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De baixo orçamento, independente e elogiada por críticos e por um público selecionado, a série canadense POSSUÍDA é, sem sombra de dúvidas, uma das mais criativas e eficientes franquias do cinema de horror moderno. Numa época em que produtores inescrupulosos vêem nas seqüências apenas uma maneira de ganhar mais dinheiro, sem "mexer em time que está ganhando", a trilogia POSSUÍDA aparece com duas seqüências que são completamente diferentes do original, contando outras histórias e, o que é melhor, sem comprometer, ficando no mesmo nível de qualidade e diversão da primeira parte. É uma pena que, para cada série coesa e de qualidade como a trilogia POSSUÍDA, tenhamos que agüentar sete A COLHEITA MALDITA, sete THE HOWLING, dez SEXTA-FEIRA 13, e por aí vai, além da onda de remakes atual no cinema americano... |
Se no filme original, GINGER SNAPS (2000), acompanhamos a forma como duas irmãs adolescentes do Canadá enfrentam o fenômeno da licantropia (ou a transformação em lobisomem) em pleno século 21, e na seqüência, GINGER SNAPS UNLEASHED (2004), vimos o destino da sobrevivente do filme anterior, o que poderíamos esperar do terceiro filme, chamado GINGER SNAPS BACK (e filmado junto com a parte 2, ao mesmo tempo, para economizar)? Bem, não havia mais história para contar sem mudar as personagens dos dois filmes anteriores. Mas os produtores não queriam fazer isso, pois sabiam que parte do sucesso da série vinha do relacionamento fora do comum entre as irmãs Fitzgerald, Ginger (a gatinha Katharine Isabelle) e Brigitte (a talentosa e "esquisita" Emily Perkins). Assim, surgiu a idéia de uma "prequel", ou seja, uma seqüência que conta fatos acontecidos antes dos filmes anteriores.
A sugestão foi do próprio diretor do terceiro filme, Grant Harvey. Ele conta que, quando foi convidado para dirigir a seqüência, batizada POSSUÍDA 3: O INÍCIO no Brasil, reuniu-se com os produtores para sugerirem idéias para a história. Harvey sonhava em ver Brigitte usando uma espada, e chegou a pensar em fazer uma versão da história do primeiro filme, mas situando o enredo na Idade Média, com um toque medieval, à la EVIL DEAD 3 (onde o herói interpretado por Bruce Campbell também voltava para a Idade Média). No fim, chegaram a um consenso: os roteiristas Stephen Massicotte e Christina Ray resolveram situar a trama no Canadá do século 19, mais precisamente em 1812. Mais sério e sinistro que os dois anteriores, este novo filme, ainda que inferior, continua uma excelente diversão e melhor do que a maioria das produções americanas recentes no gênero - até porque eles estão ocupados refilmando tudo, não é mesmo?

POSSUÍDA 3: O INÍCIO começa com uma rápida introdução, explicando que uma liga comercial - a Northern Legion Trading Company - usa um forte (chamado Forte Bailley, referência às
"Colinas Bailley" onde Ginger e Brigitte moram em
POSSUÍDA) como ponto de troca de mercadorias. Eles esperam há dois meses por uma expedição que atravessou a floresta para trocar peles de animais por víveres, necessários para a sobrevivência dos habitantes do forte, que está localizado em uma região desolada e distante da civilização. Entretanto, nem sinal do retorno dos colegas, que foram, obviamente, dizimados pelos lobisomens que vivem na floresta congelada.
Logo, vemos a silhueta de um cavalo cruzando a neve com duas ocupantes, as irmãs Ginger e Brigitte Fitzgerald, novamente interpretadas por Katharine Isabelle e Emily Perkins. Antes que alguém pergunte
"Mas como é que as personagens voltaram no tempo???", vamos deixar claro que estas não são a Ginger e a Brigitte de
POSSUÍDA 1 e
2, mas sim as antepassadas delas (que tinham o mesmo nome e a mesma cara, em algo que só acontece em filmes!!!!). Foram estas moças do século 19 que, aparentemente, deram origem ao ramo amaldiçoado da família Fitzgerald (e as irmãs do século 21 seriam uma espécie de
"reencarnação" destas personagens). Cavalgando sozinhas, elas procuram por um povoado vindas não se sabe de onde, após ficarem orfãs no naufrágio de um navio conduzido pelo pai, que queria desbravar aquela região inóspita. A dupla chega a um acampamento indígena devastado, com sangue por toda parte, e uma velha índia vidente que, claro, fala em código e deixa uma mensagem a Ginger:
"Mate o menino, ou uma irmã matará a outra". Então, subitamente, o cavalo das irmãs é assustado por alguma coisa na floresta e sai em disparada. Na perseguição do animal, Brigitte pisa em uma armadilha para animais, que prende seu pé. Surge então um caçador índio, chamado Hunter (Nathaniel Arcand), para ajudar as duas irmãs.


Hunter conduz Ginger e Brigitte até o Forte Bailley, onde seus habitantes parecem estar tentando se defender de algo muito assustador que vem do lado de fora, pois há estacas pontiagudas de madeira e crucifixos na entrada. As irmãs são recebidas com suspeita pelos habitantes do forte, que temem a visita de pessoas desconhecidas. Imediatamente, Brigitte é levada até o dr. Murphy (Matthew Walker), que utiliza sanguessugas para retirar o
"sangue ruim" do ferimento. As irmãs nem desconfiam, mas as sanguessugas também são usadas pelo médico para identificar pessoas infectadas pela mordida de licantropos - porque, como em
O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, de Jonh Carpenter, o sangue contaminado pela licantropia
"reage", acusando alguém que foi atacado pelos lobisomens.
No forte vivem alguns militares, liderados pelo comandante Wallace Rowlands (Tom McCamus), que perdeu a esposa e o filho Geoffrey recentemente, ambos vítimas dos lobisomens. Também há caçadores comerciantes de peles, como Seamus (Adrien Dorval) e Claude (David La Haye); um padre fanático religioso, o reverendo Gilbert (Hugh Dillon, que quase ficou com o papel de Michael Keaton em
JACKIE BROWN, de Quentin Tarantino), e um jovem cartógrafo, Finn (Brendan Fletcher, que interpretou Jeremy em
POSSUÍDA 2). O clima está pesado no local, porque os moradores do forte, além de se defenderem dos ataques de criaturas vindas da floresta, ainda estão presos no local sem provisões, esperando inutilmente pela expedição que foi massacrada pelos lobisomens. Eles, claro, olham Ginger e Brigitte com suspeitas, ainda mais pelo fato de uma das garotas estar ferida.


Certa noite, Ginger escuta gemidos e perambula sozinha pelos corredores escuros do forte. Ela então descobre, da pior forma possível, que Rowlands mantém seu filho Geoffrey ainda vivo e trancafiado em uma salinha. Como ele foi mordido por um lobisomem, o garoto passa pela mesma lenta e dolorosa transformação dos filmes anteriores e, neste processo, morde Ginger, que é então contaminada com a licantropia. À medida que também vai lentamente se transformando em
"mulher-lobo", Ginger percebe a lógica nas palavras da índia no início do filme, percebendo que deve matar Geoffrey para quebrar a maldição e parar a transformação antes que seja tarde. Porém, os homens do forte desconfiam que a moça está contaminada e dificultam sua missão. Somente o misterioso Hunter parece interessado em ajudar as irmãs a vencerem a maldição.
É inegável que
POSSUÍDA 3: O INÍCIO tem o roteiro mais fraco da série, praticamente um
"remake" do primeiro filme, só que com a ambientação trocada dos dias atuais para o século 19. É justamente a ambientação que valoriza o espetáculo. A cenografia é impressionante, com o forte cercado pela neve e pelos lobisomens; figurinos e armas históricas também são muito bem-feitos, ainda mais considerando a produção independente e barata. Ainda é interessante ver o contraste entre o
"novo" e o
"antigo", pois Ginger e Brigitte lembram duas jovens dos tempos modernos, só que fora do seu habitat, isoladas em um forte cheio de homens arrogantes e rudes do século 19, onde não existiam expressões como
"politicamente incorreto" ou
"direitos iguais", e as mulheres eram tratadas como vagabundas, inclusive levando socos na cara. Só soou meio artificial o fato das garotas usarem expressões e gírias modernas naquela época, como quando Ginger diz:
"These people are fucked".


Entretanto, o fã da série até esquecerá o roteiro fraquinho ao perceber que esta seqüência dá mais destaque à ambientação e à ação e violência. Comparando com os dois filmes anteriores, este é o que menos tem humor negro (algo que eu, pessoalmente, senti falta), levando-se mais a sério que seus antecessores. Se em
POSSUÍDA 1 a licantropia era representada como uma espécie de metáfora para as transformações da puberdade e em
POSSUÍDA 2 fazia-se uma relação entre a maldição e o vício em drogas, em
POSSUÍDA 3 não existe nada tão
"complicado" e o filme acaba se resumindo a uma seqüência de ataques de lobisomem, que mantém o suspense graças à situação claustrofóbica - os personagens presos num local (o velho forte) de onde é impossível fugir. Ao contrário dos filmes anteriores, neste não é um único lobisomem, mas uma verdadeira alcatéia, que invade o forte na metade final, sob o comando de uma já transformada Ginger.
Mas é uma pena que
POSSUÍDA 3 não explore seu cenário histórico como deveria. Apesar das roupas e armas lembrarem o século 19, o roteiro perde a chance de enfocar a forma como as mulheres eram tratadas na época (Ginger e Brigitte têm até muita liberdade dentro do forte, quando, na época, a coisa certamente não funcionava desse jeito; e elas nem ao menos são atacadas sexualmente pelos caçadores e soldados solitários, que estão há meses sem ver mulher). O roteiro também esqueceu de representar melhor a relação entre os
"civilizados" comerciantes canadenses e os
"selvagens" indígenas, já que em vários momentos do filme fica bem claro que ambos não se bicam. Não chega a ser um ponto negativo, pois o mesmo acontecia em
UM DRINK NO INFERNO 3, quando a ambientação mudava (o filme se passa no Velho Oeste), mas o objetivo era o mesmo: apenas narrar uma divertida história de vampiros.


O grande mérito das partes 1 e 2 está presente também em
POSSUÍDA 3: nada de computação gráfica nos efeitos especiais. Lobisomens e cenas de morte são feitas através da boa e velha maquiagem, muitas vezes exageradamente sangrenta. Se há CGI no filme, ele é tão irrisório que nem se percebe. E as cenas de pessoas sendo atacadas pelos lobisomens não poupam em sangue e mutilações. A chacina no final, quando os humanos lutam contra os lobisomens e vice-versa, é o ponto alto do filme, que tem pelo menos duas seqüências bastante inspiradas: o jovem que é
"testado" com sanguessugas e revela-se contaminado pela licantropia, levando um balaço que lhe arranca o topo do crânio, e o caçador de peles que
"manda um recado" para a alcatéia de lobisomens ao cravar a cabeça decepada de um deles numa estaca de madeira do lado de fora do forte.
Fãs de horror também irão respirar aliviados ao perceber que não estão diante de outro legítimo
"horror teen". Se os filmes anteriores ainda tinham bastante adolescentes em cena, este é completamente diferente. Tirando Ginger e Brigitte, o elenco é predominantemente adulto, e todos os personagens são interpretados por excelentes atores que estão levando seus personagens muito a sério - o que dá credibilidade à coisa, fugindo da idéia de sátira. E olha que não são apenas personagens secundários/vítimas, como é comum no gênero. Cada um tem suas próprias características, do reverendo caduco que acredita que os lobisomens são uma forma de punir o pecado ao comandante que não tem coragem de matar o próprio filho, mesmo testemunhando sua lenta transformação em lobisomem. Sem esquecer, é claro, do grande destaque: o índio Hunter, que combate os lobisomens armado até os dentes com facas, machados e arco-e-flecha, lembrando bastante o heróico Mani (interpretado por Mark Dacascos), do filme francês
O PACTO DOS LOBOS.
É impossível não comentar, mais uma vez, a química perfeita entre Katharine Isabelle e Emily Perkins, que novamente parecem ser irmãs de verdade. A impressão que fica é que elas são amigonas também do outro lado da tela, fora das filmagens. Katharine praticamente repete seu papel de Ginger do primeiro filme, mas pelo menos está mais natural e tem mais espaço em cena do que na parte 2 (quando só aparecia como
"fantasma"). Já Emily continua fascinante em cena: mesmo sendo um tanto
"esquisita", ela está até mais bonita neste terceiro filme, porém sua personagem é uma sombra da Brigitte do século 21, fazendo muito pouco além de tentar ajudar, o tempo todo, a sua maninha. Não consigo imaginar um filme da série sem essas duas talentosas atrizes em cena. E Katharine ainda tem uma rápida (piscou, perdeu) cena de nudez.


Enquanto
POSSUÍDA 2: FORÇA INCONTROLÁVEL não podia ser visto por espectadores que não conheciam o primeiro filme, pois as explicações sobre os personagens e a história inexistiam,
POSSUÍDA 3 ainda tem o mérito de ser perfeitamente
"entendível" pelos marinheiros de primeira viagem. Então, se você não viu ou não encontrou na sua locadora
POSSUÍDA 1 e
2, não se deixe espantar pelo número 3 no título desta seqüência e pode alugar mesmo assim, pois a história funciona de forma independente e as citações a locais e personagens dos outros filmes não fazem qualquer diferença nem atrapalham a diversão - a prova é que minha mãe, surpreendentemente, sentou na sala para acompanhar o filme junto comigo e em nenhum momento ficou perdida ou fazendo perguntas sobre os filmes anteriores. A única coisa que parecerá esquisita para quem não conhece os anteriores é o final, que, confesso, me surpreendeu. Quando qualquer um esperaria um repeteco do final do primeiro
POSSUÍDA, o roteirista manda bem e se sai com uma explicação para o surgimento da linhagem Fitzgerald como vista no filme original. Mas isso poderá decepcionar quem não viu o primeiro filme, pois a conclusão parecerá muito seca e injustificada. Certamente, aumentará bastante a curiosidade para ver as primeiras partes.
Infelizmente, o filme não é 100% por causa da mão pesada do diretor iniciante Grant Harvey. Embora ele não faça feio nas cenas de ação e horror, e brinde o espectador com algumas cenas muito bem enquadradas (tipo a entrada dos lobisomens no forte, que é filmada de cima), o diretor comete o crime de frear o filme justamente quando ele deveria ficar mais rápido e movimentado. Isso acontece aproximadamente aos 50 minutos de projeção, quando começa uma dispensável seqüência onde as irmãs fogem do forte para procurar pela profeta índia, uma reviravolta completamente dispensável e que não faz a menor diferença na história (além de deixar o filme parado por uns 15 minutos). Harvey até contorna esse erro no final, quando a ação volta a rolar. Mas o filme poderia muito bem ter passado sem essa bobagem da velha índia, que consome preciosos minutos da trama e não acrescenta nada... Também infelizmente,
POSSUÍDA 3 foi o único filme da série a parar direto nas locadoras, sem a exibição nos cinemas canadenses, apesar de contar com a melhor fotografia da série - a culpa foi do desempenho fraco do segundo filme nas bilheterias. Já nos EUA e também no Brasil, os três foram direto para as locadoras.
Se o
POSSUÍDA original, de 2000, era um excelente e bem escrito filme de horror independente (e sangrento), que praticamente já nasceu
"cult", e
POSSUÍDA 2 veio para continuar a história e dar um desfecho completamente inesperado aos acontecimentos do primeiro filme,
POSSUÍDA 3: O INÍCIO é o episódio mais convencional da série, e, justamente por isso, aquele que é mais acessível ao grande público. Isso quer dizer que é ruim? Não, e qualquer fã de
POSSUÍDA ou de lobisomens em geral vai aprovar. A seqüência ainda termina deixando o espectador com a maior vontade de ver um
POSSUÍDA 4, embora nada neste sentido tenha sido anunciado... ainda. Porém, uma coisa é certa: sem a perfeita química em cena de Katharine Isabelle e Emily Perkins, é bom que nenhum produtor espertinho pense em fazer um novo filme só para faturar. É tão improvável pensar na série
POSSUÍDA sem Katharine e Emily quanto um
INDIANA JONES sem Harrison Ford ou um
SEXTA-FEIRA 13 sem Jason.

OUTROS LOBISOMENS QUE SÃO O BICHO
As locadoras têm diversos filmes de lobisomens, mas poucos deles são bons. Ironicamente, é mais fácil encontrar os títulos ruins, como as intragáveis seqüências de
THE HOWLING (a série
GRITO DE HORROR) e bobagens do tipo
LUA SANGRENTA e
ARIZONA WEREWOLF. Para saber separar o joio do trigo, confira uma seleção dos melhores filmes com homens-lobo disponíveis no Brasil:
o
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES (An American Werewolf in London, 1981, EUA). Direção: John Landis.
De um diretor famoso por comédias (como as excelentes
OS IRMÃOS CARA-DE-PAU e
CLUBE DOS CAFAJESTES) saiu um dos melhores filmes de horror dos anos 80, além de um dos grandes filmes de lobisomem de todos os tempos. No meu caso, ainda tem valor sentimental - foi o primeiro filme de horror que vi, quando passou
"pela primeira vez na televisão" no SBT. A história todo mundo está careca de saber: dois jovens americanos (David Naughton e Griffin Dunne), passeando pela área rural da Inglaterra, são atacados por um lobisomem. Um morre e o outro é ferido, sendo tratado num hospital de Londres, onde se apaixona pela sua enfermeira. Mas o amigo morto aparece como um fantasma em decomposição para alertá-lo de que, na próxima lua cheia, ele também se transformará em lobisomem. A geração atual, fã de
PÂNICO e MTV, vai torcer o nariz para o fato de demorar uma hora até o lobisomem entrar em cena e matar alguém. Mas quem se importa com o que eles pensam? O filme tem simplesmente a melhor transformação de homem em lobo da história do cinema (a cargo do mestre Rick Baker), muito antes da computação gráfica tomar conta dos filmes. Vale (e muito) a pena conhecer. Teve uma continuação fraca e desnecessária:
UM LOBISOMEM AMERICANO EM PARIS.
o
GRITO DE HORROR (The Howling, 1981, EUA). Direção: Joe Dante.
Outra obra-prima do gênero, filmada praticamente ao mesmo tempo de
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES (os diretores Dante e Landis são velhos amigos). Neste, que é uma homenagem aos filmes B de antigamente, uma jornalista (Dee Wallace-Stone) é atacada por um psicopata, que depois é morto pela polícia. Para se recuperar do trauma, ela convence o namorado a irem para uma clínica de repouso, que fica isolada no meio da floresta e é dirigida por um esquisito psiquiatra (o veterano Patrick Macnee). Claro que há misteriosos lobos que andam em duas patas rodeando pela região...
GRITO DE HORROR tem boas surpresas e outra impressionante cena de transformação, digna de comparação com
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES. Além de tudo, o vilão Eddie Quist, interpretado por Robert Picardo, virou figura antológica do gênero. O filme prima mais pela ação, inclusive com o ataque de diversos lobisomens e um final excelente e irônico. Destaque para o elenco, que tem os veteranos Slim Pickens, John Carradine, Patrick Macnee e Kevin McCarthy. O sucesso do filme deu origem a uma série de continuações lamentáveis e completamente desnecessárias, sem relação com a história original - a última delas (parte 7!!!) saiu em 1995.
o
A HORA DO LOBISOMEM (Silver Bullet, 1985, EUA). Direção: Daniel Attias.
Exibido na TV com seu título original,
BALA DE PRATA (o nome A
HORA DO LOBISOMEM surgiu na época em que todos os filmes de terror tinham
"A HORA..." no título), é uma produção eficiente, baseada em livro curto de Stephen King. O roteiro do próprio King garantiu fidelidade à fonte, mantendo seus toques
"Kinguianos", como o fato da história ser contada do ponto de vista de crianças, e como estas se unem para enfrentar um mal poderoso. No caso, um menino paralítico (o hoje sumido Corey Haim) desconfia que um lobisomem é o responsável pela onda de violentos assassinatos que assola a pequena cidade onde vive. Se já é difícil convencer os
"adultos" de que há um monstro lendário à solta, imagine como explicar que ele, na verdade, é o estimado e popular padre da cidadezinha (interpretado por um assustador Everett McGill). O filme é de produção barata e tem efeitos fracos, ainda mais se comparados aos dois títulos citados anteriormente. Para contornar esse problema, o diretor usa muitos closes e cenas escuras para
"esconder" a criatura. Em compensação, não poupa na violência, com cabeças decepadas e pessoas mutiladas. No Brasil, o filmeco
LONE WOLF, de 1988, foi lançado com o título enganoso
A HORA DO LOBISOMEM 2, mas não tem nada a ver.
o
DOG SOLDIERS - CÃES DE CAÇA (Dog Soldiers, 2002, Inglaterra). Direção: Neil Marshall.
Impressionante produção de baixo orçamento que deu uma revitalizada no gênero
"lobisomens", praticamente na mesma época do primeiro
POSSUÍDA. Citando vários outros clássicos do gênero, de
A NOITE DOS MORTOS-VIVOS a
EVIL DEAD, é a história de um grupo de soldados que se embrenha na selva para uma missão de treinamento, utilizando balas de festim. Porém, ali, são atacados por uma horda de lobisomens. Aos poucos, os soldados que são apenas mordidos, mas não devorados, acabam também se transformando em lobisomens (o que lembra os filmes de zumbis). Os sobreviventes se refugiam em uma velha casa de fazenda, onde tentam sobreviver à noite de horror. Sem poupar ação e violência,
DOG SOLDIERS contorna o orçamento modesto com muita inventividade. Uma boa coisa foi ter deixado de lado a computação gráfica, apelando apenas para a boa e velha maquiagem - mesmo que alguns dos lobisomens pareçam muito falsos, com a boca sempre aberta, imóvel. O filme também aposta no exagero, incluindo uma vítima que tem as tripas arrancadas e não morre, sendo depois
"remendada" com Super Bonder! Uma boa o final irônico, mas já foi anunciada uma continuação.
o
A PASSAGEM (Waxwork, 1988, EUA). Direção: Anthony Hickox.
Nesta excelente produção do amalucado Hickox, repleta de homenagens a clássicos do cinema de horror, o lobisomem é apenas um personagem secundário. Mesmo assim, vale a pena. A história é sobre jovens que vão parar em um museu de cera maldito, que reproduz personagens populares do cinema e literatura de terror. Aos poucos, cada uma das vítimas é
"tragada" para um dos cenários e passa a fazer parte da cena ali representada. Neste ponto, o filme se divide em segmentos curtos e muito divertidos. Aquele envolvendo o lobisomem é estrelado por John Rhys-Davies (de
OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA e
O SENHOR DOS ANÉIS) e Dana Ashbrook (da série
TWIN PEAKS). Tem uma boa cena de transformação, feita com criatividade, apesar do orçamento modesto. Outro filme um tanto desconhecido no Brasil e que vale a pena conhecer, pois ainda tem referências a vampiros, múmias e até mortos-vivos. Teve até uma continuação com o mesmo tom amalucado e paródico, lançada por aqui como
WAXWORK 2 - PERDIDOS NO TEMPO.
o
O GAROTO DO FUTURO (Teen Wolf, 1985, EUA). Direção: Rod Daniel.
Não é exatamente um filme de horror, puxando mais para a comédia, mas é bem divertido e fez sucesso, gerando até mesmo uma série em desenho animado. O título nacional imbecil só existe porque, na mesma época, o astro juvenil Michael J. Fox tinha estrelado
DE VOLTA PARA O FUTURO. Fox aqui interpreta um típico adolescente americano panaca que descobre, certo dia, pertencer a uma longa linhagem de lobisomens. E a transformação é inevitável. A única diferença é que o jovem nerd começa a conviver muito bem com o fato de ser lobisomem, tornando-se a grande atração do colégio e inclusive um astro do basquete. Comédia boba que chegou a ganhar uma fraca continuação (sem Michael J. Fox), mas divertida para quem era criança/adolescente na época do seu lançamento e quer relembrar os velhos tempos.
Felipe M.Guerra
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POSSUÍDA 3: O INÍCIO (Ginger Snaps Back: The Beginning, Canadá, 2004.
Direção: Grant Harvey
Roteiro: Stephen Massicotte; Christina Ray
Produção: Paula Devonshire; Grant Harvey; Steven Hoban
Produção Executiva: Mark Smith; Noah Segal
Fotografia: Michael Marshall
Música: Alex Khaskin Edição: Ken Filewych Desenho de Produção: Todd Cherniawsky
Direção de Arte: Doug Blackie
Figurino: Alex Kavanagh
Elenco: Emily Perkins (Brigitte); Katharine Isabelle (Ginger); Nathaniel Arcand (Caçador); JR Bourne (James); Hugh Dillon (Reverendo Gilbert); Adrien Dorval (Seamus); Brendan Fletcher (Finn); David La Haye (Claude); Tom McCamus (Wallace Rowlands); Matthew Walker (Murphy); Fabian Bird (Milo); Kirk Jarrett (Owen); David MacInnis (Cormac)
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