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Antes de falarmos sobre Premonição 3 (Final Destination 3, 2006), precisamos fazer
uma importante diferença entre duas categorias bem antagônicas de filmes de
terror. A primeira responde pelas produções do gênero que são consideradas sérias
e possuem histórias sustentadas por um bom roteiro, argumento sólido e direção
competente. Tais trabalhos geralmente costumam provocar o que podemos chamar de
medo real, além de render boas críticas para a produção. Uma segunda categoria de
projetos de terror é representada por trabalhos feitos mais para entreter do que
para assustar. Estas tramas costumam possuir roteiros mais simples e previsíveis,
exagerar na violência e no sangue, além de conter situações que são consideradas
clichês.
Feita essa divisão, vamos lançar uma pergunta importante: qual destas duas
características oferece os melhores filmes de terror? Tal resposta não poderá ser
dada aqui, pois vai ser diferente para cada pessoa. |
Isso acontece pois existe um
número de fãs do gênero que prefere trabalhos mais sérios e macabros, enquanto
outros, igualmente apreciadores, gostam mais de histórias leves e simples. É por
isso que é tão comum ver pessoas apaixonadas por O Chamado (Ringu, 1998), mas que
odeiam Pânico (Scream, 1996) e vive-versa. A verdade é que ambas as
características podem gerar filmes bons como também, diversos trabalhos ruins.


Podemos então classificar
Premonição 3, que teve sua estréia nacional no fim de
semana passado, na categoria das produções de terror feitas como forma de entreter
e provocar apenas sustos. O filme é ruim por isso? Não necessariamente, uma vez
que, para o que se propôs a ser, este novo
Premonição oferece exatamente o que o
público fã deste gênero quer ver: diversas cenas mirabolantes de morte, muitos
momentos que provocam susto fácil, bons efeitos especiais, mulheres bonitas e que
aparecem nuas, além de seqüências de adrenalina, como a de abertura e a de
encerramento. O filme possui falhas? Sim, algumas bem graves, como a total falta
de originalidade do roteiro, que faz a história parecer uma refilmagem da produção
original.
O filme começa com a já tradicional cena da premonição que desta vez acontece
antes de um grupo de amigos embarcar em um passeio de montanha russa. A mocinha da
vez responde pelo nome de Wendy (Mary Elizabeth Winstead,
O Chamado 2, 2005) e
que, após a terrível visão, consegue deixar o brinquedo. Porém alguns amigos da
garota não tiveram a mesma sorte e logo a terrível premonição se concretiza num
fatal acidente. Dias depois, os sobreviventes da tragédia começam a morrer de
formas violentas e misteriosas, o que leva Wendy a crer que a morte, representada
como uma força da natureza, voltou para terminar o trabalho inconcluso no parque
de diversões, trucidando quem escapou do acidente na montanha russa.


Com essa sinopse feita acima, já é possível perceber que o roteiro assinado por
Glen Morgan e James Wong mais parece uma refilmagem do primeiro
Premonição (Final
Destination, 2000) do que uma seqüência. Tal coincidência não acontece por acaso,
pois a trama do filme original foi também assinada pela dupla, que na ocasião,
conseguiu chamar a atenção de público e crítica pela originalidade da história, o
que, definitivamente, não acontece nesse terceiro capítulo. Além do mais,
Premonição 3 tem toda espécie de clichê possível na forma como a história é
desenvolvida, além de apresentar os personagens mais chatos dos últimos anos. São
os típicos pós-adolescentes norte-americanos: as patricinhas fúteis, o fortão sem
cérebro, o que só pensa em sexo, o gótico malvado, entre tantos outros já
conhecidos. E o que falar do elenco? Não faz nada além do trivial.
O que realmente atrai então os admiradores do gênero em
Premonição 3? As diversas
seqüências de morte, que são excelentes, além do ritmo rápido para narrar a
história, que não perde tempo com explicações banais ou criação de um suspense
que, para este terceiro filme, apenas atrasaria a ação. Crédito do diretor James
Wong que, se não apresentou nenhuma novidade, ao menos não tornou a história
tediosa. E com o orçamento de US$ 34 milhões,
Premonição 3 ganhou algumas ótimas
cenas visuais, como a da própria tragédia da montanha russa, que não fica atrás
das
“premonições” vistas nos filmes 1 e 2..

Premonição 3 teve uma produção difícil de ser realizada. Originalmente, o filme
deveria ter sido lançado no final de 2004, quando ficou pronto, mas após uma
exibição teste, o diretor resolveu mudar o final da trama, acrescentando a
seqüência do metrô, além de refazer toda a parte inicial do filme, passada no
parque de diversões. Tal sacrifício valeu a pena, pois o
Premonição 3 tem nestas
cenas seus momentos mais interessantes do quesito terror, entretenimento e
estética visual. No entanto, a decisão de refazer essas partes importantes da
película atrasou a conclusão do filme em quase um ano, que só ficou pronto no
final de 2005 e teve seu lançamento apenas no começo de 2006.
Sucesso nos EUA, a produção arrecadou no primeiro mês de exibição a quantia de US$
49 milhões, excelente valor principalmente referente a uma seqüência de um
trabalho de terror. Ainda é cedo para afirmar se um quarto filme da franquia vai
ganhar sinal verde para uma futura produção. Isso, só o tempo dirá. Talvez a
dúvida que esteja passando pela sua cabeça agora é se
Premonição 3 vai lhe agradar
ou não. Se você é fã de trabalhos simples, com mortes criativas, sangue e sustos
previsíveis, provavelmente você vai gostar da produção. Analisando dessa forma,
Premonição 3 pode ser visto como um passeio de montanha russa, com bons momentos,
mas que não vai influenciar sua vida ou fazer você perder o sono. Aproveite então
este passeio enquanto ele durar e bom filme..

Mortes criativas:
O grande êxito de
Premonição 3, assim como dos dois filmes anteriores, é o de
acompanhar a capacidade dos roteiristas em criarem as mais estranhas, curiosas,
bizarras e agressivas mortes já vistas no cinema. E neste novo filme, o grande
chamariz da produção é adivinhar a forma como o próximo coadjuvante vai ser
trucidado. O primeiro destaque em
Premonição 3 é o triste fim que duas amigas, as
patricinhas da trama, vão ter. Com a intenção de dar um trato no visual, a dupla
vai para uma clínica de estética fazer bronzeamento artificial. E vai ser neste
lugar que o filme vai apresentar uma ótima seqüência, que além de chocar pelo teor
agressivo, com certeza vai chamar a atenção de pessoas claustrofóbicas que vão se
contorcer nas poltronas dos cinemas durante a cena.
Uma outra morte que é no mínimo curiosa acontece dentro de uma academia de
ginástica. A primeira observação que deve ser feita com relação a este local é a
forma como ele foi representado no filme: com alguns caras fortões, que treinam
aos gritos, além de fazerem caras de maus e com um urso empalhado (!!!) que é
espancado por esses
“atletas”. Esta academia de
Premonição 3 é surreal, assim como
o personagem que está nela pronto para receber um fim mirabolante. A cena, assim
como o contexto da academia, é tão exagerada que muitas pessoas começarão a rir
quando ela finalmente acabar. Pobre do urso....


Em um outro momento interessante da trama, os sobreviventes estão em uma espécie
de armazém até que o inesperado acontece... literalmente quando uma máquina liga
sozinha, começa a andar, atropela alguns tubos de detergentes, bate em uma
prateleira, derruba estacas e por aí vai. Mesmo com todo esse passo a passo, a
conclusão (morte) desta cena é uma das melhores do filme.
Curiosidades:
-
Premonição 3 é uma história sem ligação com os filmes anteriores. No entanto as
ações das tramas passadas são mencionadas, quando o casal principal do novo
episódio está buscando explicações para os estranhos acontecimentos. O mocinho vai
encontrar na internet informações referentes à tragédia do vôo 180, do primeiro
filme, enquanto a mocinha vai descobrir em um jornal antigo uma reportagem sobre o
terrível acidente na auto-estrada 180, de
Premonição 2 (Final Destination 2,
2003).
- Uma das primeiras notícias referentes ao
Premonição 3 informava que o filme
seria em 3D, mas essa informação logo foi desmentida.
- Tony Todd, que fez o agente funerário nos dois primeiros filmes, chegou a estar
cotado para repetir o papel no novo
Premonição, mas seu personagem acabou sendo
retirado da trama. No entanto, o ator emprestou sua voz para dublar o diabo que
fica na entrada da montanha russa. Ele também foi o locutor do metrô anunciando
“Esse é o final da linha”.
- A canção tocada no funeral de Ashley e Ashlyn é a mesma utilizada durante as
homenagens às vítimas do vôo 180 no primeiro filme. .


- O processo de pré-produção foi marcado por falsas notícias, como a qual o ator
Tony Todd informou que o acidente, do começo do filme, seria passado em um navio,
ou ainda quando o nome da cantora Kelly Osbourne esteve ligado como possível
envolvida no filme. Seria interessante vê-la morrer em cena...
Filipe Falcão
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