PREMONIÇÃO 3
(Final Destination 3, EUA, 2006)

Direção: James Wong
Roteiro: Glen Morgan; James Wong; Jeffrey Reddick
Produção: Glen Morgan; Craig Perry; James Wong; Warren Zide
Edição: Chris G. Willingham
Música: Shirley Walker
Elenco: Mary Elizabeth Winstead (Wendy Christensen); Ryan Merriman (Kevin Fischer); Kris Lemche (Ian McKinley); Alexz Johnson (Erin Ulmer); Sam Easton (Frankie Cheeks); Jesse Moss (Jason Robert Wise); Gina Holden (Carrie Dreyer); Texas Battle (Lewis Romero)
Distribuição: PlayArte


SINOPSE
Wendy Christensen é uma estudante que falha em impedir que seus amigos morram em um acidente de montanha-russa previsto por ela. Juntando-se ao colega de sala Kevin Fischer, Wendy tem que correr contra o tempo para fugir da Morte. Para isso, ela precisa visitar os sobreviventes daquele acidente.


“Não adianta gritar! A morte está de volta em velocidade máxima!”

Antes de falarmos sobre Premonição 3 (Final Destination 3, 2006), precisamos fazer uma importante diferença entre duas categorias bem antagônicas de filmes de terror. A primeira responde pelas produções do gênero que são consideradas sérias e possuem histórias sustentadas por um bom roteiro, argumento sólido e direção competente. Tais trabalhos geralmente costumam provocar o que podemos chamar de medo real, além de render boas críticas para a produção. Uma segunda categoria de projetos de terror é representada por trabalhos feitos mais para entreter do que para assustar. Estas tramas costumam possuir roteiros mais simples e previsíveis, exagerar na violência e no sangue, além de conter situações que são consideradas clichês.

Feita essa divisão, vamos lançar uma pergunta importante: qual destas duas características oferece os melhores filmes de terror? Tal resposta não poderá ser dada aqui, pois vai ser diferente para cada pessoa.
Isso acontece pois existe um número de fãs do gênero que prefere trabalhos mais sérios e macabros, enquanto outros, igualmente apreciadores, gostam mais de histórias leves e simples. É por isso que é tão comum ver pessoas apaixonadas por O Chamado (Ringu, 1998), mas que odeiam Pânico (Scream, 1996) e vive-versa. A verdade é que ambas as características podem gerar filmes bons como também, diversos trabalhos ruins.



Podemos então classificar Premonição 3, que teve sua estréia nacional no fim de semana passado, na categoria das produções de terror feitas como forma de entreter e provocar apenas sustos. O filme é ruim por isso? Não necessariamente, uma vez que, para o que se propôs a ser, este novo Premonição oferece exatamente o que o público fã deste gênero quer ver: diversas cenas mirabolantes de morte, muitos momentos que provocam susto fácil, bons efeitos especiais, mulheres bonitas e que aparecem nuas, além de seqüências de adrenalina, como a de abertura e a de encerramento. O filme possui falhas? Sim, algumas bem graves, como a total falta de originalidade do roteiro, que faz a história parecer uma refilmagem da produção original.

O filme começa com a já tradicional cena da premonição que desta vez acontece antes de um grupo de amigos embarcar em um passeio de montanha russa. A mocinha da vez responde pelo nome de Wendy (Mary Elizabeth Winstead, O Chamado 2, 2005) e que, após a terrível visão, consegue deixar o brinquedo. Porém alguns amigos da garota não tiveram a mesma sorte e logo a terrível premonição se concretiza num fatal acidente. Dias depois, os sobreviventes da tragédia começam a morrer de formas violentas e misteriosas, o que leva Wendy a crer que a morte, representada como uma força da natureza, voltou para terminar o trabalho inconcluso no parque de diversões, trucidando quem escapou do acidente na montanha russa.



Com essa sinopse feita acima, já é possível perceber que o roteiro assinado por Glen Morgan e James Wong mais parece uma refilmagem do primeiro Premonição (Final Destination, 2000) do que uma seqüência. Tal coincidência não acontece por acaso, pois a trama do filme original foi também assinada pela dupla, que na ocasião, conseguiu chamar a atenção de público e crítica pela originalidade da história, o que, definitivamente, não acontece nesse terceiro capítulo. Além do mais, Premonição 3 tem toda espécie de clichê possível na forma como a história é desenvolvida, além de apresentar os personagens mais chatos dos últimos anos. São os típicos pós-adolescentes norte-americanos: as patricinhas fúteis, o fortão sem cérebro, o que só pensa em sexo, o gótico malvado, entre tantos outros já conhecidos. E o que falar do elenco? Não faz nada além do trivial.

O que realmente atrai então os admiradores do gênero em Premonição 3? As diversas seqüências de morte, que são excelentes, além do ritmo rápido para narrar a história, que não perde tempo com explicações banais ou criação de um suspense que, para este terceiro filme, apenas atrasaria a ação. Crédito do diretor James Wong que, se não apresentou nenhuma novidade, ao menos não tornou a história tediosa. E com o orçamento de US$ 34 milhões, Premonição 3 ganhou algumas ótimas cenas visuais, como a da própria tragédia da montanha russa, que não fica atrás das “premonições” vistas nos filmes 1 e 2..



Premonição 3 teve uma produção difícil de ser realizada. Originalmente, o filme deveria ter sido lançado no final de 2004, quando ficou pronto, mas após uma exibição teste, o diretor resolveu mudar o final da trama, acrescentando a seqüência do metrô, além de refazer toda a parte inicial do filme, passada no parque de diversões. Tal sacrifício valeu a pena, pois o Premonição 3 tem nestas cenas seus momentos mais interessantes do quesito terror, entretenimento e estética visual. No entanto, a decisão de refazer essas partes importantes da película atrasou a conclusão do filme em quase um ano, que só ficou pronto no final de 2005 e teve seu lançamento apenas no começo de 2006.

Sucesso nos EUA, a produção arrecadou no primeiro mês de exibição a quantia de US$ 49 milhões, excelente valor principalmente referente a uma seqüência de um trabalho de terror. Ainda é cedo para afirmar se um quarto filme da franquia vai ganhar sinal verde para uma futura produção. Isso, só o tempo dirá. Talvez a dúvida que esteja passando pela sua cabeça agora é se Premonição 3 vai lhe agradar ou não. Se você é fã de trabalhos simples, com mortes criativas, sangue e sustos previsíveis, provavelmente você vai gostar da produção. Analisando dessa forma, Premonição 3 pode ser visto como um passeio de montanha russa, com bons momentos, mas que não vai influenciar sua vida ou fazer você perder o sono. Aproveite então este passeio enquanto ele durar e bom filme..



Mortes criativas:

O grande êxito de Premonição 3, assim como dos dois filmes anteriores, é o de acompanhar a capacidade dos roteiristas em criarem as mais estranhas, curiosas, bizarras e agressivas mortes já vistas no cinema. E neste novo filme, o grande chamariz da produção é adivinhar a forma como o próximo coadjuvante vai ser trucidado. O primeiro destaque em Premonição 3 é o triste fim que duas amigas, as patricinhas da trama, vão ter. Com a intenção de dar um trato no visual, a dupla vai para uma clínica de estética fazer bronzeamento artificial. E vai ser neste lugar que o filme vai apresentar uma ótima seqüência, que além de chocar pelo teor agressivo, com certeza vai chamar a atenção de pessoas claustrofóbicas que vão se contorcer nas poltronas dos cinemas durante a cena.

Uma outra morte que é no mínimo curiosa acontece dentro de uma academia de ginástica. A primeira observação que deve ser feita com relação a este local é a forma como ele foi representado no filme: com alguns caras fortões, que treinam aos gritos, além de fazerem caras de maus e com um urso empalhado (!!!) que é espancado por esses “atletas”. Esta academia de Premonição 3 é surreal, assim como o personagem que está nela pronto para receber um fim mirabolante. A cena, assim como o contexto da academia, é tão exagerada que muitas pessoas começarão a rir quando ela finalmente acabar. Pobre do urso....



Em um outro momento interessante da trama, os sobreviventes estão em uma espécie de armazém até que o inesperado acontece... literalmente quando uma máquina liga sozinha, começa a andar, atropela alguns tubos de detergentes, bate em uma prateleira, derruba estacas e por aí vai. Mesmo com todo esse passo a passo, a conclusão (morte) desta cena é uma das melhores do filme.

Curiosidades:

- Premonição 3 é uma história sem ligação com os filmes anteriores. No entanto as ações das tramas passadas são mencionadas, quando o casal principal do novo episódio está buscando explicações para os estranhos acontecimentos. O mocinho vai encontrar na internet informações referentes à tragédia do vôo 180, do primeiro filme, enquanto a mocinha vai descobrir em um jornal antigo uma reportagem sobre o terrível acidente na auto-estrada 180, de Premonição 2 (Final Destination 2, 2003).

- Uma das primeiras notícias referentes ao Premonição 3 informava que o filme seria em 3D, mas essa informação logo foi desmentida.

- Tony Todd, que fez o agente funerário nos dois primeiros filmes, chegou a estar cotado para repetir o papel no novo Premonição, mas seu personagem acabou sendo retirado da trama. No entanto, o ator emprestou sua voz para dublar o diabo que fica na entrada da montanha russa. Ele também foi o locutor do metrô anunciando “Esse é o final da linha”.

- A canção tocada no funeral de Ashley e Ashlyn é a mesma utilizada durante as homenagens às vítimas do vôo 180 no primeiro filme. .



- O processo de pré-produção foi marcado por falsas notícias, como a qual o ator Tony Todd informou que o acidente, do começo do filme, seria passado em um navio, ou ainda quando o nome da cantora Kelly Osbourne esteve ligado como possível envolvida no filme. Seria interessante vê-la morrer em cena...

Filipe Falcão




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