Direção: Jaume Collet-Serra. Roteiro: David Johnson e Alex Mace (história). Produção: Leonardo DiCaprio, Susan Downey, Jennifer Davisson Killoran e Joel Silver. Edição: Timothy Alverson. Música: John Ottman. Elenco: Vera Farmiga (Kate Coleman), Peter Sarsgaard (John Coleman), Isabelle Fuhrman (Esther), CCH Pounder (irmã Abigail), Jimmy Bennett (Daniel Coleman), Aryana Engineer (Max Coleman) e Lorry Ayers (Joyce). Distribuição: Estréia nos cinemas brasileiros em 4 de Setembro de 2009.
SINOPSE
A triste perda do filho, que nem chegou a nascer, devastou o casal Kate e John. A mente frágil da mulher leva-a a ter pesadelos, que trazem a tona demônios do seu passado. Na luta para manter uma imagem de normalidade em suas vidas, o casal decide adotar uma criança. Quase na mesma hora que eles levam para casa a menina Esther, uma série de eventos começam a acontecer, levando Kate a acreditar que há algo errado com a garota.
“Há algo errado com Esther.”
Vale a pena traçar um breve perfil da Dark Castle, produtora americana especializada em filmes de horror. Ainda no final dos anos 90, fãs assumidos do gênero, principalmente aquele produzido entre as décadas de 50 e 60, os diretores Joel Silver (“Matrix”) e Robert Zemeckis (“De Volta Para O Futuro”) se uniram para dar vida a Dark Castle Entertainment. O nome do projeto era uma homenagem ao lendário Willian Castle – cabe aqui uma pequena digressão: Castle ficou famoso pelo modo “criativo” como promovia seus filmes B. Entre as ousadas invenções e trucagens estão campainhas debaixo das poltronas do cinema, que eram acionadas nos momentos de maior tensão, em “Força Diabólica”(The Thingler, 1959); um seguro de vida distribuído aos espectadores de Macabro (Macabre, 1958); em A Casa Dos Maus Espíritos (House On Haunted Hill, 1958) foi criado uma estrutura batizada de Emergo, que permitia que esqueletos reais circulassem pela sala de exibição; em 13 Fantasmas” (13 Ghosts), foram distribuídos óculos que supostamente permitiam ver os espectros que eram invisíveis a olho nu; em “Trama Diabólica” (Homicidal, 1961), um pequeno intervalo era dado para que os espectadores mais medrosos abandonassem a sessão; em “Mr. Sardonicus” (Mr. Sardonicus, 1961), o público recebia cartões fosforescentes com
polegares desenhados que seriam usados pouco antes do término da exibição, onde poderiam votar em punir ou não o vilão da trama (isso mesmo, o predecessor do extinto programa Global Você Decide). Para conhecer outras destas traquinagens, que ficaram conhecidas como Movie Gimmickis, leiam o excelente artigo escrito pelo Felipe Guerra. E foram exatamente duas refilmagens de filmes dirigidos por Willian Castle as primeiras investidas da Dark Castle. Mas infelizmente, embora A Casa da Colina(1999) e “13 Fantasmas” (2001) reunissem no elenco nomes de peso como Geofrey Rush e desfilasse uma tonelada de “impecáveis” efeitos especiais, as duas produções não empolgaram público ou crítica, e ainda deixaram os fãs do gênero um tanto quanto desconfiados. Seguiram produções no mesmo molde que também não chegaram a emplacar: Navio Fantasma (Ghost Ship, 2002), estrelado por Gabriel Byrne; “Na Companhia do Medo (Gothika, 2003), com a ganhadora do Oscar Halle Barry e o Homem de Ferro Robert Downey Jr.; A Casa de Cera (The House Of Wax, 2005), refilmagem de um clássico de 1953; A Colheita do Mal (The Reapping, 2007), com Hillary Swanky e muitos efeitos especiais; RocknRolla (RocknRolla, 2008), investida fora do gênero, com direção do ex-marido de Maddona, Guy Ritchie, que ironicamente agradou, mas acabou fracassando nas bilheterias norte-americanas.
Dirigido pelo cineasta catalão Jaume Collet-Serra (que anteriormente havia assinado A Casa de Cera) e trazendo também entre os produtores o astro Leonardo de Caprio, A Órfã marca a maturidade da Dark Castle, que depois de vários tropeços, parece ter aprendido a lição. Desta vez deixaram de lado tanto os extravagantes efeitos especiais (que na maioria das vezes são pessoa non grata entre os fanáticos do gênero) quanto os nomes famosos no elenco, e num lapso de sensatez investiram num bom roteiro.
Na trama, Kate e John tem a vida conjugal abalada após a morte do terceiro filho, ainda durante a gravidez. Embora a união do casal seja mantida pelo amor de seus outros filhos, Daniel e a doce Max (que sofre de deficiência auditiva), Kate continua atormentada pela culpa e frustração. Numa tentativa de devolver a vida a normalidade e superar a tragédia, o casal decide adotar uma criança em um orfanato para meninas. Lá eles encontram a encantadora Esther, uma garotinha russa de 9 anos com uma inteligência excepcional. Mas como avisa o pôster oficial "há algo errado com Esther". E bota errado nisso. A primeira a suspeitar que aquele rostinho angelical pode esconder algum segredo perigoso é Kate. Mas em pouco tempo a maquiavélica Esther já está manipulando a todos, corrompendo a família e despertando fantasmas esquecidos no passado, como o alcoolismo da mãe e uma suposta traição do pai. Até aí nada de muito especial no roteiro dos novatos David Johnson e Alex Mace. O mérito do enredo está no desenvolvimento do horror psicológico, que cresce de forma exponencial até a sua materialização, violenta e fatal.
Filmes que mostram a maldade se manifestando em uma criança, direta ou indiretamente, como O Exorcista(The Exorcist, 1973), A Profecia (The Omien, 1976) ou O Anjo Malvado (The Good Son, 1993, cujo plot inicial se assemelha ao da Órfã), sempre gerou muita polêmica entre os mais conservadores. A ideia de uma criança capaz de cometer crimes violentos, ainda hoje, é perturbadora, principalmente para uma sociedade cristã que acredita num mito de pureza infantil incorruptível (mesmo que tal mito seja desconstruído quase que diariamente pelos telejornais).
(os TRÊS próximos parágrafos apresentam revelações importantes sobre o enredo, ou os amados e odiados SPOILERS, se preferirem)
Em A Órfã, a dúvida sobre a inocência da pequena Esther não dura muito tempo. O que parece apenas um drama envolvendo alcoolismo da mãe, o ciúme dos novos irmãos, e o instinto de autopreservação de uma criança que sempre viveu abandonada, transforma-se num suspense eficiente e muito bem trabalhado, que faz questão de não inventar motivos que condicionem Esther a ser o que é. É a irracional manifestação da maldade. E neste ponto o filme não poupa o espectador comum (aqueles não acostumados ás produções do gênero): entre outras crueldades, a menina mata uma freira a marteladas, empurra uma amiguinha de cima de um enorme escorregador, tenta matar o irmão queimado e acreditem, numa cena um tanto incômoda, tenta seduzir o próprio pai.
Outra sequência que chama a atenção, pela insanidade, é quando Kate ameaça bater em Esther. A mãe segura o pequeno demônio pelo braço e o empurra para o chão. Rapidamente o pai intervém, condenando a atitude da mãe. Durante a noite, a garota desce até o porão, onde espreme o braço numa morsa até partir o osso (toda a sequência é mostrada on-screen). De volta para o seu quarto, Esther começa a chorar. O pai a socorre e a leva ao hospital, mas fica achando que foi Kate quem lhe quebrou o braço.
A Reviravolta
Mas o filme ainda guarda uma reviravolta autêntica, mas que pode desagradar alguns. A mãe, desconfiada do comportamento da filha, busca informações sobre o orfanato russo onde supostamente Esther teria vivido antes de vir para a América. Para surpresa de Kate, a entidade que consta nos documentos não é um orfanato, e sim um hospício. Isso mesmo, um hospital psiquiátrico para pacientes perigosos. Mas que Esther não é normal, como já foi dito antes, o próprio pôster já alerta. O problema é que o tal hospital russo não aceita crianças. Nem o mais esperto dos espectadores anteciparia tal revelação. A demoníaca garotinha é na verdade uma adulta, com mais de 30 anos, que sofre de um caso raro de nanismo (deficiência que já foi documentada na vida real). Esta reviravolta acaba amenizando a polêmica de algumas cenas mais fortes, como a violenta morte on-screen da freira ou a insinuação sexual para cima do pai, mas não deixa de ser originalíssima.
Nova Safra de Diretores Hispânicos
Só para relembrar alguns nomes consagrados que fazem parte desta nova geração de realizadores nascidos em países hispânicos: Guillermo Del Toro (Labirinto do Fauno, Espinha do Diabo e Hellboy), Jaume Balagueró; (“[REC]”, A Seita e A Sétima Vítima), o ótimo Alex La Iglesia (O Dia Da Besta,A Comunidade e Ação Mutante), Alejandro Almenábar (Tesis, Preso Na Escuridão e Os Outros).
Jaume Collet-Serra junta-se a este seleto grupo de diretores e embora não destile o mesmo talento dos seus compatriotas, ainda assim consegue demonstrar competência atrás das câmeras. Em A Órfã, seu único deslize é abusar de alguns clichês abomináveis, como os sustos fáceis causados por ruídos ou a cena clássica do reflexo no espelho do banheiro.
Mas Collet-Serra mostra habilidade principalmente em explorar as belas paisagens de inverno que compõe o cenário. O local onde transcorre a ação é cercado por árvores e por muita neve, o que cria uma atmosfera opressora, mas extremamente verossímil. O cineasta consegue ainda manter a sobriedade e evitar os exageros característicos das produções hollywoodianas do gênero.
Mas o grande destaque e a verdadeira revelação em A Órfã é a jovem Isabelle Fuhrman (de apenas 12 anos) interpretando Esther, que sobressai em todas as cenas, mesmo quando contracena com atores mais experientes, como Vera Farmiga (a mãe) e Peter Sasgard (o pai). Isabelle convence em todos os momentos, desde quando parece inocente ou manipuladora, até o momento que a nova face da personagem é revelada, após a reviravolta final. O desempenho do casal Vera e Peter não compromete, mas acaba apagado pelo talento do núcleo infantil (Jimmy Bennett, que interpretou o Capitão Kirk quando criança na nova versão de Star Trek e a pequenina Aryana Engineer também têm atuações acima da média, como os irmãos Daniel e Max). Curiosamente, Vera Farmiga já interpretou a mãe de outra criança endomoniada em Joshua, O Filho Do Mal.
A Órfã estreou em julho de 2009 nos cinemas americanos e no dia 4 de setembro nas salas brasileiras e já faturou mais de 50 milhões de dólares. A crítica internacional ficou dividida e grupos ligados a abrigos para órfãos questionaram se o enredo não seria nocivo e preconceituoso, e se não influenciaria negativamente os processos de adoção ao redor do mundo. Obviamente esta é uma posição exagerada. Vale lembrar que A Órfã é somente um filme, não um documentário ou uma tese científica sobre a adoção de crianças.
Enfim, se A Órfã não chega a ser um filme brilhante, pelo menos proporciona momentos perturbadores e de muita tensão, partindo de um roteiro convencional, mas com uma reviravolta autêntica e um elenco infantil muitíssimo acima da média.
No pôster de A Órfã é possível ler a pergunta "Você sabe guardar segredo?". E não é para menos, o longa-metragem dirigido por Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera) possui um final surpreendente que faz com que a trama, aparentemente nada original, tome um fôlego novo. Não é a primeira vez que histórias de crianças malvadas aparecem no cinema. Desde clássicos como A Profecia ou A Inocente Face do Terror, até obras mais recentes como O Anjo Malvado (com Macaulay Culkin), os pequenos malignos sempre fazem pensar se a maldade possui mesmo idade.
Após a perda de um bebê, Kate (Vera Farmiga, de Sob o Domínio do Mal, Reféns do Mal) decide adotar uma criança. A ideia é aprovada pelo marido John (Peter Sarsgaard, de Plano de Vôo, Hora de voltar, O Suspeito, O Preço de Uma Verdade), que concorda que um filho adotivo pode alegrar a família e fazer companhia aos dois outros filhos do casal. A escolhida é Esther (Isabelle Fuhrman), uma menina inteligente e carismática que se veste com roupas diferentes e possui muitos talentos.
No entanto, existe alguma coisa de errado com a Esther e isso fica evidente quando estranhas e perigosas situações começam a aparecer. Parece que Esther está sempre presente em encrencas e seu passado trágico só reforça a idéia que algo muito grave pode estar prestes a acontecer. A Órfã é um filme que bate sempre na mesma tecla. O diretor Jaume Collet-Serra não se cansa em tentar criar sustos e uma atmosfera de suspense durante todas as cenas, o que as vezes causa o efeito oposto. O velho clichê do reflexo no espelho, por exemplo, é repetido sem parar.
Mesmo assim a história é bem conduzida, embora possa ser assistida com um ar de desconfiança por se parecer com outros filmes. Porém a resolução final consegue realmente surpreender e consertar alguns detalhes que pareciam ser falhas. E nos dias de hoje, quando o que se mais tem são refilmagens, é uma boa notícia saber que existe algo de original ainda. E um detalhe curioso: o roteiro foi escrito de trás para frente, a partir da surpresa que Esther guarda.
E nesse ponto a escolha da atriz Isabelle Fuhrman como a pequena vilã foi um acerto. Talentosa, ela consegue interpretar bem o papel e convencer (principalmente na conclusão, com uma maquiagem bem cuidada). Também estão no elenco Jimmy Bennett (A Pedra Mágica, Star Trek - O Filme) e Margo Martindale (Hannah Montana - O Filme). Quem for assistir só não pode contar o segredo da órfã. Assim como O Sexto Sentido, o mistério pode estragar tudo se for revelado antes.
(20/07/09) O Bloody Disgusting está divulgando seis clipes do filme "A Órfã". Confira:
(16/07/09) Os infernautas André Luiz, Pablo Ferreira, Gilvan Perez Soares, Patricia Andrade e, é claro, a sempre prestativa Andrea Ribeiro enviaram nada mais nada menos do que 29 imagens do filme "A Órfã"! Confira no menu ao lado e comente abaixo...(05/07/09) Confira o trailer de "A Órfã"(The Orphan), filme de terror do diretor Jaume Collet-Serra ('Casa de Cera'), com Vera Farmiga e Peter Sarsgaard:
[Colaboração Michel Toronaga (www.daiblog.com.br)]
(25/06/09)
Confira alguns comerciais de TV para o filme A ÓRFÃ: