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Fazer seqüências é uma tarefa difícil. Mais complicado ainda se for uma
continuação de uma refilmagem. Representando esta categoria, O Grito 2 (The Grudge
, 2006), que teve estréia mundial no último dia 12, até possui algumas falhas, mas
consegue ser um bom filme, com uma produção bem cuidada, roteiro criativo e uma
trama macabra e interessante.
O Grito original (Ju-on), dirigido por Takashi Shimizu, foi lançado no Japão em
2000. A trama contava a história de uma maldição na qual quando alguém bate as
botas em um momento de raiva, seu espírito rancoroso e vingativo não perdoa e faz
as pessoas morrerem vitimas por uma poderosa ira. A versão norte-americana,
batizada de The Grudge, veio quatro anos depois e foi também comandada por |
Shimizu
e produzida por Sam “Evil Dead” Raimi.
Estrelado por Sarah Michelle Gellar (Scooby-Doo, 2002), o remake, que teve boa
aceitação de público e crítica, conta a história da estudante americana Karen
Davis, que vai trabalhar em Tóquio e passa a ser assombrada pelo fantasma de uma
mulher e de um garoto. Na trama, japonesa e americana, a maldição começou após
Kayako (Takako Fuji) e o pequeno Toshio (Yuya Ozeki), terem sido assassinados pelo
marido dela, que após os crimes, se matou. Desde então, a casa na qual a família
morreu passou a ser assombrada.

O Grito 2, também dirigido por Takashi Shimizu, consegue levar a história original
para um clima mais denso, com bons momentos de suspense e seqüências bem
construídas. A nova trama acompanha a Jovem Aubrey (Amber Tamblyn, de
O Chamado),
que parte para Tóquio quando recebe a notícia de que a irmã Karen está internada
em um hospital. Após um fatal acidente com a irmã, Aubrey acaba se envolvendo na
mesma maldição que perseguiu Karen no primeiro filme.
Paralelamente, a trama mostra um grupo de amigas que, conhecendo a lenda em torno
da casa na qual Karen trabalhou, resolve visitar o local e pregar uma brincadeira
de mau gosto da novata da turma, a pobre Allison (Arielle Kebbel, de
Be Cool).
Enquanto isso, acompanhamos o drama de uma família de Chicago que, com a chegada
de uma estranha vizinha, passa por estranhas e violentas mudanças de
comportamento.


Com roteiro bem construído,
O Grito 2 narra essas três histórias, que
aparentemente não possuem ligação entre si, gerando bons momentos de suspense. Com
os já tradicionais fantasmas pálidos / azulados e com longos cabelos negros, o
filme consegue gerar interesse ao mesclar as três histórias, cada uma com
narrativa própria.
O filme ainda possui uma ambientação mórbida, típica das produções orientais, o
que também ajuda em um bom interesse pela trama. Embora essa qualidade não seja
exclusiva das locações japonesas, pois o prédio em Chicago é de deixar qualquer
pessoa com receio de andar pelos corredores do local. O interessante roteiro
também consegue prender a atenção do público, que fica aflito acompanhando a
evolução das três tramas, até a hora da ótima conclusão, que termina por ligar as
três partes.
Claro que
O Grito 2 também possui falhas, como alguns personagens sem graça que
entram na trama apenas para morrer, a exemplo do jornalista ou a mãe da fantasma.
Outros momentos têm intenção de assustar, mas acabam soando cômicos, especialmente
para uma platéia composta por adolescentes, como quando o fantasma de Toshio
começa a miar.


O filme ainda apela para algumas seqüências de susto fácil, o que, por pouco, não
tira a credibilidade do produto. Outras cenas que também teriam função de dar medo
acabam soando exagerada como quando Allisson é atacada pelos fantasmas das
“amigas”. A idéia foi ótima, mas a performance dos espíritos deixou um pouco a
desejar soando trash demais e mórbido de menos.
Deja vu: Mesmo com eficientes momentos de suspense, é inegável que
O Grito 2
possui algumas cenas que foram literalmente clonadas de filmes já existentes. A
começar pelo formato da película, que possui três histórias narradas ao mesmo
tempo. Tal idéia havia sido realizada pelo próprio diretor Shimizu quando produziu
o primeiro
Ju-On, que possui narrativa dividida em três histórias.


Curioso observar que para a versão americana do primeiro
O Grito, Shimizu utilizou
uma dessas três tramas originais para criar o enredo da refilmagem. No caso, a da
estudante que vai trabalhar na casa assombrada por uma maldição. A história das
amigas que vão visitar o local assombrado também é originalmente do primeiro
Ju-On, no entanto, Shimizu decidiu adaptar o enredo apenas para a seqüência
norte-americana.
Um outro exemplo gritante acontece na cena na qual o jornalista Eason (Edson Chen)
está em um laboratório fotográfico e é surpreendido pelo fantasma de Kayako que
começa a sair do tanque de revelação das fotos. Primeiro é mostrado apenas os
longos cabelos negros da moça e depois a cabeça dela começar a se levantar. Tal
cena foi literalmente plagiada do excelente
Espíritos – A Morte está ao seu Lado
(Shutter, 1998). Embora a versão de
O Grito 2 seja muito boa, a de
Espíritos é de
tirar o fôlego.

O Grito 2 ainda possui toda uma seqüência que é idêntica ao prólogo de
Halloween –
Ressurreição (Halloween: Resurrection, 2002), no qual é mostrado o desfecho da
personagem Laurie Strode (Jamie Lee Curtis). No caso de
O Grito 2, reencontramos
Karen internada em um hospital acusada de incendiar a casa na qual trabalhava, o
que resultou na morte do namorado. Perturbada, a garota logo recomeça a ter visões
com o fantasma de Kayako, que passa a perseguir a moça pelos corredores do
hospital.
Encurralada, Karen é morta por Kayako em uma cena bem realizada. Exatamente como o
oitavo filme da franquia
Halloween, no qual Laurie Strode começa internada em um
hospital e logo volta a ser perseguida pelo irmão Michael Myers. Esfaqueada, ela
se despede da série caindo do telhado da instituição, embora não seja mostrado o
corpo sem vida dela.


Sarah Michelle é uma boa atriz, mas não é Jamie Lee Curtis. Assim como Karen é uma
personagem interessante, mas não é uma Lauria Strode, que esteve presente em
quatro filmes da franquia
Halloween. De qualquer forma, essa participação de
Karen, com cerca de 10 minutos de duração, é um dos pontos fortes de
O Grito 2.
Aliás, a queda de Karen do prédio também é muito semelhante a uma cena de
Visões
(The Eye 2 / Jian Gui 2, 2004), na qual um corpo cai, repentinamente, no chão
surpreendendo personagens e público.
Semelhanças aparte,
O Grito 2 já faturou, apenas no final de semana de estréia,
mais de US$ 22 milhões ocupando assim o primeiro lugar no ranking dos filmes mais
assistidos na semana. Ainda é cedo para saber se teremos uma terceira parte das
aventuras dos espíritos rancorosos, embora o diretor Shimizu tenha anunciado, para
2007, uma segunda continuação para o filme japonês, que possui o título provisório
de
Ju-on 3.

Curiosidades:
- Apesar de ter levado dois anos para ser produzido e lançado,
O Grito 2 foi
autorizado pela produtora Sony Pictures três dias após o lançamento de O Grito.
- A Atriz Takako Fuji esteve presente nas quatro versões existentes de
O Grito,
duas japonesas e duas americanas, como a fantasma Kayako. Já o ator mirim Yuya
Ozeke também trabalhou nos quatro filmes como o fantasma Toshio.
- A participação de Sarah Michelle Gellar em
O Grito 2 foi tida como falsa várias
vezes durante a produção e só foi confirmada quando as primeiras fotos de
divulgação do filme apareceram.
- O diretor Takashi Shimizu foi a Los Angeles para um encontro com os produtores
Rob Tapert, Taka Ichise e Sam Raimi e o roteirista Stephen Susco, em um pequeno
escritório da Columbia Pictures. O objetivo da reunião era discutir possíveis
histórias para uma sequência de
O Grito. Segundo Tapert esta reunião durou de 7 a
8 horas, em que vários dos presentes apresentaram sugestões à história.
(fonte:
adorocinema.com.br)
Filipe Falcão
por Marcelo Carrard
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A refilmagem norte-americana da popular série japonês JU ON tem uma série de qualidades resultantes da Direção de seu criador: TAKASHI SHIMIZU. Ao contrário de O CHAMADO, O GRITO tem uma atmosfera muito particular de constante tensão e medo onde a onipresença dos espíritos malignos pode ser percebida em todos os momentos. Em O GRITO 2, Shimizu aperfeiçoa seu discurso cinematográfico adequando-o ao publico ocidental através de uma montagem um pouco mais ágil, o que não tira as muitas qualidades do filme. Nessa seqüência vemos ao menos três histórias paralelas, encenadas em épocas diferentes, mas todas diretamente conectadas com as almas vingativas de Toshio, o Menino-Gato e sua mãe: Kayako. |
Uma pequena seqüência introduz o filme mostrando o tenso café da manhã de um casal norte-americano que termina de maneira violenta e bizarra. No papel da esposa, Trish, vemos a atriz Jennifer Beals, ícone dos anos 80 ao protagonizar o musical FLASHDANCE.
Após os créditos iniciais vemos três garotas de uma Escola Internacional em Tóquio. Duas delas: uma loira e outra oriental convidam uma colega novata e que deseja se ambientar à nova escola, para entrarem em uma casa mal-assombrada, que para o azar delas é a casa de Kaiako e Toshio. A maldição se renova e vemos uma arrepiante cena dentro do armário fantasmagórico. Paralelamente vemos Aubrey, a irmã de Karen, a protagonista de O GRITO 1, interpretada por Sarah Michelle Gellar, que após os trágicos incidentes do primeiro filme se encontra internada em uma clínica no Japão. Aubrey acaba sendo obrigada a se envolver na macabra história sobrenatural que reúne os fantasmas que enlouqueceram sua irmã e as conseqüências disso serão aterradoras. Uma terceira história começa a ser encenada paralelamente a essas duas primeiras. Se lembram do casal do violento café da manhã? Sim, eles já foram muito felizes e também tem uma história macabra para contar, testemunhada pelo filho mais novo do primeiro casamento do marido, que em uma noite ouve ruídos estranhos vindos do vizinho e ao observa-los descobre que eles tem um misterioso hóspede. Só que o espectador percebe a existência de um segundo hóspede, nosso garoto infernal Toshio...


Com essa trama tripla e paralela, encenada em tempos e lugares diferentes, o diretor cria suas seqüências assustadoras, repletas de uma atmosfera muito particular. O som emitido pelo fantasma de Kayako continua assustador. Toshio emite seus miados do inferno em muitas cenas. Em uma delas ele está aos pés da garota loira em uma cabine telefônica onde os cabelos pretos de sua mãe parecem aprisionar sua vítima em um efeito de grande força visual. Essa questão do Gato como simbolismo sobrenatural está presente em filmes clássicos feitos no Japão como:
KURONEKO de Kaneto Shindo, 1968 e
MANSION OF THE GHOST CAT, 1958 de Nobuo Nakagawa.


Um dos grandes momentos com certeza é o ataque fantasmagórico no Motel. Uma japinha e seu namorado entram no quarto. O garotão vai tomar uma ducha e ela se deita na cama. Um espelho no fundo e acima da cama mostra o chuveiro onde vemos o rapaz tomando banho. Num jogo de mostrar e esconder onde as coisas não são bem o que parecem acaba acontecendo o ataque. Outra aterradora aparição de Kayako acontece em um laboratório fotográfico, numa citação explícita ao recente Hit Tailandês
SHUTTER aka
ESPÍRITOS -A MORTE ESTÁ AO SEU LADO.


Nesse segundo filme temos mais informações sobre a origem da força mortal de Kayako através dos relatos de sua mãe que vive isolada e guarda muitos segredos. Com um grande numero de mortes e sustos é impressionante como Shimizu teve a liberdade de ser niilista e não poupar o espectador que espera em vão por soluções positivas e redentoras. O mal que emana de Kayako e Toshio parece ser interminável. Com ótimos efeitos-especiais o filme se encerra já pronto para sua terceira parte que deverá ser produzida ano que vem nos EUA.
O GRITO 2 conseguiu superar o filme anterior e envolve o espectador ao narrar uma História de Fantasmas muito bem articulada e onde tudo pode acontecer. Os corredores e as luzes se apagando estão lá novamente. Os olhos na escuridão, vigilantes e vingativos também. Para os fãs do J Horror Theater e de temáticas sobrenaturais
O GRITO 2 é uma excelente opção.


Cenas mais explícitas de horror que foram cortadas para exibição nos cinemas, sendo usadas somente na versão uncut do DVD de
O GRITO 1, aparecem em
O GRITO 2 recriadas de maneira bastante satisfatória.Um fantasma é um
“evento” que se repete infinitamente até que a alma sofredora encontre a paz e o descanso. No caso de Kayako e Toshio, eles parecem estar com muito fôlego ainda e principalmente muito famintos...
Marcelo Carrard
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O GRITO 2 (The Grudge 2 , EUA, 2006). Duração: 95 minutos.
Direção: Takashi Shimizu
Roteiro: Takashi Shimizu e Stephen Susco
Produção: Takashige Ichise; Robert G. Tapert
Produção Executiva: Doug Belgrad; Doug Davison; Joseph Drake; Shannon Gaulding; Nathan Kahane; Roy Lee; Sam Raimi; Matthew Tolmach
Fotografia: Katsumi Yanagishima
Música: Christopher Young
Edição: Jeff Betancourt
Desenho de Produção: John Marcynuk e Iwao Saito
Direção de Arte: Tomoko Kotakemori
Elenco: Sarah Michelle Gellar (Karen Davis); Amber Tamblyn (Aubrey Davis); Edison Chen (Eason); Arielle Kebbel (Allison); Jennifer Beals (Trish); Teresa Palmer (Vanessa); Misako Uno (Miyuki); Sarah Roemer (Lacey); Matthew Knight (Jake); Takako Fuji (Kayako Saeki); Ohga Tanaka (Toshio); Joanna Cassidy (Sra.Davis); Christopher Cousins (Bill); Paul Jarrett (John Fleming); Jenna Dewan (Sally); Eve Gordon
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