns de figurinhas, vídeo games, entre outros, além
de uma série para o cinema. Diversões a parte, a mitologia X-Men pode ser vista
possuindo ligações com fatores sociopolíticos, que acabam levando a várias
interpretações paralelas às aventuras dos mutantes. Dizer que as histórias possuem
apenas essa visão crítica da sociedade seria falso, pois a diversão e o
entretenimento são os carros chefes da franquia, mas não deixa de ser interessante
observar certas mensagens da trama.
Para começar, as pessoas que possuem alteração genética são vistas como uma
metáfora das minorias étnicas e grupos oprimidos. Trata-se de uma das principais
mensagens da saga quando se observa que alguns mutantes possuem seus poderes
ligados a algo fora dos padrões considerados normais, e por isso, alvo de
pré-conceitos. | Por serem diferentes, alguns inclusive fisicamente, vivem
escondidos em guetos, além de não possuírem quaisquer direitos políticos.
Outra leitura referente ao universo X-Men estaria ligado à homossexualidade,
quando se compara a descoberta da opção sexual com a dos poderes mutantes,
geralmente na fase da adolescencia. Escondendo a verdade da família e com medo do
próprio comportamento, os novos mutantes vivem de forma tensa até quando se
assumem ou são descobertos pelos humanos sendo então regeitados pelos mesmos. O
exemplo da personagem Vampira, que ao se descobrir mutante foge de casa, ou de
Bobby, o Homem de Gelo, que quando conta para sua família da sua condição, é
questionado pelos pais se já tentou não ser mutante. O exemplo mais recente está
no X-Men 3, quando o personagem Anjo (ainda criança) tenta arrancar as asas, fruto
da mutação e surpreendido pelo pai, pede desculpas, entre lágrimas, por ter
nascido mutante.
O anti-semitismo também é algo que pode ser obsevado no universo X-Men, em
especial através do personagem Magneto, que prega claramente que humanos e
mutantes não podem conviver juntos e ainda acredita que o objetivo das pessoas é o
de acabar com a raça dele, algo semelhante ao que os nazistas tentaram fazer com
os judeus durante a 2ª Guerra. Magneto também prega a supremacia da raça mutante.
Filipe Falcão
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X-MEN - O CONFRONTO FINAL (X-Men: The Last Stand
, EUA, 2006) Duração: 103 minutos
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Zak Penn e Simon Kinberg
Produção: Avi Arad, Lauren Schuler Donner e Ralph Winter
Música: John Powell
Fotografia: James Muro e Philippe Rousselot
Desenho de Produção: Ed Verreaux
Edição: Mark Goldblatt, Mark Helfrich e Julia Wong
Direção de Arte: Chad S. Frey, Helen Jarvis, Sandi Tanaka e Geoff Hubbard
Elenco: Patrick Stewart (Prof. Charles Xavier); Hugh Jackman (Logan / Wolverine); Ian McKellen (Eric Lensherr / Magneto); Halle Berry (Ororo Munroe / Tempestade); Famke Janssen (Jean Grey / Fênix); Anna Paquin (Marie D'Ancanto / Vampira); Kelsey Grammer (Dr. Hank McCoy / Fera); Rebecca Romijn (Raven Darkholme / Mística); Shawn Ashmore (Bobby Drake / Homem de Gelo); Shawn Ashmore (Bobby Drake / Homem de Gelo); Ellen Page (Kitty Pryde / Lince Negra); Ben Foster (Warren Worthington III / Anjo); Ken Leung (Maxwell Jordan / Quill); Ken Leung (Maxwell Jordan / Quill); Aaron Stanford (John Allerdyce / Pyro); James Marsden (Scott Summers / Ciclope); Olivia Williams (Dra. Moira MacTaggart)
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