PIRANHA
(Piranha, EUA, 1978)

Direção: Joe Dante.
Roteiro: Richard Robinson e John Sayles.
Produção: Roger Corman, Jon Davison e Jeff Schechtman.
Edição: Joe Dante e Mark Goldblatt.
Música: Pino Donaggio.
Elenco: Bradford Dillman (Paul Grogan), Heather Menzies (Maggie McKeown), Kevin McCarthy (Dr. Robert Hoak), Keenan Wynn (Jack), Dick Miller (Buck Gardner), Barbara Steele (Dr. Mengers), Belinda Balaski (Betsy), Melody Thomas Scott (Melody Thomas), Bruce Gordon (Colonel Waxman), Barry Brown (Trooper), Paul Bartel (Sr. Dumont), Shannon Collins (Suzie Grogan), Shawn Nelson (Whitney), Richard Deacon (Earl Lyon), Janie Squire (Barbara Randolph), Roger Richman (David) e Bill Smillie (Jailer).
Distribuição: Em DVD pela Cinemagia.


SINOPSE
Um cardume de piranhas geneticamente modificadas escapa do tanque de um laboratório de pesquisas científicas. Os peixes famintos acabam num rio onde devoram tudo o que encontram pela frente, espalhando horror e morte. Enquanto isso, um casal corre contra o tempo tentando impedir que o cardume chegue até um parque aquático lotado de banhistas.


“Elas estão aqui! Famintas! Quem poderá pará-las?”

Seguindo todos os passos da cartilha dos filmes B sobre animais geneticamente modificados (orçamento minúsculo, roteiro absurdo, elenco sem inspiração, efeitos toscos, sangue, produtos químicos e muito oportunismo), “Piranha” marca também a união de dois grandes nomes do cinema fantástico americano: o lendário produtor Roger Corman (que segundo o site americano IMDB produziu 386 filmes!) e o diretor Joe Dante (que no futuro realizaria “Gremlins”, “Grito de Horror” e “Viagem Insólita”).

Na verdade, "Piranha" é uma espécie de refilmagem não-autorizada de
“Tubarão”. No entanto, Spielberg, contrariando todas as expectativas, não processou ninguém por plágio. Muito pelo contrário, declarou publicamente que dentre todas as cópias de “Tubarão” que viu, a versão de Joe Dante era a que ele mais tinha gostado. Alguns anos depois Spielberg e Dante fariam juntos um dos filmes mais divertidos da década de 80: “Gremlins” (1984).

Foi necessário uma dupla de roteiristas, os americanos Richard Robinson e John Sayles, para copiar o roteiro de “Tubarão”. Tudo bem que eles "melhoraram" um pouquinho o original e substituíram o tubarão pela piranha e água salgada pela doce. Mas independente de qualquer ironia e de qualquer oportunismo sacana, “Piranha” fez bonito nas bilheterias e rapidamente virou clássico, rendendo uma continuação ainda mais nonsense, dirigida por ninguém menos que James Cameron, onde as piranhas além de extremamente inteligentes ainda voavam. Em 1995, o próprio Corman investiria numa refilmagem caça-níqueis para a TV americana, e é esperada, ainda para 2009, uma nova versão para os cinemas, dirigida pelo francês Alexandre Aja (“Alta Tensão”).

“Piranha” (a original) tem início quando dois mochileiros invadem uma estação de pesquisas supostamente abandonado. Dentro das instalações, o casal tem a incrível ideia de nadar sem roupa num tanque infestado por peixinhos carnívoros. Tempos depois, Maggie McNamara, uma detetive particular, inicia uma busca na região atrás dos jovens desaparecidos. Com a ajuda de Paul Grogan, um morador local, ela chega até o centro de pesquisas, onde encontra um colar e uma mochila que indicam que os jovens passaram por ali. A detetive desconfia que o casal possa ter se afogado num grande tanque de água localizado na entrada da estação. A principio, parece ser uma boa ideia esvaziar o tanque para verificar se os corpos estão no fundo. Mas o que eles não imaginavam é que estavam libertando um enorme cardume de piranhas no rio que corta toda a região.

Resta a detetive McNamara e Grogan avisar as autoridades e impedir que os banhistas que se divertem nas águas do rio sejam atacados e que o cardume de piranhas assassinas escape para o mar (sim, estas piranhas sobrevivem em água salgada). Mas os peixes não serão o único problema enfrentado pelo casal de heróis, que precisarão enfrentar a polícia, o exército e um inescrupuloso empresário, dono de um parque aquático recém inaugurado.



No elenco, destacam-se as rápidas participações dos veteranos Kevin McCarthy ("Invasores de Corpos", 1978) e Barbara Steele (de "A Máscara de Satã" e "Calafrios"). O casal principal, formado por Bradford Dillman e Heather Menzies não demonstram muita química, mas nada que comprometa, no contexto trash do filme.

Um grande mérito de "Piranha" foi ter revelado grandes talentos. Além do diretor Joe Dante, o então novato técnico em efeitos especiais Rob Bottin assumia a responsabilidade de dar vida as pequenas assassinas submarinas. Bottin trabalharia no futuro em produções de peso como "Enigma do Outro Mundo" e "Robocop". Em "Piranha", devido as limitações orçamentárias, os efeitos são um tanto contidos e raramente vemos os pequenos monstros.



A trilha sonora, do italiano Pino Donaggio (de "Carrie - A Estranha" e "Grito de Horror"), como era de se esperar, é apenas uma variação inferior do tema composto por John Williams para "Tubarão".

Apesar de todas as deficiências, é importante entender "Piranha" como um legítimo filme B, rodado em apenas 3 semanas com um orçamento de 800 mil dólares. Nesta perspectiva, o longa que projetou Joe Dante ganha a dimensão de clássico do gênero, simpático, bem humorado e divertido.

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