POPULAÇÃO 436
por João Pires Neto
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Pequenas e bucólicas cidades do interior são sempre cenários perfeitos para grandes segredos. Em Rockwell Falls não é diferente. Lá as pessoas são felizes, não há violência ou crimes. Entretanto toda esta aparente tranqüilidade é posto à prova quando o agente do censo, Steve Kady (Jeremy Sisto, do seriado "Sete Palmos"), chega até o local. A principio todos são amigáveis e hospitaleiros, inclusive o policial Bobby Caine (Fred Durst, o vocalista da banda Limp Bizkitz). Entretanto, ao entrevistar a população, Kady começa a desconfiar que algo esteja fora do lugar. Seu temor toma forma, quando, ao examinar os documentos da cidade, descobre que há 100 anos a população se mantém em 436 habitantes. Esta estranha anormalidade, aliada a superstição local de que todos os que deixam a cidade morrem vão tornar a vida de Kady um pesadelo.
Produção visivelmente de baixo-orçamento, mas que se revela uma boa opção. Não há exageros ou violência, mas o roteiro bem amarrado compensa todas as deficiências, inclusive as do elenco. | A atuação do protagonista, interpretado por Jeremy Sisto, parece amadora em determinadas seqüências. Entretanto, uma pequena e inesperada surpresa é a atuação do vocalista Fred Durst, que não compromete e em certos momentos até impressiona.
 
O roteiro, que incorpora idéias de clássicos como " O Homem de Palha" (recentemente refilmado como " O Sacrifício") e do mais recente " A Vila", de Shyamalan, é assinado pelo estreante Michael Kingston. Aliás, a direção é da também estreante Michelle Maxwell (seus trabalhos anteriores se resumiam a episódios de séries de TV, como "Arquivo X" e "Without a Trace").
A versão em DVD lançada no Brasil traz, além de trailers de outros filmes de terror a serem lançados pela distribuidora, um final alternativo, onde o destino do protagonista é o oposto do escolhido oficialmente.  
Na soma final dos pontos e contrapontos, " População 436" acaba se tornando uma boa opção. Principalmente nestes tempos sombrios, em que o mercado cinematográfico é bombardeado por refilmagens e continuações. 
Rock and Roll e cinema, de horror, é claro.
A parceria entre os astros do rock and roll e cinema renderam alguns grandes filmes, como o gótico “ Fome de Viver”, onde o camaleão David Bowie vive um vampiro que tem que encarar seu trágico destino, quando deixa de ser imortal. Entretanto, o resultado nem sempre é tão empolgante. O vovô Alice Cooper já protagonizou seu verdadeiro trash em “ Monster Dog”, do diretor italiano Cláudio Fragasso (parceiro de Lucio Fulci na empreitada “ Zombi 3”). Já Dee Snider, vocalista do Twisted Sisters, contracenou com Robert Englund (o imortal Freddy Krueger) no fraco “ Mórbido Silêncio” em 1998. Joey Ramone deu o ar na graça na comédia de humor negro “Final Rinse”, onde um serial-killer escalpelava cabeludos (principalmente os rockeiros). A vocalista do Blondie, Deborah Harry participa do escatológico “ Videodrome”, de David Cronemberg. E não podemos esquecer do rock star (?) John Bon Jovi, de “ Vampiros: os Mortos”, seqüência do filme de Carpenter. E por aí vai.
João Pires Neto
POPULAÇÃO 436, de Michelle McLaren
por Luiz Henrique Oliveira
Estou notando, ao longo do tempo que está havendo uma avalanche de filmes que fazem aquilo que se costuma chamar de "terror psicológico". Um exemplo notável desse tipo de obra é o clássico "O Iluminado", de 1980, dirigido pelo célebre Stanley Kubrick. Desde o lançamento da primeira adaptação do livro de Stephen King nos cinemas pelo mundo, muitos diretores vem tentando dar a mesma atmosfera claustrofóbica a seus thrillers. Alguns conseguem. Outros não. No caso de "População 436", ficamos num meio-termo.
 
Tudo se passa quando Steve Kady (Jeremy Sisto), um funcionário do Censo, é enviado a cidadezinha de Rockwell Falls para entrevistar e cadastrar seus habitantes. Até aí, tudo bem. Mas, ao chegar nos limites da cidade, problemas com o seu carro fazem com que ele seja obrigado a parar, sendo recebido pelo policial Bobby (Fred Durst). Ao entrar na cidade, é recebido com simpatia pelos habitantes. Aquele lugar parece ser o ideal para se viver, até Kady começar a perceber que algo está errado. As pessoas da cidade respeitam muito as suas tradições, um pouco estranhas para os modos urbanos de Steve. E, ao conhecer uma menina de doze anos que está sendo tratada como esquizofrênica pelo único médico da cidade, ele começa a se dar conta da realidade; que se confirma quando ele verifica os outros censos realizados naquele lugar: há mais de cem anos, a população é exatamente de 436 habitantes. Existe um segredo por trás das tradições ortodoxas da população? Steve Kady acaba sendo jogado dentro de um turbilhão de acontecimentos que envolvem uma cortina de silêncio, fanatismo religioso e estranhos pesadelos que o acometem à noite. Decide, então, ajudar a garota e fugir da cidade. Mas logo vê que sair de Rockwell Falls não é uma tarefa fácil.
O roteiro de Michael Kingston esconde certos segredos que, à primeira vista, podem confundir o espectador. Com o desenrolar do filme, esses mistérios vão sendo apresentados ao público, às vezes elucidando, outras vezes confundindo ainda mais a cabeça de quem está assistindo. A trama é interessante. Mas, conforme aproxima-se de seu final, torna-se cansativa e chata. Poderia ser melhor aproveitada se o roteiro tivesse passado por uma revisão crítica antes, para que algumas arestas fossem aparadas.  
No que diz respeito a atuações, duas notas valem a pena serem comentadas: a participação do vocalista da banda Limp Bizkit, Fred Durst, é digna de destaque: é uma das boas surpresas do filme. Seu personagem, Bobby, por sua natureza, exibe um semblante de contradição e medo, misturado com certa ingenuidade. E Durst exprime isso de forma absolutamente convincente com uma atuação correta, sem os exageros característicos de certos cantores que acabam se enveredando pelo cinema.
Outro ponto a ser comentado é a atuação de Jeremy Sisto. Para quem não se lembra, Sisto aparece muito na telinha global quando chega a época de Páscoa, ou de Natal: ele é o protagonista do filme "Jesus", que originalmente era uma série e transformou-se em filme para passar na Sessão da Tarde a cada feriado religioso. Pois bem. A sua atuação é mediana, meio mecânica no começo. No entanto, a partir do momento que a loucura dos habitantes de Rockwell Falls vai sendo mostrada, ele pega o ritmo da coisa e, num determinado momento, não se pode saber se ele está mergulhado numa paranóia ou se tudo em sua volta é real. E é essa ambigüidade que torna o seu trabalho interessante, assim como a dos coadjuvantes que nos fazem acreditar que há algo podre naquele paraíso.  
Pode-se também comentar a direção de Michelle McLaren, um tanto insegura. Em alguns momentos parece que o filme vai perder o rumo, mas, a partir da segunda metade até o final, as coisas se encaixam novamente. Porém, ainda assim, é uma direção confusa, longe de ser decepcionante.
Certos aspectos no filme incomodam, tais como: o que são aqueles pesadelos que Kady tem durante a noite? Por que ele tem esses sonhos macabros? É uma pergunta que o filme não se preocupa em responder. Sobre esses aspectos, um ponto positivo é que cada espectador terá uma visão diferente sobre os acontecimentos. O que eu acho pode ser diferente do que você, distinto leitor, amiga leitora, podem achar ao ver o filme.  
A passividade com os que os habitantes do local coagem com os eventos realizados por ali chega a ser traumática. Nunca uma comemoração pela chegada de um visitante pode ser tão bizarra e cruel. Somente vendo o filme para comprovar o que eu digo.
Há também o problema dos efeitos especiais. Nesse quesito o filme peca. São horríveis. Cenas com fogo dariam vexame até nos técnicos de efeitos do SBT. Para a nossa sorte, o filme quase não as utiliza com tanta freqüência.  
Numa análise geral, " População 436" é um bom filme para se ver em dias nublados, quando não se tem nada a fazer. A capa do DVD e sua sinopse podem enganar a muita gente que procura um filme de terror, daqueles de terror mesmo. Não. Este nada mais é do que um suspense psicológico até que bom, pois mantém quem o assiste numa atmosfera inquietante. Nada com muito estardalhaço, apesar de sua premissa enganar os desavisados. O filme assusta? Sim, em algumas partes. Não é o tipo de susto fácil, fazendo com que você pule da cadeira. Mas, sim, aquele susto que vem tarde da noite, quando você está para dormir, e fica imaginando como poderia ser se tudo aquilo acontecesse de verdade, se tudo existisse como no longa. Aparentemente, o filme é bom. Mas há melhores por aí. 
Pode até ser que um dia isso aconteça, mas " População 436" está longe de ser um filme exemplar para o gênero.
Luiz Henrique Oliveira
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POPULAÇÃO 436 (Population 436, EUA/Canadá, 2006)
Direção: Michelle Maxwell Mclaren
Roteiro: Michael Kingston.
Produção: Gavin Polone
Produção Executiva: Gavin Polone; Kathy Landsberg; Jessika Borsiczky
Fotografia: Thomas Burstyn
Desenho de Produção: Andrew Deskin
Direção de Arte: Deanna Rohde
Figurino: Meg McMillan
Elenco: David Ames (Ronald Greaver), Leigh Enns (Kathy Most), Susan Kelso (Enfermeira Greaver), Rick Skene (Ray Jacobs), Fred Durst (Bobby Caine), David Fox (Dr. Harold James Greaver), Peter Jordan (Minister Hiller), Charlotte Sullivan (Courtney Lovett), R.H. Thomson (Xerife Colcutt), Frank Adamson (Mayor Grateman), Reva Timbers (Amanda Jacobs), Monica Parker (Belma) e Jeremy Sisto (Steve Kady).
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