A CASA QUE PINGAVA SANGUE por E. R. Corrêa

Revisitemos "A Casa que Pingava Sangue" (1971), já um pequeno clássico do horror e caro especialmente aos amantes dos “terror tales”, tão comuns na saudosa década de 1970 e hoje completamente esquecidos. Pois é um daqueles filmes divididos em episódios, com um fio condutor amarrando a trama e funcionando como uma historieta à parte. São quatro histórias curtas (em média 20 minutos cada uma) e todas são ótimas, cada uma com sua própria peculiaridade distinta, com um gosto envelhecido, agradável, talvez até com cheiro das páginas amareladas daqueles contos curtos porém rasteiros que saíam aos montes em magazines de horror e suspense como “Mistério Magazine de Ellery Queen”, “Mistério Magazine de Alfred Hitchcock”, “Horas de Suspense”, etc. E não é para menos, já que todo o filme é baseado em histórias do mestre do horror e suspense Robert Bloch (e também com roteiro de seu próprio punho), mais conhecido como autor do romance “Psicose” (1959), que Alfred Hitchcock transformou num clássico do cinema.
Bloch, aliás, escreveu e roteirizou uma série de filmes entre os anos de 1960 e 1970, todos eles para a produtora “Amicus”, que na época rivalizava com a “Hammer Films”, também inglesa, no mercado de horror. Só para dar uns exemplos desses filmes, hoje pérolas raras e amadas pelos aficionados: As Torturas do Dr. Diábolo, Asilo Sinistro, Picada Mortal.

Quanto à Casa que Pingava Sangue, e para aqueles que ainda não viram (e que desejam ver), seria chato conhecer a fundo a trama de cada episódio, por isso irei me limitar a pinceladas rápidas, apenas para uma primeira apreciação. Tudo começa quando um inspetor da Scotland Yard sai em busca de um ator de filmes de terror desaparecido, chamado Poul Anderson, tempos depois de ter alugado a famigerada casa, então sob o controle de um tal de Sr. Stoker. Na delegacia do próprio vilarejo, um assustado oficial de polícia conta ao agente outros casos estranhos de desaparecimento e morte que ocorreram num passado não muito remoto e que tinham relação com a casa. E então nos são apresentadas as histórias.



Na primeira delas (baseada no conto “Method for Murder”), um escritor de livros de crime e mistério resolve se isolar na mansão, juntamente com sua esposa, para terminar um novo trabalho, e acaba sendo vítima não propriamente de suas idéias obsessivas, mas de algo ainda mais insuspeito. Ele cria um personagem psicopata chamado Dominic e acredita estar sendo vítima de sua própria criação. O conto não é, como se poderia imaginar a primeira vista, completamente previsível: há um jogo psicológico com o espectador que funciona maravilhosamente (eu, pelo menos, caí que nem patinho). Sem dúvida é aqui, justamente nessa primeira história, que vemos a influência maléfica da casa se manifestando de forma mais intensa, fazendo jus à sua fama, talvez um tanto exagerada, de mal assombrada, embora a casa não participe, em qualquer uma das histórias, de maneira direta sobre as tragédias que recaem sobre os personagens, mas apenas, e como nos diz o próprio narrador, “exerce uma estranha influência sobre sua personalidade”. Tendo a personalidade ideal (seja lá o que isso signifique) não há qualquer problema.

A segunda história (“Waxworks”) é mais indireta ainda, já que o crime, o clímax do conto, não é relacionado à casa propriamente dita, mas a uma antiga e provavelmente não resolvida questão de adultério entre uma bela mulher já falecida (chamada apropriadamente de Salomé) e alguns homens que a amaram no passado. Acontece que o dono de um museu de cera da cidade construiu uma cópia perfeita de Salomé e a mantém exposta, até que um negociante aposentado (interpretado por ninguém menos que o grande e inigualável ator britânico Peter Cushing) a descobre perdida na semi-obscuridade do museu e fica fascinado pela sua beleza e por estranhas recordações do passado. Esse homem, não por acaso, acabara de se isolar na Casa, e daí à conclusão de que algo aterrador irá acontecer é um pulo. Esse, ao menos, levará consigo um velho amigo, que também fora no passado um joguete de Salomé e ainda se mantém preso em recordações saudosas.



Essa história não é absolutamente original, já que parte da lenda de Salomé (aquela que fora uma princesa na época do Rei Herodes, e que já foi contada e recontada, entre outros, até pelo poeta irlandês Oscar Wilde numa peça de teatro), e mescla com o tema comum às histórias de horror envolvendo um museu de cera. É possível que o conto esteja até mesmo deslocado da premissa do filme, mas acaba passando batido por ser, entre outras coisas, divertido, simpático, com bons atores e, of course, ter Peter Cushing no elenco.
O que nos leva à terceira história (“Sweets to the Sweet”) - e a minha preferida. Não somente pelo fato de ter Christopher Lee no elenco, mas por ser a mais sádica, cruel e diabólica, a despeito do fato de apresentar uma linda garotinha loira como estrela principal. Lee interpreta um pai austero e anti-social, que resolve se isolar com a filha na casa de campo por achar que ela herdou, da mãe, uma tendência a práticas de bruxaria. E talvez ele tenha razão; por medo, acaba tratando a menina com rispidez, o que só faz aumentar a raiva e a vontade de vingança da garotinha. Nem mesmo a presença de uma belíssima e dedicada babá impedirá a tragédia que se desenrola aos poucos no casarão. Final previsível, mas aterrador, sinistro, resgatando a prática macabra do vodu tal como se acreditava que era praticado pelas bruxas da idade média. Uma história crua, gélida, e Lee, como sempre, muito à vontade no papel.
A quarta história é aquela que iniciou tudo (a história do ator de filmes de terror desaparecido, o tal Poul Anderson), que havia alugado a casa durante o tempo em que iria atuar num novo filme de horror mas, por causa de uma “capa de vampiro” supostamente verdadeira, acaba se envolvendo numa trama vampírica macabra e insuspeita. Além do canastríssimo Jon Pertwee como o “astro de cinema” (como ele enfatiza com toda pompa), esse episódio traz a diva do terror inglês Ingrid Pit, que já na década anterior vinha se destacando nos filmes de terror da produtora “Hammer”, mais especificamente naquele que se tornou um clássico: A Condessa Drácula (inspirado na história de Elizabeth Bathory). O conto é muito divertido e revive com bom humor e originalidade o tema do vampirismo, então já revirado do avesso nos filmes de terror britânicos. Curiosamente, essa história é a única que consegui encontrar na forma do conto original escrito por Robert Bloch: saiu numa coletânea portuguesa de histórias de vampiros chamada “12 Histórias de Vampiros – Apresentadas por Roger Vadim”, mas é bastante diferente da adaptação em filme, preservando só a idéia da capa que tem poderes de transformar em vampiro quem a veste. Clima sinistro do começo ao fim, bons argumentos, boa música, atores carismáticos, a junção de todos esses elementos, e muito mais, tornam A Casa que Pingava Sangue um verdadeiro clássico. Filme que não canso de rever.

E.R.Corrêa



por Marcos T. R. Almeida

"Na verdade, não tenho horror ao perigo, exceto no seu efeito positivo, o terror." - Edgar Allan Poe

Atenção! O texto a seguir contém detalhes sobre o filme, inclusive revelando o final dos episódios.

Quem de nós que, pelo menos uma vez na vida nunca sonhou em habitar uma casa bem aconchegante, afastada do "turbilhão apressado da humanidade", distante da turba enfadonha e mesquinha da sociedade?

Uma bela casa muito bem ornamentada repleta de mobiliário antigo, peças de artes, lareira, biblioteca contendo os mais diversos livros com as obras dos nossos autores prediletos... Ah! Como seria bom sentar-se no conforto de uma poltrona "Luís XV", aquecido pelo fogo de uma lareira e passar uma tarde de inverno, lendo Heine, Poe, Milton, Azevedo, Nietzsche, John Keats, e tantos outros! Afinal, somos mais afeiçoados com os mortos do que com os vivos. Estes mortos pelo menos deixaram como legado à humanidade o seu pensamento, e como disse um dia Baudelaire, o pai dos poetas malditos: "O que é criado pelo espírito, é mais vivo do que a matéria."



Quanto aos vivos, nossos contemporâneos para variar, precisamos fugir deles para bem longe de suas maldades e calúnias, pois a todo instante que nos atracamos com eles, somos acusados de algum crime que não cometemos!

Ah! Uma bela casa de campo seria o refúgio ideal contra esses ignóbeis. Assim isolado, teríamos mais tempo para os nossos mortos, assim e somente desta forma poderíamos aprofundar na sabedoria dos antigos e mergulhar num universo concebido por estes gênios, e de lá do nosso refúgio anti-social, se fosse preciso, praguejaríamos contra toda a mediocridade da sociedade, saboreando uma fina taça com vinho do Porto, safra de 1930!

Nossa casa tem muito de nós, ela reflete nossa personalidade, nossos sonhos e aspirações, e isto porque não moramos em uma casa ideal ao nosso temperamento, pois se fosse o caso, tenho certeza que habitaríamos castelos medievais que são os que mais se aproximam com o nosso temperamento.

Para se escrever uma boa obra, um escritor precisa de quietude, precisa por força isolar-se da realidade que o cerca para de fato mergulhar em seu interior, e de lá de seu subconsciente transcrever para o papel o caráter verdadeiro de seus personagens.



Quando assisti pela primeira vez o filme "A Casa que Pingava Sangue" (1970), comecei a refletir melhor estas questões e o meu gosto pela propriedade apurou-se de maneira muito significativa, imaginando qual seria meu destino se eu fosse o próximo inquilino da casa, pois a mansão reflete sempre a personalidade do novo morador.

Então mergulhei no pesadelo, vi o meu ser habitando aqueles aposentos confortáveis, vi a imensa sala de estar com belas poltronas que dariam a mim o conforto necessário, mas vi também minha ruína...

Sem piedade, o meu fim seria idêntico ao de todos aqueles antigos inquilinos. Não sei o caso dos senhores, mas acredito que não fugiriam da regra, visto que parecem serem afeiçoados com o terror e possuírem identidade forte com o sobrenatural!

A casa é um espetáculo deslumbrante, fica localizada em um local afastado da cidade, idêntica a do clássico "Os inocentes" (1961). Ela é rodeada por uma floresta repleta de árvores, entre elas o "loureiro sagrado", usada pela Inquisição para queimar as feiticeiras.

Mas antes mesmo de entrarmos no assunto sobre feitiçaria, vamos primeiro conhecer todos os detalhes que caracterizam a casa em si, e analisarmos a primeira das quatro histórias de horror que compõe o filme.



A exemplo do clima de terror, a própria trilha sonora já assusta em um ritmo psicótico, em notas de piano marteladas onde o efeito acústico ora se prende em lentidão de suspense e ora dispara como se fosse um golpe de punhal nas costas!
A melodia prende o espectador e faz o mesmo mergulhar dentro das cenas do filme, mas o efeito sinistro da música acaba tocando no nosso subconsciente transportando o clima de terror do filme para nossa própria casa...

Confesso que até hoje ainda não assisti outro filme de terror onde a trilha sonora pudesse envolver-me de forma tão perturbante em nosso próprio caráter com as cenas do horror.

Envolto nesta horripilante trilha sonora o filme "A Casa que Pingava Sangue" nos apresenta pequenos detalhes que merecem ser reforçados neste escrito como as imagens em formas de sombras escuras, estátuas que parecem observar os transeuntes, uma cena onde se vê um crânio sobre o livro "Drácula", ou breves sequências onde se observam obras de Edgar Allan Poe. Ou ainda uma altiva águia de bronze que parece contrastar com o rosto de um anjo esculpido nos traços dos desenhos de Gustavo Doré, completando uma estranha decoração repleta de objetos que parecem ter vida própria, enchendo o interior da casa de uma sinistra atmosfera envolta nos mais recônditos mistérios do além.

Os primeiros inquilinos são um simpático casal que procura a tranquilidade do campo. O marido é um escritor dedicado de histórias de terror, especialista em crimes e mortes violentas, que escreve como dizia Nietzsche, "com sangue, pois sabe que o sangue é espírito". Seu personagem principal chama-se Dominique, um estrangulador louco e psicopata que fugiu do hospício. Ele não só cria o personagem para sua história, mas o desenha num esboço, a imagem de seu "sócio no crime" que vai ajudar a faturar nas vendas da obra.

O filme começa a transportar o espectador para o inconsciente do personagem central que no caso é o marido escritor, que também possui seu personagem, o estrangulador Dominique!



Sinistra é a aparição de Dominique, mais imaginária que real, que materializa-se em passos no assoalho, pequenos ruídos, gargalhadas e por fim, surge do oculto para roubar o desenho dele mesmo, guardado na gaveta da escrivaninha do escritor, que atormentado fuma vários cigarros e toma bons tragos de whisky scothland, para acalmar os ânimos e o próprio medo de seu personagem, que parece ter saído de dentro dos seus escritos.

Sua esposa bela, mas muito falsa por sinal, no fundo não passa de uma mulher canalha que tem um amante e com ele trama o assassinato do psiquiatra que está fazendo o tratamento das perturbações de seu marido, no caso, as aparições de Dominique.

O doutor, em seu gabinete de consultas, afirma ao seu paciente que quase sempre os personagens que criamos são uma continuidade inconsciente da nossa própria personalidade, e que na vida real estas coisas não existem... De repente surge Dominique e estrangula o doutor e em seguida seu paciente, o autor de Dominique...

Na casa - a casa que pingava sangue como diz o próprio título do filme - está a esposa traidora a olhar-se no espelho e logo surge seu amante, retirando a máscara de Dominique forjada por eles para provar a insanidade do marido.

Mas para o espanto desta mulher, seu marido também havia sido estrangulado, e Richard, seu amante, parecia possesso por algo diabólico. "Richard? Meu nome é Dominique!", ele exclama e mata estrangulada também a mulher que havia tramado os crimes...

Só este pequeno curta metragem já fez valer o título do filme, que prossegue agora com o segundo episódio, estrelando o nobre e veterano do horror, o já falecido Peter Cushing, no papel principal.

O personagem é um aposentado solitário que aprecia quietude e sossego. Ele muda-se para a casa e costuma ocupar muito bem o seu tempo, afinal é um excelente jardineiro pois adora cuidar de plantas. Lê muito, parece um autodidata em filosofia e literatura, enfim, um homem culto e letrado. Como se não bastasse as duas ótimas qualidades, ele ainda ouve música! Uma obra de Franz Schubert faz-se ouvir em sua vitrola, "Der tod und das madchen" ou "O túmulo da donzela", obra composta para quarteto de cordas, onde a harmonia toca na alma do espectador, transportando para um cenário idílico e romântico, sobre forma de arrebatamento.

"Eu leio, cuido da jardinagem e ouço música", realmente quem é nobre sabe aproveitar bem seu tempo. Sigamos o seu exemplo para um dia quem sabe, alcançar sua refinada nobreza!

Solitário, o personagem perambula pelo pequeno centro da cidadezinha mais próxima até que depara-se com um museu de cera dos horrores... Ali encontra lúgubres e horrendas figuras de cera e no meio do pesadelo depara-se com Salomé, a linda, a bela Salomé com uma bandeja na mão onde a cabeça de João Batista está exposta, já decepada do corpo.

Salomé foi um tema bastante explorado na literatura. Temos a narração bíblica para quem não conhece a história, e temos também a imoral e irreverente peça de teatro de Oscar Wilde, onde logo no primeiro dia de estréia foi proibida em Londres e por toda parte onde ia ser apresentada, devido talvez ao seu caráter imoral e mórbido, onde a princesa Salomé beija os lábios de João Batista já decapitado, fazendo uma forte alusão à necrofilia, além do erotismo sensual da personagem central que é Salomé.

O compositor Strauss, também inspirado no mesmo tema, compôs "Salomé", uma ópera em dois atos inspirada na peça de Oscar Wilde, o excêntrico dandy irlandês.

"Ela é linda, não é verdade? A minha Salomé...", exclama o dono do museu ao visitante, que sai dali perturbado com aquela boneca de cera. Mais tarde, um amigo visita-o na casa, ambos parecem terem no passado um amor em comum. Esse amigo depois entra também no museu e fica hipnotizado por Salomé.

O desfecho é simples. Primeiro este novo personagem, o amigo visitante, é assassinado no museu, tendo sua cabeça decepada e posta na bandeja de Salomé. Depois, é o próprio inquilino da casa que pingava sangue quem é a vítima. Ele luta com o dono do museu e encontra a morte, e sua cabeça também passa a fazer parte do sinistro acervo do museu de cera dos horrores!

No terceiro curta metragem, Christopher Lee entra em cena no papel de um pai severo e rude, que tem uma filhinha orfã de sua mãe que provavelmente era uma feiticeira. Aqui, novamente o terror é explícito sobre o cenário da enigmática casa onde os aposentos parecem ser testemunhas dos estranhos acontecimentos ali ocorridos...

A filhinha do novo inquilino, que parece ser uma garotinha tímida e reprimida, tem para sua educação a companhia de uma linda governanta que parece ensinar a garota a superar seus traumas, em especial o medo das chamas do fogo. A garotinha ganha então alguns presentes e em especial uma boneca. De repente o pai, o rude e severo pai, rouba das mãos da menina a boneca e atira-a no fogo da lareira. A boneca derrete sobre as chamas, e o pai teme que sua filha siga a mesma inspiração da falecida mãe, que era uma bruxa diabólica... A garota magoada chora, e sua governanta não entende a estranha atitude do pai.

Chove forte, trovões estralam lá fora, relâmpagos reluzentes clareiam a noite, falta luz elétrica, é hora de acender velas, mas o pai constatou que faltavam algumas delas, e a garotinha, que mais parece um anjinho, faz um boneco de cera de acordo com as antigas fórmulas de feitiçaria, a saber:

Malefício da figura de cera

"Pede um pedaço de cera virgem, amolece-o em água quente, modela então com ele uma figura, pensando intensamente na pessoa que queres enfeitiçar. Enquanto fazes isto, pronuncia com veemência estas palavras; "fulano de tal, em tua semelhança faço esta esfinge para que a ela fiques amarrado, de tal maneira que o teu corpo seja o seu corpo e o seu seja o lugar de todas as sensações". Se tens cabelos, algum dente ou amparas de unhas provenientes da pessoa que estás enfeitiçando, põe na figura, e se possui roupas, faz um pequeno vestuário que lembre a vítima. Disposta assim a figura, uma noite, à hora de Saturno, atravessa-a em todos os sentidos com agulhas ou espinhos, cobre-a de injúrias e maldições em nome do demônio Guland imaginando firmemente que tens à tua frente a mesma pessoa de corpo e alma; joga por fim o boneco de cera ao fogo... Se tudo isto fizeres como digo, pondo toda a tua fé e força, não duvides de que assim como a cera se derreterá e consumirá, assim também padecerá a pessoa, sofrendo dores agudas até a morte."


Seguindo os ensinamentos, a garota vinga-se do pai carrasco torturando-o com agulhas espetadas no boneco de cera e por fim ela também joga o boneco ao fogo, como o pai havia feito com sua boneca de brinquedo recebida da governanta. O pai morre de uma maneira horrível...

No quarto e último episódio, aparece um canastrão de filmes de horror, um galã da década de 1970 que aluga a casa. Ele, depois de muita briga no estúdio de cinema, acaba comprando em um antiquário uma capa de vampiro legítima. Ao vestir a capa para a atuação nos papéis de vampiro, ele transforma-se num vampiro de verdade e seu túmulo passa a ser o porão da própria casa.



Mais tarde, o corretor de imóveis dá as chaves da casa a um invocado investigador de polícia que está exatamente tentando solucionar o enigmático desaparecimento de um astro do cinema. O maluco dirige-se então à casa numa noite nada convidativa para uma visita. Ao entrar na macabra casa, ele é surpreendido pelo vampiro e por sua companheira, também atriz de cinema, que atuava em seus filmes e era uma vampira de verdade também.

Assim acaba o filme, em uma cena bastante lúgubre de vampirismo...

Novamente a casa está para ser alugada e eu cismei de novo no meu destino se eu fosse o próximo inquilino....

Marcos T. R. Almeida


A CASA QUE PINGAVA SANGUE (The House That Dripped Blood, EUA, 1970)
Direção: Peter Duffell
Roteiro: Robert Bloch; Russ Jones
Produção: Max Rosenberg; Milton Subotsky
Produção Executiva: Gordon Westcourt; Paul Ellisworth
Fotografia: Ray Parslow
Música: Michael Dress
Edição: Peter Tanner
Direção de Arte: Tony Curtis
Maquiagem: Harry Frampton; Joyce James
Elenco: Denholm Elliott (Charles Hillyer), Peter Cushing (Philip Grayson), Christopher Lee (John Reid), Ingrid Pitt (Carla Lynde); John Bennett (Det. Insp. Holloway); John Bryans (A.J. Stoker); John Malcolm (Sgt. Martin); Joanna Dunham (Alice Hillyer); Tom Adams (Richard/Dominic); Robert Lang (Dr. Andrews); Joss Ackland (Neville Rogers); Wolfe Morris; Chloe Franks (Jane Reid); Jon Pertwee (Paul Henderson)

Artigos